Disclaimer: Esta fic não me pertence, assim como Gravitation não pertence a nenhuma de nós. Além do mais, essa história é baseada em uma ópera chamada Turandot.

Cena 2: A Prova.


A noite caíra sobre a cidade fazia pouco mais de meia hora.

Era um quarto bastante amplo com piso feito de aduela, claras paredes de pedra, madeiras no teto; as portas corrediças de madeira e papel estavam abertas, dando em direção a um corredor que conduzia a outros lados do castelo. Sem dúvida alguma o palácio de Turandot era enorme por fora e por dentro.

"…"

"Onde você estava?" - pergunto o loiro de longos cabelos ao homem encapuzado que observava um pergaminho pegado à parede com a imagem de um dragão.

"Eu não gosto dos protocolos, o Seguchi é quem se encarrega disso. E como estava entediado de esperar, fui buscar um lugar para descansar depois de tantos dias de viagem."

"Isso não é desculpa; você sabe perfeitamente que deve nos avisar. Por isso somos sua escolta!"

"Sim, sim… você quem diz K." - disse voltando-se para sair. "De fato, por quanto tempo vamos ter que continuar aqui? Eu não devia ter me entrevistado com o imperador há uma hora atrás?"

"O príncipe ainda não retornou ao palácio." - respondeu Seguchi com um gentil sorriso ao entrar no quarto.

"Era de se esperar de um pirralho."

"Fala o que sempre cumpre com as regras." - continuou K com ironia.

"Ao menos sou pontual quando tenho de ser."


Shuichi acabava de chegar ao palácio, caminhando por um dos corredores com um rumo já estabelecido.

"Você me prometeu que não iria ao vale."

"E eu não fui. Estava na praia e o vale fica em outra direção."

"Você é impossível, sabia?"

"Mas mudando de assunto, me explica isso melhor."

"Eles vieram do reino de Asgard exclusivamente para passar na prova e desposá-lo."

"De Asgard! Esse lugar é muito longe. É uma pena que tenham viajado tanto para nada, não acha?" - disse com algo de arrogância.

"…" - Hiro o observo, duvido por um momento, porém, sabia que devia disser-lhe. "Quem veio foi…." - tomou ar e continuou. "O futuro Rei deste reino."

"O quê?" - aquilo o deteve em seco. "Deve está brincando, não é?"

"Não. De verdade quem veio foi o herdeiro ao trono."

"…"

"Além do mais, é a primeira vez que veio uma pessoa de outro país." - Hiro havia parado a um metro adiante para dar meia volta e observar ao príncipe de seu reino.

"…" - sem dizer nada, exalo ar aos pulmões e continuou avançando.

"…" Hiro o viu passar ao seu lado e o seguiu. "Todos os seus pretendentes eram de Turandot; sem levar em contra ao compromisso cancelado."

"…"

"Mas, imagina? Viajar desde Asgard só para responder suas perguntas."

"Já disse que é uma lástima."

"Ehh?"

"Seja príncipe, Rei ou a reencarnação de Natura; não me importa tampouco que tenha vindo de um reino tão longe ou se veio de outro planeta."

"…"

"Não vou me casar! E menos com um estrangeiro."

"Você parece irritado." - mudou de tema.

"Se nota?"

"O que aconteceu?"

"Agora pouco encontrei um sujeito mal encarado e ele disse que eu cantava mal. Que petulante! E me chamo de garoto mimado! Que grosseiro! E me irritou bastante e eu não vi quem era porque estava encapuzado e ele não quis me dizer tampouco, nem de onde vinha! Ainda por cima era mal educado! E me deixou falando sozinho e…"

"Ahh… já vejo…" – interrompeu; sabia bem que Shuichi contaria até os pontos e vírgulas do que acontecera, e quando estava irritado o fazia muito rápido e nada poderia calá-lo.

Chegaram até uma ampla porta corrediça. Hiro a abriu e deixou seu príncipe entrar.

Era um quarto bastante grande com mais de 10 metros de largura e altura; ao fundo viam-se três escadas que iam a uma plataforma com duas almofadas. Sobre uma dessas estava Ryuichi vestido com um kimono bege com detalhes vermelhos e um obi de mesmo tom. *http: / / th03. deviantart. net/fs45/300W/i/2009/059/9/9/kimono_design_by_Estheryu. jpg

Ao fundo, junto à parede branca, havia uma grande pintura escura de dois dragões e um yin-yang no meio.

"..." – Ryuichi avisto seu irmão de forma séria, enquanto este se aproximava.

"Olá." – saúdo Shuichi com um grato sorriso, caminhado até o moreno e sentando-se ao seu lado.

"Achei que havia te dito para voltar cedo." – reclamo então o mais velho, fazendo um bico.

"Desculpe Onii-chan, perdi a hora."

"Faz uma hora que nossos convidados estão te esperando. Hiroshi vá buscá-los."

"A ordem imperador." – o ruivo saiu, deixando a sós os dois irmãos.

"Escuta Shuichi." – só então ele virou-se e pós as duas mãos sobre os ombros do menor. "Estes homens vieram de muito longe, viajaram por um mês inteiro e provavelmente estão cansados."

"..." – o olhou fixamente.

"Espero que seja amável com eles e se comporte como deve comportar-se um príncipe." – pediu.

"Serei amável." – disse. "Mas não é porque tenha pena por sua longa viagem, que vou me casar com ele."

"Ehh? Por que não Shu-chan? Não vê que ele sofreu muito para vir até aqui?" – pergunto Ryuichi pondo olhos de cachorro. "Passo fome, sede, frio, noites em vela! Que horror! Buaa! Você é mal Shu-chan!"

"Ryuichi, comporte-se... você é o imperador de Turandot! E reclama da minha atitude infantil!"

"Mas é que... Shu-chan está me olhando com uma cara muito feia..."

"Genial... agora sobro pra mim acalmar o meu irmão. Que bom que ele é o mais velho!" – penso com ironia. Resignado, aproximou-se de Ryuichi para tentar acalmá-lo.

A exceção de Hiro, ninguém mais sabia como a família real era intimamente, nem o quão louco eles podiam ser e, tampouco, todos os dramas que arranjavam por besteiras.

A porta abriu-se lentamente, terminando assim o pequeno show dos dois irmãos; e puseram uma cara de seriedade que nem eles mesmos acreditariam.

"..." – Hiro tossiu vendo aos dois e seu pequeno motim.

"..." Ryuichi e Shuichi tomaram seus lugares, sentando-se de forma correta.

"O príncipe do reino de Asgard e sua escolta o marques Seguchi e o capitão Winchester." – anuncio Hiro dando espaços para os três passarem.

"Você!" – foi o único que Shuichi grito ao ver o misterioso homem – ainda encapuzado - entrar.

"Olá príncipe Siren." – saúdo com calma.

"Se conhecem?" – pergunto Ryuichi estranhado pelo apelido que o homem pusera em seu irmão e a forma tão grosseira que este reagira.

"Esse sujeito me insultou na praia, exijo que o príncipe de Asgard faça algo neste momento." – adiciono vendo a Seguchi.

"Desculpe alteza, mas não está em minhas mãos tal ação..." – respondeu então sem retirar o sorriso do rosto.

"Ehh?"

"Eu sou o marques Thoma Seguchi e segunda escolta do príncipe."

"..." – levo a vista ao loiro de longos cabelos; que nego com a cabeça.

"Meu nome é Claude Winchester, capitão do exército de Asgard e primeira escolta do príncipe."

"Impossível! Isso quer dizer que..."

"De fato..." – disse descobrindo o rosto.

"...!" Shuichi não pode fazer mais que deixar sua surpresa aumentar e um pequeno rubor cobrir suas bochechas.

"Sou o príncipe de Asgard. É um prazer conhecê-los, imperador, príncipe." – adicionou.

Seu cabelo loiro era curto e seus olhos dourados delineados com abundantes e escuros cílios. Seu olhar tinha um ar de mistério e arrogância que os faziam ver-se atraente; seus lábios eram finos, mas com uma carreta que dissimulava um sorriso de escárnio. Por de baixo da capa podia-se ver levemente uma armadura.

"…!" Shuichi não podia simplesmente sair de seu estupor vendo quando este jogava a capa para trás e deixando a vista o que parecia ser uma armadura impenetrável e um tanto pesada. "Como ele pode andar tão tranqüilo com algo tão pesado?" - penso. *http: / / blogs. hoycinema. com/myfiles/xeta2/BalEomer_lotr. jpg

"Vim pedir a mão do príncipe Shuichi." disse depois de alguns segundos de silencio.

"JAMAIS!" - grito então dito príncipe ao ouvir essas palavras. "Antes morto do que me casar com ele!"

"O príncipe deste reino disse que casaria-se com quem respondesse as três perguntas, e estou disposto a dar minha vida para respondê-las." - ele disse diretamente ao imperador; o que irrito ainda mais a Shuichi. Como ele se atrevia a ignorá-lo?

"Esqueça!" - grunhiu voltando-se para seu irmão. "Vou ao monastério; pode me tirar o titulo de príncipe ou me caso com quem você quiser, menos com ele!"

"Shuichi, não vamos discutir isso nem agora e nem neste lugar." - disse o imperador seriamente.

"Mas…"

"Você impôs essas condições e não vai voltar atrás agora."

"É que…"

"O príncipe terá as mesmas oportunidades que os demais pretendentes."

"Nnngr…" - grunhiu levemente para encarar os olhos âmbar; quem lhe presenteou um sorriso cínico antes suas vãs tentativas para que ele não tivesse oportunidade. "Tudo bem; eu dizia pro seu próprio bem e porque não desejo ter problemas com o reino de Asgard." - solto com prepotência. "Mas se não responder corretamente, terá o mesmo castigo que os demais." - mais que uma advertência parecia uma ameaça.

"Já disse que pra isso vim, e sob minha própria responsabilidade."

"Bom! Amanha ao pôr-do-sol começara a cerimônia."

"…"

"Alguém poderá acompanhá-lo, com a condição de que não abra a boca ou ambos irão à forca."

"Aceito." - tão tranqüilo como se aquele fora um simples jogo por dinheiro, como se sua vida não estivesse em absoluto perigo.


E enquanto ele tinha seu ataque de histeria, Hiro ocupava-se em intimidar o príncipe e sua escolta, contando as piores coisas que lhe ocorriam.

- A Deusa Natura pessoalmente lhe disse como devia seguir o protocolo para casar-se.

- Natura lhe dissera as perguntas e respostas em sonhos; as quais eram tão difíceis que nem os melhores sábios de Turandot puderam resolver.

- O oráculo disse que quem se casasse com Shuichi sofreria uma trágica morte cheia de dor e sofrimento.

- Acreditava-se que Shuichi era a reencarnação da Deusa Natura.

- Etc, etc, etc…

Mas nenhum dos loiros prestava atenção às advertências do ruivo:

- O príncipe limitava-se a ignorá-lo com um simples 'Anhan' e sem prestar atenção a meia palavra.

- Thoma o tomava com grande sarcasmo seguindo a corrente em uma conversa interminável, incrédula e absurda, perguntado-o mais coisas para que Hiro tivesse que pensar rápido em alguma mentira - por demais original - e seguir com sua historia.

- K já o havia ameaçado com dar-lhe um tiro se voltasse a dizer mais alguma dessas besteiras.

E assim chegou o pôr-do-sol; só uns minutos a mais e começaria o 'jogo da morte'.

Shuichi caminhava pelos corredores, vestido com um simples kimono de duas pesas, a parte de cima era branca com manga comprida e tons rosados, enquanto que a parte de baixo era uma saia de prega de cor rosa com o obi atado na frente. *http: / /fotolog. miarroba. com/f/4/7/5/4384475/1. jpg

"Conseguiu alguma coisa?" - pergunto enquanto caminhava pelo corredor, tão lentamente como se fosse um condenado que ia direto a forca.

"Aparte de uma grande dor de cabeça por tanto pensar? Nada." - respondeu massageando a testa. "Esses sujeitos são mais complicados que lidar com um cavalo selvagem."

"Hiro! O que eu faço? Só tenho duas perguntas, não sei o que farei com a terceira. Se ele as responder eu vou me casar! O que eu faço Hiro? O quê?"

"Rezar pra que ele não passe da segunda." - respondeu sinceramente; nesse momento Hiroshi não tinha cabeça para nada depois de tudo o que havia estado pensando.

"Entra comigo? Não quero estar a sós com eles. Eles me dão medo! Vão me comer vivo."

"Não seja exagerado, são guerreiros, não canibais."

"Que engraçado."

"Haha…"

"Vai entrar comigo, não é?"

"Claro; além do mais, vou ficar a par de tudo."

"Fofoqueiro intrometido."

"Se você não me conta, tenho que me inteirar de alguma maneira não acha?"

"Mnn…"


Entraram a um grande salão que tinha a aparência de um dôjo japonês. O príncipe e Thoma já estavam ali, fincados no chão esperando-os. Diante deles a uns três metros de distancia havia mais dois colchões para outras duas pessoas.

O rei vestia um simples traje negro com uma armadura com ombreiras, uma capa escura, luvas e botas. *http: / /media. photobucket. com/image/lantis/i-like-manga/manga/Lantis_n3_by_Sheentylla. jpg?o=69

Seguchi vestia um traje negro e branco com uma capa branca. *http:/ / static. animekiwi. com/images/upload/A321-9. jpg

Hiro abriu a porta e permitiu que Shuichi entrasse; e ele o fez em silencio, sem ver a nenhum momento ao futuro Rei, depois, sentou-se em seu lugar. Hiro fez o mesmo dando uma pequena reverencia aos estrangeiros.

Dois minutos assim e o completo silencio.

"Comecemos?" - pergunto o futuro Rei ao ver que Shuichi não fazia nem dizia nada.

"Você está completamente seguro disso? Relembrando que você esta arriscando sua vida."

"Sim"

"Ninguém esta te obrigando, e está em uso de suas plenas faculdades mentais?"

"Já deixa disso e vamos logo, certo?"

"Primeiro as regras."

"Regras?" - arqueio uma sobrancelha.

"De fato. Este jogo é muito perigoso para você. Deve estar ciente de todos os erros que possam levá-lo a uma trágica morte."

"…"

"Mas eu sou benevolente, então lhe darei algum tempo."

"Tempo?"

"Sim, você tem até o amanhecer para responder as três perguntas."

"Tanto tempo?"

"É um tempo muito curto para as minhas perguntas."

"…"

"Advirto que, quando o sol der seus primeiros raios de luz, seu tempo terá acabado."

"…"

"E se você não tiver respondido a todas as perguntas nesse tempo… morrerá." - a ultima parte deixo sair com um tom muito trágico.

"De acordo."

Shuichi franziu o cenho irritado; este homem estava lhe custando mais trabalho do que imaginado, com razão Hiro termino com uma enxaqueca. Mas não ia dar por vencido, claro que não! Ia continuar com suas 'regras', amedrontando-o e talvez com essas palavras e pronunciar o fato que sua vida estava em jogo pudesse fazê-lo desistir.

"Voce terá uma só oportunidade para responder, não vale ficar adivinhando, então pense muito bem ao dar sua resposta."

"…"

"Se falhar, seu castigo será a morte."

"Sim, já sei…"

"Tem certeza disso?"

"Sim."

"Se eu fizer a primeira pergunta não terá volta atrás. Já não poderá retratar-se, nem rogar por sua vida."

"Anham."

"Se quiser fugir, agora é o momento."

"Eu fico."

O príncipe sequer se moveu, nem expresso nenhum sentimento em seu rosto, parecia tão impenetrável e irritante quanto o viu no dia anterior. Que nada o assustava, demônios? Tão pouco lhe importava a vida?

"Sua escolta e a minha se encontram aqui para serem testemunhas silenciosas, não podem pronunciar uma só palavras."

"Mnn…"

"Se o seu guardião conhecer a resposta e tentar dizer de alguma maneira, ambos irão a forca." - claro! Agora não só a vida do príncipe corria perigo, mas também a do marques; talvez assim conseguisse algo.

"Sim."

"Se você falhar e morrer, sua escolta terá a língua cortada para que não seja capaz de falar e dizer as respostas…"

"Mnn…" - o futuro Rei apenas assentia sem escutar de todo o que Shuichi dizia; estava impacientando-se com tanta falação. Que fosse logo ao ponto!

"Alem do mais, isso é sob sua própria responsabilidade."

"…"

"Você veio por quis, ninguém o esta obrigando e…"

"COM UM DEMÔNIO! QUER PARAR DE DAR TANTAS VOLTAS AO ASSUNTO E COMEÇAR?" - interrompeu já mais que irritado.

"…!" - Shu deu um pequeno pulo pelo susto que levo ao repentino arranque de raiva por parte do loiro. "Ehhh… sim… - disse um tanto surpreendido ao ver que suas palavras não haviam causado o efeito que queria. 'Natura, salve-me desta. ' - penso preocupado.

Silencio na habitação. Segundos, minutos… e mais minutos…

Todos voltados para Shuichi, que mirava o piso enquanto este pensava na mortalidade de um caranguejo.

"A que horas você vai começar isso, pirralho?" - Disse o futuro rei.

"Hnn?" - levanto o rosto.

"Se estiver pensando em fazendo esse silencio tão prolongado para tentar me aterrorizar; já adianto que só está conseguindo me irritar e acredite, você não quer me ver irritado."

"Tão impaciente está pra morrer?" - pergunto com segurança.

"Tão seguro está de que falharei?" - lhe respondeu com um sorriso cínico.

"…" - aperto o lábio irritado.

"Comece antes que eu durma."

"Tudo bem." - disse tomando bastante ar.

Uns minutos a mais de silencio, que para Shuichi sentiu ser muito curto e o futuro Rei muito longo, segundo suas perspectivas.

"Primeira pergunta."- disse Shuichi.

"…"

"…"

"…"

"…"

"Fale." - ordenou-lhe.

"…"

"…"

"…" - Shuichi tomou mais um pouco de ar para relaxar e só então falo. "Morre um sonho…"

"…quando se faz realidade."

"Hnnn! Como você chegou a essa dedução?"

"É um velho refrão: Morre um sonho porque se faz realidade."

"Por quê?"

"É a segunda?"

Não, é a mesma!"

"Porque deixa de ser um sonho quando se converte em realidade."

"E se nunca se cumpre?"

"Fica como um sonho que não pôde ser, mas não deixa de ser um."

"…"

"Contente com a resposta?"

"…" - fechou os olhos e cruzou os braços. "Siiim…" - respondeu então, mostrando o quão irritado estava por ele ter respondido bem. Esse gesto fez que o futuro Rei voltasse a sorrir de forma cínica. Essas reações o divertiam.

Vários minutos a mais de silêncio. Esse homem parecia não ter pensado muito, e não só tinha a resposta, como também uma boa justificativa. Se fosse Shuichi quem respondesse, sua explicação seria: "Porque é assim e pronto... porque assim é o ditado."

"Seguimos?" – pergunto o loiro.

"Ehh?" – voltou-se para ele.

"No que você está pensando, pirralho? Estou dizendo para que faça a seguinte pergunta."

"Mnnn..."

"..."

"A segunda pergunta é..."

"..."

"..."

"..."

"... o que é a experiência?"

"..." – arqueio uma sobrancelha e o olhou com cara de poucos amigos. Que tipo de pergunta era essa?

"Sem resposta?" – adicionou com confiança ao ver seu silêncio. "Ganhei!" – pensou.

"..." – soltou o ar dos pulmões com um suspiro resignado. "Se chama experiência uma cadeia de erros, já que só com os erros que se aprende."

"...!"

"Acertei?"

"Está... correto." – disse baixando o rosto. "Raiosss!" – grito para dentro enquanto chutava-se em sua mente. "Desculpem... eu..." – adiciono pondo-se de pé. "Preciso de um pouco de água." – termino saindo apressadamente do local.

"..." – Hiro o observo por alguns segundos antes de pôr-se de pé. "Desculpem." – e foi atrás de Shuichi, deixando só aos dois loiros.


"Você está bem?" – pergunto Hiro, aproximando-se.

"Não! Não estou! Como poderia estar?" – disse alterado.

"..."

"É que... você viu? Esse sujeito conhece todas, TODAS."

"..."

"Fez como se estivesse pensando, mas não foi assim! Ele sabia as respostas."

"..."

"Já não tenho mais nenhuma pergunta." – levo as mãos à cabeça e bagunço os cabelos como se isso fosse lhe dar alguma idéia. "Não sei o que fazer. O que eu faço Hiro? O quê?"

"..." – Hiro só observava sem dizer nada, notando o quão alterado ele se encontrava. Então uma grande idéia o ocorreu – e talvez a única -, para ajudar seu amigo. "Príncipe, tenho uma idéia."

"Ehh? Qual? Diga-me!" – suplico.

"Venha..." – disse aproximando-se ao ouvido do príncipe e sussurro algumas palavras.

"Uh? Você acha?"

"Com certeza."

"Tudo bem, isso é o que faremos."


Enquanto isso, dentro do salão.

"As perguntas não são mais que velhos provérbios." – comento Thoma com um pequeno sorriso.

"E o que você esperava? É só um garoto, e um não muito ilustrado ao que parece." – adicionou observando então a porta. "Mas isso vale a pena."

"Vale a pena?"

"É divertido ver as caras que ele põe e suas idéias infantis."

"..."

"Já quero ver qual será a próxima pergunta."

"..."

"Além do mais, não mentiram quando disseram que ele é atrativo, com olhos atraentes e voz maravilhosa." (NT: Oh, My O.o Yuki admitiu isso. É o fim, eu digo, é o fim! XD)

"Você diz isso pelo encontro de ontem?"

"Sim... o encontro de ontem foi... muito interessante." – fez ênfase nas duas ultimas palavras.

"Eh?"

"Esqueça."

"Prin..."

"Desculpem..." – interrompeu Shuichi entrando junto com Hiro.

"Você está bem? Parece um pouco pálido." – pergunto Thoma.

"Sim, só precisava de um pouco de ar."

"Você parece cansado. Não dormiu bem?" – pergunto o príncipe.

"Ehh?" – voltou seu olhar para ele.

"..." – sorriu discretamente vendo como Shuichi adquiria um suave rubor nas bochechas.

- Flash Back -

A noite já havia caído. Shuichi não podia dormir, estava intranqüilo com a presença desse sujeito em seu palácio. Levantou-se e pôs uma Yukata azul claro sobre a outra branca que usava para dormir e saiu ao jardim dos fundos.

Havia um lindo pátio e ali ficava um tanque rodeado de pedras. Aproximou-se da beirada e olhou as carpas nadando.

"Que inveja! Os peixes não têm as mesmas preocupações que eu tenho." – soltou um tanto irritado por todas as coisas que lhe vinham a cabeça.

"Agora devo chamá-lo de 'carpa' em vez de 'siren'? – disse com sarcasmos uma voz por detrás.

"Ehh?" – ofego entre surpreendido e assustado, girando-se para ver o príncipe vestido com uma cômoda Yukata azul escuro. "O que você faz aqui?"

"Desfruto de um passeio noturno."

"Não será que está me espiando?"

"Claro que não." – adiciono.

"..." – Shu não disse nada, simplesmente deixou de olhá-lo e enfoco a vista nos peixes. "Acho que foi uma má idéia dar um passeio pelo jardim."

"Eu não acho que tenha sido tão ruim assim."

"Ehh?"

"Você está muito bonito." – solto com tom sedutor, ocasionando surpresa e um discreto rubor no menor que não esperava essas palavras. "Talvez seja pela luz das estrelas."

"..."

"Ou talvez seja..." – se aproximou um pouco mais, ficando atrás de Shuichi, fazendo que esse visse seu reflexo na água. "...que essa Yukata deixa muito a imaginação." – se inclino um pouco mais, alcançando seu ouvido. "E é fácil de tirar." – sussurro sensualmente.

"..." – estava mais vermelho que um tomate; abraço a si mesmo tentando cobrir-se com as roupas e mãos. "Definitivamente foi uma má idéia sair pra tomar ar." – disse por fim se afastando do loiro.

"É um elogio, não tem porque você agir assim." – o deteve com essas palavras.

"Pois, eu não gosto de elogios e menos desse tipo."

"O que você tanto teme Shuichi?"

"Não fale com tanta familiaridade."

"Não acha estranho que – mesmo sendo apenas um garoto – todos o chamem de senhor?"

"Eu não sou um garoto!"

"Não, claro que não."

"..."

"Já vou dizendo que não tenho costume de falar com formalidades a quem são menores do que eu, tanto em idade quanto em ranking."

"..."

"Portanto, vá se acostumando garoto."

"Até amanha..." – disse por fim para continuar andando, deixando o futuro Rei com um ligeiro sorriso nos lábios.

- Fim Flash Back -

Sacudiu a cabeça de um lado para o outro e o olhou.

"Se quiser, podemos responder a outra pergunta amanhã."

"Ehh?"

"Eu posso esperar, de qualquer forma, tenho bastante tempo."

"Não! Eu quero terminar com isso de uma vez! A menos que já esteja arrependido."

"Eu? Claro que não!"

"..."

"Continua pirralho."

Shuichi sentou-se, seguido por Hiro; olhou o loiro por alguns segundos e suspiro em silêncio.

"Proponho algo..."

"O que?"

"Fazer quatro perguntas."

"Isso não é..." – Thoma tentou dizer, mas foi interrompido pela mão do príncipe.

"Continua, verei se me convence..."

"Se responder as outras duas perguntas, casarei com você..."

"..."

"No caso de falhar, esqueceremos o matrimônio, mas não terá pena de morte; com a condição que você não diga nada do que conversamos aqui."

"Por que eu aceitaria isso?"

"É uma grande oferta."

"..."

"Vou dar sua vida em troca de uma pergunta a mais. Não sou benevolente?"

"Acho que está nervoso e tem medo de que eu acerte a terceira."

"..." – ficou calado e baixou ligeiramente o olhar por uma fração de segundo. Esse tipo podia ler a mente, ou quê, demônio?

"Além do mais, está confiante de que não diremos nada do que conversamos aqui?"

"Pois sim." – cruzo os braços. – "Estou me arriscando, mas não exporei o meu povo a uma guerra contra Asgard."

"Faz isso pelo seu povo? Que príncipe tão compreensivo!" – solto com sarcasmo.

"..." – mordeu a língua para não responder de maneira rude.

"Bem, aceito."

"Sério?"

"Claro; de todas as maneiras, sejam três, quatro ou mil perguntas, responderei todas."

"Não seja tão confiante."

"Continue..."

"A terceira pergunta..."

"..."

"..."

"..."

"É a única que nunca erra..."

"..." – o olhou fixamente nos olhos.

"Sem resposta...?"

"Sim, sim, tem."

"Qual é?"

"..." – sorriu de forma arrogante. "A pessoa que não faz nada."

"Justificação..." – mais que nada era para aliviar seus nervos.

"Todos cometemos erros e nos equivocamos em alguma coisa."

"..."

"Mas se não fizer nada, nunca cometerá um erro." sorriu então. "Correto?"

"..." – assentiu com a cabeça, soltando um grunhido.

"Qual é a ultima?"

Shuichi começou a pôr-se mais nervoso do que já estava e Hiro preocupou-se por seu amigo...

Sabia bem que essa sugestão de uma quarta pergunta era só para livrar o futuro Rei de uma possível morte, já que Shuichi era contra isso; além do mais, a terceira pergunta Hiroshi havia dito que: "ninguém que eu conheça sabe a resposta." Por que ele sabia? Era de esperar-se que ele respondesse: "A única que não erra é Natura por ser uma Deusa." Não devia ter adivinhando!

E o maior problema; não existia uma maldita quarta pergunta!

"O que fazer? Cérebro pensa! Pensa! Pensa! Pensa! Pensa! Pensa! Pensa!" – dizia a si mesmo.

"A quarta?" – pergunto o príncipe com calma.

"A quarta é..." – Shuichi começou a suar frio com o olhar fixo no piso.

"Príncipe Shuichi." – penso Hiro preocupado.

"A... a... quarta... pergunta..." – engoliu a seco.

"..." – o futuro Rei franziu o cenho, notando como Shuichi começava a tremer e gaguejar.

"Raios! O que fazer? Natura me ajude a pensar rápido. O que eu pergunto? – penso.

O tempo estava se esgotando e o príncipe de cabelos rosa não tinha a mínima idéia do que fazer.

"Você está me desesperando."

"..."

"Príncipe." – insistiu.

"..."

"Maldição Shuichi! Diga logo de uma vez!" – desta vez levanto a voz.

"Ao diabo..." – penso nervoso. "QUAL É O ANIMAL MAIS VELHO DO MUNDO?" – grito frenético de nervosismo.

"..." – levo uma mão a testa e fecho os olhos enquanto uma veia de irritação começava a se formar.

"NÃO SABE! NÃO SABE QUAL É O ANIMAL MAIS VELHO DO MUNDO!"

"O panda." – disse com desânimo.

"AH! ERRO! – grito vitorioso levantando enquanto apontava com um dedo. "ahaha..."

"..."

"ELE ERRO E EU GANHEI."

"..." – contraiu um olho.

"ahaha... o animal mais velho do mundo é..." Se deteve quando – finalmente – seu cérebro terminou de processar a resposta do príncipe; e voltou o olhar para Hiro com espanto. "Ele disse o que eu acho que disse?" – disse esperançoso que seus ouvidos houvessem falhado.

"Sim. Ele disse o que você acha que ele disse príncipe Shuichi." – respondeu Hiro com calma, porém, um tanto envergonhado pelo pequeno espetáculo. "O príncipe disse: o panda."

"..." – voltou o olhar para o loiro que mostrava um rosto muito tranqüilo, embora decepcionado com a pergunta.

"Foi o único chiste que a minha enfermeira me conto quando eu era criança; e como eu não achei nada engraçado, não voltou a me contar nenhum outro, por isso eu lembro."

"...!"

"O panda é o animal mais velho do mundo porque é o único que está em preto e branco."

"...!"

"Isso me faz o ganhador deste jogo."

"..."

"E em seu noivo, meu querido Shuichi." – adiciono vitorioso com um discreto e vaidoso sorriso no rosto.

Continua...


NT: Como diria a autora ao final deste capítulo: "Quanta besteira!" Compreendam... é o Shuichi! XD