Capítulo 2
Home not-so-sweet home
Snuffles veio latindo todo o caminho pra casa, enquanto Sirius reclamava e dizia que Harry havia perdido a cabeça se achava que ele e os pais iriam aprovar aquilo. O moreno apenas revirava os olhos e acenava com a cabeça, fingindo ouvir o que o padrinho dizia. Harry estava, na verdade, tentando imaginar o que Draco faria ou diria numa situação daquelas.
- Sirius, por favor... – Ele pediu pela centésima vez quando a picape estacionou na entrada da garagem.
- Eu sinto muito Harry, mas é pro seu próprio bem. Eu não posso deixar que esse garoto acabe se aproveitando de você, entende? Por que é isso que os Malfoy fazem.
Sirius desceu da picape quase voando e atravessou os portões em passos rápidos, quase correndo, em direção a porta da frente. Harry fez o mesmo caminho, quase se arrastando, sabendo que o que estava por vir seria bem cansativo. Sirius usou a chave que possuía para entrar, e antes mesmo de chegar à sala de estar já chamava pelos pais de Harry.
- Lily? Lily! – Sirius andava de um lado para o outro, sem saber exatamente aonde ir. – James!
- Sirius? O que diabos está acontecendo? – James quase tropeçou na escada enquanto descia correndo.
- James! Argh, finalmente. Você não tem noção do que seu filho está fazendo! – Sirius gesticulava mais do que necessário.
- O que? O que foi? – James levou seu olhar até Harry, que finalmente apareceu à porta.
- Eu fui buscá-lo no colégio e ele estava de conversinha com o filho do Malfoy!
Harry soltou uma risadinha, largando-se numa poltrona qualquer e deixando sua mochila cair no chão. Sirius fazia soar como se Harry tivesse sido pego usando drogas enquanto torturava um cachorrinho.
- Ah meu Deus. – James cobriu o rosto com a mão, deslizando-a pelos cabelos logo em seguida. – Filho do Malfoy, Harry? Mesmo?
- O que está acontecendo? – Lily veio da cozinha enxugando as mãos numa toalhinha branca.
- Harry está fazendo amizade com o filho do Malfoy. – O pai informou.
- Eu já disse que não estou fazendo amizade com ele. Dumbledore mandou que ele me acompanhasse durante as aulas. Só isso. – Harry deu de ombros.
- Vocês pareciam estar se divertindo. – Sirius cruzou os braços.
- Harry, você não poderia ter feito amizade com mais ninguém? Eu não quero você junto desse garoto. – Lily tentou fazer com que sua voz não soasse como se ela o estivesse proibindo, mas falhou.
- Pode ser perigoso, filho. – James se aproximou do garoto. – Malfoy pode ter simplesmente pedido ao filho que se aproximasse de você para conseguir algo de nós.
- Você vai acabar achando que ele era mesmo seu amigo e quando não for mais conveniente, ele vai descartar você como se você fosse lixo. – A ruiva abaixou-se em frente ao filho e acariciou seu rosto com um sorriso maternal. – E você não é, querido.
- Mãe, pai, não há com o que se preocupar. Draco está apenas fazendo o dever dele...
- Ah, fudeu, já está chamando o garoto pelo primeiro nome! – Sirius deixou seus braços caírem e bufou.
- Draco está apenas fazendo o dever dele... – Harry repetiu, ignorando o comentário do padrinho. – E assim que a semana acabar, ele vai voltar pros amigos dele e eu vou conhecer melhor os outros amigos que fiz, está bom assim?
- Uma semana é tempo o suficiente pra se apegar. – Sirius cruzou os braços.
- Ele não é um cachorro, Sirius. Eu não vou me apegar.
- Ah, é mesmo? – Ele bufou novamente.
- Nós confiamos em você, Harry. – Disse James. – Você sabe qual é a coisa certa a fazer.
- E caso não saiba, a coisa certa a fazer é dar um chute na bunda daquele furão albino antes que ele dê em você. – Disse Sirius.
- Sirius. – Lily chamou com ar reprovador, voltando para Harry em seguida. – Nós só não queremos que você acabe se magoando, está bem?
- Eu entendo e não há motivo para se preocupar. – Harry garantiu dando um sorriso forçado. – Posso subir agora? Quero tomar um banho. Estou cansado.
- Claro, querido. O jantar será servido logo, não demore.
Harry pulou da poltrona e pegou a mochila, correndo escada à cima o mais rápido que pode, fugindo de mais comentário inoportunos do padrinho.
- Vocês sabem que isso não vai dar certo, não é? – Sirius virou-se para os amigos.
- Eu também não tenho um bom pressentimento. Mas nós não conhecemos o garoto, talvez ele não seja tão ruim quanto o pai. – Lily deu de ombros.
- E qual a possibilidade de não ser? Pense racionalmente, Lily, Harry vai ter problemas com o filhote de Malfoy. Tal pai, tal filho, lembra?
- Se o garoto tivesse metade do gênio que o pai tem, eu tenho certeza que o Harry já teria dado um jeito de escapar dele. – James dirigiu-se as escadas. – Vamos esperar essa semana acabar e ver aonde isso vai dar.
- Vai ficar pro jantar, Padfoot?
- Claro! Pode colocar mais dois lugares na mesa por que eu e o Snuffles estamos morrendo de fome. – Sirius fez um sinal para fora, onde o cachorro corria de um lado para o outro.
A mansão Malfoy era sempre muito silenciosa, principalmente quando Lucius estava em casa. Na hora do jantar geralmente não se ouvia nada além do barulho dos talheres no fundo do prato, mas naquela noite havia um assunto bastante sério a ser abordado – pelo menos ao ver do grande Senhor Malfoy.
- Draco. – Ele começou devagar. – Eu falei com Severus. Ele disse que você passou o dia todo pra cima e pra baixo com o filho dos Potters.
Os talheres tanto de Draco quando de sua mãe caíram no prato e tintilaram, ambos olharam para Lucius.
- Isso é verdade, Draco? – Perguntou Narcissa.
- Claro que é verdade, Severus não mentiria. – Lucius observou a esposa por alguns segundos e lançou um olhar reprovador para Draco em seguida. – Quero que me explique.
- Dumbledore mandou que eu o acompanhasse. Ele é novato no colégio e como monitor, é meu dever ajudá-lo.
- Sobre qualquer ordem que lhe é concebida pelo seu diretor, você também tem um dever com a sua família e uma delas é respeitar o nome e a influência que temos. Aquele garoto é a sua concorrência, Draco, e não me parece nada bom uma confraternização desnecessária.
- Pai, eu estou apenas cumprindo meu dever, não estou confraternizando com a concorrência.
- Você devia ter dito não quando soube quem ele era.
- Eu não tinha essa opção.
- Isso só mostra o quanto você é fraco.
Um silêncio pesado se instalou no cômodo. Narcissa crucificou o marido com os olhos, mas ele apenas fingiu não perceber, voltando a se concentrar no seu jantar. Alguns dolorosos minutos depois, Draco tirou o guardanapo do colo e o colocou sobre a mesa.
- Posso me retirar? – Pediu.
- Fique a vontade, querido. – Narcissa respondeu antes do marido e esperou o filho sair para voltar a crucificá-lo. – Isso foi completamente desnecessário, Lucius.
- Nada é desnecessário quando se trata daquela gente. Eu não podia deixar que Draco pensasse que podia passar com essa. Fazendo amizade com o filho deles? Ora, onde já se viu...
- Recomponha-se, Lucius. Eles são apenas garotos e não fazem a mínima idéia da rivalidade entre vocês. Eles provavelmente nem entendem.
- Por que são fracos demais para tal. – Lucius fez um gesto displicente enquanto alcançava um copo d'água.
- Eles são apenas garotos. – Ela repetiu. – Se você faz tanta questão de que Draco entenda e que o apóie, explique a ele.
- Não é necessário.
- Sim, é necessário. É mais do que necessário. Mas a verdade é que eles não têm nada a ver com isso. – Narcissa mantinha o tom de voz baixo.
- Então você aprova que Draco seja amigo de um Potter?
- Como ele mesmo disse, ele está apenas cumprindo o dever que tem para com a escola e nós o educamos assim, nós sempre dissemos que ele deve honrar seus compromissos. – Ela suspirou. – Não, eu não aprovo, mas a escolha é dele. Se ele acha que vai ser feliz sendo amigo de um Potter, que seja então.
- Ele não vai ser feliz sendo amigo de um Potter, por que isso acabaria com nossa dignidade, sem mencionar como afetaria nosso orgulho. – Lucius ergueu um pouco mais o queixo. – E eu garanto a você que um Malfoy com o nome sujo não é um Malfoy feliz.
- Com licença. – Narcissa levantou-se e calmamente fez seu caminho para o quarto de Draco. Ela bateu na porta levemente e esperou uma resposta.
- Sim?
- Draco, querido, abra a porta, por favor.
- Desculpe pela desfeita no jantar, mãe. – Draco se desculpou assim que abriu a porta.
- Está tudo bem. Mas eu quero que assim que seu pai terminar de jantar, você vá até a cozinha e faça pelo menos um lanche. Esta tarde eu pedi que a empregada fizesse seu bolo preferido.
- Obrigado. – Draco sorriu e deu espaço para a mãe entrar.
- Então, como foi o primeiro dia de volta? – Ela sentou-se na ponta da cama com a famosa pose dos Malfoy; coluna reta, peito estufado, barriga pra dentro e o nariz empinado. Mas Narcissa tinha um sorriso no rosto e uma graça em seus movimentos que fazia Draco sorrir também.
- Foi divertido, eu acho. – Draco deu de ombros.
- Acompanhar Potter inclui-se nessa diversão? – Ela perguntou inocentemente.
- Mãe, eu estava apenas fazendo o que Dumbledore mandou que eu fizesse.
- Draco...
- Harry é um grande idiota.
- Draco, não minta pra mim.
- Mas ele é idiota!
- Sim, pode até ser, mas vocês se divertiram.
- Só um pouco. Ele me fez raiva pelo menos a metade do dia e falou muito besteira, mas algumas coisas eram engraçadas. – Draco se permitiu sorrir. – Eu sei que isso é péssimo pros negócios, mas eu prometo que quando essa semana acabar eu...
- Querido. – Narcissa o interrompeu fazendo um sinal negativo com a cabeça. – Esqueça tudo o que seu pai disse, está bem? Se você gostar desse garoto, se você achar que a amizade de vocês pode ser interessante, se vocês conseguirem se divertir juntos, seja amigo dele.
- Mas, mãe...
- Nada de "mas, mãe". Você sabe que eu odeio quando você vem com "mas". Eu quero que viva os melhores momentos da sua vida enquanto estiver no ensino médio, querido, por que logo vai acabar. Se divirta e deixe que eu cuido do seu pai, está bem?
- Tudo bem. – Ele assentiu, sorrindo. – Mas eu não vejo como nós podemos ser amigos se as rivalidades entre nossos pais parecem realmente nos afetar.
- Bem, eu tenho certeza que você pode dar um jeito nisso, não é? Você não é seu pai e Harry não é o pai dele. Apenas lembre-se disso.
- Obrigado, mãe.
- Não há de quê, meu querido. – Narcissa levantou graciosamente. – Lembre-se do que me prometeu, uh? O bolo está esperando por você lá embaixo.
- Não se preocupe. Eu estou morrendo de fome. – Draco sorriu.
Harry passou alguns minutos deitado, pensando em tudo que aconteceu durante o dia e o que seus pais haviam dito. Em momento nenhum ele pensou em fazer amizade com Draco, mas o loiro acabou se mostrando bem divertido.
- Harry, o jantar está servido. – A voz de Lily pôde ser ouvida do outro lado da porta.
O moreno levantou-se e desceu as escadas lentamente, degrau por degrau.
- Eu vou falar com o Moony. – Ele ouviu o padrinho falando antes de chegar à sala de jantar. – Vou pedir que ele fique de olho.
- Sirius, isso não é necessário, nós confiamos no Harry. – Disse Lily.
- Eu também, mas não confio naquele filhote de cobra que é o Malfoy.
- Vocês não vão parar de falar disso, vão? – Harry perguntou, dirigindo-se ao seu lugar ao lado de Sirius e todos se calaram imediatamente. – Ouçam, não é como se eu fosse me casar com ele, e mesmo se nos tornássemos amigos dificilmente iria além do ensino médio. Então, por favor, parem de falar como se minha vida fosse mudar só por que estamos estudando no mesmo colégio.
- Você está certo, querido, nós estamos apenas preocupados. – Lily assentiu.
- Harry, você realmente não pode evitar estar com esse garoto? – Perguntou Sirius com tom contrariado.
- Não e eu não quero mais falar sobre isso.
O resto da refeição seguiu silencioso e Harry comeu o mais rápido que pôde, correndo de volta para o quarto logo quando terminou, dirigindo-se para um banho quente e demorado. Ao tirar a camisa e olhar seu reflexo no espelho, uma marca arroxeada chamou sua atenção.
Harry não pôde evitar um sorriso. Era quase possível ver o contorno exato da mão de dedos finos e um leve tremor na boca de seu estômago o levou de volta para o momento em que aquilo foi feito. Eles estavam tão próximos que Harry sentiu o calor do corpo de Draco o envolver.
- Oh, merda. – Harry resmungou, passando a mão no rosto e balançando a cabeça freneticamente, tentando expulsar as imagens do loiro.
Ao deitar na cama, os olhos azul-acinzentados o atingiram mais nitidamente do que ele achou ser possível. Talvez fosse apenas seu senso de aventura gritando que o que é proibido é mais divertido ou talvez tinha algo a ver com o fato de ele estar carente, mas Harry estava ansioso para vê-lo no dia seguinte.
Pensando melhor, ele queria sim ser amigo de Draco. Sua companhia era mais do que agradável e seu egocentrismo às vezes era engraçado. Antes que pudesse perceber, Harry estava sorrindo de novo.
Draco quase estourou seu despertador na parede aquela manhã, mas desceu as escadas no horário de sempre, já vestido e com a mochila no ombro. Seus pais já tomavam café e apenas Narcissa levantou o olhar para sorrir pra ele, Lucius estava com sua atenção fixa no jornal.
- Bom dia. – Draco pousou o guardanapo no colo com pressa.
- Bom dia, querido. Dormiu bem?
- Sim, obrigado.
- Draco. – Lucius chamou após alguns quietos minutos. – Eu o levarei ao colégio hoje. Pedirei a Dumbledore que designe outro aluno para acompanhar o senhor Potter.
- Pai, isso não é necessário.
- Quanto menos tempo você passar com esse garoto melhor. Eu vou resolver isso.
- Pai. – Draco fez um sinal negativo com a cabeça e suspirou. – Por que o senhor não me deixa cumprir o meu dever? É só até sexta.
- Por que você faz tanta questão? – Lucius franziu o cenho levemente, sem perder a neutralidade em sua expressão.
- Eu não quero que os outros alunos achem que eu estou me sentindo intimidado pela presença da concorrência. Isso acabaria com minha moral.
Draco achou ter visto a sombra de um sorriso passar pelos lábios de seu pai, sumindo tão rápido quanto surgiu. Narcissa permanecia com os olhos sobre o filho, analisando-o. Por fim, Lucius assentiu.
- Pois bem. Faça como quiser, mas tome cuidado.
- Não se preocupe. – Draco sorriu discretamente e voltou sua atenção ao seu prato vazio.
Harry estava se encarando no espelho pelos últimos cinco minutos. Por algum motivo – que estava claro apenas no seu subconsciente – o moreno estava se arrumando mais do que o normal para ir ao colégio. Optou por uma calça jeans escura que não ameaçava cair a qualquer segundo, uma camiseta verde escura de mangas compridas, subindo-as até o cotovelo e tênis pretos com os cadarços amarrados dessa vez.
O moreno suspirou, desistindo de tentar arrumar os cabelos rebeldes. Rapidamente, Harry enfiou seus livros dentro da mochila e desceu as escadas. Lily, James e Sirius tomavam café calmamente e Snuffles veio recebê-lo com o rabo negro balançando.
- Bom dia, Snuffles. – Ele desejou acariciando a cabeça cheia de pêlos muito escuros.
- Harry? – Sirius analisou o afilhado de cima a baixo. – Não é possível que você já tenha uma garota para impressionar.
- Sirius, cala a boca. – Harry revirou os olhos.
- Não me mande calar a boca, moleque.
- Então pare de falar besteira.
- Crianças, por favor. – Lily os interrompeu. – Venha comer, Harry. E você está lindo.
- Não é nada demais. – Ele deu de ombros sentando-se ao lado de Sirius.
- Nada demais é o que você estava usando ontem, Harry. – Sirius se aproximou um pouco de Harry e puxou o ar com força, como se o estivesse farejando. – E colocou perfume também. Algo está acontecendo. Vamos, conte tudo ao seu querido padrinho.
- Padfoot. – James chamou com tom de quem acaba com a conversa.
- Eu acho que se eu não sair agora, vou acabar me atrasando...
- Eu levo você. – Seu padrinho ofereceu.
- Não precisa. Eu tenho que tirar meu carro da garagem... Está parado já faz algum tempo.
- Você definitivamente está tentando impressionar alguém. – Sirius cerrou os olhos para Harry.
- Ah, meu deus, Sirius. – Ele levantou-se apressado e revirou os olhos novamente. – Tchau, tenham um bom dia!
Ignorando as reclamações de Lily sobre sair sem comer, Harry seguiu para a garagem. Em apenas um movimento ele tirou a capa cinza que protegia o veículo da poeira. Seu Vectra 2.0 preto parecia novo em folha.
- Carro legal.
Harry havia acabado de estacionar ao lado do Porsche conversível de Draco, que estava encostado no veículo com os braços cruzados e um sorriso no rosto. Harry tremeu com a visão do loiro parado ali, usando uma camisa de gola alta preta, calça jeans que marcava suas coxas e sapatos sociais pretos também.
- Oh, obrigado, mas nem se compara ao seu. Isso aí é que é carro. – O moreno sorriu um pouco entusiasmado demais.
- É o meu favorito. – Draco sorriu.
- Eu pensei que você fosse me esperar nas escadarias. – Harry enfiou uma das mãos do bolso e com a outra acionou o alarme do carro.
- Eu acabei de chegar. Já estava indo pra lá. Não achei que você fosse chegar tão cedo. – O loiro fez um sinal para que eles fossem andando.
- Eu meio que tive que fugi. – Ele deu de ombros.
- Problemas em casa?
- É, mas vai estar tudo resolvido até o final de semana.
- Tem a ver comigo, não é? Eu ouvi seu padrinho gritando ontem.
- Desculpe se ele disse alguma coisa que te ofendeu. Ele é super legal quando não está na TPM.
- Tenho certeza que sim. – Draco soltou uma risadinha,
- Bom dia, Harry! – Exclamou Hermione Granger que estava sentada nas escadarias com Ron, Luna e dois outros garotos. Um deles Harry achou já ter visto em alguma aula.
- Hey, bom dia.
- Você já conhece a Luna, o Neville e o Cedric?
- Luna, sim, olá Luna. – Harry passou os olhos por Neville, cumprimentando-o e estendeu a mão para Cedric. O garoto era alto e muito bonito. – Prazer em conhecê-lo, Cedric.
- Bem, eu ouvi sobre você o dia inteiro ontem, então acho que o prazer é meu. – Cedric apertou a mão de Harry com um sorriso bem aberto.
- Vocês conhecem o Draco? – Harry deu um passo pro lado para que o loiro saísse de trás dele.
- Olá, Malfoy. – Disseram Luna e Cedric, os outros apenas o encararam.
- Harry, a sineta já vai tocar. – Disse Draco baixinho. – Talvez nós devêssemos ir andando.
- Oh, claro. – Harry assentiu para Draco e voltou o olhar para os amigos, se despedindo com um aceno. – Vejo vocês mais tarde.
- Qual é o problema daquele tal de Cedric? – Draco perguntou bufando quando eles estavam longe o suficiente.
- Como assim?
- Ele parece ser um grande idiota. – O loiro sorriu de canto, dando ênfase na palavra "grande".
- Você nem mesmo o conhece.
- Não é necessário, é só olhar pra cara dele que dá pra perceber. – Draco deu de ombros e apontou para a sala de espanhol.
- Ele foi simpático.
- Sim, ele foi, mas para pessoas como nós é realmente difícil saber se os outros estão agindo apenas por interesse ou se eles são simpáticos de verdade. – O loiro escolheu uma mesa na fileira do meio mais pra frente da sala e esperou Harry sentar ao lado dele.
- Mas temos que tentar, não é? Não dá pra adivinhar. E, bem, acho que ter que me aturar por alguns hambúrgueres de graça não vale a pena.
- É, eu também acho que não. – Draco negou com a cabeça, mas logo ambos estavam rindo, seus risos sendo abafados pela sineta. – Ah, quando o Flitwick entrar na sala, não ria. Ele realmente perde a paciência e acaba tomando medidas... inadequadas.
Sem entender a piada, Harry apenas assistiu enquanto o loiro ria e suspirou. Pelo amor de todos os santos, por que ele tinha que ser tão bonito e tão cheio de charme? Só podia ser a natureza conspirando contra ele. Ou a favor, dependendo do ponto de vista.
- Harry, você está fazendo aquela cara de novo.
- O que, hm? – Ele piscou rapidamente. – Que cara?
- Essa que você faz quando cai em pensamentos. – O loiro sorriu de canto e o estômago de Harry afundou.
- Ei, Harry. – O moreno ouviu a voz de Ron bem ao seu lado e virou a cabeça automaticamente. – Você não vem sentar comigo lá no fundo?
- Caso você não tenha visto, ele está sentado comigo, Weasel. – Draco fechou a cara numa careta de desgosto para o ruivo e colocou a mão no ombro de Harry, apertando levemente.
- Eu não falei com você, Malfoy. – Disse Ron entre dentes.
- E só falaria se eu tivesse alguma batata frita grátis para lhe dar, não é? – A careta do loiro foi se contorcendo cada vez mais, como se algo por perto estivesse fedendo muito e Harry corou um pouco ao pensar que mesmo assim ele continuava bonito.
- Draco. – O moreno chamou com tom reprovador, tocando a mão que repousava em seu ombro.
- Ora, seu... – Ron ia partir pra cima de Draco, mas Harry pôs-se de pé em um segundo e Hermione surgiu de repente, puxando o namorado pelo braço.
- Vamos, Rony, ele não vale a pena. – Disse a morena puxando o ruivo o mais forte que podia, fechando a cara em uma careta desagradável para Draco.
- Isso, vá com sua namoradinha CDF, Weasel.
- Draco! – Harry sentou novamente, olhando Draco com os olhos um pouco cerrados.
- O que foi? Foi ele quem começou! Eu estava quieto na minha.
- Você está falando feito criança.
- Se você está incomodado pode ir sentar-se com seu amiguinho.
- Estou bem aqui, obrigado.
Quando Draco disse que Harry podia ir sentar com Weasley, ele se arrependeu na mesma hora. Ele gostava da presença de Harry e do conforto que encontrava nos olhos verdes, que estavam realçados pela cor da camisa. A propósito, Harry estava excepcionalmente bonito naquela manhã. Até mesmo os óculos e os cabelos rebeldes pareciam fazer parte de um conjunto perfeito.
Flitwick entrou na sala e Draco deixou seus olhos em Harry, observando suas reações. Primeiro, um susto o fez soltar uma exclamação que logo se tornou de surpresa e por fim o moreno estava mordendo o lábio inferior pra segurar riso. Rapidamente o loiro segurou o pulso do moreno, negando com a cabeça e Harry forçou-se a ficar sério.
- Bem, ele é um grande homem. – Disse Harry com um grande sorriso assim que o pequeno professor saiu da sala, no término da aula.
- Você se segurou a aula toda para dizer isso, não foi? – Draco sorriu enquanto colocava suas coisas dentro da mochila.
- Você deveria ter me dito, eu quase não consegui segurar.
- Eu queria ver você tentar. – O loiro piscou para Harry. – Vamos, quero pegar alguns livros no meu armário antes da próxima aula
Assim que eles dobraram no corredor, Pansy Parkinson voou nos braços do loiro e estalou um beijo em sua bochecha. Harry desviou os olhos do casal o mais rápido que pôde, passando a fitar seus próprios pés e enfiando as mãos nos bolsos e seu incômodo só fez crescer quando Blaise Zabini não apareceu para tirar a morena dali.
- Bom dia, amor. – O estômago de Harry afundou ao ouvir Pansy falar aquilo quase como um gato ronronando.
- Bom dia. – Draco respondeu com tom de descaso e apontou para Harry. – Você lembra do Harry?
- Oh, claro. Bom dia, Potter. – Sem se preocupar em disfarçar a morena analisou Harry de cima a baixo, dando um sorrisinho ao voltar ao rosto.
- Olá. – Harry baixou a cabeça novamente quando percebeu que estava corando.
- Pansy, você vai nos atrasar. – Draco voltou a andar, puxando Harry.
O moreno só percebeu que Pansy teria aquela aula em comum com eles quando os três entraram na sala e se encararam, parados em frente a uma dupla de cadeiras. A menina se agarrou no braço de Draco de uma forma que fez Harry querer socá-la.
- Hey, Harry! – Cedric acenou da dupla de cadeira ao lado. Com um sorriso ele apontou para o assento vazio ao seu lado. – Pode sentar aqui se quiser.
- Ah, obrigado. – Harry sorriu em resposta e sentou rapidamente na cadeira da esquerda.
Harry engatou em uma conversa com Cedric e não viu quando o loiro sentou na cadeira da direita da dupla que eles estavam encarando a alguns minutos, ignorando qualquer coisa que Pansy falava, os olhos fixos nos outros dois garotos, ouvindo algumas risadas vindas de Harry que faziam seu rosto contorcer-se em desgosto.
Draco não soube quanto tempo ficou estático observando o moreno conversar com aquele poste magrelo e estranho que as pessoas chamavam de Cedric Diggory como se aquele garoto fosse seu melhor amigo, enquanto era Draco que o estava ajudando em tudo que ele precisava. Seu rosto se contorceu em uma careta amarga quando o moreno soltou uma risada particularmente alta e quase deitou a cabeça na mesa. Harry nunca rira assim perto de Draco.
O Prof. Moody entrou na sala mancando, apoiado em sua bengala de madeira. Os olhos, pequenos e azuis, escrutinando a sala, parando em Cedric e Harry, depois em Draco que ajustou a postura na mesma hora. Virou-se para o quadro e escreveu "Alastor Moody" em letra de forma antes de falar.
Draco parou de prestar atenção pouco tempo depois. Pelo canto do olho, o loiro viu a girafa inclinar-se para sussurrar algo no ouvido de Harry, que sorriu sem jeito e deslizou a mão pelos cabelos revoltos.
- Tudo bem, Draco? – A voz fininha de Pansy soou ao seu ouvido ainda mais irritante por causa da raiva crescente revirando-se em seu estômago. Encarou a menina e tentou disfarçar a expressão desgostosa. – Nem adianta, Malfoy. – Repreendeu o amigo com o olhar. – Eu te conheço desde os onze anos, você não vai conseguir me enganar.
- Não estava tentando. – Resmungou contrariado.
- Draco... – Falou docemente. – Sei que está interessado no Potter.
- O que? – O loiro arregalou os olhos e seu estômago afundou duas quadras. – Claro que não, enlouqueceu?
- É, claro. – Ironizou Pansy. – Draco, não seja ridículo. Você praticamente come o garoto com os olhos e estava esfaqueando o Diggory com apenas um olhar. – Draco ignorou-a, mas não é como se a morena fosse desistir tão fácil. – Sabe, o Potter tem seus predicados.
- Ele tem o que? – O loiro não segurou uma risada baixa. – De onde você tira essas coisas, hein?
- Todos falam isso. – A garota deu de ombros.
- Todos falavam isso... – Corrigiu. – Na época que minha avó ia pra matinê. – Draco deu um sorrisinho de lado.
- Não mude de assunto. – Pansy resmungou fixando os olhos no rosto do amigo. – Você quer o Potter.
- Não quero, não. – Disse Draco com uma risada um tanto quanto desconcertada.
- Draco!
- Eu sei o que quero e não é o Potter. – O loiro cuspiu o sobrenome de propósito, desdenhando. A garota apenas deu de ombros e olhou para o professor que havia começado a revisão do assunto do ano anterior.
Draco arriscou uma última olhadela para o lado e Harry encontrou os olhos verdes fixos em si. Seu corpo paralisou enquanto sustentava o olhar do moreno. Lembrou-se do que Pansy havia falado. Ele não poderia querer Harry Potter daquele jeito. Não. Era apenas a excitação de conhecer alguém realmente divertido naquela escola para variar. Era só isso, mais nada.
Sua linha de pensamento foi brutalmente quebrada quando Harry sorriu de lado e o olhar do loiro desviou-se rapidamente para os lábios bonitos esticados de leve. Draco mordeu o lábio inferior e desviou o olhar para pegar o caderno na mochila.
Quando o loiro olhou naquela direção novamente Harry ainda o olhava com o mesmo sorriso. Draco estava para pedir que o moreno prestasse atenção na aula, mas a cabeça castanha de Diggory entrou em seu campo de visão para falar alguma inutilidade. O loiro bufou, atraindo o olhar curioso de Pansy. Ignorou-a, virando a cabeça para frente para finalmente se concentrar na aula.
Ao fim da aula, Draco esperou até Cedric levantar e sair da sala para ir falar com Harry, mas isso não aconteceu. Harry levantou com Cedric e os dois foram até Draco.
- Hey. Hm... – Harry parou de frente para o loiro, coçando a nuca. – Você se importa se eu for para o ginásio com Cedric? Ele também tem educação física agora.
- Não seja por isso. Eu também tenho. – Retrucou, erguendo a sobrancelha.
- Ótimo! Podemos ir juntos! – Harry percebeu que disse a coisa errada quando os dois garotos o olharam como se ele tivesse proposto jogar uma bomba no colégio. – Okay, okay. Eu vou com o Draco. – O loiro sorriu convencido para Cedric. – Tudo bem, não é, Cedric?
- Claro. Sem problema. – O mais alto dos três deu de ombros e foi em direção à porta, apanhando a mochila no caminho.
Draco fez questão de segurar Harry pelo pulso durante todo o caminho para o ginásio. O motivo que deu a Harry e a si mesmo foi que os corredores estavam muito cheios, mas mesmo depois saírem do prédio, o loiro não o soltou.
- Você já decidiu que não gosta de Cedric, não foi? – Harry perguntou se deixando ser arrastado pelo loiro e quando ele não respondeu, o moreno continuou. – Ele é realmente divertido, se você quer saber...
- Eu não quero saber, Potter, já deu pra perceber. Suas risadas poderiam ser ouvidas do outro lado do campus, eu tenho certeza.
- Você está exagerando, como sempre. – Ele revirou os olhos.
- Oh, estou? – Draco parou de repente e virou para o moreno e não havia mais desculpa para a aproximação dessa vez, por que os corredores estavam vazios. – Desculpe se estou tentando cumprir o meu dever lhe ajudando enquanto você se diverte com aquele poste ambulante.
- Não seja tão criança, por favor? Eu fico muito agradecido pela sua ajuda, mas também estou tentando fazer amigos. Eu sou novo aqui, caso você tenha esquecido.
- Não, eu não esqueci e é por isso que estou dando meu melhor para ajudá-lo e fazê-lo se sentir confortável. – Draco pressionou um pouco mais o pulso do outro e o puxou um pouco mais pra perto.
- E está fazendo isso muito bem. – Harry deu um meio sorriso. – Mas quando essa semana acabar, eu estarei sozinho. Preciso conhecer outras pessoas.
- Tanto faz. – Draco voltou a andar, puxando o moreno.
O ginásio já estava cheio e a professora terminava de montar a rede de vôlei. Harry viu Blaise Zabini se aquecendo num canto e bufou, onde estava o garoto quando Pansy se agarrou em Draco?
Os dois seguiram ao vestiário e trocaram de roupa nos boxes. Draco sentiu sua boca secar quando viu Harry com o uniforme. A camiseta era regata e branca, com as inicias do colégio estampadas no peito e uma bermuda folgada e vermelha, com listras brancas verticais nas laterais.
O loiro certamente nunca achou aquele uniforme tão perfeito, mostrando os braços com alguns poucos músculos e as pernas torneadas. A pele morena e imaculada a dois passos de sua mão fez o loiro tremer.
Draco ainda demorou um pouco para conseguir se mexer, mas assim que teve certeza que tinha controle sobre suas pernas, o loiro seguiu Harry para a quadra.
- Tudo bem. – A professora bateu palmas, ecoando pela quadra e chamando atenção de todos. – Eu quero que vocês formem duplas, escolham outra dupla para jogar contra e ponham-se ao longo da rede. Vamos lá!
- Hey, Harry! – Draco ouviu a voz de Cedric e em um segundo seu rosto queimava de raiva. – Quer fazer dupla comigo?
- Hm... Claro! Podemos jogar contra Draco e Blaise.
Draco mutilou Cedric com um olhar, passando por debaixo da rede e chamando Blaise que veio trazendo a bola e começou sacando. O jogo seguiu tranqüilo até quando a cada ponto Cedric e Harry comemoravam batendo as mãos, entrelaçando os dedos e dando meios abraços. O loiro rangia os dentes, cerrando os punhos toda vez que os adversários trocavam um sorriso.
Blaise passou a bola para Draco sacar e uma idéia brilhou em sua mente. Ele ia tirar aquele sorriso patético do rosto daquela girafa retardada. O loiro lançou a bola no ar e mirou rapidamente, acertando-a o mais forte que pôde.
Um sorriso vitorioso surgiu no rosto de Draco quando a bola atingiu com força o rosto de Cedric e o garoto foi ao chão, mas sumiu instantaneamente com a cara de preocupação que Harry fez.
O lábio inferior do garoto mais alto sangrava, pingando na camiseta do uniforme. Harry estava ajoelhado ao lado dele, segurando seu rosto com cuidado e algo explodiu no peito de Draco, fazendo-o dar as costas e acelerar o passo para o vestiário.
Seus pulsos estavam cerrados com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos e as unhas deixavam marcas nas palmas das mãos. Draco chutou um dos armários do time de basquete e sacudiu a cabeça rapidamente. Ele havia percebido da pior forma que ele queria Harry Potter. Queria jogá-lo contra uma parede e beijá-lo como se não houvesse amanhã, mas ele não podia. Havia seus pais e Cedric...
- Draco! – Harry entrou gritando e cortou a distância entre eles rapidamente. – Por favor, me diga que você fez aquilo sem querer.
- O que você está fazendo aqui, Potter? – O loiro vibrava de raiva. – Vá ajudar seu amiguinho Cedric.
- A professora o levou para a enfermaria. Responda minha pergunta! – Harry estava tão perto que Draco podia sentir a respiração dele bater em seu rosto.
- Por que importa tanto?
- Responda!
- Sim! Foi de propósito!
Harry soltou uma exclamação e deu dois passos para trás, observando Draco com uma expressão incrédula. Um sorriso contrariado veio logo em seguida e o moreno passou a mão no rosto, sacudindo a cabeça.
- Bem, então eu acho que meus pais e meu padrinho estavam certos sobre você. – Harry deixou seus ombros caírem. – Eu tenho que ter cuidado com você.
- Não, Harry... – Draco deu um passo à frente.
- Eu acho melhor eu ir embora, ou você pode jogar uma bola em mim também. – O moreno levantou os braços num sinal de quem se rende. – Não se preocupe, eu posso achar o refeitório sozinho.
- Harry, espere. Harry!
O moreno já havia saído do vestiário, batendo a porta e deixando para trás um Draco furioso chutando os armários.
Ao chegar ao refeitório, Draco ainda demorou a encontrar Harry, mas quando o fez, não tirou mais os olhos do moreno, que parecia extremamente chateado e não prestava atenção no que Ron, Hermione, Luna e Neville conversavam. O loiro subiu as escadas e também ignorou seus amigos, fitando o moreno.
Em algum momento seus olhares se encontraram, mas Harry o partiu rapidamente e voltou sua atenção para seu próprio prato. Imediatamente o loiro sentiu um frio o envolver, que trouxe consigo uma pitada de arrependimento.
O resto da semana arrastou-se cheia de tensão. Claro que Draco cumpriu o que lhe foi mandado, mas ele e Harry não se dirigiram a palavra mais do que necessário. Draco porque ele não podia querer Harry, então quanto menos tempo ele passasse com o garoto, menos torturante seria. E Harry por que os avisos de seus pais ecoavam em sua mente sempre que ele via o lábio inchado de Cedric, resultado do incidente da última aula de educação física.
Tudo o que Draco se forçava a pensar era em como aquilo era uma má idéia. Deixar Harry Potter tomar conta de seus pensamente era definitivamente uma péssima coisa a se fazer, mas esquecia-se disso quando se via encarando as íris verdes e intensas.
Só Draco sabia o quanto ele estava se odiando por cair nas graças do moreno. O garoto era desajeitado e não tinha ambições, não sabia aceitar um elogio e vivia pateticamente envergonhado e nervoso, mas Draco parecia ignorar tudo aquilo, apenas adicionando aqueles itens à interminável lista de charmes – ou predicados, como diria Pansy – de Harry.
Um fato que povoou a mente do loiro durante todo o fim de semana foi: se Cedric tinha uma chance com Harry, por que ele não? Draco colocou na cabeça que mostraria ao moreno que ele era melhor do que o outro podia sequer imaginar e, pra começar, Draco faria uma coisa que fugia completamente da personalidade de um Malfoy. Draco pediria desculpas.
