Espero que me desculpem pelo atraso. Trabalho, coisas a resolver, vida e feriado que me atolaram completamente.

Quero agradecer especialmente a minha índia beta Cella_es, porque ela é linda e a gente vai vir me visitar e a gente vai fazer a dança da chuva e surtar com as fotos da Kristen que saíram na Vogue! OMG! Linda, certo? 3

E ainda tem a primeira foto de E/B em BD!

Aviso: Esse capítulo pode conter sexytimes. Aproveitem ;)


.

EPOV

Meu treinador estava pegando pesado comigo hoje. Tinha faltado os dois últimos treinos por conta dos trabalhos na escola e precisava recuperar o tempo perdido. Era sexta feira e eu estava morto antes mesmo de ter acordado. Amanhã finalmente seria a tal feira literária e eu estava louco para acabar com aquela merda. A semana de provas tinha sido tranquila, e eu consegui manter o foco para estudar, apesar dos pensamentos sobre Isabella me tirarem a concentração, meus pais conseguiram manter uma semana civilizada e com isso o meu espaço para estudar.

Eu gostava de levar a sério a semana de provas. Quando antes acabasse, melhor. Não precisava ficar nas férias visitando um lugar que não gostava por pura preguiça de pegar os livros. Nessa área, Emmett apesar de implicar, apoiava e falava que era para deixar a boa vida para a faculdade, longe dos pais.

Quando mandei o sms para Emmett, acordei no dia seguinte com uma mensagem de voz de meu primo completamente bêbado me dando os parabéns. Dizendo que se quisesse me mandava pacotes de camisinha com lacre para só eu abrir. Tive que rir das babaquices que ele dizia e sentir saudade das merdas que ele me falava. Mas ele tinha seus momentos. Eu não gostava de ficar obcecado com alguma coisa, me sentia mal. E só o que eu parecia pensar ultimamente era em Isabella, o que ela estaria fazendo, ou vestindo ou comendo. Emmett disse que era normal, pois eu estava conhecendo coisas novas, passando por situações que antes nunca tinha estado. E estava me fazendo bem.

Isabella e eu quase não tivemos tempo sozinhos. Quando não estávamos em nossas respectivas casas estudando, estávamos de tarde na escola, arrumando barracas, pintando cenários e ficando cansados demais para alguma coisa. Claro que algumas vezes no intervalo nos encontrávamos atrás da quadra. Quarta feira tinha sido um desses dias. Ela apareceu na escola com rabo de cavalo, uma blusa de renda - que ela me esclareceu - desenhando todo o seu colo. Passei horas com o rosto, nariz e boca passeando por ali. Foi difícil voltarmos para a sala e eu precisei de um momento para esfriar a cabeça. Observei-a andar para lá e para cá com a calça colada, o rosto avermelhado e a boca completamente inchada da hora anterior. Nunca passava dos limites, é claro, apenas sentia a porra dos meus dedos formigarem quando passavam pela lateral de seu corpo, perto da curva de seus seios.

Tentava me controlar na escola e perto das pessoas, o que era para acontecer entre nós era apenas isso, entre nós. Não queria passar de desrespeitoso e muito menos ser chamado na porra da sala do diretor por causa de um comportamento que eles julgavam inadequado. Mas tinham horas que era realmente difícil de segurar, especialmente quando Isabella resfolegava meu nome no meu ouvido.

"Concentra, Edward!"

Mirei o saco dando mais algumas de direita e um chute. A sala ecoava minha respiração errática e as porradas que eu dava, mas algumas vezes meus olhos simplesmente desfocavam. Me sentia cansado e completamente distraído. A ponta do meu cabelo estava pingando em meu rosto, tentei dar uns pulos para me focar, mas desisti quando o treinador colocou a mão no ombro. Que merda. Encostei a cabeça no saco e fechei os olhos.

"A gente faz um pouco de musculação e eu te libero logo, porque sei que você precisa ir." Avisou. "Mas não se acostume. Eu sei que você não leva a sério o boxe, que é como uma recreação, mas gosto de te treinar, Edward."

"Valeu, obrigado."

Apenas quarenta minutos de musculação foram suficientes. Tínhamos combinado de fechar o projeto hoje na casa de Alice. Não foi difícil convencer meus pais que eu voltaria tarde para casa. Eles, na verdade, pareciam até felizes em me ver socializar. Isabella falou que passaria na academia para me buscar - depois de insistir por meia hora no nosso intervalo - e eu finalmente cedi. Após os exercícios fui tomar um banho no vestiário - coisa que raramente fazia, mas hoje era necessário - e quando voltei, vi Isabella pegando os menores pesos e meu treinador tentando instruí-la.

"Que merda você tá fazendo?" Perguntei tentando não rir, apertando os olhos.

"Ufa, estou morta!" Isabella brincou vindo em minha direção. Gargalhei passando o braço por seus ombros.

"Prazer em te conhecer, Bella." O treinador disse antes de sair.

Já do lado de fora, com ela embaixo do meu braço, escutei-a suspirar alto e cansada.

"A gente não podia só ficar aqui, falar para eles que amanhã a gente se encontra mais cedo?" Ela miou enfiando o rosto no meu peito.

"Por que tão preguiçosa?" Brinquei, mas também me sentia cansado.

"Não viu o quanto eu malhei lá dentro?" Exclamou se fingindo de ofendida, e riu em seguida. "Hoje eu fiquei cuidado do Ethan. Aparentemente ele começou a jogar futebol na escola, e quis me mostrar todos os passos dele! Meu Deus! Aquela criança tem mais energia que qualquer um. Isso porque ele tinha acabado de sair de lá..."

"Futebol? Onde é a escola dele?" Perguntei enquanto entrávamos no carro.

"Você gosta de crianças, não é?"

"Eu gosto de Ethan. E queria ter tido um irmão." Respondi. "Mas pra ser sincero, é melhor não."

"Seus pais têm ficado tranquilos essa semana, não é?"

"O que te faz pensar isso?" Questionei, mesmo sabendo que era verdade.

"Posso contar em uma mão os dias que você fumou." Seu sorriso é lindo e engraçado. Me estiquei o suficiente para lhe dar um beijo de leve.

Então ela deu partida no carro, deixando rolar no som as músicas que ela tinha mais gostado da coleção de Alice. Era fácil agora entender suas expressões de gosto e desgosto. Quando estava desconfortável, e quando estava nervosa. Quando queria algo, mas não podia e quando sucedia em alguma coisa. Estiquei o braço passando a mão em sua nuca e escutei um suspiro.

Emmett estava certo em um ponto, eu precisava levá-la em um encontro. Eu não tinha idéia de como fazer o namorado perfeito, e nem acho que Isabella esperasse essa merda de mim. Mas eu tinha que fazer o meu máximo, porque até agora ela estava dando o seu melhor. Respeitava quando eu não queria falar, e forçava quando eu só precisava de um empurrão. Ao mesmo tempo, cortava coisas que eu fazia e falava que não eram de seu agrado, e não desistia de mim. O mais importante, me dava apoio para tudo.

"Ei, você... hmmm... quer fazer alguma coisa no sábado?"

"Tipo o que?" Perguntou sem tirar os olhos da estrada. Nós nunca tínhamos saído no fim de semana. Sempre algo em nossas agendas nos impediam. Não que tentássemos, além das horas no telefone. Até porque nos víamos todos os dias na escola. Só que essa semana não parecia o bastante.

"Não sei. Ver um filme, comer em algum lugar."

"A gente teria que ir para Port Angeles para assistir a um filme." Disse cética. "Edward, hmmm... isso seria, tipo um... encontro?"

"Ahh, sim."

"Oh."

"O quê?" De repente começou a me dar nervoso. Mas era babaquice, não tinha porque estar nervoso. Porra, ela já era minha namorada.

"É porque como já estamos... namorando, não pensei que precisássemos de encontros." Passei o polegar em suas bochechas, sentindo o calor chegar ali.

"E porque somos um casal não precisamos sair? Porra, a gente quase não passou tempo juntos essa semana."

"Não, tudo bem. Eu quero ir sim."

"Mas..." Senti que ela tinha ainda coisa para falar. Mas antes estacionou o carro perto da casa grande.

"Mas nada. Eu vou ter que falar com a minha mãe. Ela tá um saco."

"Se quiser, eu falo com ela."

"Hmmmm..." Isabella murmurou olhando para minha cara como se fosse a merda mais absurda que ela tinha ouvido.

"Ou não falo, porra."

"Calma." Isabella pediu enquanto virava de lado para mim. "Eu vou falar com meu pai e acho que consigo convencer, se não der certo você pode jantar lá em casa e depois vamos ao cinema."

"Okay."

(...)

"Alguém quer mais alguma coisa?"

Todo o grupo se entreolhou e negou com a cabeça. Sra. Brandon estava um pouco mais que animada de nos ter para fazer trabalho. Os lanches não paravam de vir, e até mesmo Alice já tinha desistido de falar que não queríamos mais nada. Adiantamos grande parte do trabalho e agora só faltavam os cartões para cortar da nossa barraca de poesias.

"Caraca, tô muito cansado." Alec bocejou, resultando em nós seguirmos a mesma ação.

"Todos nós estamos." Falou Alice do sofá. Isabella estava sentada na ponta próxima a mim, e eu no chão, com Alec cortando as cartolinas, enquanto as meninas escreviam os cartões de agradecimento.

"Sabe o que eu acho que é uma boa idéia?" Ele perguntou e esperou que respondêssemos. "As meninas podiam chegar mais cedo, nos deixavam dormir mais um pouco, jogavam charme pros professores mais carrascos, - que são logo os primeiros a avaliarem - e quando Alice for tocar lá, a gente chega..."

"Não!" As meninas falaram em uníssono e eu comecei a gargalhar.

"Ah, você acha engraçado é?" Isabella perguntou tentando segurar o riso, ameaçando com uma caneta.

"Não é uma idéia ruim." Me fiz de cínico. "Pensa bem, se vocês falassem com..." Antes que pudesse terminar, o pé de Isabella com meia e tudo tapou minha boca.

Alice segurou a boca para não rir alto, mas Isabella mateve a postura séria. Até que eu mordi seu dedo míndinho e ela se contorceu de cosquinhas.

"Edward!"

"Vai ficar colocando meia suja na minha boca?" Perguntei desafiando. Isabella se controlou e tentou colocar de novo, mas eu segurei seu calcanhar.

"Coloco mesmo!"

Comecei a fazer cócegas em sua batata da perna, apertar sua coxa, até que ela não aguentou e caiu no meu colo.

"Chega, por favor." Isabella pediu sem ar e eu agarrei sua cintura com os braços. Tentei aproximar minha boca da sua, mas ela virou o rosto e riu. "Eca, boca suja de meia."

"É, né?" Ela assentiu em resposta e eu cobri toda sua orelha colocando a língua dentro de seu ouvido, escutando-a gritar e se contorcer.

"Que nojo!" E quando vi ela já tinha voltado para o sofá.

As meninas se entreolharam e riram baixo antes de voltarmos ao trabalho. Até que a noite não estava ruim.

BPOV.

Domingo = Uma hora e cinquenta e três minutos no telefone.
Bateria = acabada.
Mãe = não satisfeita.
Eu = nem me importava.
Edward = suspiro. Edward, Edward, Edward, Edward...

Então em uma escapada para implorar a meu pai que não dissesse nada para minha mãe, fui flagrada e não tive escapatória. Eu esperava o pior e me cocei inteira para receber o castigo. Nem sei que punição eu esperava, ou porquê. Por ter um namorado? Por ter ele tido em meu quarto... em minha cama... perto de mim, namorado, cama. Não. Eles nem sabiam desses detalhes. E eu não seria a que os inteiraria disso.

Mas para a minha surpresa, minha querida mãe agiu como se já soubesse de tudo há muito tempo. Eu sabia que era mentira, seu nariz continuava tremendo daquele jeito quando algo não era verdade. Então ela simplesmente parou de falar comigo. E aí de mim se chegasse perto com um sorriso no rosto. Eram alguns foras aqui, outras respostas ali - pior do que Ethan quando algo não saía do seu jeito. Renée tinha que entender que certas coisas eu não me sentia à vontade de conversar com ela. Que tínhamos um relacionamento aberto, era verdade. Mas simplesmente certas situações eu gostava de guardar para mim.

Não que não fosse falar para ela em certo ponto. Mas estava tão no começo, que eu me sentia sufocada com todos perguntando sobre rótulos, e o que fizemos, e quando começou. Eu ainda estava descobrindo tudo isso. Conhecendo um lado de Edward que só eu veria. Esse pensamento me deixava com o estômago revoltoso. Era tão bom saber que estava sendo algo bom para ele, e não vê-lo impaciente o tempo inteiro. E por minha causa. Porque eu o fazia rir como nunca tinha visto. E sim, talvez eu estivesse um pouco convencida, mas quando estava no meu quarto sozinha, escrevendo algumas besteiras e vendo fotos antigas - jardim de infância - da turma, eu me deixava pensar que aquele menino com o braço cruzado e a cara enfezada se transformou no garoto que eu fazia sorrir.

Meu pai tentou apaziguar a situação. Eu sabia que minha família não era das mais normais, que meu pai quem deveria estar bronco, carrancudo, querendo satisfações, mas ele quem confiava em mim e na minha palavra. Por isso foi a ele quem eu recorri quando precisei de permissão para fazer o trabalho na casa de Alice durante a semana.

As provas não estavam difíceis, mas eu sabia que levaria bomba em trigonometria. Não sabia porquê eu tinha que fazer aquela porcaria de matéria, mas pelo menos eu tinha ajuda de Alice para estudar. Ela era um gênio com números, assim como com a música. Eu não sabia como ela tinha conseguido lidar com provas e ensaios a semana toda, só sei que deu certo. Eu a ajudava com história e literatura, e ela me ajudava com trigonometria.

Angela estava com professor particular para quase todas as matérias, então não nos falamos fora da escola. Além do que, ela começou a andar em quarteto. Era nojento ver Jasper com Jessica, andando com Angela e Ben. Pessoas que, na minha opinião, eram tão diferentes. Mas ela não via problema nisso quando a hora do intervalo chegava e eles se sentavam em uma mesa qualquer para sugar o rosto um dos outros.

Edward parecia ter o mesmo conceito de resguardar um pouco o que tínhamos para os momentos a sós. Esses eram bem aproveitados. No meio da semana ele ainda me surpreendeu quando não se controlou. A blusa que tinha ganhado de aniversário parecia seu novo objeto preferido. Era simples, um tom um pouco mais escuro que minha pele, com as barras de renda, e ele ficou fascinado. Detalhe devidamente anotado, é óbvio.

O remédio que Doutora Denali receitou era o santo de cada dia. As cólicas tinham diminuido significativamente, e por volta de quinta feira eu já me sentia melhor. Quinta, o dia de minha consulta com ela. Claro que ela não me examinaria logo de cara, mas quis marcar logo a próxima consulta para futuros eventos. Nesse dia Renée estava fora do sério, queria entrar comigo na sala de consulta mesmo sabendo que eu morreria de vergonha. Então questionamentos sobre a minha virgindade foram colocadas na mesa antes mesmo de chegarmos ao consultório.

Seria mentira se eu falasse que nunca tinha pensado em transar com Edward. Mas eu sentia que esse plano seria mais para frente. Bem mais para frente. Tudo que eu tinha experimentado agora era muito mais do que eu esperava, não tinha muito tempo para pensar em colocar ou tirar coisas em lugares ainda intocados. E falar sobre o que eu queria fazer, ou deixar de fazer com Edward era a última coisa em minha lista de conversas com minha mãe. Mas ela tinha outras idéias.

"Ora, mas agora você não me conta mais nada. Pode muito bem ter acontecido com ele, e eu nem ficaria sabendo."

"Sério que você acha que eu sou assim? Primeiro que você acaba de me ofender..." Retruquei, ela revirou os olhos e bufou.

"Deixe de dramas."

"Então você para de ser tão dramática e ficar tão ofendida por nada."

"Nada?"

"Mãe! O dia que ele me trouxe em casa do hospital foi o dia em que ele me pediu em namoro. A gente tem apenas dias, não semanas, meses! Eu ia falar, mas eu quero dar um tempo e pensar que vai durar, ué!"

"Já enjoou dele?"

"Ah, pelo amor de Deus." Não aguentando mais um minuto, eu bati a porta do carro e segui em direção ao prédio do consultório.

Doutora Denali decidiu chamar nós duas para a primeira parte da consulta. Apenas perguntando a quanto tempo eu tinha cólicas, minha primeira menstruação, alimentação e se eu já havia me consultado alguma vez com uma ginecologista. Explicou que é mais normal adolescentes terem essas crises, principalmente na minha idade, do que a gente pensava. Então finalmente deu a opção de contraceptivos que ajudariam a ordenar os hormônios descontrolados nessas fases do mês.

Antes que minha querida mãe abrisse a boca, ela pediu um minuto para conversármos a sós. Claro que Renée tinha alguns problemas em respeitar minha privacidade, sua mãe faleceu cedo, então ela tentava compensar o que não teve comigo. Eu entendia, mas algumas horas me sentia sufocada.

"Renée, eu entendo que você é mãe. Mas às vezes, adolescentes tem vergonha de conversar isso com os pais. Vão ser apenas alguns minutos, prometo." Minha mãe me olhou mais uma vez, respirou fundo e nos deu licença.

"Meu Deus." Murmurei e ela sorriu com todos os dentes.

"Mãe é assim mesmo."

"Às vezes ela passa dos limites." Bufei irritada. Dra. Denali riu fraco.

"Então. Primeiro eu quero que você saiba que eu pedi que ela se retirasse por um instante porque você é minha paciente, e eu não vou quebrar o sigilo. Preciso que você confie em mim, pode ser?"

"Pode sim." Me ajeitei na cadeira ficando mais relaxada.

"Que você tem namorado eu sei. Já se relacionou com alguém antes dele?" Neguei com a cabeça. Seus olhos muito claros pesaram nos meus. "Há quanto tempo vocês estão juntos?"

"Algumas semanas, só." Respondi baixo, com medo de Renée estar com um copo do outro lado da porta tentando nos ouvir.

"Certo. E já tiveram relação?"

"Não." Minha voz estava defensiva. Não era para menos. Minha mãe tinha me assustado.

"Foi o que eu imaginei." Disse anotando em algum papel de receita. "Esse anticoncepcional vai controlar suas cólicas, e também entra como prevenção... para o futuro."

Ai meu Deus. Já posso ir embora? Ela deve ter sentido meu desespero, pois me liberou logo após entregar a receita e a primeira caixinha. Agora a próxima consulta seria em três semanas, mais ou menos.

Renée ainda questionou a necessidade de se usar um anticoncepcional, óbvio. E eu tive mais uma vez que retrucar, perguntando se ela preferia me buscar no hospital de mês em mês. Isso a fez calar, e então o voto de silêncio permaneceu e eu estava agradecendo a meu pai por estar tomando algumas decisões ao invés dela. Por isso foi fácil vir para casa de Alice à noitinha e voltar sem encrencas de pegar o carro a noite.

Minha mãe não deixou barato, é claro. Me fez ficar de babá com Ethan o dia inteiro, e eu estava exausta para vir, mas sabia que era necessário. E a possibilidade de ver Edward um pouco mais, era com certeza um incentivo. E dos grandes.

Olhei para o celular pela última vez, quase duas da manhã. Daqui há... - vinte e quatro, mais doze, mais quatro - quarenta horas eu teria meu primeiro encontro com meu namorado. Eu precisava parar de contar e dormir.

(...)

As poucas horas de sono tinham me deixado mais desperta do que se eu tivesse descansado minhas normais nove horas. O pique que eu estava para arrumar todas as coisas e apresentar o trabalho chegou a assustar até minha mãe. Nesse momento eu fiquei feliz que estava me ignorando. Até eu lembrar do tal encontro e que eu deveria falar com ela sobre isso logo.

Respirei. Dentro. Fora.

Eu só torcia para meu bom humor não ser jogado pela janela. Quando terminei de escovar o cabelo, desci as escadas com cautela e percebi que Charlie estava lendo seu jornal de esportes enquanto minha mãe tomava café. Nem sabia o que era pior: a vergonha de falar na frente de meu pai que eu iria sair para um encontro com o Edward, ou o fato de que precisaria dele para remediar a leoa que minha mãe havia se tornado.

"Bom dia." Primeira tentativa. Resultado = Pai balançando a cabeça positivamente; mãe = sobrancelha levantada, suspeitando.

Meu pai levanta a cabeça do jornal e nos olha. Bufando coloca as mãos na mesa, e acho que pela primeira vez, ele interfere em qualquer coisa entre nós.

"Olha só. Passamos a semana inteira nesse jogo. Renée, você não tem a idade da Bells. Dá um desconto."

"Charlie, era para você agir como pai aqui."

"Sim, e eu estou tentando. Ela tem um namorado, mas eu confio nela pra tomar decisões. E Edward parece ser um bom garoto, até porquê a levou no hospital, a trouxe em casa."

"Eu também, Charles." Oh-oh. Ela nunca, nunca usa Charles. Até porquê é o nome do meu avô. Ew. "Mas o fato de ela não ter contado nada já me preocupa. Eu não sei o que mais ela pode estar escondendo..."

E é nesse exato momento que eu arrio a cabeça na mesa e bato a testa alguma porção de vezes. Será que ela não podia entender que eu não tinha nem uma semana exata de namoro? Ok, uma semana e um dia. Mas isso não importava.

"Mãe. Me desculpa, tá legal? Eu não sei o que a Angela conta ou deixa de contar pra mãe dela. Eu não sou a Angie e você não é a Sra. Weber."

"Tudo bem." Finalmente! "Mas eu quero que ele venha nos conhecer. Jantar, algo parecido." Claro, claro que quer.

"Eu falo com ele." Murmurei e senti meu celular vibrar no bolso. Droga, ele já estava aqui. "Eu... hmm... ele me chamou pra jantar hoje depois da escola." Meu rosto iria explodir em milhões de pedaços vermelhos. Não queria nem saber a expressão que eles estavam fazendo, mas apelei para algo que faríamos de nós duas vencedoras. "Eu pensei que você pudesse me ajudar a me arrumar, você sabe... coisas de garota."

Estava forçado, eu sabia. Mas não tinha outra escolha, precisava que ela voltasse a confiar em mim e parar de agir como uma amiga ciumenta. Lembrei de Angie e de que ela provavelmente iria gostar de me ajudar também. Então a imagem dela com Jessica, Jasper e Ben me veio a mente e eu logo espantei o pensamento.

"Sério?" Minha mãe parecia que tinha ganhado presente de natal. Eu tinha que sair correndo dalí. O celular vibrou de novo.

"Sério. Se você quiser..." Me atrevi a olhar para meu pai e ele tinha um sorriso satisfeito.

"Ótimo! Vou escolher algo lá em cima e deixar tudo esquematizado para quando você voltar da escola!" Renée deu a volta e deu um beijo em minha cabeça.

"Tenho que ir agora!" E assim finalmente corri para fora de casa ouvindo minha mãe me desejar boa sorte na feira. Droga, ela era fácil às vezes.

Daí eu lembro do bendito acordo que tinha feito com Edward de tê-lo esperando por mim na esquina da minha casa. Só por alguns dias, enquanto revezávamos carona, para ver se minha mãe ficava um pouco mais calma e não viesse tirar satisfações sobre ele vir na porta da minha casa algumas vezes, sem nunca ter entrado.

"Desculpa, desculpa o atraso." Entrei no carro disparada. "É por um bom motivo, eu juro. Consegui convencer Renée de podermos sair hoje sem problemas. Mas aí ela quer pelo menos um dia que você os conheça... sabe, oficialmente. É bem idiota, se me pergunta porque eu não sei que diferença vai fazer. Mas eu sabia que você ia ficar tranquilo com isso, porque você geralmente é, certo?"

Não tinha percebido que tinha acabado com o oxigênio dos meus pulmões. Quando finalmente olhei para o lado, ele me olhava divertido. Inclinou para meus perto e encostou os lábios nos meus.

"Bom dia." Sorriu e ligou o carro.

Relaxei mais um pouco e murmurei a música que tocava. Contei que convenci minha mãe e ele sorriu, concordando que teríamos que marcar o tal jantar. Ele sorrindo me deixava mole, e idiota. Então eu ficava sem graça e trocava de assunto rápido. Essa semana tinha me deixado um pouco... distraída, e com incômodo físico.

Segunda ele conheceu todos os pontos que eu sentia cócegas. E nem sempre aquelas que me faziam gargalhar. Com a boca atrás da minha orelha, a respiração no meu pescoço, eu não sabia se ria ou deixava sair um barulho vergonhoso em plena hora do intervalo.

Terça foi minha vez. Ele tinha deitado a cabeça no meu colo enquanto eu tentava gravar algumas fórmulas de química. Claro que ele já tinha todas decoradas, e só eu precisava dobrar meu cérebro em dois para me concentrar no papel, e não me distrair com ele. Edward acabou pegando no sono, e por incrível que pareça foi isso que me deixou menos focada. Passei as unhas de leve no seu coro cabeludo, sentindo os fios de cabelo se espalharem ainda mais, e seu braço todo arrepiar. Não estava frio para usar casaco, então percebi como sua pele ficou. Quando desci a mão ele gemeu e acordou. Mas apenas para me beijar, espalhar meus papéis e me deixar sentir com a mão seu pescoço e peito e barriga, até que o sinal tocasse.

Quarta foi o dia que não conseguíamos nem achar tempo para respirar ou comer algo na hora do intervalo. Minha blusa rendada foi sua peça favorita de roupa, e eu anotei para que usasse no encontro. Edward tinha ficado admirado com a cor e como deixava minha pele 'macia' - suas palavras. Eu sabia que a blusa era um pouco mais decotada, mas me surpreendi quando senti seus polegares brincarem ao lado de meus seios, uma vontade louca surgiu para que ele continuasse, e querendo mais. Mas eu não tinha como pedir uma coisa dessas. As palavras simplesmente não sabiam. Então deixei que ele me beijasse com força novamente e o abracei com vontade, sentindo seu torso no meu. O resultado foram os lábios quentes e dormentes pelo resto do dia. Eu amei.

Quinta foi totalmente o oposto. Tínhamos pego o horário para resolvermos com o grupo os últimos detalhes para a feira, então apenas sentia sua mão circulando minha cintura, brincando com o espaço entre minha calça e meu casaco. Fora isso, não tocamos no assunto. Até achei que ficaria desconfortável em sua presença lembrando de todas as coisas que fizemos, mas Edward não me deixava envergonhada e eu me sentia cada vez mais a vontade e segura.

Eu sabia que todo garoto tinha necessidade mais urgente de se aliviar, que meninas. E aquela semana tinha sido uma tortura para os meus hormônios, mas não era como se eu pudesse fazer algo com o meu período ali. Graças a Deus que o mesmo tinha ido embora na própria quinta.

Eu lembro quando Angela tinha pego uma das revistas de sua mãe, que tinha um pôster de alguma banda que ela gostava, e uma das matérias era sobre pontos Gs, e namoros de uma noite só. Quando ela começou a namorar com Ben chegamos ainda a comentar uma vez sobre o que fazíamos ou não no banheiro. Eu nunca havia tentado, mas ela tinha dito que uma vez namorando, não tinha como escapar. Meu problema era nunca chegar ao ponto final. Eu me perguntava se tinha algo de errado comigo.

(...)

Pegamos nosso primeiro intervalo depois de cinco apresentações. Tudo estava indo relativamente bem. Alice não parecia nem nervosa para a apresentação, e estava feliz que ela se sentia tão segura. Acho que se fosse eu em seu lugar, teria vomitado algumas vezes já durante o dia. Mas quando estive essa semana em sua casa, ela me mostrou o que tocaria, e sua voz era tão suave, ela parecia tão tranquila... Eu a invejei por um instante.

"Alice, será que você pode me acompanhar pra gente ajeitar algumas coisas de som?" A professora perguntou.

"Claro." Ela respondeu pegando o violão e pedindo licença.

"Aí gente..." Alec chamou nossa atenção. "Vou no banheiro."

Antes que pudéssemos falar alguma coisa, ele virou e foi embora.

"Obrigada por avisar, eu acho." Brinquei, mas Edward pareceu não ter me ouvido e quando vi estava sendo arrastada para algum lugar pelo pulso. "Ei, tá tudo bem?"

"Mhmm." Ele me olhou rapidamente e eu vi que queria rir. "Só quero falar com você."

"Hmm..."

"Sozinhos."

Subimos no primeiro andar da escola e os corredores estavam vazios, obviamente. Sábado apenas a feira acontecia, então na primeira sala que entramos eu o esperei fechar a porta para ver o que queria falar que não poderia ser lá embaixo mesmo. Mas então quando Edward se aproximou devagar - seu rosto era indecifrável - e segurou meu pescoço me beijando com vontade, eu entendi exatamente.

"Estava querendo fazer isso o dia inteiro."

"Hmm..." Não pude responder porque foi o momento em que ele se oportunou para deslizar a língua com a minha.

As mãos dele não estavam tão quietas hoje, sentiram minhas costas, apertaram minha cintura enquanto continuávamos famintos. Ele achou uma parede para se apoiar, trazendo meu corpo para o seu até que senti seus dedos entrando nos dois bolsos da minha calça. Se eu pudesse teria subido em seu colo, mas não tinha coragem além de me impulsionar mais contra ele.

"Vamos pra minha casa hoje."

"A gente não tinha um encontro?" As perguntas saíram sem degrudarmos um minuto. A sala parecia um forno, e eu estava derretendo.

"Mhmmm... Mas a gente pode ficar um pouco lá, eu me arrumo e te levo em casa pra se arrumar." Mais beijos. Eu iria morrer. "Aí aproveito e 'conheço' seus pais, pode ser?"

Eu devo ter feito algum movimento, ou até mesmo concordado oralmente, porque ele me beijou mais uma vez antes de voltar as mãos para a minha cintura e nos afastar. Eu estava completamente sem chão.

Andamos mais devagar voltando para a feira, mas sentia minha pele tão quente que falei que ele poderia voltar sem mim enquanto eu passava uma água no rosto e pescoço. Para a minha surpresa, dei de cara com Alice se encarando no espelho.

"Você tá bem?" Foi sua primeira pergunta. Seus olhos azuis pareciam preocupados.

"Estou sim. Só um pouco de calor." Respondi ligando a torneira e sentindo a água gelada amornar no meu rosto.

"Certo." Sua voz era sarcástica, e eu a encarei pelo espelho, foi impossível não rir junto.

Tínhamos nos aproximado essa semana por conta do trabalho, assim como ela e Edward. Eu ficava feliz que ela não se sentia mais tão desconfortável na minha presença. Ela me mostrou fotos de seus amigos em Londres e de como queria que um dia eles viessem para cá, ou que ela voltasse. Perguntou um pouco sobre mim também, e eu respondi a sua excitante vida de Forks. Alice era bem diferente de Angela, talvez porque - como tinha me dito - se dava melhor com amigos homens. Mas eu gostava de sua companhia.

"E você?" Perguntei tentando mudar de assunto. "Nervosa?"

"Deu um pouco de nervoso agora." Alice riu nervosa. "Mas ainda tem seu primo pra se apresentar."

"Argh."

"Ah, vai. Ele nem te incomodou essa semana."

"É, acho que sim. Deve ser a Jess." Fiz uma voz engraçada e ganhei uma risada de volta.

"É, ela pode ser irritante. Tinha que ver ela no ensaio..."

"Ela foi no ensaio?" Perguntei incrédula.

"Foi algumas vezes. Angela até apareceu com ela uma vez. Elas são do mesmo grupo, não é?" Confirmei com a cabeça. "Não ouvi muito, mas elas iam fazer o trabalho depois."

"Acredita que Jasper está na sala do Edward em biologia?"

"Você disse pelo menos três vezes isso."

Seguimos de volta ainda fazendo comentários, e eu tentei distraí-la para não ficar tão nervosa. Queria realmente que ela fosse bem, mas sabia que seu medo era mais por estar na frente de pessoas desconhecidas que insegurança de tocar uma música que ela já estava acostumada. Tinha me dito que seu melhor amigo ficou muito orgulhoso de sua decisão, e que tinha falado de mim e de Edward para ele. A amizade deles era realmente muito bonita, e eu conseguia me ver assim com meu próprio namorado. Acima de tudo, um amigo.

(...)

"E ela fica tão concentrada! Como consegue tocar daquele jeito? Eu iria errar todas as cordas com certeza."

"Notas." Ele me corrigiu.

"Isso também." Concordei. Edward gargalhou.

Alice tinha sido ótima. Era como se nem estivesse ali. A música era calminha, mas com um ritmo que todos aproveitariam. Edward até mesmo pareceu entrar no clima quando passou uma mão na minha cintura e me deu um beijo na bochecha. Foi o momento mais calmo que tivemos desde a pequena sala no primeiro andar.

Quando estávamos já desmontando a barraca, dividimos quem levaria o que para casa e fizemos nosso caminho. Edward comentou no carro como ela tocava bem, e era verdade. Eu nunca tinha visto ela tocar pessoalmente, e fiquei com vontade quando a vi tão serena. Estava realmente feliz por ela. Então não consegui calar a boca. Nem mesmo Angela pedindo para que eu a encontrasse no fim de semana acabou com meu humor.

Eu a estava evitando, e já não era por Jessica. Os comentários estavam ficando mais agressivos, e eu não queria escutar o que tinha a dizer. Pedi para que guardasse para quando pudesse dividir com Jess. Então ela mudava o assunto e insistia em saber o que eu e Edward já tínhamos feito, isso durante a semana, já na sexta ela havia desistido de até puxar assunto comigo na aula que não fosse cordial. Eu sabia que alguma hora esse assunto rolaria, mas eu não me sentia a vontade dando detalhes. Acho que ela notou e deixou o assunto de lado.

Edward tinha começado a rir me vendo animada por Alice e falando que eu podia pedir algumas aulas para ela. Eu apenas gargalhei e senti sua mão em minha perna. Novamente todo o meu corpo esquentou. Era um toque tão bobo em minha coxa, mas que me fazia ter pensamentos extremamente irracionais.

"Quer beber alguma coisa?"

"Tanto faz." Respondo, mas ele não faz uma cara satisfeita. "O que você for beber."

Edward pega dois copos e enche de coca-cola. Por algum motivo ele sorri quando me entrega ainda me observando. Se não o tivesse visto colocar a bebida no copo e o conhecesse, acharia que estava envenenado. Ou algo do tipo. Ou eu só me sentia um pouco eufórica de estar em sua casa, e estava começando a ficar paranóica.

A casa era grande e clara, espaçosa. Em comparação a minha parecia maior, mas era realmente o tom de branco e gelo que davam o aspecto de ser mais arejado. A entrada dava espaço para uma escada, mas dava para ver que existiam espaço para a direita, assim como a esquerda com uma abertura para a cozinha. Como uma casa espelhada. Fiquei admirada.

"Vem, vou te mostrar o resto da casa." Disse depois de beber mais um pouco do próprio copo. Seus lábios ficavam mais vermelhos e eu tinha certeza que estariam gelados. Tomei um gole para não me impulsar contra ele.

"É linda, e tão arejada." Comentei sincera.

"Porra, arejada?" Edward riu.

"É, porque parece espaçosa e aberta por conta das tonalidades."

"Hm."

Ele continuou o caminho com a mão na minha. Não estávamos com os dedos entrelaçados, parecíamos mais duas crianças que namorados. Mas eu gostava assim.

"Essa é a sala de estar."

Uma televisão grande contraponteava com um sofá mostarda e alguns móveis em cor rútilo - um marrom bem escuro. Era adorável. Não muitos quadros, apenas algumas fotos davam todo o clima 'clean'. Assim como o espaço que eu já tinha visto. De repente o sofá me pareceu muito tentador. Minhas pernas estavam cansadas, e eu só queria ficar abraçada com ele, como ficamos em minha casa.

"Vamos sentar um pouco?" Perguntei, ele pareceu um pouco surpreso, mas não hesitou em escorregar ao meu lado. "Nossa, minhas pernas parecem que vão ceder a qualquer momento."

"Que preguiçosa." Ele brincou passando o braço por meus ombros.

Edward ligou a TV, mas eu parecia muito alerta de cada movimento nosso tão perto um do outro. O que me fez pensar que estávamos sozinhos em sua casa. O refrigerante acabou e eu me estiquei para colocar o copo na mesa, meu braço esbarrou em sua perna e apenas essa besteira fez meu estômago virar. Quando voltei, ele estava me observando com um olhar diferente, sério, mas não bravo. Eu não conseguia desviar, e nem a minha mania de falar alguma coisa para disperçar o momento desconhecido me ajudou. Mas Edward apenas virou a cabeça o bastante para pegar meus lábios nos seus.

Gelados. Com gosto de coca. Como na primeira vez.

Não realmente a primeira vez, mas nosso primeiro pequeno encontro, quando nos beijamos de verdade. Senti arrepio atrás das minhas orelhas. Ele deve ter desligado a televisão em algum momento que eu estava muito distraída com sua língua na minha porque eu só conseguia escutar os estalos de nossas bocas. Como de tarde, Edward parecia ter mais vontade. Assim como eu, cansado de toda a provocação, estava buscando por mais. Por isso me deixei levar quando ele desceu os beijos para o meu rosto e pescoço. A posição estava estranha, porém.

Logo Edward empurrou seu torso em minha direção e eu fui caindo para trás. Senti sua mão no meu tornozelo antes de arrancar meus tênis. Agradeci mentalmente que não tinha colocado a meia branca com coraçõezinhos, mas sim uma colorida e listrada. Não que uma fosse melhor que a outra, mas parecia menos infantil. Então os pensamentos tomaram seu rumo para fora da minha cabeça. Edward estava completamente deitado em cima de mim, e eu sentia nossos corpos encostarem em todas as partes.

Assim era melhor, eu conseguia sentir nos meus dedos sua nuca, cabelo e fazer aquilo com a unha que ele me agradece com mais beijos e passeios de mão. Quando senti seus dedos apertarem em minha perna e a afastarem para o lado, meus pulmões sentiram falta de ar. Me sentia formigar em todos os cantos.

"Seu cabelo cheira bem." Ele murmurou de repente, ou pelo menos eu tinha pensado que era isso.

Seu cheiro era ótimo também. Era diferente do meu, mas não era sujo. Não parecia ter perfume, mas algo definitivamente que não era apenas sabonete. Talvez o desodorante. Passei a mão na parte de trás de seu braço sentindo tensionar, os músculos eram macios e rígidos e eu me perguntei se por baixo da blusa ele também era assim.

"Sabe o que eu separei para hoje?" Não sei o que me fez perguntar, mas eu senti que ele podia saber.

"Hm..." Edward murmurou, ocupado demais com o meu pescoço. Quase me esqueci do que falava se ele não tivesse me olhado esperando.

"Aquela blusa de renda."

Edward murmurou algumas dúzias de palavrões, o que me fez querer rir. Mas não tive tempo, porque impulsionou contra mim, e eu pude sentir sua rigidez contra minha perna. Eu não era idiota, eu sabia o que acontecia quando ficávamos assim. Sabia como eu ficava muito bem. Mas nunca tinha sentido ele, ele. E agora era realmente real... e estava contra a minha perna.

Um pequeno desespero do que fazer a um desejo imensamente grande de me empurrar para cima me consumiam. Eu estava confusa e cheia de vontades novas. Em vez disso um barulho sai da minha boca e eu aperto seu braço.

"Merda, desculpa." Edward falou se colocando um pouco de lado. Minha vontade era de puxá-lo de volta, mas tinha medo de dar algum sinal errado. Eu continuei calada e ele respirou fundo. Pude ver suas bochechas levemente coradas e pensei que as minhas mão deviam estar melhores. "Mas porra, Isabella, você não pode me falar essas coisas... em momentos assim."

"Desculpa." Minha voz saiu pequena.

"Não, tudo bem." Ele me beijou rapidamente, e afogou seu rosto na bagunça que meu cabelo devia estar. "Só vou demorar um pouco mais no banho..." E riu.

"Hmmm..." Finquei meus dentes em seu ombro por cima da blusa. "Agora você que não pode falar essas coisas pra mim."

"Ué, é só você demorar no banho depois na sua casa." Senti seu peito vibrar com a risada contra o meu.

Permaneci calada porque eu queria que aquilo fosse verdade. Em vez disso alcancei sua boca de novo e o beijei mais firmemente, querendo que o clima voltasse. Não que tivesse ido embora, só desejava que minha mente desligasse novamente. Edward parecia ter as mesmas idéias porque puxou meu joelho para sua cintura e nossos jeans se encontraram. A sensação era boa e ruim, eu precisava me distrair, e saber mais.

"Você, hmmm..." Mais beijos no pescoço, sua mão estava acariciando minhas costas por baixo da blusa e minha pele parecia ficar extremamente febril, apesar de arrepiada. "demora no banho sempre?"

"Como assim sempre?" Perguntou achando seu lugar - e meu também - preferido, entre a minha orelha e pescoço. Sua boca abria e fechava na minha pele, e sugava e eu tinha que me concentrar no que estava falando. "De manhã, geralmente." Finalmente respondeu no meu ouvido.

"Todo dia?"

"Mhmm..." Murmurou achando minha boca e apertando minha perna. Eu podia ficar ali para sempre. "Você não?"

Eu demorei a decidir a dar a resposta. Na verdade eu nem sabia o que responder.

"Hein?" Edward queria a resposta. Claro que queria. As vezes ele conseguia ser um garoto típico. Eu não o culpava, até gostava, até porque não era nenhuma menina extraordinária.

"Na verdade não."

"Nunca?"

"Não mais."

"Por que não?" Seu rosto parecia confuso enquanto ele afastava o cabelo do meu rosto.

"Às vezes eu não consigo... Hmm..." Meu olho focava em todos os lugares menos nele, entretidos demais com a gola da camisa. "E aí eu acabo desistindo e vou dormir. E de manhã eu já esqueci." Encolhi os ombros esperando sua resposta. Se antes eu pensava estar corada, agora deveria ser uma pimenta gigante.

"Sério?" Perguntou incrédulo, mas sério e voltou atenção a minha orelha. Falou algo como querer ter controle como eu, mas eu podia estar enganada. Até porque controle era a última coisa que eu tinha. "Nunca?" Neguei com a cabeça novamente. "E não fica com vontade?"

"Agora falando, eu estou." Confessei com o rosto enfurnado em seu pescoço. Peguei a vantagem para fazer o mesmo que fez com o meu. A ponta da língua traçou a pele sensível e tão quente quando a minha e ele grunhiu. O grunhido que me deixou louca.

Seu joelho encontrou o meio do meu jeans e eu suspirei, sem controlar o impulsionar do meu quadril. A sensação só me estimulou ainda mais. Edward também se ondulava contra mim e sussurrava algumas coisas incoerentes. Senti minha blusa subir e sabia que minha barriga devia estar exposta. Sua mão estava conhecendo toda a minha pele.

"Posso...?"

"Hmmm..."

Não respondi porque o senti cobrindo meu seio por cima do sutiã, e de leve apertando. A urgência de sentir sua língua na minha e em qualquer lugar estava gritando. O beijei esbarrando dentes enquanto nossos movimentos cresciam.

"Você quer que..." Eu estava surpresa com toda a nossa eloquência.

"Que o que?"

"Que eu te toque." Eclaresceu. Edward era atenuante, e certas horas eu gostava isso nele, bastante até, porque eu me polpava de perguntar e me sentir chata e insegura como meninas chatas e bobas com seus namorados lindos e seguros.

"Quero." Respondi assentindo fervorosamente.

Paramos por um momento e nos encaramos. Era um passo a frente, em nosso relacionamento, na minha vida, experiência. Eu sabia o que queria, sabia que ele faria tudo melhor. Também queria que em algum momento eu o fizesse se sentir tão bem.

"Me... me mostra. Merda." Ele tentou se corrigir. "Me mostra como você gosta."

Edward parou a mão exatamente no osso do meu quadril. De jeito maneira eu iria tirar minha roupa no meio da minha sala, mas eu sabia que as roupas não precisavam serem todas tiradas para isso. Ficamos nos encarando enquanto escutamos o barulho do botão e do zíper. Coisas tão simples que pareceram ter um eco tremendo dentro da casa, assim como a minha mão quando pousou na dele.

Virei o rosto para ver sua expressão e ele me beijou, assegurando que estava tudo bem enquanto eu agradecia por fazer isso. Seu corpo ficou um pouco mais de lado para que eu pudesse me ajustar até que eu consegui que ele encostasse a ponta dos dedos em cima da minha calcinha. Meu impulso foi levantar o quadril de encontro a sua mão.

"Assim." Instruí com movimentos de indas e vindas, sabendo que ele podia sentir o quão excitada eu estava. Então os fiz circular os dedos e tive que morder o lábio para não gritar quando pressionou um pouco mais. "Menos pressão."

"Desculpa."

"Tudo bem." Nossas palavras saíram rápidas, mas os movimentos não cessavam.

Logo o deixei continuar sozinho, beijando seu pescoço e ondulando meu quadril contra a sua mão, aproveitando a sensação de arrepio e desejo que me trazia. Edward mesmo parecia concentrado e gostando tanto quanto eu. Prendi meus braços em seu pescoço e minha língua ditava em sua boca a velocidade que ele levava lá para baixo. Eu estava chegando no ponto que sempre algo me interrompia, mas Edward não parecia que iria parar, minha respiração estava ficando entrecortada, e os sons que saíam da minha boca eram incontroláveis.

"Um pouc-co... mais rápi-pido."

"Deus." Ele murmurou rouco no meu ouvido, mandando calafrios por toda a minha espinha.

Foi então que senti calor, e um gemido sair de mim sem igual. Minha barriga se contraiu e minhas pernas estavam realmente sem função. Meus ombros travaram, meus olhos apertaram até que eu relaxasse por completo buscando por fôlego, com apenas meu coração martelando incessantemente. Me sentindo muito sensível, com os movimentos de Edward ainda um pouco lentos, pousei minha mão na sua e abri o olhos, encontrando-o me observando atento.

"Você..." Eu entendi sua pergunta e assenti antes de lhe agradecer com um beijo.

Ele não demorou para estar em cima de mim novamente, e dessa vez eu quem jogou a perna em volta se seu corpo. Seus movimentos eram mais rápidos e sua boca não deixava meu rosto, pescoço, colo...

"Porra, aquilo foi... argh." Ele grunhiu quando arrastei as unhas em seu couro cabeludo.

Já não sentia meus lábios quando nos beijamos novamente. Mas pouco me importava com isso. Foi então que escutamos um barulho fora de nosso mundinho, sacolas caindo no chão e uma bufada. Meu coração parou no mesmo instante.

"Ah, Edward. No meu sofá não." Esme disse da entrada da sala.

Ai. Meu. Deus.