CAPÍTULO O1 – Mudanças
2011, Portland.
Sirius terminou de fechar sua mala e bufou sentindo-se cansado depois de toda aquela semana em que haviam ficado preparando as coisas para a mudança. O moreno não entendia porque Lily insistia tanto que eles mesmos deviam arrumar as roupas e todas as outras coisas quando existiam empresas bem capazes de fazer isso.
E não era como se o dinheiro fosse problema. Afinal, quando se vive por mais de duzentos anos você consegue acumular bastante dinheiro. O moreno empurrou a mala para o chão e se deitou na cama contando as ranhuras no teto sentindo-se entediado.
- Sirius! – Lily disse em um tom repreensivo. – Levante! Temos muita coisa pra arrumar ainda.
- Eu acho que... – Sirius começou a retrucar, mas logo bufou e fez um gesto de descarte sabendo tão bem quanto Lily que assim que terminasse de falar a ruiva diria o mesmo de sempre.
Que eles eram capazes de fazer aquilo e não demoraria tanto quanto os humanos e que existiam coisas valiosas e perigosas ali que não deveriam ser vistas por qualquer outro além deles.
- Sirius. – Lily disse gentil. – Eu sei que você está cansado e chateado, mas eu realmente acredito que essa mudança vai nos fazer bem.
- Saia.
Lily suspirou e tentou tocar o ombro de Sirius falando ainda gentil e cuidadosa, completamente preocupada com o amigo.
- Six, faz um ano desde que ela...
- SAIA! – Sirius gritou os olhos se avermelhando ligeiramente. James de repente apareceu e puxou a ruiva para fora do quarto.
- Deixa ele, Lils, deixa. – o moreno disse sério e preocupado com o melhor amigo.
- Mas... – a ruiva começou a falar.
- Ele precisa de espaço. – foi tudo que James disse entrando em seu próprio quarto e terminando de separar as coisas que levaria e as que deixariam naquela casa.
Ali, em Portland, morava um grupo de jovens incomuns. Dizia-se que haviam se emancipado de pais muito ricos para poder fazer orgias entre eles. Não se misturavam com a comunidade e passavam a maior parte do tempo juntos, haviam comprado uma discreta casa em um bairro afastado de todos e se mantinham ali.
Não eram vistos trabalhando ou mesmo estudando e os pais avisavam seus filhos para se manterem longe deles, dizendo que era más influências e exemplos de vagabundagem e falta de respeito e consideração. A ultima parte era principalmente dita pelas mães da comunidade.
Eram cinco jovens. Duas garotas e três garotos, todos pareciam ter entre dezessete e vinte anos não passando disso. Eram todos muito bonitos e carismáticos e isso os deixava de uma forma controversa ainda mais afastados da comunidade.
Jeremy Jones, Lily Evans, James Potter, Dorcas Meadowes, Sirius Black. Todos muito diferentes e ainda assim haviam pequenas semelhanças entre eles que faziam com que as pessoas se indagassem sobre um possível parentesco.
Jeremy tinha cabelos negros lisos e finos, olhos azuis quase escuros, era alto e magro, mas possuía alguns músculos, nada como Sirius. Este tinha cabelos castanhos tão escuros que eram quase negros e olhos cinzentos, era musculoso era pouca coisa mais baixo que Jeremy e pelo menos três vezes mais musculoso.
James tinha cabelos castanhos escuros e olhos esverdeados em um tom bonito de avelã, era o mais baixo dos três e um pouco musculoso. As garotas eram completamente diferentes uma da outra, Dorcas tendo clara descendência latina por sua pele morena, cabelo negro cheio e com ondas charmosas, olhos castanhos claros.
Lily tinha o cabelo em um tom forte de ruivo, chamativo e bonito, seu cabelo era completamente liso e ela possuía grandes olhos em um tom verde esmeralda como os amigos gostavam de provocá-la. Era mais baixa que Dorcas e possuía menos curvas que a latina também vendo que essa tinha curvas tão chamativas que era quase pecaminoso.
Mas todos eram amigos e muito unidos apesar de por todo o tempo que estiveram em Portland e foram vistos pelas pessoas de lá os habitantes do local diziam que eles sempre tinham um brilho melancólico e triste nos olhos, principalmente Sirius. Ninguém nunca foi suficientemente corajoso para se aproximar e tentar descobrir o porque daquilo.
Afinal, eles eram jovens, aparentemente nada faltava, não existiam pais para controlá-los e todos eram muito bonitos, carismáticos. O que poderia possivelmente fazê-los infelizes?
E ainda assim, durante todo o tempo que ficaram em Portland sorrisos eram raros nos belos rostos daqueles jovens e talvez de uma forma cruel a melancolia e tristeza os deixavam ainda mais belos, como se fossem a própria imagem da tristeza criando vida.
Dorcas suspirou enquanto tentava se concentrar nos livros a sua frente e decidir quais queria levar, uma tarefa difícil vendo que a morena era uma leitora avida e se cansava facilmente e estava sempre procurando algo completamente novo.
Ou, o que dificultava ainda mais para ela, às vezes tinha crises e somente queria ler um livro que lera há muito tempo atrás. Ficava rabugenta até ler o livro ou pelo menos suas partes favoritas dele. A morena puxou dois livros ao mesmo tempo e pilha onde eles se encontravam dobrou e caiu, Dorcas praguejou enquanto se abaixa e verificava com cuidado e preocupação se nada havia ocorrido aos livros.
Com um olhar surpreso ela puxou lentamente a ponta de uma foto que parecia presa dentro de um livro e logo se arrependeu da ação. A foto era velha e não era colorida, nela, duas crianças estavam deitadas em um sofá. Um menino e uma menina muito parecidos, via-se pela foto que ambos tinham cabelos negros e a pele morena.
O menino usava um óculos e tinha uma das mãos no cabelo da garotinha, esta estava deitada na perna dobrada dele, chupava uma chupeta e olhava calmamente para a câmera. Apesar da foto ser simples existia um sentimento potente nela.
Dorcas sentiu lágrimas arderem em seus olhos e duramente as controlou, aquilo tudo ocorrera há muito tempo e a morena sabia que não adiantava mais chorar. Nunca mudaria nada, absolutamente nada.
- Você está bem Dor? – a latina ouviu a voz suave de Jeremy e levantou os olhos lacrimejantes para ele.
Rapidamente, em uma velocidade quase não humana, Jeremy aproximou-se da morena e a abraçou apertando, balançando-a levemente como se ela fosse uma criança. Os olhos azuis escuros dele brilhavam tristes e compreensivos.
- Vai ser bom sairmos daqui, esse lugar não nos fez bem nenhum.
Dorcas concordou e logo colocou a foto dentro de um livro qualquer que separou dos outros o colocando na pilha que levaria. Atualmente a morena mal se lembrava daquela fotografia, mas agora que a encontrara não podia se separar dela.
- Espero que nunca voltemos pra cá. – a latina disse de repente, encostando a cabeça no ombro de Jeremy.
- Duvido que vamos, Lily estava sugerindo vender a casa. – o moreno concordou.
- Estava não, já achamos um comprador. – disse James entrando no quarto onde Dorcas e Jeremy estavam e se sentando de frente para eles.
- Quem é o comprador? – Jeremy perguntou curioso. James deu de ombros e disse despreocupado.
- Ele preferiu se manter anônimo, depositou o dinheiro e não reclamou do valor pedido pela casa. Anonimato foi sua única exigência. – o moreno estava tranquilo enquanto contava. – Como nós muitas vezes fazemos a mesma exigência a Lils aceitou o pedido dele e mantivemos tudo muito impessoal e anônimo.
Dorcas simplesmente estava sentada ali, sua mente voando enquanto pensava rapidamente em varias coisas, se lembrava de outras. Até a morena levantar abruptamente e dizer com um sorriso charmoso.
- Como vamos vender a casa eu vou precisar de mais uma ou duas malas... Se não vamos voltar aqui tenho que tomar um cuidado extra com os livros que vou deixar pra trás. – Jeremy e James se entreolharam e o mais alto disse cautelosamente.
- E você, eu suponho, vai querer nossa ajuda? – Dorcas sorriu ainda mais e disse empolgada.
- Que bom que vocês se ofereceram pra ajudar! Eu vou amar receber dois pares de mãos extras.
James suspirou e disse falsamente cansado e irritado.
- Você me deve uma, cara. – Jeremy riu para o amigo e começou a ler os títulos dos livros de uma das pilhas.
- Dor, você separa seus livros como? – James perguntou minutos depois, cheio de curiosidade enquanto tentava decifrar qual era a ordem que Dorcas determinava para usar seus livros.
- Alguns são por série, autor, título. Outros por assunto e tem até mesmo alguns por tipo de capa ou gênero.
- E você tem quantos mesmo? – James voltou a perguntar enquanto separava dois livros deixando um na pilha dos que iria e o outro nas do que ficaria.
A morena deu um sorriso amarelo, se levantou do tapete onde sentara rodeada de livros e abriu as portas duplas dentro do quarto que nenhum dos rapazes reparara. James e Jeremy literalmente gemera cansados ao ver o quarto cheio de prateleiras que Dorcas mantinha com livros.
- Tudo isso? – Jeremy perguntou levemente aflito. Dorcas riu amarelo e respondeu.
- Só isso.
Os três morenos respiraram fundo e entraram dentro do quarto enquanto encaravam a missão de separar os livros de Dorcas e achar malas suficientes para eles.
2011, França.
A garota loira estava sentada com um pequeno filhote de dálmata no colo e um ao seu lado no sofá onde ela estava sentada. A televisão a sua frente ligada em um canal de noticiário americano, ela parecia prestar toda a atenção nele enquanto as palavras da jornalista eram ditas.
- Marie? – os olhos castanhos da garota foram em direção à porta e ela sorriu de lado para a mãe e disse em francês.
- Oui*?
Observando o rosto da mulher mais velha, extremamente parecida consigo mesma Marie imediatamente ficou preocupada. Sua mãe, Louise, nunca parecia preocupada e naquele momento seus grandes olhos azuis estavam arregalados de pânico e ela parecia pálida, também tremia um pouco.
- Maman, tu vas bien? Maman? Qu'est-ce qui se passe*?
Louise caminhou apressada em direção à filha e apertou seus braços envolta dela, Marie correspondeu o abraço cada vez mais assustada e antes que pudesse falar Louise colocou a mão sobre sua boca. A garota concordou e a mulher mais velha parecia ficar tranquila por alguns momentos até andar em direção a uma escrivaninha que sempre permanecera fechada e tirar uma fechada e destrancar.
Marie prendeu a respiração, completamente surpresa e esperando algo grandioso de lá. Mas ao ver a mãe somente dois envelopes pardos de lá a garota sentiu-se levemente desapontada, mas ao ver Louise respirar fundo e puxar papeis de um deles ir até o fim da pagina e assinar sentiu-se novamente curiosa.
- Maman?***
- Calme, Marie, je dois me concentrer... Je ne peux pas abandonner maintenant.****
Marie assentiu rapidamente, ficando assustada com o jeito da mãe. O que diabos estava acontecendo?
- Cela a à voir avec le papa?*****
Louise mandou um olhar gelado para a filha e disse ríspida enquanto puxava o outro envelope e assinava também.
- Jamais! Ne jamais parler de cet homme, Marie!******
A garota abaixou a cabeça envergonhada e não disse mais nada. Minutos depois Louise parou a sua frente e segurou seu rosto entre as mãos olhando a filha como se tentasse gravar o rosto dela. Tocando de leve as bochechas rosadas da filha a mulher disse firmemente.
- Vous allez quitterla France,très loin.En dehorsde l'Europe.Il ya uneville des États-Unis ...LynneHouse,c'est là queMariedevrait aller. Voici...– a mulher colocou os papeis sobre as mãos de Marie que parecia cada vez mais surpresa, assustada e chocada. – Ces rôles, leur émancipationet ils sont tousde l'argentla familleen passantà vousun compte secretque j'ai créé pourla sécurité.Ne parlez jamaisà personne desa famille, ma petite fleur, Marie ne fait pas confianceà personne etne jamais revenir.Ne pas essayerde me trouver, ou n'importe qui quiajamais connu.*******
- Maman?
Louise negou com a cabeça e abraçou a filha então a empurrou, os olhos claros cheios de lágrimas enquanto observava o rosto da filha.
- Qu'est-ce qui se passe?********
– Adieu, ma petite fleur.
Marie não entendeu nada até ver a mãe simplesmente andar para fora da casa, entrar em seu carro e partir. Ainda atordoada a francesa ofegou e olhou os papeis em suas mãos, as lágrimas encheram seus olhos, mas Marie se recusou a chorar. Desde quando o pai desaparecera a garota nunca deixara uma lágrima sequer cair. Sobrevivera. Junto da mãe.
E agora ela se fora.
- Maman? – chamou em silencio, como se isso fosse trazer Louise de volta.
E com um terrível pressentimento a garota soube que nunca veria sua mãe novamente. Que assim como perdera o pai, perdera a mãe. E agora estava completamente sozinha. Sem ninguém para protegê-la, amá-la, cuidar dela...
Soluçou sem lágrimas, mas logo recuperou o controle e lembrou das palavras da mãe. De duas em particular.
- House Lynne. – sussurrou.
Fora a única coisa que sua mãe dissera, a única indicação, o único sinal. A loira correu as escadas acima da mansão onde morava, a mansão de sua família. Os papeis ainda em suas mãos. Pegou suas roupas e jogou dentro de malas. Ofegando colocou os papeis em um fundo falso de uma das bolsas.
Afastou o cabelo do rosto e passou a mão no rosto como se assim fosse secar as lágrimas inexistentes. Pegou então a bolsa onde colocara os papeis mais calma, então começou a ler, percebendo que eram três, na verdade.
Desde que o pai fora embora, Louise mudara o sobrenome de ambas para seu nome de solteira. Chevalier. O sobrenome antigo e nobre que a loira mais velha rejeitara em favor de um belo inglês que conhecera. Edgar Johnson. Seu pai.
Mas agora, vendo aquele terceiro papel Marie finalmente compreendeu o quão grande deveria ser sua mudança, o quanto teria de deixar para trás. Não seria mais uma Chevalier, não seria uma Johnson...
A partir daquele momento ela seria uma Night. Marie Anne Chevalier morrera, e agora Marie Elizabeth Night nascera. Ofegou levemente enquanto o peso de tudo aquilo lhe atingia e fechou os olhos levemente então voltou a arrumar suas coisas, forçando-se a ser forte e deixar para desmoronar quando estivesse segura.
O que quer que isso significasse aquela altura.
2011, House Lynne.
Remus John Lupin era um jovem respeitável de House Lynne. Nascera na cidade, crescera lá e todos acreditavam que ele morreria lá. Remus era o tipo de jovem que toda mãe iria querer para sua filha, ele era educado, gentil, responsável. E tinha uma história triste.
Os pais de Remus haviam morrido quando ele era ainda um bebê, de modo que crescera em um orfanato, nunca tendo sido adotado. Ele assim que saiu do orfanato foi trabalhar na Pousada & Bar de Rosmerta, outra jovem de HL.
Todos secretamente torciam para um casamento entre os dois, vendo que estavam sempre juntos e pareciam combinar perfeitamente. Ele com sua beleza loura de olhos castanhos claros e ela toda ruiva e de olhos castanhos escuros.
Mas Lupin parecia não ser interessado em relacionamentos e ainda assim ninguém o via trabalhando loucamente, como um workaholic, de fato, ele parecia ser um simples cidadão comum. Trabalhava durante o dia, ajudava todos que atravessavam seu caminho, não se metia em problemas.
Isso tudo, para Sue Cartez, fazia com que Remus Lupin se tornasse um enigma, pois a bela morena não conseguia acreditar que alguém tão santo existisse e estivesse vivo. Ela queria provar que um lado mais carnal e sombrio do loiro existia.
Ela queria dar vida ao tedioso Lupin. Ela queria despertar o lobo. E não descansaria até conseguir.
Olhos vermelho sangue brilharam na escuridão enquanto a criatura observava a bela garota dormindo, ela parecia serena e completamente diferente de sua natureza normal. Um sorriso doentio e bestial apareceu no rosto da criatura.
Presas ficaram a mostra e brilharam com o luar, em um tom perolado de branco. Os olhos vermelho sangue brilhavam desejosos e no ar as palavras pareceram flutuar.
Em breve, minha querida... Em breve...
* Sim?
** Mamãe, você está bem? Mãe? O que está acontecendo?
*** Mãe?
**** Quieta, Marie, preciso me concentrar... Não posso desistir agora.
***** Isso tem a ver com o papai?
****** Nunca! Nunca fale sobre esse homem, Marie!
******* Você irá embora da França, para bem longe. Fora da Europa. Existe uma cidadezinha nos Estados Unidos... House Lynne, é para lá que deve ir Marie. Aqui... Esses papeis, eles são sua emancipação e todo o dinheiro da família passando para você por uma conta secreta que criei por segurança. Nunca fale sobre sua família com ninguém, minha pequena flor, não confie em ninguém Marie e nunca volte. Não tente me procurar, ou ninguém que já conheceu.
******** O que está acontecendo?
********* Adeus, minha pequena flor.
N/A: Esse capítulo ficou pequeno, mas os próximos vão ficar maiores. As traduções estão ai, se o francês estiver errado culpem o Google Tradutor! Eu colocaria imagem dos personagens no meu perfil, mas parece que os links do fanfiction desapareceram... Quando eles voltarem eu coloco todos os personagens lá, okay? Capítulo sem betagem, mas acredito que veio rápido certo? O próximo eu não garanto que venha tão rápido ^^' Ahh sim, uma duvida que tenho: vocês querem prévias do próximo capítulo nos anteriores ou preferem personagens respondendo as reviews? Mandem reviews dando a opinião! Sem resposta das reviews hoje, estou resfriada e acredito que vou deitar... *suspiro*
Beeijos,
1 Lily Evans.
