Amei a resposta do capítulo anterior!

Para alguns que perguntaram: sim, eu demoro um pouco para postar. Talvez até seja uma frequência mensal, mas é o que eu estou tendo tempo no momento.

Espero que gostem desse, mais uma Nota no final, por favor leiam!


.

Capítulo 12 - Sweet Like Cotton Candy.

BPOV.

Ai. Meu. Deus.

Ai meu Deus!

AimeuDeus!

Eu tinha duas opções; me encolher ainda mais com o pensamento positivo de que o sofá me engoliria até a próxima encarnação, me poupando de toda uma onda de desculpas e meu rosto parecendo estar em chamas, OU me fingir de morta. O que Edward sentiria ser mentira, porque meu coração estava pretendendo sair do meu peito. Apertei os olhos desejando estar em casa, em minha cama, sonhando - ou tendo pesadelo, nesse caso. Porém, um bufado me tira de meu mundo imaginário - com duração de segundos.

"Vou deixar essas compras na cozinha. Seu pai não vem jantar em casa, então não vai reclamar da comida que comprei." Ela continuou falando. "A menina se quiser pode ficar, é bem vinda. Mas falo sério quando digo que meu sofá é local proibido, você tem seu quarto Edward."

Eu podia vê-la quase rolando os olhos, se eu estivesse com os meus abertos, e Edward grunhiu ainda com o rosto em meu ombro. Quando o barulho dos sapatos já estava longe, ele apoiou-se em seus cotovelos para voltar a sentar no sofá como um garoto comportado. Ainda paralizada, chocada e mortificada, fiquei como uma estátua amassada esperando algum sinal de vida dos meus neurônios.

Tentando processar tudo que tinha acabado de acontecer, minha primeira reação foi olhar para Edward. Ele estava aborrecido. Eu podia ser uma menina chata e pensar que ele não queria me apresentar para os pais dele, mas a frieza com que sua mãe levou tudo aquilo, me dizia para eu não pensar tão infantilmente. Até porque o risco era de eu levar outro fora de Edward. Sabia de onde ele tinha herdado o jeito brusco e impaciente, pelo menos.

Lentamente senti meus movimentos racionais de volta. Fechei o zíper da calça, ajeitei a camisa e sentei. A televisão desligada refletiu o ninho que meu cabelo se apresentava, então enrolei ele em um coque gigante. Meu cabelo realmente estava muito comprido. Edward permaneceu em silencio com os cotovelos apoiados nos joelhos e a cabeça baixa. Parecia murmurar algo para si quando pus a mão em seu ombro e sua cabeça rapidamente virou para me olhar.

"E essa é Esme Cullen." Edward murmurou ainda com os olhos fixos no chão. Parecia cansado. Eu ainda estava mortificada e não sabia o que falar.

"Bela maneira de eu me apresentar." Assim que terminei minha frase ele fez uma careta e um barulho. "Acho melhor eu ir pra casa, né?"

Por favor. Eu só queria me enterrar no travesseiro e esquecer tudo que aconteceu. Talvez nem tudo.

"Isabella," Seu tom estava combinando com sua sobrancelha arqueada. "minha mãe é a última pessoa que vai ligar para o que fizemos aqui. Ela está preocupada com o sofá, só isso."

"Mas Edward, ela viu a gente... ela me viu..." Expliquei fazendo movimentos com as mãos.

"Eu não nasci por um milagre, Isabella. Ela sabe como funcionam as coisas." Edward zombou como se não fosse nada demais. Eu estava perplexa. Ele levantou estirando a mão na minha frente. "Vamos, por favor."

Seu quarto parecia mais espaçoso que o meu e bem mais organizado. A cama era de casal, porém, o que me deixou com cócegas no estômago. Então meu rosto pegou fogo com as lembranças, e eu morri. Não, na verdade só senti o ar faltar um pouco enquanto Edward foi ao banheiro.

Uma escrivaninha com lanterna e alguns cadernos ficava adjacente a cama, e parecia seu lugar de estudo - ou pelo menos eu pensava que sim. Para a minha surpresa uma página com nomes de músicas e bandas estavam listadas com a sua caligrafia, e uma possuía asterístico do lado; 'Still' Matt Nathanson. Talvez ele não tivesse achado a música para download. Tentei gravar o nome para procurar e de repente enviá-lo depois. O resto era um pouco mais conhecido, 'Nickelback', 'Fall Out Boys', entre outros.

A porta abriu e eu me virei abruptamente, como se tivesse feito algo errado. Edward estava mais... composto. Mordi minha bochecha percebendo que ele vinha em minha direção com passos rápidos e tentei buscar em seu rosto o motivo da preocupação franzida entre seus olhos. Em vez de falar, ele me beijou. Tão macio e lentamente que pensei que fosse desmaiar. Era a primeira vez que ele abraçava meu corpo enquanto me beijava tão sofregamente. As emoções cresciam no meu peito, e meu coração batia muito forte. Desejei por um momento poder sentir o seu, e o motivo disso tudo.

"Ela vai falar alguma merda." Edward assegurou quando nos afastamos.

"Quem? O que?"

"Minha mãe." Esclareceu. "Não de você. Ela tá pouco se fodendo para o que a gente faz ou deixa de fazer, contanto que eu não os perturbe..."

"Não acho que seja..."

"Shhh, deixa eu terminar." Pediu pressionando o polegar na minha boca. "Eu não me importo, eu só espero que não seja tão escrota na sua frente. Esme é assim, ela gosta de criticar meu pai quando ele não está."

"Edward."

"Isabella, só me diz que entendeu, ok? Eu to tentando me desculpar antes que ela abra a maldita boca."

"Tudo bem."

"A gente vai ter nosso encontro, tá bem?"

"Você sabe que eu não ligo pra isso, não é?"

"Sei." Beijo. Sorriso lateral. Assim estava melhor.

Esme parecia ainda mais nova quando estava vestida casualmente. Talvez fosse o coque no alto da cabeça, e os poucos fios caramelados escapando pelos lados, ou porque ainda não tinha tirado a maquiagem. Seus olhos verdes, no mesmo tom dos de Edward - lembrar de agradecer a genética -, estavam contornados por lápis escuros. Seus longos cílios quase chegavam a encostar nas sobrancelhas. Ela se aproximou com o jantar - macarrão com queijo - e suspirou se colocando na cadeira à nossa frente, do outro lado do balcão.

"Seu pai só deve chegar mais tarde, então achei que pudesse trazer o jantar dessa vez."

"Hm." Foi a resposta de Edward após dar uma garfada.

"Isabella, não é?" Me perguntou fazendo gesto com o talher.

"Bella." A correção foi automática, mesmo que Edward não aderisse esse apelido.

"Bella. O pai dele como é médico só traz comidas saudáveis - sem gosto." Revirou os olhos. "Então quando tenho tempo trago algo mais normal para comermos."

Olhei para Edward que ainda fixava seu prato, e voltei para Esme que tomou um gole de seu vinho me olhando.

"Mhmm..." E repeti o gesto do garfo cheio de Edward. Funcionou melhor do que eu esperava.

O jantar continuou em silêncio. Esme não perguntou sobre a feira, ao contrário da minha mãe que eu sabia que faria assim que me visse. Além de reclamar do horário que eu estaria chegando. Por isso, assim que acabamos de comer, peguei minha mochila e Edward me levou para casa. Estava já bem escuro quando ele desligou o carro.

"Podia ter sido pior." Disse parecendo aliviado.

"Você vai ficar bem?"

"Hm?" Edward virou o rosto parecendo distraído. Peguei sua mão e apertei.

"Vai ficar bem com sua mãe em casa?"

"Está sugerindo que eu fique na sua?"

"Edward."

"Porra, Isabella. Eu estou acostumado." Falou baixinho e rindo, apertando minha mão. "Fiquei mais preocupado com você."

"Você fica chateado que eles se tratem assim?" A pergunta saiu antes que eu pudesse impedi-la. Mas Edward não pareceu aborrecido.

"Quem não ficaria? Eles um dia se tratam melhor, cordial na minha frente pelo menos, e no outro estão se esfaqueando pelas costas." Exalou forte. "Eu nunca quis me meter nessa guerrinha que eles ficam, mas tenho certeza que só se mantém casados por minha causa."

"Como assim?"

"Acha mesmo que se eu não tivesse nascido eles teriam se casado?"

Apertei os olhos e reprimi um sorriso, antes de esticar buscando sua boca na minha rapidamente.

"Relaxa." Me garantiu. "Vou ver se tem algo legal para a gente fazer amanhã ainda."

"Tudo bem."

"Me liga quando for dormir." Murmurou enquanto pegava minha mochila. "Ver o que sua mãe falou..."

"Pode deixar."

Essa sim seria uma batalha. Em casa, sem telefonemas até a essa hora. Não queria nem pensar.

(...)

"Não falou nada?"

"Nadinha."

"Mas tem o brunch amanhã."

"Isso. Às dez e meia."

"Porra, quem comemora aniversário com um brunch?"

"Aparentemente o pai do peste."

"Faz sentido, eu acho."

"Minha mãe iria te chamar para vir de qualquer forma."

"É bom que a gente acaba logo com isso."

"E temos tempo para fazer alguma coisa depois, se você quiser..." Minha voz pareceu incerta porque eu não sabia, de repente, se ele ainda iria querer o encontro. Claro que eu não me importava se fôssemos apenas da uma volta de carro, mas a sua persistência de me levar a algum lugar tinha me deixado animada. Edward podia ser fofo, mesmo com todos os palavrões.

"Claro, Isabella." Aí vem de novo o tremor cada vez que ele diz o meu nome. Meu rosto esquentou na mesma hora. E um pensamento leva ao outro...

"Não foi esquisito, foi?"

"Huh?"

"Hoje. Mais cedo."

"Com a minha mãe?"

"Não. O que fizemos..."

"..."

"Nada, esquece."

"Não foi esquisito." Sua voz era tão baixa.

"Oh."

"Você achou esquisito?"

"Não!"

"Gostou?"

"Gostei..." Minha voz envergonhada de novo. Como não ficar?

"Eu também."

"Mas você não..."

"Não." Ele riu em seguida. "Mas não tem problema."

"Você, hm... tomou banho?" Minha curiosidade estava solta e parecia não querer parar de sair da minha boca. Escutei Edward rindo de novo e minha barriga fez uma reviravolta com o som.

"Tomei, Isabella." Meu suspiro foi alto o suficiente.

"Ok."

Não demorou para Edward bocejar e nós termos que nos despedir. Ainda fiquei horas rolando na cama relembrando o dia e sorrindo bobamente. Então aproveitei que ainda estava bem desperta para procurar a música em seu caderno. 'Still' Ainda demorou algum tempo para que eu achasse, porque não conseguia me lembrar o segundo nome do cantor, mas enfim adormeci com as letras rondando minha cabeça.

"Still can feel you kiss me love
Still can see your eyes like diamonds, diamonds
Memories are strong enough
To come on and drive me wild.
"

(Ainda consigo sentir seu beijo de amor
Ainda consigo ver seus olhos brilharem como diamantes, diamantes
Memórias são fortes o bastante
Para virem e me levarem a loucura)
.

(...)

...E longe, de fundo, no que parecia uma praia, risadas e uma música tocava.

"Como você fez isso?" Mais risadas.

"Segredo."

"Você por um acaso é mágico?"

As vozes estavam mais próximas, e em uma tentativa de virar, eu sinto meu rosto ser esmagado em alguma coisa não muito macia.

"Ai."

"Ih, ela acordou."

"Ah, você está ai, né?" A voz da minha tia me surpreende. Eu tento abrir os olhos e percebo que ela o tira do quarto, e Edward está sentado perto o suficiente para que seja o tal 'objeto' que eu bati de rosto. E Ethan estava saindo do quarto com a minha tia, que não sai sem antes dar uma piscadela e um sorriso para mim.

Droga! Então lembrei do brunch e de que não tinha colocado nenhum despertador. Edward está olhando para o meu rosto, que não deve estar nem um pouco agradável, e sorri.

"Que horas são?" Minha voz também não está das mais doces.

"Quase onze."

"E ninguém veio me acordar?" Arregalei os olhos e puxei a coberta até o meu nariz, com medo de Edward sentir meu incrível hálito matinal.

"Algumas vezes."

"Você está aqui a muito tempo?" Então a ficha finalmente caiu. Ele estava há sei lá quanto tempo na minha casa sendo assaltado por meus familiares e eu aqui dormindo. "Ai meu Deus! Desculpa!"

"Tira essa porra da cara." Edward riu tentando puxar o edredom. A manhã estava fria, dormir apenas de camisola não foi inteligente.

"Calma." Olhei para a porta do banheiro por algum motivo e pedi com os dedos um minuto antes de pular da cama para o banheiro.

EPOV.

Assim que Isabella pulou da cama, por breves segundos sua camisola infantil descobriu seu corpo. As pernas ficaram super à mostra e eu só pude engolir seco vendo o mínimo de short que ela usava por baixo. Mais como uma calcinha.

Merda. Sacudi a cabeça e olhei para cima lembrando das palavras da Sra. Swan, hmm... Renée.

(...)

"Oh, entre Edward." Sra. Swan pediu depois de me cumprimentar com dois beijos no rosto. Ela parecia o oposto do que Isabella vinha dizendo, mas tentei falar o menos possível.

A casa estava com o aquecedor ligado e pessoas andavam por todos os cantos. Estava mais frio hoje, e todos usavam suéteres. Podia ser uma merda para o que eu tinha planejado fazer com Isabella depois, era só esperar que não chovesse.

"Desculpe te atender assim, mas Isabella ainda está dormindo e eu não parei nem um minuto, ainda estou na cozinha. Espero que não se importe."

"Não, tudo bem."

Sr. Swan veio na minha direção com Ethan no colo e me deu um aceno de cabeça. Ethan explicava como o time de futebol tinha um importante campeonato e eu tive que rir com sua animação. De segundos em segundos ele mudava de assunto. Sentia que algumas pessoas olhavam em minha direção, inclusive Jasper que estava em um outro canto com um cara que parecia seu pai, mas resolvi não dar atenção.

"Querido, por que não vai com Ethan acordar Bella?" Sra. Swan voltou pegando no braço do marido. Ethan desceu do colo e estava em dois segundos já lá em cima.

"Ok, Sra. Swan."

"Renée, por favor. Você e Bella são namorados, certo?" Seus olhos brilharam, foi aí que notei onde havia perigo e curiosidade. Apenas assenti, e ela sorriu. "Então vamos cortar as cordialidades."

Charlie deu um sorriso meia boca e colocou a mão no meu ombro. "A porta..."

"Aberta, pode deixar." Murmurei antes de subir as escadas.

(...)

Encostei na cabeceira da cama e logo depois ouvi o trinco da porta. Isabella veio rapidamente e se jogou ao meu lado.

"Fui escovar o dente." Esclareceu e eu sorri quando ela se inclinou na minha direção para ganhar um beijo. E por um longo tempo não desgrudamos. Ela passou a mão por meu rosto quando deitamos lado a lado, perto o suficiente para sussurrarmos e não sermos ouvidos. "Tem quase uma barbinha aqui." Isabella brincou.

"Não gostou? Quer que eu tire?"

"Não, não. Eu gostei." Afirmou ainda divertida. A porra dos olhos tão grandes pareciam me inflar por dentro. "Parece que você fica mais adulto, de alguma forma."

"Se estiver machucando me fala." Beijei sua palma.

"Não está não."

"Então." Comecei. "Tem uma funfair¹ acontecendo em Port Angeles, se você quiser ir. Acho legal, ao invés de irmos jantar e cinema. Mas se você preferir..."

"Jura?" Seu rosto estava iluminado e eu me contive para não rir da expressão. "Super concordo!"

"É, meu pai chegou de viagem, disse que pegou trânsito porque os caminhões de montagem estavam bloqueando uma das ruas, aí eu vi o folheto." Tateei meu bolso e mostrei a filipeta.

"Ai, vai ter algodão doce, e pescaria, e brinquedos!" Isabella me agarrou nesse momento e eu não aguentei, e gargalhei. Mesmo de manhã aquela porra de seu perfume ficava em sua pele. Passei a boca em seu pescoço e me afastei.

"Tá um pouco frio, mas acho que vai ser legal. Não deve chover não."

"É, eu vou separar minha roupa e a gente pode ir logo depois do brunch, que aí dá tempo de a gente se divertir bastante e não chegar em casa tarde. Até porque amanhã tem aula, e minha mãe reclamaria." Seus olhos se arregalaram e sua mão tapou a boca. "Ai, meu Deus! Deixei você sozinho com minha mãe lá embaixo!"

"Ela, hmm... ela até que foi tranquila, Isabella."

"Tranquila?" Ela duvidou. Uma de suas pernas estava descansando sob minha canela, eu puxei seu tornozelo e me aproximei.

"Mhmm. Falou pra eu subir e te acordar."

"Nossa." Foi só o que ela disse enquanto prendia o lábio nos dentes.

Eu sabia que minha cabeça já estava longe de pensar no que sua mãe disse, e o jeito que ela olhava para a minha boca dizia que ela estava tão distante quanto eu. Senti meu nariz apertado contra sua bochecha e seu sorriso arrastando na minha boca quando nos beijamos novamente. Porra, seus lábios eram perfeitos. Com gosto de pasta de dente, tão preenchidos e macios. Era difícil me controlar, especialmente depois de tudo que fizemos no dia anterior. Era só o que eu consegui pensar por horas.

Espalmei minha mão em suas costas e assim tínhamos os corpos colados. Eu podia sentir toda a porra de sua pele contra a minha roupa, e desejei naquele instante estar no verão e sem nada para atrapalhar nosso contato maior. Isabella apertou o polegar contra meu lóbulos enquanto arrastava as unhas atrás em meu pescoço, e me custaram alguns minutos e uma lembrança que estávamos de porta aberta e com seus familiares logo no andar de baixo para nos afastarmos devagar. A coloração das suas bochechas me fez rir por um instante, era ridículo como eu gostava dessas pequenas coisas.

"Acho melhor a gente descer." Ela comentou. A alça de sua blusa tinha escorregado e dava a visão perfeita do sombreamento de seu mamilo. A mesma que eu senti contra o meu polegar antes de subir para o tecido e ajeitá-lo. Claro que eu queria ver mais daquilo, eu sempre queria. E sua pele arrepiando não ajudava as minhas vontades, mas aqui não era lugar.

Ela beijou entre minhas sobrancelhas e levantou sorrindo antes de pegar uma roupa e se trancar no banheiro. Só me restou esperar e me acalmar.

(...)

"Ele está agindo estranho." Isabella sussurrou olhando para Jasper pelo canto do olho.

"Pára de prestar atenção nele, porra." Sussurrei de volta.

"Desculpa." Murmurou sem graça antes de morder o cookie molhado de leite. "Eu fico com medo de que ele apronte alguma."

"Deixa ele pra lá. Na aula ele nem fala comigo, fora que ele está com Jessica aí."

"É, verdade." Concordou, apesar de Jasper estar ignorando completamente a suposta namorada.

Estávamos comendo alguma coisa que nos mantivesse satisfeitos até mais tarde, quando estivéssemos saindo da funfair, e apesar de Isabella ter jurado que iria comer mais, não deixava os cookies e o leite de lado. Era engraçado como seus dedos seguravam com cuidado para não sujar nas gotas de chocolate e o quão concentrada ela ficava. E eu, completamente distraído.

Renée nos olhava com curiosidade, e sorria bastante para mim. Eu percebia que Isabella ficava desconfortável e tentava distraí-la, mas ela apenas revirava os olhos e mudava de assunto. Algumas perguntas de como eu estava na escola, meus pais e planos para a Páscoa Charlie e a mãe de Isabella fizeram, mas eu não me senti desajeitado. O clima era cheio e tranquilo ao mesmo tempo. Ethan chamava quase toda a atenção para si falando algumas palavras trocadas, ou se sujando de geléia.

Depois de uma fatia de torta de maçã, quiche de queijo e suco de morango, decidimos nos despedir e pegar o caminho para a funfair. O frio, por incrível que pareça, deixava seu rosto mais rosado e meus impulsos eram difíceis de controlar para caralho. Mesmo ela se cobrindo por conta do vento, conseguia ainda me deixar querendo vê-la sem nada, senti-la novamente por entre as pernas e devorar sua boca e colo.

Por duas vezes ela começou algum assunto sobre chamar mais alguém para ir em um próximo fim de semana, perguntando a mim se ainda estaria na cidade, e eu simplesmente estava em outro lugar. Era difícil esquecer seus seios agora que estávamos sozinhos.

"Edward, o sinal está aberto."

"Ah."

"O que você tem, hein?"

"Hm?" Olhei rapidamente para seu rosto, e ela tinha os braços cruzados esperando uma resposta. "Nada, fiquei distraído." Isabella respondeu com uma expressão óbvia.

"Já percebi." Murmurou. Eu quis rir, mas me segurei.

(...)

Já era a terceira montanha russa que íamos, e Isabella parecia cada vez ter mais energia no final das voltas. Eu só fazia rir de sua animação e tentava acompanhá-la. Não conseguia lembrar da última vez que tinha vindo a algo parecido e me divertido tanto. Claro que meu primo poderia as vezes me distrair quando eu não tinha nada para fazer, mas Isabella era diferente. E porra, eu não queria que acabasse. Não queria ter que levá-la para casa. Antes que esses pensamentos me atingissem, ela segurou minha mão e parou de andar.

Olhei para frente tentando ver qual era o problema e avistei Angela e Ben perto de uma barraca de jogos. Não demorou para que eles olhassem em nossa direção e Angela viesse correndo, abraçando Isabella pelo pescoço.

"Não sabia que você vinha hoje aqui."

"É, Edward quis me trazer..." Ela respondeu parecendo sem graça.

Ben me lembrava Emmett - não fisicamente. Ele tinha o porte alto, já que jogava na escola, mas não era tão musculoso. E qualquer garota que passava do lado ele rabiscava uma olhada, sem nem ao menos disfarçar de ter a namorada por perto. Eu sei, eu tinha sua idade e reparava sim em algumas garotas, mas não do jeito que ele fazia. Como se esquecesse onde estava ou com quem - como se não importasse. Aquilo me incomodou, mas eu não podia falar para Isabella que não a queria por perto dele.

Um estalo me fez voltar a prestar atenção na conversa delas. "Não deixa, Edward. Ela pinta a unha em um dia, e fica tirando no outro, sem passar nem acetona."

"E que graça tem acetona?" Isabella deu os ombros, e eu não pude deixar de rir. Peguei sua mão e entrelacei nossos dedos. A fila para outra montanha russa estava mais vazia.

"Tá vazio agora, quer ir?"

"Vamos!" Isabella parecia ter se acendido. Mas virou para eles "Querem ir também?"

"Credo! Meu cabelo vai ficar uma zona se eu for em um desses."

"Ai, que fresca, Angela."

Eu a vi abrindo a boca surpresa pela resposta de Isabella, mas antes que pudesse falar alguma coisa, fui puxado para a fila. Ela estava agitada, mas eu não questionei. Quando entramos em um dos carrinhos ela bufou amarrando o cabelo em um elástico.

"Não é como se meu cabelo fosse cair." Resmungou. "E eu só pinto a unha pela diversão de escolher, e depois tirar. Que seja, eu posso pintar amanhã, sabe?" O auxiliar ajudou a fechar os cintos. "Ela só reclama e me critica agora, cheia de frescuras. Como se dois meses atrás não estávamos nojentas depois da Educação Física e ela estava com preguiça de tomar banho. Poxa, eu entendo que ela tem uma nova amiga, mas não precisa se tornar uma metidinha por conta disso." O brinquedo começou a andar, em uma subida lenta. "Também que se dane. Porque eu não mudei com você, mudei? E a Alice é muito legal. Até o Alec, as vezes... Quando ele não"

Seu discurso retórico foi cortado pelo grito que deu quando o briquedo fez a primeira descida. Logo ela estava gargalhando por causa do susto, e assim as merdas que sua amiga tinha colocado em sua cabeça. A tarde passou rápido depois, e ela pediu desculpas por reclamar. Eu respondi que não me importava, e era verdade. Peguei um sorvete e Isabella quis algodão doce - gigante e rosa. De alguma maneira ela convenceu o cara atrás da barraca que ela pudesse fazer o seu.

Estávamos sentados perto da saída comendo os respectivos doces, enquanto ela falava que há muito tempo não comia algodão doce.

"Seu sorvete é de que mesmo?"

"Acho que é chocolate."

"Acha? Não tem certeza?" Perguntou em meio a risadas. Eu sorri avaliando o cone cheio.

"Tem uns pedaços de alguma coisa pelo meio."

"Será que algodão doce com sorvete fica bom?" Olhou entre o sorvete e a bola rosa em sua mão. Levantei minhas sobrancelhas questionando sua sanidade por um momento.

"Porra, que nojo." Reclamei quando ela colocou um pequeno pedaço de algodão em cima do sorvete.

"Experimenta."

"Come você, quem quis isso."

"Mas você come e me diz se ficou bom."

"Por que você não come?"

"Porque..." Ela tentou pensar em algum motivo com um sorriso lindo no rosto. "Porque você é meu namorado e tem que me proteger de coisas ruins."

"Então é ruim?"

"Só vou saber depois que você comer." Deu os ombros. Suspirei alto encarando o sorvete sujo de algodão doce e mordi rapidamente, enquanto ela observava e ria. "Awww, você comeu por mim."

"Esquisita." Falei para ela ainda com a boca cheia. Isabella me deu um beliscão no braço.

"Não me chama de esquisita!"

"Por que?" Ri alto de seu histerismo.

"Porque esquisita é a Jessica e você já disse isso. Não me compare a ela."

"Não estou comparando, porra." Ri ainda mais e a puxei para o meu colo, de lado.

"Quanto palavrão." Brincou de me reprimir apertando meu maxilar entre os dedos, e me beijou sentindo o gosto do sorvete. "Depois dessa coisa toda, eu vou ter que ir lá na sua academia malhar até cair dura que nem naquele dia."

"Ah é?" Perguntei divertido.

"Mhmm." Mordeu meu sorvete. "Se não depois você não me aguenta no colo." Bufei, e ela riu. "Um dia... Um dia você deixa eu te ver treinando?" Seus olhos brilharam assim como suas bochechas em tom avermelhado.

"Pode ir, cara."

"Cara." Riu e revirou os olhos.

"Pode ir, Isabella." Dei ênfase em seu nome quando corrigi e ela mordeu o lábio encarando minha boca. "Só aparecer lá." Sorri.

(...)

"Carros são muito complicados." Isabella falou em minha boca. Era verdade, estávamos na esquina de sua casa quando ela quis se despedir sem ter ninguem na porta de sua casa bisbilhotando. Eu queria colocá-la em meu colo de novo, mas não tínhamos muito tempo. Meu celular começou a vibrar.

"Merda, calma aí." Era minha o nome da minha mãe no visor. Limpei a garganta. "Oi mãe."

"Você está com a chave de casa?" Sua voz era extremamente impaciente.

"Estou, por que?"

"Nada. Não da para ficar em casa!" Gritou como se fosse para alguém de lá. "Vou sair, e não sei se vai ter alguém quando você chegar. Não sei se alguém vai ter capacidade de abrir a porta..."

"Hm, ok."

E desligou. Respirei fundo e vi Isabella aguardando um pouco preocupada.

"Tá tudo bem?"

"Acho que sim." Coloquei uma mão no volante e ela esticou me dando beijo na bochecha.

"Me manda uma mensagem quando chegar em casa, ok?"

"Mhmm." Isabella ainda esperou alguns segundos antes de apertar meu braço e sair. Era bom ter alguém para entender e não pressionar. Só restava ter paciencia e aguentar o que eu teria que ver quando chegasse em casa. E eu não sei se aguentaria ignorar mais.


¹Funfair = Feira de diversões, como um parque. Mas montado as vezes como lonas de circo em variados lugares.

N/A: Não costumo deixar Nota de autor no final, mas tenho que explicar por quê demorei tanto dessa vez.

Eu tenho trabalhado bastante, então fiquei com alguns horários completamente bizarros. Fora aniversários, etc. Vou fazer o possível para não atrasar mais tanto e fazer uma frequência de 2 em duas semanas, intercalando com a nova fic - já aberta aqui no ffnet - 'Vicious Wonderland'. Mas não posso prometer.

Esse capítulo parece ser bestinha, mas vai acarretar acontecimentos. Estamos já chegando no ápice, e tenho mais ou menos de 5 à 7 capítulos para terminar. Então fechamos essa.

Capítulo 13:

Uma chateação;

Um beijo roubado;

Uma suspensão;

Um amasso.

Quais são suas apostas? :D

Obrigada pela companhia e paciência. Espero que tenham gostado! :)