Capítulo 11
Not giving up
Harry só veria Draco naquela quinta-feira nas duas últimas aulas, que eram, infelizmente, com Snape. Um tremor de nervosismo instalou-se em seu estômago quando a sineta tocou e não havia nenhum sinal do loiro. Seguindo de cabeça baixa para primeira aula, Harry se perguntava o que poderia ter acontecido. E se o loiro estivesse tão arrependido que resolvera pedir transferência do colégio? Pior, e se tivesse saído do país?
Que Harry estava ficando paranóico era um fato, mas ele sempre fora tão inseguro que parecia normal para o moreno. Mas Draco nunca chegava atrasado e aquilo deixava Harry preocupado.
- Bom dia, Harry. – Desejou Hermione assim que o garoto entrou na sala de biologia.
- Bom dia. – Harry respondeu com um sorriso forçado.
- Bom dia, parceiro! – Ron disse dando um tapa no ombro do moreno, com um sorriso enorme no rosto. – Adivinha só?
- O quê?
- Você viu o Ford Anglia azul no estacionamento? – O ruivo perguntou quase saltitando.
- Hm... Não, acho que não. Eu não estava prestando atenção, desculpe.
- Ele é meu! – Ron revelou tão excitado que seu rosto ficou róseo. – Era do Fred e do George antes. Parece um pouco acabado por que eles fizeram algumas experiências com ele. Tentaram fazer o carro voar, dá pra acreditar? Mas agora que está comigo eu vou cuidar e tentar preservá-lo. Não tenho mais que andar de ônibus, graças a Deus!
- Oh, isso é muito bom, Ron! – Harry conseguiu dá um sorriso de verdadeira animação ao amigo.
- Harry, falei com Cedric hoje cedo. Ele disse que você esteve no treino ontem. – Contou Hermione.
- Foi, e ele também disse que o Malfoy estava lá sendo um idiota, como sempre. – A felicidade de Ron pareceu ter se evaporado num segundo. – Cedric disse que ele tentou bater nele de novo. Harry, esse garoto é louco!
- Ron. – Hermione censurou.
- Não aconteceu nada, Ron. Draco soube se controlar dessa vez.
- Eu não sei por que você ainda o defende.
- Ron, já chega. – A morena lançou um olhar cortante ao namorado. – Se Harry está dizendo que Malfoy se controlou é por que ele pelo menos está tentando não ser tão... Impulsivo.
- Eu duvido muito. – O ruivo deu de ombros. – Malfoy precisaria mudar muito pra me convencer.
- Bom dia, queridos. – Desejou a Prof. Sprout.
Na hora do almoço Harry também não viu o loiro, o que o convenceu de que, ou Draco não havia ido ao colégio ou o garoto estava fugindo e se escondendo. A presença tagarela de Cedric apenas fez com que o moreno ficasse ainda mais nervoso, com medo de que Draco podia surgir a qualquer momento e pensar algo errado. Não queria que o loiro achasse que ele e Cedric estavam juntos novamente. Não agora.
Seguindo ansioso à sala de Snape, o moreno de olhos verdes não pode evitar que seu almoço desse voltas e voltas em seu estômago até que ele colocou um pé dentro da sala e suspirou com a visão do loiro sentado no lugar de sempre, conversando com Pansy animadamente.
Em passos curtos, Harry dirigiu-se ao lugar ao lado de Draco, suspirando aliviado e sentindo seu chão tremer quando o loiro levantou o rosto e deu o sorriso mais lindo que ele já vira em sua vida. Com esperanças renovadas, o moreno sentou-se.
- Hey. – Cumprimentou o loiro enquanto Harry pendurava sua mochila no encosto da cadeira.
- Hey, eu não vi você o dia todo. – Harry tentou não soar inseguro.
- Eu tenho trigonometria no primeiro tempo, lembra? Do outro lado do campus.
- Ah, sim. Mas também não te vi no almoço.
- Fui à biblioteca com Blaise para pegarmos alguns livros para uma dissertação que Binns nos mandou fazer sobre a Segunda Guerra Mundial e perdemos a hora, você não estava mais lá quando eu cheguei. – Draco juntou as sobrancelhas levemente. – Eu não estou fugindo de você, Harry, se é isso que você está pensando.
- Não, não. – Ele balançou a cabeça negativamente, com displicência fingida. – Eu só fiquei achando que poderia ter acontecido alguma coisa e você tivesse faltado.
- Tipo o que? Seu padrinho ter me perseguido e me assassinado a sangue-frio? – Draco soltou uma risadinha. – É, acho que não foi dessa vez.
A referência ao dia anterior fez Harry sorrir abertamente. Então o loiro não havia se arrependido? A pergunta morreu na língua do moreno quando a sala caiu num silêncio pesado e Snape entrou em passos fortes. Que começasse a tortura.
No final da tarde da sexta-feira Draco chegou em casa extremamente cansado. As provas começariam na segunda-feira e ele ficara a semana toda até tarde com Harry estudando. O loiro jurava que se ouvisse o que quer que fosse sobre o atentado de 11 de Setembro, sujeito, substantivos ou trinômios de Newton, ele cometeria um crime. De certa forma o loiro estava agradecido por ter o baile na noite seguinte pra relaxar um pouco.
Contudo, a Mansão Malfoy parecia não estar acompanhando-o no ritmo cansado quando o garoto chegou à sala de estar. Haviam empregados por todos os lados, trazendo e levando toalhas de mesa, porcelanas e pratarias. Narcissa, que normalmente se animava quando tinha visitas, parecia chateada enquanto dava ordens com apenas um gesto e expressões de desagrado.
- Mãe? – Draco chamou, olhando tudo. – Receberemos visitas hoje? Ninguém me avisou.
- Vá falar com seu pai, Draco. Ele o está esperando no escritório. – O loiro ficou ainda mais preocupado quando a voz de Narcissa soou ríspida e aborrecida.
Draco subiu apressado. Queria saber o que estava acontecendo, por que sua mãe parecia tão contrariada com algo que era como um hobby para ela. A porta do escritório de seu pai estava aberta – outro evento inesperado – e o patriarca lia alguns documentos distraidamente. O garoto bateu contra a madeira escura antes de adentrar o cômodo.
- Pai, o que está acontecendo?
- Teremos um jantar importante hoje à noite. Os Greengrass estão vindo e você tem que passar uma boa impressão, então sugiro que vá tomar um banho e vista seu melhor terno.
- Os Greengrass? – Draco franziu o cenho. – Por que o senhor está querendo fazer negócio com eles?
- Não são negócios, Draco. A mão da filha mais velha será prometida a você. Passei essas últimas duas semanas conhecendo-os melhor e a garota é boa pra você. Daphne Greengrass, suponho que você a conheça, ela estuda em Hogwarts.
- Sim, eu a conheço, mas não acho que ela seja boapra mim. E eu tenho apenas 17 anos, sou novo demais pra casar. – O garoto soava desesperado.
- Mas vocês não vão se casar agora, é claro que não! A mão dela está prometida a você e vocês dois terão a chance de se conhecer melhor.
- Mas eu não quero um casamento arranjado! Eu quero conhecer alguém e me apaixonar, eu tenho direito de escolher com quem vou passar o resto da minha vida.
- Ora, Draco, não seja estúpido. A garota Greengrass lhe dará um lindo herdeiro.
- Que se dane! Eu não quero um herdeiro desse jeito! – Draco bradou e percebeu pelo olhar que seu pai o lançou que com certeza ele havia perdido a noção do perigo. – Eu me recuso a viver desse jeito! Não quero isso pra mim!
- Você não tem opção. E baixe o tom de voz, moleque, com quem você acha que está falando? Respeite-me e faça o que mando. Vá arrumar-se, eles estarão chegando em breve.
Draco saiu marchando e bufando, ignorando o olhar cheio de compaixão que Narcissa o lançou ao passar por ele enquanto entrava no escritório, olhando o marido com uma expressão de muito desagrado.
- Você sabe que eu não concordo com isso. – Ela disse.
- Sim, você já deixou bem claro, Narcissa.
- Pra que tudo isso, Lucius? Desde quando você age sem me dar satisfações? E desde quando você toma decisões sobre Draco sem me consultar?
- Foi preciso. Foi uma urgência e tive muita sorte em encontrar a Srta. Greengrass disponível.
- É claro que ela está disponível! A menina tem 17 anos, pelo amor de Deus!
- Recomponha-se, Narcissa. – Lucius pediu sem alterar a voz. – A garota está ao nível de nosso filho.
- Por que, Lucius? Apenas me explique por que tão rápido?
Soltando um suspiro inconformado, Lucius deu a volta em sua mesa e abriu uma das gavetas que vivia trancada. Tirando de lá uma página de jornal, o loiro o estendeu à esposa, a pose hesitando por não mais que um milésimo de segundo. Narcissa pegou a folha e a observou com pesar, logo entendo as medidas do marido.
- Eu só vi esse olhar uma vez na minha vida, Narcissa. – Se não o conhecesse tão bem, Narcissa não poderia ouvir a insegurança na voz de Lucius. – E foi muito desagradável. Principalmente pra você.
- Então você pretende fazer Draco passar pelo mesmo que eu? – Ela perguntou ainda observando a foto na qual Harry e Draco sorriam um para o outro, na capa do jornal.
- Você é feliz comigo, Narcissa, e Draco pode ser feliz com essa garota.
- Mas eu sei o quanto Draco vai sofrer antes disso e não vou permitir que isso aconteça. – Lentamente ela colocou a folha sobre a mesa, lançando um olhar frio ao marido. – Eu não fui, mas Draco está sendo correspondido e você sabe que isso faz toda diferença, Lucius.
Em passos cheios de certeza Narcissa desceu as escadas, parando de dar ordens, sentando-se sob a luz da lareira, abrindo onde havia parado no livro que lia. Lucius não demorou a descer e voltar a dar as ordens de onde a esposa havia parado.
Quando os Greengrass chegaram, trazendo suas duas filhas, Daphne e Astoria, Lucius os recebeu na porta. Sua educação não permitia que Narcissa ignorasse as visitas, então ela os cumprimentou com a elegância de sempre e os levou à sala de estar enquanto o jantar era servido.
- Onde está Draco? – Lucius sussurrou para a esposa.
- Com licença. – Narcissa pediu as visitas, levantando-se.
Subindo as escadas segurando o vestido com a mão e com a outra arranhando o corrimão levemente com um anel de diamantes, Narcissa seguiu ao quarto do filho, batendo na porta repetidamente, sem receber nenhuma resposta. A loira girou a maçaneta para descobrir que Draco não poderia ser encontrado em nenhum lugar da casa naquela noite.
Draco nunca soube quanto tempo ficou dirigindo sem rumo, pensando em milhões de maneiras para dar um fim naquele circo de horrores de seu pai. Claro, ele não teria coragem de realizar nenhuma das opções. Ele provavelmente baixaria a cabeça e se casaria com Daphne. Um suspiro resignado escapou de seus lábios e Draco arriscou apertar os olhos por um momento.
Carma era uma merda, como costumava dizer Pansy. Quando as coisas estavam começando a dar certo, seu pai lhe vinha com uma dessas. Ele tinha 17 anos, era anormal demais ter com quem se casar tão novo. Nada contra Daphne, muito pelo contrário, a garota era ótima. Mas ele apenas não aqueria, tudo no que conseguia pensar desde a noite passada era Harry Potter. Harry Potter e seu maldito cabelo macio. Harry Potter e sua maldita boca. Harry Potter e seu beijo alucinante. Meneou a cabeça, sem conseguir segurar o sorriso. Harry Potter e sua mania de deixá-lo sorrindo como um idiota todas as vezes que pensava nele.
Olhou ao redor, tentando reconhecer onde estava. Pulou de surpresa ao se ver a duas quadras da casa de Harry. Seu subconsciente estava lhe pregando peças.
Draco parou o carro na frente da casa do moreno, do outro lado da rua. Procurou o celular no bolso do jeans e o encarou. Olhou para a casa novamente, dessa vez viu a janela com a luz acesa e reconheceu a silhueta de Harry, andando pelo quarto. O garoto fazia uma dancinha estranha e Draco estava rindo alto antes que percebesse. Procurou o nome de Harry na lista de contatos e apertou o botão verde.
Não precisou esperar muito para ouvir a voz risonha do moreno do outro lado da linha, chamando seu nome.
- Harry? – Draco riu. – Tudo bem aí?
- Claro! Tudo ótimo. – O loiro olhou para a janela e viu Harry passando a mão pelos cabelos. – A que devo a honra da sua ligação?
- Você pode sair agora? – Perguntou, mordendo o lábio inferior logo em seguida.
- Hm, não sei.
- É importante. – Insistiu Draco.
- Vou ver o que posso fazer, está bem? Onde a gente se encontra?
- Estou na frente da sua casa. – Falou, rindo. Harry riu também.
- Porquê? Devo ficar com medo?
- Talvez. – Brincou, o sorriso bobo voltando aos seus lábios.
- Isso deveria me tranqüilizar?– Os dois voltaram a rir. -Hm, estou saindo ok?
Draco viu a luz do quarto se apagando e encostou a cabeça no banco. Aguardou por alguns minutos até ver a porta da frente ser aberta. Um Harry sorridente apareceu. O loiro mordeu o lábio, contendo um sorriso. Ele usava uma bermuda gasta – o que era um pouco imprudente devido ao tempo frio –, um moletom vermelho e chinelos. Harry abriu a porta do automóvel e sentou ao seu lado. Os dois trocaram um olhar antes de Draco desviar para ligar o carro e voltar a dirigir.
- Onde estamos indo? – O moreno perguntou, brincando com o chaveiro. Draco olhou-o de esguelha.
- Qualquer lugar. – Respondeu baixinho.
- Draco, aconteceu alguma coisa? Você sabe que pode contar comigo. – Harry observou o loiro dar de ombros. – Pára esse carro. – Pediu.
- O que? – Draco o olhou, confuso.
- Claramente, alguma coisa aconteceu e você vai me falar.
- Claro que aconteceu alguma coisa, Potter. – Draco rolou os olhos. – Mas eu não quero conversar, okay? Seja um bom amigo e só me faça companhia. – Cuspiu as palavras.
Uma ruga de preocupação apareceu entre os olhos de Harry. A coisa não poderia ser tão séria que Draco não estava disposto a falar nem com ele. Suspirou e pousou a mão no ombro do loiro ao seu lado, apertando de leve. O loiro relaxou visivelmente ao toque e Harry lhe ofereceu um sorriso.
- Então, vamos conversar sobre outras coisas, está bem?
A mão escorregou para a nuca e os dedos longos enrolaram-se nos fios loiros dali. Draco tentou desesperadamente concentrar-se na rua e não nas carícias de Harry, mas a tarefa era quase impossível. O moreno estava falando alguma coisa sobre a irmã mais nova do Weasel, mas Draco parara de escutar depois da primeira palavra.
O loiro guiou o carro para um tipo de morro, alguns quilômetros fora da cidade. Harry não pôde deixar de sorrir ao notar que o lugar estava praticamente vazio, salvo por alguns veículos que se balançavam de modo suspeito, mas onde Draco estacionou não havia ninguém por perto. Draco deixou escapar um som inconformado quando o moreno parou de acariciar-lhe a nuca. Harry, com muita dificuldade, esgueirou-se para o banco de trás e deitou lá. Draco lhe lançou um olhar incrédulo, mas o moreno apenas riu.
- Vem pra cá. – Chamou, sorrindo.
- Harry...
- Não, sério. Vem. – Insistiu, sorrindo sugestivo.
- Por quê? – As sobrancelhas loiras arquearam-se.
- Porque eu quero! – Exclamou, rindo abertamente. – Eu estou com frio, me esquenta.
- Você tem que ter algum problema mental. – Draco estava virando para trás, olhando-o como se ele fosse um alienígena.
- Você não quer conversar, então, seja útil e vem me esquentar.
- Olha como fala comigo. – Repreendeu mesmo estando rindo.
- Vem, Draco! – Harry se esticou e puxou-o pelo braço. Draco pulou o banco com o coração acelerando.
- Harry...
- Cara, não vou te estuprar. – Ele sorriu. – Só vem cá. – Draco concordou e deitou no banco ao lado do moreno.
Harry se virou de lado para que Draco pudesse encaixar o corpo no dele e colocou a cabeça na direção do pescoço do loiro. Passou uma das mãos por baixo de seu corpo e com a outra o trancou em um abraço. Draco pôde sentir seu estomago contrair de ansiedade ao perceber o quão perto Harry estava. O moreno respirava fundo em seu pescoço e Draco fechou os olhos.
Harry passou a mão direita na barra da camisa social e encostou na pele do abdômen do loiro. Um arrepio estremeceu o corpo de Draco. Não disseram nada. Harry abriu a mão, ainda tocando a barriga nua do loiro por baixo da roupa, e mexeu o dedão, acariciando. O moreno tinha os olhos fechados, apenas sentindo o calor do corpo de Draco. Pensou que poderia ficar ali para sempre. Apenas ele e Draco, naquele carro, sem mais nada.
Os dois ficaram juntos daquele jeito por alguns minutos, sentindo as respirações e o toque um do outro. A chuva começou a cair forte do lado de fora, batendo na lataria do carro e fazendo um barulho ensurdecedor.
- Draco? – Harry chamou baixinho. O garoto resmungou. – Não vai dormir, vai?
- Nem que eu quisesse. – Respondeu, rindo.
- Pode me contar o que houve? – Perguntou, virando o corpo do outro para ele com certa dificuldade devido à falta de espaço.
Draco foi envolvido pelo abraço de Harry e ficou cara a cara com ele, os narizes quase se tocando. O moreno abriu um pouco as pernas e Draco pôde encaixar o joelho ali lentamente. Os dois se olharam nos olhos por alguns segundos, antes do loiro morder o lábio e fechar os olhos, tomando ar.
- Meu pai, como sempre. – Sussurrou ainda de olhos fechados. Harry ficou calado, esperando. – Não sei mais o que fazer. – As íris cinza mostraram-se, encarando o verde.
- O que ele fez? – Perguntou, mal conseguindo esconder a raiva.
- Me arranjou uma noiva. – Draco sorriu amargurado.
Harry ficou estático. Sentiu os braços começarem a tremer. Não! Lucius Malfoy não iria estragar tudo agora! Não tão rápido. Não quando as coisas estavam começando a dar certo! Ele olhou Draco, nervoso, sem saber o que falar e apertou o garoto nos braços.
- Eu disse que ele me arranjou uma noiva, não que eu vou casar com ela. – Assegurou, ao notar a expressão triste e confusa do outro.
- Acho bom. – Harry mordeu o lábio inferior. – Porque agora, eu não sei se conseguiria ficar longe de você. – Ele olhou os corpos dos dois juntos e Draco seguiu seu olhar. O loiro sentiu a mão de Harry em seu pescoço e encarou-o nos olhos. Os dois sorriram. – Você gosta de mim, não é? – Perguntou sussurrando.
- Não, Harry, não gosto. Eu estou aqui abraçando você desse jeito por que te odeio mais que... – Foi interrompido pelos lábios de Harry encostando-se de leve nos dele. Quando o moreno se afastou, estava corado e gemeu como se algo estivesse doendo. – Que foi agora? – Perguntou, olhando para ele.
- Eu te quero, sabia? Tanto, tanto, tanto. – Harry falou alto, quase gritando.
Draco sentiu o corpo todo arrepiado e sorriu. Ah, foda-se. Aquele não era um momento bom para pensar mesmo. Harry ainda estava fazendo uma careta de dor quando abriu os olhos. Passou a mão por debaixo do moletom vermelho, sentindo os músculos do abdômen do moreno contraírem-se.
- Eu quero ficar aqui pra sempre... E te beijar até a gente esquecer do seu pai e todas essas merdas.
- Okay. – Disse rindo. – Só não entendi porque você tá falando sobre isso e não fazendo.
Draco encostou os lábios nos de Harry de leve. A respiração lhe faltou quando sentiu as línguas se encontrarem. Era a sensação mais gostosa do mundo. Harry lambeu seus lábios e o loiro sentiu todo o corpo tremer. A mão parcialmente esquecida dentro da blusa do moreno. As pernas ainda entrelaçadas. Harry mordeu de leve seu lábio inferior e Draco gemeu baixinho ao senti-lo puxar seu corpo ainda mais para perto. Ele esperou que Harry voltasse a encostar os lábios para beijá-lo com ainda mais força, tirando-lhe o fôlego.
O moreno apertou as unhas curtas nas costas de Draco, puxando-o para tão perto que o loiro perdeu o ar e gemeu alto. Sorriu antes de voltar a beijá-lo com força, quase lhe machucando os lábios. Suas mãos desceram um pouco, puxando Draco pelo cós da calça. O loiro colocou uma das mãos em seus cabelos e a outra passou por debaixo de seu corpo, agarrando o cós da bermuda da mesma forma. Apertou os fios com força entre os dedos, soltando uma risadinha.
Os dedos ágeis de Harry abriram a calça jeans e escorregaram para dentro. Draco separou as bocas para gemer de surpresa e jogar a cabeça para trás, dando espaço para o moreno marcar o pescoço alvo. Harry moveu o corpo até que o loiro estivesse deitado de costas embaixo de si. Sua mão movia-se lentamente por dentro do jeans. Draco se contorcia de olhos fechados, a boca aberta deixando pequenos sons escaparem.
Os dois pularam de susto quando o bolso de Harry vibrou. O moreno se desequilibrou e caiu no chão do carro, entre os bancos. Draco gargalhou, se esticando no banco e passando a mão pela pele da própria barriga, fazendo sua camisa levantar. Harry sentou ainda entre os bancos e atendeu o celular. Sua voz saiu falha enquanto ele respirava pausadamente.
- Que? – Perguntou. Draco continuava a rir.
- Harry? Onde você tá,moleque? – Sirius berrou do outro lado da linha. O loiro parou de rir ao ver a careta de Harry.
- Ah, Sirius, foi mal. – Disse arfando. – Draco precisou conversar.
- Olha aqui, menino. Se você quer sair pra comer o Malfoy-miniatura, é só dizer, okay? Você tem que avisar quando for sair. Seu pai e sua mãe vão arrancar seu couro e você nunca mais vai sair de casa na sua vida.
- Sirius! – Exclamou, corando, e evitou olhar para Draco, que observava tudo com interesse.
-O que? – Ele ouviu a risada rouca do padrinho. – Vem logo pra casa.
- Diz aí que... – Olhou ao redor, pensando numa desculpa. – O Ron brigou com a Mione e precisava de mim pra chorar as pitangas.
- Okay. – Houve uma pausa antes de Sirius voltar a falar. – Esteja aqui em cinco minutos se não eu ligo de novo!
- To chegando, Padfoot.
Harry olhou para o loiro que, agora, encarava o teto do carro. O rosto dele estava corado, os cabelos, uma bagunça e a boca parecia que ia explodir com a vermelhidão. Estava com a mão na barriga, uma das pernas esticadas e a outra dobrada. Draco olhou-o e sorriu, sentando com dificuldade. O moreno fez força para se levantar e sentou ao seu lado. Os dois encararam os joelhos.
- Então... Vamos pra casa? – Perguntou Harry. – Sirius me deu cinco minutos. – Sorriu.
- A gente tem o que agora? Três minutos?
- Dois. – Disse rindo. Draco chamou-o com o dedo, sorrindo maliciosamente. – Nem começa.
- Ah, um minuto, vai!
- Draco! Solta minha calça! – Harry berrou, rindo. Draco pegou-o com força pelo queixo.
- Não vou desistir de você.
- Que bom. Porque eu também não vou desistir de você. – Falou Harry com um sorriso enorme no rosto e beijou o nariz de Draco, voltando para o banco da frente. Draco deitou novamente.
- Dirige aí pra mim. – Pediu, rindo.
- Você me abusa. – Acusou Harry, pulando para o banco do motorista.
Draco permaneceu deitado por todo o caminho até a casa do moreno, sorrindo. Fazia muito tempo desde a última vez que se sentiu tão feliz.
Harry parou a uma quadra de sua casa, virando para ver o loiro de olhos fechados, o peito subindo e descendo devagar, a expressão tranqüila. A felicidade que se instalara em seu próprio peito era tanta que ele achava que poderia sair pulando todo caminho de volta pra casa.
- Eu sei que é difícil evitar, mas pare de me encarar, Harry. – Draco disse com um sorriso aparecendo em seus lábios.
- É quase impossível evitar, na verdade. Você pretende voltar pra casa?
- Sem chances. – Draco negou com a cabeça. – Meu pai vai querer comer meu fígado. Eu sou muito jovem pra casar e mais jovem ainda pra morrer.
O loiro riu, mas Harry não. Outra coisa que o moreno tinha aprendido sobre Draco era que o garoto sempre usava do humor na forma mais sarcástica possível pra mascarar seus verdadeiros sentimentos e Harry sabia que era isso que ele estava fazendo, mas mesmo assim não conseguira achar graça. Ele não podia perder Draco, principalmente por que não o tinha ainda.
- Tudo bem. – Ele suspirou. – Vamos pra minha casa. Vou falar com minha mãe e com Sirius, eles vão ajudar. Meu pai não pode nem sonhar que você está lá.
- Certo. – Draco continuou imóvel, com os olhos fechados.
Soltando um rosnado, Harry abriu a porta e saiu, abrindo a de trás em seguida. O moreno entrou engatinhando pelo banco. Com as mãos ao lado da cabeça loira, ele abaixou-se para encontrar seus lábios num beijo rápido.
- Você não consegue resistir, consegue Harry? – O loiro perguntou abrindo os olhos para encarar as íris verdes.
- Convencido. – O moreno revirou os olhos e ia levantar-se, mas a mão de dedos finos agarrou a gola de sua camisa, puxando-o de volta para um beijo faminto.
Era muito difícil não se deixar levar quando o loiro exigia daquela forma, era impossível, na verdade. Respondendo ao beijo com igual voracidade, Harry deixou sua mão deslizar pela pele exposta do abdômen de Draco, subindo em direção ao seu peito, fazendo o loiro gemer em sua boca.
Draco colocou ambas as mãos por debaixo do moletom do moreno, arranhando-o levemente. Descendo os lábios para o pescoço pálido, Harry tratou de deixar mais marcas por ali, chupando e mordendo.
- Harry. – Draco gemeu quando uma perna do moreno deslizou para entre as dele.
Segurando os cabelos negros e revoltos, o loiro trouxe a boca de Harry de volta ao encontro da sua, exigindo o toque entre suas línguas imediatamente. Ah, aquilo era viciante. Tão viciante que Draco despejou dezenas de palavrões quando o celular do moreno vibrou novamente em seu bolso.
- Harry James Potter! – Sirius gritou do outro da linha. – Se Malfoy já fez o favor de comê-lo, arraste esse traseiro de volta pra casa agora mesmo!
- Sirius, pelo amor de Deus, você pode se comportar como o adulto que é por um minuto? – Harry gritou de volta, saindo do carro e puxando Draco junto.
- Você me respeite, seu moleque! Eu estou segurando as pontas aqui pra você e é assim que você agradece? Ora!
- Sirius, por favor, eu preciso da sua ajuda, então, finja que não se importa apenas com que eu e Draco fazemos ou deixamos de fazer. – Harry negou com a cabeça quando recebeu um olhar curioso do loiro.
- Diga logo.
- Draco vai precisar dormir lá em casa hoje...
-Mas que absurdo! Está fazendo sua própria casa de motel agora, Harry? – Sirius estava tentando falar sério, mas Harry captou o tom brincalhão na voz do padrinho.
- Então, fale com a mamãe e avise que estou chegando com ele, tente despistar o papai enquanto eu entro pela porta dos fundos. E por favor, controle Snuffles ou ele começará a latir e estragará tudo.
- Infelizmente Snuffles parece gostar do seu amigo. Sinto muito, mas você tem concorrência, colega.
- Sirius, por favor.
- Tudo bem, tudo bem. Eu não acredito que estou ajudando um Malfoy.
- Está ajudando a mim também, Padfoot.
-Ora, não me venha com essa agora.– Sirius segurou uma risada. – Tudo bem, avisarei a Lily e levarei Prongs ao escritório. Enfie esse garoto no seu quarto e não deixe essa doninha fazer muito barulho.
- Por que eu acho que tem um segundo sentido nessa frase? – Harry bufou e revirou os olhos.
-Porque tem.– Ele riu alto. – Onde você está?
- Na frente de casa.
- Espere cinco minutos e vá para porta de trás, eu abro pra vocês quando estiver tudo certo.
- Certo. Obrigado.
- Me agradeça depois. E você me deve uma grande, moleque.
- Tchau, Padfoot.
Harry segurou a mão de Draco e eles se esgueiraram pelas sombras do jardim da frente, parando em frente ao portão que dava ao jardim de trás. Quando os cinco minutos se passaram, Harry abriu o portão que rangeu tão alto que tanto ele quando Draco cerraram os dentes, fazendo caretas. Assim que eles pisaram no primeiro degrau da porta dos fundos da cozinha, ela foi aberta por Sirius.
- Vamos, entrem. Subam rápido. Lily está no seu quarto, Harry. – Sirius sussurrava e parecia excitado. – James está no escritório analisando uma idéia idiota que eu dei para mantê-lo ocupado. Não façam barulho.
- Okay, obrigado. – Harry passou pelo padrinho, trazendo Draco.
- Ora, eu não divirto assim há anos! Eu quase tinha esquecido como é bom quebrar as regras.
- O papai vai te matar quando descobrir, você sabe, né?
- Não seja estraga prazeres, moleque. – Sirius deu um tapa na nuca do afilhado, fazendo Draco rir.
- Argh, vamos.
Mesmo sendo puxado e estar quase correndo, Draco ainda pôde notar que a casa era enorme. Tão grande quanto a Mansão Malfoy. Antes de entrar no quarto de Harry, o loiro viu a quantidade de portas no corredor. Eram tantas que ele facilmente se confundiria.
Harry fechou a porta sem bater e ambos ofegavam. Draco levantou o olhar pra ver uma figura ruiva virar-se em direção a eles e a primeira coisa que chamou a atenção do loiro foram seus olhos. Tão verdes quanto esmeraldas puras, como os de Harry. Sem entender o porquê da exclamação de surpresa da ruiva ao olhá-lo, ele olhou para o moreno corado e sem fôlego ao seu lado.
- Mãe. Desculpe sair sem avisar, foi uma emergência. – Percebendo o olhar sobre si, Harry assentiu. – Mãe, esse é Draco Malfoy. Draco, essa é minha mãe, Lily.
- Prazer em conhecê-la, Sra. Potter. – Com um sorriso encantador, Draco se aproximou da ruiva e pediu sua mão. Com uma sobrancelha levemente erguida, Lily viu o loiro beijar o dorso de sua mão.
- Igualmente. É ótimo finalmente conhecer o famoso Draco Malfoy. – Ela deu um sorriso simpático, olhando o filho em seguida. – Devido às circunstâncias, não podemos disponibilizar um quarto de hóspedes para o Sr. Malfoy.
- Oh, por favor, me chame de Draco.
- Tudo bem, Draco. Você terá que dividir o quarto com Harry. – Lily lançou um olhar todo cheio de significado e proibições ao filho, que corou enquanto dava uma risadinha. – Separei algumas toalhas e pijamas. Tem uma escova de dente extra no banheiro, sinta-se a vontade.
- Mãe, tem como você trazer alguma coisa pro Draco comer? Ele saiu de casa sem jantar.
- Não, não precisa se incomodar. – Draco apressou-se em dizer.
- Não é incomodo. – Lily sorriu. – Vou providenciar algo para os dois, você também não comeu direito, Harry.
Dizendo isso e olhando novamente o filho, Lily retirou-se. Harry estava ainda mais corado e passava a mão pelos cabelos, indo em direção a nuca.
- Você tem os olhos da sua mãe. – Disse Draco.
- É o que todos dizem. – Harry sorriu. – Você quer tomar um banho antes de comer?
- Hm... – O loiro fez uma expressão pensativa enquanto se aproximava. – Talvez eu possa encontrar algo melhor pra fazer nesse tempo...
- Mesmo? – Harry deu um sorriso malicioso. – E eu posso saber o que é?
Draco subiu uma mão pelo braço do moreno de maneira sugestiva, passando pela curva do pescoço, chegando a sua nuca, brincando com alguns fios dos cabelos revoltos entre os dedos. Harry desceu uma mão para região lombar da cintura fina do outro, colando seus corpos. Os lábios se juntaram automaticamente, um respondendo ao outro. Era incrível como todo o mundo parecia desaparecer. Não havia Lucius ou James, Narcissa ou Lily, Sirius ou Snape. Eram apenas Draco e Harry.
Em passos lentos, Harry guiou Draco até a cama, deitando-o com cuidado, deixando-se ir junto. Eles se abraçaram e ficaram trocando beijos – uma hora quentes, outra hora mais calmos e carinhosos – até que Lily bateu na porta trazendo uma bandeja, crucificando o filho com os olhos ao ver a cama levemente bagunçada, os cabelos de ambos desgrenhados e os lábios inchados.
- Juízo, garotos. – Ela disse antes de se dirigir de volta a porta. – James está bem ali no fim do corredor.
- Mãe, não se preocupe. – Harry estava corando tão forte que Draco riu.
- Sua mãe é adorável. – Draco disse assim que Lily fechou a porta. – Minha mãe invejaria a discrição dela.
- Seria ótimo que sua mãe pudesse dar algumas aulas a minha. – Harry sorriu. – Vamos, venha comer.
- Certo, mas coma rápido. Temos que voltar a fazer o que estávamos fazendo.
- Ah, você com certeza é ótimo quando a questão é estimular. – Harry prendeu o lábio inferior do loiro entre os dentes, sem pressionar.
- Não me provoque, Harry.
- Oh, é uma enorme pena que eu não possa de fato fazê-lo. – O moreno sorriu reminiscente.
- E eu achei que eu estava levando o Santo Potter ao mau caminho.
- Você é o mau caminho, Draco, leve-me aonde quiser.
- Agora eu que digo: não me provoque.
Finalmente, eles sentaram para comer o banquete que Lily havia conseguido colocar numa bandeja só. Era muito melhor assim. Apenas Draco e Harry.
Obrigada a MarciaBS, Ines G. Black, Yann Riddle Black, Poke, Maru, Meel Jacques, Marina Feltcliffe, Mila Pink, Deh Isaacs e Drielle por todas as reviews. Obrigada a você que está acompanhando sem comentar também.
Então, mais um capítulo pra vocês e espero que tenham gostado. O baile é no próximo capítulo!
Lembrando que estamos respondendo as reviews feitas por leitores logados através de Private Messaging e queria avisar que, para quem não viu ainda, a capa dessa fic está no nosso perfil!
Um de nossos leitores pediu para ver as outras duas versões do primeiro beijo entre Draco e Harry e me pergunto se mais alguém tem esse interesse, por que nesse caso, semana que vem serão postadas as duas versões aqui, logo embaixo do agradecimentos. Então, o que me dizem?
Obrigada, mil beijos e até semana que vem!
