Segundo Capítulo: Monitor Snape

– Ela está morta? – Marianne ouviu uma voz meio vacilante perguntar, ainda muito cansada para abrir os olhos. Além disso, era uma péssima ideia fazer algo do tipo quando sentia que alguém mantinha o clarão de uma varinha diretamente para o seu rosto. – Não seja burro, Peter, não vê que ela está respirando? – disse outra voz, mais clara e energética. A sonserina ergueu a mão e cobriu os olhos, enquanto notava que todos que estavam ao seu redor tinham parado apreensivos para observá-la. – Por Merlin, James, abaixe essa luz!

O dono da varinha fizera o que a segunda voz pedira e os três garotos presentes olharam para a garota desconhecida enquanto ela tirava a mão da frente. Acksheugh não se lembrava de tê-los visto pelo castelo, mas eles também não a reconheceram. Ela os avistou com mais detalhes quando havia se habituado à luz escassa: o que segurava a varinha era alto e esguio, com cabelos pretos desarrumados e óculos quadrados e finos; o do meio era o mais baixo dos três e parecia acuado ao lado dos outros dois, embora fosse maior em largura; o terceiro era do tamanho do primeiro, mas tinha ombros e torso mais largos, além de cabelos maiores (chegavam até os ombros). Eles a viram como uma garota loura e miúda, com fios que chegavam à metade das costas. Os quatro apenas ficaram em silêncio por alguns minutos, até que uma garota ruiva e outro garoto chegaram apressados. – Mas o que era tão importante que vocês quatro não podiam... Oh! – exclamou ela, quando percebeu a menina ali no chão.

– Onde eu estou? – perguntou Mary, olhando para os lados. Sua mochila e seu caldeirão não estavam em nenhum lugar por perto, mas ela não se preocupou exatamente com isso. O castelo estava diferente, não fisicamente, mas havia uma sensação estranha pairando no ar. Chegou à conclusão que estava exatamente fora da sala que usava para fazer poções em paz, no entanto não podia deixar de sentir que estava em outro lugar. E quem eram aquelas pessoas estranhas? Pensava que o garoto que chegara com a ruiva lembrava alguém, mas quem? – Ah, por favor! Nenhum de vocês ao menos a ajudou a levantar? – e dizendo isto, a garota ruiva estendeu a mão. Marianne hesitou por um instante antes de aceitar a ajuda, mas logo o fez. Diante de melhor perspectiva, pode reparar que todos eram grifinórios, assim como eles repararam que ela era da Slytherin.

– Eu acho que ela bateu a cabeça... – Respondeu o quarto garoto que viu, que era menor que o da varinha, porém maior que o se escondiam atrás dos outros. – Devemos levá-la para a enfermaria? – perguntou ele incerto, como se ela não estivesse ali. Acksheugh não gostava muito de ser tratada desse jeito, e gostava menos ainda da situação de completa ignorância na qual se encontrava. – Eu não quero ir para enfermaria! Sinto-me muitíssimo bem! Só quero ir para o salão comunal. – Mas então um fato importante lhe viera à mente: havia derramado a poção Vira-Tempo por toda a roupa e a explicação mais provável era que tivesse ido para outra época de Hogwarts. "Oh, droga!" pensou ela, encarando a todos ao mesmo tempo. "Ótimo, ainda por cima eles são grifinórios, por que saberiam a senha para entrar lá?" pensou novamente, com mais impaciência desta vez.

– Você ao menos se lembra da senha? – perguntou o garoto de óculos como se lesse seus pensamentos, na defensiva. Mary também pensou tê-lo visto em outro lugar. Ela acenou negativamente com a cabeça, mas sem querer pedir ajuda abertamente. Os quatro se entreolharam, até que a ruiva mais uma vez se manifestou. – Ah, que seja! Eu vou! – disse ela, saindo sem maiores explicações, deixando a estranha com os quatro rapazes.

O primeiro a falar foi o que parecia o mais forte. – Oi, eu sou Sirius Black. – cumprimentou ele com um sorriso afetado, como se tivesse acabado de encontra-la em uma situação normal. Marianne arqueou a sobrancelha para ele com confusão. "O" Sirius Black? Padrinho de Harry Potter que traiu seus pais? Ah, sim... Essa história havia sido bem popular dois anos atrás. Então, aquele de óculos só podia ser... – James Potter. – apresentou-se, ao ver que a garota nada dizia e Sirius já começava a se sentir ignorado. Ela sentiu uma vontade de avisa-lo do perigo que corria ao manter uma amizade com Black, mas ao mesmo tempo, por que ela se importava? Lembrou em seguida das instruções do livro: "a simples menção da sua existência pode mudar o presente e o futuro". – Marianne Acksheugh. – respondeu afinal, mas sem muito ânimo, ao perceber que os outros dois não diriam palavra até que ela se mostrasse no mínimo amigável. – Peter Pettigrew. – disse o mais gordinho, ainda incerto sobre aparecer ou não. – Remus Lupin. – terminou o garoto que havia aparecido com a garota ruiva. "Professor Remus Lupin?" pensou ela, abismada. "Claro que é, sua idiota, quantos você acha que existem no mundo?" imaginou ela com severidade consigo mesma.

Marianne então pensou em que perguntar em que ano fora parar, mas lembrou-se que se eles estavam achando que ela apenas batera com a cabeça e só uma pancada muito forte para fazê-la esquecer do ano, o que provavelmente traria à mente deles que ela tinha que ir para a enfermaria. Fez-se um silêncio constrangedor, no qual nenhum dos lados pensava em algo para dizer. Só que Sirius nunca aceitava ficar sem palavras na presença de uma garota. – Slytherin? Minha família toda pertenceu à sua casa. Você deve conhecer meu irmão, Regulus Black, quintanista. – ele disse, embora fosse aparente sua irritação ao falar do parente. "Nem sei por que falei do Regulus. Ela não se lembra da senha, por que se lembraria de meu irmão? Que porcaria, nada consegue me distrair desse uniforme, é muita aversão!" pensou ele, com raiva de si mesmo. Acksheugh e todos os outros olharam para ele com descrença. Antes o silêncio do que falar algo desse tipo, Padfoot. – Er, mais ou menos, não somos muito próximos. Quero dizer, anos diferentes... – respondeu ela, julgando ser o mais certo a fazer. Não queria que eles a achassem invisível entre as pessoas de sua própria casa, embora tivesse de admitir que em sua época normal, era praticamente isso que acontecia.

O silêncio reinou novamente, sendo que Mary até chegou a sentir falta da garota ruiva, que ao menos conseguia manter um diálogo. Lembrou-se que tinha algo que ela havia achado curioso na hora que aconteceu, mas estava distraída para questionar alguém sobre o fato. – Quem a garota ruiva foi buscar? O chefe da Slytherin? – Marianne perguntou, recebendo risos dos dois mais altos. O mais baixo, seguindo a deixa, deu uma risada curta também. – Não, depois de certa hora Slughorn já não atende aluno algum. – respondeu James, após notar que Acksheugh continuava séria. "Slughorn? Cadê o professor Snape?" ela pensou com surpresa. Quanto tempo será que tinha voltado? Bem, não podia ser muito, já que Harry Potter era dois anos mais velho e seus pais haviam morrido em 1981, no começo de sua juventude. E se James ainda estava em Hogwarts, talvez o mestre de poções estivesse também; ele uma vez não tinha comentado que Harry era tão detestável quanto o pai em seus tempos de estrela do time de quadribol? – Mas então quem ela foi buscar? – Mary tornou a perguntar, tentando deixar a esperança de encontrar Snape de lado. James e Sirius não responderam dessa vez, nem Peter fez qualquer barulho. À meia-luz, a garota viu Remus rolar os olhos e decidir ignorar as reações dos três. – O monitor do sétimo ano da Slytherin, ele vai te ajudar a entrar.

Mal Lupin acabou de explicar a situação e sua amiga já voltava com outra pessoa a seguindo de perto. Mary não viu quem era mesmo como tal monitor iluminando o caminho com a varinha, já que as tochas do corredor estavam apagadas – como sempre ficavam depois do toque de recolher, pelo menos naquela época. "Não acredito na quantidade de gente que tem nesse corredor e ainda nem fomos pegos por um professor!" pensou a sonserina, já que o encontro de tantos estudantes àquela hora parecia absurdo. Fora que não era possível que todos fossem monitores ali: pareciam ter a mesma idade e quatro garotos de uma só casa. Ela sabia que um monitor de sua casa não ia deixar aquela aglomeração passar em branco, ela não deixaria se estivesse em seu lugar.

– Onde ela está? – perguntou o monitor recém-chegado, tirando os outros do caminho. De onde estava, Marianne notou James fechar as mãos em punhos. Ele apontou a varinha para acima da cabeça dela. – Nunca a vi antes, como saberei se não é uma de suas amiguinhas disfarçada? E por que Black e Pettigrew estão fora da cama? – ele perguntou, ao que Mary teve que sorrir. Sabia que aquilo não ia ser fácil. – Nós acabamos de acha-la, Snivellus, e os meus amigos estão comigo. Talvez tenha esquecido que eu sou o monitor-chefe? – disse James, demonstrando muita raiva e contrariedade. – Vocês podem se controlar, por favor? Eu te chamei aqui porque ela precisa de ajuda, Severus! – disse a ruiva, batendo o pé com impaciência.

Ao ouvir o primeiro nome do monitor, Marianne se esforçou para ver o rosto dele, mesmo com a luz quase que diretamente em seus olhos. Não conseguiu ver propriamente, mas notou que o cabelo dele era negro e emolduravam o rosto como uma cortina, além de ter um nariz adunco. – Severus Snape? – ela perguntou, quase que sussurrando. No silêncio de um corredor após o horário de ir dormir, entretanto, aquela frase teve o mesmo efeito de que se ela gritasse. Ele manteve a varinha apontada para ela, chegando mais perto. Ainda que em uma escuridão quase que total, ela viu seus penetrantes olhos negros se espremendo para ver quem ela era realmente. – Que seja. Vamos logo, eu colocarei você para dentro. Antes isso do que deixar que todos pensem que eu estava conversando alegremente com Black, Potter e seus amiguinhos em um corredor qualquer. – Snape disse, com a voz carregada de sarcasmo. A sonserina deu um sorriso mínimo e começou a segui-lo rumo à entrada para o salão comunal, mas não sem antes virar-se para trás e dar um aceno de cabeça para os grifinórios, em um agradecimento mudo.

O salão comunal era do outro lado do castelo e os dois andaram quase três quartos do caminho sem trocar uma palavra. Apenas os passos dos dois eram ouvidos pelos corredores, mas Snape andava de tal modo que parecia deslizar, seus sapatos quase não produziam eco nas pedras. Acksheugh tentou imitar a sua tática por um tempo, mas sem sucesso. – Em que ano estamos? – ela finalmente criou coragem para perguntar, visto que ele parecia mais difícil de ficar assustado com essa pergunta do que os cinco grifinórios encontrados mais cedo. Ele a olhou de soslaio, mas acabou respondendo que o ano era 1977. Mais um minuto de silêncio, e então foi ele quem começou a conversa. – Alguém apagou a sua memória ou você bateu a sua cabeça em algum lugar, por acaso? – ele indagou, sem esconder o tom de desprezo. Mary só se deu o trabalho de bufar; parecia-lhe que Snape monitor era mais depreciativo que Snape professor, mas pelo menos a esse ela podia retrucar. – Só estou tendo um dia difícil. – ela respondeu, a contragosto. Devia manter-se atenta para não deixar escapar nenhum indício de que usara a poção Vira-Tempo, não importava se seu professor de poções (futuro) achasse que ela era burra. Ele pareceu identificar a resposta dela como sinal de que ela não queria falar nada mais, porque durante algum tempo, o silêncio voltou.

– Qual é o seu nome? – ele perguntou, tentando parecer o mais desinteressado possível. Acksheugh entendeu que ele não estava querendo ser simpático, mas sim que estava ainda um tanto desconfiado que ela fosse uma espiã dos grifinórios. Ela ponderou se devia usar seu nome verdadeiro; só que quando se lembrou de já havia o dado ao grupo de pessoas que a encontrou, achou que seria injusto não conta-lo a seu colega de casa. – Marianne Daisy Acksheugh. – ela disse, tomando o cuidado de falar o seu nome do meio muito mais baixo. Não gostava muito dele. – Acksheugh? Eu me lembro de um sonserino com esse sobrenome que se formou há três anos atrás. É parente seu? – Snape perguntou, talvez vendo se ela metia os pés pelas mãos e se entregava como espiã de Potter. Mary fez as contas; qual era mesmo o ano de formatura de seu pai? – Se ele for sangue-puro, provavelmente é algum primo distante. – ela respondeu, julgando ser novamente uma boa resposta.

Vendo que ele ainda não demonstrava acreditar em nada de sua história, ela andou mais à frente e parou do lado do portal escondido que dava ao salão comunal, que era secreto para todos os membros das outras três casas. – Não vai dizer a senha? – provocou ela, olhando diretamente para onde ele devia se dirigir. Severus a encarou por uns instantes e murmurou a senha Omnimors para a parede móvel, que se abriu.


Aí está o segundo capítulo e um pouquinho mais de Snape para vocês!
E um obrigada especial a fraulein-madi, a primeira pessoa a mandar review!
Espero que goste desse novo capítulo, viu? Pode mandar sugestões, críticas
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Sigam o exemplo dela e deixem reviews, gents!