N/A: Obrigada a todos que deram review! =) Espero que tenham recebido seus spoilers.

Disclaimer: SMeyer é dona dos personagens, eu só brinco de casinha.

Um obrigada especial à cella_es (Cella E.S no ffnet), que é minha índia beta, colore meu dia com tinta da natureza, desse as corredeiras com sua canoa e devolve meus capítulos mais bonitos.


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Capítulo 9 – Count On Me.

BPOV.

Me prometi que não ia ficar triste, e principalmente distrair minha raiva. Eu sabia que era besteira e que essa história iria se resolver, eu só precisava falar com Angela. Não foi justo quebrar os óculos dela – não que essa tenha sido minha intenção – e já nem sabia como ela iria reagir quando a encontrasse de novo, mal a reconhecia. Podia ser um pouco dramático da minha parte pensar que ela tinha mudado de um dia para o outro, mas não via outra maneira de olhar para a situação.

Minha mãe já estava me olhando torto de tanto que eu andava em volta do telefone. Não sei se eu estava esperando que ela ligasse – rolei os olhos para a sugestão impossível – ou se estava tentando tomar coragem para discar seu número e saber como estava. A realidade é que a semana mal havia começado e parecia tudo já estar mudado. Isso porque estávamos no meio do semestre, e nada de grandioso realmente tinha acontecido, aparte de Edward. Meu estômago gelou com o pensamento.

Eu nem me atreveria a reclamar dessa parte. Sorri boba e virei de costas para minha mãe não perceber meu comportamento estranho – não que estivesse fazendo um bom trabalho.

"Bella, o que foi? Vai ficar a noite toda peruando em volta do telefone?"

"Não, vou ligar pra Angela."

"Ela tem um namoradinho agora, sabia?" Minha mãe deu um sorriso travesso, me fazendo franzir o cenho. Não estava gostando desse curso da conversa.

"Hmm..."

"E você?" Ela deixou o que estava fazendo e se virou esperando uma resposta.

"E eu o quê?"

"Algum paquera na escola?" Sua boca tinha um sorriso malicioso que me fazia torcer o nariz. Eu não iria falar nada ainda. Nem queria, nem me sentia a vontade. Acho que Reneé parecia interessada demais, e isso me deixava desconfortável. "Vamos, Bella. Angie conta tudo para a mãe dela."

"Hm, não conta não." Afirmei sem delongas.

"Conta sim, pois foi a mesma que me contou de seu namorado."

Mordi a bochecha esquerda para não transparecer como aquilo tinha me afetado. De repente eu já não me sentia culpada de não estar falando nada para Angela. Eu pensei que ela não contaria nada. Seus pais eram um pouco restritos nessa área de namorados, mas pelo visto eu fora a última a saber. Mas também, Sra. Weber pode ter fuxicado um pouco aqui e ali... Divaguei as opções.

"Que seja." Murmurei com a boca apertada, dei as costas e subi para o quarto de novo.

Tá acordada? - B.

Tava lendo, com meus ultra velhos óculos fundo de garrafa. - A.

Ouch. Mas eu esperava por essa. Eu respondo alguns minutos depois, decidindo ser cautelosa. Não consigo ficar rancorosa por muito tempo, me cansa. Só quero voltar a dar risadas com ela.

Desculpa. - B.

Tudo bem. Não é como se você tivesse planejado. - A.

Então a pontada de culpa borbulhou no meu estômago. Realmente, não é como se eu tivesse planejado. Mas foi como se os deuses ruins da bola me ajudassem, porque na minha cabeça era o que eu realmente pensava.

:( - B.

Pensei que fosse me esperar no final da aula. - A.

Não. Peguei uma carona. Tava com a cabeça quente. - B.

Então antes que ingressemos em uma conversa, ela resolve me ligar. Eu observo meu celular vibrar por alguns segundos, ainda incerta de como agir.

"Professor Black não precisava ter te expulsado." Ela corta as cortesias de um estranho alô, e eu agradeço, sentindo minha amiga de volta.

"Não tem problema. Bom que voltei pra casa mais tranquila."

"É, você tava bem estourada." Houve uma pausa de silêncio que ela quebra novamente. "Ia te chamar pra ir na casa da Jess amanhã depois da escola..." Ela vaga. Ou não tinha mais a intenção de convidar, ou estava com medo de perguntar.

"Hmm, não sei. Tenho trabalho em grupo da aula de literatura." Não era mentira, a professora já tinha pedido aos representantes de cada grupo que organizassem as propostas da feira literária, mas não tínhamos confirmado nada.

"E depois não pode vir pra cá?"

"Vai dar pra todo mundo dormir aí?" Perguntei ainda tentando me esquivar.

"Bella, o que foi? Não quer dormir aqui não vem então, ué."

"Não é isso, Angela!" Protestei por instinto, e suspirei cansada resolvendo ser honesta. "Quero conversar com você amanhã, pode ser?"

"Pode." Ela estava irritada.

"Ok, então eu falo com a minha mãe e vou pra sua casa depois do projeto."

"Tá bom, Bella."

"Ah, pára de ser coisa, Angie!"

"Não, poxa. Eu tô tentando te apresentar uma nova amiga, que não é uma coisa que a gente realmente faz muito na escola que estudamos a vida inteira, e você já está de implicância sem nem conhecer."

"Não tô de implicância. Amanhã você vai entender."

"Ok. Ok. Vou tomar banho agora e ligar pro Ben."

"Como estão as coisas com ele?" Perguntei relutante, querendo realmente saber como ela estava.

"Tudo bem até agora, né." Ficamos em silêncio por mais um tempo e resolvemos desligar mesmo.

Assim que Angela falou de Ben, eu pensei em Edward e o que ele deveria estar fazendo naquele momento. Será que ele iria me ligar, ou eu ligaria para ele? E o que eu falaria pra Angela? Droga, nessas horas eu só queria passar mais tempo com ele, conversando sobre tudo e nada.

"Bella, eu tô indo pra cama que eu tô morrendo de dor de cabeça..." Minha mãe falou entrando no quarto. Eu nem tinha percebido o quanto já estava escuro e eu estava com a luz apagada.

"Está se sentindo bem?" Perguntei sentando e virando para ela.

"Ai, tpm. Você sabe como é." Ela apertou os olhos antes de deixarem se ajustar para a luz que ela acendeu. "Você deve estar pra ficar também..."

Grunhi e enfiei a cabeça no travesseiro. Eu odiava quando ela fazia isso. Não era que eu achasse constrangedor falar disso com a minha mãe, é que ela não tinha o pudor de mencionar a qualquer hora na frente de qualquer pessoa. 'É uma coisa natural, Bella. Todo mundo fala sobre isso.' Ela me acalmava, ou pensava que sim.

Me sentia um pouco invadida por ela saber que nossas datas coincidiam, assim como nossas TPMs. Eu a evitava a qualquer custo. O único lucro nisso tudo, é que teríamos chocolate e estoque de sorvete por pelo menos duas semanas. Só de pensar, já tinha ficado com água na boca.

"Boa noite, mãe." Falei um pouco frustrada, indicando subliminarmente que ela saísse. Mal tinha terminado de falar e meu celular tocou do meu lado, fazendo-a massagear as têmporas e fechar a porta atrás de si.

Edward.

Limpei minha garganta e deitei de barriga para cima. "Alô?"

"Oi, tudo bem? Tava dormindo?" Ele falou quase em um sussurro.

"Não... Eu estava pensando em te ligar, na verdade."

"Ah é?" Seu tom ainda era baixo, mas eu podia escutar o sorriso. Não pude deixar de fazer o mesmo.

"Mhmm..." Confirmei brincando com a barra da blusa.

"Era só pra dar boa noite."

"Você tá calmo." Constatei rindo baixinho. Ele parecia relaxado.

"É, eu fui pro treino depois que te deixei em casa. Tô cansado, na verdade."

"Por que está sussurrando?" Perguntei não aguentando a curiosidade. Era como se eu tivesse que apertar o telefone contra a minha orelha para ouvi-lo direito.

"Argh, meu pai já tinha vindo ver se eu tava dormindo e eu fingi que sim. Se ele me ouvir aqui, vai querer vir conversar."

"Oh..." Foi só o que eu disse. Eu ainda queria que ele me falasse o que estava acontecendo, mas ele só bufou e mudou de assunto.

"E você, o que fez hoje?"

"Nada. Só arrumei as coisas pra amanhã mesmo." Ponderei falar de Angela, era melhor falarmos logo, antes da escola onde todo mundo nos veria. "E falei com Angela ainda pouco."

"Hmm, bom. E o que ela disse?"

"Nada demais. Disse que sabia que eu não iria fazer de propósito..." ele riu baixo. "E me chamou pra dormir na casa dela amanhã."

"A gente tem o projeto..."

"Eu sei. Aí falei que eu tinha trabalho, mas ela insistiu que eu fosse lá." Mordi o lábio. De repente me senti envergonhada.

"Isabella"

"Hm"

"O que houve hoje com vocês?" Edward perguntou baixo e calmo. Uma hora eu iria ter que falar.

"Elas estavam agindo... Não sei. Eu nunca vi Angie assim. Elas estavam falando das pessoas, e de repente eram os garotos e eu mal reconhecia Angela. Eu sei que ela nunca foi das mais quietas, sempre teve namorados e tal, mas ela e a Jessica estavam insuportáveis! E então começaram a falar de você e eu fiquei com raiva e quando saimos, você já estava lá esperando, e eu não gostei, só isso."

"Calma aí, calma. Elas estavam falando de mim, isso eu ouvi. Mas o quê?"

"Não sei. Acho que a Jessica gosta de você, ou sei lá."

"Hm, e aí?"

"E aí, nada."

"Amanhã então você vai pra casa dela?"

"Da Angela. Jessica não vai não."

Ficamos em silêncio e eu não sabia mais o que dizer. Não queria demonstrar ciúmes, mas também não gostava de ele estar tão tranquilo com isso tudo.

"É, ela é esquisitinha."

"Quem é esquisitinha?"

"Essa Jessica aí." Edward disse e eu mordi a boca para não rir. "Ela veio pedir caneta pra mim, mas já tinha. Sei lá, meio maluca."

"Angela vai querer saber... Hmm... da gente. Quer dizer, porque eu não fui muito com a cara da Jessica."

"Você não foi com a cara dela por minha causa?" Merda. Minhas bochechas me deixaram com calor.

"Não. Elas estavam falando de outras pessoas. O jeito dela, não sei... meio descarado."

"Elas estavam falando de pessoas que nem conhecem, certo? E você está falando dela e nem a conhece."

"Mas, não é assim... É, poxa... Ai." Ele me deixou sem palavras. "É mesmo né? Ai, eu não gosto de confusão. Não gosto que falem dos outros, mas eu acabei fazendo a mesma coisa porque ela tava fazendo. E também porque você era assunto principal."

"Respira, Isabella." Bufei frustrada e joguei o braço nos olhos.

"Deve ser a tpm." Justifiquei. Eu realmente não era assim. "Desculpa ter falado um monte de besteiras."

"Não falou besteiras. Tava te incomodando, ué."

"Você falaria comigo se algo estivesse te incomodando?"

"Eu já sou grosso o suficiente sem nada estar me incomodando."

"Verdade." Nós dois rimos.

Edward brincou falando que iria me levar para fazer umas aulas de boxe quando eu estivesse de tpm e eu considerei a ideia. Falamos do projeto, ficamos em silêncio e rimos por estarmos no telefone sem falar nada. Até que já estava tarde e eu bocejei alto.

"Vai dormir, vai." Ele disse já parecendo sonolento.

"A gente se fala amanhã então. Boa noite."

(…)

Acordei sentindo um corpo esmagando o meu. Senti o ar ser forçado para fora do meu corpo e uma risadinha me despertando. Dois caramelos me olhavam de volta e um buraco no meio de sua arcada de dentes superiores me diziam o que ele estava tentando mostrar.

"Caiu, Belwa." Ethan disse enquanto eu sentava na cama e o ajeitava em meu colo.

"Quando isso? Você não é pequeno demais pra isso?" Perguntei confusa, esfregando o olho antes de ver a hora. Ethan chegou bem na hora de me acordar mesmo. "E por que tá acordado essa hora?"

"Meu pai me deixou aqui pu causa que minha mãe já foi no trabalho, né."

"Ah, tá. E minha mãe mandou me acordar?" Ele assentiu e sorriu banguela de novo. Eu ri. "Tá ficando grande, é?"

Ethan riu travesso e eu lhe fiz cosquinhas até ele pedir socorro. "Belwsiiiiz, vou fazê xixiiii!"

"Vem, vamos tomar café."

Pulamos da cama e eu lhe dei a mão para descer as escadas. Mal chegamos na metade do caminho e o cheiro de brownies me fez ficar com água na boca. Sem erro. Vi minha mãe colocar os pequenos bolinhos em cima da bancada falando para termos cuidado e não nos queimarmos. Ethan ficou fazendo brincadeiras com o canudo do seu achocolatado no buraco do dente caído, me fazendo rir enquanto comíamos.

"Vai inflamar!" Minha mãe alertava a ele, mas Ethan parecia não ouvir, o que me fazia rir mais ainda.

Depois eu subi para o quarto me arrumando rapidamente, e passando a escova no cabelo. Fazia tempo que eu não usava a escova e mordi o lábio percebendo que estava tentando não parecer uma maluca descabelada... para Edward. Peguei minha mochila antes que minha cabeça começasse a tecer outras coisas mirabolantes e desci novamente, procurando as chaves do carro. Foi aí que eu lembrei que não tinha falado com ela sobre o trabalho em grupo, nem da casa de Angela.

"Aí só volta pra casa amanhã depois da aula." Renée disse como se fosse algo abominável. Não era como se Angela morasse do outro lado da gigante Forks.

"Mãe..."

"Ah, filha. Fala pro pessoal vir pra cá, então. Eu faço um lanche."

"Aí eu saio de casa pra ir pra Angela?"

"Pede pra ela vir pra cá, ué."

"Ela não é do meu grupo." Tentei explicar grunhindo.

"Então não vai com seu carro não."

"O quê?" Exclamei alto.

"Não vai ficar andando com ele pra lá e pra cá até não sei que horas."

"E como eu vou pra casa da Angela?"

"Ué, pede pra algum dos seus amigos te darem carona."

"Argh! Tá, mãe. Que seja. E agora como eu vou pra escola? Espero o trenó do Papai Noel?"

"Papai Noel é no Natal, Bewlszi. Dã!" Ethan falou com a boca suja de brownie.

Ela estreitou os olhos para mim em desafio, mas eu era mais teimosa.

"Eu levo." Uma voz na porta nos tirou de nossa batalha.

"E o que você está fazendo aqui?"

"Bom dia pra você também, priminha." Jasper se aproximou passando o braço em volta do meu pescoço e estourou o chiclete que mascava.

"Ótimo!" Minha mãe aceitou feliz.

"Ótimo." Grunhi sem pensar em como escapar dali.

Sem mais uma palavra saímos de casa e eu entrei em seu carro mal humorada.

"Como está o namoradinho?" Ele perguntou, eu permaneci em silêncio. Jasper riu e mastigou o chiclete irritante. "Sabe, como seu primo eu tenho que te defender desses garotinhos de escola..."

"Jasper, o que é que você quer?" Virei a cabeça em sua direção.

"Nada, priminha. Apenas a sua felicidade." Respondeu sarcástico. "Qual o nome daquela loirinha que vive com você e a sua amiga alta?"

"Amiga? Quem?"

"Uma baixinha... peituda."

"Jessica." Ela não era minha amiga, mas eu não estava com paciência de explicar.

"Essa." Jasper assentiu, mas continuou olhando para frente. "Você tem o telefone dela?"

"Não." Repliquei rápido. "Por quê?"

"Nada. Acho que temos alguma coisa em comum, só isso."

"O que você teria em comum com ela?" Fiz uma careta. Não conseguiria aguentar nem mais um minuto naquele carro.

"Se tudo der certo, eu te falo." Ele se virou e riu pra mim antes de sair pelo estacionamento.

EPOV.

Assim que vi Isabella andando pelo estacionamento joguei o cigarro no chão, apagando com a ponta do tênis, antes de colocar uma bala de menta na boca. Ela não tinha uma cara muito feliz e ainda não tinha me notado esperando. Enrolei o papelzinho da bala e fiz uma bolinha antes de tacar na sua cabeça. Isso chamou sua atenção e logo sua expressão se suavizou, eu quebrei um sorriso.

"Bom dia." Ela disse subindo na ponta dos pés e estalando um beijo na minha bochecha. Aquela porra me fez sorrir e meu estômago apertou.

"Tá mais tranquila?" Apertei o braço que enlaçou a sua cintura no minuto que ela tinha se aproximado. Ela tinha um cheiro doce e seu cabelo parecia macio contra o meu rosto.

"Ah, tô né." Isabella estava escondendo seu rosto e sua voz era baixa.

Antes que eu pudesse falar alguma coisa o sinal tocou e nos apressamos para nossas devidas salas. Eu tinha percebido sua expressão não muito feliz e não pude fazer merda nenhuma. Deixaria para falar na hora do intervalo.

(…)

O segundo tempo de aula corria e o professor esperava que fizéssemos o roteiro de estudo. As provas estavam chegando e eu não queria matéria acumulada. Alguns anos atrás eu tinha discutido com Emmett, por ele me chamar de nerd, sendo o babaca que é. Era só mesmo a vontade de sair de lá que me motivava a meter a cara nos livros.

E como já tinha feito metade em casa, metade eu terminei na aula e meio tempo fiquei apenas recapitulando a porra do meu dia. Minha mãe não estava em casa e eu não estava surpreso. Tentei ficar o mais ausente que pude e até ontem a noite, consegui desviar de possíveis conversas chatas que meu pai queria ter. Mas nessa manhã não tive como escapar. Seu rosto parecia ter envelhecido alguns anos, mas era o alívio estampado em ali que me confundia.

No final, só falou que iria tirar uns dias de férias e viajar. Até ofereceu para eu ir com ele, mas não tem como faltar a semana de provas. Foi um pouco estranho aquele comportamento, mas deixei passar ainda com a ideia de me manter o mais longe possível das merdas lá em casa.

Ontem a minha ligação para a Isabella foi a melhor coisa que eu tinha feito. Dormi tranquilo, sabendo que ela estava em casa, e apesar dos problemas com suas amigas, nós estávamos bem.

(...)

"Fala aí, cara. Tudo bem?" Virei o pescoço enquanto colocava os últimos livros no armário. Era o tal do primo da Isabella.

"Hm." Cerrei meus olhos. A marra e o chiclete tinham muita pose.

"Então, viu a Bella por aí?"

"Não, ainda não. Por que?" Fechei o armário e virei meu corpo para ele.

"Nada, só queria saber se ela tinha conseguido um negócio pra mim." Ele riu como se estivesse lembrando de alguma piada interna. Mas nesse momento Isabella apareceu um pouco pálida, vindo em nossa direção.

"Agora não, Jasper." Isabella interrompeu qualquer coisa que ele fosse falar, passando para puxar meu braço.

"Nossa!" Ele arregalou os olhos e levantou os braços em rendição, fazendo seu caminho para a cafeteria.

"Quê que você tem?" Perguntei puxando-a para mais perto.

"Meio enjoada." Isabella apertou os olhos e respirou fundo. Passei o polegar em seu rosto e ela estava gelada.

"Vai vomitar?" Perguntei baixinho, mas ela arregalou os olhos como se eu tivesse dito algo absurdo.

"Não, não."

Depois de ter certeza que ela não iria passar mal no meio do corredor, decidimos não ficar onde tinha muita gente e acabamos na quadra. Isabella era mais teimosa que o normal quando estava de tpm, porque eu passei porra de quase dez minutos discutindo que mesmo enjoada ela teria que comer alguma coisa. No final ela só mordeu o lábio com cara de choro, e eu peguei uma caixinha de suco para ela.

"Você viu Angela pelo refeitório?" Isabella perguntou quando chegamos, antes de se sentar na arquibancada. Sacudi a cabeça me colocando a seu lado enquanto ocupava minha boca com o sanduíche. Ela puxou os joelhos para si e abraçou as pernas.

Eu sinceramente não sabia o que fazer. Só não queria ficar vendo ela com dor, mas também não queria encher a porra do saco perguntando se queria alguma coisa.

"Toma seu suco." Empurrei a caixinha para ela.

"É doce, eu vou ficar ainda mais enjoada." Respondeu fazendo uma careta. Passei o braço livre a sua volta, forçando ela a encostar a cabeça em meu ombro.

"Por que tá enjoada assim?" Encostei minha testa em sua cabeça. Aqui era tranquilo e eu me sentia relaxado para conversar sobre qualquer coisa.

"Cólica me deixa enjoada quando muito forte."

Merda. E eu nem sabia nada de cólicas, não tinha mesmo o que fazer. Minha mão chegou na barra de sua blusa e pousou em sua barriga nua. Sua pele era macia enquanto meus dedos deslizavam sentindo seu umbigo, seu estômago e costelas.

"Tomou algum remédio?" Ela assentiu brincando com a caixinha sem nem estar aberta. Acho que ficar tocando no assunto também não era uma boa ideia.

"Você fumou hoje de manhã, né?" Isabella perguntou, eu torci o nariz não querendo falar. "Me conta alguma coisa. Pra me distrair?"

Eu sabia que não era só para distração, mas quando vi as palavras já estavam escapando. "Meus pais brigam muito, como você deve perceber. Era mais tranquilo quando Emmett morava aqui porque nós fazíamos mais coisas juntos e eu não presenciava as discussões." Minha cabeça ia longe, anos atrás. "Eu sabia que eles tinham casado porque minha mãe tinha engravidado. Mas acho que só trouxe merda pra eles. Eu sei que se sentem presos, que tentam se moldar um ao outro, mas os dois tem agendas cheias demais e acham que um negligencia a família mais que o outro. Eu nunca pedi por uma porra de atenção, só por menos gritos."

Minha voz tinha aumentado, e eu senti os dedos de Isabella em volta do meu pulso, acariciando. Aquilo me acalmava e me trouxe para o presente.

"Já cheguei a pensar várias vezes que um dia, um ou outro, iria sair de casa e não voltar. Mas com o passar do tempo eu vi que sempre voltavam." Respirei fundo antes de continuar. "Teve época que eles tentaram não me envolver, e outra que me envolviam demais. Eu não vou tomar partido entre eles. Um é pior que o outro."

"É por isso que você fuma? Por que fica nervoso?" Sua voz era suave e não parecia estar me julgando, apenas curiosa. Sacudi a cabeça negando.

"No início você se distrai tentando não morrer de tanto tossir, ou ser pego com um cigarro na boca, mais do que você pensa em qualquer problema que você tinha na cabeça. São aqueles míseros segundos que você sente a zonzeira do início, pensa no que está fazendo, que esquece os minutos – ou horas – anteriores. Depois vira um hábito."

Isabella pousou a mão por cima da minha, que ainda estava embaixo da sua blusa, e apertou de leve. "Não é que eu não goste, só queria entender."

"Se te deixa menos aliviada, eu nunca comprei nem dois maços na minha vida." Ela cerrou os olhos ainda me encarando. "Verdade. O primeiro eu ganhei, o outro eu peguei da minha mãe." Seus olhos estavam surpresos.

"Não sabia que ela fumava."

"Ela para e volta. Nunca se decide." Sacudi a cabeça, e senti suas pequenas mãos segurando em cada lado do meu rosto.

Count On Me - Bruno Mars.

"Fico feliz que confie em mim." E me beijou pela primeira vez no dia. Porra, sua boca era tão macia que eu jogaria meu maço e isqueiro fora só para ficar o dia inteiro a beijando.

Finalmente ela voltou a seu lugar e eu ri. "Eu não fumo perto de você." Não era preciso perguntar para saber que ela queria entender o que eu disse. "Não tenho vontade de fumar quando estou perto de você."

"E fala menos palavrão também." Isabella mordeu a língua. "E melhorou um pouquinho o seu temperamento."

"Ah é?"

"É. Parece que quando estamos sozinhos você fica mais calmo que em público."

"Argh, não gosto de bagunça."

Ficamos o resto do intervalo falando de gostos e desgostos, e eu ria por algumas opções infantis que ela tinha. Claro que culpava seu primo e Angela. Tínhamos algumas músicas que marcaram em comum e ela pareceu ansiosa por pegar seu iPod hoje com Alice em nossa próxima aula.

APOV.

Alec e Edward desenhavam as estruturas da nossa barraca, enquanto eu e Bella selecionávamos os trechos de poesias de alguns poetas para ficarem expostos em letras garrafais, como plano de fundo. Estava um trabalho bom, sinceramente, e eu estava empolgada. Finalmente satisfeita com a ideia que tinha dado.

Bella agradeceu pelo iPod assim que entreguei e eu esperava que ela realmente gostasse. Antes da aula terminar a professora se dirigiu à nossa mesa dando uma olhada em nossos rabiscos. A turma inteira parecia bem focada em seus devidos 'cargos' na feita literária.

"Então, eu andei perguntando para alguns alunos do último ano e eles se juntaram com alguns daqui. Vão fazer uma peça, coisa rápida, dez minutos, durante a exposição. Só para não deixar o público que vai lá entediado. Apresentando também algumas peças de Shakespeare."

Nós estávamos atentos esperando que ela chegasse a seu ponto. "Queria saber se alguém aqui toca ou canta alguma coisa para que eu encaixe também. Tem um grupo legal que vai tocar e cantar."

Edward e Bella me olharam, mas desviaram, provavelmente notando a vermelhidão do meu rosto. "Eu só toco para mim..." Falei em uma voz baixinha.

"Pô, maneiro Alice." Alec disse em sua voz arrastada.

"Tudo bem se não quiser." Quase respirei aliviada. "Mas seria bem legal se você tocasse. Só uma música. Pessoal da escola, não vai doer."

"Certo." Murmurei.

"Certo? Ótimo! Vou anotar seu nome, depois me dê o nome da música."

Ela se foi nos deixando na mesa em silêncio. Bella foi a primeira a quebrá-lo.

"Se você não quiser..."

"Não, sem problemas. Só uma música, acho que tudo bem."

"Okay." Ela sorriu pequeno e eu retribuí.

Eu podia fazer isso. Sem problemas... Certo?