Alow, alow. Desculpem a demora. Tive alguns probleminhas de saúde, mas já estou de volta.

Não respondi as reviews, mas mandei alguns spoilers pelo twitter, foto e um teaser.

Cella_es faz toda a magia indígena pra essa engenhoca de fic ficar legível. Só tenho a agradecer! tchamo.

Sem mais delongas, fiquem com o capítulo 10 e não esqueçam de me deixar uma review pra me fazer contente e inspirada! :)))


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Capítulo 10 – I've Got My Girl.

EPOV.

Isabella estava impaciente e eu não sabia se ria ou se dava o dia como acabado. Tínhamos decidido ficar na escola mesmo para terminarmos o trabalho, pois seria burrice irmos para casa de alguém e continuar a mesma coisa. Além de perda de tempo. Ao mesmo tempo que foi a melhor escolha, para ela parecia ser a pior. Ela não estava reclamando em voz alta, mas seus gestos e bufadas a cada minuto diziam bastante.

"Argh, por que ficou tão quente de repente?" Isabella finalmente grunhiu, desviando das cartolinas estiradas no chão e abrindo o casaco.

Nos entreolhamos, mas ela pareceu não notar. "Não tá não." Falei quando se aproximou, seu rosto virou rápido para minha direção. Suas bochechas estavam tão vermelhas que eu diria que tinha acabado de sair da educação física. O que não era o caso.

"Bem, pra mim tá." Ela enrolou todos os fios fazendo uma bagunça no topo na cabeça e voltou a atenção à sua tarefa.

Alice arregalou os olhos e deu uma olhada no relógio. Eu sabia que tínhamos passado pelo menos três horas fazendo esse projeto e só faltavam os últimos detalhes que poderíamos deixar para outro dia. Estávamos adiantados. Acho que Alice tinha me entendido, pois assentiu a cabeça e começou a recolher o material jogado.

"Vamos acabar por hoje então?"

"Uhul!" Alec comemorou levantando do chão, quase jogando a tesoura em sua mão para cima.

"Agora que só falta fechar?" Isabella estava indignada. Passei por entre as coisas e fui tirando o material da sua frente.

"É. Tá todo mundo cansado, com calor..." Falei baixinho na sua frente, e ela me olhava entediada. Eu queria rir. "Relaxa. Depois a gente termina."

Ela não discutiu, sem me olhar, tentando puxar os cartazes da minha mão. Eu estava sorrindo, e Isabella também queria, mas tentava manter a pose de irritada. Peguei seu pulso de surpresa e ela finalmente olhou.

Seus cílios estavam compridos e ela mordia a bochecha sem graça, prendendo o riso. Porra, ela era linda. Sorri aberto, abaixando a cabeça para sentir seus lábios macios nos meus.

"E, nem sabia que eles..." Alec sussurrou, mas Alice o interrompeu pedindo ajuda para guardar o material no armário. Eu devia uma a ela. Ou várias.

Não demorou para eu sentir seus braços a minha volta e seu gosto na minha língua. Passei meu braço livre na sua cintura e a carreguei para o canto, onde deviam ser colocadas as cartolinas. Isabella ainda me olhou agradecida e eu sorri em resposta antes de guardarmos tudo. Não precisávamos falar muita coisa. Eu gostava disso.

Já estávamos no estacionamento quando lembrei que ela tinha vindo com o tal do primo para a escola.

"Eu vou pra casa da Angela agora, minha mãe não gostou de eu ficar fora de casa com o carro." Isabella revirou os olhos.

"Não tem problema, eu te levo."

"Eu sei." Ela riu e arqueei as sobrancelhas. Chegamos ao meu carro e entramos, ambos exalando e relaxando o corpo no banco. Tinha sido um longo dia. "Carro legal."

"É..." Torci o nariz e girei a chave na ignição, ligando o ar. O tempo tinha realmente ficado um pouco abafado. De repente tinha chuva vindo por aí. "O que seu primo queria com você na hora do intervalo?"

"Ele não é meu primo." Ela advertiu. "Quer o telefone da Jessica, ou sei lá." Isabella fechou os olhos aproveitando o ar condicionado. Pelo menos ele não estava implicando com ela, era outra pessoa que ele queria encher o saco.

Estiquei minha mão para seu pescoço, sentindo a pele quentes e seus batimentos no meu polegar. Tinha essa porra de vontade de ficar tocando nela o tempo todo. E beijando também. Um sorriso emplastrou meu rosto.

"Acho que Alec nos viu."

"Ele viu." afirmei.

Isabella virou seu rosto em minha direção e mordeu a bochecha, antes de sorrir. Senti seu rosto esquentar nos meus dedos. Dei os ombros indicando que não tinha nada demais saberem. E não tinha mesmo.

"Eu vou ter que provavelmente falar alguma coisa pra Angela hoje." Ela abaixou o rosto.

"Ok."

"Você... hmm... falou pra alguém?"

"Não diretamente." Respondi. "Quer dizer, Emmett sabe. Mas não acho que ele conte como alguém do nosso atual meio. E Alice meio que viu a gente."

"Certo." Concordou sorrindo pequeno. Sua boca estava tão cheia e vermelha. Passei a língua por meus próprios lábios. "Aos poucos então..."

"É." Me aproximei do freio de mão, a encarando. "Vem cá."

Os olhos dela pareciam até mais claros enquanto ela sorria. Tomei seu sorriso em minha boca e rimos sem motivos entre beijos desajeitados.

BPOV.

Sparks Fly - Taylor Swift.

Cruzei as pernas embaixo de mim enquanto penteava o amontoado ninhado que tinha se tornado meu cabelo. Depois de tanto prender, soltar e... os últimos minutos com Edward no carro também não ajudaram. Tinha sido o único momento em que minha tpm se acalmava e as cólicas dormiam. Era muito ruim sentir isso todo mês, mas parecia que agora estava ainda mais forte.

Quando Edward me deixou na porta da casa de Angela, já estava quase escuro e ela já tinha mandado algumas mensagens perguntando quando eu chegaria, pois sua mãe já estava terminando de cozinhar o jantar. Foi aí que percebi que tínhamos ficado tempo demais no carro. E eu não me arrependia de nenhum segundo. Meu corpo todo ficava formigando pensando em como ele beijava devagar, depois arrastava os lábios por meu rosto, pescoço, como sua respiração me deixava arrepiada e como eu não tinha controle das minhas reações a tudo aquilo. Eu queria sempre mais. O dia tinha sido super estressante e foi ele quem apagou as últimas quatro horas na sala maquinando a organização do nosso grupo.

Angie não teve tempo de perguntar nada porque quando cheguei, o jantar já estava na mesa. Eu sabia que ela tinha me visto no carro com Edward, pois estava exatamente na porta me esperando. Sua expressão se igualava a de um desenho animado. Passei por ela rapidamente, já cumprimentando seus pais, e ela me seguiu fechando a porta e circulando meu pulso tentando me puxar para a sala. Insisti que jantássemos para conversármos melhor no quarto antes de dormir, afinal não queria que Sra. Weber soubesse de nada, pois ligaria para Renée no mesmo segundo e então ficariam horas no telefone debatendo as qualidades de suas atuais filhas comprometidas.

Pedi mais alguns minutos de sanidade enquanto tomava banho e ela desistiu de ficar pulando em volta de mim no quarto fazendo mil e uma perguntas. Agora, enquanto ela terminava de se preparar para a cama, eu não tinha como escapar. A música do seu iPod ainda tocava baixinho e me deixava relembrar o jeito que os dedos de Edward achavam meus fios, desalinhando-os completamente, e depois os afanando com sorrisos e beijos mais leves. E como me lançava olhares, um jeito tão diferente, como eu nunca tinha recebido antes. Era um sentimento que me deixava com cosquinha no estômago, envergonhada, mas ao mesmo tempo querendo mostrar tudo meu para ele. Contar todos os meus segredos, escutar todos os seus e sentir sua boca na minha durante todos os minutos do dia.

'Cause I see, sparks fly whenever you smile
Get me with those green eyes, baby
As the lights go down
Give me something that'll haunt me when you're not around
.

Cantei baixinho as letras que se encaixavam com as lembranças. No dia que ele pediu para eu conversar com ele tinha sido tão cuidadoso - ou pelo menos cuidadoso no limite de ser de Edward. Eu nunca pensei que ele quisesse saber tantas coisas. E no momento que ele me contou de sua família, eu sabia que ele não esperava grandes palavras de volta. Não eram problemas exclusivamente dele, mas que o afetavam. Eu estaria ali se ele quisesse falar, sempre. Assim como ele esteve para mim, mas foi necessário apenas a carícia que eu fazia em seu braço, uma certeza quando beijei seus lábios novamente e seus carinhos em minha pele, que vi que nos entendíamos mesmo sem falar.

I run my fingers through your hair
And watch the lights go wild
Just keep on keeping your eyes on me
.

E assim continuou o dia, e a minha cólica chata, e nossos olhares e sorrisos idiotas. A esse ponto eu já estava quase quicando no colchão, com a escova na frente da boca e sacudindo a cabeça. Sim, Taylor Swift! Eu quero passar a mão nos cabelos de Edward, vê-los rebeldes, enquanto ele me olha...

Um travesseiro me atinge. "Agora podemos conversar?" Angela pergunta com a voz irritada e ansiosa. Eu me jogo na cama e me finjo de morta. Menos de um segundo, sinto suas mãos me sacodindo e meu nome saindo por entre seus dentes trincados. "I-SA-BEEEEEE-LLAAAAAAAA!"

Eu não aguento muito tempo e começo a rir. "Ok, ok, vamos conversar."

"Então...?" Ela insiste ajeitando os óculos muito grandes. Parece uma avó, mas eu não falo isso para ela.

"Ai, não sei por onde começar! Pergunta e eu vou respondendo." não queria que ela perguntasse, mas sabia que iria fazer. Era melhor acabar com isso logo.

"Ok, você está ficando com Edward? Desde quando? Estão namorando? Onde você estava realmente antes de vir pra cá?"

Eu nunca tinha pensado em rótulos. Ou pelo menos nunca o escutei se dirigindo a mim como namorada, nem eu a ele. Mas como era um pedido de namoro? Teria mesmo aquele momento estranho que ele pede? Eu não conseguia vê-lo fazendo nada parecido.

"Sim. Hmm... Ficamos no dia do meu aniversário." Confessei e vi sua boca abrindo enorme e dramática. "E eu estava na escola." Rolei os olhos. "Estávamos realmente fazendo trabalho, aí ele me trouxe aqui."

"Certo, certo. E então vocês estão namorando?" Nessa altura ela já estava na ponta do meu colchão esperando minha resposta como se fosse um programa de televisão.

"Acho que sim...? Quer dizer, nós não conversamos sobre isso, mas é como agimos. Eu não sei, acho que é cedo pra dizer, não?"

"Ah, não sei. Se ele ainda não falou nada... Deve estar esperando para pedir, tenho certeza."

Ficamos em silêncio, as duas pensando e juntando peças. Eu não sabia que teria que esperar um pedido formal de namoro. Me sentia tão bem por já passar todo esse tempo com ele, sem me preocupar e apenas nos conhecer. Será que ele me queria como sua namorada, ou era só um passatempo? Quero dizer, as coisas em Forks podiam ficar realmente um porre. Mas eu devia dar mais crédito a ele, eu sabia o quão inteligente ele era.

"Eles pedem mesmo? Tipo 'Oh, seja minha namorada, por favor?' Porque sinceramente, isso parece muito clichê e bobo."

"Ah, eles pedem. Ben pediu pelo menos duas vezes antes de eu aceitar." Ela rolou os olhos e jogou a franja. "Você sabe da história."

"Sei." Exalei forte. "Bem, então acho que vou esperar pra ver no que dá."

"Esperar? Mas você não quer ter ele como seu namorado? Quer dizer, você não gosta dele o suficiente? Porque foi tudo realmente rápido, ou pelo menos eu não percebi."

Claro que ela não tinha percebido, e nem eu quis demonstrar. Eu podia sentir a pequena bolha que tínhamos formado se estourando. Mas não podia culpar Angela. Eu não tinha contado porque não queria.

"Calma. Eu gosto dele. Aconteceu, e a gente está ficando. Não vou ficar apressando nada."

"É, está certo mesmo." Angela respirou cansada. "Por que você não me contou antes? Me senti sendo deixada do lado de fora."

"Desculpa. Mas é que a gente estava ocupada, e então você estava com a Jessica, resolvendo coisas com Ben e eu não queria atrapalhar. Ao mesmo tempo também estava tentando me organizar."

"Não, tudo bem." Ela assegurou me olhando compreensiva. "Mas agora eu quero saber de tudo, ok?"

Angela não me deixou responder porque teve a genial idéia de pegar sorvete. Fiquei esperando no quarto pensando no que iria contar. Não tinha realmente algo muito importante para se dizer. Eu sabia que ela não tinha feito nada demais - digamos fisicamente - com Ben, pois tinham tido a chance antes e não o fizeram. Ela ia ficar curiosa para saber de mim. Era o primeiro garoto que eu realmente gostava e quis ficar. E continuo querendo.

"Se eu soubesse, não tinha falado aquele monte de coisas com a Jessica no banheiro com você." Angie disse sincera quando voltou, me entregando uma colher. Eu apenas dei os ombros sem saber o que falar. "Acredite, é apenas besteira. Quer dizer, ela acha ele gato, mas depois acha outro. O fora que ele deu foi bem claro. Agora eu entendo por quê."

"Acho que ele não percebeu que ela dava em cima dele." Falei sentindo o gosto do sorvete de flocos derreter na minha língua. Quase gemi de tão gostoso. "Você acha... que ela estaria interessada em Jasper?" Perguntei quando lembrei da minha última conversa com o peste.

"Hmm." Angie achou interessante.

Mais tarde, quando deitamos depois de falar muitas besteiras e prometer fazer pesquisas sobre alguns assuntos, deitamos e dormimos. Ou pelo menos eu tentei, a cólica resolveu apertar e eu tinha que ficar encolhida na cama para não passar mal. Queria pelo menos pegar no sono e esquecer que estava com dor. Na manhã seguinte eu poderia pedir algum remédio.

Assim que acordamos, eu mal conseguia colocar algo na boca sem sentir que iria passar mal. Sentia todo o meu corpo concentrado em meu abdomen e uma vontade de chorar enorme. Eu odiava ficar com cólica, e a cada mês ela parecia pior. Sra. Weber me deu algum remédio e pediu que eu fosse no carro com uma compressa de água quente contra a barriga. Não era o maior alívio do mundo, mas se tornou tolerável por mais algum tempo.

No caminho senti meu celular vibrar no bolso de trás, mas de maneira alguma iria me mover para pegar. Quando chegamos no estacionamento da escola, eu me sentia minimamente melhor. Pelo menos o suficiente para não me debulhar em lágrimas na frente de ninguém.

"Tá melhor, amiga?" Angie desligou o carro.

"Um pouco. Acho que dá pra aguentar até eu ir pra casa."

"Certo, qualquer coisa fala comigo. Guardou as outras cápsulas pra tomar na hora do intervalo?"

Assenti com a cabeça e respirei fundo antes de sair. Edward estava do lado de fora do seu carro alternando em olhar para o celular e para o resto do lugar. Angela sorriu e me deu uma piscadela, antes de me deixar ir sozinha até ele.

"Ei, que cara é essa? Te mandei mensagem. O que houve?" Edward me analisava, e eu nem sabia que estava com uma cara tão feia.

"Nada. Desculpa. É só cólica de novo."

"Porra, está tão ruim assim?"

Fiz que sim com a cabeça e senti sua mão na minha bochecha, me puxando para seu corpo. Encostei meu rosto em sua camisa escura e fechei os olhos, ignorando que dali a alguns segundos o sinal iria bater. Edward passou os braços abrançando meus ombros e descansou o queixo no topo da minha cabeça.

"Porra, Isabella. É foda também ficar assim. Cheia de dor e vindo pra escola! Vai fazer o que de proveitoso aqui hoje? Por que não foi pra casa?"

Seu tom era grosseiro e era o que eu menos precisava. Meus olhos encheram de lágrimas quase que instantaneamente e eu quis sumir ao encará-lo novamente. Senti meu pescoço esquentar de raiva e me afastei olhando diretamente para ele.

"E eu iria perder aula? Você acha que eu não pensei em ir pra casa? Deixa de ser grosso. Eu tive que vir, a gente tem trabalho depois. Tenho que recuperar a aula de educação física que perdi esses dias. Não sou idiota, se é isso está insinuando." Eu queria ter mais raiva na voz, mas o soluço final só me fez querer chorar mais ainda. Meu abdomen contraía novamente.

"Não, não." Edward segurou em meus braços e seus olhos inquietos buscavam alguma coisa para se desculpar. "Desculpa. Eu... argh, merda Isabella. Só não quero te ver com dor na escola."

"Eu tomei remédio." Enxuguei o rosto com a manga do casaco e cruzei os braços. "Vai passar, eu acho."

Edward me abraçou mesmo eu estando parada e beijou minha bochecha. Era um gesto tão pequeno e inocente me dava frio na barriga. Era sua maneira de se desculpar. Eu sabia que ele não era a pessoa mais paciente do mundo, nem muito menos com tato. Mas eu também não era uma mula sem sentimentos, mesmo que meus hormônios estivessem um pouco mais afetados, não era necessário ter falado comigo daquela forma.

"Desculpa." Ele falou mais uma vez no meu ouvido. Concordei a cabeça, mas ele repetiu o mesmo processo.

"Tá. Agora cala a boca." Falei segurando seu queixo quando ele pedia desculpas pela quinta vez, e o beijei de verdade.

Mas claro que o sinal tinha que tocar e logo tivemos que ir para nossas respectivas salas.

EPOV.

"Edward, você pode falar comigo um instante?" A professora de biologia pediu poucos minutos antes do término da aula.

Eu estava ansioso para ir para a quadra encontrar Isabella. Na hora do intervalo ela tomou outro remédio mas não parecia ter passado. Não sabia como agir nem o que falar, então preferi ficar apenas como ontem, conversando e tentando fazer com que ela comesse alguma coisa. Apesar que nem o suco dessa vez ela tinha tomado. Mas pelo visto teria que esperar até saber o que a professora queria comigo.

Ajeitei a mochila no ombro vendo os outros alunos se despedindo e senti um dos músculos latejar. Ontem eu tinha exagerado no treino e acabei dormindo de qualquer jeito quando cheguei em casa. Assim que acordei, vi que no celular não tinha mensagem ou ligação de Isabella, e eu queria saber se ela teria carona para vir para a escola.

"Eu estava fazendo algumas listagens de turma, e eu vi que você tem uma das notas mais altas da sala durante o ano todo." Ela começou. "Você já tem em mente o que quer pra faculdade?"

Não tinha entendido o que porquê da porra dessas pergunta logo agora, do nada. Sim, eu tinha um foco, mas podia mudar. Cocei a cabeça ainda incerto e exalei pesado.

"Acho que odontologia."

"Certo, imaginei que fosse algo relacionado à área de biologia. Você é muito bom, Edward. Interessado, estudioso, eu gosto disso." Ela mexeu em alguns papéis e se virou para mim. "Eu estou selecionando alguns alunos para ver se passam para a turma mais avançada, com o pessoal do último ano. Pode ser um pouco desafiador, já que vocês ainda estão no segundo ano, mas acho que você e poucos daqui conseguiriam pegar."

Abri a boca para falar, mas ela mencionou que eu esperasse.

"Não espero uma resposta agora. Até o fim da semana você pode falar comigo. Aí você assiste algumas aulas, vê se sente bem e adequado e aí sim decide se quer ficar." Explicou. "Nessas aulas eles focam mais na parte de medicina, corpo e mente do ser humano. Então eu acho que combina com você."

"Obrigado." Agradeci quando ela me estendeu a grade das aulas e o número da sala.

"Faz um teste e me deixa ficar sabendo. A professora que entrou lá é um pouco mais nova, começou mês passado na escola, mas é extremamente profissional. Os garotos gostam dela." Ajeitou o óculos e a bolsa no ombro. "Não vou mais te prender, se o professor da próxima aula implicar, pode dizer que fui eu quem te manteve aqui, ok?"

As matérias da aula eram realmente boas e eu me senti animado. Pela primeira vez as coisas não estavam uma merda. Pelo menos uma aula boa no dia eu teria. Não que essas fossem ruins, mas o conteúdo era diferente e a ver realmente com o que eu queria.

Jacob já tinha começado a aula, e alguns faziam polichinelo. Tentei achar Isabella no meio das pessoas, e a avistei descendo as escadas do vestiário. Enquanto isso, sentei na arquibancada e o professor me viu, sorrindo de lado.

"Conseguiu a garota, né?" Ele falou baixo, mas sacana. Eu não sabia se ela tinha falado alguma coisa, mas não tínhamos feito nada na sua frente para mostrar que estávamos juntos. "Já entrou aqui procurando, eu logo adivinhei."

Ele deu um soquinho no meu braço e eu senti meu rosto esquentar. Porra, não era como se eu saísse divulgando uma coisa nossa por aí. Mas não tinha como eu mandar ele calar a merda da boca, porque me ajudou quando eu não sabia o que fazer. Ajeitei a mochila no colo e virei para frente, encontrando ela me olhando. Isabella ainda estava pálida.

"Pega leve com ela hoje. Ela tava com cólica de manhã, sei lá, e parecia mal mesmo." Murmurei.

"Relaxa." Jacob riu baixo. Era bom ter um professor jovem que demonstrasse um pouco de amizade.

Ele apitou e pediu para o grupo se aquecer para uma partida de handball para as meninas, em um lado da quadra, e do outro futebol para os garotos. Isabella tinha prendido o cabelo e durante o jogo, não parava de passar a mão. A vi mais de uma vez respirar fundo com as mãos apoiadas no joelho, tentando se concentrar. Eu não tinha como comparar ter uma cólica menstrual, mas sabia que não devia ser nada bom.

Quando ela fazia o mesmo pela quarta vez, uma menina a chamou pelo nome e ela só abaixou a cabeça dizendo que não. Alguma coisa estava errada. Que merda. Levantei no mesmo instante indo em sua direção sem ligar para o jogo que ainda ocorria. Que se foda.

"Isabella. Você tá bem?" Perguntei passando a mão em seu cabelo. Seus ombros tremiam levemente e sua testa estava gelada. "Isabella, olha pra mim. Vem, vamos sentar." Nisso o jogo parou e Jacob estava a meu lado. Meu coração estava disparado e eu estava começando a sentir o desespero. Estava a ponto de pegá-la no colo e sair dali.

"Bella, senta lá com ele, bebe uma água."

Ela me esticou uma das mãos primeiro, e quando fui ajudá-la a ficar em pé novamente, ela se desequilibrou e caiu em cima de mim. Foi aí que percebi que ela tinha desmaiado.

(...)

"Eu não sei o telefone da casa dela. A mochila ficou na escola." Expliquei novamente a enfermeira que não me deixava entrar no quarto de Isabella.

Eu não iria deixá-la na escola depois de ela ter desmaiado, aparentemente, de dor. A enfermeira da escola iria demorar no mínimo quarenta minutos para pegar alguma remédio, se é que ela tinha algum. Pois sempre oferecia chá e gelo para qualquer tipo de dor ou machucado. Isabella tinha acordado duas vezes antes de chegar ao hospital, mas desmaiou novamente.

"Você não pode me dizer como ela está?" Tentei controlar o linguajar e o tom, ela me olhou desafiante de novo.

"Ela está bem, já está acordada, tomando soro e repousando." Finalmente respondeu, acalmando alguns dos meus nervos. "Mas só posso deixar você entrar quando algum responsável chegar."

"E como eles vão saber que ela está aqui se a senhora não sabe a por...caria do telefone dela?"

"Se controle, estamos em um hospital familiar." Ela avisou.

Abri a boca para falar, mas vi Sr. Swan entrando pelo hospital procurando por alguém. Eu esperava um melhor momento para conhecer oficialmente o pai da minha namorada, mas as circunstâncias eram essas, e eu queria falar com Isabella.

"Oh, Edward, você está aqui? Veio com Bella? Angela me ligou falando que ela desmaiou, o que houve?"

"O senhor é o pai da menina?" A enfermeira se meteu antes que eu pudesse abrir a boca para responder.

"Sou sim. Onde ela está?"

"Por aqui." Ela se levantou e começou a andar em nossa frente. Eu não sabia o que fazer. "O namorado pode vir agora também."

Minhas orelhas e pescoço ficaram quentes no mesmo momento. Charlie me olhou um pouco surpreso, mas não exatamente bravo e eu agradeci internamente. Quando abrimos a cortina, uma outra enfermeira retirava o soro de sua veia, e seu rosto parecia mais corado. Ainda estava com uniforme e um pouco encolhida.

"Boa tarde." Uma médica alta e loira entrou cumprimentando. "Sou Dra. Tanya Denali, atendi hoje a Bella depois de ela ter desmaiado." E apertou minha mão e do Sr. Swan.

"Obrigado por tê-la atendido Doutora." Charlie diz e ela sorri.

"Sem problemas, já conversei com ela, indiquei alguns remédios mais apropriados, mas gostaria de marcar uma consulta na semana que vem se possível."

"Aconteceu alguma coisa?" Charlie perguntou o mesmo que passava na minha cabeça. Isabella mordia o lábio inferior e olhava para todos os cantos do quarto menos para nós.

"Nada demais. Problemas femininos, mas que com uma consulta se resolve." Ela virou e piscou para Isabella, que ficou ainda mais vermelha. Eu sorri para ela. "Agora vou deixar vocês falando com ela enquanto pego a receita do remédio, e volto para liberá-la."

"Está tudo bem, Bells?" Charlie se aproximou e eu lhes dei espaço, colocando a mão no bolso e desviando o olhar.

"Tô melhor, pai. Não se preocupa. Passou."

"Você desmaiou, filha. Como eu não me preocupo?"

"Ah, foi porquê eu não comi. E a dor era muito forte, quando fui fazer educação física juntou tudo e eu desmaiei."

Me segurei para não grunhir. Eu sabia que tinha sido isso. Porra, tinha que ser tão teimosa? Respirei fundo novamente para não soltar tudo em cima dela, nem muito menos perto de seu pai. A sorte era que Doutora Denali voltava com os papéis e chamou Charlie para dizer onde comprava e qual dosagem ela deveria tomar. Ela liberou Isabella, que se sentou na cama e começou a ajeitar o cabelo. Ficamos sozinhos esperando.

"Porra, eu falei pra você comer não foi?" Segurei sua mão firme. Minha voz não estava com raiva, apenas preocupada. Beijei seu rosto de leve.

"Eu sei, mas eu não conseguia." Disse chateada. "Não começa a brigar comigo."

Ri fraco de sua manha. "Não vou brigar."

Charlie voltou e eu dei um passo para trás, mas Isabella segurou minha mão na sua. Eu gostei e mordi a bochecha para não ficar sorrindo. Ele olhou brevemente para nossas mãos com a boca aberta tentando falar alguma coisa, então limpou a garganta.

"Bells, eu vou comprar o seu remédio e pegar sua mochila na casa da Angela. Ela disse que levou com ela. Você... hmmm... vai comigo, ou vai pra casa com seu... namorado?"

"Eu vou pra casa, eu acho. Se ele quiser me levar."

"Claro que eu levo." Murmurei olhando seu rosto confuso.

"Ok então." Ele balançou a cabeça algumas vezes sem saber mais o que falar. "E hmm, não se tranquem no quarto. Eu chego lá já, já. Cinco minutos. Ou três."

"Tchau, pai."

Não falamos mais nada até estarmos na metade do caminho. Ela estava quieta, brincando com os dedos e balançando as pernas.

"Você está bem mesmo? Digo, melhor?"

"Um pouco de sono. Ela falou que tinha um calmante no soro também, que ia me deixar meio mole." Isabella torceu o nariz.

"Entendi."

Ela me olhou mais algumas vezes e parecia que queria perguntar ou falar alguma coisa mais desistiu. Eu não quero ser grosso nem pressionar para falar porquê ela ficou já mal com suas coisas. Quando chegamos na sua casa, ela sai do carro e me espera do lado de fora para poder me convidar para entrar. Eu aceito ficar até que o pai dela chegue para que ela não fique sozinha.

Eu sento em uma ponta da cama e ela se joga na outra. "Como eu estou cansada."

"Você tem que descansar." Eu falo firme e ponho seus pés no meu colo.

"Vou esperar minha mãe chegar, comer alguma coisa e durmo." Disse enquanto eu tirava seu tênis. Isabella ri quando eu termino. "Tem sorte que eu não tenho chulé." Eu rio também.

"Mas sente cosquinha." Me atrevo a brincar com os dedos na sola de seus pés, mas ela pede que eu pare por causa de sua barriga.

"Você não tem treino não?" Isabella diz se aproximando até encostar a cabeça no meu ombro. Eu passo o braço por sua cintura e seguro seu corpo.

"Foda-se o treino." Murmurei contra o seu cabelo. "Ontem eu exagerei de qualquer forma, hoje eu posso descansar."

"Hmm..."

"O que? Quer que eu vá embora?" Pergunto me mexendo até conseguir ver seu rosto. Ela segura na minha camisa e diz que não.

"Só perguntei porque você já perdeu sua tarde me levando pro hospital."

"Não perdi. Eu tinha que te levar. Ia te deixar lá?"

"Mas obrigada mesmo assim." Fala me olhando e puxando minha nuca antes de me beijar. Parece que fazem dias que eu não a beijo.

"Seu pai pareceu bem tranquilo com a gente vindo pra cá." Eu falo quando estamos com as testas coladas, e beijo a ponta de seu nariz.

"Ele é tranquilo. O negócio é minha mãe." Responde revirando os olhos. "E hmm, desculpa por meu pai ter falado errr... aquele negócio."

"Que negócio?" Perguntei confuso.

"Do 'namorado levar pra casa'." Ela quota no ar com os dedos debochando, e eu continuo sem entender.

"Qual o problema de te trazer aqui? Você não queria?"

"Não, isso não tem problema. É o negóciodechamardenamorado."

"É o quê?"

"De chamar de namorado." Diz, finalmente, exasperada.

"E daí?"

"Ah, é porque a gente nunca falou nada sobre isso. Então, não sei." Isabella fala olhando para algum ponto muito mais interessante na cama que para meu rosto.

"Porra, Isabella, se o que a gente tá fazendo não é namorar, é o que?" Pergunto. Ela me olha debaixo, mordendo a bochecha e encolhe os ombros. Eu me sinto nervoso achando que ela quer um pedido oficial. Eu não sei fazer isso, nem achei que precisasse pedir. Mesmo assim, seguro seu rosto e beijo sua boca de leve. "Você quer namorar comigo?" Falo devagar.

"Quero."

Ela fala tão baixinho que se eu não estivesse com os lábios praticamente nos seus, eu não ouviria. Mas o sentimento é bom. O coração acelera e eu a beijo três, quatro, cinco, seis vezes antes de estarmos caindo de volta na cama. Me afasto um pouco, com seu corpo ainda no meu braço e ficamos confortáveis brincando com nossos dedos.

"Não precisava ter pedido, sabe."

"Ah, porra..." Dessa vez eu deixo escapar um grunhido.

"É que eu disse a mesma coisa pra Angela ontem, que não imaginei que ainda tivesse que pedir e aquela coisa toda. Mas ela falou que você devia estar esperando."

"Esperando o que?"

"Sei lá."

Ela dá uma risadinha e eu acompanho. Relaxamos nossos corpos e eu conto da aula de biologia que a professora tinha sugerido. Ela fica bastante feliz e me beija de novo. Ficamos abraçados até ouvir a porta da frente sendo aberta. Nos despedimos brevemente, e ela me leva até a porta dizendo que manda mensagem quando for deitar para dormir. Eu ainda chego no carro sorrindo e abro o celular digitando um sms para Emmett.

Eu tenho uma namorada. - E