Quinto capítulo. Obrigada a todos que acompanham a fic, meus especiais agradecimentos as leitoras Tomoyo-chan, Sabaku no Hidura, Samy Winkot, seus comentários me incentivam a continuar. Um grande beijo a todos.
XXX
- Não adianta correr. Nós vamos te pegar!
O menino ruivo corre o mais que suas pernas curtas de criança agüentam, mas a multidão se aproxima cada vez mais. Ao longe ele vê uma figura conhecida, seu tio Yashamaru. O homem lhe segura pela mão e o puxa para dentro de uma casa. Gaara não reconhece o lugar. Entram num quarto com uma cama no centro. Ele não quer se aproximar do leito, mas o tio o puxa com força.
- Venha até aqui, garoto. Venha ver o que fez, moleque maldito.
- Não, por favor, me solte. - Gaara chorava, não queria chegar perto da cama.
- Olha o que você fez.
Gaara olha para a mulher deitada. Ela estava coberta de sangue, e havia mais sangue no chão e nas paredes. Aos poucos, o quarto ia ficando todo tingido de sangue.
- Gaara, por que fez isso comigo?Eu lhe dei a vida, eu o trouxe a este mundo. Por que você me matou? – pergunta a mulher.
Yashamaru o segurava pelos braços e o obrigava a olhar aquela cena. Sua mãe agonizando o acusava de ser um assassino, seu assassino
- Você matou minha irmã, sua própria mãe. Somente um monstro faria uma coisa dessas. Você vai pagar por isso! Vai pagar por todas as atrocidades que cometeu. Monstro!
Gaara se solta do tio, e foge correndo daquela casa. Ao alcançar a rua, a multidão o recebe, gritando:
- Monstro! Monstro! Monstro! Monstro! Monstro! Monstro!
Gaara cobre o rosto com as mãos e grita, uma grande mão de areia se forma e começa a atacar as pessoas.
- Ele vai nos matar, ele é um assassino, matou a própria mãe e agora vai nos matar.
As pessoas começam a jogar pedras nele, causando feridas em seu corpinho infantil, mas não é sangue que sai dos machucados e sim areia. A areia escorre por seus braços e pernas, cai ao chão e vai formando uma figura gigantesca.
- Olhem, ele esta liberando a bijuu, ele vai nos matar. Shukaku vai nos matar.
Gaara se assusta e corre em direção ao penhasco. Iria acabar com sua vida amaldiçoada. Ninguém o queria ninguém o amava. Foi quando algo mudou, ele ouve uma voz meiga e gentil chamando dizendo seu nome. Ele olha em volta e vê um vulto de começa arientá-lo.
- Inspire! Expire! Inspire! Expire!
Gaara acorda. Trêmulo ele acende a luz do abajur ao lado da cama. Com lágrimas nos olhos e respirando com dificuldade, ele relembra as cenas. Ele era um monstro, um assassino. Ele tirara a vida de sua mãe. Seu tio que ele pensava que o amava, na verdade o odiava. Seu pai mandara matá-lo. Todos na vila tinham medo dele. Mas tudo isso tinha ficado no passado. Ele era outra pessoa agora. Então por que os pesadelos o estavam atormentando? Aqueles pesadelos estavam transformando sua vida num inferno. Ele vinha cometendo erros, atribuindo missões a ninjas não qualificados para as mesmas. Não conseguia se concentrar nas reuniões com o conselho. E os comerciantes estavam reclamando sua presença. Precisava supervisionar as obras iniciadas no centro comercial, mas não tinha disposição para isso. Não tinha disposição para nada. Quando os agricultores vieram falar com ele sobre os roubos que estavam ocorrendo em suas terras, ele fora grosseiro e agressivo e praticamente os enxotara de sua sala. Depois percebera o erro e mandara dois ninjas para ajudá-los. A reunião dos Kages seria em dois meses, e ele não conseguia iniciar o relatório sobre as mudanças no sistema de defesa da vila. Queria expor as reformas que fizera na academia de formação de ninjas, mas fazia semanas que não colocava os pés naquele local. Na última vez que esteve lá, brigara com um dos senseis e apavorara toda uma turma de alunos, simplesmente por que o rapaz tropeçara e caira por cima dele. Isso repercutira muito mal. Comentava-se que ele voltara a ser o Gaara de antigamente.
Tudo isso era causado pela falta de descanso. Já não conseguia disfarçar as olheiras e as mãos tremulas. Ino tinha percebido tudo isso em poucos minutos. Outras pessoas também percebiam.
Quase sem perceber, começou a fazer os exercícios de respiração que aprendera com Ino na noite anterior. Isso pareceu relaxá-lo. Levantou-se, tomou um banho demorado e depois do café, saiu da casa em direção ao seu gabinete. Precisava trabalhar. Suna precisava dele e ele não deixaria que a vila que tanto amava sofresse por sua causa.
Algumas horas depois decidiu ir até a academia, precisava fazer um relatório das melhorias realizadas, para apresentar na reunião dos kages. Ele e Naruto estavam tentando elevar o nível do treinamento dos ninjas em todas as vilas e ele queria se valer de suas experiências para convencer os demais kages a investir na modernização de suas academias. Chamou um jounin para acompanhá-lo na visita.
XXX
Ino estava andando pela vila de Suna em direção a loja de essências que ela e Temari haviam visitado no dia anterior. Queria comprar um presente para Sai e pensou em lhe dar um incensário. Tinha visto um muito bonito feito em metal no formato de um pássaro. Pediu que embrulhassem para presente e entregassem na casa de Temari. Quando saia da loja avistou Gaara indo em direção à academia, acompanhado por um ninja de elite. Ele a viu e fez sinal com a mão para que ela se aproximasse.
- Kazekage-sama. – Ino fez uma reverência.
- Gostaria de nos acompanhar até a academia? Penso que iria gostar de conhecê-la, a construção foi inspirada na academia de Konoha.
- Será um prazer acompanhá-lo.
Ino começou a caminhar ao lado de Gaara. Ele não gostou da forma como o jounin olhou para Ino. Realmente era uma bela mulher. Chegaram rapidamente ao local. As pessoas abriam caminho para Gaara e seus acompanhantes. Um homem mais velho, usando uniforme ninja e bandana de Suna, veio até eles para cumprimentá-los. Gaara fez as apresentações.
- Ora, é um prazer receber uma kunoichi de Konoha em nossa escola. Por favor, entre. Esta escola foi criada por nosso Kazekage para formar novas gerações de ninjas mais bem treinados.
- É uma construção muito bonita. Realmente lembra muito a nossa escola.
O prédio tinha diversas salas para as aulas teóricas, um refeitório, um salão todo equipado com ferramentas ninjas que fariam o deleite de Tenten, uma sala de vídeo, uma enfermaria bem equipada e um grande pátio externo para simulação de lutas. Havia também um salão com equipamentos de ginástica, para prática de exercícios físicos.
Ino estava chamando muita atenção, não só por estar em companhia do Kazekage, mas também por sua beleza. Gaara estava muito incomodado com os olhares que ela recebia dos senseis presentes. Em uma das salas, um grupo de alunos estava praticando com um alvo. Eles lançavam kunais e shurikens em um boneco que se movia sobre um trilho. A pontaria deles era quase perfeita. Estavam todos concentrados e Ino parou para observar. Foi quando aconteceu.
Ino estava próxima a ao trilho por onde corria o boneco. Ela esperava por Gaara que parecia entretido na conversa com o sensei. Dois alunos começaram a discutir sobre de quem era a vez de lançar a kunai. Um tentou tirar a arma da mão do outro que a arremessou sem fazer pontaria. A arma voou em direção a Ino, atingindo-a no rosto, de raspão. O ferimento não foi grave, mas começou a escorrer muito sangue. O grito das crianças atraiu a atenção de Gaara e do sensei que correram para ajudar Ino. Ela estava paralisada, olhando o sangue em suas mãos e em seguida começou a tremer violentamente. Gaara se assustou com a reação da jovem, e pegando-a no colo, saiu com ela em direção a enfermaria.
Ela estava sentada na maca, com um curativo no rosto. Tinham lhe dado um calmante. Ela queria ir embora, não via a hora de sair daquele lugar. Hospitais e médicos lhe deixavam angustiada. Gaara via várias emoções passando pelo rosto da jovem. Angústia, medo, desespero. Ino parecia estar passando por uma tortura mental. Ele estava ali ao seu lado, esperando que ela fosse liberada para irem embora. Tinha reconhecido a reação dela. Hematofobia. Mas estava admirado. Ino tinha recebido treinamento médico e atendia emergências nos campos de batalha. Como podia ter medo de sangue? Lembrou-se de Tsunade. Ele sabia que ela também sofrera da mesma fobia, mas se recuperara.
Ino estava tensa, não conseguia olhar para ninguém. Envergonhava-se do que tinha acontecido. O que Gaara pensaria dela, agora? Será que ainda ia querer sua ajuda, após presenciar seu momento de fraqueza? Ela tinha certeza que ele percebera que ela tinha medo de sangue.
Ao chegaram a casa, Ino ficou a espera que ele lhe fizesse alguma pergunta, mas Gaara apenas tocou em seu ombro com gentileza.
-Vá descansar. Nos vemos após o jantar, na sala de terapia.
Ino o fita, grata pela compreensão dele. Sobe para seu quarto e deita-se. Exausta, pega no sono logo. Acorda quase na hora de jantar. Ela se arruma e desce, encontrando Temari que a esperava na cozinha.
- Ino – ela chama logo que a vê – está tudo bem? Contaram-me o que houve na academia. Aquelas crianças descuidadas. Gaara mandou o sensei conversar com elas seriamente. Ninjas devem ser cuidadosos com suas ferramentas.
- Eu estou bem, Temari. A culpa não foi das crianças, eu devia ter prestado mais atenção e não ficado tão perto do alvo.
- O importante é que esteja bem. O corte não esta doendo?
-Não, está tudo bem. Obrigada pela preocupação.
- Então vamos comer, deve estar faminta, já que ficou sem almoço.
Sentaram e começaram comer, Temari não fez mais nenhuma pergunta sobre o ocorrido. Disse lhe que tinham entregado um pacote com seu nome, que estava na sala e que Gaara tinha pedido para lhe avisar que chegaria logo.
Ino pega o pacote antes de se dirigir a sala de terapia, onde ficaria esperando Gaara. Ele não demorou muito a chegar. Entrou, cumprimento-a com educação e sentou-se em frente a ela.
- Gaara - começou ela - sobre hoje de manhã,...
- Ino- ele a cortou - esqueça o que aconteceu. Todos têm suas fraquezas.
Ela olha para ela surpresa e agradecida.
- O que faremos hoje? Quer saber sobre meu dia?
Eles prosseguem com a sessão de terapia, sem tocarem mais no assunto. Ele lhe conta o que tinha feito durante o dia, apenas omitindo a visita a academia. Depois passam para o relaxamento. Ino quer que ele aprenda a relaxar para depois ensinar-lhe a meditar. No final da sessão se despedem e vai cada um para seu quarto. E assim continuam pelos próximos dias.
Ino esta satisfeita com seu paciente. Fazia uma semana que tinham começado com a terapia e Gaara já estava aprendendo a relaxar, estava mais sereno e controlado. Voltara a jantar com a irmã, todas as noites, o que deixara Temari extremamente feliz.
Aquela noite estava quente e o ar parecia parado. Ino estava inquieta. Esperava por Gaara para iniciarem a sessão de terapia. Ele chega e se acomoda, após cumprimentá-la. Ela o analisa. Ele parecia mais tranqüilo e relaxado.
- Como se sente.
- Bem, mas ainda tenho pesadelos.
- Pensou no que lhe disse, sobre descanso e lazer?
- Não tenho tempo para isso. Pelo menos não agora. Estou preparando os relatórios e o discurso para a reunião dos kages.
- Naruto detesta escrever o discurso para a reunião dos kages. Sempre recorre a Tsunade para ajudá-lo na tarefa.
- Ele tem sorte por ter a Kage anterior para orientá-lo.
-Ela está mais para mãe do que orientadora. Tsunade adora Naruto como a um filho. Ela sofreu uma enorme pressão por parte dos conselheiros quando indicou Naruto como seu sucessor. Eles achavam que Naruto não era adequado e convocaram os jounins para votarem contra, mas o tiro saiu pela culatra. Os ninjas, liderados por Hatake Kakashi aprovaram a indicação por unanimidade, e os conselheiros Homura Mitokado e Koharu Utatane pediram afastamento do conselho após a derrota. Naruto então nomeou Nara Shikamaru e Hyuuga Neji seus conselheiros. A escolha teve aprovação de todos em Konoha.
Enquanto Ino falava, Gaara prestava atenção. Ela tinha um rosto expressivo, além de lindo. Ele pode notar certa nostalgia em seu olhar.
- Sente saudades de seus amigos. – não era uma pergunta, mas uma afirmação. – Deixou alguém especial em Konoha, Ino?
Ela o fitou. Era a primeira vez que ele lhe fazia uma pergunta mais intima.
- Todos os meus amigos são especiais, Gaara.
- Não foi isso que perguntei.
- Se você está quer saber se deixei um namorado, a resposta é não. E você, Gaara, tem alguém especial? Uma namorada?
- Não mais, ela foi a primeira a me deixar, quando os problemas começaram.
Ino ficou surpresa pela franqueza da resposta. Até então ninguém lhe tinha dito sobre Gaara ter uma namorada.
- Eu sinto muito.
- Não preciso de sua compaixão, Ino. Tenho certeza que você jamais abandonaria alguém que estivesse precisando de você.
Novamente ela se surpreendeu. Olhou para Gaara. Ele a olhava fixamente. Estavam a poucos centímetros um do outro. Ino soltou o ar devagar e se afastou um pouco.
- Quer falar sobre ela? Sua namorada?
- Ex- namorada. Não há muito que dizer. Matsuri foi minha aluna na academia. Nos conhecíamos a anos. Pretendíamos nos casar, mas quando os pesadelos começaram, ela me abandonou. Mudou-se para a capital do País do Vento. Ela disse a Temari que sentia medo de mim, e por isso ia embora.
Ino sentiu uma pontada no peito ao imaginá-lo casado com alguém. Para disfarçar olhou para o chão.
Gaara ficou a espera de algum comentário, mas como ela continuava calada ele se aproximou e pegou em suas mãos.
- Você não tem medo de mim, Ino?
- Não, é claro que não. Por que teria?
- Fiz coisas ruins, verdadeiras atrocidades, matei muitas pessoas. Isso não a assusta?
- Isso é passado. – Ino levou a mão ao rosto do rapaz - Você teve uma infância infeliz. Sofreu muito, era portador da Shukaku. Uma vez Naruto me contou como a vida de um Jinchuuriki é dura e solitária, não importe onde viva.
Naruto lhe contara isso quando ela ainda estava no hospital. Ele ia vê-la sempre e tinham se tornado amigos desde então.
- Você não tem culpa do que fez. É um absurdo alguém selar um monstro dentro de uma criança.
Gaara colocou sua mão sobre a de Ino e delicadamente se aproximou da jovem até seus lábios se encontrarem. Pensou que ela iria se afastar, mas Ino intensificou o beijo. Ele então a puxou para seus braços. Perderam a noção de quanto tempo ficaram se beijando, até que Ino se afastou em busca de ar. Ruborizada ela olha para Gaara, a espera de uma explicação.
- Me desculpe Ino. Não se zangue, por favor.
- Que tal começarmos a sessão? – Ino esta confusa não entendia por que tinha deixado-o beijá-la e porque havia correspondido. Não podia estar se apaixonando por ele. Há muito tempo tinha fechado seu coração para o amor.
Eles terminam a sessão de terapia e se despedem. Gaara sai da sala, sem olhar para trás. Ino também vai para seu quarto, mas demora muito para dormir. E quando consegue, seus sonhos são povoados por um jovem ruivo lindo e triste.
XXX
- Por que não me contou sobre Matsuri?
- Onde ouviu esse nome?
Temari e Ino estavam na sala conversando.
- Gaara me falou sobre ela, ontem a noite. Disse que ela o abandonou.
- Ela ficou assustada, Ino.
- Ela foi egoísta e covarde. Como pôde tê-lo abandonado quando ele mais precisava de apoio? Gaara já sofreu muito, como alguém pode magoá-lo ainda mais?
Temari olha para Ino com um sorriso discreto. Há tempos tinha percebido o interesse do irmão na moça. Resolve provocá-la um pouco, para ver no que dava.
- Ino, entenda, Matsuri estava com medo dele. Todos estávamos. Gaara vinha se comportando de forma agressiva. Brigava com todos sem motivos. Quando perguntávamos o que estava acontecendo, ele nos mandava cuidar da própria vida. Ficou difícil para Matsuri suportar tudo aquilo e ela resolveu partir. Mas quem sabe, agora que ele está melhor, eles possam reatar o noivado.
- Gaara não é idiota. Ele jamais aceitaria de volta alguém que traiu seus sentimentos e lhe deu as costas no momento que ele mais precisava.
- Ino, quem ama perdoa.
- Acha que ele ainda a ama?
Gaara tinha retornado a casa para pegar uns papéis que tinha esquecido. Podia ter mandado um ninja pra fazê-lo mas queria ver Ino. Ela não saia de seus pensamentos e depois do beijo da noite anterior, sentia uma necessidade urgente de escutar sua voz e ver que ela não tinha ido embora. Estava parado próximo a porta da sala e tinha escutando a conversa desde o inicio.
- Não sei Ino, Gaara nunca mais tocou no nome dela. Mas por que o interesse?
Gaara prendeu a respiração esperando pela resposta.
- Tudo que se refere aos sentimentos de seu irmão é importante para seu tratamento. A rejeição de Matsuri pode ter desencadeado um grande transtorno emocional. Gaara pode pensar que não merece o amor das pessoas por causa de seu passado e desistir de ser feliz, o que causaria um bloqueio ao tratamento.
Temari olha para Ino, que não parava de falar. Nada do que ela dizia fazia o menor sentido. No fundo, Gaara jamais fora apaixonado por Matsuri, o relacionamento deles era apenas conveniente para ambos.
- Ino, me parece que você esta com ciúmes. Por acaso está apaixonada por meu irmão?
- Ora, que absurdo Temari. É apenas interesse profissional. Estou aqui para ajudá-lo a se recuperar. Voltarei a Konoha assim que ele estiver bem.
Ino sai da sala. Temari olha para a porta e sorri.
- Pode entrar Gaara. Ninguém lhe ensinou que é feio ouvir a conversa alheia?
Gaara entra e Temari olha para o irmão com carinho.
- Deveria dizer a ela o que sente.
- Ouviu o que ela disse, seu interesse é apenas profissional.
- Se você a ama, lute por ela. Ninguém merece mais a felicidade do que você, meu irmão. Quanto ao interesse profissional, eu não acredito nisso. Ela ficou com ciúmes, vi isso em seus olhos. Ela seria capaz de matar Matsuri, caso a mesma aparecesse na sua frente.
- Acha que devo arriscar, então?
- Acho que não deveria deixar a chance de ser feliz escapar.
XXX
Ino esta em seu quarto, pensando na conversa que tivera com Temari. Droga, a amiga tinha razão, ela estava com ciúmes sim. Tinha inveja da jovem que possuíra o amor de Gaara e o jogara pela janela. Será que Matsuri sabia da sorte que tinha?
Ino tinha muito medo de se apaixonar, novamente. Durante um tempo pensara ser apaixonada por Uchiha Sasuke, mas percebera a tempo que aquilo não passara de ilusão de adolescente. Depois conhecera Haku, um membro da Anbu. Ficaram juntos durante seis meses.
Haku. Seus olhos se encheram de lágrimas. Já não doía tanto lembrar do ninja valente e corajoso. Haku era carinhoso e romântico. Tinham feito muitos planos juntos. Queriam casar, ter filhos, mas o destino se mostrara cruel e a morte levara seu amor.
Durante muito tempo, quando ainda estava no hospital, Ino pensara em acabar com sua vida. De que adiantava continuar a viver, se nunca mais veria o seu sorriso ou ouviria sua voz? Sai estivera ao seu lado nos piores momentos. Ela chorava e gritava com ele, o mandava embora, não queria a piedade de ninguém, não queria ouvir que a vida continua e que um dia ela iria reencontrar o amor. Eles não entendiam que ela não queria mais amar.
Mas agora ela estava em Suna, talvez encontrando um novo amor. Uma vez Sai lhe dissera que todos têm direito a uma segunda chance de ser feliz. Pensou em Gaara e sentiu um arrepio no corpo ao lembrar-se do beijo que trocaram na noite anterior. Talvez Sai estivesse certo. Ela deveria tentar encontrar a felicidade, novamente.
