Capítulo Quinto

"Não, nenhum plano. Ia passar o Natal com James, na casa dele, já que estou morando lá. Lily também, para conhecer os pais dele e essas coisas, o que significa que ficarei de vela a maior parte do tempo... Mas também estava pensando em ficar em Hogwarts, assim poderíamos nos ver..."

"Por que você não passa o Natal comigo? Quero dizer, aqui em casa mesmo. Vem aqui para casa..."

Sirius arregalou os olhos para o pequeno caderno onde escrevia. Rosmerta tinha um igual e, através deles, podiam se comunicar em tempo real. O que ela escreveu lentamente foi reabsorvido pelo pergaminho. No dia seguinte os alunos embarcariam para voltarem às suas casas para o feriado de Natal e Ano Novo. Sirius realmente estivera pensando em ficar na escola, tanto para deixar James e Lily mais à vontade quanto para poder ver Rosmerta naquele meio tempo. Fazia quase duas semanas desde o ataque dos Comensais, e desde então ele ia visitá-la sempre que possível. Apesar de estarem de namorico, ele não esperaria uma proposta tão... Ousada. Mas, afinal, ela já tinha vinte e três anos, e não era como as garotinhas virgens com quem já tivera algum rolo.

"Tem certeza que vai me aguentar em tantos dias de convivência?" Escreveu rapidamente, sentindo um frio na barriga por antecipação com a ideia de ficarem sozinhos no apartamento dela.

"Assim que você chegar aqui, eu vou trancar a porta e fazer você ser só meu até que o ano acabe." Ela mandou depois de alguns segundos, e Sirius soltou um rosnado de excitação apenas ao ler aquilo. Aquela mulher ainda iria matá-lo com essas provocações no meio da noite.

"Sem dúvidas que estarei amanhã aí, então. Mas só se prometer não me algemar ou coisas piores..."

"Certeza que não viria se eu dissesse que tenho umas algemas aqui em casa?"

"Bem, pensando melhor..." Sirius sorriu, quase conseguindo imaginar a moça deitada na cama, rindo daquela maneira que era só dela.

"Nos vemos amanhã, Black." Ela mandou.

Sirius fechou o caderno e teve a noite mais mal-dormida de toda a sua vida.

xXx

Rosmerta já planejara tudo para tirar aquela semana de folga. Falara sério ao dizer que trancaria a porta de casa e não sairia de lá até o Ano Novo. E muito menos deixaria Sirius sair também. Rosmerta sempre fora uma garota de sangue-quente, e não se envergonhava de ter estado com um homem pela primeira vez aos quinze anos. Entregar-se de corpo e alma, jogar-se do abismo e sentir tudo que podia era seu jeito de ser, de levar a vida. Nas últimas duas semanas se retraíra por causa do quase-estupro, mas Sirius a ajudara a empurrar o episódio para algum canto escuro da mente e voltar a erguer o queixo e sorrir. Agora, tudo que sentia vontade era se jogar nos braços dele e se deixar levar.

E justamente devido ao ar de tristeza e velório que se abatera sobre Hogsmeade após o ataque, devido aos treze mortos e quatro desaparecidos, ela queria apenas fugir para um cantinho só seu e deixar toda aquela melancolia de lado apenas por alguns dias. Mesmo que fosse egoísta e covarde, era humano, e ela precisava.

"E aproveite e tire o dia de Natal de folga também, ouviu? Você trabalha demais." Rosmerta falou para Paul, que a ignorou solenemente. Ele não falava, mais ela sabia que ele ainda estava com o orgulho ferido pelo que ela fizera para protegê-lo. Arriscar-se por minha causa, ele resmungara depois que acordara e os dois puderam conversar.

Rosmerta suspirou e saiu da cozinha e não pôde impedir seus lábios de subirem e formarem um belo sorriso em seu rosto radiante ao ver Sirius sentado no bar, em uma pose meio bonachona, um braço apoiado no balcão. Ele balançou sugestivamente as sobrancelhas ao vê-la.

"Muito ocupada, moça bonita?" Ele perguntou, com um sorriso igualmente sugestivo. Rosmerta colocou a mão no quadril, assoprando alguns fios de cabelo negro que lhe caíam sobre o rosto, escapando do coque frouxo.

"Você veio muito cedo, Black. Tenho muito serviço antes de poder sair." Avisou, inflexível. Sirius pareceu murchar no banco, mas se aprumou em seguida, passando uma mão pelos cabelos, em um gesto meio exasperado.

"Ah, bem... Eu posso esperar." Ele disse, não muito feliz com a perspectiva, mas tentando esconder isso. Rosmerta sorriu de leve e aparatou ao lado dele, surpreendendo-o quando o puxou para um beijo que ele não demorou a corresponder.

"Mas eu não." Ela murmurou provocante, segurando-o pela gola do casaco e tirando-o do banco. Sirius rapidamente segurou a mochila que preparara antes que ela aparatasse para seu apartamento, levando-o junto. Assim que a sensação de fisgada em seu estômago passou e conseguiu se situar, a primeira coisa que sentiu foi o cheiro ainda mais forte de Jasmim e Gardênia que invadiu suas narinas; estava por todo o apartamento.

O lugar era simples e confortável, mas Sirius não parou para prestar muita atenção nisso – não quando tinha uma garota fogosa em seus braços. Largou a mochila no meio da sala e puxou-a pela nuca para mais um beijo, afundando os lábios nos dela, enquanto ela praticamente arrancava seu casaco com uma pressa descomunal. Sua mão subiu e ele desatou o coque dela, deixando os longos cabelos negros e brilhosos caírem livremente. Segurou os cabelos e beijou-a com mais fome, uma de suas mãos escorregando pelo pescoço e afastando a alça do vestido de Rosmerta. A garota gemeu contra os lábios dele quando ele tocou um de seus seios, e eles se perderam pela sala, andando a esmo, com os lábios ainda grudados, até que Rosmerta sentisse suas costas baterem de leve contra uma parede.

Ele desceu os lábios para seu pescoço, aproveitando para aspirar profundamente o cheiro da pele da garota, o aroma no qual já estava viciado. Ela encostou a cabeça contra a parede e suspirou, enquanto seus dedos agiam sem que ao menos precisasse comandá-los de fato e abriam os botões da camisa de Sirius. Deslizou as mãos pelos ombros dele, deliciando-se com a sensação do toque. Ele não era muito musculoso, mas seu corpo tinha uma definição atraente. Ela soltou um gemido mais alto quando ele a prensou com mais força contra a parede, segurando-a pela cintura e erguendo-a um pouco do chão. Rosmerta enlaçou o corpo dele com as pernas e puxou-o pelos cabelos, abaixando o rosto para beijá-lo quando seus olhos se encontraram cheios de luxúria por um rápido momento.

"Huum... Quarto." Sirius resmungou, mordiscando os lábios de Rosmerta e apertando-a com mais força contra seu corpo.

"Aquela porta." A moça apontou, desnorteada, agarrando-se a Sirius quando ele a desencostou da parede e começou a carregá-la meio a esmo para sabe-se lá onde ela apontara, pois nem ela sabia se indicara a direção correta.

Felizmente, Sirius conseguiu encontrar a porta e largou-a no chão já no meio do quarto, apressando-se em terminar de despi-la. Ele parou ao avistar uma gata branca na cama, observando-os com os olhos oblíquos estreitos. Sirius odiava gatos.

"Você tem um gato." Ele torceu o nariz, só então lembrando que Rosmerta comentara algo sobre isso. E a moça logo se lembrou da aversão do rapaz pelo bichinho. Virou-se para Jasmine e enxotou-a da cama.

"Jasmine, sai, sai, vá caçar uns ratos ou algo parecido e deixe sua dona se divertir." Ela falou, tirando a gata da cama e enxotando-a até que saísse do quarto. Quando se virou novamente para o garoto, sorriu torto, andando até ele com um rebolado e um olhar perigoso. Sirius ergueu as sobrancelhas, mas não teve tempo de fazer muita coisa antes que a garota o empurrasse, fazendo-o cair de costas na cama. Ele se apoiou nos cotovelos e entreabriu a boca, cuidando para não começar a babar quando Rosmerta, ainda em pé, começou a tirar a roupa lentamente.

Uma das alças do vestido, já caída, fez par com a outra, que ela deixou escorregar vagarosamente, até que o tecido caísse até a cintura, deixando à mostra os seios cheios e firmes presos pelo sutiã decotado e a barriga delicada, moldada por um quadril e curvas generosas.

"Oh, Merlin..." Murmurou Sirius, sentindo-se queimar de excitação – nunca se sentira tão sortudo na vida. Rosmerta sorriu de lado antes de se virar de costas, levando as mãos ao fecho do sutiã e tirando-o do mesmo modo lento e sensual, jogando-o para longe em seguida. Olhou para trás e mandou um beijo para o garoto. Mas então Sirius não pôde mais se controlar. Levantou-se da cama e abraçou-a pela cintura, colocando as costas dela ao seu peito já livre da camisa, beijando-a no pescoço com ânsia. Ela jogou a cabeça para trás e suspirou, deixando-o terminar de retirar suas roupas.

A forma como ele a segurava não tinha nada de infantil, era um homem no ápice de seu vigor e força, e ela se sentia extremamente excitada ao experimentar os braços dele a envolvendo e as mãos levemente ásperas, mas ainda com certa maciez da juventude, tocando-a com tanto desejo. Assim que ele a livrou do resto do vestido, virou-a de frente para ele, imediatamente buscando seus lábios, as mãos escorregando pelas costas e apertando os glúteos firmes e arredondados da garota. Ela era como a mais sensual e provocante das esculturas, todas as formas de seu corpo, desde os lábios carnudos às curvas generosas, e olhos escuros tão dúbios e com certo ar de malícia.

Ela gemeu quando seus seios apertaram-se contra o tórax de Sirius, e começou a livrá-lo também do resto da roupa que ainda o cobria. Abriu a braguilha da calça e empurrou-a para baixo, ao que ele chutou-a para longe de imediato. Rosmerta voltou a empurrá-lo para a cama, mas dessa vez indo junto e caindo sobre ele, sentada sobre o quadril do garoto, os dois perdidos em meio ao beijo.

Ela começou a ondular o corpo, provocando-o, e apreciando o gemido que ele soltou antes de inverter as posições, colocando-se entre suas pernas. Ele abaixou a mão e tocou-a entre as pernas, obrigando-a a cortar o beijo e virar o rosto para ofegar pelo prazer que isso a proporcionou, e Sirius aproveitou para beijá-la no pescoço, disparando um arrepio que desceu por sua espinha, chocando-se com o que subia e fazendo-a arquear o corpo, mordendo com força os lábios; os olhos fechados em uma expressão de entrega que fez o garoto rosnar e aumentar a intensidade de seus toques, ao mesmo tempo em que descia os lábios e tomava um dos seios com a boca, arrancando mais gemidos de Rosmerta.

Rosmerta revirou os olhos por baixo das pálpebras fechadas e procurou pela excitação dele, envolvendo-a com a mão ao encontrá-la, sentindo-o estremecer sobre seu corpo com o toque. Ele estava despertando um prazer enorme em seu corpo, o que a surpreendia, pois os toques dele não eram tão experientes quanto os dos outros homens com quem já fora para cama, homens mais velhos, mais experimentados na vida. Mas deveria ser o que chamavam de química, pois tudo que ela queria era que ele ousasse mais, beijasse cada pedaço de sua pele, entrasse em seu corpo e se impulsionasse contra ele com um ímpeto que beirasse à selvageria.

Ela o largou quando ele desceu mais, em um caminho tracejado de beijos até alcançar o exato local onde ela queria sentir a língua quente e ávida dele. Sirius deliciava-se com aquele cheiro impregnado na pele da mulher, adocicado das flores preferidas dela, que se espalhava por todo o lugar, quase ferindo suas narinas de tão forte e tão bom, e tão dela. Ela o segurou pelos cabelos quando ele começou a estimulá-la em seu ponto sensível, sentindo-a ofegar e tremer suavemente, os espasmos de prazer chegando aos poucos, mas intensificando-se assim como o aroma das flores para Sirius. E então ela se perdeu naquilo, e chamou pelo nome dele quando seu corpo pareceu ebulir.

Mal teve tempo de se recompor, os seios ainda subindo e descendo de forma descompassada, quando ele subiu o corpo e a penetrou com um único movimento rápido e forte, os lábios se fechando nos seus e roubando seu pouco ar. Rosmerta enlaçou o corpo do garoto com as pernas, gemendo na boca dele, o som deixando Sirius ainda mais louco, fazendo-o ir mais fundo. As unhas da moça quase rasgaram as costas dele, e pôde sentir os músculos do local se contraírem, mas ele não reclamou, apenas segurou-a pela cintura e aumentou o ritmo com que ela também se movia contra ele.

Rosmerta inverteu as posições e passou a se mover ao seu ritmo, seus olhos negros perdidos na cor prateada dos dele. E não saberia dizer quanto tempo já se passara quando o ápice principiou a atingi-la como uma flecha que atinge em cheio seu alvo. Ele ergueu o corpo e a abraçou, beijando-a em pontos que ela mal pôde registrar ao cair mole nos braços dele. Sirius chegou ao limite não muito depois, e caiu exausto de costas na cama, junto com a garota que se acomodou ao seu lado, a cabeça apoiada em seu ombro.

"Merlin, desse jeito eu não vou querer sair daqui nunca..." Sirius murmurou, olhando abobadamente para o teto do quarto – aquele definitivamente fora o melhor sexo da sua vida. Rosmerta passeou a ponta do indicador pelo peito nu e suado de Sirius, brincando com os contornos bem feitos do local.

"Você foi ótimo." Ela disse, com um sorriso, erguendo-se um pouco para beijá-lo de leve nos lábios. "E é por isso que eu estou louca para repetir a dose." Sussurrou perto do ouvido dele, em um tom sensual, fazendo com que Sirius abrisse um sorriso de tubarão.

XxX

"Não acredito que você fez isso." Disse Rosmerta, soltando uma risada incrédula, antes de colocar um morango na boca de Sirius, os dois estendidos no sofá da sala, meio abraçados, buscando calor um no corpo do outro, enquanto contavam histórias infantis. Ela já tivera minutos atrás um acesso de risos depois que Sirius contara sobre um Natal em que ele trocara todos os presentes embaixo da árvore e vários convidados ganharam presentes constrangedores como, por exemplo, a avó do rapaz que recebeu um conjunto de lingerie com uma calcinha fio dental e, de brinde, um chicotinho de couro preto. Ou o tio careca que recebeu um kit completo para cabelos: escova, gel, xampu, condicionador.

"Pior foi ver a saia da minha outra avó levantar por causa do feitiço. Foi traumatizante, sabe?" Ele lamentou, a boca ainda meio cheia de morango, referindo-se ao feitiço que consistia em lançar um súbito jato de vento nas convidadas do sexo feminino assim que elas passassem pela porta principal do salão de uma das muitas festas sociais a que era obrigado a ir quando mais novo. Como todas usavam vestidos de gala, a diversão era garantida.

"Depois disso eles devem ter percebido que não era muito seguro levar uma peste que nem você para aquelas festas cheias de etiquetas." Rosmerta falou, beijando-o de leve nos lábios. Estavam nesse clima já há alguns dias, sem conseguir desgrudar um do outro, em uma rotina preguiçosa. Rosmerta se surpreendeu em uma manhã ao acordar e encontrar Sirius na cozinha, tentando preparar um café da manhã. Ele reclamou que ela deveria ter dormido mais uns dez minutos, para que ele pudesse servi-la na cama.

Rosmerta não imaginou que ele fosse tão carinhoso, e isso despertou um calorzinho bom em seu peito. Ela se aproximou sorrindo e o virou para si, empurrando-o contra o balcão da cozinha e beijando-o com fervor. Pego de surpresa, Sirius demorou alguns segundos para corresponder, mas logo os braços dele a envolviam, puxando-a contra seu corpo e aprofundando o beijo; ambos esquecendo do café da manhã enquanto se perdiam entre beijos e suspiros.

Eles conversaram mais um pouco, Rosmerta contando sobre sua infância. Quando menor, morava em outra cidade com os pais, e costumava fazer amizade apenas com os garotos. Aristide achava um horror quando a filha chegava com os joelhos ralados e a roupa suja por ter se metido a subir em árvores, ou brincar de guerra de lama nos dias de chuva. Amarant a chamava de 'moleca', apelido que usou até que Rosmerta, já mais velha, batesse pé e dissesse que já era mulher feita, não mais uma garotinha suja de terra. Agora, daria tudo para ouvir o pai chamando-a assim, enquanto a olhava com carinho. Fatos simplórios que fazem uma falta dolorida após se perderem no passado.

"O que você vai querer de Natal?" Rosmerta perguntou de súbito, lembrando-se que o dia seguinte era vinte e cinco de dezembro. "Ah, nós temos que preparar um jantar especial para hoje." Falou, pondo-se sentada. Sirius resmungou baixinho, puxando-a de volta para seus braços.

"Não me importo com Natal. Nunca significou nada além de festas tediosas e roupas formais demais." Ele disse, com a testa franzida e o lábio torcido. Rosmerta sorriu de leve e virou-se meio de lado, para poder mirá-lo nos olhos. Ergueu a mão e acariciou suavemente a bochecha dele.

"Então vamos criar um significado esse ano." Falou em um murmúrio doce, entendendo que, apesar do rapaz ser parte de uma família enorme e tradicional, não deveria ter experimentado o que é de fato ter uma, em seu sentido mais puro, primitivo. Ele não falava muito sobre o assunto, mas Rosmerta podia sentir que ele crescera como um corpo estranho entre os seus familiares, e que só encontrara algum conforto em Hogwarts, com seus amigos inseparáveis, nos quais ele reconheceu uma família de verdade – sem linhagens, genealogias; apenas amor, lealdade, companheirismo.

Ela roubou um beijo rápido dele antes de se levantar, ajeitando os cabelos de modo a prendê-los frouxamente. Sirius a observou pensativo, ponderando o que era aquilo que estava sentindo no peito. Aquela vontade de nunca mais deixá-la se afastar, de sentir-se bem ao vê-la sorrir. De querer criar algo especial com ela naquela data que nunca apreciara. Até mesmo a gata branca e rabugenta de Rosmerta era capaz de aturar para ficar naquele apartamento junto com a moça. Era como acordar-se por dentro e descobrir que podia experimentar tantos sentimentos diferentes.

"Você vai se levantar daí e ir comigo comprar as coisas necessárias para o jantar ou vai continuar aí com esse olhar de quem está no mundo da lua?" Rosmerta perguntou, tocando uma almofada no rosto ausente de Sirius.

"Ah, então é assim que você quer me convencer a ir carregar as compras, é?" Ele perguntou, já se levantando com uma expressão perigosa. Rosmerta soltou um gritinho e disparou quando ele pôs-se a correr atrás dela. Mas Sirius obviamente a alcançou, segurando-a por trás e erguendo-a no ar, ambos aos risos, antes de acabarem perdendo-se em mais alguns beijos apaixonados.

Apaixonados.

XxX

Os dois jovens saíram rindo da Dedosdemel. Rosmerta nunca fora muito apreciadora de doces, pois preferia muito mais um bom salgado, mas não negou quando Sirius a abraçou no meio da rua e colocou um bombom perto de sua boca. Deu uma mordida no doce e, sem demora, já sentia os lábios dele contra os seus; o gosto do chocolate derretendo-se em meio ao beijo. Ela pensou que doces não eram, afinal, tão ruins assim.

"Rosmerta!" Alguém gritou, causando a separação súbita dos dois, dada a altura do chamado. Era a Sra. Flaubert, que se aproximava do casal com uma expressão nada boa.

"Olá, Sra. Flaubert." Rosmerta cumprimentou jovialmente, já sabendo que ouviria algum sermão. Não era como se já não estivesse acostumada, mas torceu para que Sirius não caísse na gargalhada ao ouvir o que a senhora diria – ou ele provavelmente levaria umas bengaladas.

"Rosmerta Gauthier, que indecência é essa no meio da rua?" A senhora perguntou, antes de lançar um olhar para Sirius. "E com um garoto! No mínimo deveria encontrar um homem maduro que cuidasse de você, e não um moleque desses! O que o povoado vai pensar?" Ela perguntou, horrorizada, olhando para os lados. Rosmerta revirou os olhos – há tempos não desejava que a Sra. Flaubert simplesmente virasse purpurina e a deixasse em paz.

Mas para a sua surpresa, Sirius veio em sua defesa. Abraçou-a por trás, enlaçando sua cintura e colando suas bochechas às dele.

Ele sorria abertamente.

"Sra. Flaubert, pode ficar tranquila que vou cuidar muito bem da Srta. Gauthier. Na verdade, ainda caso com essa mulher!" Sirius exclamou, aumentando ainda mais o sorriso. Rosmerta arregalou os olhos, sentindo o coração bater mais depressa, enquanto a Sra. Flaubert parecia completamente sem palavras – pela primeira vez desde que Rosmerta a conhecera.

Antes que a senhora se recuperasse, Sirius se inclinou um pouco, passou um braço pelas costas e outro pela parte de trás dos joelhos de Rosmerta e a ergueu do chão, o que arrancou uma exclamação de surpresa da moça e da própria Sra. Flaubert.

E, ignorando o que qualquer um iria pensar com uma cena dessas, saiu andando com Rosmerta no colo pela simpática avenida, um sorriso travesso no rosto. Rosmerta não aguentou e pôs-se a rir.

XxX

E o Natal foi diferente para Sirius. Rosmerta aprendeu a gostar de doces, e ele do Natal. Era uma troca justa. Os dois preparam a ceia juntos, apesar de o garoto mais fazer bagunça do que qualquer outra coisa – o que lhe garantiu olhares de exasperação tanto de Rosmerta quanto da gata Jasmine.

Começou a nevar no final da noite, e eles ocuparam-se em beber vinho e olhar para o teto – que Rosmerta encantara com um feitiço parecido com o do Salão Principal de Hogwarts. Ela sentia o corpo quente de Sirius, os braços reconfortantes a envolvendo, e sentia que poderia ficar ali com ele para sempre. Como em um sonho. Aqueles sonhos onde tudo é perfeito, e acontecem tantos fatos bonitos que lamentamos quando ele acaba, e desejamos dormir apenas para sonhar de novo.

E o mundo real resumia-se apenas aos flocos de neve dançando ao ritmo do vento do lado de fora.

"Você é tão bonito." Rosmerta falou baixinho, passando os dedos de forma suave pelos traços do rosto de Sirius. Ele ficaria ainda mais bonito conforme a maturidade o atingisse e os traços mais infantis sumissem de seu rosto, mas ela duvidava que aquele sorriso jovial e arteiro sumisse algum dia daqueles lábios finos. Ele sorriu com o comentário e segurou a mão pequena da moça, levando-a aos lábios e a beijando.

Depois se virou e puxou-a para um beijo que começou calmo; preguiçoso como os dois jovens que recém haviam tomado alguns cálices de vinho e estavam entorpecidos pelo álcool. Mas o calor do contato foi os despertando, e as mãos começaram a buscar o corpo um do outro de maneira mais ávida, sôfrega. Rosmerta sentiu-se afogada pelas sensações, pelos sentimentos.

Ela amava aquele garoto? Sim, ela amava, e não fazia o tipo que negava, que escondia. Que tentava ser racional e pensar 'mas não é possível, em tão pouco tempo, sentir o amor'. Como se amor fosse algo com data marcada, ou com prazos pré-estipulados. Como se o amor se importasse em ser coerente.

As roupas se perderam pelo caminho e eles se amaram ali mesmo, sobre o tapete da sala, com o fogo crepitando placidamente na lareira pequena do cômodo. Ele tocou sua barriga magra, os seios cheios, beijou-lhe a pele e penetrou-a quando já estava completamente entregue ao momento. E não saberia dizer quantos minutos depois, estavam abraços, em silêncio, apenas curtindo a companhia um do outro, quando ele se ergueu para mirá-la nos olhos.

"Isto aqui nem parece realidade. Eu me sinto como uma criança deslumbrada quando estou junto de você, olhando para os seus olhos brilhantes que parecem ter tantas coisas bonitas para contar, ou prestando atenção ao seu modo de falar, de sorrir, de afastar o cabelo do rosto. Você é como um sonho, Rô, como momentos doces de magia que eu espero que não acabem nunca." Ele sorriu constrangido com a própria declaração.

"Ah, Sirius..." A moça exclamou, quase sem conter a emoção e as lágrimas nos olhos, antes de puxá-lo para mais um beijo, segurando-o pelo rosto. "Como eu gosto de você..." Murmurou.

XxX

"Faz um pedido." Murmurou Sirius perto do ouvido da moça, enquanto os dois observavam os fogos de Ano Novo da pequena colina de Hogsmeade, onde muitas outras pessoas também se encontravam em busca de uma visão melhor do singelo espetáculo.

"Não." Negou Rosmerta, com uma expressão doce. "Já tenho tudo que quero. Se melhorar estraga."

Sirius virou-a de frente para ele, sem soltar-lhe a cintura.

"Você poderia pedir para que eu não precisasse voltar às aulas depois de amanhã." Ele sugeriu, com os lábios franzido, desgostoso com a ideia. Rosmerta balançou a cabeça.

"O mundo real chama, meu querido." Sorriu tristemente, ficando na ponta dos pés e beijando-o de leve. Pensou que logo Sirius se formaria e entraria na guerra, que isso talvez os afastasse, que talvez em algum momento ele jamais voltasse. Era a primeira vez que se preocupava tanto com o futuro – o ataque a Hogsmeade realmente a marcara de alguma forma. Mas não podia evitar.

Porque sonhos nunca duram para sempre.