Terceiro Capítulo: Salão Comunal da Slytherin
A luz esverdeada do salão comunal inundou seus rostos quando Severus e Marianne entraram pela passagem. Apesar de ser um ambiente conhecido, a sala era muito diferente há dezoito anos: as poltronas eram mais altas e de cores mais escuras, havia móveis que Mary não reconhecia e as pessoas ali eram definitivamente outras. Para sua surpresa, o salão estava cheio de gente, muitos deles do quinto ao sétimo ano, mas nenhum deles pareceu se importar com a presença do monitor de sua casa. Snape a olhou de forma significativa, indicando que ela deveria segui-lo. Ela o fez, mas não sem antes reparar que muitos alunos ali poderiam ser facilmente pais ou tios de alunos de sua época, porque a semelhança era gritante.
– Não está na hora deles irem dormir? – perguntou ela a Snape, enquanto eles se encaminhavam para um grupo em particular, que conversavam animadamente. Acksheugh reparou que eles deviam ser os mais populares da casa, pois todos os olhavam em algum momento, com um misto de curiosidade, medo e admiração. – Agora é a melhor parte do dia, quando os sonserinos não têm nenhuma aula, por isso gastam o tempo que quiserem para fazer reuniões com seus... aliados. – respondeu ele, sem se preocupar em notar que seus colegas os observavam e provavelmente estariam se perguntando quem era a garota que o acompanhava para o grupo onde todos queriam estar.
Quando chegaram, os oito que estavam sentados em um círculo olharam ao mesmo tempo para Severus, inclusive um que parecia mais distante dos outros, sentado na beirada de uma janela que mostrava o lago, parecida com a claraboia de um submarino. – Essa é Marianne, parente distante de Karl Acksheugh, ao que parece. Ela é uma de nós. – disse ele antes de se sentar em uma poltrona que acabava de ser desocupada por um garoto de cabelos castanhos claros e olhos azuis, que por sua vez foi sentar em um dos degraus mais baixos da escada que levava ao dormitório masculino. – Darla, Aramintha, ela vai precisar de um lugar para ficar por hoje. Não vou me explicar; tudo o que precisam saber é que ela é da nossa casa e do nosso ano. – Snape falou seriamente, e nenhuma das duas quis argumentar, mas era óbvio que elas iriam bombardear as perguntas assim que Mary entrasse no dormitório.
– Eu a encontrei lá nas masmorras com seu irmão, Black. – disse Severus sem esconder um esgar, tentando desviar a atenção de si. – Sirius já foi riscado da árvore genealógica, Snape, não preciso mais considera-lo membro da família. – ele respondeu, secamente. Mary então se lembrou de que Sirius havia perguntado sobre aquele rapaz, qual era mesmo o nome? Regulus. Mas tirando os olhos cinzentos e o cabelo levemente ondulado e negro, os dois não tinham muito em comum, visto que Regulus era mirrado e tinha o queixo um tanto fraco. – Sirius estava com você? Muito me surpreende que ele não tenha te levado para o dormitório dele. – disse outro sonserino de cabelos negros, sendo que os dele cobriam os olhos e não deixavam grande parte do rosto aparecendo, apenas o nariz fino e pontudo e um sorriso meio maníaco. – Aliás, eu me chamo Mulciber. – se apresentou ele, afastando uma mecha para trás de sua orelha, o que possibilitou que Mary visse um olho de um azul muito claro, quase branco. Bem próximo dele, estava uma cicatriz abaixo da sobrancelha. Até sua voz parecia um bocado sombria e chiada, um sentimento que era piorado pelo aspecto pontiagudo dos dentes do mesmo. Severus olhou para ela novamente e indicou um sofá de dois lugares, um assento vago ao lado de um terceiro sonserino de cabelos negros, só que os dele eram cortados rente à cabeça e ele tinha olhos cor-de-mel. Ele logo sorriu para ela e se apresentou como Avery. Não citou seu primeiro nome e Acksheugh também não achou interessante perguntar.
Após alguns minutos de conversa despretensiosa, Marianne descobriu que aquele que havia sentado na escada do dormitório se chamava Damian Pucey (pai de Adrian, talvez?) e o mais quieto de todos era Evan Rosier, aquele da janela, que tinha cabelos castanhos muito lisos e olhos verdes. Ele brincava com uma faca de bolso o tempo todo e guardava sua varinha em uma espécie de suporte atado ao seu braço esquerdo. Avery havia comentado que era o lugar mais indicado para guardar uma varinha para evitar ser surpreendido por inimigos. As únicas mulheres além dela no grupo eram as já citadas Darla Austen e Aramintha Yaxley, ambas louras e setimanistas. A principal diferença entre elas é que Darla era mais bonita e tinha cabelos longos, já Yaxley tinha as madeixas curtas e tinha a aparência muito esnobe. O último, um tal de Walden Macnair, parecia ser o homem mais forte da Slytherin, já que parecia poder com facilidade arrancar uma árvore do chão. Ele tinha cabelos longos e – adivinhem – pretos, atados com uma fita que parecia ser de couro muito gasto.
– Você irá à festa pomposa na casa de Lucius, Severus? – perguntou Mulciber, colocando as pernas para cima da mesa de canto que estava ao seu lado. – Suponho que você não tem mais a sua velha desculpa, já que claramente arrumou uma companhia para levar à reunião. – completou, virando o rosto significativamente para Marianne. Snape olhou para ele com as sobrancelhas juntas, como se tentasse chegar a uma decisão sobre o quão vantajoso seria se desentender com o colega de casa agora. – Não creio que a senhorita Acksheugh ache a ideia dessa reunião muito proveitosa. – ele respondeu apenas, sem desviar o olhar de onde imaginava que os olhos de Mulciber estariam. Marianne pensou no quanto era estranha a sensação de ter o monitor Snape se referindo a ela como o professor Snape fazia. – E acho que não ficarei até a data dessa festa, já que planejo ver o diretor amanhã mesmo, para tratar do meu... da minha transferência para Durmstrang. – mentiu ela, lembrando que não devia mencionar a poção de modo algum. Darla e Aramintha se entreolharam e fizeram cara de surpresa. – Durmstrang? Mas parece que você acabou de chegar! Esse seu último ano acima de tudo, nem é uma verdadeira vantagem mudar de escola agora... – falou Austen, parecendo verdadeiramente abalada com a mudança de Mary. "Parece que ela se importa mais com isso do que Imogen se importaria..." ponderou Acksheugh. – Se ela quer mesmo ir, deixem-na. Vocês podem achar outra boneca com quem brincar. – disse Snape, com um sorriso no canto dos lábios. Mulciber tornou a afastar a franja e olhar para ela com aquele rosto bizarro, como se quisesse olhá-la melhor. "Boneca, de fato" ela o ouviu falar.
Marianne se surpreendeu com a repulsa que de repente estava sentindo. Não por Mulciber, que não obstante também era alvo desse sentimento, mas com o Snape. Ele era seu professor, não o favorito, mas um dos melhores que tinha. O fato de ele ser reservado e às vezes bem parcial – o que ela não admitia para os colegas de outras casas, claro – não afetava sua admiração por ele, já que ela sempre achava que era apenas o jeito dele mesmo, esse lado meio sonserino que todo mundo tem. Mas ali, com o monitor Snape, ela via um lado dele do qual não gostava nem um pouco. Tratá-la como uma boneca qualquer feria o seu orgulho gravemente; ser desdenhada era algo que a deixava furiosa.
Só que Acksheugh não demonstrou sinal algum de ter sido atingida pela ofensa, apenas sorriu minimamente – algo que ela aprendeu com muitos anos de prática na Slytherin, afinal ser levado pelas emoções era considerado "grifinório demais" pelos seus colegas. O assunto logo voltou a ser a festa do tal de Lucius, o que aparentemente era a conversa favorita das duas garotas: Darla seria o par de Damian e Aramintha seria o de Avery. Mulciber e Evan Rosier iriam sem pares, Walden Macnair levaria a irmã de Rosier que pertence à Hufflepuff e Regulus ia com uma garota do seu ano. Marianne até podia entender porque todos os três que iam sozinhos estavam nessa situação: Rosier dava medo por ser calado, sair com Mulciber seria o mesmo que sair com um diabrete, Snape tinha aquela atitude terrível e também não era muito atraente. Mas ao que parecia, não era bem assim. Mary ouviu de Pucey que Rosier declinou várias propostas de garotas que seus amigos julgavam "dignas da posição" (ao que parece, elas achavam a falta de vocabulário dele... hm, atraente); a própria Aramintha havia planejado ir com Mulciber mas ele decidiu ir sem ninguém depois; quanto a Snape, Damian infelizmente deixou escapar que achava que ele só aceitaria ir acompanhado se fosse por uma certa ruiva grifinória, o que fez todos os outros olharem feio para ele. A simples menção disso fez Mulciber sair da posição confortável que estava para sentar todo duro na poltrona, cruzando os braços.
Com se fosse uma pedra, a lembrança do que havia acontecido mais cedo nas masmorras acertou Marianne bem no meio da testa. Havia uma ruiva grifinória no local. Aliás, ela quem havia buscado Snape, e ele certamente pareceu muito mais caridoso depois que ela o chamou pelo primeiro nome. Sim, tudo fazia sentido! Ela tinha acabado de formular a pergunta "Mas eles não gostam dessa garota só por ela ser Gryffindor?" quando Mulciber deu a resposta, muito aborrecido por Pucey ter se lembrado dela. – Ela é uma sangue ruim. Snape não a levaria, mesmo se ainda quisesse. – disse ele, obviamente contrariado. Severus continuava impassível.
Agora, Mary via todo o problema. Criada por pais puristas, ela tinha plena consciência do que aquilo significava para um grupo como aquele. Acabou sentindo um misto de simpatia e pena pelo seu futuro professor, mesmo que estivesse determinada a nunca deixar que ele soubesse disso. Um silêncio que Acksheugh não havia percebido por causa de seus muitos pensamentos começou a se intensificar desde as últimas palavras de Mulciber, só sendo interrompido quando Darla bocejou. – Está ficando tarde, e já que nenhum dos senhores vai começar um assunto que preste, eu e as meninas vamos nos retirar. Vamos, Mary, afinal você verá o diretor amanhã. – ela disse, levantando-se e sendo imediatamente imitada por Yaxley.
Acksheugh também se levantou e as seguiu para o dormitório feminino, mas não sem antes dar uma última olhada para trás. Ao virar-se, notou que os homens não haviam se retirado também; em vez disso, havia se aproximado e agora conversavam aos cochichos. Ela havia achado aquilo intrigante, mas decidiu não comentar com as outras.
Chegando ao dormitório das sonserinas do sétimo ano, Darla abriu espaço para mais uma cama com a varinha, enquanto Aramintha conjurava uma para colocar entre o lugar onde ela dormia e a porta. Elas colocaram seus pijamas e Mary conjurou um para si, deitando-se em seguida. – Então, o que aconteceu com você? – perguntou Yaxley, em voz baixa para não acordar as outras três colegas que já dormiam. – É uma história meio looonga... – respondeu Acksheugh fingindo uma voz grogue, para logo depois virar para a porta e calar-se de vez. Com isso, esperava fazer as duas acreditarem que ela já estava dormindo, o que não demorou a acontecer.
TERCEIRO CAPÍTULO, AEEE!
Não percam o próximo, que é quando Mary vai finalmente buscar respostas com Dumbledore. Afinal, ele é sempre o glossário de Hogwarts, né?
Respondendo aos reviews:
1. Flah: Espero que esse capítulo corresponda à sua ansiedade então, principalmente por você estar gostando desse Snape em especial. Eu também adoro a Sonserina, mas fico meio insegura de fazer personagens dessa casa. Antes, eu fazia muito corvinais nas minhas fanfics. Enfim, não deixe de continuar a mandar reviews, para eu ver se está tudo correndo de acordo com as suas expectativas. :D
2. Alvta Solon: Como eu disse antes para a Flah, espero que o capítulo corresponda à sua ansiedade! :D A história vai ser revelada aos poucos, estou planejando fazer dessa uma fanfic com quantidade considerável de capítulos. Espero que esse tenha sido mais esclarecedor. Obrigada por mandar o seu review e, por favor, mande mais. Eu adoraria saber sua opinião sobre o desenrolar da trama.
3. Pri Shiranui: Eu não preciso ler o manifesto, pois sei muito bem o que é uma Mary Sue. Até avisei no meu profile que minhas personagens poderiam ser um pouco assim. Mas tudo bem, você não teria como saber, porque não avisei no começo da fanfic. My bad. Mas o fato é que eu criei essa conta para me divertir, e para mim é divertido manter Marianne do jeito que eu imaginei que ela seria desde o começo, Mary Sue ou não. E claro que você pode fazer o que bem entender, mas eu realmente espero que você não julgue uma fanfic que está no começo só porque a principal é uma viajante no tempo. Entretanto, devo agradecer pela dica e pelo review, já que me pareceu que você realmente quis me fazer um favor. Então, obrigada, viu? Continue comentando, se quiser.
