Capítulo 5
The jealousy takes fly

Flitwick havia sumido entre as mesas, ajudando os outros alunos com a resolução das atividades. Draco estava sentado na frente de Harry e lia o texto, tentando traduzi-lo para que eles pudessem responder as perguntas, mas o moreno não estava prestando atenção. Harry havia se perdido em algum lugar dentro dos olhos de Draco e não estava mais escutando o que o loiro falava já fazia um bom tempo.

Havia algo que Harry realmente gostava sobre os olhos do loiro. O tom azul-acinzentado era deveras hipnotizante, mas não era apenas isso. Para Harry era como se olhando nos olhos de Draco, ele encontrasse quem o garoto era de verdade. Naquela imensidão havia algo que Draco era simplesmente incapaz de esconder. Não adiantava feições inexpressivas, nem andar com a guarda armada. Ele não conseguia esconder e nem sabia disso. E era isso que Harry adorava.

- Eu gosto dos seus olhos.

As palavras saíram da boca do moreno como se tivessem vida própria, escorregando por sua língua e caindo em seu colo antes que ele pudesse perceber. Todo seu rosto ficou vermelho na hora, Draco parou de falar e tirou o olhar do livro tão rápido que o mundo parecia ter congelado ao seu redor. A boca do loiro foi se abrindo e seus olhos se arregalando. E como se fosse possível, Harry ficou ainda mais vermelho.

- Hm... – Draco olhou para os lados rapidamente, se mexeu na cadeira, desconfortável, e olhou para Harry novamente. – Obrigado.

Alguns poucos e longos minutos se arrastaram onde Draco e Harry apenas se encararam, um sustentando o olhar do outro. Não havia nada mais além das íris verdes e cinzas naquele momento. Sem desviar o olhar, Harry falou.

- Draco... Eu quero lhe perguntar uma coisa e espero uma resposta sincera. – Harry viu que Draco ficou tenso. Não em sua expressão facial ou em sua linguagem corporal, mas sim em seus olhos. O loiro assentiu devagar, sem desviar o olhar também. – O que nós estamos fazendo? Eu e você?

- O dever de espanhol, eu suponho. – Draco deu de ombros levemente, um pouco confuso com a pergunta.

- Não. Não foi isso que eu quis dizer. O que eu quero saber é... É se... – Harry pigarreou duas vezes, passando a mão nos cabelos revoltos e sorrindo envergonhado. – Você quer ser meu amigo, Draco?

O loiro soltou uma exclamação e sorriu de canto, Harry sentiu seu estômago se afundar.

- Eu pensei que já fossemos. – Draco analisou Harry por um segundo. – Ou eu estava errado?

- Não, não. Certamente que não. É só que... Nós dois sabemos que teremos problemas. Não só com nossos pais, principalmente com eles, mas com alguns alunos nesse colégio que parecem completamente contra a união dos herdeiros dos hambúrgueres... É por isso que eu estou perguntando. – Harry suspirou. – Meus pais e meu padrinho parecem ser realmente contra e eu tenho certeza que os seus também.

- Completamente. – Draco assentiu e flashes da noite anterior o atingiram. Desesperadamente ele procurou algo no fundo de Harry que o fizesse se sentir melhor e não demorou a encontrar.

- Pois é. – Harry juntou as mãos sobre a mesa e começou a mexê-las nervosamente. – É por isso que estou perguntando.

- Harry, eu tenho certeza que você se lembra do que eu disse ontem. Eu não tenho nenhum amigo que não seja relacionado aos interesses do meu pai. – Um sorriso de canto foi se espalhando nos lábios de Draco. – Talvez esteja na hora de eu tentar ter uma amizade verdadeira.

- E talvez... – Harry hesitou por um segundo, mas logo sorriu. – Talvez eu possa ajudá-lo com isso.

- Ótimo! Vê, Harry? As coisas são muito melhores assim. Eu tenho um problema, você tem uma solução e então está tudo resolvido! – O loiro estava visivelmente animado. – Agora me deixe perguntar uma coisa. – Draco disse inclinando-se um pouco mais em direção a Harry, para então sussurrar. – Esse negócio de ser amigo inclui fazer elogios?

Harry ruborizou tão rápido e tão forte que Draco achou que ele fosse explodir a qualquer momento e não pode segurar uma risada, voltando a recostar-se em sua cadeira.

- Está tudo bem, Harry. Eu já esqueci.

O loiro, com um sorriso, voltou seu olhar para seu livro e recomeçou a traduzir o texto. A verdade era que Draco não ia esquecer nem tão cedo. Aquilo significava que Harry estava reparando nele e era definitivamente um ponto positivo.

Quando a sineta tocou, Harry se despediu de Hermione e Ron e seguiu com Draco para a aula de matemática. No meio do caminho eles encontraram Pansy e a morena deu o braço aos dois, parecendo ainda mais baixinha por estar entre eles, e começou a tagarelar algo sobre dar uma festa e Draco revirou os olhos, sorrindo para Harry em seguida, que correspondeu ao sorriso de maneira cúmplice.

Num segundo Harry estava sorrindo para o loiro, no outro seus pés estavam sendo tirados do chão e o braço de Pansy soltou-se do seu bruscamente. Quando pode parar para perceber, Harry pode ver que Cedric o estava abraçando.

Ainda um pouco confuso, o moreno procurou por Draco olhando por cima do ombro de Cedric e o encontrou fazendo sua famosa cara de desgosto e Pansy parecia assustada.

- Harry, eu estava com saudades. – Disse Cedric finalmente soltando o outro, que se apressou em ajeitar seus óculos e sua roupa.

- Cedric, o que diabos você está fazendo? – Harry sussurrou. – Eu já disse pra você não fazer essas coisas no meio de todo mundo.

- Você pode andar de braço dado com a Parkinson, mas não pode me abraçar? Que regras tortas essas que você tem. – Cedric cerrou os olhos levemente.

- Eu não quero discutir com você de novo, está bem?

- Pare de fugir de mim, Harry. Olhe, eu entendo que é complicado por causa do preconceito e tudo mais, mas não dá pra você ficar se esquivando o tempo todo. Eu sei que pra você é difícil não se importar com o que as outras pessoas pensam, mas...

- Pare de falar. – Harry fez um sinal com a mão para que ele se calasse e fez que não com a cabeça rapidamente. – Eu realmente não estou em condições de falar sobre isso agora. Estamos no colégio e se você continuar falando, vamos acabar nos atrasando.

- Harry? – Draco chamou, aparecendo ao lado de Cedric, alguns passos mais atrás. – Você vem ou...?

- Vou, sim. Espera só um minuto, por favor. – Harry se inclinou para Cedric e falou o mais baixo que pôde. – Ouça, eu peço desculpas, mas eu não quero que nada se torne público ainda.

- Enquanto isso você fica andando pra cima e pra baixo com o Malfoy? Bem, Harry, se você não quer que algo se torne público com certeza andar com um Malfoy não é a maneira mais fácil de conseguir isso.

- Isso tudo não pode ser só ciúmes, pode? – Ele bufou. – Você não confia nem um pouco em mim?

- Eu confio em você, Harry, eu só não confio nele. – Cedric fez um sinal rápido em direção a Draco com a cabeça.

- Eu estou cansado das pessoas me dizendo isso, sabia? Se você confia em mim, tem que confiar nas escolhas que eu faço e se eu quero ser amigo de um Malfoy, eu vou ser, você confiando nele ou não.

- Harry, vamos nos atrasar. – Draco avisou.

- Cale a boca, Malfoy. Não se meta. – Cedric estava quase rosnando.

- Ora, recomponha-se Diggory! A culpa não é minha se você não confia no que tem a oferecer e tem medo que Harry resolva correr atrás de algo melhor. – Ele deu uma risadinha sarcástica, acompanhado por Pansy.

- O que você está querendo? – O mais alto virou-se para Draco e cerrou os punhos. – Eu posso lhe garantir que um olho roxo não vai combinar nem um pouco com essa sua cara pálida.

- Cedric, pare! – Harry pôs-se na frente de Cedric e colocou uma mão sobre seu peito, empurrando-o para longe do loiro. – Nós conversaremos mais tarde, está bem? Não se meta em problemas.

- Vamos, Harry. – Draco pegou o pulso do moreno e o trouxe de volta para perto dele e de Pansy, que deu o braço aos dois novamente. – Até mais, Diggory.

- Argh, mas que idiota! – Exclamou Pansy assim que eles voltaram a andar, revirando os olhos. – Você está com ele, Potter?

- Hm... Mais ou menos.

- Você consegue coisa melhor, sabia? – A morena deu de ombros rapidamente. – Não estou dizendo que o Diggory não é bonito, mas falta cérebro naquele dali. Eu tenho certeza que... – Pansy parou de falar quando sentiu Draco apertando um pouco seu braço. – Bem, eu sei que você pode achar alguém melhor que ele.

- Eu não sei se você está certa, Parkinson, mas por enquanto ele é o que eu tenho e estou satisfeito. – Harry suspirou. – Mas essas discussões estão começando a me cansar.

- Então aproveite enquanto pode, quando não der mais, é só dar um pé na bunda dele.

- Simples assim. – Harry deu uma risadinha e depois suspirou novamente. – E agora tenho que sentar com ele na aula... Alguma dica sobre o que eu vou falar, Parkinson?

- Olha, pode sentar com o Draco hoje. – Ela sorriu um pouquinho. – Eu vou aproveitar e sentar com Daphne Greengrass para começarmos a discutir a festa. Ah, e pode começar a me chamar de Pansy.

- Oh, muito obrigado, Pansy. – Harry olhou para Draco e eles compartilharam mais um sorriso.


Ainda tenso pela discussão de alguns minutos atrás, Harry tomou seu lugar ao lado de Draco na aula de Matemática, tomando cuidado para não ficar do lado esquerdo – onde Cedric sentaria. Olhou para o loiro a seu lado que parecia ocupado mexendo em seu SamsungGalaxyS e parecendo alheio ao resto do universo. Sorriu maroto e esticou o pescoço para ver o que ele estava fazendo por cima de seu braço. Draco estava conversando por SMS com alguém. Não conseguiu ler muito do que estava escrito, mas distinguiu seu nome no meio das palavras. Ergueu ambas as sobrancelhas. Draco estava mandando mensagens de celular para alguém antes da aula de matemática e o assunto era ele?

Ergueu os olhos para mirar o rosto do loiro e surpreendeu-se ao notar um sorriso pequeno no canto dos lábios dele. Será que Draco estava fazendo piada às suas custas para outra pessoa? Inclinou-se novamente para tentar ler o resto, mas acabou por esbarrar no braço do loiro que o olhou como se ele estivesse tentando cometer um crime hediondo. As íris cinza brilharam com algo que Harry não sabia exatamente o que era, mas Draco parecia assustado. Logo o loiro controlou as expressões e o encarou, sarcástico.

- O que você pensa que está fazendo? – Perguntou, afastando-se e pousando a mão discretamente sobre a tela do aparelho.

- Estava tentando ver as horas. – Improvisou Harry, dando de ombros e se esforçando para que seu rosto se transformasse numa expressão inocente.

- Mentiroso. – Acusou, baixinho, com a voz meio falhada como se estivesse tentando não rir. – Não é porque você me fez um elogio e agora somos amigos que você pode ficar lendo minhas mensagens.

Draco tentou. Sério, ele tentou. Mas seus esforços foram por água abaixo quando o rosto de Harry ficou escarlate e seus olhos se arregalaram. O moreno cruzou os braços e estalou os lábios infantilmente. Draco apenas riu ainda mais alto e Harry teve certeza de que estava fazendo um ridículo bico. Balançou a cabeça, olhando o loiro com desagrado.

- Você nunca vai esquecer isso, não é? – Resmungou, rolando os olhos como se aquilo não tivesse importância. Draco apenas negou com a cabeça, inclinou-se para esconder o rosto corado pela falta de ar, encostando a testa na madeira. – Preciso tomar mais cuidado com o que falo perto de você.

- Oh, desculpe, Harry. – Falou com a voz esganiçada, tentando aparentar seriedade, mas logo começou a rir novamente. – Não posso evitar se meus olhos são lindos. – Harry teve que usar todas suas forças para não sorrir quando a gargalhada do loiro transformou-se quase num grito.

- Draco! – Exclamou sem conseguir segurar um sorriso. – Controle-se. – Deslizou a mão pelo ombro e omoplatas como se quisesse acalmá-lo.

- Certo, certo. Desculpe.

O loiro endireitou-se na cadeira bem antes do Prof. Moody entrar. Harry fez o possível para prestar atenção na aula de matemática, mas Draco passou o resto da aula dando risadinhas como se estivesse se lembrando da conversa dos dois, o que fazia o moreno rir também. Não que ele tivesse realmente achado engraçado Draco caçoando do seu deslize, mas fora adorável vê-lo tão descontrolado. Sem falar que trinômios de Newton não era um assunto interessante.

Para piorar a situação, Cedric passara metade da aula lançando olhares nada discretos na direção dos dois, principalmente quando Harry se inclinava para falar alguma coisa com Draco, seja lá o que fosse. O olhar raivoso de Cedric queimava de tão intenso, o que deixava o moreno nervoso e envergonhado, causando pequenos acidentes como esbarrar no braço de Draco enquanto escrevia, derrubar tudo de sua mesa e fazer sua caneta voar janela a fora.

- O que está acontecendo com você hoje? – Inquiriu o loiro, soando mal humorado. – Se está nervoso pelo negócio da mensagem, peço desculpas. Não vou mais tocar no assunto de novo, está bem?

- Não, não é isso. – Harry rolou os olhos. – Mas obrigado por lembrar. – Resmungou, corando de novo.

- Não seja imbecil. – A frase foi dita em tom de reclamação, mas Draco estava sorrindo. – Diga, o que houve?

- Cedric. – Draco ficou sério na hora.

- Oh. – O loiro olhou discretamente para o garoto ao seu lado esquerdo, constatando que ele olhava para os dois sem nem disfarçar. – Ohhhh! – Encarou Harry com o cenho franzido. – Okay. Você deveria dar um pé nele como a Pansy disse.

- Nah, eu meio que gosto dele. Ele é legal, sabe? – Harry coçou a nuca, desconfortável, sem olhar o loiro nos olhos. – É bom pra mim.

- Vi como é bom pra você. – Ironizou, rolando os olhos nas órbitas.

- Ele não é sempre daquele jeito, só quando... Bem, quando me vê com você. – Deu um sorriso estranho, meio convencido, meio envergonhado. – Já disse a ele que não é uma competição, que se estou com ele é porque quero, que você nem está interessado em mim desse jeito, nem eu em você. Essas coisas, mas parece que entra por um ouvido e sai pelo outro.

Draco sorriu, sarcástico. O Diggory é bem mais perceptivo do que aparenta. Como um cara com quem ele nunca conversou na vida poderia saber mais sobre ele do que Harry que era, bem, o alvo de seu interesse e estava completamente alheio a isso? Deu uma risadinha e olhou para frente, checando se o Moody notara da conversa paralela naquele canto da sala antes de responder.

- Eu não sei nada sobre o Diggory, você sabe, mas Pansy parece conhecer todo mundo nessa maldita escola e ela disse que o garoto é meio lento. – Passou a mão pelo cabelo perfeitamente penteado e sorriu. – De qualquer forma, você deveria falar sobre isso com a Granger ou algo assim, não entendo nada dessas coisas. – Deu um sorriso confuso e ergueu as sobrancelhas.

- Você está certo. – O moreno quase riu de sua idiotice, Draco não queria saber dos problemas dele com Cedric. – Desculpe.

- Nah, não se desculpe. Somos amigos, lembra? – Os dois se olharam com sorrisos nos rostos.

Antes que Harry percebesse a aula de matemática havia acabado e ele não tinha prestado atenção em nada. A conversa que teve com Draco não saíra de sua mente. Era meio estranho pensar no loiro como alguém com quem ele poderia conversar sobre tudo, sempre que precisasse, mas em contraponto parecia tão... Certo. Ele tinha certeza de que nunca se sentiria assim se tivesse a mesma conversa com Ron, por exemplo.

Pansy chegou perto deles saltitando assim que Moody deixou a sala de aula. A menina inclinou-se e fez um gesto com o dedo indicador para que os dois se aproximassem. Draco olhou para Harry com uma sobrancelha arqueada e rolou os olhos, mas fez o que a morena pediu e Harry o imitou.

- Blaise acabou de me mandar um SMS perguntando se vocês querem matar a próxima aula com a gente. – Falou como se estivesse revelando aos dois garotos um segredo de estado.

- Pode ser, tenho Educação Física agora, não faria diferença. – O loiro respondeu, sorrindo animado.

- E você, Potter? Quer passar um tempo com o grupo legal pra variar? – Pansy perguntou cheia de expectativa.

- Ele já passa bastante tempo comigo, Parkinson. – Retrucou Draco, olhando-a como se estivesse esperando uma brincadeirinha sem graça.

- Estava falando de Blaise e eu, gatinho. – Riu da cara teatralmente ofendida do loiro e voltou-se para Harry. – E aí?

O moreno estava pronto para dizer que sim, mas fez a bobagem de passar os olhos pela classe antes e ver Cedric olhando e esperandoporele à porta da sala. Mordeu os lábios e encarou Draco e Pansy, depois mirou o garoto alto parado ali com uma expressão duvidosa. O loiro ao seu lado seguiu seu olhar e soltou um muxoxo de entendimento.

- Harry vai ficar com o namorado hoje, Pansy. – Disse fazendo esforço para sua voz não soar tão irritada quanto realmente estava.

- Ele não é meu namorado! – Exclamou Harry, olhando feio para o loiro.

- Okay, sem problemas. A gente se vê. – Acenou para Harry para encarar Draco depois. – Você vem, Draco?

- Claro. – Levantou-se e ajeitou as roupas, pendurando a mochila em um ombro apenas. – Te vejo no almoço, então? – Sorriu para Harry que retribuiu, acenando.

Harry observou enquanto Draco seguia em direção a porta, passando por Cedric e lançando um olhar ao mais alto que o moreno não conseguiu ler, mas Cedric pareceu retribuir o mesmo olhar. Ainda sem saber exatamente como agir, Harry caminhou devagar em direção ao outro e foi recebido com um sorrisinho envergonhado.

- Harry, me desculpe. – Cedric disse de cabeça baixa. – Eu fui um idiota.

- E muito ciumento.

- Isso também, mas eu não gosto do Malfoy. Você parece estar cego, Harry, ele claramente está interessado em você. – O mais alto estava bem sério, mas cerrou o cenho quando o garoto em sua frente deu uma risada descontrolada.

- Próxima piada, por favor. – Ele enxugou uma lágrima inexistente no canto do olho. – Sem chances, Cedric. Draco e eu somos apenas amigos. Não há segundas intenções da minha parte e muito menos da dele.

- Tudo bem. – Cedric suspirou, desistindo. Se Harry não era capaz de ver o que era óbvio, ele não podia fazer nada. – Eu tenho ciúmes porque gosto muito de você.

- Mas você confia em mim, não confia?

- Claro que confio. – Cedric sorriu.

- Então pronto, se eu digo que Draco e eu somos amigos, você acredita, não é?

- Acredito.

Juntos, Cedric e Harry seguiram para o ginásio e jogaram vôlei novamente, dessa vez contra Seamus Finnigan e Dean Thomas – e ninguém terminou acidentado. Ao fim da aula, quando o vestiário esvaziou, houve uma sessão de amassos para selar a paz entre os dois e Harry saiu de lá mais ofegante do que entrou e ambos seguiram para o refeitório.

Harry afastou-se alguns centímetros de Cedric ao ver Ron e Hermione logo na entrada do refeitório. Passou as mãos pelo cabelo, como se estivesse querendo ajeitá-los e tentou não parecer muito tenso quando o ruivo o cumprimentou dando um tapinha desajeitado em seu ombro. Hermione apenas piscou para ele e os quatro se dividiram: Ron e Hermione iriam pegar seus almoços, enquanto Harry e Cedric procuravam uma mesa.

O moreno tentou não se sentir muito incomodado todas as vezes que Cedric o tocava – o que ele fazia otempotodo -, mas já estava ficando chato. O mais alto entrelaçava seus dedos ou o abraçava pela cintura de tempos em tempos e Harry tinha que achar uma desculpa para soltar-se. Seu desconforto só aumentou quando viu que Draco observava tudo do patamar superior com uma expressão que Harry não conseguiu ler. Não era a cara de desgosto de sempre, era meio... Não, isso era loucura. Draco não estava cobiçando Harry.

Sentiu Cedric puxar seu braço na direção de uma mesa bem ao lado deles. Ficaram lá sentados, o mais alto sempre falando sobre o time de cricket ou algo assim, enquanto Harry perguntava-se onde Ron e Hermione se meteram. Seu estômago roncava como se a 3ª Guerra Mundial estivesse ocorrendo ali dentro e ele estava sem paciência alguma para cricket. Revirou os olhos quando Cedric passou o braço pelos seus ombros e o puxou para mais perto, mas abriu um sorriso envergonhado ao que o mais alto inclinava-se para beijar seus lábios de leve, corando em seguida.

- Ah! Eu sabia! – Os dois rapazes pularam nas cadeiras ao ouvir a voz de Ron. Harry virou-se mais corado do que jamais achou que fosse ficar na vida e se deparou com o rosto sardento e as orelhas do ruivo extremamente vermelhas e Hermione rindo alguns passos atrás. – Caramba! Vocês dois?

- Ron... – Cedric tentou falar, mas o ruivo não queria saber.

- Cedric, você não podia esperar um mês? Quer dizer, eu estava começando a achar que iria finalmente conhecer alguém, você sabe, que gosta de meninas tanto quanto eu. – Soltou a bandeja em cima da mesa e largou-se em uma cadeira. – Mas não! Você tinha que, sei lá, converter o Harry!

- Ronald Weasley! – Hermione exclamou, estalando um tapa dolorido na nuca do namorado. – Não fale assim! – Ron, cujo rosto estava quase voltando à cor normal, corou.

- Desculpa, caras. – Falou baixinho, dando um sorriso tímido, depois olhou para Hermione. – Isso me assusta, sabe? Quando você fala igual minha mãe. – A menina apenas riu em resposta.

- Sem problema, sério. – Harry garantiu. – E, só pra constar, eu gosto de meninas tanto quanto você. – Piscou um olho e sorriu, maroto.

- Mas, Ron... Neville é hetero, sabe. – Cedric lembrou, rindo.

- É, mas ele não pega ninguém! Preciso de alguém para me contar as peripécias de um solteiro agora que eu to amarrado. – Os três garotos riram e Hermione apenas olhou para Ron, mal humorada. – Desculpa, linda! Eu adoro estar amarrado a você! – Abraçou-a de lado, beijando sua bochecha. A menina corou e murmurou um "cala a boca" antes de começar a comer. – Então, Harry, quer ir comigo ao campo de futebol depois do almoço ver o ensaio das líderes de torcida?

- Ron, não é por que o Harry gosta de garotas tanto quanto você que ele vai sair por ai admirando-as, não é? – O tom de voz de Cedric soou sério e ele tinha um sorriso forçado no rosto. Harry apenas o encarou.

- E tome um pingo de vergonha na cara, por favor, Ronald. – Hermione deu outro tapa na nuca do namorado. – Esqueceu que eu estou aqui?

- Mas eu não ia olhar, Mione... – Ron massageou o local atingido e fez uma cara inocente para a namorada. – Era pelo Harry.

- Obrigado pelo convite, Ron. – Harry riu. – Mas vou ter que deixar para outro dia. Nesse momento tudo com que posso me preocupar é em comer, estou morrendo de fome.

Harry levantou-se e sem poder impedir, Cedric o seguiu de perto. Com ambas as bandejas cheias, eles voltaram para a mesa que foi se apertando quando Luna Lovegood e Neville Longbottom se juntaram a eles e mais tarde, num ato de gentileza, Cedric convidou Seamus Finnigan e Dean Thomas. Os garotos se atrasaram e estavam tendo problemas em encontrar um lugar para sentar.

Ron contava as peripécias de seus irmãos, George e Fred. Os garotos eram gêmeos, mais velhos que Ron e apreciavam uma vida cheia de aventuras. O ruivo estava falando sobre como os irmãos estavam planejando abrir uma loja de brinquedos e todas pareceram se interessar quando ele acrescentou que os próprios George e Fred haviam inventado os produtos que iriam vender.

Ainda faltavam alguns minutos para a sineta tocar e o grupo continuou sentado ali enquanto o refeitório esvaziava. Harry estava muito interessado numa história que Cedric contava sobre sua última viagem e não percebeu quando alguém se aproximou dele, parando bem na sua frente, debruçando-se sobre a mesa e empurrou algo em sua bandeja. Harry deu um pequeno pulo de susto ao ver as íris cinza o encarando.

- Vejo você mais tarde, Harry. – O loiro piscou e deu um sorrisinho, se retirando tão rápido quanto surgiu ali, com Blaise Zabini atrás dele.

Todos na mesa assumiram um silêncio mortal e se ocuparam em observar Harry enquanto o moreno encarava o caminho que o loiro havia acabado de fazer. Com um pigarro de Cedric, Harry abaixou a vista e seus olhos brilharam ao ver o chocolate com menta que ele havia adorado. Ele não pensou duas vezes antes de rasgar a embalagem e dar uma mordida.

- Harry, você não devia comer isso, pode estar envenenado. – Disse Ron num tom de voz baixo e soltou todo o ar de seus pulmões ao receber uma cotovelada de Hermione.

- Deixe de besteira, Ron. – Harry sorriu.

- Isso mesmo, Ronald. – Hermione repreendeu. – Pare de acusações absurdas. Malfoy está claramente tentando ser gentil.

- Eu realmente não sei a quem ele está tentando enganar. – Cedric bufou.

- Ele não é tão ruim, sabe? O Malfoy. – Disse Dean. – Ele age assim mais por causa do pai dele, mas ele é legal quando quer. Ano passado eu ia me ferrar em química e ele me deu umas dicas sobre a matéria e sobre como lidar com o Snape. Agora eu consigo ficar na média.

- Oh, o Malfoy não é a criatura mais doce e gentil na face da Terra? – Ironizou Ron, fazendo uma careta.

- Parem com isso, por favor. – Harry olhou para o rosto de todos na mesa. Seamus e Dean pareciam ter certa simpatia por Draco, Ron e Cedric não eram seus maiores fãs, Luna estava completamente alheia a conversa, Neville e Hermione passavam uma impressão de que estavam receosos, mas que acreditavam que Draco não era assim tão ruim.

- Desculpe, parceiro. – Ron murmurou. – Esqueci que você é amigo dele.

- Tente não esquecer tanto, Ron. – Harry sorriu fraquinho, tentando não ser tão duro, dobrando a embalagem do chocolate e guardando metade no bolso da frente de sua mochila. Ele e Draco não teriam mais aulas juntos o resto do dia – eles haviam checado. O moreno levantou e esperou que os outros fizessem o mesmo, mas eles pareciam realmente estar analisando-o. – Alô? Pessoal? Temos que ir ou vamos perder a aula.

Num coro de cadeiras arrastadas todos se levantaram e recolheram seus pertences. Harry foi para a aula de biologia com Ron e Hermione – que discutiram novamente sobre o ruivo ter que sentar na frente, mas ele não quis – e só conseguiu prestar atenção por que a professora Sprout era bem divertida, mas de vez em quando o gosto da menta em sua boca levava sua mente longe, para dentro de certas íris cinza-azuladas.

No último toque da sineta, o moreno se despediu de Dean Thomas – com quem havia feito dupla na aula de geografia – e foi até seu armário, guardando todos os outros livros e pegando somente o de química. Em algum momento enquanto ele fazia isso Draco apareceu e ficou encostado na parede, do outro lado do corredor, apenas observando. Harry sabia que ele estava ali, mas terminou o que estava fazendo antes de se dirigir a ele.

- O que foi, Draco? Vai ficar só me encarando agora? – Harry ajeitou a mochila no ombro e enfiou as mãos no bolso.

- Eu estava apenas esperando pra ver se seu namorado não aparece e resolve puxar outra briga idiota. – Draco deu de ombros.

- Ele não é meu namorado. – Harry murmurou, irritado.

- Tanto faz. – O loiro deu de ombros. – Eu acho melhor irmos estudar no refeitório, que essa hora está vazio, ou seremos expulsos da biblioteca por conversa.

- Tudo bem, então. – Harry sorriu. – Obrigado pelo chocolate.

- Sem problemas, só não se acostume. – Draco sorriu de canto.

Pansy apareceu pouco tempo depois, tagarelando como sempre. A morena disse que já havia começado a organizar a festa e fez questão de frisar que Harry estava convidado. Draco apenas soltou uma risadinha com o desconforto do outro rapaz diante da quase intimação que lhe foi feita. Pelo que conhecia da amiga, Pansy arrancaria seu fígado com a mão se ele fizesse a desfeita de não aparecer.

Quando o número de alunos nos corredores foi diminuindo e depois que Cedric apareceu, martirizou Draco com os olhos e deu um beijo de despedida em Harry – o loiro teve que virar o rosto e murmurar para que Pansy o segurasse, ou ele esmurraria o garoto mais alto até a morte –, os dois seguiram para o refeitório e escolheram uma mesa mais no canto, espalhando todo seu material sobre ela.

Eles mal haviam sentado quando um grupo de professores passou pelo refeitório conversando. Harry reconheceu Binns, Sprout, Lupin – que o olhou confuso após perceber a presença de Draco – e Flitwick, que quase passara despercebido. Draco deu um pulo e juntou tudo com uma puxada só.

- Merda, merda, merda... Vamos, Harry, mexa-se! – Draco começou a puxar o garoto, lançando olhares urgentes para onde os professores haviam passado.

- O que foi? O que está acontecendo? – O moreno começou a juntar suas coisas automaticamente.

- Os professores estavam em reunião! Merda! Snape deve aparecer a qualquer momento, vamos!

Harry não havia terminado de fechar o zíper da mochila quando Draco segurou sua mão e saiu puxando-o, correndo em direção às escadas e subiu pulando vários degraus. Os dois se abaixaram atrás de uma das mesas e esperaram. Não deu nem quinze segundos e Snape apareceu, com Dumbledore ao seu lado esquerdo e uma mulher que Harry nunca tinha visto ao seu lado direito, um passo mais atrás e o professor parecia extremamente contrariado.

O loiro só soltou o ar quando Snape sumiu de vista e estava já se levantando quando barulho de passos lentos e mancados ecoou pelo corredor à direita. Puxando novamente o moreno, eles voltaram a correr.

- O que foi agora?

- É o Filch, o zelador... – Draco mal havia acabado de falar quando a mão de Harry soltou-se da sua e um barulho de cadeiras caindo macularam o passo silencioso dos dois.

Ah, mas ele tentou não rir. Ele realmente tentou, mas ver Harry estatelado no chão com a maior cara de idiota e os óculos voando de seu rosto foi impagável. Draco riu histericamente, inclinando-se para frente, apoiando uma mão num joelho e segurando o abdômen com a outra. Harry estava vermelho tanto de raiva quanto de constrangimento.

Os passos no corredor se tornaram mais acelerados e sem parar de rir, Draco foi até Harry e o ajudou a levantar rapidamente, pegando seus óculos e sua mochila. O loiro estava atrás, empurrando Harry em direção ao corredor da esquerda, onde havia as máquinas de doces e o banheiro dos monitores – e foi ali mesmo que eles entraram.

Draco ainda estava rindo. Com os olhos marejados com lágrimas de divertimento, o loiro encostou a testa na porta fechada, Harry ofegava atrás dele. O moreno realmente começou a se irritar quando o garoto à sua frente aparentou que não pararia de rir nunca mais. Quando os passos voltaram a ser ouvidos bem do outro lado da porta e a maçaneta começou a ser forçada, Harry soltou uma exclamação de susto e puxou o loiro risonho para dentro de um dos boxes apertados, tapando sua boca com a mão.

Harry não enxergava um palmo à frente do nariz, mas sentiu que o rosto de Draco ficou tenso sobre seu toque e as risadas morreram, o que o fez expirar. Os passos estavam agora dentro do banheiro, indo de um lado para o outro.

O loiro estava bem preso debaixo do olhar amedrontado de Harry. Livres dos óculos, os olhos do moreno pareciam brilhar infinitas vezes mais e eram tremendamente interessantes. Draco conseguia lê-los como se lia a um diário, cheios de inquietação, aflição, nervosismo e raiva. Ele podia sentir os olhos verdes escrutinando sua alma profundamente e um calor inexplicável começou a tomar conta de seu corpo.

O corpo de Harry estava a centímetros do seu, sua respiração alterada batendo em seu rosto, a mão com toque quente sobre sua boca. Se ele abaixasse a mão do outro, seus lábios também estariam tão próximos que resistir a tentação de tocá-los seria impossível. Seu estômago afundava cada vez mais e Draco quase chutou Filch quando ele abriu a porta do boxe de supetão, com um sorrisinho vitorioso no rosto torto.

- Ora, ora... – Filch soltou uma risada meio que macabra e puxou Harry pelo braço, soltando-o assim que ele estava fora do cubículo, fazendo o mesmo com Draco em seguida, que torceu seu rosto numa careta de nojo. – Vamos, rapazinhos, tenho certeza que o diretor adoraria conversar com os dois.

Nenhum dos dois disse nada no caminho para a sala de Dumbledore, mas Filch fazia questão de mostrar sua satisfação em levar os dois garotos para uma possível detenção. Harry não entendia, na verdade, por que ele castigaria dois alunos se escondendo de um professor inconveniente.

Ao chegar à sala, quem estava lá era a mulher que Harry havia visto andando ao lado de Snape e Dumbledore no refeitório. Ela analisou os dois rapidamente por cima dos óculos retangulares e depois olhou para o zelador.

- Pois não, Sr. Filch? – A voz dela era tão severa que Harry começou a sentir que eles estavam realmente ferrados.

- Eu encontrei esses dois alunos se agarrando no banheiro dos monitores sobre o refeitório.

- O QUÊ? – Draco e Harry gritaram ao mesmo tempo, os olhos arregalados.

- Obrigada. Pode se retirar. – Ela esperou que o homem se retirasse para voltar com sua avaliação. – Sr. Potter. – Harry soltou uma exclamação de surpresa. Como ela poderia saber seu nome? – Eu sinto muito que tenhamos que nos conhecer sob tais circunstâncias e acusações, mas ainda é um prazer. Eu sou a coordenadora do colégio, Minerva McGonagall. Sr. Malfoy, por favor, trate de me esclarecer essa situação.

- Eu e o Harry estávamos estudando no refeitório e vimos que os professores estavam saindo. Eu sabia que o professor Snape poderia aparecer a qualquer momento e ele não podia me ver. – Draco deu uma pausa para lançar um olhar significativo para a coordenadora, que assentiu, mostrando entender e Harry se sentiu um idiota por não compartilhar desse entendimento. – Então, corremos para o andar superior, esperando que o professor passasse. Ouvimos passos e eu soube que era Filch. Eu pensei que se ele nos visse, poderia comentar com Snape, então corremos para o banheiro.

- E onde entra a parte onde vocês estavam em um momento intimo? – Minerva levantou uma sobrancelha.

- Não estávamos! – Draco exclamou, exasperado. – Foi um mal entendido.

- Bem, eu acredito dessa vez. Mas lembre-se que os banheiros dos monitores são somente– ela frisou bem a palavra – para os monitores e o uso impróprio deles pode causar ao senhor, Sr. Malfoy, a perda de seu distintivo e ao Sr. Potter alguns dias de suspensão.

- Eu tenho conhecimento disso, Professora McGonagall. – Draco assentiu formalmente. – Obrigado. Eu e Harry voltaremos aos nossos estudos agora.

- Pois bem. Tenham uma boa tarde, senhores. – Ela assentiu de volta e deu um sorrisinho.

Ainda um pouco ofegante e com o coração batendo nervosamente, Harry seguiu Draco pelos corredores, voltando ao refeitório. O loiro parecia tranqüilo e sua pose não parecia ter se alterado em momento nenhum. Harry o viu juntar as sobrancelhas rapidamente e desejou com todas as forças poder ler seus pensamentos.

- Você vai me dizer pra que toda essa confusão? – O moreno perguntou quando eles sentaram-se na mesma mesa de antes.

- Snape. – Harry esperou que Draco continuasse, mas aquela parecia ser a resposta.

- O que tem o Snape? Por que você estava fugindo dele?

- Eu não queria que... Ele me visse com você. – O loiro desviou o olhar dos olhos de Harry, rapidamente se concentrando numa mancha inútil na mesa.

- Por que não? Ele nos vê juntos sempre. Nós fazemos dupla na aula dele, Draco. – A voz do moreno soou um pouco desesperada. Ele parecia realmente querer entender.

- Eu sei. O problema é que se Snape nos vir estudando juntos, Harry, ele vai contar ao meu pai e ele não pode saber. – Draco suspirou, passando a mão pelos cabelos. – Ele não quer que eu seja seu amigo. Ele não quer nem que eu pense nisso. Se ele souber que estou ajudando você, vai haver outra discussão e eu não agüento mais. Não agüento mais ter que ouvir as coisas horríveis que ele fala e as súplicas da minha mãe.

- Eu não entendo. – Harry negou com a cabeça e Draco bufou impacientemente. – Se é tão ruim assim... Por que você não me mandou pastar ainda?

- Você às vezes parece que é débil, Harry. – Draco deu uma risadinha. – Eu disse que queria ser seu amigo, lembra?

- Claramente. Mas por quê?

- Ora, e desde quando é preciso de uma razão para querer ser amigo de alguém? – O loiro soltou um muxoxo quando Harry continuou a encará-lo esperando por uma resposta de verdade. – Meus pais sempre me deram tudo o que eu queria. Se eu queria um vídeo game novo, eu ganhava, se eu queria um novo computador, eu ganhava, se eu queria roupas novas, eu ganhava, se eu queria um carro novo... Mas é verdade quando dizem que há coisas que o dinheiro não compra e umas delas é uma amizade verdadeira. O dinheiro da minha família comprou minha amizade com Pansy e Blaise, mas você... Com você não é assim. – Harry permaneceu calado, analisando-o. – No começo eu achava que era só por que eu sei que você irrita meu pai e talvez eu estivesse agindo como um garoto rebelde, mas agora não mais.

- Sei. – Harry disse apenas, assentindo levemente e após alguns segundos, ele continuou. – Então, mesmo tendo que lidar com seu pai e seu padrinho, você ainda acha que vale a pena?

- Eu acho que sim. – Ele deu de ombros. – Você mesmo disse que nós temos que tentar, não é? Não dá pra adivinhar. Você acha que vale a pena, Harry?

- Eu acho que nós podemos fazer valer. – Harry sorriu de canto, folheando o livro.

O loiro apenas o observou por alguns segundos. Ele não tinha certeza de que sentido Harry havia utilizado naquela frase. Ele não estaria dando em cima de Draco, estaria? Não, claro que não. Ele estava com Cedric, afinal, e mesmo o loiro o achando um tremendo idiota, Harry disse que o garoto era bom pra ele. Nah, era apenas a imaginação de Draco querendo que o moreno estivesse de fato mostrando algum interesse.

Após alguns minutos tentando impedir algumas imagens puramente imaginárias invadirem sua mente, Draco apanhou seu livro e seu caderno e se inclinou mais em direção a Harry, deixando seus ombros se encostarem enquanto ele apontava algumas coisas no livro do outro e explicava. O tempo passou rápido demais e quase três horas depois eles estavam se despedindo e cada um entrou em seu carro. O loiro agradeceu silenciosamente que Harry ainda tinha dúvidas. Tardes de estudo podiam ser de fato proveitosas algumas vezes.


Muito obrigada Yann Riddle Black e Ines Granger Black pelas reviews! E obrigada a você que está lendo mais prefere não se manifestar. Beijos.