- Feliz Páscoa, pessoas!! :))

- Disclaimer; Tia Steph é dona de tudo, as maluquices e desordens que eu faço com os personagens dela, são todas culpa minha! :D


.

Capítulo 4 – Too Much.

BPOV

Fechei a porta do banheiro do meu quarto deixando minha mãe e minha tia gritarem meu nome para trás. Será possível que nem privacidade para usar o banheiro eu tinha mais? Ainda mais vermelha do jeito que eu devia estar. Quer dizer, que pessoa em sã consciência pede para ser cheirada? Sim, eu tinha entendido seu propósito, mas ainda assim... Nunca tinha me sentido tão sem graça. Não pelo ato em si, mas pela minha reação depois. E depois seus olhos, tão verdes e ao mesmo tempo pareciam tão escuro que eu perdi a linha de pensamento. Abri a torneira e joguei água fria no rosto tentando amenizar o calor súbito.

"Isabella, posso saber o que está acontecendo?"

"Já vai!" gritei do lado de dentro. "Mas que saco..." murmurei cansada da falta de privacidade.

"Eu ouvi!"

"Ótimo!"

"O que houve? Está naqueles dias?" revirei os olhos e abri a porta enquanto buscava a toalha de rosto com a mão livre.

"TPM, mãe. E não, não estou."

"Então por que dessa grosseria?"

"Ai, porque você não me deixa ter dois minutos depois que eu chego da escola. Fica falando e falando do aniversário! Meu Deus!"

"Porque já é nesse fim de semana! Você queria o que?!" Sua voz tinha aumentado, não era um bom sinal. Respirei fundo com as mãos apertando minha cintura para me conter.

"Certo. O que é dessa vez?"

"Sua tia está aqui..." ela começou e eu ergui as sobrancelhas. Ela pediu que eu aguardasse terminar de falar. "E trouxe um presente."

"Em troca de...?" minhas palavras saíram antes que eu pudesse calculá-las. Mas não deixavam de ser verdade.

"Deixa de ser horrível, Isabella." minha mãe murmurou advertindo. "Ela está saindo com um homem."

"Continue..." franzi as sobrancelhas e cruzei os braços.

"E eu não achei nada demais ela querer apresentá-lo hoje no jantar e acompanhá-la a festa. Parece que é sério mesmo."

"Achei que fosse algo mais sério." me joguei na cama e descalcei os tênis com os pés antes que minha mãe reclamasse.

"Ele tem um filho." me apoiei nos cotovelos instantaneamente. "Da sua idade até. Eles se mudaram a pouco tempo pra Forks - ainda estão se adaptando..."

"Mal se mudaram e minha tia já está tendo um relacionamento sério com ele?" arregalei os olhos.

"Eles trabalham juntos, só que ele era correspondente do jornal, então só se estabilizou agora." continuei a encará-la. Eu sabia que vinha mais coisa por aí. "Só espero que você esteja compaciência pra não deixá-lo sozinho na escola."

Ela falou tão rápido essas últimas palavras que eu demorei alguns segundos para absorvê-las.

"Mãe..."

"Ele é um garoto legal, Bella. Não comece a julgar antes de conhecê-lo." ela abanou a mão na minha direção e se virou saindo do quarto, me fazendo dar um pulo para seguí-la.

"Você, por acaso, já o conheceu?"

"Não." ela falou descendo as escadas. "Mas ele é amigo de James, e eu confio na família dele."

"Amigo de quem?!" minha voz saiu esganiçada e meus próprios ouvidos não suportaram.

"James, Isabella. Você o conhece, não me faça ficar repetindo!" ela colocou as mãos na cintura e eu vi seu rosto ficando vermelho de irritação. Maldita seja a hereditariedade. "Vai tomar um banho e coloca uma roupa que não seja esfarrapada para o jantar."

Segundos depois eu estava batendo a porta do quarto. Dessa vez com força. Era muita informação para um dia só. E em alguns aspectos pouca informação. Sem pensar duas vezes liguei para Angela.

"Angie!"

"Hmm..." ela grunhiu do outro lado da linha parecendo sonolenta.

"Que horas você vem pro jantar?"

"Não sei, Bella. Por que?"

"Argh! Minha mãe tá um saco, minha tia arrumou namorado novo, ele tem filho e o filho é amigo de James e ele vem pro jantar porque minha tia quer apresentá-los antes da minha festa."

"O QUE?!"

"E pelo visto ele é amigo do James."

Eu raramente perdia a paciência. Mas eu realmente estava no auge das minhas emoções. Foi uma semana conturbada, era apenas lógico que eu ficasse nesse estado antes do meu aniversário.

"Só vem pra cá, ok?"

Ela entendeu meu recado e chegaria aqui em pouco tempo. Ser amigo de James não era nenhuma boa notícia. Todos eles achavam que podiam influenciar e controlar a vida de todos a volta, e claro que existiam pessoas que os seguiam religiosamente. Bem ridículo, mas essa a realidade da adolescencia que tive que passar quando viajei naquele verão. Só de pensar na minha péssima experiência como primeiro beijo, eu sentia meu estômago embrulhar.

Quando tínhamos cerca de treze, catorze anos, ficávamos pensando nos famosos artistas que daríamos nosso primeiro beijo, ou toda aquela frescura das cenas mais românticas do cinema. Eu apesar de rir de algumas dessas baboseiras, pensei que poderia ter feito algo melhor do que trocar saliva em um jogo de garrafa. Ou pelo menos com outra pessoa. Que eu me interessasse, fosse inteligente e não manipulador, um pouco mais alto... como Edward. Eu me peguei pensando nisso mais do que uma vez. Eu senti vontade de beijá-lo, eu sei que sim. Mas poderia ser apenas desejo, certo? Afinal, como saber que você está gostando de alguém?

Eu realmente não queria pensar nisso agora. Era agonizante e eu tinha uma porcaria de um jantar para comparecer. Será que gostar de alguém também mexia com o humor das pessoas? Porque sinceramente, eu era capaz de arrancar a cabeça do próximo que viesse com alguma gracinha.

(…)

"Mãe, quero ir pra casa..." Ethan bocejou no pescoço da minha tia.

Estávamos todos na sala esperando desconfortavelmente os tais convidados não queridos pela minha pessoa e Ethan não era o único com desejo de sair dali.

"Cadê eles afinal de contas, mãe?" sussurrei irritada.

"Estão chegando. Deixe de ser criança, Isabella." ela me advertiu com os olhos.

Mais alguns minutos e minha tia dei um pulo do sofá, acordando Ethan que já tinha seus olhos pesados e foi abrir a porta. Nos dirigimos todos para a mesa e o clima não passava nenhum conforto pra mim. Meu estômago roncou de fome e ao mesmo tempo uma sensação ruim escorregava por minha espinha.

"Bella. Não olha rápido, nem agora... mas acho que seu novo 'primo' não é muito confiável."

"Novo primo? Ahn?"

"Se sua tia levar a sério o relacionamento dela e continuar com o brilho no rosto quando olha para o senhor que acaba de entrar na sala, teremos que viver por um bom tempo com seu novo priminho Jasper Whitlock."

Meu queixo parecia ter descolado do resto do meu rosto e conforme eu fui virando minha atenção para as novas pessoas que entravam a minha porta eu avistei os cachos loiros como da última vez que nos encontramos. Um pouco mais alto e com uma jaqueta jeans escura, Jasper me avistou com um sorriso sarcástico nos lábios.

"Ansiosa para os dezesseis anos, Bells?" ele perguntou encostando na porta.

Que presentão de aniversário, hein tia! Pensei retendo a vontade de esmagar minha testa na parede de mármore.

EPOV

Era uma merda tentar parecer "bem" para apenas um deles quando eu ficava sozinho em casa. As perguntas que pareciam ser indiretas já se tornavam repetitivas. Era egoísmo meu pensar que era melhor que se separassem ao invés ficarem nessa porra de hipocrisia dentro de casa? Eu não tinha paciência para pensar nisso, por isso apenas assenti quando meu pai falou em me levar a uma concessionária em Port Angeles para um momento pai-filho.

Minha carteira de motorista já tinha sido tirada há alguns meses e eu já tinha dado algumas voltas no carro do meu pai. Mas graças a merda da sua agenda instável, eu raramente podia dirigir. Minha mãe se recusava a emprestar quando estava em casa comigo, por isso eu não me atrevi a pedir mais uma vez. Não ficava muito longe de onde morávamos, por isso qualquer conversa foi dispensada durante o caminho.

Eu sabia que Carlisle estava querendo me agradar e abafar toda a merda de confusão que andava sendo em casa mais agravante do que o normal. O problema é que eu já não tinha oito anos de idade e não abstrairia toda a dor de cabeça que teria quando Esme descobrisse que não pôde opinar ou participar desse aparente rito de passagem. Não seria eu quem me meteria entre os dois. Essa palhaçada já estava durando tempo demais, e eu tinha outras coisas com que me importar.

"Já pensou em algum modelo, Edward?" O vendedor perguntou depois das requisitadas apresentações. Meu pai sorriu a meu lado com a mesma merda expectativa. Como se eu esperasse esse grande momento da minha vida.

"Não. Na verdade não esperava que fosse ganhar um carro." Carlisle parecia sorrir satisfeito com a 'surpresa' que tinha me feito. Revirei os olhos. "Não é como se Forks precisasse muito de um carro para dar a volta no quarteirão."

"Mas pelo menos você vai poder sair de Forks." minha sobrancelha exigiu uma explicação mais clara. "Agora você vai poder ir para Port Angeles e algumas cidades da península, pelo menos."

"É. Certo." bufei olhando a minha volta todos aqueles carros.

"Não tem pelo menos um modelo que você tenha gostado, ou pensado um dia ter?"

"Pai, porque não me indica alguma coisa? É mais fácil por algum limite e eu escolher dentro dele do que receber um não." sugeri.

"Não, não." Carlisle mostrou as mãos em rendição antes de colocá-las para trás do corpo. "A escolha é sua. Fique a vontade."

"A escolha é minha?" duvidei com as sobrancelhas arqueadas. Que porra era que ele estava pensando?

Dei algumas voltas e olhei alguns catálogos e as variedades realmente tentadoras. Mas eu não estava realmente interessado em grandes carros, ou grandes quantias de dinheiro sendo gastos em um carro, principalmente tendo em vista que quando eu me mudasse dessa cidade e fosse para uma faculdade, tudo seria diferente, inclusive a marca do carro. Mas queria testar meu pai. Ele não era bonzinho desse jeito. Eu sabia disso. A merda do sorriso não saía da sua face, mas eu o que eu queria eram horas como essa em casa. Não uma vez ao mês ele me arrastar para uma loja qualquer gastando tudo o que pudesse para se sentir melhor com seu lado paternal afetado.

"Esse aqui." deslizei a mão pelo capô de um Aston Martin e levantei o olhar para meu pai.

"Aston Martin DBS*. É uma boa escolha." o vendedor olhou o catálogo em suas mãos. "Apareceu o mesmo modelo no último filme do James Bond. Bastante cotado."

Meus ouvidos compreenderam a situação, mas meus olhos só puderam observar o pomo de adão do meu pai subir e descer. Ele estava ficando desconfortável, mas não daria o braço a torcer. Eu queria que ele me impedisse, dissesse alguma coisa de exagero. Não era como se não pudéssemos comprar essa merda por causa de dinheiro, mas impor alguns limites por sua parte seria uma boa coisa. Chamaria muita atenção na cidade pequena, era desnecessário e ele sabia disso.

"Gosta dessa cor também?" ele perguntou e eu voltei os olhos para a pintura prata. O carro de Carlisle era prata. Um volvo prata.

"Sim. É a porra da cor menos chamativa depois do preto, não é?" constatei.

"Palavrão desnecessário, Edward." meu pai falou em voz baixa. Carro desnecessário, visita a concessionária desnecessária, brigas desnecessárias. Um bando de merda é desnecessária, pai. Eu quis falar, mas reti minha língua dentro da boca.

"Então vai ser esse mesmo, Edward?" novamente o vendedor perguntou depois de olharmos o preço absurdo e os detalhes do motor do carro. Assenti com a cabeça e olhei para meu pai.

"Certo, é melhor fecharmos logo o contrato antes do dia acabar, não é?" Carlisle deu uma risada baixa e sem graça.

O carro chegaria em menos de uma semana e viríamos pegar. Ou melhor, eu tinha certeza que eu viria.

"Minha mãe sabe que você me traria aqui hoje?"

"Não precisa saber." ele respondeu seco. "Eu posso te trazer e levar onde eu quiser. Você também é meu filho."

"Não que essa merda seja uma disputa de pedaço de carne a ser dividido, mas eu só perguntei porque ela não vai acreditar que apareceu um carro – a porra de um Aston Martin – na garagem e provavelmente na vaga dela por pura mágica."

Carlisle exalou pesado, mas não respondeu. A conversa tinha sido encerrada por ali sem maiores esclarecimentos. Quando viramos a esquina vendo que já estava escuro, meu pai pediu que eu buscasse uma pizza para jantarmos na lanchonete do final da rua. Desci no meio fio e fui caminhando pensando se não tinha sido errado em escolher o carro. Mas logo o pensamento foi dissipado quando reconheci a menina nova na fila de espera.

Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo e a quantidade de casacos tinha diminuído. Ela permanecia com as mãos enfiadas nos bolsos da frente e a cabeça baixa ouvindo o que fosse que a mulher a seu lado – provavelmente sua mãe, pela semelhança da cor dos olhos e formato do rosto – falava.

"Uma grande de pepperoni." fiz meu pedido e me coloquei ao lado delas.

Eu não podia simplesmente cumprimentá-las porque não sabia nem a porra do nome da garota envergonhada, mas tinha ao menos a reconhecido e pela olhada de lado e a cor vermelha tomando seu rosto, ela também me reconheceu.

"Eu não posso simplesmente pedir que mandem um piano daquele tamanho e estrutura de Londres para Forks, Alice." a senhora ao seu lado falou.

"Tudo bem, mãe." ela não parecia muito feliz.

"Pense bem, querida. Pelo menos você trouxe o violão. Nós podemos procurar um novo em Port Angeles. O que você acha?" Alice – finalmente a porra do nome – assentiu.

"Aqui, sua pizza de marguerita, Sra. Brandon."

"Obrigada."

Não perdi o olhar de Alice antes de sair da pizzaria, ela rapidamente virou o rosto para o outro lado. Tantas informações em meros segundos e eu tentava de alguma forma gravar todos os detalhes. Isabella havia me perguntado e agora eu tinha as respostas, que amanhã ela teria. Por outro segundo isso me pegou de surpresa. Eu estava guardando informações para passar para Isabella. Meu estômago revirou com a informação. Que merda que tava acontecendo?

Lembrei novamente de seu rosto coberto pela vermelhidão de vergonha e dos olhos castanhos muito mais escuros, e do nariz que arrastou por minha blusa. O nariz delicado e afilado, tão diferente do meu. Ela era tão diferente de mim, e ainda sim não tão diferente. Era inteligente, interessada e não dava a mínima para os babacas da escola, por outro lado, tinha toda a calma e paciência que eu parecia ter esquecido na placenta da minha mãe. Eu sabia que tinha que controlar meu linguajar com as outras pessoas, mas saía sem eu nem sentir. O dia tinha sido cheio e eu precisava me acalmar antes de sair arranjando significados e respostas para tudo. Motivos para as respostas do meu corpo quando em contato com o de Isabella. Era tudo uma grande confusão e eu precisava da porra de um alívio, ou uma aula bem feita de box antes que eu explodisse.


Link para a foto do carro: http : / / tinyurl . com / ydw4q74