Prólogo


2005, House Lynne.

Os dois rapazes ruivos olharam a grande casa em estilo vitoriano e suspiraram, eles eram exatamente iguais. Altos, levemente desajeitados, cabelos ruivos revoltos e olhos verdes claros que em certos tipos de luz pareciam cinzentos.

Dentro da casa tudo estava apagado e a própria essência da propriedade parecia ter sido perdida, duas malas grandes de couro e aparência cara estavam ao lado de cada um dos rapazes, um dele abaixou a cabeça levemente e perguntou ao irmão gêmeo.

- Temos mesmo de fazer isso, Gid?

O outro ruivo engoliu em seco observando a casa e então pousou a mão sobre o ombro do gêmeo e disse em um tom finalizador e cheio de liderança.

- Infelizmente, Fab, nós temos. Nós vamos embora, mas voltaremos. – prometeu e então se abaixou ligeiramente e pegou sua mala virando-se e caminhando lentamente para longe da casa e em direção ao mercedes negro com motorista que os esperava na entrada da casa.

Fabian secou rapidamente o olho ao sentir a teimosa lágrima cair de seus olhos e então aspirou fundo como se assim pudesse conter o cheiro e as lembranças que a casa trazia e com dor deixou lentamente o ar escapar de seus pulmões, pegou sua mala e entrou no carro atrás do irmão partindo sem olhar para trás.

Mas ambos os ruivos sabiam que aquilo não seria por muito tempo, eles haviam sido obrigados a sair de House Lynne por misteriosos motivos, mas isso não os afastaria para sempre da cidade natal e de seu lar. Eles voltariam, e voltariam preparados para tudo.

Discretamente o rapaz loiro que estava escondido na orla da floresta que se situava perto da mansão Prewett saiu e observou o carro partir, um pequeno sorriso apareceu em seus lábios enquanto percebia que os gêmeos iriam embora da cidade e talvez nem mesmo voltassem.


2011, House Lynne.

House Lynne era uma pequena cidade dos Estados Unidos, ficava entre Nevada e Oregon. Seus habitantes eram ainda que unidos muito separados. As paisagens do local atraiam muitos turistas o que dava a renda da cidade;

Cachoeiras, trilhas, e a mansão Riddle.

A mansão Riddle era a velha casa abandonada dos fundadores da cidade, desde que seu ultimo descendente morrera, Tom Riddle Jr., a casa ficara desabitada e logo começaram as lendas de que o local era assombrado. E como todos sabem bem, nada atrai mais turistas que velhas casas assombradas.

E era daquilo que duas jovens moradoras de House Lynne, carinhosamente apelidada de HL por seus moradores conversavam.

- Eu soube... – dizia uma delas animadamente. Ela tinha cabelos negros e ondulados e a pele apesar de pálida tinha uma lembrança de dourado que lembrava o mediterrâneo levemente e os olhos dela eram em um tom escuro e sedutor. Um sorriso secreto brilhava em seu rosto. – Que não vão mais poder mostrar a mansão dos Riddle aos turistas!

A outra, uma loira alta e com grandes olhos azuis claros suspirou enquanto ouvia a amiga fofocar animadamente. A pele dela era pálida e seus cabelos não iam muito além dos ombros, eram mais ondulados que os da morena a ponto de quase serem cacheados.

- Isso é bobagem, Sue. Desde sempre a mansão Riddle é parte do passeio turístico da cidade. A maioria das pessoas vem aqui só pra ver aquela coisa feia! – a loira retrucou cansada de repetir aquilo.

Sue revirou os olhos e se inclinando sussurrou no ouvido da amiga.

- Eu ouvi papai e os outros conversarem sobre a casa ter sido vendida e tentar fazer um arranjo com os novos donos para permitir os turistas entrar na propriedade e dar uma olhada. – ao ver a descrença nos olhos claros da outra Sue quase grunhiu irritada. – Não estou mentindo, Emmeline! Você vai ver! Vamos ir à mansão e te mostrarei a placa que já devem ter colocado lá!

Emmeline suspirou sabendo que Sue não iria parar até ela acreditar e brevemente a loira pensou em fingir ceder e acreditar nas bobagens de Sue, mas a garota se recusava a mentir, principalmente para a amiga. E apesar de tudo isso a tentação de mentir simplesmente para ficar longe da casa que lhe dava arrepios era grande.

- Porque não podemos esperar e ir lá outro dia, Sue? Talvez esperar todos saberem da noticia? – sugeriu a garota sem esperança.

- Não! – Sue disse firmemente. – Vamos lá agora, Emme! Deixe de ser covarde, é só uma casa velha que tem moveis sujos de pó e madeiras que ficaram húmidas e agora rangem.

Emmeline se remexeu desconfortável e sussurrou.

- Eu odeio aquele lugar. – Sue suspirou e apertou a mão da amiga compreensiva.

- Eu sei, também não gosto de lá. Mas precisamos ser as primeiras a saber, Emme! Prometo que se for comigo nunca mais te obrigo a ir até lá.

Emmeline a olhou duvidosa.

- Promete? – Sue sorriu vitoriosa.

- Absolutamente!

As duas subiram a colina que levava até a mansão e observaram a construção de longe. Era toda feita de pedra e fora pintada de amarelo, mas a tinta estava desgastada e suja em varias partes. Janelas por toda a frente e o telhado era negro e também sujo. Era um lugar enorme e bonito de uma maneira estranha e grotesca.

Emmeline se abraçou conforme se aproximavam da mansão sentindo-se arrepiar toda conforme observava o local. Todos achavam a mansão algo horrível e belo, menos ela. Para ela, aquele local sempre seria assustador e sombrio, portador de tristes histórias e mortes sangrentas.

Às vezes a loira se indagava se era a única em House Lynne que se lembrava como a linhagem dos Riddle acabara. Filho e pai lutando até a morte e ambos se matando, tudo por uma mulher mesquinha e arrogante. Mas essa, de longe, não era a pior história. Existiam muitas outras, histórias que assustariam a todos e que o povo de HL preferira esquecer e enterrar junto de seus mortos.

- Viu? Eu disse que tinha sido vendida! – Sue falou animadamente.

Emmeline piscou diversas vezes e prestou atenção ao que Sue apontava, ali, ao longe no meio da grama estava uma enorme placa. Emmeline precisou piscar mais algumas vezes até poder ler.

Vendida.

Proibida a entrada não autorizada.

- Vamos Sue, você viu que é proibido entrar aqui agora. – Emmeline disse imediatamente sentindo-se aliviada de ter uma desculpa de sair do local.

Sue, entretanto, puxou o braço e sorriu levemente sapeca.

- O que os olhos não veem, o coração não sente.

- Sue, não! – Emmeline gritou esticando o braço para puxar a morena, mas Sue já correra e entrara na casa.

A loira ponderou por vários segundos o que fazer até decidir seguir a amiga dentro da mansão e tirá-las de lá antes que se metessem em problemas de novo pela impulsividade de Sue.

- Sue...? – chamou, sua voz ecoando.

- Bu! – gritou Sue batendo nos ombros de Emmeline fazendo a loira gritar alto.

- Não foi engraçado! – a loira retrucou ainda assustada. – Vamos sair daqui! – disse firme, puxando a amiga para fora da casa.

Sue ainda ria quando voltaram à cidade e Emmeline estava emburrada pela brincadeira irritante de Sue.

- Não foi nada divertido, Sue! Eu quase tive um ataque cardíaco.

Sue riu mais e teve de parar para recuperar ao fôlego.

- Deixe de ser boba Emme! Se fantasmas existirem, o que eu duvido, eles só iriam aparecer de noite! – Emmeline suspirou sabendo que não adiantava se irritar com Sue, a morena nunca iria mudar.

Olhando rapidamente em direção a mansão a loira viu o sol lentamente se por e dar uma sombra assustadora na mansão, tremeu levemente e enlaçou seu braço no de Sue.

- Vamos ir para o Rosine's, Sue. Assim você pode babar um pouco mais pelo Remus! – Sue riu e concordou então logo começou a tagarelar novamente.

- Quem você acha que serão os novos moradores da mansão Riddle?

Emmeline nunca teve a chance de responder, porque no momento em que Sue fez a pergunta elas chegaram ao Rosine's e a atenção da morena fora desviada para os amigos de ambas que estavam ali e para Remus Lupin, objeto de afeto e desejo da morena.


N/A: Está sem betagem, obviamente. Eu ainda tenho que conversar com minha Mummys (Luci E. Potter) que é minha beta em Bloowari se ela aceita betar Vamps também. Como podem ver está bem diferente da outra versão, a história segue nas mesmas linhas, mas também tem muitas mudanças. Principalmente nos personagens, a personalidade deles vai ser um tanto quanto diferente e Aninia e Regulus não vão mais aparecer. Bem, espero que gostem e leiam essa fanfic com tanto prazer quanto liam a antiga versão. Beeijos amados.