Capítulo 6
Funhouse

Era sexta-feira e a festa de Pansy seria na noite seguinte e nem a garota nem Draco ficaram muito felizes quando Harry disse que não iria comparecer ao evento. O motivo estava bem ali na sua frente, falando mais alto do que devia, com raiva. A paciência de Harry estava por um fio e ele contava até dez enquanto Cedric falava.

- Eu já disse a você que não quero ir a essa festa. Quanto mais tempo eu conseguir ficar longe do Malfoy, melhor, e você também. O que você disse a ele?

- Que não ia, mas estou começando a reconsiderar. – Harry cerrou os olhos.

- Está mesmo? – Cedric soou desafiante. – Harry, se eu não estiver lá para ter certeza que aquela criatura repugnante e albina está com aquelas garrinhas sujas bem longe de você, você não vai.

- E desde quando é você quem decide pra onde eu vou ou deixo de ir? – Ele o encarou, um tanto quanto incrédulo.

- Desde que o Malfoy come você com os olhos, pedacinho por pedacinho.

- Esse é certamente o maior absurdo que eu já ouvi! – Sua paciência acabou naquele momento. – E independentemente disso, estar com você pode ter sido muito bom, Cedric, mas eu não agüento mais! Eu não agüento! Você tenta controlar minha vida como se eu fosse uma marionete e às vezes consegue ser pior que meus pais. E eu não quero isso pra mim, obrigado.

- O que você está dizendo, Harry? – Automaticamente a voz de Cedric abaixou.

- Estou dizendo que acabou. O que quer que esteja acontecendo entre nós, acabou, Cedric.

- Você está tomando atitudes precipitadas, Harry, pense bem...

- Não há mais o que pensar. Eu já deixei isso ir acontecendo por muito tempo e essa foi a gota d'água. Eu sinto muito, Cedric. Eu realmente gosto de você, mas não dá mais.

Harry soltou um último suspiro e deu as costas à Cedric, seguindo em direção a garagem e alcançando seu celular no bolso. Discou o número que já havia decorado e chamou quatro vezes antes de Draco atender.

- Harry, não faz 15 minutos que eu saí do colégio e você está me ligando. Eu não sabia que você estava assim tão obcecado pela minha pessoa. – Draco tinha um convencimento claro na voz e Harry podia imaginar que um sorrisinho também estava em seu rosto.

- Eu vou à festa da Pansy amanhã, você pode me passar o endereço?

- Vai? Tem certeza? Seu namorado não vai se irritar?Eu não quero que sobre pra mim. Não estou disposto a detenções e...

- Ele não vai mais incomodá-lo, Draco. Não se preocupe. Eu... Terminei com ele.

-O que? Você terminou com o Diggory? – Draco não podia nem disfarçar a felicidade na sua voz e Harry achou isso engraçado. Demorou, hein?

- Ta, ta, que seja. E o endereço?

- Harry, eu juro que você não vai se arrepender! Eu vou mandar todas as informações por SMS, está bem?

- Tudo bem. Obrigado. Até amanhã.

- Até!

Harry sorriu olhando para o aparelho em sua mão. A animação de Draco era palpável do outro lado do telefone e ele deveria ter esperado para contar a novidade ao loiro quando eles estivessem cara a cara. Mas qual tinha sido a reação facial do garoto ele poderia tentar imaginar depois, agora ele tinha que ir pra casa e enfrentar o inquérito de Lily, James e Sirius sobre a maldita festa.


Harry passou o resto da sexta-feira e o dia inteiro no sábado sentindo-se nervoso. A certeza de que seria um fracasso e que ele teria que grudar em Draco para sobreviver consumia-o lentamente. Era a primeira festa do ano, sua primeira festa numa escola nova e seu padrinho não havia parado de repetir como aquele dia seria importante para sua reputação e todas essas baboseiras para as quais Harry não ligava.

Enquanto olhava dentro do armário, procurando alguma coisa que preste para vestir, contorcia a barra da camisa com raiva. Não havia parado de pensar no término do... Bem, aquilo que ele e Cedric tinham. O modo como ele tentara controlá-lo, interferir em sua vida e em suas amizades fora tão... Harry não tinha nem palavras para descrever aquilo. Só de lembrar seu estômago revirava e seu corpo ficava tenso.

Estava enrolando para escolher uma roupa e ter que descer. Não conseguiria sair sem ter que falar com os pais e padrinho. Coisa que ele realmente não queria fazer.

Se o jantar na noite anterior havia sido conturbado, hoje fora ainda pior. Sirius simplesmente não calara a boca. Estivera divagando sobre como chegar em garotas (checar qual a mais bêbada e ficar perto dela até a menina agarrá-lo) e como ele deveria se hidratar antes se fosse beber (sua mãe quase teve um ataque nessa parte) e essas coisas.

Harry não prestara atenção em nada daquilo. Todas aquelas "dicas" eram ridículas, ele não iria ficar com uma garota bêbada que ele não conhecia e não iria beber. Pegou qualquer coisa no armário, e se vestiu sem prestar atenção no que estava fazendo. Checou o relógio em cima da mesa do criado-mudo ao lado da cama, apanhou o celular e a carteira e saiu.

Ao chegar à sala de estar encontrou seu pai, sua mãe e Sirius conversando. Snuffles babava no carpete, observando tudo ao lado da poltrona onde estava James.

- Gente, to saindo! – Anunciou Harry já andando em direção a porta.

- Filho, espere! – Lily levantou-se e andou até Harry que estava parado com as mãos nos bolsos. – Está levando o celular? Carteira? Tudo? – Ajeitou a gola da camisa social verde do filho.

- Estou, mãe. – Respondeu o moreno.

- Não volte muito tarde, está bem? – Desta vez, a ruiva tentava inutilmente acalmar os cabelos rebeldes de Harry.

- Lily, você não se lembra dos tempos de escola? É possível que Harry nem volte essa semana! – A voz de Sirius soou brincalhona e Harry não pôde deixar de rir ao que Lily lançou um olhar assassino para o homem, que se encolheu no sofá.

- Okay. Eu tenho que ir. Tchau, todo mundo. – Harry disse, escapando para a porta. Agarrou o chaveiro com as chaves do carro e de casa.

- Ah, James, ele é igualzinho a você. – O garoto escutou sua mãe dizer antes de sair e não pôde deixar de sorrir. Adorava quando as pessoas o comparavam com o pai.

Quando chegou a casa de Pansy, seus olhos se arregalaram. Bem, aquilo mal podia ser chamado de casa, era uma mansão do maior tipo. Fazia sua casa – que não era tão pequena assim - parecer um casebre de beira de estrada. Devia ter pelo menos três andares e a fachada era toda branca, imaculada. Os jardins frontais tinham a grama verde e perfeita. Algumas pessoas estavam deitadas ali conversando e Harry já podia ver uma menina, provavelmente bêbada, chorando as pitangas para as amigas.

Estacionou o carro do outro lado da rua e se encaminhou para a porta respirando fundo antes de entrar. A primeira coisa que viu foi um corredor longo cheio de gente encostada nas paredes, conversando com copos plásticos vermelhos nas mãos. Estava mais nervoso do que achava que estaria. Sentiu uma necessidade enorme de voltar para seu carro e passear até umas três da manhã, quando poderia voltar pra casa sem ter que enfrentar a humilhação de ser um covarde.

Mas quando estava pronto para se virar e correr porta afora, avistou Draco. O loiro parecia brilhar no meio da multidão com seus cabelos loiro-platinados e Harry não conteve o impulso de passear por todo o corpo esguio com os olhos. A camisa preta com os três primeiros botões abertos, a calça jeans colado no corpo, destacando as coxas grossas. Mordeu os lábios com força. Draco era a imagem do perigo, mas Harry já tinha sua coragem restaurada.

Colocou um sorriso no rosto e caminhou até o loiro que falava animado com Blaise, mas Harry mal olhou para ele. Parou atrás de Draco e lançou um olhar sugestivo para Blaise. O moreno prendeu a respiração por um momento, então chegou mais para perto do ouvido do rapaz e soltou o ar. Draco pulou de susto e Harry pôde observar os pelos quase invisíveis da nuca do garoto arrepiarem-se. Caiu na gargalhada.

- Mas que... – Draco virou com os olhos arregalados e encarou Harry que continuava rindo. – Ah, tinha que ser! – Rolou os olhos.

- Juro que vi sua alma abandonando seu corpo, Draco! – Exclamou ainda rindo.

- É, muito engraçado. – Disse, sem impedir um sorriso de tomar seus lábios devagar.

- Vou procurar a Pansy. – Blaise murmurou e saiu de perto dos dois.

- E então, quer beber alguma coisa? – Perguntou o loiro.

Draco enfiou as mãos nos bolsos da calça e encarou Harry. Os olhos estavam ainda mais chamativos e brilhantes pela camisa verde que vestia, Draco distraiu-se encarando as íris claras e não percebeu que Harry respondia sua pergunta.

- Desculpe. Pode repetir? – Draco pediu, um tanto envergonhado.

- Eu disse que quero. – Riu Harry.

Alguns minutos e muitos copos plásticos vermelhos transbordando vodkadepois, Harry via o mundo girar. Literalmente. Sentado no sofá enorme de Pansy ao lado de um casal bastante empolgado, o moreno observava dois Dracos e duas Pansys conversando alguns metros à frente e apontando para ele de tempos em tempos. Não conseguiu conter o riso alto e escandaloso quando percebeu que os quatro, na verdade, eram apenas duas pessoas.

Draco aproximou-se devagar e sentou espremido ao seu lado no sofá, enquanto Pansy seguia seu caminho escadas acima, rindo. O loiro observou Harry e uma ruga de preocupação apareceu entre seus olhos. O moreno tinha o rosto corado, os olhos enevoados e as roupas amarrotadas; a camisa tinha pelo menos quatro botões aleatoriamente abertos e ele havia perdido um tênis. Draco sorriu ao perceber os olhos confusos olhando para si.

- Tudo bem aí? – Perguntou em tom de riso.

- Claro! – Exclamou Harry, animado. – Sabe, tem dois de você e eu... – Não terminou a frase e se entregou a vontade avassaladora de rir.

- E você está extremamente seduzido, é claro. – Draco piscou, divertido.

- Como não estar, não é? – Sua voz falhou um pouco pelas risadas. – Sabe, Draco... – Começou, baixinho.

Chegou mais para perto do loiro, quase sentando em seu colo. Draco, por sua vez, arregalou os olhos cinza e tentou afastar-se o mais rápido possível, sem sucesso. Não tinha espaço no sofá, graças ao casal aos beijos. Sentiu-se nervoso e desconfortável. Harry estava perigosamente próximo e, pior ainda, bêbado.

- Eu realmente gosto dos seus olhos. – Continuou o moreno, num sussurro. – São tão clarinhos...

Os dedos trêmulos ergueram-se para tocar Draco, mas pararam alguns centímetros para o lado – no rosto do segundo Draco. Harry percebendo a confusão, fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, recomeçando a rir. O loiro suspirou aliviado e se permitiu rir também. Não porque achara a situação engraçada, mas sim porque a risada do garoto era um dos sons mais bonitos e contagiantes que já escutara na vida.

Draco aproveitou o momento de distração para empurrar Harry mais para longe, no entanto Harry caiu bem em cima do casal ao lado deles. Os dois o olharam raivosos, mas ao ver o loiro ali, apenas saíram xingando baixinho. Draco deu uma risadinha desconfortável para Harry, que o olhava meio confuso e não pôde não suspirar ao avistar Pansy vindo em sua direção com um sorriso no rosto.

- E então? – Inquiriu o loiro, quando ela chegou perto.

- Pansy! Pansy! – Exclamou Harry, tentando levantar-se, mas desistiu da tarefa segundos depois. – Bela festa! Bela casa! – Falava rápido e sua voz estava arrastada, tornando a tarefa de entendê-lo quase impossível. - Belo amigo! – Apontou para Draco que pela primeira vez em muito tempo estava corado. – Amigo esse que está corando. – Pansy ria cada vez mais alto, olhando para os dois. – Ele é meu amigo também, sabe? – Comentou aleatoriamente.

- Sim, eu sei. – Respondeu Pansy, ainda rindo. – Entendo sua preocupação, Draco. – Meneou a cabeça e respirou fundo, controlando-se. – Consegui encontrar um quarto vazio no primeiro andar, assim você não tem que andar muito com ele. – Mostrou a chave pequena e prateada, erguendo a sobrancelha, sugestiva. – Quinta porta à esquerda. Juízo hein!

Draco apenas pegou a chave e rolou os olhos. Ajudou Harry a se levantar, passando o braço do moreno por seus ombros e agarrando-o pela cintura com firmeza afim de não deixá-lo cair. Sem olhar para Pansy – que estava sorrindo, maliciosa – uma única vez, seguiu escadas acima com um Harry tonto e risonho, sussurrando besteiras em seu ouvido e o deixando completamente arrepiado.

Entraram no quarto e Draco fez Harry sentar-se na cama. O moreno rapidamente ajeitou-se ali para se deitar. Draco sentou na poltrona ali na frente, apenas olhando o outro garoto procurar uma posição confortável na cama enorme e bem feita com um sorriso no rosto.

- Draco... – Harry chamou, seu tom era suave e manhosa. Draco apenas fez um som para mostrar que estava ouvindo. – Você não quer saber por que eu terminei com o Cedric? – Franziu o cenho.

- Agora não. – Respondeu, rolando os olhos. – Você deveria tomar um banho ou algo assim. – Mudou de assunto, dando de ombros.

- Ele queria me separar de você. Ele queria que eu me afastasse de você. – Falou sonolento, ignorando a mudança de assunto. – Mas eu não podia fazer isso, não é? Porque eu... Eu gosto de você, mais do que eu gostava dele. E é por isso que ele não queria que eu ficasse tão perto de você. – As palavras soavam um pouco confusas e embaralhadas.

Todo o corpo de Draco estava tenso e seu coração batia como uma bateria contra suas costelas. Ele tinha certeza que estava com os olhos arregalados e tinha a expressão mais confusa do mundo. De onde aquilo tinha vindo? Aquelas palavras foram como um soco no estômago de Draco, mas não doía. Era... Bom. Levantou-se da poltrona e caminhou até a cama, deitando-se ali, ao lado de Harry.

- Também gosto de você, Potty. – Brincou, erguendo a mão para acariciar os cabelos negros, sem realmente pensar no que estava fazendo. Harry soltou um som de aprovação e fechou os olhos, se esticando e ronronando como um gato. Draco apenas sorriu e ficou ali, até que o garoto adormecesse.


Os olhos verdes se abriram devagar, piscando incomodados com a luz forte. As mãos agarraram a cabeça com força enquanto Harry rolava pela cama, pressionando o rosto contra o travesseiro, escondendo. Seu cérebro martelava contra o crânio como o tic de uma bomba relógio, ele quase podia ouvir a contagem regressiva: 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1. Boom!

Respirando fundo, deitou-se de costas muito devagar, procurando não fazer nenhum movimento brusco para não piorar a pior enxaqueca que já tivera em sua vida. Por trás das pálpebras apertadas por baixo do antebraço, flashes da noite anterior passavam como um filme mudo: seu décimo copo cheio de alguma bebida alcoólica qualquer, o casal se beijando como se não houvesse amanhã, Pansy, o quarto... Ele havia dito que gostava de Draco? Havia dito que terminara com Cedric por causa dele? Sentiu o rosto queimar e soltou um gemido de desespero. Nunca mais conseguiria sequer olhar para Draco. Nunca. Nunca mesmo.

- Olha aí quem finalmente acordou! – Uma voz feminina e extremamente fina disse ali por perto, mas Harry apenas chiou para ela, pedindo silêncio. – Que mal educado! Anda, levanta, Potter. – Sentiu alguma coisa empurrá-lo com pouca força para o lado e resmungou, descobrindo os olhos e abrindo-se. Reconheceu a forma distorcida de Pansy.

- Pansy? O que você tá fazendo aqui? – Falou com a voz rouca e falhada. Virou-se procurando os óculos pela cama, achou-o no criado-mudo ao lado de Pansy. Esticou o corpo para pegá-lo.

- O que eu estou fazendo aqui? – A menina soltou uma exclamação, colocando as mãos na cintura. – Esta é minha casa, Potter.

- Fale um pouco mais baixo. – Pediu entre dentes. – Eu sei que é sua casa. Mas... – Mordeu o interior da bochecha. Queria perguntar onde estava Draco, mas ao mesmo tempo não queria vê-lo.

- Draco, né? – Adivinhou a menina. – Ele teve bastante paciência com você ontem. Eu não sei se conseguiria. – Pansy deu de ombros e sentou na beira da cama.

- É, eu sei. – Murmurou, sentindo o rosto queimar novamente.

- Sua mãe ligou umas trinta vezes, sabe. – Comentou, como se não fosse nada. Harry arregalou os olhos e sentou depressa demais, sua cabeça latejou e o quarto girou, fazendo-o voltar a deitar. – Hey, tudo bem. Draco falou com ela. Ele disse que era meu irmão pra não causar problemas pra você. – Tranqüilizou-o, franzindo a testa como se não entendesse exatamente do que estava falando.

- Sério? – Os olhos de Harry se arregalaram mais uma vez.

- Pois é. Agora, ele provavelmente está trazendo um café pra você. – Ela estava rindo e Harry tinha certeza que estava parecendo um pimentão, quis enfiar-se embaixo das cobertas e não sair nunca mais.

- Pansy... – Chamou e a menina o encarou. - Obrigado. Sério. - Pansy corou de leve e desviou o olhar.

- Nah, você estava realmente mal. Seus pais iam ter uma síncope e tal. – Murmurou, dando de ombros.

- Mesmo assim, foi muito legal da sua parte. – Insistiu.

Pansy apenas rolou os olhos e sorriu. Harry observou enquanto ela se levantava e saía do cômodo, deixando-o sozinho com seus pensamentos confusos e sua dor de cabeça. Draco havia cuidado dele, escutado suas baboseiras de bêbado, tranqüilizado sua mãe e agora estava trazendo seu café? Por quê? Tudo bem que eles eram amigos, mas o loiro não parecia o tipo de pessoa que faria aquilo por alguém, seu amigo ou não.

Enfiou as mãos nos bolsos, procurando o celular, então lembrou que Draco tinha-o atendido. Corando novamente, a realidade de que o loiro tinha enfiado a mão no seu bolso o atingia. Gemeu desconcertado e pegou um travesseiro, escondendo o rosto. Sua cabeça ainda latejava e fazia uns bons minutos que ele estava corado. Ouviu o barulho da porta se abrindo e afastou um pouco o travesseiro de sua visão.

Draco estava com a mesma roupa da noite anterior e carregava uma bandeja contendo uma garrafinha plástica d'água, uma banana e uma xícara branca. Harry fechou os olhos com força e tentou se teletransportar para outro lugar. Não tinha coragem o suficiente para ficar ali sozinho com o loiro.

- Bom dia, Harry. – A voz suave e conhecida soou baixa aos seus ouvidos e ele apenas gemeu em resposta. – Trouxe uma aspirina pra você. – Sentiu o colchão se mover quando Draco sentou. Respirou fundo e, reunindo toda coragem no seu corpo, tirou o travesseiro de cima do rosto. Seus olhos se abriram para encarar os cinzas.

Draco olhava-o com interesse. A coluna reta, as mãos segurando a bandeja em seu colo com firmeza e o nariz empinado. Demorou alguns minutos de análise para o loiro esboçar um sorriso amigável e colocar cuidadosamente a bandeja a seu lado. Harry não falou nada, ainda sentia o rosto queimando muito forte e temia que sua voz não saísse. Ele apenas esticou o braço para pegar a pílula. Seu corpo estremeceu e se arrepiou com os dedos de Draco agarraram seu pulso.

- Tomar remédio em jejum não faz bem. – O loiro explicou.

- Mentira! – Falou Harry, dando um sorriso envergonhado logo em seguida. – Desculpe. – Draco franziu o cenho, confuso.

- Harry... – Começou, inclinando-se um pouco para frente. – O que aconteceu? Você não age assim comigo, na verdade, acho que você não age assim com ninguém.

- Nada, eu só... – Mordeu o lábio inferior, sem coragem de continuar.

- Eu sinceramente espero que isso não seja sobre ontem. – Ao ver o olhar culpado e envergonhado no rosto corado, Draco ergueu as sobrancelhas e ajeitou a postura, cruzando os braços. – Não seja ridículo. Você só tomou porre. Acontece!

- Falei muita merda. – Resmungou, recusando-se a olhar diretamente para o loiro.

- E você acha que faz diferença pra mim? – Draco se levantou, andando de um lado para o outro no quarto. – Você já fala bastante merda sóbrio, Potty. – Riu baixinho.

- Certo. – Falou Harry, rindo. – Por que você tá me chamando de "Potty"? – Perguntou, arqueando as sobrancelhas.

- Coma a banana. – Foi a única resposta que recebeu.

Mas que tremendo idiota que era Harry Potter! Draco se permitiu bufar, ignorando o olhar questionador do moreno. O demente tinha dito que gostava dele. Gostava dele mais do que ele gostava de Cedric. E bem, não que Draco gostasse de ter qualquer coisa comparada ao tal de Diggory, mas Harry gostar mais dele devia valer alguma coisa, não é? Ele e Cedric haviam estado num relacionamento, afinal de contas. Isso significava que ele tinha uma chance, não era?

Argh, maldito Potter! Colocando tantas dúvidas em sua cabeça àquela hora da manhã. Desde que o loiro aceitou o fato de estar interessado no garoto, tudo lhe parecia um sinal de que tal interesse era recíproco, mas ele acabava deduzindo que era coisa da sua cabeça e que o desejo o estava cegando. Mas ele havia dito. Harry estava bêbado, era verdade, mas mesmo assim...

Os flashes atingiam as lembranças de Harry e faziam sua mente vibrar como um carro alegórico, piorando sua enxaqueca, enquanto ele descascava a banana sem prestar muita atenção no que fazia. Mas que merda, pra que fora beber tanto? Sabe-se lá o que mais ele faltava dizer para acabar com amizade deles e Draco provavelmente nunca mais iria querer olhar na cara dele.

Mas ai ele se lembrou de algo. Sim, ele foi idiota e bebum o suficiente para falar uma besteira daquelas – por mais que fosse verdade –, mas Draco estava sóbrio quando respondeu que também gostava dele. E quando alisou seus cabelos até que ele pegasse no sono. Cheio de dúvidas, Harry lançou um olhar significativo para o loiro, parado de costas para ele.

A silhueta de Draco era algo realmente bom de admirar. A camisa preta num contraste imaculado com a pele pálida e os cabelos loiros, as calças jeans apertando suas coxas e suas nádegas, os cabelos platinados impecavelmente penteados cobrindo uma parte da nuca e de repente Harry teve uma vontade avassaladora de poder ver mais da pele daquele espaço, sentir sua maciez, seu cheiro. Queria passar as mãos em seus cabelos e bagunçá-los sensualmente, saber qual era o aroma do shampoo que o loiro usava...

- Controle-se, Harry. – Ele sussurrou para si mesmo, tentando presta atenção na fruta em sua mão.

Oh, mas era difícil. Era tãodifícil. Ultimamente Harry vinha se martirizando por ter escolhido querer a amizade justamente daquele loiro parado a sua frente. Seria muito mais fácil se um nerd de óculos de lentes amarelas e cheios de espinhas no rosto tivesse sido legal com ele, mas não, ele tinha que ser amigo justamente de Draco Malfoy, o garoto mais bonito em toda Hogwarts High e que sem dúvidas seria capaz de abalar seu mundo na cama.

- Tente pensar em outra coisa. Qualquer coisa. – Harry voltou a sussurrar, apertando os olhos com força, tentando forçar qualquer imagem em sua mente.

E lá estava Draco, sem camisa, a pele imaculadamente branca, músculos levemente marcados em seu abdômen e um olhar felino, o convidando a experimentá-lo, sentir seu cheiro, seu gosto, sua textura debaixo de seus dedos, sua respiração batendo em seu pescoço...

- Caminho errado, Harry James Potter, pode voltar daí. – Ele cerrou os dentes, abrindo os olhos. Aquela falta de controle só podia ser efeito de algum resquício de álcool.

- É assim que os loucos começam, Harry. Falando sozinhos. – O moreno recusou-se a olhar para o loiro, que soltou um tipo de rosnado de insatisfação. – Mas que idiota. Eu estou tentando ajudá-lo, pelo amor de deus! E você nem olha pra mim. Não seja tão ingrato! Passei a noite com você, cuidei de você, trouxe seu café, não estou pedindo que você agradeça, apenas tenha a decência de olhar pra mim enquanto estou falando! – Draco cortou a distancia entre os dois e segurou o queixo de Harry, obrigando-o a olhá-lo. O brilho das íris verdes o atingiu como o estourar de fogos de artifício no céu. Ah, aquela visão de esmeraldas era sempre fascinante, não importasse quanto tempo ele permanecesse olhando para elas.

- Draco... – Harry chamou, tentando evitar que acabasse caindo na vastidão dos olhos do loiro, mas falhando.

- É isso que os amigos fazem. – Ele suspirou, ainda sem soltar o outro. – Eu não sou a pessoa mais experiente em amizades, mas eu sei que nós temos que estar lá um para o outro. Vai ser constrangedor algumas vezes, sim... Mas amigos vão estar lá para tirar onda com a sua cara e ter certeza de que você nunca esquecerá quão idiota você foi também. – Ambos riram baixinho, sem desviar os olhares. – Mas é essa a graça, não é? É assim que você tem certeza que um existe um sentimento de importância e que é recíproco.

- Me desculpe. – Harry disse, sinceramente, olhando fundo nos olhos do loiro. – E obrigado.

- Não precisa agradecer, apenas prometa que não será tão idiota da próxima vez.

- Próxima vez? Ah, nunca haverá uma próxima vez, pode ter certeza. – Ele sacudiu a cabeça.

- Não seja tão radical, Harry! Não é por que você perde o controle e sai por ai dizendo que gosta das pessoas que você deve desistir. – Draco soltou o rosto de Harry e deu um sorrisinho irônico.

- Ah, e você não quer isso, não é? Afinal, se eu nunca mais me embebedar até a morte, você não vai poder ficar afagando meus cabelos antes de pegarmos no sono. – O moreno retrucou, com o mesmo sorriso irônico, finalmente mordendo a banana.

- Falando nisso... Você precisa pentear seus cabelos de vez em quando. A não ser que você não esteja familiarizado com este verbo. Pentear.– Draco disso lentamente, ponteando as sílabas.

- Conheço a palavra, Draco, mas isso não o impediu de me acariciar ontem, não foi? Foi bom pra você?

- Oh, você se dá tanta importância... – Ele deu uma risadinha, rolando os olhos. – Foi bom pra você?

Eles se desafiaram com os olhares intensos presos um no outro, testando as expressões e os sentimentos por trás dos dois pares de íris brilhantes. Draco sentiu a boca de seu estômago tremer quando Harry deu uma mordida lenta na banana enquanto eles se encaravam, fazendo-o desviar os olhos para os lábios avermelhados onde surgiu um sorrisinho vitorioso que o moreno aprendera com o próprio loiro. Mas que porra, Harry não o estava provocando,estava?

- Pare de enrolar e coma logo. – Draco disse virando a cabeça pra olhar alguma coisa por sobre o ombro rapidamente, mas ele só queria uma desculpa pra desviar o olhar. – Depois tome a aspirina.

- Sim, mamãe. – Harry deu uma risadinha.

- Você está me fazendo querer socá-lo. Deixe de bancar o engraçadinho.

- Meu Deus, Draco, você perde a paciência com muita facilidade. – O moreno negou com a cabeça fazendo uma careta zombeteira.

- É, você tem esse poder sobre mim. – Ele lançou um olhar assassino para o outro garoto.

- Argh, minha mãe nunca mais vai me deixar sair de casa. – Harry colocou a aspirina no fundo da garganta e virou o copo d'água, bebendo tudo de vez.

- Bem, eu não a culpo. Eu faria a mesma coisa. Se você sabe que tem baixa tolerância a álcool, não deveria beber.

- Eu sei, mas eu só queria tirar minha briga com o Cedric da cabeça, sabe? – Ele deu de ombros.

- Ah, claro que tinha que ter a ver com aquela girafa. – Draco sentiu a raiva começar a crescer em seu peito e seus dentes rangiam enquanto seu rosto se contorcia numa careta de desagrado.

- Draco, não comece. Eu sei que ele podia ser bem idiota de vez em quando, mas a maior parte do tempo ele era legal. Ele me fazia bem. Também era um bom amigo.

- Eu não quero ouvir! – O loiro fez um sinal com a mão e virou o rosto novamente, tentando disfarçar seu incomodo. – Esse idiota só faz merda e você ainda fala bem dele. Inacreditável. – Draco bufou. – Você quase entra em coma alcoólico por causa dele...

- Você está exagerando. E isso não foi exatamente culpa dele, ele não enfiou a vodka pela minha garganta a baixo.

- Bem, mas eu acredito que estava bem ciente de que queria me ver bem longe de você e que estava se esforçando bastante para tal. – Retrucou Draco cerrando os punhos.

- Draco, eu não sei que nome dar ao que eu e Cedric tivemos, mas é completamente normal ele sentir ciúmes.

- Pro inferno com o Diggory, Harry! – Ele bradou. – Eu já disse que não quero ouvir seus elogios àquele merdinha, muito obrigado. Não foi ele quem passou a noite com você, cuidando de você, se importando, fingindo ser irmão da Pansy para que sua mãe se acalmasse! – Draco fechou o punho e o bateu com força na mesinha de cabeceira, fazendo o copo de água cair deitado e rolar até o chão, espatifando-se.

- Se acalme! – Harry pulou da cama assim que o copo atingiu o chão. Sua cabeça girou, mas ele ignorou. Em passos rápidos o moreno cortou a distancia entre ele e Draco e segurou seus ombros. – Por favor, se acalme. Eu realmente queria entender esse ódio que você tem pelo Cedric, eu acredito que é completamente infundado... – O loiro bufou e balançou a cabeça displicente, Harry o ignorou. – Mas acabou. Eu não estou mais com ele. Você pode se acalmar agora?

- Apenas não fale mais dele.

- Não falarei. Eu prometo. – Ele deu um sorrisinho e Draco correspondeu. – Mas por que você tem tanta raiva dele?

Quando Draco abriu a boca pra responder uma música tomou conta do quarto. Era o celular de Harry que estava no bolso do loiro. Draco alcançou o aparelho e olhou o visor antes que o moreno o tirasse de suas mãos, a raiva que ele havia acabado de passar o acometeu ainda mais forte em um segundo. Era Cedric ligando.

- Harry, eu juro que se você atender esse telefone, eu...

- Não vou atender! – Harry disse antes de ouvir qual seria a ameaça e apertou "recusar". – Pronto. O que estava dizendo?

- Eu não gosto desse garoto, Harry, você sabe. E agora, sabendo que ele não quer que eu seja seu amigo, só piora as coisas. – Draco deu de ombros. – Eu sou filho único, não sou acostumando com gente mexendo no que é meu. – Só depois de ter falado Draco percebeu a merda que fez. Ele tinha que começar a rever seu autocontrole.

- E desde quando eu sou seu? – O moreno levantou uma sobrancelha e um sorriso brincou em seus lábios.

- Você sabe o que eu quis dizer, não se faça de desentendido.

- Não, não sei. Queira me explicar, por favor.

- Ah, eu esqueci o quão lento você pode ser a maioria das vezes. – Disse Draco ironicamente. – Estou dizendo que você é meu amigo. Eu nunca tive que dividir nada, muito menos um amigo.

- Hm... Sei. – Harry cerrou os olhos rapidamente.

- Satisfeito? Podemos ir embora agora? Ou você ainda quer mais uma dose?

- Oh, não me fale em bebida pelo próximo século. – Ele sorriu novamente. – Vamos.

Harry agradeceu a Pansy por disponibilizar um quarto e se desculpou pelo vexame, mas a garota parecia estar tão acostumada com coisas ainda piores que apenas deu de ombros e se despediu dele e de Draco com um beijo na bochecha de cada um. O Porsche e o Vectra estavam estacionados bem em frente à casa. Em silencio, Draco e Harry se dirigiram aos seus respectivos veículos. O moreno parou antes de destravar o carro, lançando um olhar para o loiro ao seu lado.

- Obrigado, Draco. Por cuidar de mim, por passar a noite comigo, por falar com minha mãe, pela aspirina... Por tudo. – Harry sorriu, passando a mão pelos cabelos, parando na nuca, alisando-a.

- Não precisa agradecer. É isso que os amigos fazem, não é? – Draco sorriu de volta.

Harry permaneceu analisando o rosto bonito do outro garoto, sem saber o que fazer, se devia abraçá-lo ou apenas entrar no carro e ir embora. Na dúvida, Harry estendeu a mão.

- Ligo pra você mais tarde. – Draco apertou a mão de Harry e destrancou o carro em seguida.

- Tudo bem. Até mais tarde, então. – O moreno deu um sorrisinho, deu a volta no carro e acenou antes de entrar.


A grande surpresa foi, ao chegar em casa, encontrar Cedric lanchando e conversando com Lily simpaticamente na cozinha. Harry franziu o cenho, observando a cena. Sua mãe servia uma xícara de chá ao garoto mais alto, enquanto ele alcançava um biscoito caseiro direto da forma. Cedric tinha um sorriso que Harry conhecia bem enquanto elogiava os biscoitos.

- Hm... Cedric? – Harry chamou ao perceber que não fora notado no ambiente.

- Harry! – Lily correu para abraçar o filho. – Oh, Harry, eu estava tão preocupada! Meu filho, como você faz um negócio desses comigo? Como você fica sem dar noticias desse jeito? Você não andou bebendo, andou Harry? Eu só consegui falar com o irmão da sua amiga Pansy, da qual você nunca me falou.

- Mãe, calma, eu estou bem. – Harry deu um beijo na testa da mãe e sorriu. – Não fiz nada de errado, não se preocupe, nenhum policial virá bater na nossa porta, pode ficar tranqüila.

- Não brinque com isso! – Ela fez uma cara brava pro filho, puxando-o para sentar na frente de Cedric, que não havia se pronunciado ainda. – Venha, vou fazer um café forte pra você. Cedric está aqui há algum tempo, esperando por você.

- Oi, Harry. – Cedric disse baixinho, se concentrando na sua xícara.

- Hey Cedric. – Harry sorriu de canto. – Aconteceu alguma coisa?

- Uh, não. Eu só queria... conversar com você... Eu te liguei, mas você não atendeu, então pensei em passar aqui. Eu realmente precisava falar com você.

- Tome, querido. – Lily colocou uma xícara à frente de Harry. – Vou deixar vocês sozinhos agora.

- Mãe, não tem problema, a gente pode ir pro meu quarto...

- Não, não. – A ruiva o interrompeu fazendo um sinal negativo com a mão e o lançando um olhar significativo. – Nada de subir pro quarto sozinhos. Eu estarei na sala.

Harry deu uma risadinha e corou um pouco, negando de leve com a cabeça. Lily saiu da cozinha com um sorrisinho. Cedric tomou um gole de chá e encarou Harry.

- Então?

- O que aconteceu com você? – Cedric perguntou com tom brincalhão. – Sua mãe estava realmente preocupada. Quase teve uma síncope quando eu cheguei aqui. Ela achou que eu estava trazendo más noticias sobre você.

- Argh, eu estava numa festa.

- Oh, a festa da Parkinson, claro. Mas ela não tem irmão, tem? – O garoto mais alto levantou uma sobrancelha.

- Não. Foi Draco quem falou com minha mãe. – Harry deu de ombros e tomou mais um gole do café.

- Ah, claro que foi. – Ele deu uma risadinha. – Harry, eu queria pedir desculpas. Eu não tenho direito de dizer com quem você deve ou não sair, não tenho direito de me meter na sua vida. Eu já reconheci meu erro, fui um idiota, sei que não dá pra voltar para onde paramos, mas eu gosto muito de você, eu não queria perder sua amizade. Desculpa. Você já sabe minha opinião.

- Sim, eu sei sua opinião sobre o Draco, e também sei a dele sobre você, mas vocês terem seus problemas não muda o que eu acho. – Harry suspirou. – Eu aceito suas desculpas.

- Ótimo! – Cedric deu um sorriso enorme e seus olhos brilharam, fazendo o outro garoto sorrir também. – Isso então nos leva a o outro assunto o qual eu queria falar com você. Eu acho que você não sabe, mas todo ano temos um campeonato contra outros colégios. Tem que haver um time para cada esporte de cada colégio, e eles disputam entre si. É meio que uma tradição e as pessoas realmente se tornam competitivas. Para cada esporte, as universidades de renome mandam um olheiro para escolher dois alunos para estudar em sua instituição com bolsa integral.

- Nossa. É uma grande oportunidade.

- Exato. Por isso eu estou pensando em tentar uma vaga no time de basquete do colégio. Sabe, é meu esporte preferido e como eu sou alto, isso me dá algumas vantagens. Tentei até considerar vôlei, mas minhas experiências não são tão boas, então... – Cedric deu uma risadinha baixa. – Você acha que eu devia tentar? Quero dizer, por causa das bolsas, vários alunos se inscrevem, talvez eu nem tenha chance.

- Ora, mas o que você tem a perder? O que você não pode fazer é deixar a oportunidade passar! Uma bolsa integral, caramba! Seus pais ficariam tão orgulhosos! – Harry sorriu sincero. – E eu também.

- Bem, eu vou tentar, então! – O mais alto parecia realmente entusiasmado. – Muito obrigado Harry.

- Sem problemas! E pode ter certeza que eu estarei em cada jogo, torcendo por você!

- Ah, eu espero que sim. – E como se fosse possível, o sorriso de Cedric cresceu.


Se vocês estão tentando nos matar com esses comentários, estão quase conseguindo!
Muito obrigada por cada comentário. Obrigada a todos os leitores.
Obrigada PattJoger, Yann Riddle Black, Jugih22, Deh Isaacs, Drielle, Ines Granger Black.
Espero que vocês gostem desse capítulo. Uma interação especial entre Draco e Harry. Beijos.