Epílogo
"Madame, pode me ajudar aqui, por favor?" Perguntou Paul, indicando uns caixotes pesados em umas prateleiras altas do depósito. Rosmerta foi até a porta e, com um aceno de varinha, flutuou as caixas até o chão. Ele a agradeceu. Estava com um braço quebrado de um acidente tolo envolvendo neve e um belo de um escorregão, mas insistia em aparecer para trabalhar.
Internamente Rosmerta o agradecia. O Três Vassouras estava cheio de clientes, todos os dias. Mesmo meses depois, a euforia pela derrota de Voldemort continuava vibrante no mundo mágico. Rosmerta retribuía os sorrisos dos clientes de maneira fraca.
Não conseguia sentir-se realmente feliz. De novo, estava sendo egoísta. De novo, não se importava. Na verdade, importava-se com pouca coisa agora. Algumas pessoas olhavam-na com certa piedade. Outras com nojo, por ter tido um romance com o terrível Sirius Black, assassino em série condenado a vários anos de prisão.
Ela realmente acreditava na notícia sensacionalista do Profeta Diário? Que Sirius era partidário de Voldemort, que delatara os melhores amigos – amava-os tanto! – e depois fora atrás de Peter, e matara-o junto com outros milhares de trouxas?
Sinceramente, não sabia o que pensar. Tinha medo, na verdade, de pensar sobre o assunto. Como podia? Sirius jamais faria aquilo. Ou faria? E se chegasse à conclusão de que faria? E se a guerra o mudara? Ele era o Fiel, afinal. Ele mesmo lhe contara. Teria Voldemort o ameaçado, torturado, obrigado-o a contar? E se ele tivesse feito tudo sob efeito de um Imperius?
Quando percebeu, lágrimas silenciosas escorriam dos seus olhos. Ainda usava o anel no dedo. O anel com o rubi. Não haviam permitido que visitasse Sirius na cadeia – ele estava incomunicável, diziam. Era um louco perigoso que deveria ter a vida sugada lentamente por Dementadores.
Afastou depressa as lágrimas, antes de pegar uma bandeja e dirigir-se para fora da cozinha. Como sempre, abriu um sorriso falso para o cliente que a cumprimentou alegremente. Já não sentia mais prazer naquilo. A vida não lhe parecia mais tão fácil e alegre, e nem mesmo as últimas palavras de sua mãe faziam qualquer sentido. Já não se entregaria facilmente ao amor de outra pessoa. Não mentira em sua última carta – jamais deixaria de pensar em Sirius. Não deixaria de amá-lo, não o esqueceria.
Talvez, o momento mais forte do amor é quando sabemos que ele precisa morrer, mas não temos força para matá-lo. [1] Então ela seguiria, fingindo que era forte, capaz de ainda ser a moça alegre e divertida que um dia fora.
Serviu uma das mesas, e colocou a mão na cintura, olhando para o bar.
"Tudo bem com a Madame?" Perguntou Sam, o garoto órfão que fora adotado por Paul.
"Não, Sam. Mas vai ficar. Algum dia vai ficar." Respondeu, distante.
Era mais fácil acreditar que sim.
FIM
[1] Tirei da internet a frase, mas não sei quem é o autor dela. :~
