Eu sei, eu sei.

Me perdoem por tudo.

Ou perdoem ao menos os meus bichinhos.

Obrigada a todas que leram 'Italiano', e começaram 'Vicious Wonderland'.

etc etc etc

Obrigada, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, e obrigada.


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Capítulo 15 - Sun.

BPOV

Mal podia acreditar no que meus olhos viam. Ou melhor, no que meus ouvidos escutavam. Depois de não sei quantos anos, todos sabiam que o Forks High preferia investir em uma viagem para os alunos do último ano, que para uma festa que teriam menos estudantes que adultos de meia idade. Mas não, foi apenas Jessica chegar e implantar a ideia, que já tínhamos data e hora para o acontecimento. Não só o terceiro ano, mas todos do High poderiam entrar.

Como ingresso, era necessário apenas um alimento não perecível - que seria doado para a igreja local. Jasper parecia tudo menos confortável ao seu lado tentando dar apoio. Mas no final ele explicou que a professora de música tinha gostado de sua apresentação, e que ele e sua banda entrariam nisso. Os olhos fixos em Alice, que fingia ver algo muito interessante em suas unhas cortadas.

Quando eles saíram, eu ouvi os grunhidos atrás de mim. Algumas meninas simplesmente não gostavam dela, e outras apenas a toleravam porque seu possível namorado tinha o que chamavam de "charme de bad boy". Rolei meus olhos no final e virei para Alice que ainda parecia desinteressada com tudo.

Eu não sabia como me aproximar de Alice dessa forma. Cada vez que ela beliscava a manga do casaco com a unha, eu sentia o impulso de perguntar o que estava acontecendo. Foi quando estávamos indo para o refeitório que ela me empurrou de leve com o cotovelo.

"O quê?"

"Huh?"

"O que foi que você abre a boca para falar duzentas vezes, desiste e fecha?"

"Nada." murmurei sem graça. Ela arqueou as sobrancelhas duvidando. "Você está agindo estranha, eu não sei como perguntar sem parecer esquisita." desabafei e ela riu baixinho.

"Nada demais. Estou pensando nos planos para as férias de verão."

"Ah, sim. Você disse que estava pensando em ir para Londres, certo?"

"Acho que sim."

"Ah, vai ser legal ver seus amigos por algumas semanas." incentivei.

"Mas minha mãe fez uma proposta..." voltou a falar depois de sentarmos. "Disse que eu poderia voltar a estudar lá, se morasse com a minha avó e viesse visitar nas férias e tudo mais. Já que só tenho mais um ano até me formar, e a faculdade eu quero fazer lá de qualquer forma..."

Eu não sabia o que dizer. E por sua expressão, ela também não sabia o que esperar.

"Sério?" minha voz parecia de outra pessoa. "Meu Deus! Quero dizer, eu estou feliz por você. Sei o quanto queria voltar, mas eu vou sentir sua falta!"

Fiquei histérica e não consegui controlar as poucas lágrimas que vieram aos meus olhos. Talvez a mistura de saudade que eu estava do Edward, ou a tpm - leve, graças ao remédio que eu já tomava há algum tempo - estivessem ajudando, mas eu realmente sentiria falta da amizade fácil que eu tinha com Alice.

Surpreendendo à nós duas, eu a abracei forte. Alice era uma boa amiga, livre de preconceitos, e em seu próprio mundo. Apesar das inseguranças como qualquer outra garota, suas palavras de conselhos eram as melhores.

"Vem comigo." puxei sua mão em direção ao estacionamento.

"Não acho que a gente possa sair da escola, Bella." riu nervosa.

"Mas eu quero cookies, vamos, a gente volta antes da próxima aula."

(...)

"Posso fazer uma pergunta?" falei com a boca cheia de biscoito. Alice assentiu do mesmo jeito. "Você falou isso para Jasper?"

"De me mudar?"

"Sim."

"Falei."

Arqueei as sobrancelhas surpresa enquanto tomava o milkshake. Não sabia se ela iria continuar falando, mas esperei do mesmo jeito.

"Ele não disse nada. Agiu como se eu não estivesse nem falando com ele."

"É uma mula, mesmo!" bufei.

Terminamos de comer em silêncio. Cada uma com suas conclusões.

"Você gosta dele, Alice?"

"Não sei, Bella. Ele é confuso, não quer lidar com gostar de alguém, típico bad boy de escola que prefere deixar a reputação em primeiro lugar. Eu não me importo com nada disso, e se eu for sincera acho melhor assim."

Não discutimos mais. Deixei que seu espaço fosse dado para que pensasse nas coisas com cautela. Ao mesmo tempo, eu achava que Alice merecia algo melhor que a imaturidade de Jasper. Ainda sim, tinha me surpreendido como ele corria atrás dela, e não o contrário - como ele estava acostumado.

(...)

A noite chegou com o tédio, mas minha vontade de fazer algo também era nula. Liguei o computador com esperança de distração e acabei jogando no google, estudando o fuso horário entre a Califórnia e Washington. Assim como trajetos e quilometragem entre uma cidade e outra. O que me fez pensar em um futuro um pouco distante sobre faculdades. Se uns dias de férias já me deixavam assim, não queria nem imaginar quando tivessemos que lidar com algo do tipo.

Sacudi a cabeça e me foquei nos números à minha frente. Eram quase oito da noite aqui, e provavelmente quase cinco da tarde na Califórnia. Me levariam 17 horas e sete minutos de carro para chegar lá, 14 dias e 10 horas à pé - rolei os olhos - e 4 dias e três horas de bicicleta. Sem contar paradas, é claro.

Decidi que era uma hora decente de se ligar, ignorando a minha possível conta de telefone naquele mês.

"Olá." sua voz tão diferente, eu podia quase sentir o sorriso contra o telefone. Apertei o aparelho mais perto do ouvido, em uma tentativa de deixá-lo mais próximo. Meu coração apertou.

"Ei, tudo bem?"

"Tudo, e você? Achei que fôssemos ficar por mensagem por causa da conta de telefone."

"É..." não tive explicação e mordi a boca. A vergonha subiu por meu pescoço, mas eu sabia que ele não quis dizer como se eu estivesse fazendo algo errado.

"Aconteceu alguma coisa?"

"Não." minha voz baixinha e insegura me deu raiva. "Só, hm, queria escutar sua voz."

"É bom ouvir a sua também."

Meu coração logo derreteu e esquentou. Era tão idiota ficar assim. Se fosse há alguns meses atrás, eu nunca pensaria que ficaria nessa posição. Mas a saudade de alguém que você se importa tanto me fazia quase outra pessoa - pelo menos na minha cabeça.

"Como estão as coisas aí?"

"Estão bem. A casa ainda está bem vazia, estávamos pintando agora à tarde. Meu pai não tem idéia do que está fazendo." ele riu baixinho.

"Que bom que você está se divertindo." eu sorri sincera, mas senti a pontinha egoísta querendo-o perto de mim de volta.

"Minhas malas já estão prontas pra ir amanhã." falou e eu escutei a voz do seu pai de fundo. "Porra." Edward xingou baixinho, e eu quis rir. Até a boca suja eu sentia saudade.

"Ele quer cozinhar porque comprou algumas coisas e colocou o fogo pra funcionar. Vou ter que caçar algum lugar pra pedir comida porque sei que não vai funcionar. Teimoso pra caralho."

"Ow, pára!" não segurei o riso dessa vez, o que o fez rir de volta.

Rimos um bocado e ficamos em silêncio, até que ele realmente teve que ir e eu me dei o luxo de dormir com um sorriso no rosto e um travesseiro apertado entre os braços.

(...)

Edward voltou na terça-feira à noite. Não era como se ele fosse perder milhões de matérias, mas ainda sim eu tirei cópia das minhas anotações das aulas que tínhamos juntos. Minha ansiedade me deixava estática e enjoada ao mesmo tempo. Inquieta durante todo o dia, nem ao menos senti o cansaço da noite mal dormida. Quarta-feira ele ainda não tinha aparecido, mas mandou mensagem dizendo que iria a Portland com a mãe, depois iria deixar Emmett no aeroporto, mas que nos encontrássemos depois disso.

Vendo a minha ansiedade provavelmente escrita por todo meu rosto, Renée nem contestou a idéia de eu me encontrar com ele por algumas horinhas. Me obriguei a deixar todos os deveres de casa prontos antes de ir à sua casa, e devo dizer que nunca consegui fazer todos tão rápidos, e nunca estive tão em dia. Minha mãe rolou os olhos mas não disfarçou o sorriso, ela não tinha do que reclamar de Edward.

Logo que ele abriu a porta, meu sorriso doía em meu rosto de saudade. Sua pele estava levemente corada, apenas o suficiente para diferenciar de todas as crianças de Forks que pegavam somente 12% de sol durante todo o ano. Lindo, lindo, lindo. Eu não pude resistir o impulso de me jogar nos seus braços. Apertando de volta os seus circularam a minha volta, rindo de leve.

A vontade de falar todas aquelas besteiras, de sentir falta circularam minha cabeça, mas eu não queria estragar o clima. Por isso, o beijei com toda a vontade até nos termos gargalhando contra a boca um do outro. Estalei meus lábios uma porção de vezes por todo seu rosto e pescoço, finalmente respirando e saindo do frenezi quando encontramos seu quarto.

"Senta aí." sua serenidade transpassava em sua voz. Fiz o que ele pediu esperando que fizesse o mesmo, mas ele se voltou com uma caixinha nas mãos. "Comprei isso aqui pra você. Perto da praia tem essa lojinha com vários desses, com significados tribais e a porra toda."

"Awww." não segurei minha infantilidade, mas meu coração parecia estar derretido. Edward fez uma careta, mas depois sorriu.

"Aí comprei esse aqui."

Estendi a mão abrindo a caixinha e vendo o colar de corda típica de pessoas que moram na costa do país, e o símbolo tribal. Não era a coisa mais linda que vi na vida, afinal tribais eram sempre um pouco estranhos. Mas eu esperava ganhar um significado. Do mesmo jeito, meu coração parecia querer saltar do meu peito, pois era o primeiro presente que ele me dava de forma carinhosa.

"Significa 'coração nobre de toque comum'."

Não tinha como não amá-lo. Puxei a barra de sua camisa trazendo-o para mim e ele não contestou, deitando por cima do meu corpo e sorrindo mais uma vez contra meu rosto. Era bom ter seu peso em cima do meu. Não me esmagava, ele era cuidadoso, mas uma forma boba de segurança que esquentava meu estômago.

"Oi." seu sorriso cresceu.

"Eu amei."

"Que bom." Beijo, beijo, beijo.

"Obrigada." Beijo. "Como foi com o seu pai?" perguntei finalmente, alcançando o fio que cobria seu olho de ver o meu.

"Bom, foi bom." rolou para o lado, mas me puxou consigo. "A casa é legal, ainda esta bem vazia. A gente pintou e tudo mais. Fica perto de uma praia, porra, é linda a praia." Isso eu já sabia, mas valia a pena escutar o repeteco quando ele falava tão pertinho.

"Surfou?" perguntei boba rindo baixinho.

"Não sei surfar, mas nadei com ele lá." contou. "Ele falou que se quisermos, podíamos ir lá nas férias."

"Se minha mãe deixar..." dei os ombros. Eu adoraria mudar um pouco de ambiente.

"Emmett deve ir também, acho que não iria ter perigo." Disse como se fizesse lógica, e eu arqueei uma sobrancelha lembrando do meu novo post-it mental de nunca mais beber coisas rosas não familiares. "Ele não conhece ninguém por lá, o máximo que pode fazer é chamar mais alguém."

"Pode ser então." Uma pitada de excitação me deixou animada.

Juntando tudo, eu podia fazer um mix que só foi resolvido com os próximos minutos beijando Edward. Sua boca estalava na minha, suas mãos passeavam por todos os lugares, e eu desejei ter a mesma habilidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Eu só conseguia concentrar em seus lábios.

"Mmmm..." ele murmurou imprensando seu corpo no meu. Eu entendi o recado, mas ele foi mais rápido com o botão dos meus jeans e a passagem de seus dedos para dentro deles. Arfei de leve enquanto ele se concentrava nos movimentos entre as minhas pernas. "Não vou mentir, eu quero..."

Edward deixou no ar, mas eu sabia o que ele queria dizer. Impressionada que ao menos ele falou, minhas pernas fecharam instintivamente. Ele riu baixinho beijando meu pescoço. Ainda iria ficar louca.

"Hoje não."

"Eu sei."

"Mmm." relaxei deixando ele continuar ministrando seus dedos.

"Quando?" ele perguntou momentos depois. Passaram alguns segundos até que eu conseguisse entender o que ele queria dizer.

"No verão." respondi, e ele foi mais rápido. Rápido, rápido, rápido... "Ughn." apertei os olhos sentindo minha barriga tremer com a explosão discreta.

"No verão?" Ele quis confirmar. Abri os olhos cansada.

"É." meu rosto pegava fogo. Edward sorriu escancarado.

"Agora issoeu posso antecipar." brincou e recebeu um tapa no braço de volta. Me abraçou.

"Idiota." murmurei falhando em esconder o sorriso.

"Que você ama." O tempo parou. Não, isso era mentira. Eu só queria que tivesse parado, apenas olhei para seu rosto com os olhos bem arregalados. Meu cérebro parecia não funcionar.

"Você me ama?" aparentemente meu filtro também não funcionava.

"Amo, porra." afirmou como se fosse óbvio.

"Sério?" eu tinha um sorriso esquisito no rosto, desacreditado. Como um personagem de desenho animado que via a árvore de natal.

"Ué, Isabella, por que você acha que eu ainda estou com você?"

"Não sei, ué." imitei seu tom impaciente.

Silêncio.

Nos encaramos. Silêncio.

"Isso que eu diria ser romântico." uma gargalhada escapou de mim. "Só a gente pra dizer eu te amo dessa forma."

"Não pensei que fosse precisar um passeio no lago com música de fundo." Edward entrou na brincadeira rindo também.

Quando nos acalmamos ele segurou meu queixo e me beijou de novo, mais calmo, mais gostoso. Mais paciente. Te amo. Também te amo. Foi bem idiota.

"Então, verão né?" voltou a ser um garoto.

"É só isso que você antecipa? Jeez." bufei fingindo estar irritada, mas na verdade só disfarçando minha vergonha.

"Não, antecipo o lindo baile da escola." fez uma voz de garota que só nos fez rir mais ainda.

"Voltou saidinho você, né?" fiz careta.

"Mas você me ama."

"Amo mesmo."

EPOV

Estava abafado para caralho, e nem a luz do sol estava no céu. Forks era diferente demais da Califórnia, e eu realmente tinha gostado de lá. Mas não pude deixar de me sentir em casa quando Isabella chegou. Era um conforto que eu demorei para entender, mas tive tempo para pensar quando estive longe.

Isabella passou na minha frente com a mochila no ombro, o rabo de cavalo no alto mostrava os poucos fios molhados de suor colados na nuca. Agora, mais relaxado, com a cabeça mais livre de preocupações em casa, eu conseguia me focar só nela o tempo inteiro. E deixar que isso não me atrapalhasse ou fosse um problema. Afinal, ela era minha namorada.

Acho que nunca realmente tinha visto Isabella usar uma saia, e eu não podia reclamar. Não era tão curta como a da maioria das meninas, mas conseguia me deixar menos concentrado no resto das coisas. As pernas brancas muito longas faziam minhas mãos coçarem.

Aproveitando estarmos sozinhos em casa, a puxei para o quarto da televisão e liguei o ar um pouco. Gelado o suficiente para nos esfriar, e deixar seus seios mais proeminentes na blusa branca. Um programa passava completamente aleatório enquanto nos focávamos nos últimos deveres de casa.

Logo ela escorregou para o chão, fazendo uma zona de papéis, livros e cadernos, onde ela dizia que era sua própria organização.

"Porra, Isabella. Organização?"

"Eu entendo minha bagunça, ué." deu os ombros tirando os sapatos, antes de cruzar as pernas em chinês.

Sacudi a cabeça e ri. Passei a mão pelo cabelo que tampava a lateral do seu rosto e recebi uma olhada de escanteio. Abaixei encaixando estranhamente nossas bocas, por conta da posição, mas não fez com que parássemos nossas línguas e longos minutos explorando até ficarmos com os lábios inchados.

"Por que você me chama de Isabella?" perguntou aleatoriamente.

"Você não gosta?"

"Você não parece que está brigando comigo, mas..." abaixou o rosto balançando o lápis entre os dedos.

Escorreguei para o chão querendo entender.

"Chamo porque é seu nome, você nunca me corrigiu. Achei que não se importasse."

"Não me importo, quando é você."

"Eu acho seu nome bonito." disse tirando o caderno da mão dela.

"Bleh."

Deu a língua e rolou os olhos, que ainda focavam o nada na sua frente. Resolvi brincar, aproveitando o humor leve que estávamos.

"Isabella." sussurrei no seu ouvido.

"Pára." ela riu se encolhendo. Seu rosto estava vermelho. Repeti mais uma porção de vezes até que ela beliscou...

"Você beliscou meu mamilo?"

Perguntei sem acreditar e recebi olhos arregalados de volta. Espalmei sua barriga por baixo da blusa, sentindo sua pele contrair e sorri, puxando seu corpo para o meu até estarmos deitados no chão.

"Olha, da última vez que estivemos aqui nessa sala e sua mãe chegou..." disse tentando escapar.

"Ela não vai chegar agora."

"Mas pode."

"Mas não vai."

"É sério que a gente vai ficar discutindo isso?"

"Rapidinho..."

"Edward..."

"Isabella..." ralhei.

"Você tá impossível essa semana." afundou o rosto no meu pescoço.

"Foi o sol da California."

"Bla, bla, bla. Foi mesmo? Praia cheia de mulher com biquinis?"

"Lotada."

Brinquei e ganhei uma mordida no ombro. Estávamos apenas relaxando um no outro.

"Você não tem ciúmes de mim?" a voz pequena perguntou.

"Por que teria? Tem motivo?"

"Não, mas eu sinto ciúmes de você. Não incontrolável que nem Angela, mas fiquei com ciuminho quando você foi."

"Ciúme é pra quem não confia, e eu confio em você."

"E nos outros?"

"Uma coisa é o cara tentar falar com você, e você dizer não. Ele vai aceitar e vai cair fora. Mas, porra, se ele te desrespeitar é outra história."

"Eu gosto como você preserva 'respeito'."

"É, acho que não vi muito disso em casa, precisei aprender por mim mesmo."

"Pára." um beijo na mandíbula. "Eu não iria te trair..."

"Eu sei."

"Que convencido!" eu ri. "Só ia dizer que não tem fila de caras atrás de mim. Por alguma sorte eu tenho você."

"Esse não é um daquelas merdas de momento que você está se sentindo feia e eu tenho que te convencer do contrário, é?" foi a vez dela rir.

"Não. Mas você realmente não é muito de falar essas coisas."

"Você se olha no espelho todo dia?"

"Ahn?"

"Se você se olha no espelho, sabe o que eu vejo e sabe o que eu gosto."

"E seria..."

"Tudo."

"Até meu pé feio?"

"Até seu dedão."

"Queria dizer o mesmo, mas acho que nunca olhei pro seu pé."

"Em quatro meses de namoro você nunca reparou no meu pé?"

"Você sabe os meses certinho? Awww, que lindo!" Isabella inverteu os papéis e salpicou beijos por meu rosto murmurando os poucos fios de barba que eu tinha até estar sentada em cima dos meus quadris. "Essa foi a conversa mais boba que tivemos."

"Pretende fazer alguma coisa aí em cima?" perguntei quando ela se ajeitou, mas pousou a cabeça no meu peito.

"Dormir."

(...)

A escola parecia mais um carnaval. Uns espalhavam rifas, outros tinham até camiseta de um tal comité para a porra do baile. Isabella franzia e fazia careta para tudo enquanto andávamos para o estacionamento. Eram nossas últimas provas do dia para o final do semestre, e agora só nos restava pegar os resultados e ver se tínhamos que fazer alguma recuperação.

Eu sabia que Isabella estava com medo de algumas matérias, e eu sinceramente não me surpreenderia se recebesse nota baixa na aula de geografia. Ela disse para eu não me preocupar porque eu era um gênio e eu rolei os olhos para irmos para o carro.

"Eu juro que se ouvir Jessica falando dessa porcaria de baile de novo..."

"O quê? Você vai acabar sendo convencida a ir?" brinquei.

"Não que eu não queira ir, vai ser legal fazer alguma coisa, mas ela é muito chata. Não aguento mais a voz dela. Não sei como Angela consegue."

"Você tem falado com ela?"

"Angie?" perguntou com as sobrancelhas. Assenti e ela negou com a cabeça. "Quer dizer, mais ou menos. Aqui e ali, ela quer sair amanhã à tarde, na hora do seu treino. Mas só vou poder depois do curso de Italiano."

"De repente ela quer ajuda com alguma coisa." sugeri.

"Bla."

Gargalhei alto, tirando uma risada dela. Ultimamente era a palavra preferida dela, e eu implicava toda vez. Passei o braço por seus ombros e nossas bocas se estalaram. Eu sabia que ela estava um pouco triste com toda a situação de Alice estar se mudando, e eu tentava a fazer pensar no verão que estava por vir.

"Doze dias." sussurrei, ela sabia o que significava e sorriu abertamente, só para mim.


Qual seu sorvete de casquinha preferido?