Capítulo 7
The barriers of his heart

Harry estava brincando com as chaves do carro enquanto permanecia encostado nele. Se havia algo que o moreno havia aprendido naquele último mês era que Draco não se atrasava quando marcava alguma coisa com ele e agora, lá estava Harry, parado na frente de um prédio de classe média, esperando o loiro aparecer. Ele chegou até a cogitar a possibilidade de estar no lugar errado, mas ao checar o endereço que Draco o havia enviado ele viu que esse não era o caso.

Talvez ele estivesse querendo causar suspense e deixar Harry mais curioso do que já estava. Por que Draco queria encontrar com ele ali? No telefone ele disse que era importante. Então sem pensar duas vezes, Harry foi ao endereço indicado.

O moreno às vezes se encontrava pensando na amizade forte que desenvolvera com o loiro. Ele compartilhava tudo com Draco. Seus pensamentos, suas opiniões, seus medos, seus segredos. O ruim da história era que ele não tinha certeza se o outro rapaz compartilhava do mesmo sentimento, já que ele também parecia confiar seus segredos à Pansy e Blaise.

Um Porsche conversível prata dobrou na esquina e estacionou atrás do Vectra de Harry, que não pode evitar um sorriso quando o loiro encontrou seu olhar. Quando olhava dentro dos olhos cinza-azulados de Draco, ele acreditava que eles compartilhavam seus maiores segredos e pensamentos apenas um com o outro, mas quando o outro garoto desviava o olhar, essa crença desvanecia.

- Oh, não creio! Draco Malfoy está atrasado. – Harry olhou para o loiro sorrindo, com um tom brincalhão em sua voz.

- Cale a boca, Harry. Não foi tão fácil escapar de casa quanto eu pensei, a culpa não foi minha. – Draco fez uma careta de desdém. – Vamos logo.

O loiro passou por Harry, deixando um rastro de perfume e o garoto o analisou enquanto ele entrava no prédio. Receoso, Harry o seguiu. Ele não entendia por que todo aquele mistério, mas uma ponta de animação surgiu em seu peito. Olhando para todos os lados, Draco segurou a mão de Harry e o guiou até uma porta de metal ao lado do elevador. O moreno viu apenas lances e mais lances de escada, mas deixou-se levar.

Harry já estava ofegando e suando quando eles pararam à frente de outra porta de metal. Draco olhou para ele e Harry leu toda a excitação em seus olhos e não impediu um sorriso de se espalhar em seus lábios.

- Draco, eu realmente espero que tenha algo muito bom esperando por mim do outro lado dessa porta, por que essas escadas acabaram comigo. – O moreno puxou a gola da camiseta, soprando seu peito levemente e sentiu todo seu corpo se arrepiar quando Draco engoliu em seco, ficando sério de repente. – O que você está esperando?

- Deixe de ser inconveniente, Harry. – Draco rolou os olhos. – Está estragando a emoção do momento.

- Emoção do momento? – Harry deu uma risadinha. – Depois dessas escadas nada parece muito emocionante, então é bom que seja algo realmente incrível.

- Argh. Vamos logo.

Assim que Draco abriu a porta, Harry estacou e prendeu a respiração. Eles estavam no terraço do prédio e era simplesmente lindo. Havia vários vasos de diferentes plantas e flores, que agora estavam banhadas pela luz do por do sol. O moreno estava encantado com como a cor alaranjada que as nuvens adquiriram parecia tão intensa dali de cima e os poucos raios lutavam contra a brisa que esfriava mais e mais.

Era possível ver diversos arranha-céus com as janelas parecendo luzes de lanternas com a luz do sol que batia contra elas. Ao chegar mais perto da borda, as pessoas lá embaixo pareciam formiguinhas e completamente alheias a beleza daquele céu que as cobria. As nuvens estavam tão bem desenhadas que pareciam surreais e Harry lutou contra a vontade de levantar a mão e tentar tocá-las, de sentir como eram macias.

Draco estava parado um pouco mais atrás dele, observando suas reações com um sorriso satisfeito no rosto, e Harry se perguntou quantas pessoas ele já havia levado ali, se sua reação havia sido como a de todos os outros, se havia sido tão especial quanto estava sendo para ele, e foi por isso que as palavras pronunciadas pelo loiro naquele momento mudaram tudo.

- Eu nunca vim aqui com mais ninguém. – Ele pôs-se ao lado de Harry, observando o sol se pondo. – Eu gosto de vir aqui pra poder pensar. Apenas pensar.

- Você não acha que agora eu posso impedir-lhe de fazer isso? – Harry disse sarcasticamente. – Eu posso acabar te atrapalhando.

- Eu trouxe você aqui por que você precisa de um lugar assim também. – Draco continuava olhando a paisagem, mesmo sentindo o olhar do outro garoto sobre ele.

- Como você sabe?

- Eu percebi. – Ele sorriu de canto. – Você tira os piores momentos para organizar seus pensamentos e eu acho que é por isso que você é meio lento pra entender as outras coisas que acontecem ao seu redor.

- Ah e eu quase acreditei que você estava apenas tentando ser gentil. – Ele ironizou, revirando os olhos.

- Eu só queria dividir esse lugar com alguém que faria um bom uso. – Draco finalmente olhou para Harry.

- Você sabe que agora eu sei onde você se esconde, não é? Eu sei onde posso te achar. – Harry olhou fundo nas íris de Draco, lendo-as.

- Eu sei. – O loiro devolveu o olhar com um sorriso crescente.

Aquela certamente era a maior prova de confiança que Harry já recebera de alguém e ele não podia se sentir mais feliz com isso, principalmente por ter vindo de Draco. Durante o mês inteiro, Harry sentiu cada tijolo da parede que o separava do mundo de Draco ir caindo e sabia que o dia em que a parede simplesmente não mais existiria estava mais próximo do que nunca e o sentimento era tão incrível quanto à vista daquele terraço.

Eles sentaram em duas cadeiras de praia desgastadas deixadas ali num canto por algum morador e ficaram observando o sol se por em silêncio, cada um com seus próprios pensamentos. Já fazia pelo menos meia hora que a lua estava alta no céu quando Draco quebrou o silêncio.

- Harry?

- Hm?

- Eu sei que isso é bem repentino, mas... Minha mãe quer conhecer você.

Draco sorriu ao perceber que Harry havia soltado uma exclamação e depois prendeu a respiração, virando a cabeça para ele tão rápido que seu pescoço deu um estalo.

- O q-que? Sua mãe? Mas... Mas... Por quê? – Ele se ajeitou na cadeira, buscando conforto.

- Acho que é por que ela já cansou de me ouvir falar de você e quer finalmente conhecê-lo. – Draco soltou uma risadinha. – Na verdade, ela espera que eu o leve para jantar conosco hoje.

- Hoje? Draco, seu pai vai me matar...

- Meu pai não está em casa, ele viajou, é por isso que ela quer que você vá. Ao contrário do meu pai, minha mãe não vê problema nenhum em eu ser seu amigo, então... – O loiro deu de ombros.

- Draco, eu... E-eu... – Harry passou a mão pelos cabelos. – É um convite bem inesperado, sabe...

- Harry, se você não quiser ir, é só dizer. Eu tenho certeza que ela vai entender.

O moreno passou um longo tempo pensando, analisando as expressões de Draco enquanto ele esperava uma resposta. Harry tinha medo de que dizer não colocaria alguns tijolos a mais na parede ao redor do loiro e ele sabia que dizer sim faria com que muitos outros caíssem. Então Harry estava num dilema, observando Draco e mordendo o lábio inferior. Ele havia dito a Lily que passaria à tarde na casa dos Weasley, então ficar pra jantar seria natural e sua mãe não desconfiaria.

- Tudo bem, eu vou.

Draco levantou-se da cadeira e a colocou onde as haviam encontrado, puxando Harry da que ele estava sentado e colocando junto à outra. O moreno o olhou confuso, mas o outro apenas segurou sua mão e seguiu em direção a porta.

- Nós já estamos atrasados, então.

E como se suas vidas dependessem disso, Harry e Draco correram escada a baixo. Ele não estava certo do porque, mas Harry estava extremamente nervoso em conhecer a mãe de Draco. Quando entrou no carro, ele ainda tentou arrumar os cabelos e alinhou a camisa pólo branca que usava, checando para ver se não havia nenhuma mancha por ali. Assim que Draco deu partida no carro e saiu, Harry o seguiu. Alguns segundos depois, seu celular tocou e ele atendeu pelo Bluetooth do carro, fazendo a voz de Draco encher todo o espaço do veículo.

- Foi por isso que eu cheguei atrasado, sabe? Minha mãe disse que me deixaria sair se eu desse minha palavra que levaria você para jantar conosco.

- Ela tem um poder incrível de persuasão, eu percebo. – Harry deu uma risadinha.

- Pare de querer dar uma de engraçadinho, Harry. Agora escute, eu peço que você não mencione as empresas de seu pai a não ser que ela pergunte. Ou melhor, fale quando ela dirigir a palavra a você, está bem?

- Eu já estava suficientemente nervoso, Draco, obrigado. – Ele revirou os olhos. – Não se preocupe, eu posso ser bem educado e civilizado quando quero.

- Hm... Eu tenho minhas dúvidas, mas tudo bem. Eu disse a ela que nós fomos ao cinema. Ah, eu posso até imaginar a síncope que ela teria se sequer imaginasse que eu ando subindo em prédios clandestinamente.Draco soltou uma risadinha.

- Qual foi o filme?

- Como?

- Que filme nós vimos?

-Que diferença isso faz? – Ele perguntou com tom impaciente.

- Talvez ela pergunte. São as perguntas básicas. "Que filme vocês viram?", "Ah, e como foi?"

- Tudo bem, hm... Se beber não case 2.

- Ouvi boas criticas. Nós deveríamos assistir mesmo.

- A gente resolve isso depois, está bem? Por favor, Harry, tenha modos à mesa.

- Draco... – Harry riu. – Eu realmente não sei que imagem você tem de mim. Eu não sou um homem das cavernas nem nada. Eu sei usar um garfo e uma faca.

- Não é isso que eu estou dizendo. Por Deus, você está indo jantar na mansão Malfoy, Potter, precisa passar uma boa imagem. Não quero que minha mãe junte forças com meu pai por que você usou a faca da manteiga pra cortar uma lagosta.

- Sem comentários. – Ele riu novamente. – Você está parecendo mais nervoso que eu agora.

-Não se tanta importância, Harry.– Draco bufou e se calou por um segundo. Bem vindo à Mansão Malfoy, Sr.Potter.

Harry estava tão concentrado na conversa com Draco que passou a segui-lo por extinto e não percebeu quando eles chegaram aos portões enormes com o brasão da família que se abriam devagar para eles.

- Continue me seguindo.

Os carros em baixa velocidade foram se dirigindo à garagem e Harry mantinha os olhos na casa que ia se tornando cada vez maior conforme eles se aproximavam. Seus olhos foram se arregalando e sua boca se abrindo, em choque. Aquela era definitivamente a maior casa – ou mansão – que ele já vira.

Sim, Harry era rico e sua casa era grande ao ponto de poder ser considerada uma mansão também, mas mesmo assim ainda não se comparava a mansão Malfoy. O lugar que Draco chamava de lar parecia pintada num quadro olhando dali, o tom claro das paredes que subiam cobertas de janelas contrastava com a escuridão da noite e o céu limpo.

- Tudo bem, Harry, você precisa descer do carro agora.

Antes mesmo de terminar a frase, o loiro já estava abrindo a porta para ele e a ligação foi encerrada. Ainda impressionado, Harry saiu do carro olhando para todas as direções que podia. Além do seu carro e do se Draco, havia mais cinco carros na longa garagem.

- Meu deus, quantas pessoas moram aqui?

- Apenas eu, meu pai e minha mãe, alguns empregados e às vezes minha tia Bellatrix vem nos visitar, então tem um quarto pra ela e pro marido. – Draco deu de ombros.

- Nossa. – Harry continuava olhando ao redor. – Eu acho que vou entrar em pânico.

- Não seja idiota. Agora vamos.

Os dois seguiram por um caminho de pedra que levava a porta principal, que Draco abriu após lançar um olhar para Harry. O queixo do moreno caiu mais alguns centímetros, a sala de visitas era a primeira a ser vista dali e era simplesmente espetacular. Uma lareira crepitava ao fundo, lançando uma luz alaranjada sobre o tapete de tons escarlate e um dos sofás de um tom bege escuro, com os braços de madeira, em conjunto com mais duas poltronas.

Em uma delas havia uma mulher loira sentada e Harry estacou. Se ela não o tivesse lançado um olhar brilhante e intenso, ele poderia jurar que ela era uma obra de arte que fazia parte da meticulosa decoração da sala. Em seu colo um livro repousava aberto, as mãos delicadas e pálidas o segurando, e Harry logo percebeu a pose Malfoy com a qual ela se encontrava.

A mulher deixou um pequeno sorriso esticar seus lábios finos e Harry ainda teve receio de que ela pudesse acabar se machucando no processo. O moreno segurou a respiração quando ela se levantou e seguiu em direção a eles. Ele se pegou perguntando como alguém poderia ser tão elegante em movimentos tão simples.

- Draco, querido. – Ela acariciou o rosto do loiro delicadamente e Harry percebeu que tremeu quando ela levou seu olhar para ele. – Sr. Potter, é um prazer finalmente conhecê-lo.

- Harry, essa é minha mãe, Narcissa Malfoy. – O moreno ainda olhava fixamente para a imagem loira e esbelta de Narcissa, como se estivesse hipnotizado. Deus, agora estava explicado de onde a beleza aristocrática de Draco vinha. Assim como a do filho, a perfeição dos traços de Narcissa lhe parecia surreal demais. Pela segunda vez naquele dia, Harry estava encantado.

- O prazer é meu, Sra. Malfoy. – Harry falou com a voz mais firme do que achou que conseguiria. – Devo dizer que o convite de Draco foi um tanto quanto inesperado, mas estou deveras satisfeito em poder juntar-me aos Malfoys em sua majestosa casa.

- Oh, eu fico mais do que contente em ouvir isso, Sr. Potter, muito obrigada. – O sorriso de Narcissa cresceu um pouco mais e ela assentiu, fazendo Harry relaxar um pouco. – Infelizmente, meu marido não estará conosco durante a refeição. O Sr. Malfoy teve que realizar uma viagem de ultima hora aos Estados Unidos. Espere que entenda, Sr. Potter. Eu suponho que seu pai também precise fazer essas viagens de tempos em tempos.

- Sim, certamente. – Harry sorriu simpaticamente. – Eu entendo perfeitamente, Sra. Malfoy. Apenas peço que o Sr. Malfoy fique ciente de meu apreço por esta impecável decoração.

- Neste ponto temo que tenha que levar o crédito. – Narcissa virou-se de lado, olhando a sala e Harry ao mesmo tempo.

- Ah e isso não me surpreende nem um pouco! Pode-se ver claramente o seu bom gosto, Sra. Malfoy. Estou encantado. – Harry fez um gesto para a sala e segurou um sorriso mais longo.

- Isso é muito gentil, Sr. Potter. Peço licença aos senhores, vou pedir à cozinheira que termine de servir o jantar. Draco, querido, faça as honras da casa e mostre os demais aposentos ao Sr. Potter, sim? – Num movimento gracioso, Narcissa se retirou e Harry soltou o ar pesadamente, deixando os ombros caírem um pouco.

Ao olhar para Draco que esteve ao seu lado o tempo todo, Harry mordeu o lábio inferior para não rir da expressão incrédula do amigo. O loiro nem piscava enquanto lançava um olhar arregalado ao moreno, que sorriu em resposta.

- Mas o que... Quem é você? O que foi isso?

- Eu avisei que sabia me virar, não foi? – Ele disse com tom de brincadeira. – Eu posso não ser tão esnobe quanto você, mas meu pai também tem jantares e reuniões importantes nas quais eu estou presente às vezes e devo me comportar como pede a ocasião.

- Graças a deus! Eu realmente estava nervoso, mas minha mãe adorou você. – Draco deu um sorrisinho vitorioso.

- Falando na sua mãe... – Harry olhou ao redor rapidamente para se certificar de que ninguém estava espionando-o. – Aquela era sua mãe mesmo, Draco? Não era nenhum holograma ou algo do tipo?

- Você andou fumando maconha, Harry? – Draco fez uma careta e Harry riu. – Mas que diabos... É claro que ela é minha mãe.

- Nossa. Ela é muito bonita.

- Claro, o que você esperava? – Seu famoso sorriso convencido surgiu em seu rosto. – Vamos, deixe-me lhe mostrar o resto da casa.

- Oh, passaremos o resto da noite nisso, certamente.


Quanto mais andavam, quanto mais quartos e salas eram revelados, mais o queixo de Harry caia. Todos os cômodos eram enormes e a mobília era divina! Quando eles finalmente chegaram ao quarto de Draco, Harry entrou ali devagar, um passo de cada vez. O quarto do loiro era do mesmo tamanho do seu basicamente, mas era definitivamente mais organizado e mais luxuoso. A cama de dossel de madeira escura esculpida se encontrava centralizada sobre um tapete enorme de tons diferentes de verde, à sua frente havia uma escrivaninha longa, onde se viam livros escolares e um notebook preto.

Analiticamente, Harry levantou o olhar para a estante de Draco. Ele leu os títulos dos livros que estavam metodicamente organizados, a maioria sendo clássicos, outros de ficção científica e alguns de caráter histórico. Determinados livros o moreno tinha em sua estante também e isso o fez sorrir. Ao lado dos livros havia uma pequena pilha de CDs, sinfonias clássicas, The Beatles, The Smiths e Elton John foram os que Harry reconheceu e sorriu novamente.

O loiro estava encostado na porta, de braços cruzados, apenas observando enquanto Harry parecia concentrado em sua analise do quarto. Por fim, o moreno se dirigiu em direção à porta de correr de vidro, emoldurada por cortinas do mesmo tom de verde que os forros dos lençóis da cama, e a abriu com um puxão só. Havia uma pequena sacada ali, onde se encontrava uma mesinha redonda de mármore branco e duas cadeiras, uma de cada lado.

Harry entrou na sacada, inclinando-se e pondo os antebraços na proteção de ferro entrelaçado. A vista dali era a do maravilhoso jardim de inverno atrás da casa, que também dividia espaço com a piscina.

- É uma ótima casa, Draco. – Harry sorriu, ainda admirando a vista. – Gostei muito de seu quarto. É bem aconchegante.

- Eu concordo. – O moreno sentiu o olhar de Draco queimar em sua nuca. – Eu fico feliz por você ter aceitado o convite, Harry. Era importante pra mim.

- Você devia ter comentado esse detalhe na hora que me convidou, sabe?

- Isso significaria pressioná-lo a aceitar e eu queria que você viesse por vontade própria. Por isso o deixei livre. – Draco deu de ombros e se aproximou, ficando ao lado dele.

- Porque era importante?

- Você faz perguntas demais, sabia? – O loiro soltou uma risadinha. – Por que a aprovação da minha mãe importa muito pra mim.

- Então quer dizer que eu estou sendo testado hoje? – Harry riu. – E se eu não passar?

- Você vai passar. Ela ficou tão encantada por você quanto você ficou por ela. – Ele deixou que seus ombros se encostassem. – Obrigado por ter sido tão... gentil.

- Eu estava sendo sincero. Mas não há de quê. Disponha sempre.

- Olhe que eu vou começar a cobrar, viu?

- Sinta-se a vontade.

Ambos compartilharam uma risada, deixando seus olhos caírem um na imensidão das íris do outro, suas respirações batendo em seus rostos e os corações acelerados. Draco pulou e endireitou a coluna quando a voz de Narcissa soou na porta.

- Rapazes, por favor, queiram me acompanhar, o jantar está servido. – Ela sorriu gentilmente.

- Ah, Sra. Malfoy eu não poderia estar mais impressionado! Sua casa é adorável. – Harry sorriu, seguindo Draco.

- Eu fico muito contente em saber que o senhor se sente assim, Sr. Potter. Saiba que o senhor é bem vindo sempre que quiser. Sendo amigo de Draco, o senhor tem um lugar especial nesta casa, fique ciente.

- Obrigado.

Harry olhou para Draco e viu seu olhar de aprovação em direção a ele e um sorriso orgulhoso em seus lábios. E lentamente, mais um tijolo caiu. O moreno não poderia estar mais satisfeito ao sentar-se a mesa ao lado de Draco, com Narcissa bem à frente do filho.

Após a refeição, os diversos pratos foram substituídos pelas sobremesas. Dois tipos de bolo diferentes, uma torta e dois pudins. Dentro de um cálice de vidro havia várias trufas. Harry conversava com Narcissa e não viu quando Draco alcançou as trufas e tirou duas dali, colocando uma na mão do moreno que descansava em seu colo.

Com o toque, Harry desviou os olhos de Narcissa e os levou a sua mão, sorrindo quando o plástico verde brilhou. Chocolate com menta, claro.

- Oh, Draco me garantiu que esse era seu chocolate preferido, Sr. Potter e eu fiz questão de comprar trufas da melhor qualidade. – Narcissa garantiu, terminando um pedaço de bolo de laranja.

- Draco está certo. – Harry sorriu.

- É interessante, por que este também é o preferido dele.

Narcissa levantou os olhos e analisou os dois garotos à sua frente, sorrindo de leve. Draco e Harry apenas se entreolharam, trocando um sorriso cúmplice. Alguns segundos depois, ela pousou o guardanapo de pano sobre a mesa.

- Peço licença, garotos.

- Foi um prazer conhecê-la, Sra. Malfoy.

- Igualmente. Saiba que é muito bem vindo aqui, Sr. Potter. – Narcissa sorriu e assentiu graciosamente. – Boa noite.

- Boa noite. – Disseram os dois juntos. Assim que Narcissa sumiu de vista, Harry virou-se para Draco com um sorriso.

- Então, você acha que estou aprovado?

- Oh, com certeza! Ela não diria que você é bem vindo aqui se você não fosse de fato.

Harry soltou um "ufa" e deixou-se cair no encosto da cadeira, fazendo Draco rir. O moreno o assistiu rindo até parar. Um sustentou o olhar do outro. Se Harry pudesse ler sua mente veria que o loiro estava quase saltitando em excitação. A cada dia que se passava, Draco se via mais impressionado pelo outro garoto e ele tinha certeza que quando ele estivesse sozinho, aquela noite pareceria perfeita demais para ser real. A forma como Harry se portou diante de sua mãe, seus elogios, sua linguagem corporal, o brilho intenso nunca deixando seus olhos.

- Foi uma noite incrível. – Harry disse, de repente parecendo estar muito perto de Draco. – Obrigado. Pelo jantar e por me levar àquele terraço.

- Não precisa me agradecer. – Draco sorriu de lado. – Obrigado por me deixar levá-lo lá e por querer jantar aqui.

- Oh, se eu tivesse perdido isso, eu mesmo me chutaria.

- E me deixar perder a oportunidade? Nem pensar!

Eles compartilharam outra risada, ainda se observando. Draco percebeu que a trufa ainda se encontrava na mão do moreno, repousando sobre a mesa. O loiro alcançou a mão de Harry e pegou a trufa, brincando com ela em seus dedos e sorrindo, sem perceber o olhar do outro garoto em seus lábios. Sem pensar muito, Harry tirou o doce da mão de Draco e entrelaçou seus dedos, segurando-a firmemente.

Segurar mãos era algo que Harry e Draco faziam muito, mas sempre para guiar o outro à algum lugar, nunca havia nada de realmente particular naquilo, além de ser um feito mais pessoal. Naquele momento sim parecia especial. Suspirando, Harry desfez o toque e o loiro amuou-se.

- Está ficando tarde. Eu preciso ir. – Harry disse quase num murmúrio.

- Vamos, vou levá-lo até a garagem.

Em silencio eles seguiram o mesmo caminho de pedras e Harry destravou o carro, virando-se para observar o loiro uma última vez. Draco havia enfiado as mãos dentro dos bolsos e mordia o lábio inferior levemente.

- Eu ligo pra você amanhã. – Disse o moreno, abrindo a porta. – Obrigado mais uma vez.

- Pare de agradecer. – Draco fez um gesto displicente. – Boa noite, Harry.

- Boa noite.

Draco ficou observando o carro preto sumir na noite e soltou a respiração pesadamente, sorrindo. Agora Harry tinha a aprovação de Narcissa e nada poderia ser mais perfeito. Apressou o passo de volta para casa e subiu ao quarto da mãe. Mal podia esperar para ouvir as impressões que Narcissa tivera de Harry.


Harry chegou em casa com um sorriso no rosto e sua mente girava em torno de todos os acontecimentos da noite, focalizando-se profundamente nas íris azul-acinzentadas. Estar nos espaços mais pessoais de Draco o trazia um sentimento bom e ele teve certeza que aquela dúvida que ele tivera mais cedo estava esclarecida. Assim como Harry apenas dividia certos segredos com o loiro, ele apenas dividia outros com o moreno.

Subindo as escadas, saltando alguns degraus, Harry entrou no quarto e não se surpreendeu ao ver a mãe dobrando algumas de suas camisas e guardando em seu guarda-roupa. Pela quietude da casa, Harry deduziu quem nem Sirius nem Lupin estavam lá e James provavelmente estava no escritório.

- Oi, mãe! – Harry cumprimentou contente, arrancando os sapatos dos pés, os deixando em qualquer lugar.

- Harry, onde você estava? – Ele se assustou com o tom sério na voz da mãe e com o fato dela não ter virado para olhá-lo.

- Eu... Er... Eu estava na cada de Ron, eu avisei a você que iria passar à tarde lá.

- Não minta pra mim. – Os olhos tão verdes quanto os dele faiscaram quando ela o olhou. – Ron ligou hoje mais cedo, convidando-o para ir ao cinema com ele e com Hermione. Onde você estava?

Era bom demais para ser verdade. Harry devia ter imaginado algo assim vindo. Ele sentou na beirada da cama, observando a mãe e suspirando, tentando organizar seu raciocínio antes de começar a falar, mas Lily foi mais rápida.

- Você estava com o Malfoy, não estava? – Harry sabia que aquilo não era uma pergunta, mas assentiu mesmo assim. – Veja só, Harry, você resolve ignorar os avisos que eu, seu pai e Sirius o demos e agora está mentindo pra mim. Esse garoto é uma má influencia pra você, querido.

- Mãe, por favor. – Ele sacudiu a cabeça negativamente, cansado. – Eu e Draco somos amigos. Eu não sei se você acredita, mas ele é muito diferente do pai dele. Eu confio nele. Eu gosto dele.

- Para onde vocês foram?

- Ele me convidou para jantar na casa dele. – Harry ficou esperando os gritos de Lily, mas ela apenas assentiu.

- Eu fico feliz que você tenha voltado inteiro.

- O pai dele não estava lá, foi por isso. – O moreno deu uma risadinha sarcástica. – Fomos só eu, Draco e a mãe dele.

- E como foi?

- Ótimo! A Sra. Malfoy parece ser uma ótima pessoa. Foi extremamente simpática e gentil. A casa é enorme! – Harry ia narrando com um brilho nos olhos que fez Lily sorrir. – Cabem pelo menos duas dessa casa lá dentro da mansão, mas é muito aconchegante.

- Você parece ter se divertido. – A voz de Lily parecia tremer.

- Ah, sim. – Harry sorriu. – Eu não entendo muito essa rivalidade que você e o papai têm com os Malfoy. Eu não sei quanto ao pai, mas a mãe de Draco e ele são ótimas pessoas.

- É uma longa história, querido. – Lily suspirou. – E eu não creio que esteja na hora de você ouvi-la ainda.

- E quando será?

- Em breve.

E sem dizer mais nada, Lily se retirou. Harry soltou um longo suspiro. Pelo que conhecia de sua mãe, enquanto ela pudesse adiar aquilo, ela o faria e sabe-se lá de por quanto tempo Lily seria capaz de deixar aquilo pra depois. Obviamente era algo muito além de uma simples concorrência, algo muito mais doloroso e complicado, e não saber o que era deixava o garoto um tanto quanto aflito, com medo de estar pisando em terreno instável.


No domingo de manhã, próximo das onze horas, certo loiro se espreguiçava como um gato na cama, soltando gemidos de conforto enquanto abria os olhos lentamente. A janela estava coberta pelas cortinas, mas a falta de luz escapando por suas brechas sugeriu que o dia provavelmente estava nublado. Era o inverno avisando que estava por perto.

Girando-se na cama, Draco pegou o celular na mesinha de cabeceira pra checar as horas, deparando-se com uma mensagem de voz. Voltando a cair na cama ele apertou em "ouvir".

"Hey Draco, bom dia! Então, eu queria agradecer novamente por ontem – e o bom disso ser uma mensagem de voz é que você não pode me xingar ou me mandar calar a boca – e pra recompensar, eu irei levá-lo para almoçar, o que acha? Eu vou passar pra te buscar por volta de 1 da tarde... Me liga assim que possível pra confirmar... Ou só manda um SMS, tanto faz... Okay, então... É só isso... Tchau."

Ouvir a voz de Harry logo ao acordar o fez bem, e ter um encontro com o moreno mais tarde o fez melhor ainda. Aquilo era mesmo um encontro? Ou eram apenas dois amigos saindo pra almoçar? Ah, que se dane! A resposta não impediria Draco de pular da cama e praticamente correr em direção ao seu guarda roupa e demorar meia hora escolhendo que roupa usaria. Draco sempre fora vaidoso, não tinha nada a ver com Harry – pelo menos era do que ele tentava se convencer.

Ao sair do banho que também fora demorado, Draco amarrou a toalha na cintura e foi caminhando pelo quarto enquanto bagunçava os cabelos molhados com a mão. Era difícil escolher uma roupa quando não se sabia o destino, mas a camisa branca social, o suéter sem mangas azul-marinho de gola V e a calça jeans pelas quais ele havia optado estavam repousados sobre a cama e perfeitamente alinhados.

Draco estava abotoando a calça quando alguém bateu na porta. Em passos rápidos e terminando seu trabalho com o botão e o zíper do jeans, o loiro abriu a porta para se deparar com Narcissa na sua pose mais graciosa.

- Boa tarde, querido. – Ela disse entrando no ambiente assim que Draco lhe deu espaço. – Vai sair? – Narcissa perguntou apontando para a camisa e o suéter sobre a cama.

- Erm... Sim. Desculpe, não vou almoçar em casa. – O loiro alcançou a camisa social sobre a cama e começou a vesti-la sem olhar para a mãe.

- Não? E vai almoçar aonde? – Sem que Draco percebesse, Narcissa o analisava por completo.

- Eu também não sei. – Ele deu de ombros enquanto enfiava a camisa por dentro da calça, deixando três de seus botões superiores abertos. – Harry não mencionou.

- Oh, então você vai sair com o Sr. Potter. – Draco quase riu com a pontada de animação que pode ouvir na voz da mãe. – Que maravilhoso.

- Vou. Notícias do papai? – Ele enfiou o suéter rapidamente pela cabeça e ajeitou a gola da camisa social por sobre a gola do suéter, alinhando a abertura em V de ambos perfeitamente.

- Falei com ele hoje de manhã. Ele está um pouco estressado com a incompetência de alguns de seus funcionários, mas está bem. Deve estar de volta quarta-feira, no mais tardar. – Narcissa observou o filho penteando o cabelo na frente do espelho e sorriu. – Você está muito bonito, filho.

- Você é suspeita pra falar, mãe, mas obrigado de qualquer forma. – Draco sorriu de canto, lançando um rápido olhar por cima do ombro para a loira.

- Eu tenho certeza que o Sr. Potter também ficará deveras satisfeito, querido. – O sorriso de Narcissa cresceu um pouco mais quando Draco baixou a cabeça na tentativa de impedi-la de ver que ele estava corando, mas falhou. – Vou deixar você terminar de se arrumar. Com licença.

Draco desceu as escadas na hora marcada, e por mais incrível que parecesse, Harry já estava lá. O moreno estava sentado na sala de visitas, ao lado de Narcissa, conversando animadamente. Ambos sorriram quando seus olhares se encontraram.

- Bem, muito obrigado pelas dicas, Sra. Malfoy, mas receio que já estejamos atrasados. – Harry disse se levantando e fazendo uma rápida reverencia com a cabeça. – Prazer em revê-la.

- Igualmente, Sr. Potter. – Narcissa respondeu a reverencia de forma tão elegante que Harry se viu preso naquele movimento por alguns segundos antes de virar-se para o belíssimo loiro que o esperava.

- Está pronto? – O moreno perguntou forçando-se a não se mostrar abalado pelos membros daquela família.

- Estou.

- Então vamos! – Harry lançou mais um olhar de despedida para Narcissa e se dirigiu ao loiro, segurando sua mão e o guiando à saída. O loiro sorriu com a falta de necessidade daquilo, mas não estava reclamando.

- Até mais tarde, mãe. – Ele se despediu da loira, deixando-se levar pela mão de Harry.


Draco estava sentado no banco do passageiro no carro de Harry, fingindo que aquela pouca distancia entre os dois não o deixava tenso. O outro garoto, por sua vez, parecia completamente alheio a presença do loiro, o que o fez se encolher rapidamente contra o banco, cruzando os braços sobre o peito.

- Então, o que sua mãe disse sobre mim? Ela me odiou muito? – Draco quis socá-lo, mas se satisfez com um bufar insatisfeito.

- Ela gostou de você, Harry, como eu disse que ela o faria. É muito fácil as pessoas gostarem de você. – Então Draco quis socar a si mesmo, mas que merda ele estava falando?

- Você acha? – Harry levantou as sobrancelhas, mantendo os olhos fixos na rua.

- Acho. – Ele murmurou mais para si próprio, mas sabia que Harry tinha escutado.

- Bem... Deixe-me dizer, então, muitas pessoas acham que você é insuportável, por que, não se ofenda, é essa a imagem que você passa, mas se ela tentassem te conhecer... Elas veriam que estão completamente enganadas. – Harry sorriu de canto. – Rotular é sempre mais fácil, não é? As pessoas perdem coisas maravilhosas por causa dos rótulos impostos pela sociedade.

- Eu suponho que sim. – Draco deu de ombros, fingindo desinteresse, mas concordando silenciosamente. – Você vai me dizer aonde estamos indo?

- Não.

Tudo bem, Draco tentaria adivinhar então. Começou analisando as roupas de Harry. Calça jeans, tênis branco, uma camisa branca e um casaco de lã fina cinza. Okay, não dava pra obter muita informação dali. No mínimo dava pra saber que eles não estavam indo comer numa barraquinha de cachorro quente, o que era bom.

Antes que pudesse procurar qualquer outro aspecto para analisar, o carro parou na frente de uma lanchonete. Os tons das paredes do lado de fora – e tudo no lado de dentro, pelo que Draco podia ver pelas janelas – eram de vermelho e dourado e na fachada, sobre o aro redondo e preto de um óculos, lia-se "Potter's".

Sem dizer nada, Harry destravou as portas e desceu do veiculo, seguindo para abrir a porta de Draco em seguida. O loiro mudava o olhar do rosto de Harry para a loja freneticamente, com um quê de incredulidade em suas expressões normalmente tão impassíveis.

- Harry, você só pode ter merda na cabeça. – Draco disse, estalando a língua e sacudindo a cabeça. – Se meu pai sequer sonhar que eu estive aqui ele me deserda.

- Oh, e você acha que meu pai ficaria muito satisfeito também, não é? – Harry sorriu ironicamente. – Não seja medroso, vamos lá.

- Ótima maneira de convencer alguém. – Draco revirou os olhos e saiu do carro, olhando ao redor.

Ao entrar no estabelecimento, Draco confirmou suas suspeitas. Tudo ao redor era vermelho e dourado, o que começou a irritá-lo depois de algum tempo. De cabeça baixa, ambos seguiram para uma mesa no canto, sentando-se lado a lado. Harry pegou o cardápio e colocou na mão de Draco.

- Pode escolher.

- Você está adorando isso, não está? – O loiro perguntou com um olhar insatisfeito, encarando o moreno.

- Ora, Draco, você me levou na sua casa ontem! Trazê-lo aqui não é nada comparado a isso.

- Eu poderia muito bem roubar a receita da sua família.

- Você não faria isso. – Havia tanta certeza na voz de Harry que Draco teve que concordar. Bufando, ele começou a analisar o cardápio.

- Bem, acho que finalmente vou ter a chance de experimentar essas famosas batatas com queijo das quais todos falam. – Draco disse com um sorriso torto.

- Ótima escolha.

Harry levantou-se e seguiu para o balcão, sem entrar na fila. Todos os caixas, ajudantes de caixa e até mesmo o pessoal que estava na cozinha cumprimentaram Harry simpaticamente, acenando, sorrindo pra ele, dizendo "Harry, você andou sumido", "Sentimos sua falta, garoto.", "Você e Sirius nos esqueceram, uh?" e coisas do tipo. Draco bufou mais uma vez. Os funcionários do seu pai não o tratavam assim. Muito pelo contrário, eles sempre faziam questão de mostrar o quão insatisfeito estavam naquela droga de emprego.

Uma garota morena e baixinha deu um abraço em Harry, parecendo mais do que contente em anotar o pedido dele. Algo na base do estômago de Draco tremeu e suas mãos se fecharam em punhos sem que ele percebesse enquanto a menina jogava a cabeça de um lado para o outro, rindo de algo que Harry falava, sacudindo o cabelo. Quando o moreno voltou à mesa, Draco estava rangendo os dentes.

- Você está bem? – Harry perguntou, franzindo o cenho.

- Estou ótimo. – Ele ironizou, fazendo um gesto para que o mais alto voltasse a sentar ao seu lado. – Tirando as cores, este lugar é um tanto quanto agradável.

- Qual o problema com as cores? – Desejando que o loiro não percebesse, Harry empurrou a cadeira para mais perto dele antes de sentar.

- Vermelho e dourado não tem uma boa harmonia. Pelo menos em minha opinião. Não gosto de dourado. – Draco deu de ombros.

- Hm... Entendo.

- E vocês tinham que usar esses óculos redondos que vocês usam como logomarca, não é?

- Ora, não reclame, pelo menos a nossa propaganda não termina dizendo "Mal-foi, já voltou?" – Harry começou a rir. – Ridículo!

- Cale a boca. – Draco deu um leve empurrão no ombro do moreno, juntando-se a ele nas risadas.

- E nem comento quanto à mascote de vocês... Uma serpente? Todo mundo tem medo de cobra, Draco.

- E adoram leões, não é? – Draco revirou os olhos.

- Gostam mais do que de cobras, posso garantir. Leões são reis das selvas e cobras são animais traiçoeiros.

- Bem, pelo menos nosso brinde não é um leão em miniatura usando óculos redondos.

- As criança adoram! – Harry deu um soco fraco na mesa, sorrindo. – Crianças não gostam de cobras!

- Eu adoro cobras desde pequeno! Aceite, Harry, algumas crianças preferem serpentes a leões.

Os dois se encararam por alguns segundos pra logo em seguida se desatarem a rir. Harry deixando sua cabeça cair sobre a mesa e Draco balançando a sua negativamente, tentando se controlar.

- Com licença.

A mesma garota morena de antes chegou com duas bandejas e as colocou sobre a mesa, sorrindo para Harry. Num impulso Draco segurou a mão de Harry que estava repousando na mesa, entrelaçando seus dedos de forma possessiva, lançando um olhar assassino para a menina, que deixou seu sorriso ir morrendo, e sendo mirado pelas íris confusas do moreno ao seu lado.

Observando as mãos unidas sobre a mesa, a garota se encolheu rapidamente. Apenas quando ela deu as costas e sumiu de sua frente foi que Draco desviou o olhar dali, deixando-o cair sobre as bandejas. Tudo ali era muito convidativo para ser experimentado e só então ele soltou a mão do moreno, puxando a bandeja para mais perto.

Harry permaneceu calado, apenas observando Draco comer as batatinhas uma atrás da outra, parando de vez em quando para bebericar um pouco do refrigerante. Num gesto automático, o moreno começou a comer também, ainda com os olhos no loiro com os dedos lambuzados de queijo cheddar. Ao terminar as batatinhas, Draco partiu para o hambúrguer e deu uma mordida sem piedade. Harry sorriu com um gemidinho de aprovação que o loiro deu.

- Está bom?

O sorriso de dentes brancos apenas cresceu quando Draco apenas respondeu com um balançar de cabeça antes de morder o hambúrguer novamente. O loiro tomou até a última gota de refrigerante e soltou o ar com força ao pousar o copo vazio sobre a mesa, lançando um sorriso satisfeito para Harry.

- Meu pai não pode nem imaginar que eu comi aqui e muito menos que eu acabei de perceber que o hambúrguer do Potter's é muito melhor que o nosso.

- Oh, acabamos de ganhar mais um cliente! – A felicidade que se instalou no peito de Harry era incomparável. – Eu fico feliz que você tenha gostado. Um sorvete agora?

- Por favor. – Draco pegou um guardanapo e começou a tentar limpar os dedos com uma careta de nojo. – Droga. Onde é o banheiro?

- Bem ali. – Harry apontou para uma porta num corredor à frente. – Eu vou comprar o sorvete, está bem?

- Tudo bem.

Harry foi para um lado e Draco para o outro. Só havia uma pessoa na fila pra comprar sorvete e o moreno analisou as opções enquanto a garota de cabelos perfeitamente lisos e pretos à sua frente fazia o seu pedido. Quando ela virou Harry pode reconhecê-la. Era Cho Chang, uma garota de olhinhos puxados do terceiro ano da Hogwarts High School que Harry havia conhecido por intermédio de Cedric e a achava muito bonita.

- Harry! – Ela sorriu.

- Oh, olá Cho.

- Nossa... Encontrar com você logo aqui, na sua própria lanchonete! Isso é muito legal.

- É, faz algum tempo que eu não venho aqui...

- Harry, em que posso servi-lo? – Perguntou o homem de boné vermelho no caixa por cima do ombro de Cho.

- Dois sundaes de chocolate, por favor.

- Eu entendo. Deve enjoar, não é? – Cho deu um sorrisinho.

A atenção de Harry foi tirada da pergunta da garota quando uma mão se fechou em seu braço e Draco cerrou os olhos em direção a Cho.

- Malfoy? – Ela arregalou os olhos. – Veio roubar da concorrência?

- Fique sabendo, sua chinesinha de mau caráter, que eu estou aqui como convidado, então, se você já acabou com sua encenação de boa menina, pode voltar para seu ponto ali na esquina.

A boca de Cho abriu e fechou repetidamente, a garota puxava o ar toda vez que pensava que iria dizer alguma coisa, mas acabava se calando. Após esse ritual acontecer algumas vezes, Cho bufou e saiu da loja batendo o pé. Draco apenas a olhou sair com ar de vitória e soltou o braço de Harry, enfiando as mãos no bolso.

- Draco, você não devia ter feito isso. Você acabou de dar um motivo para Cho espalhar pra todo colégio que você esteve aqui.

- Ah, não seja estraga-prazeres, Harry! Por uma vez na sua vida aquela nojenta pagou a língua, deixe-me aproveitar o momento.

- Isso não vai dar certo. Sabe-se lá o que ela não vai inventar...

- Se você sabe do que ela é capaz por que estava conversando com ela?

- Por que me pareceu mais conveniente do que chamá-la de mau caráter. – Harry pontuou, agradecendo ao homem do caixa pelos sundaes e entregando um a Draco.

- Que seja.

Eles voltaram à mesa de antes, sentando-se lado a lado e comeram em silêncio. Só então Draco tinha percebido o tamanho da idiotice que havia feito. Ele deveria ter procurado uma saída e sumido dali, mas não, aquela lambisgóia tinha que ficar comendo o Harry com os olhos. Sim, Draco estava cego de ciúmes e se odiou por isso. Pra melhorar a situação, ao levantar os olhos, encontrou as duas garotas que sentavam na frente deles na aula de Snape numa mesa um pouco mais distante, olhando diretamente para eles.

- Harry, vamos embora. – Ele pediu, baixando a cabeça. – Vamos. Vamos pro terraço.

- Está tudo bem?

Draco levantou-se sem responder, acelerando o passo em direção à porta pela qual eles haviam entrado. Não estava tudo bem. Draco entendeu que ele nunca poderia estar com Harry. Não em público. Sempre haveria alguém que usaria aquilo pra ferrar com eles e mais cedo ou mais tarde aquilo chegaria aos ouvidos de seu pai e quando isso acontecesse... Era ruim até tentar imaginar.

Aquele terraço seria o único lugar onde eles poderiam estar juntos. O único lugar onde eles poderiam ser eles mesmos, sem medo dos julgamentos que os outros fariam. Por que não havia mais ninguém. Eram apenas eles. Draco e Harry. Amigos. Ou qualquer outra coisa que o loiro desejasse que eles fossem um dia. Apenas eles.


Mais um capítulo pra vocês! Harry na Mansão Malfoy, o que acharam?
Obrigada pelos comentários que são sempre tão fofos e nos fazem tão felizes que quase choramos!
Eu sei que as coisas estão demorando um pouco pra acontecer, mas lembrem que eles acabaram de decidir que irão ser amigos independente dos problemas dos pais deles, então peço uma pouquinho de paciência. Eu acho o 10 um ótimo número, e vocês? ;)

Muito obrigada Ines Granger Black, PattJoger, Yann Riddle Black, Deh Isaacs, Drielle e todos aqueles que acham digno perder alguns minutos de seu precioso tempo lendo isso aqui. Muito obrigada mesmo. Beijos.