- Desculpem a demora. Eu sei, eu sei.

- Disclaimer; Tia Steph é dona de tudo, as maluquices e desordens que eu faço com os personagens dela, são todas culpa minha! :D


Capítulo III - Brand New.

POV ?

Eu não tinha como fugir mais. Quase uma semana tinha se passado desde que caminhei pelos corredores da nova escola. Nova escola. Suspirei alto finalmente colocando os pés no chão gelado de madeira do meu quarto. Não era assim tão diferente – eu tentava me convencer. Duas cidades particularmente frias, com tempos constantemente secos e gelados... eu teria que me acostumar, reconstruir. Essa era minha chance de chegar em um novo lugar e não abaixar a cabeça como costumava fazer em Londres. Eu podia ser quem eu quisesse. Podia? Não, definitivamente não.

Convenci minha mãe depois de muito implorar, com direito a lágrimas saudosas, por alguns dias de adaptação em Forks. Minha insegurança sempre me abalou e eu tinha consciência disso. O problema era me olhar no espelho e tentar ser convencida que eu podia ser outra pessoa aqui, de que iria ser diferente. No início da semana fui apresentada as dependências da única escola particular do lugar. Não era de todo ruim, até porque eu realmente nem prestei atenção. Minha preocupação era com quem eu iria conviver e nada do que eu vi, me deu tal chão para prosseguir sem os medos usuais.

Todos pareciam ter um mesmo padrão de beleza pálida, porém saudáveis e as médias de altura e pesos também equilibrados. Isso me afetava. Minha infinidade de casacos três números maior do que o enorme tamanho que eu já usava ajudavam a esconder o que eu não gostava de mostrar. E ainda sim, não era suficiente para me sentir confortável. A mania de perseguição, mesmo que com apenas os olhos pelos corredores do colégio, sempre me deram pesadelos. Os piores pensamentos corriam em minha mente, deixando aquele nó na garganta preso até o final do dia, onde eu podia chegar no confinamento do meu quarto e voltar ao meu mundo paralelo que eu vivia como quisesse, mesmo esse sendo completamente privado.

Agora ao menos pelos próximos dois anos eu teria que me adaptar a uma nova vida. Vesti o jeans, sentindo os botões apertarem contra minha pele e antes de ver meu reflexo puxei a camisa larga por cima da cabeça, colocando os cabelos para fora da gola enquanto buscava com os olhos o casaco mais próximo. Era uma rotina se vestir com pressa.

"Me deseja sorte, Stephan" falei para o único companheiro e verdadeiro todos esses anos.

A casa ficava a bons vinte e cinco minutos da escola, então pelo caminho, através do carro, pude notar todo aquele notar aquele genérico cenário que me lembrava Londres. Não sei porque a escolha de um lugar afastado do centro, onde tudo poderia se chegar com os próprios pés, mas mais uma vez: eu ainda não entendia muitas coisas. A mão instintivamente cobriu parte do meu estômago já encoberto pelo casaco largo, tentando suprir o nervosismo e a ansiedade que já começavam a dar sinal de vida. Minhas unhas curtas buscaram seu caminho por meu pulso da mão oposta, encontrando o elástico de cabelo que nunca saía dali e enquanto brincava com ele entre os dedos tentava me distrair novamente.

"Vai ficar bem?" minha mãe perguntou e eu não fiz mais que assentir a cabeça. Senti seus lábio estalarem em minha têmpora e finalmente saí do carro.

As pontas dos meus dedos gelaram em resposta e eu os apertei assim que coloquei a luva. A recepcionista me reconheceu facilmente e pediu para que eu aguardasse um minuto que ela mesma me levaria a minha primeira aula. Não prestei atenção em suas palavras enquanto caminhávamos pelo corredor. Minha preocupação de estar sendo notada era muito maior. Em Londres era tudo grande demais para se ser notada e fora a antiética de moda, ninguém se importava realmente com o próximo, aqui eu já me sentia sufocada com o que poderia passar. Minhas bochechas esquentaram quando ela bateu a porta da aula de história.

"Boa sorte, querida" ela suspirou baixinho antes de me deixar sozinha.

BPOV

Eu juro que amo Angie. Ela é minha melhor amiga e crescemos juntas. Não tínhamos como não ser. Todas as coisas que estava fazendo por mim eram maravilhosas. Ainda por cima lidar com minha mãe e seu frenesi nato para festas e organização de eventos especiais. Eu devia muito a Angie. Mas sinceramente, essa estava sendo a hora do dia que eu podia simplesmente me visualizar enrolando uma fita isolante em volta de sua cabeça para que engolisse metade dessas palavras quais ela me dirigia durante o almoço.
Passei o dedo pelo sensor de volume do iTouch enquanto "Mercy" de Duffy começava. Angie mordeu um pedaço da batata espetada no garfo e seus olhos pareciam ter lembrado de outro detalhe interminável do meu aniversário.

"Ah! E o salão vai ser da sua mãe, claro. Mas já pensou em o que vai colocar na unha? Quer dizer... vai colocar algo neutro ou combinando com a roupa?"

"I love you, but I got to stay true" sibilei a letra em uma tentativa de bloqueá-la.

"Se bem que você colocando uma cor mais neutra, dá pra manter na próxima semana..."

"I keep begging you for mercy..."

"O que você acha de 'renda'? Ou francezinha?"

"Why won't you rele-e-e-e-e-a-se me!"

"Bella, quer fazer o favor de prestar atenção no que eu estou dizendo?" Agora ela estava irritada, o problema é que eu também tinha perdido minha paciência.

"Eu não quero falar disso agora, ok? É meu aniversário e eu estou me importando menos que você!"

"Exatamente, Bella!"

"Angela!" minha voz aumentou e algumas mesas nos olharam. Nós nunca brigávamos ou discutíamos, mas já estava ultrapassando dos meus limites. "Por favor, ok? Esquece isso por pelo menos até o final da aula."

Larguei o refrigerante na mesa e voltei para a sala antes de o sinal bater. Eu não estava mais com paciência para aquilo tudo. Já tinha sonhado com a minha festa. Me sentia imatura saindo daquela forma, mas sabia que Angela entenderia mais cedo ou mais tarde. Tinha que entender.

A sala ainda estava vazia a minha vista quando coloquei o pé na porta, suspirei aliviada e desliguei o som, pensando em descansar um pouco antes da aula. Ainda faltavam alguns minutos para o sinal bater quando uma menina entrou na sala. Parecia ser nova, tinha o rosto mais juvenil. O formato um pouco arredondado, os olhos com formatos amendoados e a cor azul clara que não fazia justiça aos meus castanhos. Não era inveja, mas todos os olhos claros me deslumbravam. Era um rosto desconhecido, e eu imaginei ser da menina nova que deveria ter entrado por essas semanas.

"Oi?" arrisquei. Seus olhos encontraram os meus bem abertos e eu jurei que até eles tremeram com o contato.

"Essa é a classe de literatura?" seu sotaque forte e o jeito formal me pegaram de surpresa.

"Sim, é sim." ela assentiu já abaixando a cabeça e sentando na cadeira perto da porta.

Eu sabia que era inglesa. Seu sotaque não me deixava escapar, mas mal pude perguntar outra coisa, pois o sinal tocou. Arrumei a mochila ao pé da cadeira e escutei a cadeira de Edward arrastando ao meu lado. Quando olhei em volta a sala já estava praticamente cheia, a menina de fora continuava em seu canto e Edward percebeu meus olhos tentando enxergar através de seu rosto que obstruía minha visão. Sem dizer nada suspirou, mascando o chiclete que eu só havia notado naquele momento e encostou para trás, brincando de equilíbrio com a cadeira.

"Vai cair." avisei instintivamente. Ele apenas virou o rosto para mim e voltou a pousar a cadeira no chão, colocando os cotovelos em cima da mesa.

Ali eu vi um Edward maduro, irritado, porém. Ele piscava devagar como se estivesse com sono e isso me fez notar seus cílios grandes e curvados.

"Já parei, pode parar de me olhar" ele sussurrou ainda olhando para frente. A professora pela primeira vez não tinha entrado dando ordens, estava falando com a menina nova.

"Você conhece ela?" perguntei a ele.

"Quem?" ganhei sua atenção por um instante e apontei com a cabeça para o outro lado da sala.

"Não, quem é?" ele franziu o cenho para mim.

"Não sei. É nova na escola."

"Como eu deveria conhecer então, porra?"

"Ela podia ter tido alguma aula com você." meu sussurro saiu um pouco mais alto pela minha alteração. "Grosso." murmurei.

Edward olhou para mim e riu baixo. Sem mostrar os dentes. Nada fora do usual.

"Desculpa" sussurrou de volta. "Pensei que a novata tivesse chegado semana passada..." ele mencionou com a cabeça para o outro lado da sala. Jessica.

"Jessica? Ela entrou ano passado na escola, Edward." revirei os olhos. Ele deu os ombros.

Alguns minutos depois a professora nos recomendava fazer anotações em estrofes de poesias que ela colocava no quadro. Era como se tivéssemos que adivinhar que época foi aquela e a minha animação foi crescendo ao ponto de eu derrubar todo meu estojo no chão entre eu e Edward.

"Ai, cacete..." bufei. Hoje o dia não estava para mim. Estiquei meu braço entre nosso vão e senti o corpo de Edward se afastar para me dar espaço. Mas nesse momento eu pude sentir – apesar de não muito forte, mas o suficiente para que meu olfato sensível sentisse – o cheiro de cigarro. Inclinei a cabeça para cima e ele me olhava esperando que eu retornasse ao meu lugar.

EPOV

"Não sabia que você fumava." Isabella perguntou quando levantou o rosto na altura do meu ombro.

Parei de mascar o chiclete e olhei para seu rosto surpreso. Como se aquela porra realmente interessasse a ela ou a qualquer um. Eu só precisava que ela ficasse com a merda da boca fechada. Meu pai era cheio de implicância com cheiro e as consequências de um pulmão preto. Eu não fumava sempre. Mas quando estava estressado – geralmente depois de um briga deles. Não era hipócrita de falar que a culpa era deles, mas enquanto eu tragava me deixava vagar nas possibilidades de dias sem a discussão deles na minha memória. Eu sabia que eles não se entendiam mais como um casal, e que parte do motivo para continuarem ainda juntos, era eu.

"Agora você sabe." murmurei de volta e virei a cabeça para frente.

Quase pude ouvir os olhos de Isabella rolarem. Ela não tinha culpa dos meus estresses em casa, mas certamente não tinha a ver com o meu hábito de fumar ou não. Alguns minutos se revirando na cadeira e ela tentava ver novamente a menina que sentava no canto da sala. Eu sabia que tinha alguém novo para chegar na escola, mas quem era pedir demais.

Antes de vir para a escola eu tomei café com minha mãe escutando as recomendações e pedidos que eu já cansei de ouvir. Não dizer o quão brava ela pareceu, ou que horas ela iria sair ou voltar. Eu ficava como uma porra de pombo correio com informações seletivas porque os dois não sabiam lidar com os próprios problemas. Peguei uma carteira de Malboro da minha mãe, - mais um motivo para brigarem - sabendo que ela mantinha uma coleção em seu armário e saí para a escola. No total foram apenas três cigarros e logo após eu colocava um chiclete de menta na boca. Mas pelo visto o cheiro não estava muito disfarçado.

Durante o resto da aula eu percebia que Isabella tentava observar a garota nova. Que merda de obsessão era essa? A menina nem falava nada. Me deixei olhar novamente para a coitada e reparei em sua pele muito branca, - apesar do rosto muito rosado – olhos muito claros e cabelos bem lisos. Ela estava encolhida no canto da parede. Era incomum existirem meninas assim por aqui. Por todas já se conhecerem e terem o mesmo modelo de vida, virava um padrão todas serem da mesma forma, e certamente ela se destacaria por fugir desse padrão. E isso poderia ser de uma forma negativa, o que já me esquentava o sangue.

O resto do dia passou arrastado e eu não via a hora de ir para casa. Ou melhor, não via a hora de me trancar no quarto. Porque enfrentar Carlisle ia ser mais uma coisa estressante. Ajeitei a mochila pendurada no ombro e mais um cigarro foi para meus lábios. Hoje o dia seria longo.

"Me desculpa" ouvi uma voz feminina ao longe.

"Tudo bem, Angie. É só não ficar uma maluca obsessiva que nem você estava. Eu não pedi essa festa, vou ter que encarar gente que eu não conheço e gente que eu não queria..."

"Eu sei, eu sei. Desculpa." avistei as duas no estacionamento.

"Pode ter esses ataques com a minha mãe. Só me deixa com a parte de aproveitar e ganhar meu carro que está de bom tamanho." elas compartilharam uma risada, apaguei o cigarro com a sola do tênis.

"Certo, certo."

Quando estavam se afastando saí do canteiro procurando por outro chiclete. Tateei o bolso de trás, frente, casaco, mochila... que merda. Não acredito nisso.

"Mas que merda!" grunhi e ouvi alguém se assustar atrás de mim. Meu olho zapeou rápido pelo local e vi os olhos azuis muito claros arregalados. "Desculpa" murmurei ainda de saco cheio. Ela apenas assentiu com a cabeça e saiu andando.

Ainda preocupado com a merda do cheiro que estava impregnado tentei buscar uma solução antes de encontrar com meu pai. Ele iria querer passar a tarde comigo, como sempre fazia quando estava em casa sozinho. Dei meia volta e corri para o banheiro, trocando a blusa atual por uma nova, mas quando cheguei ao lado de fora novamente, tudo ainda me cheirava a cigarro. Com passos mais largos e apressados cheguei ao portão da escola rapidamente. Isabella ainda estava na esquina e então eu tive uma idéia estúpida.

"Isabella" ela pareceu surpresa em me ver. Porque toda essa porra de gente sempre fazia essa expressão quando eu dirigia a palavra?

"Oi"

Eu não sabia como pedir ou fazer isso. Ia ser uma situação do caralho, mas eu tinha que tentar. Bufei estalando os dedos da mão.

"Você tem como... hmmm... sentir se o cheiro do cigarro ainda está forte?"

Ela me encarou por um longo momento com os cílios abertos e depois sacudiu a cabeça. "Desculpa... oi?!"

"Eu fumei outra merda de cigarro ainda pouco, esqueci que teria que encontrar meu pai na hora do almoço e ele não gosta do cheiro. Meu chiclete acabou..."

"E você quer que eu te... cheire?" ela apertou os olhos me achando insano.

"É, porra." respirei fundo para me controlar. "Você que ficou com nariz sensível na aula quando eu já estava com chiclete."

"Certo." ela coçou o queixo e desviou os olhos se aproximando. Isabella hesitou ao encostar o nariz em meu ombro e então eu não sentia mais o cheiro do cigarro, pois seu perfume – que parecia floral ou alguma coisa similar – estava exalando de seu cabelo.

Abaixei o queixo sentindo minha bochecha escorregar por seu cabelo. Novamente a ponta do seu nariz se mexeu e estava em meu maxilar. Eu não podia ser cretino e falar que não me excitou. Não era para ser assim, mas era tão leve que quase não encostava, mas arrepiava meu corpo. Exalei pela boca e dei um passo para trás tentando não parecer constrangido e seu rosto estava vermelho, da ponta das orelhas até o queixo.

"Acho que não dá pra notar não" ela cuspiu as palavras olhando para o chão.

"Ah. Tudo bem então. Hmm... obrigado."

"Até amanhã, então."

Acenei e dei as costas rumando para casa. Pensei em tomar um banho e aliviar a excitação repentina, talvez ver alguns vídeos, mas meu pai estaria em casa e fazer isso com ele lá seria... errado. Nojento e errado. Minha cabeça estava tão atordoada com os planejamentos de disfarce que não parei para pensar na situação que havia acabado de acontecer. Eu tinha ganhado uma ereção por ter Isabella sentindo meu cheiro. Tentei me focar que não era o fato de ser Isabella, mas que poderia ter sido com qualquer uma. Eu era um adolescente hormonal, afinal de contas.

Olhei para trás uma última vez e ela ainda estava ali parada falando com Angela. Seu corpo petite e com curvas singelas bem acentuadas no jeans apertado me fizeram latejar. Merda.


Entao, o que acharam? :))

Algum palpite para o POV ?

Próximo cap vocês vão descobrir! Beeeijos!