Último capitulo. Obrigada a todos que acompanharam a fic. Estamos no final. Ficou um pouco longo porque não quis dividir em dois capítulos. Um grande beijo e deixem comentários.
XXX
Dois anos depois.
Ino está sentada próxima a janela olhando para a rua. Gaara retornaria da reunião dos Kages no dia seguinte à noite. Mas não era isso que a estava deixando preocupada naquele momento. Sua menstruação estava atrasada há dez dias. Isso nunca acontecera antes. Ela andava irritada e estressada. Chorava por qualquer coisa. Na véspera da viagem de Gaara, ela começara a chorar abraçada ao peito dele, sem conseguir se controlar, deixando-o preocupado. Foi preciso tomar um calmante para conseguir dormir e não vira o marido partir no dia seguinte, o que provocara novas lágrimas e um forte enjôo. Ela desconfiava que estivesse grávida, por mais que isso fosse impossível, eles nunca se descuidavam, ela tomava o anticoncepcional corretamente, sem erro. Ela não podia estar grávida. Sabia que isso geraria uma crise em seu casamento. Gaara continuava taxativo em relação a filhos. Já tinham conversado sobre o assunto. Ele achava que era arriscado e se negava a tentar. Dizia que não podia arriscar a vida dela. Ino se levanta e anda pelo quarto. Não sabia o que fazer. Não tinha ido trabalhar naquele dia. Ela começara o trabalho com as ervas medicinais em Suna. Ele a mantinha ocupada e era útil para a vila. Mas vinha se sentindo muito cansada nos últimos dias. Sentia sono durante o dia. Mais um sintoma de uma possível gestação. Teria que ir ao hospital fazer um teste de gravidez, mas tinha medo, pois todos a conheciam na vila e a noticia de que o Kage seria pai podia se espalhar como fogo. Sem opção, ela se veste e decide ir ao hospital. Falaria com a ginecologista que a atendia. Sabia que a médica a atenderia, mesmo sem marcar hora. Afinal ela era a esposa do Kazekage. Ela para em frente ao hospital e respirando fundo, ela entra.
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-Você está muito distraído. O que está acontecendo? Problemas em Suna? – Naruto pergunta ao ruivo sentado ao seu lado.
-Problemas em casa. Ino não está bem. Anda muito cansada. Não tem se alimentado direito e fica nervosa sem motivo. Irrita-se por nada. Em outros momentos fica alegre e receptiva. Fico sem saber o que esperar cada vez que chego em casa.
-Você sabe qual é o problema, não sabe? – Naruto fala sério. Ele já tentara fazer Gaara mudar de idéia sobre ter filhos, inutilmente. Uma sombra passa pelos olhos do ruivo. Sabia ao que ele se referia.
-Naruto, não quero falar sobre isso, por favor.
-Desculpe, não tinha intenção de perturbá-lo. – Ele olha para frente. Depois com um sorriso, volta a falar. – Vocês podiam passar uns dias em Konoha, com certeza ela se sentiria mais animada. Faz tempo que não aparecem por lá. Quando Ino resolveu manter a casa, pensei que os veria mais vezes.
- Vou falar com Ino, uns dias em Konoha lhe farão bem. Ela está com saudades do pai. Não tiramos féria há quase um ano e ela anda cansada.
Gaara respira fundo. As alterações no humor da esposa o estavam deixando estressado. Ela brigava com ele sem motivo, e depois chorava arrependida. Talvez uma temporada em Konoha fosse bem-vinda.
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Ino olha para a médica, em suspense. O resultado do teste está nas mãos da outra. Como ela pedira que tudo fosse feito de forma confidencial, o que a médica concordara, ela fizera a coleta de sangue para exame dentro do consultório. Voltara no final do dia para saber o resultado.
- Parabéns Ino , você está grávida. – Ino leva um choque ao ouvir as palavras que tanto temia. Ela cobre o rosto com as mãos e começa a soluçar o que deixa a médica muito preocupada. – Está tudo bem, Ino? Tenho certeza de que nosso Kage ficará muito feliz. – Como Ino continua chorando, ela se levanta de sua mesa e se aproxima da jovem. – Quer me contar o que está acontecendo? Talvez eu possa ajudar.
- Doutora, como eu posso estar grávida? Tomo o anticoncepcional corretamente. Nunca esqueci nenhum dia.
-Veja bem, Ino, a pílula anticoncepcional é extremamente eficaz, mas não infalível. É claro que é muito raro uma mulher engravidar tomando a pílula, mas não é impossível. O seu não é o primeiro caso que eu vejo. – Ela olha para moça preocupada. Estava claro que aquela gravidez não fora planejada. – Faça o seguinte. Volte para casa e descanse. A partir de agora deve pensar também na saúde do bebê. Vou receitar uma vitamina e um remédio para os enjôos. – Ela começa a preencher vários papeis e entrega dois frascos de medicamento a Ino. - Agendei um horário para você para a próxima semana para começarmos o seu pré-natal. Estou pedindo alguns exames de rotina, gostaria que os realizasse o mais rápido possível, assim terei os resultados em mãos já na primeira consulta. Até lá tente se acalmar e aceitar a situação. Mesmo sem planejar, um filho sempre deve ser motivo de alegria para um casal.
-Está bem. Gostaria de lhe pedir sigilo. Gaara esta viajando e eu não gostaria que ele soubesse sobre isso através de outra pessoa. Como não pensávamos em ter filhos, não sei qual será a reação do meu marido a noticia.
-Mas é claro, Ino. Não precisava nem dizer. Sou médica há vinte anos e sei muito bem minhas obrigações. – A médica parecia ofendida, mas Ino tinha outras coisas para pensar no momento. A principal delas era como contar á Gaara sobre o filho que ele não queria de jeito nenhum. Ela se despede e sai da sala, cabisbaixa.
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Gaara e os irmãos chegam a Suna mais tarde do que previam, já era quase madrugada quando eles entram em casa. Ele se despede dos irmãos rapidamente e sobe em direção ao quarto. Está com saudade de Ino e preocupado também. Ela devia estar dormindo, mas ao abrir a porta do quarto a encontra sentada na cama. Ela não parecia bem e seu coração se apertou ao ver a esposa tão fragilizada.
-Oi, Meu amor, como você está? – Ela olha para ele e dá um sorriso forçado, na verdade não se sentia nada bem, tinha sentido enjôos o dia inteiro. Não fora trabalhar novamente. Ela se levanta e o abraça. Sente-se bem melhor agora que ele chegou. – Senti sua falta. – Ela fala de encontro ao peito dele que a aperta mais forte. Ela se afasta, agora com um sorriso sincero. – Como foi a reunião? Vocês chegaram tarde.
Gaara senta na cama e a puxa para seu colo.
-Foi tudo bem. E aqui, como ficaram as coisas? – Ele vê que ela está pálida e com profundas olheiras. Respira fundo e beija a esposa com carinho. – Ino, o que está acontecendo? Diga-me, Amor, não suporto vê-la assim. – Foi o que bastou para que Ino voltasse a chorar. Temia a reação do marido a gravidez indesejada, mas já decidira que teria aquele bebê, não importava o que ele dissesse.
Ele a abraça e espera que ela se acalme. Depois de um tempo, Ino se levanta e anda pelo quarto, nervosa. Não sabia como contar sobre a gravidez. Ela o encara com os braços cruzados. Só tinha um jeito de falar.
-Gaara, estou grávida. – Ela fala de uma vez. Vê o susto que suas palavras causam nele, mas não tinha opção.
-O quê! – Ele grita, se levantando. – Como assim? Não pode ser. Você tem certeza? – Ino pega o resultado do teste e entrega a ele. Gaara o lê e depois amassa o papel e o joga no chão com violência. – Como você pode fazer isso comigo? – Ele grita novamente. – Ino, eu confiei em você.
-Do que você esta falando? – Ino olha para o marido sem entender. – Não estou entendendo.
Gaara a segura pelos braços com força. – Gaara, você esta me machucando. – Ela vê que os olhos deles estão frios. – Me solta, Gaara. – Ele parece despertar do choque e a empurra de encontro à parede. Depois anda pelo quarto, passando as mãos no cabelo. Ela espera que ele diga algo.
-Eu não acredito. Como você pôde? Sabe o que eu penso a respeito. - Ino começa a entender, ele a estava acusando de ter planejado a gravidez.
-Acha que fiz isso de propósito? Que decidi ter um filho, apesar de você não querer? Sabe que jamais faria isso.
-Por favor, não me diga que não foi planejado. Você sempre dizia que era seguro, que estava se prevenindo. – Ele estava furioso.
-E eu estava me prevenindo. Não sei como aconteceu, mas aconteceu.
Ele não parecia ter acreditado. Olha para ela. Não queria aquele bebê e quanto antes Ino entendesse isso melhor.
-Amanhã iremos ao hospital e resolveremos isso. Logo cedo. – Ele tem um olhar duro.
-Do que está falando? – Ela se espanta. Seria possível que Gaara estivesse pensando em um aborto? Isso estava fora de questão.
-Você vai interromper essa gravidez. Não quero esse bebê, já tínhamos decidido isso há muito tempo e eu não mudei de idéia. – Gaara não podia arriscar perder Ino durante o parto.
-Eu não vou fazer um aborto. Não sei como aconteceu, mas não vou matar nosso filho. Espanta-me que você pense nisso. – Ino agora esta exaltada.
- Não discuta comigo. Eu não quero essa criança. Você não terá esse bebê.
- Eu não vou fazer um aborto, Gaara. Não acredito que esteja sugerindo isso. Como pode querer matar seu próprio filho?
-Ino, você terá que fazer uma escolha, ou eu ou esse bebê. – Ele fala e sai do quarto, batendo a porta com força. Ino fica esperando que ele retorne, mas depois de uma hora esta claro que ele não voltaria. Ela precisa fazer algo. Não iria ao hospital com ele. Sabia que ele a forçaria ao aborto. Ela pensa durante um tempo. Tinha que sair dali. Gaara a assustara com sua reação. Ele nunca fora violento ou agressivo com ela antes. Nem parecia o homem de sempre. Ela abre o guarda roupa e depois de procurar encontra seu uniforme de jounnin. Veste-se e pega sua carteira. Ela sai e olha em volta. A casa está silenciosa. Imaginava que os cunhados estivessem dormindo. Gaara provavelmente tinha ido para o seu gabinete, esfriar a cabeça. Ela alcança a rua. Precisaria passar pelo portão principal. Não seria fácil, por causa dos vigias. Ela para e observa de longe. Haviam dois vigias de cada lado do portão. Ela pensa um pouco. Teria que criar uma distração para poder passar sem ser vista. Ela executa o Shinranshin no Jutsu em um dos vigias e o obriga a atacar os outros. Foi o suficiente para criar uma confusão e ela sair sem ser vista. Ela anda rapidamente e se afasta do portão. Sabia que eles iriam investigar o que tinha acontecido e depois alertariam o Kazekage sobre um possível ataque, porém ele saberia de imediato que fora ela a culpada. Então ela tinha pouco tempo, antes que Gaara soubesse de sua fuga. Ino já tinha seu plano traçado. Ela iria até a vila mais próxima, mais ou menos três horas de caminhada e de lá mandaria uma mensagem a Sai para vir buscá-la. Esperava que Gaara não a encontrasse, antes de chegar a Konoha. Lá ela e o bebê estariam seguros. Decidida ela começa a andar. Tinha feito sua escolha, ela teria o bebê, mesmo que perdesse o amor do marido.
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Gaara estava preocupado e muito nervoso. Tinha consciência que havia se excedido ao falar com Ino. Não lidara bem com a situação. Deixara a esposa assustada, mas a noticia da gravidez o pegara desprevenido. Não esperava por aquilo. Confiara em Ino, quando ela dissera que estava se prevenindo. Nunca imaginara que ela pudesse enganá-lo, estava decepcionado com ela. Logo que o dia amanheceu ele a procurou para conversarem calmamente. Entrou no quarto, mas o encontrou vazio. Procurou pela casa toda e depois pelas redondezas, mas algumas horas depois ficara claro que ela não estava na vila. Quando retornou a sua casa, um ninja estava a sua espera para relatar uma confusão no portão principal durante a madrugada. Estava claro que Ino tinha provocado a confusão e saído da vila. Só tinha um lugar para onde ela iria, Konoha. Ele se sente magoado e traído. Se ela queria ficar em Konoha, então ele aceitaria a sua decisão. Não iria buscá-la.
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- Naruto, recebi uma mensagem urgente da Ino. Ela me pede para ir buscá-la em uma vila próxima a Suna. – Ele estende o papel para Naruto ler.
Sai,
Estou com problemas graves e preciso de você, por favor, venha me encontrar no endereço que consta no envelope. É urgente, preciso chegar a Konoha o mais rápido possível. Gaara não pode saber onde estou.
Por favor, me ajude.
Ino.
Naruto lê a mensagem e se assusta. O que poderia ter acontecido à amiga?
-Naruto, está claro que Ino precisa de ajuda. Devo ir buscá-la imediatamente.
- Concordo, mas ela parece estar com medo de Gaara. Durante a reunião ele me falou que ela não andava bem. Algo de grave deve ter ocorrido para que ela tomasse essa atitude. Pedirei que Sakura vá com você para buscá-la.
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Eles chegam a Konoha depois de um dia inteiro viajando. Ino passara mal algumas vezes durante o vôo, obrigando-os a pousarem e esperarem ela melhorar. Ela já tinha contado aos amigos o que ocorrera entre ela e o marido. Não tinha dormido desde a conversa com Gaara e estava exausta. Sakura insiste em levá-la ao hospital, para examiná-la e ver se estava tudo bem com o bebê. Ino precisava descansar então Sakura ficou com ela enquanto Sai foi contar a Naruto o que tinha acontecido. Ao saber do motivo da fuga de Ino, Naruto fica revoltado com Gaara, nunca imaginara que seu amigo poderia agir de uma forma tão insensata.
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Fazia dois meses que não via a esposa. Sentia uma saudade imensa. A dor da separação o consumia. Realizava seu trabalho de forma automática, sem alegria ou prazer. Nada mais lhe dava prazer. Sentia falta dela, do seu sorriso, da sua voz. Ino sempre tivera o dom de acalmá-lo, mesmo nos momentos mais tensos. Tinha vontade de jogar tudo para o alto e ir buscá-la. Mas a magoa por ela ter traído a sua confiança e engravidado contra a vontade dele não o deixava fazer isso. Sabia que seu sumiço estava gerando fofocas em Suna, mas não se importava. A preocupação também o consumia. Ela poderia morrer no parto. Os pesadelos voltaram piores do que antes. Ele quase não dormia. Temari já tinha pedido autorização para ir a Konoha, mas ele proibira. Seus irmãos não sabiam da gravidez. Preferira não contar, para não ficar sendo pressionado a ir buscá-la. Proibira-os de falar o nome dela na sua frente. Não porque a odiasse, mas porque era doloroso falar dela. Ele a amava e morria a cada dia longe dela.
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Chovia forte. Ino estava sentada na sala, pensando no marido. Sentia saudades, muita saudade. Sentia falta do toque dele, dos beijos, dos abraços. Da paixão com que faziam amor, depois do carinho com que ele a puxava de encontro ao peito e murmurava palavras de amor, embalando o sono dela. Eles se amavam. Ela coloca a mão sobre o ventre e sente as lágrimas descerem pelo rosto. Não podia fazer o que ele queria. Não mataria o filho deles, um filho que tinha sido gerado com tanto amor. Ela já tinha pensado em voltar para Suna, mas sabia que ele iria exigir que ela fizesse um aborto. Céus, o que ela faria? Precisava decidir, não poderia ficar em Konoha para sempre. Seus amigos e seu pai estavam cuidando dela com carinho e atenção, mas ela queria o marido ao seu lado. Estava no quarto mês de gravidez e já sentia os primeiros movimentos do bebê. Principalmente quando pensava em Gaara. Queria dividir aquela experiência com ele. Conhecia Gaara, sabia que ele acabaria se apaixonando pelo filho, era questão de tempo. Mas longe dele o tempo não passava. Ela volta a olhar a chuva. Sentia falta de sua casa, de sua vila. Amava Suna. Mas o bebê não estaria seguro lá, e ela estava magoada demais com as acusações do marido. Esperaria a criança nascer e depois decidiria o que fazer.
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Temari entra no quarto do irmão mais novo. Desde que Ino tinha ido embora, há quatro meses, ninguém entrara naquele quarto. Na noite anterior, ele lhe entregara chave do aposento pedindo que ela providenciasse a limpeza e arrumação do mesmo. Gaara tinha passado a ocupar um dos quartos de hospedes. Ele estava irreconhecível. Irritado e agressivo com todos que o cercavam. Não tinha um dia que não brigasse com alguém. O mesmo comportamento de antes de conhecer Ino. Como Kage continuava equilibrado, mas na vida pessoal a história era outra. Temari e Kankuro não tinham idéia do que podia ter acontecido ente ele e a esposa. Gaara apenas dissera que Ino tinha partido e que não deveriam falar dela, e mais nada. Muitas fofocas circulavam por Suna, mas ele não parecia se importar. O quarto estava todo empoeirado. Temari abre as janelas e pede a empregada que comece a limpar, imediatamente. Ela anda pelo quarto e encontra um papel amassado, jogado no chão, sem pensar ela o desamassa e lê. Porém o espanto toma conta dela que volta a ler para ter certeza. Aquilo era um teste de gravidez com nome de Ino e resultado positivo. Temari olha em volta e encontra em cima da mesinha de cabeceira de Ino dois frascos de medicamentos e alguns papéis. Um dos frascos era de vitamina e o outro um remédio para enjôo. Os papeis eram pedidos de exame de sangue e um cartão de consultas pré-natal. Temari se senta, sem acreditar. Ino estava grávida. Então seria esse o motivo da briga. Mas como? Ino sempre tomara muito cuidado ao evitar uma gravidez. Temari volta a olhar os papéis e reconhece o nome da médica. Iria falar com ela, descobriria o que tinha acontecido.
Temari sai do hospital direto para o gabinete do irmão. Pelo que entendera, a gravidez da cunhada tinha sido sem planejar. A médica tinha ficado preocupada com a reação de Ino a noticia. Temari entra na sala do irmão, sem bater, e ele a olha com frieza.
-Posso saber o que pensa estar fazendo? Desde quando entra no meu gabinete sem autorização? O que faz aqui? – Gaara fala friamente. Desde que Ino se fora ninguém mais o vira dar um sorriso que fosse.
- Gaara, por que não nos contou que Ino esta grávida? Por que a deixou ir embora e não foi atrás dela?
-Cuide de sua vida, Temari. Não quero falar sobre Ino, já lhe disse.
-Você disse que ela o tinha traído. O que você quis dizer com isso? – Ela olha para Gaara, esperando uma resposta, mas ele continua calado. – Você acha que ela engravidou de propósito? É isso? Como pode ser tão idiota?
- Temari, você esta abusando. Pela última vez, saia daqui e não fale mais da Ino na minha frente.
-Ela não planejou essa gravidez. Você deveria falar com a médica dela. – Temari fala e sai. Iria a Konoha encontrar Ino. Agora que sabia o motivo da separação, iria fazer de tudo para trazer a cunhada de volta. Seu irmão precisava da esposa.
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Ino acaricia a barriga. Estava no quinto mês de gravidez e passava muito bem. Ela tivera enjôos até o terceiro mês, o que a deixara debilitada, mas agora estava ótima. Sua gravidez já era aparente. Fazia quatro meses que não via o marido. Apesar do que tinha acontecido, ainda o amava e sentia saudades dele. Ela sente o bebê se mexer e sorri.
- Oi, meu amor, tudo bem? O que está acontecendo? Você esta com pressa de sair daí? Logo, logo você estará aqui no colo da mamãe. Mas precisa ter paciência.
-Ino, é hoje o grande dia? – Tenten entra na casa. – Hoje teremos certeza de que é uma menina? – ela passa a mão na barriga da amiga e sente o bebê se mexendo. – Oi lindinha, você já conhece a voz da tia Tenten, né?
-Tenten, pode ser um menino. Acho que ele não gostaria de ser chamado de "lindinha". – Ino comenta rindo. Tenten tinha se convencido de que era uma menina e até tinha organizado uma aposta entre os amigos. – Você poderia esperar até Sakura conseguir ver o sexo do bebê.
-Se você quiser esperar, tudo bem, mas eu tenho certeza de que é uma linda menina ruiva. – Ao ouvir a amiga fazer a alusão ao marido, o sorriso de Ino morre em seus lábios. Desde que chegara a Konoha, não tivera noticias dele.
-Vou indo, Ino. - Tenten se despede e Ino fica sentada pensando. Ainda se lembrava das acusações de Gaara, ao saber do bebê. Ela sente uma lágrima deslizando e a enxuga rapidamente ao ouvir baterem à porta. Imaginando se tratar de um dos seus amigos que nunca a deixavam muito tempo sozinha, ela abre a porta com um sorriso que morre em seguida. Parada a sua porta estava Temari, olhando-a perplexa. Então era verdade, Ino estava realmente grávida.
-Temari! O que faz aqui? Você está sozinha? – Ino, pergunta nervosa.
-Acalme-se. Eu vim vê-la. Só descobri sobre sua gravidez há poucos dias e decidi vir falar com você. E fique tranqüila, estou sozinha, apesar de que acho que Gaara deverá aparecer em breve. – Ela olha para Ino e sorri. – Então eu vou ser tia e ninguém me fala? – Ela abraça Ino com carinho. Ino retribui feliz, tinha sentido saudade da cunhada que sempre fora sua amiga.
-Entre Temari, por favor. – elas se acomodam na sala e Ino começa a falar. – Então Gaara não lhe contou sobre o bebê?
-Ele não falou absolutamente nada. Desde que você foi embora de Suna, ele apenas nos disse que você o tinha traído e que não devíamos falar seu nome na frente dele. – Ino fica triste ao ouvir isso. – Ino meu irmão não parece o mesmo, ele precisa de você. Volte a Suna, comigo.
-Não. – Ino fala levantando e andando nervosa pelo aposento. – Eu não posso. O bebê não estará seguro lá.
-O que quer dizer com isso? – Ino conta a cunhada a discussão que tivera com o marido. – Ele não quer o bebê e quer que eu interrompa a gravidez. Foi por isso que fugi. Fiquei com medo.
Temari olha para Ino sem acreditar. Então Gaara queria que Ino fizesse um aborto? Mas que absurdo. Ela sabia que o irmão não queria filhos, mas obrigar a esposa a fazer um aborto era inconcebível. Ela entendia o motivo da fuga da cunhada.
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Gaara olhava para a mulher a sua frente. Temari tinha falado com ele e ido para Konoha, sem sua autorização no dia anterior. Ele pensara no que ela tinha dito e resolvera falar com a médica de sua esposa. Estava surpreso com o que a mulher lhe relatara.
-Então Ino não planejou essa gravidez? Mas se ela estava tomando o anticoncepcional, como pode ter engravidado?
-Gaara-sama, como disse a sua esposa, isso é raro, mas não impossível, já vi acontecer. A pílula não é infalível. Ino me pareceu muito preocupada quando confirmei suas suspeitas. Pelo que pude ver a preocupação dela era com sua reação, Kazekage-sama.
Gaara olha para as mãos. Tinha cometido uma grande injustiça contra sua esposa. Estava claro que Ino não planejara engravidar. A culpa não fora dela. Ele precisava falar com sua esposa e se desculpar. O mais rápido possível. Ele se levanta e se despede da mulher, pedindo que ela mantivesse aquela conversa em sigilo e após a saída da mesma, manda chamar seu irmão.
- Kankuro, estou de partida para Konoha , cuide de tudo para mim e me encaminhe o que julgar urgente.
-Vai buscar Ino? Até que enfim criou juízo. Pode ir sossegado, eu cuido de tudo. - Kankuro sempre gostara muito de Ino e sentia falta da cunhada. Ele vê Gaara parado na porta e olha para ele curioso. – O que foi?
-Kankuro, Ino está grávida, esse foi o motivo da nossa separação. – Ele vê o susto nos olhos do irmão. Kankuro nunca tocara nesse assunto com Gaara. Sabia do medo do irmão e não achava justo pressioná-lo a respeito. – Então vá buscá-la logo. Traga-a de volta para casa.
Gaara dá um sorriso, o primeiro desde que Ino partira e sai para fazer o que o irmão pedira. Traria sua esposa de volta para casa.
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Ino esta na cozinha preparando um chá, quando alguém bate a porta. Se dirige até a sala para atender e do outro lado ela encontra o olhar do marido.
Ela fica parada olhando para ele, sem acreditar. Ele continuava lindo. Temari tinha lhe dito que Gaara poderia aparecer a qualquer momento, mas Ino não acreditara. Porém, a cunhada estava certa.
- Não me convida a entrar? – Ele olha para ela, com o coração disparado. Sua vontade era abraçá-la e beijá-la. Repara na barriga dela e seu olhar se torna frio. Tinha evitado pensar naquela criança. Ele volta a olhar para os olhos de sua esposa. – Posso ou não entrar? – Ela se afasta e da passagem a ele.
-Por que está aqui? O que veio fazer em Konoha? –Gaara continua olhando para Ino. Ela estava linda. Ele volta a olhar o ventre da esposa. Céus, ele não tinha idéia de quando aquela criança nasceria.
-O que faz aqui? – Ino sente suas pernas tremulas e senta no sofá antes que caia. Ela recupera a voz e encara o marido, o medo era visível em seu olhar. Gaara percebe e se amaldiçoa por isso. Ele fizera que ela sentisse medo dele. Com cuidado ele se aproxima e se senta a sua frente. Ino morde o lábio inferior. – O que você quer?
- Que me perdoe. – Ele diz com sinceridade. – Eu errei Ino, eu a acusei injustamente. Perdoe-me, por favor.
Ela sente o coração dar um salto. O bebê percebe o estado emocional da mãe e se agita novamente. Ino leva a mão ao ventre, e Gaara acompanha o movimento. Ainda não acreditava que seria pai. O medo que sentia de que algo acontecesse a Ino era enorme. Não queria se envolver com o bebê.
- O que você espera? Que eu o perdoe, depois das acuações que me fez e de ameaçar matar nosso filho? – Ela sente os olhos se umedecerem. Não queria chorar, não na frente dele. Ela se levanta e se afasta dele. – Vá embora, Gaara. Eu não o quero aqui.
- Ino, me ouça. Sei que errei. Devia ter confiado em você, mas saber sobre esse bebê me deixou apavorado. Me arrependo do que lhe disse. – Ele chega perto dela. Sentia uma vontade enorme de tomá-la nos braços. – Por favor, Ino, me perdoe.
Novamente o bebê se agita. Ino respira fundo, sabe que aquele estresse não faria bem a criança. Ela coloca as mãos sobre o ventre e com os olhos fechados começa a respirar lenta e profundamente, tentando se acalmar. Gaara observa a esposa e reconhece os exercícios de respiração que ela tinha lhe ensinado. Ele se afasta em direção a cozinha. Ia esperar ela se acalmar, não importava quanto tempo precisasse. Não agüentava mais de saudade. A vida perdia o sentido sem Ino ao seu lado. Várias vezes pensara em ir a Konoha para vê-la e trazê-la de volta a sua vida, mas depois a raiva tomava conta dele ao lembrar que ela o tinha enganado, porém sabia que ela não tivera culpa. A gravidez ocorrera sem planejar.
- O que faz aqui? – Gaara levanta o olhar e vê seu sogro parado a porta. – Eu o quero fora desta casa, agora mesmo. Não fará minha filha sofrer novamente.
-Inoichi, não vim aqui para discutir com você. Vim falar com minha esposa. Eu a amo e quero que ela volte a Suna comigo. – Gaara enfrenta o olhar do sogro. Amava Ino e faria qualquer coisa para tê-la de volta.
-Para quê? Para abandoná-la grávida a própria sorte, como da última vez? É assim que a ama? Querendo obrigá-la a fazer um aborto, por que não quer o filho que você gerou nela? Exigindo que ela escolha entre você e o bebê? Isso é amor? – Inoichi fala bem alto, quase gritando. -Não pense que me agrada ver meu sangue misturado ao seu, mas aquele bebê é meu neto e você não fará mal a ele.
-Eu não vou fazer nada ao bebê. Sei que errei, mas devo desculpas apenas a Ino. Não lhe devo satisfações. – Gaara responde no mesmo tom.
Ino ouve a discussão dos dois na cozinha. Não vira o pai entrar, provavelmente ele entrara pelos fundos da casa. Sua cabeça começa a doer e ela sente o bebê cada vez mais agitado, teme que algo aconteça a ele. Ela tem uma consulta com Sakura para aquele dia e decide ir ao hospital naquele momento. Pegando sua bolsa ela sai da casa sem avisar nenhum dos dois.
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-Ino, está adiantada. – Sakura olha para amiga e de imediato percebe que algo acontecera. – O que houve?
- Gaara está lá em casa. Ele e meu pai começaram a discutir. – Ino fala, sua respiração esta alterada e sua dor de cabeça está pior. – Comecei a me sentir mal e por isso vim mais cedo. – ela fala visivelmente abalada.
-Fez muito bem em vir, deite aqui na maca. Vou medir sua pressão. Tente relaxar, sabe que situações de estresse podem fazer muito mal ao bebê. Espere aqui. – Sakura sai, com raiva de Gaara e pede á um ninja que estava ali no hospital que levasse um recado a Naruto. Rápido ela escreve algumas palavras num pedaço de papel e entrega ao rapaz. Depois ela volta a sua sala. – Pronto. Deixe-me examiná-la. – Ela escuta o coração do bebê e vê que ele está bem, mas ao medir a pressão de Ino, faz uma careta. Está um pouco acima do que deveria o que não é seguro nem para mãe nem para a criança. Ela decide então manter Ino ali, para que se acalme.
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- Inoichi, sabe que o respeito muito. Sei que não agi corretamente com Ino, mas eu não esperava uma gravidez. Não queria filhos. –Gaara fecha os olhos por um momento. Depois os abre e olha Inoichi. – Quando soube da gravidez não reagi como deveria. Assustei Ino. Quando voltei para conversamos, ela tinha fugido. Sei que a culpa foi minha. Porém quero corrigir meu erro.
-Bom dia, Kazekage. – Gaara vê Naruto parado à porta, com os braços cruzados. – O que esta acontecendo em Suna, para que os ninjas de lá apareçam aqui sem avisar? Primeiro sua irmã e agora você.
-Bom dia, Naruto. Vim ver minha esposa. Não estou aqui como Kage, como você já deve saber.
-Eu não quero que ele se aproxime dela, Naruto. – Inoichi fala irritado. – Chega de ver minha filha sofrer.
- E vocês sabem onde ela está no momento? – Naruto pergunta aos dois, endireitando o corpo, zangado. Inoihi e Gaara o olham sem entender. – Você a deixaram nervosa com a discussão e ela está no hospital com Sakura. – Gaara se levanta pálido. Droga, não queria causar nenhum mal a Ino. – Eu vou até lá.
-Eu também. – Inoichi se move em direção à porta.
- Parados os dois. Inoichi vá para sua casa e refresque a cabeça. Não fará bem a Ino vê-lo nervoso assim. Sabe que ela conta com você, então vá se acalmar antes de se aproximar dela. - O outro olha irritado. - É uma ordem. – Inoichi sai contra a vontade e Naruto volta seu olhar para o amigo. Seus olhos azuis brilhavam de raiva. – Gaara, quando Inoichi não quis o casamento de vocês eu lhe disse que cuidaria de você caso a magoasse. Então justifique o que fez a minha amiga ou eu vou expulsá-lo de Konoha, independente de sermos amigos ou não. Ino chegou aqui magoada, nos contou que você queria obrigá-la a um aborto. Como pode pensar em algo tão insano? Você me disse várias vezes que a amava. O que deu em você para agir assim?
Gaara respira fundo e conta a Naruto tudo o que ocorrera desde que Ino lhe contara sobre o bebê.
-Naruto, sei que errei, fui injusto com ela. Ino fugiu de mim por que sentiu medo. Medo do que eu podia fazer ao bebê. Me arrependo profundamente, mas não posso mudar o passado. Estou aqui para pedir perdão a ela. Eu a quero de volta a minha vida, a nossa casa.
- E quanto ao bebê? O que você vai fazer? Não pode simplesmente exigir que Ino escolha entre você e o filho. Isso é cruel. Ela não fará um aborto, você sabe disso.
Gaara encara o amigo. Não sabe o que responder. Não queria aquela criança pelo mal que poderia causar a Ino. Porém sabia que um aborto estava fora de cogitação. Estava claro que Ino jamais concordaria com aquilo.
-Você sabe que eu não quero filhos. Esse bebê não é bem vindo, pelo menos para mim. Estou preocupado com Ino. Somente me interesso pelo bem-estar dela, mais nada. Essa criança pode matá-la.
Naruto encara Gaara. Não entende como o outro acredite que Ino possa morrer no parto, por que a mãe dele morreu assim. Ele passa as mãos pelo cabelo. Queria ajudar o casal, mas sua preocupação era com a Ino. Não podia pedir que ela perdoasse o marido e o aceitasse de volta. Sabia que Sakura ficaria furiosa com ele, mas levaria Gaara até o hospital.
-Muito bem, venha comigo. Iremos o hospital e a Ino vai decidir se fala com você ou não. Mas que fique claro. Se ela não quiser vê-lo, vou pedir que vá embora, imediatamente. Ino é uma kunoichi de Konoha e eu devo protegê-la e ao filho que ela carrega. Estamos entendidos? – Gaara confirma e eles saem.
XXX
Ino esta sentada na maca. Já se sente mais calma. O bebê também estava mais tranqüilo. Ela pensa no marido. Conhecia Gaara o suficiente para saber que ele tinha sido sincero ao dizer que se arrependera do que fez. Mas será que ainda era possível voltarem a viver como um casal? A porta se abre e Sakura entra.
-Como se sente? Vim medir sua pressão de novo. – Sakura escuta o coração do bebê e mede a pressão de Ino. – Bem melhor. Agora chega de emoções fortes, certo? Não pense no seu marido nem no seu pai, só no seu bebê. Eu volto mais tarde para vê-la novamente. – Sakura dá um beijo na testa da amiga e sai. Do lado de fora encontra Naruto e Gaara. Olhando com raiva para o ruivo, Sakura se vira para o marido. – O que ele faz aqui? Eu lhe disse no bilhete para mantê-lo longe da Ino. – Gaara se irrita ao ouvir aquilo, mas não fala nada.
-Sakura, Gaara veio para falar com a Ino. Não posso impedi-lo de falar com a esposa. Pergunte se ela aceita conversar com o marido. Caso ela diga não, Gaara irá embora de Konoha. Está bem assim? – Ele olha para a esposa e para o amigo. Ambos concordam e Sakura volta ao quarto de Ino.
-Ino. – Ela chama pela amiga que olha para ela curiosa. – Gaara esta ai fora, junto com Naruto. Ele quer falar com você, mas você só vai falar com ele se quiser caso contrário Naruto disse que ele irá embora de Konoha.
Ino pensa um pouco. O bebê volta a ficar agitado e ela coloca a mão sobre a barriga. – Sakura não sei o que fazer. Eu ainda o amo, mas como posso perdoar o que ele fez?
-Ino, uma coisa nos temos que reconhecer, Gaara sempre a amou. Desde o inicio ele deixou bem claro que não queria filhos e você sabe os motivos para ele pensar assim. Acho que ele ficou muito chocado quando descobriu sobre o bebê. Não estou justificando o que ele fez, sei que ele agiu errado, mas talvez, você devesse ouvir seu coração. Se ele veio até aqui é porque se arrependeu e quer uma nova chance de viver ao seu lado. Mas você deve decidir sozinha. Eu e Naruto vamos respeitar a sua vontade e meu marido já deixou claro a Gaara que se você não quiser vê-lo ele deve sair de Konoha, imediatamente.
-Tudo bem, eu vou falar com ele. Diga a Naruto que não precisa expulsar Gaara daqui. – Ino fala sorrindo para amiga. Sakura tinha razão, ela amava Gaara e sabia que o marido também a amava. Eles tinham que tentar de novo. O bebê pareceu concordar, pois se aquietou.
Sakura sai do quarto e avisa Gaara de que ele pode entrar. Ele agradece e entra no quarto. Ino estava sentada na maca, olhando para o chão. -Você está bem? Não queria deixá-la nervosa, me desculpe. – Ele segura seu queixo e levanta o rosto dela para ele. Ela tem os olhos tristes e magoados. Ele respira fundo. - Ino quero lhe fazer uma pergunta e dependendo da resposta prometo voltar a Suna e nunca mais perturbá-la. – Ela fica na expectativa. Ele a olha, com carinho. –Você ainda me ama? Acha que pode me perdoar?
Ino olha direto nos olhos dele. –Desde que cheguei a Konoha fiz de tudo para odiá-lo. – Ela vê dor nos olhos dele e continua. – Mas não consegui. Não consigo esquecê-lo ou tirá-lo do meu coração. Acho que jamais deixarei de te amar. – Feliz, ele se inclina para beijá-la, mas ela se afasta e o olha nos olhos. – Mas não posso perdoá-lo. Ainda não, pelo menos. Você não confiou em mim, me acusou. Isso ainda dói. – Ele concorda com a cabeça, entendia o que ela queria dizer. – Preciso de um tempo. – Ela coloca a mão sobre a barriga, acariciando. Depois olha para o marido. -Como você se sente em relação ao bebê? –Ele desvia o olhar. – Por favor, me diga.
Ele sabe que não pode mentir para ela. – Não sei direito, Ino. Tenho evitado pensar nele. Estou preocupado com você, e não consigo me imaginar como pai. Não quero essa criança. Preferia que você não tivesse engravidado. – Ele percebe que ela fica triste com a resposta. – Sinto muito, mas não posso mentir sobre isso. Não quero esse filho.
-Tudo bem, prefiro que me fale a verdade, mas você sabe que ele fará parte de nossa vida sempre. Não há como eu voltar a viver com você se não aceitá-lo. Você pode entender isso? - Ele concorda. Ela então sorri. – Senti sua falta.
-Eu também, meu amor, eu também. – Ele a abraça sentindo os olhos úmidos, puxa o rosto dela e beija delicadamente, mas Ino aprofunda o beijo.
Sakura entra no quarto sem fazer barulho e os vê juntos. Estava claro que Ino estava feliz. Ela limpa a garganta para chamar a atenção dos dois.
-Desculpem interrompê-los. Eu vim dizer que se você quiser pode voltar para casa, Ino. Tente relaxar e tome cuidado com emoções fortes. Evite ficar nervosa. Preciso que volte amanhã para realizarmos alguns exames.
-Obrigada. – Ino pensa um pouco. - Sakura, poderei voltar á Suna? –Gaara, olha para ela, feliz. Tudo o que mais quer é tê-la de volta, mas Sakura acaba com a alegria dos dois.
- Não é aconselhável viajar para Suna agora, mesmo que Sai a levasse. Uma viagem tão longa, nesse momento, pode ser perigosa para você e para o bebê. É mais seguro esperar a criança nascer. – Ino fica decepcionada com a informação.
Gaara não esperava por isso, queria levar Ino de volta a casa deles, mas não podia arriscar a vida dela. Ele só queria que tudo desse certo, mas o medo persistia.
-Precisarei voltar a Suna logo, mas virei vê-la sempre que possível. Está bem assim? – Ela concorda. Sakura sai e os deixa a sós. Ino olha para o marido, podia perceber que ele estava com medo. Medo de que ela morresse durante o parto.
-Gaara, você tem tido pesadelos, certo? – Ele confirma. – Você não devia valorizá-los tanto assim. Vai dar tudo certo, fique tranqüilo. - Ela se encosta a ele novamente que a abraça com força.
XXX
-Vou fazer um chá. – Ino se vira em direção á cozinha, mas é puxada pelo marido que a abraça por trás. Ela se encosta a ele que beija seu pescoço. Ino se vira e o beija de forma apaixonada. Sentira falta das caricias do marido e começa empurrá-lo em direção ao quarto. Gaara percebe as intenções dela e a afasta de si. – Ino não acho que seja uma boa idéia.
-Por que, você não me quer? – Ela faz beicinho e começa a despir a roupa ficando só com o sutiã e a calcinha. Sua barriga ainda não esta tão grande, mas seus seios estão mais cheios o que não passa despercebido ao marido. Ela chega perto dele e toca no seu peito, descendo a mão em direção ao membro dele. Gaara segura a sua mão impedindo-a que continue. – Ino, por favor, não faça isso. – A voz dele está rouca.
-Por que não? Você não esta com saudade? - Ela o abraça e o morde no queixo, beijando-o no pescoço e no peito. Percebe que a respiração dele se acelera. – Gaara, eu quero você. Agora.
-Ino você está grávida. – Ela olha para ele e começa a rir. Ele fica confuso. – Amor, quem foi que te falou que grávida não pode fazer amor? – Ino o empurra em direção ao quarto. – Você não me quer? Não quer fazer amor comigo? Não sente saudade do meu corpo junto ao seu? – Ela termina de se despir e cola seu corpo ao dele. – Faça amor comigo. Agora.
Gaara olha para Ino e pegando-a no colo, deita-a na cama, despindo-se e deitando junto com ela. – Tem certeza de que podemos? Não quero fazer nada que possa prejudicar você. – Ino o olha com um sorriso maroto. – Fique tranqüilo, não fará mal a nenhum de nós dois. – Ino o puxa para cima dela. Ele começa a tocá-la com delicadeza. Ela estava linda. Ele toca sua intimidade sentindo-a úmida, com cuidado começa a penetrá-la, mas Ino sente que ele esta se controlando demais e começa a se mover, provocando-o. Ele tenta segurá-la, mas ela o puxa para mais perto. – Ino, por favor, não quero machucá-la. – Ele fala com dificuldade. Ino ri e volta a se mexer, fazendo-o deixar a cautela de lado. Ele então a penetra mais fundo e começa a se mover mais rápido. Ela o acompanha e eles atingem o prazer juntos. Depois ele a puxa para junto de si. – Eu não te machuquei? – Ela apenas ri. – Acho que você precisa conversar com a Sakura sobre sexo na gravidez.
-Talvez eu fale com ela quando voltarmos lá amanhã. Mas agora tenho coisas mais importantes para fazer. – Eles riem juntos e voltam a se amar.
XXX
Temari entra na cozinha. Não tinha visto a cunhada durante o dia e estava preocupada. Para sua surpresa ela encontra o irmão e Ino juntos, sentados à mesa da cozinha.
-Você, aqui? Quando chegou? – Ela olha de um para o outro, sem acreditar. – Vocês voltaram? – ela arrisca a pergunta.
-Sente Temari, está com fome? Pegue um prato e sirva-se. –Temari se senta para comer, sem deixar de olhar o casal a sua frente. Podia notar que o irmão parecia mais feliz e relaxado. Isso lhe deu esperanças de que tudo estivesse bem. – Respondendo a sua pergunta, sim, eu e Gaara voltamos.
-Que bom, não agüentava mais o mau-humor dele. – Recebe um olhar zangado do irmão, mas não se importa. – E você vai voltar para Suna? – Ino faz não com a cabeça. – Sakura acha arriscado, devido à gravidez. Mas depois que o bebê nascer, poderei voltar para casa.
- Mas eu devo voltar a Suna depois de amanhã. Você irá comigo, Temari.
-Eu já tinha pensado nisso. – Ela olha para a cunhada com um sorriso, estava feliz por eles estarem juntos de novo. – E quanto ao bebê? Deu para ver o sexo hoje?
-Não, ele estava muito agitado e Sakura não quis tentar, vou voltar lá amanhã. – Elas continuam a falar sobre o bebê. Gaara acompanha a conversa, sem comentar nada. –Tenten queria ir junto, mas Sakura não deixou.
-Ela esta interessada na aposta que organizou. – Temari ri junto com Ino. – Tenten acha que é uma menina ruiva. Seu pai também apostou que é uma menina.
Gaara ouve aquilo em silêncio. Não pensara que o bebê podia herdar alguma característica dele. Não conseguia pensar naquela criança como sua. As duas olham para ele, a espera de algum comentário. Como ele não fala nada, Temari tenta fazê-lo participar.
-O que você acha que é, Gaara? Menino ou menina? – Gaara olha zangado para Temari. – Não pensei nisso e não tenho interesse em saber. Ino gostaria de sair um pouco? – Ela concorda e ele se levanta. – Espero por você, então. – Ele sai sem ver o rosto triste da esposa.
-Ele ainda não está animado com a idéia, certo?
Ino olha para Temari. – Temari, você sabe como Gaara se sente em relação a este bebê. Esta sendo muito difícil para ele e eu não quero estressá-lo ainda mais. Por favor, não o provoque. – Temari concorda e Ino vai atrás do marido encontrando-o deitado na cama. – Amor, tudo bem? – Ele a olha sem responder. - Fale comigo. – Ele se senta e a puxa para seu colo com cuidado. Ela se acomoda e o beija. – Ino, desculpe, mas não consigo participar disso. Prometo cuidar de você e do bebê, mas não me peça para agir de outra forma em relação a essa criança.
Ino o abraça, tem esperança que ele mude de idéia até o bebê nascer. Ela se levanta e o puxa para saírem.
XXX
-Bom dia. Como passou a noite, Ino? – Ino fica vermelha e Sakura dá uma risada. Ela encaminha o casal para a sala de ultrassom. Acomoda Ino deitada e levanta sua blusa, aplicando o gel na barriga dela. Ino se mexe de forma desconfortável, recebendo um chute do bebê. Ela geme baixinho o que assusta o marido. - Tudo bem? – Ela faz sim com a cabeça. Sakura começa o exame.
– Droga, Ino, ele está de lado de novo. É a terceira vez. Desse jeito não vai dar para saber o sexo antes do parto. Vamos, nenê, deixa a tia Sakura te ver, meu Amor. – Sakura bate de leve na barriga de Ino, que recebe outro chute do bebê. – Sakura, gostaria que você não fizesse isso. É a mim que ele chuta cada vez que você tenta ver o sexo. – Sakura ri. Ela dá outro tapinha na barriga de Ino, provocando outro chute. As duas já faziam aquela brincadeira desde o primeiro exame. Sakura olha para Gaara e vê que ele não tira os olhos da tela do aparelho, onde aparece o bebê. Ela então começa a explicar a imagem. – Gaara, esta é a cabeça e estes são os braços e estas são as pernas do seu filho. Se ele estivesse de frente, poderíamos ver o sexo. – Gaara olha para ela e se levanta saindo da sala sem falar nada. Ino engole um soluço.
-Ino, desculpe, não quis deixá-lo irritado. - Sakura se explica arrependida. – Tudo bem, Sakura. Gaara está tendo dificuldade em aceitar o bebê. – Ela se senta com ajuda da Sakura. Enxuga algumas lágrimas que escorriam
-Ino, ele precisa aceitar o filho. Se não vocês não conseguiram viver bem. Eu não quero que você se estresse por que seu marido não quer o filho de vocês. – Sakura a abraça. Realmente Sabaku no Gaara estava dificultando as coisas.
XXX
Naruto anda em direção a sala de ultrassom. Sabia que a esposa deve estar lá fazendo o exame em Ino. Também queria saber o sexo do bebê e por isso tinha ido até ali. Ele vê Gaara encostado à parede, em frente à sala.
-Oi, bom dia, e aí, deu para ver o sexo? – Ele se espanta com a raiva que vê nos olhos do ruivo. – O que houve? Falei algo errado?
-Será que não existe outro assunto em Konoha que não seja essa criança? – Naruto olha espantado para o amigo. Dava para perceber que ele estava perturbado. – Gaara o que aconteceu? Ino não esta passando bem?
-Ela está bem. Está lá dentro com a Sakura. Olha Naruto, eu vou dar uma volta. Você pode acompanhar Ino de volta para casa, por favor? – Ele sai sem esperar a resposta. Naruto bate à porta e entra. Sakura e Ino estão conversando.
-Oi, tudo bem aqui? Tinha um ruivo estressado no corredor. O que aconteceu? – Elas contam a ele, que se senta ao lado de Ino, segurando sua mão. – Ino, tenha paciência com ele. Gaara é meu melhor amigo e eu o conheço. Ele tem muitos traumas devido à infância que teve. O tio dele fez um ótimo trabalho em fazê-lo se sentir culpado pela morte da mãe e Matsuri soube explorar essa culpa muito bem. Acho que será muito difícil ele superar tudo isso. Ele te ama, muito mesmo, mas vai demorar a aceitar o bebê.
-Eu não vou desistir do meu casamento ou do meu marido, Naruto. Tenho certeza de que ele vai mudar de idéia, é só questão de tempo. Logo ele se acostumará à idéia de ser pai.
-Concordo com você. Gaara é uma ótima pessoa, o que está o deixando assim é o medo de perdê-la. Ele foi dar uma volta e me pediu para acompanhá-la até sua casa. Vamos?– Eles saem da sala e voltam para casa.
XXX
Gaara esta sentado próximo ao lago. Não tinha idéia de quanto tempo esta lá. Não estava vendo a paisagem a sua frente, mas as imagens que tinha visto na tela do aparelho. As imagens do bebê, do seu filho. Não conseguia pensar naquela criança com alegria. Tinha muito medo de que Ino não sobrevivesse ao parto. "Tenten acha que é uma menina ruiva." Ele se lembra do que Temari tinha dito. Esperava que o bebê não puxasse nada dele, principalmente seu sangue assassino.
Ele não quer se apegar aquela criança, mas as imagens do ultrassom não saem de sua mente. Aquilo fizera o bebê se tornar real. Era seu filho. Fora concebido num momento de amor entre ele e Ino. Ele seria pai. Pai. Não gostava daquela palavra. Não tinha boas referências sobre paternidade. Seu próprio pai o odiara e mandara matá-lo várias vezes. Mas a imagem do bebê persistia em surgir a sua frente. Pode perceber que o bebê era perfeito e saudável. Sakura parecia tranqüila em relação a gravidez de sua esposa. Era visível que Ino amava aquela criança. Ela arriscaria sua vida para ter aquele bebê, se fosse preciso, assim como arriscara sua vida para protegê-lo contra Shikamaru, Kabuto e Haku. Ela tivera a coragem de transferir sua mente para a Ichiibi e quase morrera ao fazer isso. Ele sofria cada vez que lembrava desse fato. Não suportaria perder Ino. Ele a amava demais.
Ele volta para casa. No caminho vê várias crianças com seus pais. Observa um homem levando um bebê no colo. Ambos pareciam felizes. Será que um dia ele conseguiria se sentir feliz com seu filho? Ele entra e encontra Ino sentada na sala. Ela se levanta e o abraça. Ele a aperta em seus braços.
-Gaara, por onde andou? Fiquei preocupada. – Ele a beija, não queria deixá-la estressada. – Desculpe ter saído daquele jeito, Ino. Não queria deixá-la nervosa.
-Você está bem? –Ela olha para o rosto do marido. –Sakura não quis provocá-lo.
-Eu sei, só não quis continuar lá. Ino, ouça, sei que esse bebê é importante para você. Mas, ainda não consigo me sentir a vontade com a idéia de ser pai. Meu relacionamento com o meu pai foi o pior possível. Minha preocupação é com você. Tenho muito medo de que algo te aconteça, você sabe disso. Mas vou tentar me acostumar com a idéia. Só te peço para ter paciência.
Ela concorda. Está feliz. Gaara parecia estar tentando a aceitar o bebê e isso a deixava mais tranqüila.
XXX
Era noite e ele estava entrando na casa de Ino. Estava chegando de Suna. Tentava vir sempre que possível, mas era difícil. Fazia duas semanas que não via a esposa. Ela agora estava no sétimo mês de gravidez. O parto estava cada vez mais perto e ele cada vez mais temeroso.
Ele entra na sala e para surpreso. Havia algumas caixas grandes ali. Sobre o sofá sacolas e pacotes. Ele olha para tudo aquilo, sem entender. Anda com cuidado entre as caixas e procura pela esposa. Ino estava no quarto deles. Ele se assusta ao vê-la carregando uma caixa grande.
Ele limpa a garganta para chamar a atenção dela. Ino olha para a porta e lhe dá um sorriso. Ele pega a caixa da mão dela e vê que não era pesada.
-Ino, você está grávida. Não deveria estar carregando pacotes e se esforçando tanto. – Ele fala para Ino enquanto coloca a caixa no chão. – Pode ser perigoso, Amor.
-Gaara, você esquece que sou uma kunoichi?
-Você é uma kunoichi grávida que se não se comportar será amarrada a cama. Comigo. –Ela ri e ele a puxa para os seus braços. – Senti sua falta. Vocês estão bem? – Ino se espanta. Era a primeira vez que ele se referia ao bebê de forma espontânea. – Estamos ótimos. E você, como passou esses dias?
-Com saudade. – Ele a puxa e a beija intensamente. -Pode me dizer o que esta acontecendo aqui? O que tem nessas caixas? – Ela o beija com carinho.
-Coisas para o bebê, Gaara. Roupas, fraldas, produtos de higiene infantil. Sakura me disse que não é seguro o bebê viajar antes de completar dois meses. Tenten, ela e eu fizemos umas compras.
– E aquelas caixas grandes na sala, o que tem dentro?
-Berço e gaveteiro. Amanhã vem um montador. Estou pensando em colocar o berço aqui no quarto. O que você acha? Será por pouco tempo. Logo iremos para Suna. Pretendo montar um quarto lá para o bebê.
-Por mim tudo bem. Mas não quero que fique mexendo com isso sozinha. Sabe que deve se cuidar e não exagerar. – Ela o olha com carinho. Ele se preocupava demais. Ela coloca a mão sobre a barriga. -Vai começar, basta ele perceber que você chegou e começa a pular. – Gaara a olha sério. Já tinha percebido que o bebê se tornava mais agitado a sua presença. Ele coloca a mão sobre o ventre da esposa e sente os movimentos. Ino sente seus olhos ficarem úmidos. Era primeira vez que ele fazia isso. - Não dói, quando ele faz isso? – Ele retira a mão.
-Não, é uma sensação estranha, mas muito boa. – Ela respira fundo. Vinha sentindo uma mudança no comportamento do marido em relação à criança, ele passara a se interessar pelo bebê. – Você deve estar cansado.
- Um pouco. Pensei em sairmos para comermos algo. – Ela concorda e eles saem. A noite estava linda e quente. Eles chegam ao Ichiraku e se acomodam numa mesa. Enquanto esperam o pedido, Gaara pega a mão de Ino. – A sua consulta é amanhã, certo? –Ele sempre ia às consultas de pré-natal da esposa. Fazia muitas perguntas, as quais Sakura respondia com alegria. Ela ficava feliz de vê-lo ali com Ino. Sabia das preocupações dele e sempre tentava deixá-lo tranqüilo. – Quero ter certeza de que vocês estão bem. Não tenho podido vir tantas vezes quanto gostaria, e fico preocupado com vocês.
-Como estão as coisas em Suna? – Eles conversam um longo tempo sobre Suna. Ino sente saudade de casa. Fazia seis meses que saíra de lá. – Não vejo a hora de voltar e mostrar a nossa vila para nosso filho. Tenho certeza de que ele vai amar o deserto, assim como você.
-Não vai faltar areia para ele brincar. – Gaara fala rindo. Ino não se contêm e o beija. Ele estava tão tranqüilo a respeito da criança. Pelo jeito as coisas estavam se ajeitando. Ela o olha com amor. – Eu te amo, Gaara. – Ele fica sério e toca o rosto da esposa. –Eu também te amo.
Na noite seguinte eles estão na casa do Hokage. Tinham ido lá para jantar. Ino estava linda, usava um belo vestido estampado próprio para gestante. Eles estavam sentados esperando Sakura que entra com uma grande travessa de doce e coloca sobre a mesa. Quando Ino tenta se servir pela terceira vez da sobremesa, Sakura puxa a travessa.
-Sinto muito, Loira, mas chega de doce para você. Pode fazer mal ao bebê.
-Só mais um pouquinho. Eu não tenho comido nenhuma porcaria. – Sakura faz não com cabeça, mas Ino puxa a travessa de volta. Naruto tenta pegar e ela vira a vasilha para o lado do marido, pensando que ele ia ajudá-la, mas Gaara pega a travessa e devolve a Sakura. Ino olha aborrecida para ele.
-De que lado você está? – Ela fala zangada. – Do nosso filho. – Ele responde sem pensar. Três pares de olhos se voltam para ele surpresos. Ele percebe o que falou e se levanta da mesa indo para a sala. Ino vai atrás do marido.
- Gaara. – Ele evita olhar para ela. – Olhe para mim. – Ele obedece e Ino vê que ele esta confuso. – É a primeira vez que você chama o bebê de filho. Não tem idéia de como me deixa feliz. – Ela o abraça. Ele a aperta de encontro ao peito. Não sabia como, mas o bebê passara a ser muito importante para ele. Estava dividido entre o carinho com a criança e o medo de perder a esposa no parto. Ele olha nos olhos dela, enquanto coloca a mão em sua barriga, num gesto protetor. – Ino, eu amo essa criança, não queria me envolver com ela, mas aconteceu. – Ela olha para Gaara, o medo estava estampado nos olhos dele. – Não tenha medo, vai dar tudo certo. – Ele se abaixa e beija a barriga da esposa. Sabia que o bebê era parte de sua vida também. Não queria perder nenhum dos dois.
XXX
Ele tinha chegado á Suna na noite anterior. Tentara dormir, mas novamente os pesadelos o torturaram durante a noite, fazendo-o desistir. Levantara de madrugada e ficara pensando em Ino. Ela estava linda, sua gravidez corria muito bem, segundo Sakura, Ino era um gestante forte e saudável. Ele sentia sua falta quando estava longe. Nunca podiam ficar muito tempo juntos. Ele acompanhava sua gravidez com extrema atenção. Ela e Sakura já lhe tinham dito para ele relaxar, mas não conseguia. Preocupava-se com ela e com o bebê o tempo todo. Sentia-se mal em não poder estar ao seu lado como queria. Como se não bastasse o medo que sentia de perder sua esposa, ainda tinha que lidar com fofocas a respeito de seu casamento. Ele está em seu gabinete junto com os irmãos. Um jornal estava aberto sobre a mesa, com fotos dele e Ino. O artigo falava sobre a separação deles e sobre a não divulgada gravidez de Ino, numa clara insinuação de que o filho não era dele. A médica de Ino tinha dado uma entrevista a respeito do medo de Ino de que o Kazekage não aceitasse o bebê. Falava sobre a conversa que tivera com Temari e com ele. Gaara sentia-se péssimo com tudo aquilo.
-Ino não pode saber o que está acontecendo. – Gaara fala para seus irmãos. –Não quero que ela fique estressada, agora no final da gravidez. Pode prejudicá-la e ao nosso filho. – Temari sorri ao ouvi-lo falar assim. Ele estava feliz com o bebê. Falava da criança com carinho e havia amor em seus olhos. E muita preocupação, também.
-Gaara, você terá que fazer algo, ou quando Ino voltar para cá com o bebê, eles sofrerão muito preconceito. Sabe que a fuga dela causou um verdadeiro furor em Suna e gerou dúvidas sobre a paternidade. – Kankuro fala, preocupado. Ele gostava da cunhada e estava encantado em ser tio. Tinha ido a Konoha visitá-la há alguns dias e ficara feliz em vê-la tão bem. Ele olha o jornal novamente. - Chame a médica e faça-a desmentir as calúnias que disse.
-Acalme-se, Kankuro, ela não disse nenhuma mentira. Gaara realmente não queria filhos, nós sabemos disso. Não podemos acusá-la de caluniadora. Mas podemos processá-la por divulgar informações sobre seus pacientes.
-Não podemos fazer isso, Temari. A paciente dela é a Ino, somente ela poderia mover uma ação contra a médica. E eu não quero que Ino saiba o que está se passando aqui em Suna, pelo menos até o bebê nascer. – Ele pensa um pouco. – Convoque uma coletiva. Eu falarei sobre o que ocorreu. Contarei tudo, assim as fofocas pararão. – Temari concorda. – Mas Gaara, eles perguntaram por que Ino não está aqui. O que você dirá?
-A verdade. – Temari o olha, séria. – Contará que você quis obrigá-la a fazer um aborto? – Eles se olham, Gaara sabia que isso repercutiria muito mal, mas a reputação de Ino estava em jogo. Não era justo que sua mulher passasse por infiel, quando a culpa de tudo tinha sido dele. Se ele não a tivesse assustado, ela não fugiria e estaria ali, agora.
-Infelizmente, terei que contar a verdade, Temari. É a reputação de minha esposa que está sendo posta em dúvida. Ino jamais seria infiel, vocês sabem disso. Nós nos amamos. – Ele olha para os irmãos. Seu rosto estava sério e frio. - Convoque a coletiva para hoje á tarde. –Temari concorda. Ela começa a se mexer, ia convocar a coletiva conforme o pedido de Gaara, mas daria um jeito na médica que estava tentando destruir o casamento do irmão. Se Ino soubesse o que estava acontecendo, ficaria muito nervosa. Concordava com Gaara, Ino estava no final da gravidez, uma noticia daquela podia prejudicar sua cunhada e a criança. Temari sorri ao pensar que logo seria tia e teriam o bebê ali junto deles. Ela prepara as mensagens para os jornais. Havia apenas três jornais em Suna, sendo que dois eram sérios e respeitavam a posição de seu irmão, mas o terceiro era aquele que tinha divulgado a informação sobre a gravidez de Ino e a sua suposta infidelidade. Ela manda uma mensagem para o jornal, chamando o autor das fofocas.
A sala de Gaara estava cheia, além dele, dos irmãos e dos jornalistas, estavam também Baki, Sai e dois ninjas da confiança dos irmãos Sabaku. Gaara aparentava tranqüilidade, mas Temari sabia que ele estava com raiva por ver sua vida pessoal exposta desse jeito. A coletiva estava indo bem. Gaara havia contado sobre o seu nascimento, a morte de sua mãe no parto e seu medo em ter filhos. Falou sobre seu casamento e deixou o amor dele pela esposa transparecer em suas palavras. Explicara que a gravidez de Ino não fora planejada, pois não pensavam em ter filhos e que ela passava muito bem. Ao perguntarem sobre o motivo dela não estar lá, Gaara respira fundo, mas é Temari quem responde.
-Minha cunhada é uma Yamanaka, ela é filha do líder do clã Yamanaka, como todos devem saber. Há alguns anos ela transferiu sua mente para o corpo do Ichiibi, conseguindo, assim, dominá-lo e permitindo que o mesmo fosse selado, salvando todo o nosso mundo, porém ela quase morreu por isso, causando um desequilíbrio nos poderes psíquicos de Ino. Sua gravidez inspirou alguns cuidados no inicio devido a esse desequilíbrio. Como o clã Yamanaka é um dos maiores clãs de Konoha e Ino é a legitima herdeira a liderança do clã, o sogro de meu irmão achou que seria mais prudente que a gravidez fosse acompanhada por médicos que estejam acostumados a atender os Yamanakas. Minha cunhada viajou para lá com ajuda de nosso amigo Sai, ninja de Konoha e ex-membro da ANBU, aqui presente.
Sai sorri para Temari, eles já tinham combinado sobre o que dizer para ajudar Gaara. Ele olha para o jornalista a espera da próxima pergunta.
-Mas a informação que temos é de que Sabaku no Ino fugiu no meio da noite. – Sai sorri para o jornalista. – A viagem de Konoha até aqui voando em meus pássaros leva quase um dia inteiro. Acha mesmo que isso seria possível sem planejamento? Quando Yamanaka Ino, ou melhor, dizendo, Sabaku no Ino, teve sua gravidez confirmada, o Kazekage não estava em Suna, ela então mandou uma mensagem para Konoha me chamando e esperou a chegada do marido, para informá-lo de sua condição. Depois eu cheguei e a levei para Konoha, para que ela começasse o acompanhamento médico necessário o mais rápido possível, garantido a saúde dela e do bebê.
-Mas a médica dela disse que Sabaku no Ino estava com medo de contar ao marido sobre a gravidez. – Sai olha discretamente para Temari e volta a falar com o jornalista. – A médica da esposa do seu Kage é Uzumaki Sakura, esposa do Hokage de Konoha. A médica que Ino visitava aqui em Suna, demonstrou ser incapaz de atendê-la pelos motivos apresentados por Sabaku no Temari. – Sai respira fundo e fica sério. – Yamanaka Ino salvou a todos nós quando conectou sua mente a mente do Shukaku, o espírito da Areia, muito conhecido de todos aqui em Suna. Ela arriscou sua vida, e sua futura gravidez por causa disso. Todos aqui devem conhecer Yamanaka Inoichi, eu pensaria duas vezes ante de acusar sua filha de traição e infidelidade. - Sai conclui, olhando para os três jornalistas presentes. O que tinha feito as perguntas era o mesmo que tinha publicado as fofocas a respeito do casamento de Ino e Gaara. Todos ficam a espera de mais perguntas. Gaara olha agradecido para Temari e Sai. Sabia que eles estavam tentando ajudá-lo. Kankuro olha para os jornalistas, queria terminar aquilo logo, não queria que o irmão mais novo ficasse muito perturbado, pois ele já vivia preocupado com a gravidez da esposa.
-Mais alguma pergunta?
O jornalista ergue a mão. – Por que Sabaku no Ino não retornou a Suna, já que sua gravidez está correndo bem, conforme disse o Kazekage?
-Como Sai disse, a viagem de Konoha até Suna leva um dia, seria muito arriscado para uma mulher grávida fazer essa viagem todo mês para o acompanhamento pré-natal. Não deixaria minha esposa se arriscar e arriscar a vida de nosso filho fazendo essa viagem sempre. Foi pensando no que era melhor para os dois que concordamos que ela deveria ficar em Konoha.
-Mas Gaara-sama, você só começou a viajar para Konoha ver sua esposa a pouco tempo, certo?
Sai olha para o jornalista. Estava à espera dessa pergunta e já tinha a reposta para isso.
-A culpa por isso foi minha. Sofri um acidente logo após a chegada de Sabaku no Ino em Konoha, que me impediu de vir buscar Gaara-sama para ver a esposa por alguns meses. E como vocês sabem a viagem até Konoha por terra é demorada e perigosa. Vocês gostariam de arriscar a vida de seu Kage, principalmente agora que ele será pai? – Novamente os jornalistas olham para Sai. Saberem que ele tinha sido um membro da ANBU de Konoha os impedia de contradizer qualquer coisa que ele declarasse. Eles ficaram aguardando por mais perguntas. Outro jornalista ergue a mão. – Poderia nos informar o sexo do bebê, Gaara-sama? – Gaara respira aliviado, o momento de tensão tinha passado, graças a Temari e Sai. – Ainda não sabemos, o bebê não tem colaborado muito nesse sentido. – Ele responde com um sorriso. O jornalista também sorri. – Sei como é, com o meu filho foi a mesma coisa, tem crianças que já se mostram teimosas na barriga das mães. – Todos riem. – Alguém tem mais alguma pergunta?
Eles negam e se despedem, depois de agradecerem. Os jornalistas saem, mas o que tinha publicado o artigo anterior fica para trás e espera os colegas se retirarem, virando-se em seguida para Gaara. – Se eu for á Konoha, sua esposa confirmará o que disse? – Gaara olha para o jornalista com raiva, mas é Sai quem responde. – Se você for a Konoha para perturbar a esposa de Gaara-sama, terá muitos problemas com nossa ANBU. – O jornalista olha para o rosto sério de Sai. – Isso é uma ameaça? – Sai sorri. – Não, é uma promessa. – O outro se cala e sai em seguida.
-Acham que ele irá a Konoha? – Kankuro olha para os irmãos. Sai lhe dirige um sorriso. – Só se ele quiser conhecer a ANBU de Konoha mais de perto, algo que tenho certeza qualquer pessoa sensata evitaria.
-Tenho que lhe agradecer, Sai. Você nos ajudou muito. – Gaara fala para o outro. Sai tinha demonstrado ser um amigo bom e leal, sendo o responsável pelas suas viagens entre Konoha e Suna.
-Não precisa agradecer. Desde que Ino voltou a Konoha, tanto a ANBU quanto o clã Yamanaka têm cuidado da segurança dela. Haku tinha muitos amigos dentro da ANBU e não deixaremos que nada nem ninguém perturbe Ino durante a gravidez. - Gaara concorda com a cabeça. Ele se vira Temari. – Você também foi fantástica, Temari. Obrigado. – Temari dá um beijo afetuoso no irmão. – Bom, acabou. Agora é esperar o que eles publicarão amanhã.
No dia seguinte os jornais publicavam a entrevista com o Kazekage á respeito da gravidez de Ino. Os três jornais traziam as mesmas informações, relatando o que tinha sido dito durante a coletiva. Apenas o jornal que tinha publicado o primeiro artigo acrescentava que a ex-médica de Ino tinha sido dispensada do hospital por ter fornecido informações confidências sobre pacientes, numa demonstração clara de falta de ética. Gaara fica satisfeito com o resultado. A reputação de sua esposa continuaria intocável.
XXX
Gaara acorda e, não encontrando Ino ao seu lado, se levanta e sai do quarto em direção à cozinha. Ela tinha adquirido o hábito de levantar de madrugada para comer. Gaara para na porta da cozinha e sorri. Ino estava sentada à mesa tomando uma grande taça de sorvete. Ele pega uma colher e se senta ao seu lado. Ela agora estava no oitavo mês de gravidez. Ele tinha conseguido ficar uma semana em Konoha, desta vez.
- Sakura já lhe disse que açúcar demais pode prejudicar nosso bebê. – A barriga dela estava enorme e o bebê chutava sem parar. – Vocês estão comendo demais. Deixe um pouco para mim.
-Diga isso para seu filho. Ele parece que vive com fome. – Ela responde rindo. Gaara já se referia ao bebê com amor e carinho. – E tira a mão do meu sorvete. Vá buscar um para você.
- Mulher cruel. Esse sorvete dá para um batalhão e não coloque a culpa no nosso filho. Você o está usando como desculpa.
Ela para e coloca a mão na barriga. Gaara fica tenso. Tentava não pensar no parto. Aproveitava o tempo que tinha ao lado de Ino. Ele coloca a mão sobre a dela. –Tudo bem?
-Sim, ele sempre fica agitado com você por perto, mas já me acostumei. – Ela olha para o marido. – Você está bem?
-Preocupado, mas vou me agüentando. – Ele a abraça e a beija. – Porém não quero pensar nisso agora. – Ele estica e mão e puxa a tigela para si. Ino percebe a manobra e segura o braço do marido. – Nem pense nisso, Sabaku, esse sorvete é meu. – Eles riem e Ino acaba de tomar sorvete. Ele a observa. Ela estava linda, mesmo com a barriga enorme. O sexo entre eles continuava com a mesma intensidade de sempre. Gaara tinha conversado com Sakura a respeito e ela o informara que o sexo não só era liberado como benéfico, facilitando o parto. Gaara se levanta e puxa Ino para si, pegando-a no colo com cuidado, e a leva de volta para o quarto, colocando-a suavemente na cama. Deitando ao seu lado ele a puxa para si. – Eu te amo, Ino. - Gaara toma cuidado em não colocar peso sobre sua barriga, conforme as orientações de Sakura. Ela o beija e eles fazem amor com paixão Depois ele a puxa para bem perto.
- Preciso ir embora amanhã. Vou partir logo que amanhecer, com Sai. Vocês ficaram bem? – Ele acaricia a barriga dela. – Devo voltar dentro de duas semanas, mas não sei se poderei ficar até o parto. Sinto muito, mas tenho uma reunião com o Senhor Feudal. Está agendada há meses. Estou tentando mudar, mas não posso garantir.
Ela o olha, Gaara estava relaxado. Ela sabia que ele ainda tinha muito medo e quando não estava com ela em Konoha, os pesadelos voltavam, cada vez piores. Ele só conseguia dormir ao lado dela.
-Não se preocupe, ficaremos bem. Na verdade eu fico preocupada com suas viagens. Mesmo com a ajuda de Sai, sei que é cansativo.
Ele a olha com carinho. –Não deixaria de vir vê-los. – Ele beija a barriga dela e encosta o rosto, sentindo os movimentos suaves de seu filho. Ao levantar a cabeça vê que Ino esta quase dormindo. Ele acaricia a barriga da esposa, porém, para ao sentir um movimento mais brusco. Ele olha para Ino pálido. Percebe que ela esta desconfortável. – Você está bem? O que houve? – Ela olha para ele um pouco ofegante. – Não se preocupe, Sakura disse que isso era comum. Ele acertou minhas costelas. –Gaara acende a luz do abajur e a observa. Ela parecia bem. Ele tentava não demonstrar sua angustia para não deixá-la preocupada. Ela tenta se sentar, mas seus movimentos estão cada vez desajeitados. Ele a ajuda. – Aonde você vai?
-Não vou conseguir dormir, até que o bebê fique quieto e ele não vai sossegar perto de você. Fique aqui, eu volto logo. – Ela sai em direção à sala. Gaara fica a espera dela. Não entendia por que o bebê se agitava a sua proximidade. Ele se sentia protetor em relação ao filho. Costumava ir às consultas de pré-natal com Ino. Esteve presente ao último ultrassom feito por Sakura. Vira a rosada ficar louca de raiva quando não conseguira ver o sexo do bebê, de novo. Ele e Ino riram ao ver a médica ninja discutir com a criança. Ficara orgulhoso quando Sakura dissera que o bebê era forte e perfeito. Mas seu medo persistia. Depois de um tempo ele se levanta e vai até a sala ver Ino. Ela tinha adormecido deitada no sofá. Ele a pega no colo, delicadamente e a leva de volta ao quarto.
XXX
-Esta tudo ótimo, Ino. Você e o bebê estão em prefeita saúde. As dores de cabeça passaram? – Ino confirma com a cabeça, Gaara olha surpreso para a esposa. Não sabia que ela estava tendo dores de cabeça. Sakura olha para os dois. – A data provável para o parto é para daqui duas semanas. Então aproveite esse tempo para relaxar e descansar. Sei que o final da gravidez é muito desconfortável para a mãe, Ino, mas logo você estará com o seu filho no colo e isso compensará todo o desconforto. – Eles saem do consultório de mãos dadas, andando devagar. Ino estava se sentindo cansada. Sakura tinha dito que isso era normal no final da gravidez.
-Por que não me falou das dores de cabeça, meu amor? – Ele indaga calmamente. Desde que eles voltaram ele fazia de tudo para não deixá-la estressada ou nervosa. Sabia que isso poderia prejudicar Ino e o bebê. Se preocupava com os dois.
-Não queria deixá-lo ansioso ou preocupado. – Ela responde com a voz cansada. Não se sentia bem, estava indisposta. Suas costas doíam e ela não achava nenhuma posição confortável para dormir, passando parte das noites acordada e sentindo muito sono durante o dia. Ele ia dizer mais alguma coisa, mas desiste ao vê-la tão indisposta.
-Pensei em comermos algo aqui na cidade, o que acha? – Ele convida.
-Gaara, eu prefiro ir para casa, se não se importa. - Gaara olha para ela, preocupado. Precisava voltar para Suna na manhã seguinte, mas não queria deixá-la. Ela não lhe parecia bem. Ele a abraça, puxando sua cabeça para seu peito. Sente os olhos úmidos. Ino percebe a angustia do marido. – Esta tudo bem, eu só estou cansada. Pode não parecer, mas essa barriga é pesada. – Ela dá um sorriso. – Fico imaginando como você consegue ficar carregando a sua cabaça nas costas. – Gaara sorri do comentário relaxando um pouco. Ele pega a sua mão e voltam a andar. – Venha, vamos para casa. Depois eu saio comprar algo para o almoço e você aproveita a tarde para descansar, como a Sakura recomendou.
Ino passa o resto do dia descansando. Não se sentia muito bem. A barriga estava mais baixa. Ela sentia um pouco de falta de ar e uma dorzinha nas costas tinha começado a incomodá-la. Mas não quer se queixar, para não deixar Gaara assustado. Ela dorme um pouco durante a tarde. O marido esta a seu lado. Ele acaricia sua barriga, olhando para ela. Sente-se mal por deixá-la. Mas não tinha opção. Era o Kazekage de Suna e sua vila precisava dele. Ele a abraça com cuidado. Ela abre os olhos. –Desculpe, não queria acordá-la. Como se sente? – Ela o olha com carinho. – Estamos bem, mas com fome. – Ele ri. – Vocês vivem com fome ultimamente. Vou preparar algo para nós. – Eles jantam no quarto. Ela parece mais disposta e o deixa mais tranqüilo, depois de jantar ele a ajuda a tomar banho e se deitar. Quando ele sai do banheiro após o banho a encontra dormindo. Ele para ao lado da cama, olhando para ela. Ino parecia tão frágil, sabia que ela precisava dele, principalmente agora no final da gravidez. Ela não estava lhe contando tudo o que acontecia para não deixá-lo preocupado, não era justo deixá-la sozinha naquele momento. Ele decide que ficaria em Konoha até o bebê nascer. Mandaria uma mensagem à Suna no dia seguinte. Sabia que teria problemas por deixar o Senhor Feudal esperando, mas sua esposa e seu filho vinham em primeiro lugar. Desde que fora nomeado Kazekage, sempre colocara as necessidades da vila á frente das próprias, mas agora ele agiria diferente. Ficaria ao lado de sua esposa. Com esse pensamento, ele se deita e logo dorme também.
Ino acordou sentindo uma pontada nas costas. Sua barriga estava dura. Bem dura. Ela se senta, com dificuldade e sente uma nova pontada nas costas. Solta um gemido baixo, e acaba acordando Gaara. Ele olha em volta confuso e vê Ino sentada. De imediato percebe que tem algo errado.
-Amor, tudo bem? – Ela emite outro gemido. – Ino o que está acontecendo?
-Eu acho que o bebê vai nascer. – Ela responde assustada. Não entendia. Sakura lhe dissera que a data provável para o parto era para dali duas semanas e que as dores começariam fracas e aumentariam de intensidade aos poucos. Mas ela sentira uma pontada bem forte. Gaara se levanta e a olha, tenso. – O que eu posso fazer?
- Acho que devemos ir ao hospital. – Ele concorda e a ajuda a se vestir. Eles pegam a bolsa de Ino e do bebê. Ao saírem do quarto, Ino sente uma nova pontada e se segura à parede. Não quer gemer, para não assustar Gaara. Preferia que ele estivesse em Suna e não assistisse o parto. Sabia que seria difícil para ele. Mas agora está feliz em tê-lo por perto. Não queria assustá-lo, porém no fundo sentia um pouco de medo.
-Ino, você pode andar? – Ela confirma com a cabeça. Eles estão vão para o hospital. A caminhada é demorada, pois Ino anda bem devagar. Ela olha para o marido e vê que ele estava pálido. – Não se preocupe, vai dar tudo certo. – Ele apenas a olha e volta a caminhar. Queria ter tanta certeza quanto ela.
XXX
Seis horas. Já tinham se passado seis horas. Eram oito horas da manhã. Ino sofria com as contrações. Ela tentava não gritar para não deixar o marido mais angustiado, mas era impossível. A cada contração, ele se sentia pior.
-Ino, você está indo muito bem, continue assim. – Mais uma contração. Ino não imaginara que as dores podiam ser tão fortes. – Ino, agora eu quero que você empurre. – Gaara estava junto da esposa. Ela pedira para que ele esperasse do lado de fora, mas ele queria ficar com ela. Seu tormento era visível. Ino queria lhe dizer que estava tudo bem, mas as dores a impediam de se concentrar no marido. Ela estava apoiada no peito dele. - De novo, Ino, mais uma vez. – Novamente Ino sente uma dor forte e tenta empurrar, já está quase sem forças. – Sakura, eu não agüento mais, não dá. – Gaara fica muito tenso ao ouvir aquilo, era como se seus pesadelos criassem vida. Mas Sakura parece não se importar. – Ino, falta pouco, empurre mais uma vez. – Outra contração e Ino empurra com força, levantando o corpo. Ela ouve um choro forte. O choro do seu bebê. –Tenten estava certa, é uma menina. – Gaara não acredita que tudo havia acabado. Ele olha para a esposa. Ino estava exausta, seus cabelos estavam úmidos de suor, mas ela tinha um sorriso lindo em seu rosto. –Como você esta? – Ele pergunta para ela, enxugando o suor do seu rosto. – Estou cansada, mas louca para ver minha filha. – Ele a beija. Pouco minutos depois, Sakura traz a menina recém-nascida, para eles verem, colocando-a no colo da mãe. Ela olha para a criança sem acreditar. Vê que os cabelos são ruivos como os do pai. – Veja Gaara, ela é ruiva. – Gaara olha para a menina e sente o coração disparado. Ele toca o bebê com cuidado. Ao tocar na mão da menina, ela segura o dedo do pai e abre os olhinhos. Ino observa o rosto do marido, ele estava emocionado. –Gaara, ela é linda.
-Como você. – Ele beija a esposa e volta a tocar a criança. De novo ela abre os olhos. Parecia entender que ele era seu pai. Sua filha era linda e perfeita. Ele sente os olhos úmidos. Sakura se afasta um pouco deixando o casal curtir a filha. Ela vê feliz que Ino tinha razão. O Kazekage de Suna estava encantado com a filha. Ino olha para Gaara. – Você esta bem? – Ele olha para a esposa. – Eu nunca fui tão feliz. Obrigado, Amor, pela nossa filha. Eu amo vocês duas. – Ele a beija com amor. Ino encosta a cabeça nele e fecha os olhos. Tinha valido a pena tudo pelo que passara desde que descobrira que estava grávida.
XXX
-Ela é linda. Eu sabia que era uma menina. Eu disse a vocês. – Tenten não parava de falar, fazendo o casal rir. O bebê estava dormindo no colo da mãe. Gaara não cansava de admirar a recém-nascida. Nunca tinha visto um bebê tão lindo. – Ino, eu disse que sua filha seria ruiva. – Gaara olha para Tenten. Ela fica séria. – Ino você está bem? – Tenten estava fora em missão e só fora ao hospital visitar a amiga no final do dia.
-Eu estou ótima, Tenten. De verdade. Valeu cada segundo de espera.
-Já pensaram em um nome? – Ino olha para Gaara. Como eles não sabiam o sexo, Ino decidira esperar a criança nascer para escolherem. – Já pensou em algo, Gaara?
Ele faz não com a cabeça e depois se vira para Tenten. – Você gostaria de sugerir algo, Tenten? Afinal você acertou no sexo e na cor do cabelo, acho justo que dê uma sugestão. –Ela fica surpresa por ele perguntar a ela. – Bem eu tenho uma sugestão sim, mas não sei se vocês vão gostar. É um nome que eu ouvi uma vez e achei muito lindo e depois fiquei sabendo que era original do País do Vento. – Ele fica esperando. –O nome é Karura. – Gaara olha surpreso para Tenten e depois para o bebê. – Esse era o nome da minha mãe. – Ino olha para ele e vê que o marido esta emocionado. Ela então sorri para Tenten. – Ótima sugestão, Tenten, Karura é um lindo nome. – Gaara encosta o rosto no ombro da esposa e ela sente suas lágrimas. Tenten percebe que Gaara está emocionado e sai do quarto discretamente.
-Tudo bem, Amor? Você gostou da idéia? Podemos escolher outro se você não quiser colocar o nome de sua mãe.
-Não, eu gostei da sugestão. Pelo jeito Tenten acertou também no nome. – Ele passa os dedos de leve sobre a cabeça da filha, entre os cabelos que eram da mesma cor que os seus. A porta se abre e eles vêem Naruto entrar. – Com licença, posso entrar? - Ele chega perto da cama. – Parabéns. Eu soube que é uma menina. – Ele cumprimenta o amigo. - Gaara, tomei a liberdade de mandar uma mensagem a Suna avisando sobre o nascimento da sua filha.
-Obrigado, Naruto. Me esqueci completamente de meus irmãos. Imagino que Temari vai ficar ansiosa para conhecer a sobrinha. Será difícil segurá-la em Suna.
-Você pretende voltar logo para casa? – Gaara fica sério. – Tinha decidido ficar até o bebê nascer. – Ino olha surpresa para ele. –Você não me disse isso. – Ela olha para ele. - Mas e a reunião com o Senhor Feudal? – Ele a beija suavemente. – Você é mais importante que ele.
-Mas agora você já pode ir, não precisa se preocupar comigo ou com o bebê. – Ela fala séria. Sabia que se o marido não comparecesse a reunião, teria problemas posteriores. - Vá para Suna. Eu e Karura ficaremos bem. – Ele concorda.
- Certo. Ino, seu pai esta aí e gostaria de vê-la. – Naruto olha para Gaara. – Naruto, peça para meu pai entrar.
-Espere Naruto, eu vou sair antes. – Ela olha chateada para o marido. Ele e o pai dela não se falavam e ela ficava triste com isso. O marido percebe como ela se sente e dá um beijo na testa. – Não se preocupe, está tudo bem. Não quero impedi-lo de ver você e Karura.
Ele sai em companhia de Naruto e vê o sogro no fim do corredor. Eles se dirigem para o outro lado onde havia uma cantina. – Venha Gaara, vamos comemorar o nascimento de sua filha. – O ruivo sorri para o amigo. Eles se sentam no balcão e Naruto chama o garçom que vêem rapidamente atender os dois kages. – Pois não Naruto-sama? – Naruto olha para o rapaz com a cara mais séria do mundo. – Saquê. – Gaara olha para ele sem entender. O garçom olha para os lados e com um sorriso abre uma porta embaixo do balcão e serve dois copos. Gaara fica surpreso, afinal estavam em um hospital. Naruto começa a rir. – Este é de Tsunade. Ela pensa que eu não sei. – Ambos riem e começam a beber. Naruto fica sério. – As coisas estão ruins entre você e seu sogro. Posso ajudar?
-Deixe assim, não quero confusão para não magoar Ino. Ela adora o pai. Em breve estaremos de volta a Suna e ela o verá pouco. Será difícil para ambos. – Naruto concorda e volta a sorrir. – Então já escolheram o nome do bebê. Karura é um lindo nome.
-Foi uma sugestão de Tenten e por coincidência é o mesmo nome de minha mãe. – Ele fica calado durante alguns minutos. Depois com um sorriso se vira para amigo. – Ela é linda como a mãe. – Naruto o ouve feliz.
-Parabéns, Gaara-sama. – Ambos se viram e vêem Neji e Lee parados ao lado deles. – Obrigado. Vocês já viram a menina?
-Acabamos de vir de lá. – Naruto faz sinal para o garçom que serve mais dois copos, porém Lee rejeita com um sorriso. – Acho que não é uma boa idéia. – Todos riem, sabiam que Lee perdia o controle ao menor gole. Eles se sentam e Neji olha para o ruivo. – Sua filha é linda. Ainda não tinha visto um bebê tão lindo. – Gaara sorri feliz. Eles continuam conversando e ele olha para os amigos. Sentiria saudade de todos ali em Konoha. Eram como sua família. Ele pede licença e volta para o quarto encontrando Ino amamentando o bebê. Ele a beija com carinho. – Tudo bem?
-Você e Naruto estavam bebendo o saquê de Tsunade, certo? – Ele fica sem graça e ela ri. – Não se preocupe, todos sabem sobre a bebida na cantina e Naruto sempre deixa garrafas cheias lá para ela. – Eles observam o bebê mamar. Gaara volta a acariciar a cabeça da filha. Realmente ela era lida. Ele tinha visto que os olhos dela eram claros, mas ainda não dava para saber se eram azuis ou verdes. Logo a menina dorme e Gaara pega a filha no colo e a coloca no berço ao lado da cama. Depois volta para perto de Ino. – Como se sente? Precisa de algo? – Ela olha para ele, sonolenta. –Estou bem, só muito cansada. – Ela se encosta aos travesseiros e fecha os olhos. Ele a beija antes que ela durma. Olha para a filha e para a esposa, ambas dormindo e sente uma grande felicidade. Ino tinha razão, tudo dera certo e tanto sua filha quanto a sua esposa estavam bem. Ele encosta a cabeça no encosto do sofá e, cansado, logo adormece.
XXX
- Ino, onde você está? – Sakura entra na casa de Ino chamando pela amiga e ouve o choro do bebê. Ela segue o som e encontra a amiga no quarto com o bebê no colo. Karura chorava com força. – Esta tudo bem?
-Ela tem chorado sem parar. Já tentei de tudo, mas não há nada que a console. – Ino estava cansada.
-Deixe-me examiná-la. – Sakura pega a menina e a coloca na cama. E a examina rapidamente. –Ela está ótima, Ino. Desde quando ela esta assim?
-Desde que Gaara viajou. –Karura estava com um mês. Gaara tinha se revelado um excelente pai. Porém, estava difícil para ele ir e voltar de Konoha com freqüência e o cansaço o estava dominando. Fazia dois dias que ele tinha voltado à Suna. -Ela esta com saudade do pai. Ele também deve estar morrendo de saudade dela. Você tinha razão, Ino. Bastou essa princesinha olhar para Gaara que ele se derreteu. – Sakura vê que Ino está exausta. - Vá descansar eu fico com ela. – Ino se deita, mas elas ouvem uma batida na porta e ela se levanta para atender. Quando Ino abre vê a cunhada sorrindo. – Oi, vim conhecer minha sobrinha. Aproveitei a carona do Sai.
Ino a abraça e a convida a entrar. Temari a olha com um sorriso. – Cadê a Karura? Gaara não para de falar dela. – Sakura traz a menina e Temari a olha fixamente. – Ela é linda. Gaara não exagerou. Ele disse que ela é a criança mais linda do mundo. Posso pegá-la?
-É claro. – Sakura passa a menina para o colo da tia. Temari fica olhando para o bebê demoradamente. Algumas lágrimas escorriam por seus olhos. – Nossa, ela é a cara do meu irmão. – Realmente, a menina era o retrato de Gaara. – Ino, Gaara não poderá voltar pelos próximos quinze dias ou mais. Ele está muito chateado, mas o trabalho dele está se acumulando e os conselheiros o tem pressionado. Gaara também está muito cansado. Eu lhe disse para ficar lá até colocar as coisas em ordem. - Ela olha para a menina de novo. – Eu vou ficar uns dias, tudo bem para você?
-Temari, fique o tempo que quiser. Eu sei que Gaara esta cansado, não tem sido fácil para ele, mas em breve poderemos viajar e ficaremos juntos em casa.
Temari sorri. – Ele fala da filha o tempo todo. Kankuro está louco para vê-la. Ele virá assim que eu voltar. – Ela olha para a menina, os cabelos ruivos e os olhos verdes bem claros eram iguais aos de Gaara. – As fotos dela já saíram nos três jornais de Suna e Gaara está muito orgulhoso da filha. E meio bobo também. – Elas riem. Na verdade, Temari tinha enviado as fotos aos jornais para que todos vissem a semelhança entre Karura e Gaara, acabando assim com qualquer dúvida quanto à paternidade da menina.
XXX
Gaara para na porta da casa de Ino. Fazia vinte dias que não via sua esposa e sua filha. Sentia uma imensa saudade de ambas. Karura estava com quase dois meses. Elas voltariam com ele para Suna. Ele abre a porta e ouve o choro da filha. Um choro forte e sentido. Ele entra e segue o choro até o quarto deles. Ino estava em pé com Karura no colo. Ele vê que Ino estava nervosa.
-Ino. –Ele chama, delicadamente. Ela se vira e ele pode perceber que ela estava muita cansada. – Esta tudo bem? – Ele se aproxima e olha a menina. O choro estava piorando. – O que está acontecendo?
-Gaara, ela tem chorado muito todas as noites. Sakura já a examinou e disse que esta tudo bem, mas o choro persiste. – Ino estava à beira das lágrimas também. Ele estende os braços e pega a menina. Ela está com o rostinho vermelho, e continua chorando. Gaara a encosta no peito e olha para a esposa. – Vocês estão sozinhas? – Ela confirma. –Sakura está de plantão, Tenten e Lee devem voltar hoje de missão e Sai foi te buscar. -Ele se aproxima dela e a beija com carinho. –Vá descansar um pouco, eu fico com a Karura.
-De jeito nenhum. Você acabou de chegar de viagem, deve estar muito cansado. – Gaara olha para a menina. O choro tinha diminuído um pouco, mas ela continuava agitada. Ele a embala com carinho e ela começa a se acalmar. – Venha, vamos deitar um pouco. – Ino concorda e se deita, Gaara se acomoda ao lado dela, com a filha entre eles. Logo Ino pega no sono. Estava cansada, fazia noites que não dormia direito. Depois de algumas horas ela acorda e vê o marido dormindo com a filha sobre o peito. Karura dormia tranqüila. Ino fica olhando os dois. A menina sentia falta do pai. Desde que nascera demonstrara ter uma forte ligação com ele. Ela pega a criança e a coloca no berço que estava em seu quarto. Gaara desperta e a puxa para seus braços beijando-a longamente. –Desculpe não ter vindo antes. Não sabia que vocês estavam sozinhas, senão teria pedido a Temari que viesse ficar com vocês. – Ela deita a cabeça em seu peito. – Não se preocupe, o que importa é que você esta aqui e logo estaremos em nossa casa. – Ele a aperta em seus braços e a beija, devagar vai despindo-a. Depois se levanta e tira a própria roupa, deitando em seguida. Ele a puxa para junto de si. Não faziam amor desde que o bebê nascera. Estava com saudade de sua esposa. Ele começa a beijar seu corpo, notando as diferenças em suas curvas. Ela estava um pouco mais cheia, principalmente nos seios. Ele os toca com cuidado. Ao olhar para o rosto dela, se surpreende. Ela parecia estar envergonhada. – O que foi Amor? – Ela se encolhe um pouco, o rosto vermelho. – Eu estou horrível. – Ele vê que ela tem lágrimas nos olhos. – De onde tirou essa idéia? Você esta linda, Ino. – Ino o empurra e se senta na cama. Não consegue controlar o choro. Sente os braços do marido a sua volta. – Por que esta assim? – Ele deita e a puxa para perto, prendendo-a em seus braços. – Eu estou gorda, meus cabelos estão horríveis e eu estou cheirando leite e fraldas. Estou cansada e você demorou tanto para voltar. Senti sua falta. Sei que não é sua culpa, mas não pude deixar de me sentir abandonada. Estava preocupada achando que algo lhe tivesse acontecido. – Ela continua chorando, agora encostada a ele. Ele espera que ela se acalme. – Desculpe, não sei que me deu. – Ele a beija com carinho. –Você esta cansada, sei que não deve estar sendo fácil. Logo estaremos em casa e estarei perto de vocês. Pretendo trabalhar uma parte do dia em casa, pelo menos nas primeiras semanas. – Eles ouvem um resmungo e logo o bebê começa a chorar. Ino dá um sorriso cansado. – Hora de mamar. -Ele se levanta e pega o bebê, enquanto Ino veste um roupão, Gaara passa a criança para Ino e ela se ajeita para amamentar o bebê. Gaara olha para as duas, com amor. Depois em silêncio, ele entra no banheiro e toma um banho voltando ao quarto depois. Karura ainda mamava. Ele vai até a cozinha preparar algo para ele e Ino. Pensava no que poderia fazer para animar a esposa e fazê-la relaxar um pouco. Ela entra na cozinha e para na porta, constrangida. – Quando vamos voltar para casa?
-Vou falar com Naruto, mas acho que depois de amanhã, se você concordar. – Ele se vira e a abraça. – Você está linda. Eu te amo, Ino, não me importo com cheiro de leite ou fraldas. Não seja tola, sabe que eu te quero muito. – Ela o beija e o abraça. Sente-se insegura. Sabia que estava malcuidada. Ela se afasta um pouco e olha para ele. Seu marido era um homem lindo. Ela sabia que muitas mulheres em Suna o desejavam e algumas mais atrevidas tentavam se aproximar mais, mas tinha plena confiança nele. Porém agora se sentia horrível. Ela senta em uma cadeira e colocando o rosto entre as mãos começa a chorar novamente. Ele a abraça e afaga os seus cabelos. Sabia que a culpa era dele. Não ficava tempo suficiente ao lado dela. Ino estava cansada e estressada. Tinha ficado sozinha cuidando do bebê durante vários dias. Ele espera a crise passar. Quando ela para de chorar ele a pega no colo e a leva para o quarto, colocando-a na cama. – Ino, eu a desejo tanto quanto antes, para mim nada mudou, mas sei que você ainda não esta pronta para fazer amor. Está cansada e incomodada com seu corpo, apesar de continuar tão linda quanto sempre foi, mas não se preocupe, eu sei esperar. Só quero que você saiba que eu sempre vou amá-la. Leve o tempo que for preciso, está bem? – Ela concorda, realmente não se sentia pronta para retomar as relações com o marido. Ela o amava, mas não queria fazer amor agora. Ele a puxa de encontro ao seu peito e logo ela adormece. Gaara, no entanto fica um longo tempo acordado, pensando em sua esposa. Ele se preocupava em vê-la tão esgotada. Esperava que quando voltassem a morar juntos em Suna ela se sentisse mais relaxada. Pensando nisso, ele adormece.
XXX
Ele acorda e sente o corpo da esposa colado ao seu. Se mexe devagar para não acordá-la. Ele a olha com atenção. Ela sempre fora linda, mas estava ainda mais bonita agora. Ouve um resmungo e se levanta devagar para ver a filha. Karura está acordando. Ele a pega e a troca rapidamente para que ela não chore e acorde a mãe. Ino estava precisando descansar. Ele leva o bebê para sala e se deita no sofá com a menina sobre o peito. Karura se acomoda e volta a dormir tranqüila. Ele olha para a filha com um sorriso. Nunca imaginara que poderia amar tanto aquele bebê. Quando lembra que quase obrigara Ino a interromper a gravidez sente raiva de si mesmo. O bebê se mexe, parecendo perceber os pensamentos do pai. Ele e Karura tinham uma ligação muito forte, desde que a menina nascera. Ela ficava manhosa e chorona quando ele não estava por perto. Ele encosta-se ao sofá fechando os olhos acariciando as costas da filha e fica ali até sentir a presença de outra pessoa. Abre os olhos e vê seu sogro parado a porta da cozinha. Gaara se senta e ajeita o bebê no colo. O relacionamento entre ele e o sogro estava péssimo. Eles se evitavam o máximo que podiam. Ino já tentará fazer o pai aceitar que Gaara estava arrependido, mas Inoichi não queria falar com o genro. Gaara pedira a Ino que deixasse o assunto de lado, não queria que ela ficasse nervosa por causa deles.
- Não sabia que você tinha chegado. Voltarei outra hora. – Ele se vira para sair, mas Gaara o chama de volta.
-Elas iram comigo, desta vez. Talvez queira se despedir. – Inoichi o olha sério. – Acho que não preciso. Logo elas voltarão, com certeza. – Gaara se irrita ao ouvir o comentário. Karura se mexe inquieta ao perceber a irritação do pai. Gaara beija sua testa com carinho e fala baixinho com a menina que volta a se aquietar. Inoichi observa o jeito do pai com a menina. Ino já lhe tinha falado sobre a ligação entre eles.
-Você ama sua filha. – Era uma afirmação. Gaara o olha sério. – Tem algo que não faria para vê-la feliz ou segura?
-Não há nada que eu não faria por minha filha.
- E o que faria se alguém a magoasse ou ferisse? Se a visse chorando triste e infeliz? O que você faria com o responsável pelo seu sofrimento, Gaara?
Ele entendia aonde o sogro queria chegar. Se alguém ferisse ou magoasse sua garotinha ele seria capaz de matar sem nenhum remorso. Inoichi vê que Gaara o tinha entendido. – Então você entende o que sinto quando o vejo aqui. Você não assistiu o sofrimento de Ino, não a ouviu chorar de desespero e magoa. Passei três vezes por isso. Quando Haku morreu, quando você foi seqüestrado por Sasuke e quando ela fugiu de Suna. Eu sou pai, como você. Ino é a pessoa mais importante no mundo para mim. Eu a criei praticamente sozinho. Ela é tudo o que eu tenho. Se eu não soubesse que traria mais sofrimento a ela, eu teria ido até Suna e o matado com minhas mãos.
Gaara ouve aquilo em silencio. As palavras do sogro faziam sentido para ele. Ele olha para Inoichi. – Entendo o que diz, faria o mesmo se alguém magoasse Karura a esse ponto. Talvez um dia você possa me perdoar. Até lá saiba que sempre será bem vindo a minha casa. – Inoichi concorda com a cabeça e se aproxima para tocar a cabeça da menina, saindo da casa em seguida.
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-E quando vocês querem partir? Pretendo reforçar a segurança, você estará viajando com Ino e Karura e isso pode atrair ninjas inimigos.
-Concordo. Queremos partir amanhã. Ino está muito cansada, e Karura fica muito irritada longe de mim. Em Suna posso dar mais atenção a elas. – Ele repara que tem um foto de sua filha na mesa do amigo. Naruto acompanha o olhar dele e sorri. – Espero que não se importe, Ino me deu essa foto e eu quis deixá-la sempre perto de mim. – Gaara dá um sorriso. - É claro que não me importo. Mandarei fotos dela sempre para vocês, assim acompanharão o crescimento dela mesmo de longe.
-Vai ser duro para Sakura deixá-las ir. Ela se apegou muito à sua filha. Mas logo ela terá algo mais para se ocupar. – Naruto estava com os olhos brilhando. Gaara o olha curioso e outro esclarece. – Ela está grávida. – Gaara sorri para o amigo. – Parabéns. Ino ficara feliz com a notícia. – Ele olha para Naruto e vê que o outro está muito feliz com a idéia de ser pai. Lembra-se da reação que teve ao saber sobre a gravidez de Ino e fica sério. Naruto percebe o que se passa com Gaara. - Não fique remoendo isso, o importante é como as coisas estão agora. Qualquer um percebe o quanto você ama Karura. E ela te adora. – Gaara concorda com a cabeça e depois de se despedir, volta para casa.
Encontra Ino na cozinha, Karura dorme em uma cesta em cima da mesa, Gaara se aproxima da esposa e abraça por trás, beijando seu pescoço.
-Oi, você demorou. Está tudo bem? - Ela o beija. – Sim, falei com Naruto. Já esta tudo acertado para nossa partida amanhã. – Ele a puxa de encontro ao peito. – Sakura está grávida. – Ele percebe que Ino fica imóvel e puxa o rosto dela para cima. – O que houve?
- É estranho ouvir que Sakura está grávida. Ela fez tanto por mim e Karura e eu me sinto culpada em não poder fazer nada por ela. Estarei longe e não poderemos nos ver durante muito tempo. – Ino começa a sentir o peso da distância dos amigos. Durante aqueles meses eles estiveram ao seu lado o tempo todo. Ajudaram ao máximo. Mas agora ela iria embora e demoraria muito para vê-los. Ela queria voltar para Suna, para sua casa, mas sabia que sentiria muita falta de todos ali em Konoha. Ela dá um sorriso para o marido. – Mas eu quero ir para casa. Sinto falta de você, quando esta longe e Karura precisa ficar perto do pai. Sei que Sakura irá entender. – Ele concorda e a beija.
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Eles estão prontos para partir. Sai iria levá-los. Uma grande tristeza invade todos. Karura estava dormindo tranqüila no colo do pai. Ino olha para Sakura e a abraça, apertado. – Obrigada por tudo. Não sei o que seria de mim e de Karura sem você.
-Não diga isso. Eu apenas fiz meu trabalho. Sou médica e adorei cuidar de você durante o pré-natal. E foi o melhor e mais fácil parto que fiz em toda minha carreira. – Ambas estavam com lágrimas nos olhos. – Não sei quando poderei vir visitá-la, mas com certeza estarei aqui quando o bebê nascer. Isto é uma promessa.
-Sem dúvida. – Naruto abraça a esposa e olha para Gaara. – Não esqueça que me prometeu mandar fotos da sua filha. Se possível mande algumas dicas também. Acho que vou precisar. – Os dois riem. - Pode deixar. – Ele puxa Ino. – Vamos, temos uma longa viagem pela frente.
- Sim, você tem razão. – Ela sobe no pássaro. Tenten e Lee iriam com eles. Gaara passa o bebê para Ino e também sobe no pássaro, ficando atrás de Ino. Ele passa os braços pela cintura da esposa, mantendo as duas bem junto dele.
-Sai. –Sakura chama o rapaz. – Não esqueça. Pare a cada três horas para que Ino possa amamentar o bebê e descansar um pouco. – Ele concorda. Com um último aceno, eles levantam vôo em direção a Suna.
A viagem transcorre de forma tranqüila. Sai faz as paradas conforme a orientação de Sakura. Quando estão no solo, Gaara e os outros cuidam da segurança enquanto Ino cuida do bebê. Eles chegam a Suna sem problemas. Ino sente uma alegria imensa quando se aproximam do portão. Ela olha para o marido que a beija. Sabe o que ela estava sentindo. Ino amava Suna. E era muito querida na vila. Havia alguns ninjas ali para receberem o Kazekage e sua família. Entre eles estavam Temari e Kankuro. Eles são os primeiros a se aproximarem, logo após a aterrissagem. Temari se adianta e depois de abraçar o irmão, pega a sobrinha no colo. Ela abraça Ino. Kankuro também se aproxima e abraça os dois antes de se olhar a sobrinha com carinho. Eles se dirigem a residência do Kage. Estavam cansados e Karura já estava muito irritada por ter sido tirada do colo do pai. Ao entrarem, ela começa a chorar alto. Ino dá um sorriso ao ver Gaara se adiantar e pega a filha do colo de Temari que fica zangada com o irmão.
-Ei, você já ficou muito tempo com ela. Agora é minha vez.
-Desista, Temari, quando Gaara-sama está perto, Karura só quer saber do pai. – Tenten fala sorrindo.
-Tenten, já lhe pedi para me chamar apenas de Gaara. – Ele responde. Tinha simpatizado com a kunoichi de coques. Ela sempre ajudava Ino quando podia.
-Muito bem, que tal nos acomodarmos? – Ino sugere. Temari chama a empregada que estava lá parada assistindo a chegada da família do Kazekage e pede que ela sirva o jantar e providencie acomodações para todos. Enquanto isso Ino e Gaara sobem com a filha. Eles estavam cansados. Ino queria dar banho em Karura. Ainda não sabia como faria para ajeitar a filha, mas ao abrir a porta do seu quarto, fica surpresa. Gaara que vinha logo atrás fica observando a reação da esposa. Ele e os irmãos tinham preparado um espaço para sua filha no quarto. Ino olha maravilhada. Uma parede do quarto tinha sido pintada de lilás e alguns quadrinhos infantis tinham sido pendurados nela. Tinha também uma prateleira cheia de bichinhos de pelúcia e bonecas de pano. Um berço lindo e um gaveteiro tinham sido colocados ali. Uma poltrona branca estava ao lado da cama. Ino olha para o marido. – Está lindo, adorei. Obrigada por ter pensando nisso. – Ela o beija.
-Que bom que gostou. Você disse que queria preparar o quarto, então eu e meus irmão achamos que deveríamos criar um espaço para ela até o quarto ficar pronto. Não gostaria de deixá-la dormindo sozinha em outro quarto, ela é muito pequena ainda. Então você terá bastante tempo para decorar o quarto dela. – Ele a abraça. Ino o olha. Gaara tinha a habilidade especial de saber agradá-la. Ele era um homem incomum. – Bom, então vou dar um banho nela e colocá-la para descansar. – Ino começa a cuidar do bebê junto com Gaara. Ele sempre a ajudava quando estavam juntos. Em pouco tempo Karura já tinha tomado banho e Ino a estava amamentando. Gaara tinha descido para atender os hospedes deles. Lee e Sai iriam embora no dia seguinte pela manhã. Tenten iria ficar uns dias. Gaara a tinha convidado.
Ino coloca a filha adormecida no berço e fica pensando no marido. Ele fazia de tudo para agradá-la. Sempre atencioso e paciente. Não exigia nada. Tinha entendido que ela ainda não se encontrava pronta para fazer amor. Mas Ino sentia falta do marido e sabia que ele também sentia sua falta. Ela tivera medo dele rejeitá-la, mas Gaara deixara claro que ainda a queria do mesmo jeito que antes. Ela entra no banheiro e se olha no espelho. Estava um pouco mais cheia, principalmente nos seios. Ino sempre fora magra, mas suas curvas estavam um pouco mais acentuadas, agora. Suas pernas continuavam do mesmo jeito. Ela olha para a cicatriz na perna esquerda. Gaara nunca se incomodara com ela, pelo contrário, ele a ajudara a expor a marca sem medo. Ela o amava muito. Com um sorriso decide seduzir o marido naquela noite, para comemorar a volta para casa. Ela precisava senti-lo bem perto dela. Ela volta para o quarto e procura em suas gavetas uma camisola que ainda servisse. Se surpreende em ver que todas suas roupas estavam lá bem cuidadas e cheirosas. Mas uma prova do amor do marido. Ela encontra o que estava procurando e entra no banheiro tomando um longo e relaxante banho.
Quando ele sobe com o jantar da esposa, Karura já estava dormindo no berço e Ino estava no banho. Ele coloca a bandeja na mesa e se aproxima do berço. Ele e Ino estavam preocupados que Karura estranhasse o local, mas pelo jeito a menina sabia que aquele era seu lar. Ele espera Ino sair do banheiro. Ela aparece na porta com uma camisola curta e transparente. Ele sente um grande desejo, mas sabe que Ino ainda não estava pronta.
-Olá, eu lhe trouxe o jantar. – Ele aponta a bandeja, desviando o olhar. Depois dá um beijo na testa dela e entra no banheiro, para tomar um banho. Estava cansado, mas muito feliz por ter a esposa e a filha em casa. Sentia uma falta imensa de ambas quando estava em Suna. Ele termina o banho e sai encontrando Ino parada ao lado do berço. Ele para na porta do banheiro para admirá-la. Ela era linda. Ele a amava e a desejava. Sabia que seria difícil se controlar, mas Ino ainda não se encontrava pronta para fazer amor com ele, novamente. Ela levanta a cabeça e o vê olhando fixamente, ele tenta disfarçar, mas ela tinha visto o desejo no olhar dele. Ela se aproxima e o abraça pela cintura, mordendo seu queixo de leve e beijando seu pescoço em seguida. Ele a empurra delicadamente.
-Ino, por favor, não faça isso. - Ele fala com a voz rouca. Ino ri e volta a colar o corpo ao dele. – Por que não? – Ela pergunta de forma sensual procurando a boca dele. Ele a abraça e a beija, invadindo a boca dela com sua língua, apertando seu corpo contra o dele. Mas retomando o controle ele se separa dela. –Amor, não dificulte as coisas para mim. Sei que não está pronta, mas eu estou com saudades de você, se continuarmos assim, não conseguirei parar.
Ela o abraça com carinho e encosta a cabeça no seu peito. – Eu não quero que você pare. – Ela o encara. – Sinto saudade de você também e quero senti-lo perto de mim. - Ele a pega no colo e a leva até a cama deles. – Tem certeza? Não quero que se sinta obrigada a nada. Eu te amo e posso esperar.
-Mas eu não. Eu o quero agora. – Rapidamente ele a ajuda a se livrar da camisola e beija seu corpo todo. – Você é linda, perfeita. – Ele continua beijando-a. Com carinho ele a possui sem pressa, deixando claro o quanto a amava. Juntos eles alcançam o prazer e depois ficam abraçados durante um longo tempo. Karura começa a resmungar, provocando um sorriso no pai. – Hora de mamar? – Ino confirma e ele se levanta para pegar a menina, entregando-a mãe. Ino ajeita o bebê no peito e olha para o marido. Ele olhava para as duas com intensidade.
-Como pude ser tão idiota em querer obrigá-la a interromper a gravidez? – Havia remorso em sua voz. – Não pense nisso. O importante é que ela está conosco agora. Você sabe o quanto ela te adora e sente sua falta. Vocês tem uma ligação especial, comum apenas as pessoas de meu clã. – Ele concorda. Ele a olha intensamente. – Seu sonho era ter três filhos, certo? – Ela confirma com a cabeça. Não entendia aonde o marido queria chegar. – Passaria por outro parto?
- Não foi tão ruim. Por que está perguntando? – Ela olha para o marido. – Gostaria de ter outro filho?
-Sim. – Ele responde simplesmente, causando surpresa nela. – Mas não agora é claro. Daqui uns anos. Se você concordar. – Ela o olha sem acreditar. – Sei que você é filha única, e talvez não entenda, mas eu acho ótimo ter irmãos.
Ela sorri feliz. Gaara tinha superado o medo e os traumas causados pela infância sofrida e infeliz. Com certeza ele não teria mais pesadelos. Ela olha para a filha, a menina tinha operado um verdadeiro milagre na vida do pai. Ino entendia o apego que a filha tinha com Gaara. Karura mostrara a Gaara o poder do amor de uma criança. Viera sem ser planejada e fora rejeitada, mas amava o pai e era muito amada por ele. Ino toca os cabelos da filha iguais ao do pai. Sabia que Gaara e Karura sempre teriam uma ligação especial e se sentia muito feliz por isso. Ela volta a olhar para Gaara.
- Bom se você quer mais filhos, é melhor praticarmos durante algum tempo. O que acha? – Ele sorri feliz e concorda. Logo Karura estava no berço e eles estavam seguindo a idéia dela.
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Ele sente um puxão no braço, mas finge que está dormindo ainda. Novamente outro puxão, ele disfarça um sorriso. Sabia que Karura não ia desistir de tirá-lo da cama. Era sua folga e ela contava os dias para ficar com o pai. – Pai, acorda, já é tarde. – Ela, agora impaciente, começa a chacoalhar o pai, que não tem opção. Ele abre os olhos e a vê sorrindo ao lado da cama. Karura, agora com seis anos, tinha os olhos iguais ao dele, diferente da irmã que tinha olhos azuis iguais ao da mãe. Ele olha pela janela e vê que ainda estava escuro. –Posso saber por que você me acordou tão cedo? - Ele senta na cama e puxa a filha para o colo. Ela passa os bracinhos à volta do pescoço dele e o beija, dando risada. A risada dela era igual á da mãe. – Por que você prometeu me levar para ver o sol nascer no deserto, esqueceu? – Ino tinha razão, sua filha amava o deserto. Ele levanta e leva a peralta junto. Karura era terrível. Eles costumavam dizer que ela tinha puxado o tio postiço, Naruto. Nada nem ninguém ficava tranqüilo com ela por perto. Ela fugia sempre que podia e ia ao encontro dele, onde quer que ele estivesse. Seja no gabinete ou em reunião. Já tinha invadido a sala do conselho várias vezes. Ela conquistava a todos com o sorriso lindo e o jeito alegre. Ela e o pai eram ligados de uma forma inexplicável. Ela sabia quando ele estava chegando, sentia quando o pai não estava bem ou preocupado com algo relacionado à vila. Estava ao lado do pai sempre que podia. Ino achava graça no jeito que Karura se preocupava com Gaara. Ele era um excelente pai. Quando Chihiro nascera, dois anos depois de Karura, ele sentira a mesma emoção de quando a mais velha nascera. Ela era linda, mais parecida com a mãe. Também tinha cabelos ruivos, mas os olhos eram bem azuis. Tinha um temperamento calmo, muito diferente da irmã mais velha. Ele olha para esposa. Ino dormia tranqüila. Ela parecia a mesma que um dia entrara em seu gabinete anos antes, dizendo que era sua melhor opção e que podia ajudá-lo com os pesadelos. Ele sorri, ela estava certa. Desde que Karura nascera ele não tivera mais pesadelos. Mas às vezes sonhava com a mãe que não conhecera. Sonhos felizes, onde ela aparecia com ele ainda bebê no colo. Ino abre os olhos e vê o marido de pé com a filha mais velha ao lado e dá risada. – Pelo jeito ela veio te acordar, de novo. – Karura ri e corre para beijar e abraçar a mãe. - Bom dia, eu acordei o papai. Ele dorme demais. – Elas riem. Karura já estava na academia de ninjas, para orgulho dos pais e do avô, todos shinobis. Gaara beija a esposa. -É cedo ainda, descanse mais um pouco. Karura quer ver o sol nascer no deserto.
-Pelo que eu lembro, a idéia foi sua. – Ela fala sentando na cama, encostada na cabeceira. Eles ouvem um resmungo vindo de um berço próximo a cama. Gaara pega o bebê de seis meses, loiro de olhos azuis, o único menino do casal. Ino se levanta e pegando o bebê o troca rapidamente com a ajuda da mais velha. Assim como Karura, o pequeno Inoichi também não tinha sido planejado. Gaara achava graça, dizendo que eles deviam ser muito férteis. Sakura ria dizendo que eles pareciam coelhos. Ela e Naruto tinham apenas um filho que recebera o nome de Minato, em homenagem ao avô, pai de Naruto. Um pouco mais novo que Karura, o menino era loiro com olhos bem verdes, iguais aos da mãe. Sakura dizia que estava feliz apenas com ele, pois Naruto ainda parecia uma criança.
-Pai, posso ir também? – Eles se viram e vêem Chihiro parada na porta do quarto. Ela era quieta e observadora, tinha o temperamento do pai. Gaara a pega no colo e beija o rosto meigo da menina. – Claro que pode, meu anjo, eu já ia chamá-la, vamos sair e deixar a mãe de vocês amamentar seu irmão tranqüila, certo? – Ele se abaixa e beija a esposa. – Fique tranqüila, eu cuido delas. – Eles saem e Ino fica pensando na vida que tinham. Gaara era um marido maravilhoso e pai extremamente carinhoso e cuidadoso. Era difícil acreditar que um dia ele ficara furioso ao saber que ela estava grávida. As filhas adoravam o pai. Ele conseguia dedicar boa parte do tempo á família. Mas todos sabiam que ele era o homem mais importante da vila e por isso tinha muitas obrigações e responsabilidades. Aos poucos o pai de Ino voltara a se relacionar bem com o genro e a perdoar o que ele tinha feito. Sempre que podia, vinha a Suna visitá-los. Ino olha para o menino. Inoichi ficara emocionado quando Gaara decidira que o filho teria o nome do avô. Ele chegaria logo para passar uma temporada com a família. Ino se acomoda melhor e olha o bebê que voltara a dormir, feliz. Sabia que os pesadelos tinham acabado e seus sonhos estavam realizados. Tudo estava bem, graças ao amor que unia o casal e com o qual construíram uma linda família. Com esses pensamentos ela coloca o bebê no berço e sai do quarto para começar mais um dia ao lado do homem que amava e dos filhos que foram gerados através desse amor.
FIM
A fic Ko no Ai é uma continuação desta fic, Pesadelos, e já esta publicada aqui no .
Sinopse: "Eles tinham um grande dever. Continuar o trabalho dos seus pais e manter a Paz tão duramente conquistada. Mas também tinham que viver um grande amor."
Se você gostou de Pesadelos, com certeza vai amar KO NO AI.
