Capítulo 12
Goodnight, Cinderella

Draco despertou, mas manteve seus olhos fechados por um tempo. Esticou uma mão em direção ao travesseiro ao seu lado, fazendo-o perceber que a cama estava vazia. Abrindo os olhos devagar, o loiro suspirou. Ele realmente não esperava que fosse acordar sozinho. Não que ele se importasse, só não parecia uma coisa que Harry faria.

Sentando-se, Draco passou a mão no rosto e bocejou longamente. Uma fresta na cortina derramava uma luz fraca sobre o piso impecavelmente branco. Sem pressa, o loiro andou em direção a luz e puxou um pouco mais a cortina.

Lá embaixo no jardim, Snuffles corria de um lado para o outro, os pelos encharcados e cobertos com espuma branca. Logo atrás dele Harry corria desembestado, com uma camisa colada no corpo e uma bermuda igualmente ensopada, segurando uma mangueira. A pele morena e suada do garoto brilhava mesmo sob a fraca luz, alguns fios de cabelos estavam grudados em sua testa e os óculos escorregavam constantemente. Draco sorriu.

Vindo do sentido contrário, Sirius abria os braços enquanto se aproximava do animal, que desviou com uma facilidade extraordinária. Ao puxar um pouco mais a cortina cor de vinho, Draco viu o professor Lupin sentado ao lado de outro homem, que era uma cópia mais velha de Harry, e ambos riam enquanto gritavam instruções de como alcançar o cão.

Harry e Sirius pararam, Snuffles olhava para os dois, esperando qualquer movimento. Harry lançou um olhar significativo ao padrinho, que deu um passo para o lado a fim de chamar atenção do cachorro, e Harry partiu pra cima dele.

Com uma estupenda facilidade, Snuffles passou por entre as pernas de Harry, derrubando-o no gramado verde. Draco não pode deixar de rir. O garoto era a pessoa mais desastrada que ele conhecia. Levantando com raiva, Harry segurou a mangueira com força e marchou em direção ao cachorro, que esperava balançando o rabo.

O mais novo do grupo começou a acelerar o passo e logo estava correndo atrás do cachorro novamente. Com as íris verdes fixas no animal, Harry não viu que eles se aproximavam cada vez mais do muro. A cópia mais velha de Harry levantou-se num pulo e começou a gritar, fazendo o garoto levantar o olhar.

Harry derrapou tentando parar antes de atingir o muro, caindo de costas a alguns centímetros da colisão. Snuffles correu até ele e lambeu o rosto do garoto desastrado, que riu, assim como Sirius, que se dobrava em meio a gargalhadas.

Draco não ficou pra trás, uma lágrima tremendo no canto de seu olho enquanto ele ria alto. Lily apareceu segurando três toalhas. Jogou uma para Sirius, entregou outra pra Harry e tentou alcançar o cachorro negro com a que faltara, mas este fugiu. A ruiva levantou-se, bateu um pé, ordenando que Snuffles ficasse quieto. E, claro, o animal obedeceu. Sirius, Harry, Lupin, James e até Draco pararam com as risadas, olhando apreensivos à ruiva irritada. Quando ela sorriu, todos relaxaram.

Bocejando novamente, Draco arrastou-se de volta pra cama, enfiando-se debaixo das cobertas quentes, fechando os olhos. Ele se sentia tão seguro sabendo que Harry apareceria num segundo se ele precisasse, e só Deus sabia há quanto ele não se sentia assim.

Quando um barulho de chave girando na fechadura chegou aos seus ouvidos, Draco continuou com os olhos fechados. Passos cuidadosos e leves seguiram até o banheiro. O chuveiro foi aberto alguns segundos depois e só então o loiro abriu os olhos. A toalha grande, branca e felpuda que ele havia visto Lily entregar a Harry há alguns minutos estava agora jogada na cadeira de escrivaninha.

O chuveiro foi fechado e Draco automaticamente fechou os olhos, controlando sua respiração. Não demorou muito para que o espaço ao seu lado afundasse quando Harry deitou e um cheiro amadeirado o inebriou. O moreno passou seu braço pela cintura fina do loiro e se aproximou, colando seu peito às costas pálidas, depositando um beijo na nuca de Draco. Sem perceber, o loiro soltou um gemido baixo, quase um ronronar, e Harry deu uma risadinha.

- Bom dia. – Ele sussurrou no ouvido do loiro. – Há quanto tempo você está acordado?

- A tempo suficiente para ver seu show lá embaixo. – Draco sorriu e virou-se para olhar o moreno. – Bela queda.

- Obrigado. – Harry deu um selinho no loiro, depois outro, e outro, o quarto sendo mais demorado. – Desculpe por não estar aqui quando você acordou. Sirius bateu na porta logo cedo dizendo que precisava de ajuda para dar banho no Snuffles.

- É, parece que não deu muito certo, né? – Perguntou Draco com tom zombeteiro.

- Aparentemente não. – O moreno soltou outra risadinha. – Desculpe.

- Não tem problema. – Foi a vez de Draco dar uma sessão de selinhos em Harry. – Você está aqui agora.

Eles passaram alguns minutos em silêncio, Draco acariciava o peito de Harry por sobre o suéter verde com carinho, enquanto o moreno passava os dedos lentamente em suas costas, por dentro do pijama. Soltando um longo suspiro, o loiro levantou o olhar para fixá-lo nas íris verdes.

- Sua mãe ligou. – Harry revelou, quebrando o silêncio, colando suas testas. – Ela estava tão preocupada. Eu nunca tinha visto sua mãe perder a compostura, mas ela soava desesperada. Eu tive que dizer que você estava comigo.

- E o que ela disse? – Draco perguntou devagar, sentindo a culpa preenchê-lo. Em momento nenhum pensou em como sua mãe ficaria quando visse que ele não estava em casa.

- Ela pareceu mais aliviada quando eu disse que você estava aqui, mas pediu que eu insistisse para que você ligasse pra ela o quanto antes.

- Eu vou ligar. Obrigado por falar com ela.

- Você também falou com minha mãe quando foi necessário, lembra? Na festa da Pansy.

- Oh, sim. – O loiro sorriu. – Harry, não pense que você me deve alguma coisa. Eu fiz o que fiz por que gosto de você.

- E quem disse que estou fazendo isso por lhe devo? – Harry revirou os olhos, brincalhão. – Como você é convencido.

- Por que, então?

- Por que eu também gosto de você, não é obvio? – O moreno encostou seus lábios demoradamente. – Ligue pra sua mãe. Eu vou buscar seu café da manhã.

- Seu pai não vai suspeitar?

- Ele está lá fora, não tem risco.

- Não vá arrumar problemas com seu pai por minha causa, está bem?

- Não se preocupe. – Dito isso, Harry levantou-se com dificuldade, um frio o envolvendo pela falta de contato. – Volto em dois minutos.

Draco observou Harry sair e trancar a porta por fora. Suas roupas estavam meticulosamente dobradas na cadeira da escrivaninha, exatamente onde Harry havia jogado sua toalha molhada. Praguejando, o loiro pegou seu celular no bolso e pendurou a toalha no encosto, tirando-a de cima de suas roupas. O visor mostrava 32 ligações perdidas, todas de Narcissa. Quando o loiro colocou pra ligar de volta, a linha não chegou a chamar nem três vezes e sua mãe já atendera.

- Draco?

- Mãe. – Ele disse num sussurro, baixando a cabeça.

- Draco, como você faz uma coisa dessas, meu filho? O que você estava pensando?

- Eu não estava pensando, mãe. Me desculpe. Eu não sabia o que fazer, fiquei desesperado. – Draco suspirou. – Eu não quero me casar.

- Eu sei que não, querido, mas isso não justifica. Você não faz idéia de como fiquei preocupada.

- Desculpe. Fui muito egoísta.

- Não posso discordar. Ouça, eu falei com seu pai, ele está muito alterado e não quer ouvir uma palavra minha se for pra defender você, então seria melhor você ficar ai. Quando ele se acalmar, nós três teremos uma conversa, está bem?

- Mas mãe, hoje é o baile.

- Eu sei. Vou alugar uma limusine e ela estará levando um terno para você e outro para Harry, que secretamente me revelou que o que ele possui não está a sua altura.

- Obrigado. – Ele disse corando.

- Aproveite, querido. Seu pai não parece nem um pouco disposto em desistir dessa idéia de prometer a mão da menina Greengrass a você.

- Por quê? Por que ele não pode esperar? Por que tem que ser ela?

- Seu pai tem os motivos dele, querido, e mesmo eu não concordando, tenho que dizer que são válidos.

- A senhora não vai me explicar?

- Não está na hora ainda, Draco, eu sinto muito.

- A mãe do Harry diz a mesma coisa. – Draco tentou não deixar a raiva deslizar em sua voz. – Quando vai ser a hora? Por que eu, sinceramente, acho que já passou.

- Quando seu pai e o pai de Harry estiverem prontos. Quando eles acharem que vocês devem saber e estiverem prontos para contar, será a hora.

- Oh, vejo que não saberemos nunca então. Eu só espero que tanto a senhora quando ele saibam que sabendo ou não dessa história, isso não vai me afastar do Harry.

- Eu tenho certeza que não e seu pai também sabe, só não aceita. Dê tempo ao tempo, Draco. Tenha paciência com seu pai, você sabe como foi a criação dele, você sabe quais são os princípios dele e tudo que for contra isso vai ser difícil pra ele aceitar.

- Tudo bem. Mas eu preciso saber se... Vocês não estão pensando em se separar, estão?

- Como? Mas é claro que não querido!– Narcissa riu baixinho. – De onde você tirou essa idéia?

- É que... Você e o papai andam brigando muito por minha causa e eu achei que...

-Draco. – Ela interrompeu. – Em momento nenhum pense que você é o único motivo pelo qual eu e seu pai brigamos. Tem a ver com histórias de uma época na qual você ainda não era nascido, tem a ver com a maneira como ele foi criado e com como os tempos mudaram e ele parece tão alheio a isso. Nunca, meu filho, nunca pense que você é o responsável, porque não é.

- Tudo bem. – Draco soltou o ar. Aliviado, permitiu-se sorrir. – Obrigado.

- Não precisa agradecer. Divirta-se hoje à noite, querido, e juízo.

- Não se preocupe. – Ele riu. – Mãe?

- Sim?

- Eu te amo.

- Eu também te amo, querido.


Harry ainda demorou alguns minutos para voltar, nos quais Draco observava o quarto do garoto mais atentamente. Não era muito diferente do seu, ele logo constatou, eles tinham basicamente o mesmo gosto musical, mas as cores do quarto do moreno eram mais vivas e havia diversos porta-retratos espalhados nas prateleiras, na mesinha de cabeceira e na escrivaninha, cada uma das fotos retratando um momento em família.

Com muita dificuldade em abrir a porta, Harry apareceu tentando equilibrar uma bandeja. O loiro apressou-se em ajudá-lo, tirando as coisas das mãos desastradas do outro garoto e pousando com cuidado sobre a mesa, pegando a metade de um sanduíche de queijo.

- Falou com sua mãe? – Harry perguntou após um longo gole de suco de laranja.

- Falei. – Draco suspirou. – Meu pai não vai desistir dessa história de casamento nem tão cedo.

- Você acha que... – De repente formou-se um bolo na garganta de Harry e após a falha tentativa de desobstruir a passagem com um pigarro, o garoto tomou outro gole do suco. – Você acha que ele vai te obrigar a casar com ela?

- Mesmo ele sendo meu pai e eu tendo muito respeito por ele, ele não pode me obrigar a nada. Principalmente depois que eu tiver 21 anos. – O loiro deu um sorrisinho de canto.

- Mas vamos supor que ele possa te obrigar... – Harry deu de ombros uma vez, parecendo extremamente interessado em qualquer coisa que tinha na bandeja.

- Bem, nesse caso, certamente ele me obrigaria. – Sentindo o peso de um silêncio curto que se seguiu, Draco segurou o queixo de Harry e o fez olhá-lo nos olhos. – Ele não pode me obrigar, eu não quero me casar com essa garota e eu não vou me casar com ela.

- Certo. – Harry tentou mostrar seu alivio. – Você ainda vai ao baile hoje?

- Ah, mas é claro! – Draco animou-se instantaneamente, fazendo Harry sorrir. – Não perco por nada! Minha mãe disse que vai mandar uma limusine e meu terno. E o seu também, aparentemente.

- Oh. – O moreno corou. – Eu fiz a besteira de dizer que precisava tirar o meu do fundo do armário e ela insistiu tanto que eu não tive como dizer não.

- Ah, o poder de persuasão dos Malfoy. – Draco disse rindo. – Eu não sei como ela pretende fazer isso sem nossos pais saberem.

- Meu pai está se arrumando pra sair e quando chegar vai se enfiar no escritório. Ele controla as lojas as quais não pode visitar pessoalmente pelo computador, então ele não será problema.

- Pois é, meu pai faz isso também, mas ultimamente ele tem feito muitas visitas aos Estados Unidos, sabe? Está tentando abrir mais algumas filiais por lá. Talvez ele tenha viajado. Oh, eu espero que sim.

- Eu acho que você não devia me passar tais informações, Draco. – Harry cruzou os braços, brincalhão. – Eu sou sua concorrência, lembra?

- Nossa, como pude ser tão estúpido? – O loiro revirou os olhos, fazendo Harry rir. – O que você pretende fazer da vida, Harry? Quero dizer, você já deixou claro que não quer viver das empresas do seu pai, então me pergunto o que o grande herdeiro dos Potter tem em mente.

- Bem, talvez essa seja uma formação igualmente confidencial. – Com esperanças de que o loiro fosse deixar a pergunta de lado, Harry fez uma expressão séria, mas Draco ainda esperava por uma resposta definitiva. – Eu ainda não pensei, sinceramente.

- Como não pensou? Você tem que ter pensado em alguma coisa! Estaremos nos formando em dois anos, Harry, não é possível.

- Eu apenas cogitei administração, por causa do meu pai. – Ele suspirou. – Eu não sou bom em muitas coisas, sabe?

- Mas é claro que é! Ainda não vi ninguém que domine tanto inglês quanto você. Tenho certeza que é melhor que a Granger nisso.

- Sem exageros. – Harry sorriu timidamente.

- Já pensou em jornalismo? Ou talvez, publicidade? Com sua imaginação fértil, você teria um bom futuro nessa profissão.

- Você está falando sério ou está tirando uma comigo? – O moreno perguntou levantando uma sobrancelha.

- Estou falando sério, Harry. – Draco sorriu.

- Hm, okay. Vou pensar. E quanto a você? Vai mesmo assumir as empresas?

- Vou, mas vou por que eu quero. – O garoto apressou-se a explicar após a cara de surpresa de Harry. – Eu quero fazer melhor que meu pai, sabe? Quero mostrar que posso ser tão bom, ou até melhor que ele. Quero passar das linhas as quais ele sempre fez tanta questão de se manter longe, quero ir além, quero impressioná-lo com meus próprios métodos, com minhas próprias idéias. Eu quero que meu pai se sinta orgulhoso de mim.

- Se ele pudesse ouvir isso que você acabou de dizer, ele já se sentiria, tenho certeza. – Harry sorriu. – Se meu pai me ouvisse falando isso cairia aos meus pés em prantos. Às vezes me sinto mal por não quere seguir o sonho dele de que eu assuma os negócios, mas também sinto que preciso ir atrás de algo que eu realmente sonhe.

- Ótimo, então vá! – Por um segundo Draco pareceu estar sonhando acordado, enquanto bebericava seu suco. – Após o feriado de Natal e Ano Novo vou começar a passar mais tempo observando o trabalho dele. Provavelmente irei a algumas viagens de negócios e ficarei algumas horas preso naquele escritório, mas não vou fingir que não é isso que eu quero.

- É estimulante a maneira como você fala sobre isso, Draco. Estou me sentindo tentado a fazer o mesmo. – Ambos riram. – Desse jeito, você terá muito sucesso.

- Nós dois teremos. – O loiro ergueu seu copo, propondo um brinde. – Ao nosso sucesso.

- A nós. – Os copos tintilaram com o contato e os garotos tomaram um grande gole em seguida, sorrindo.


Quando James saiu, Harry e Draco desceram. Lily, Sirius e Lupin conversavam animadamente assim que os garotos apareceram e não pararam por isso. Draco impressionou-se com como Sirius era divertido e suas brincadeiras com Lupin eram hilárias – o loiro também descobriu que o professor sabia responder às brincadeiras de forma elegante, mas sem deixar de ser engraçada ou ofensiva. Incomodado mesmo ele ficara com a maneira a qual Lily parecia analisá-lo. Os olhos verdes vidrados sobre ele, calculando cada movimento, às vezes parecendo aérea, como se encontrasse algo familiar em seu rosto.

No final da tarde, quando Sirius dizia como Lupin era chato quando eles eram mais novos por não participar de muitas brincadeiras que ele e James tramavam, sempre tentando pesar as conseqüências, uma buzina estridente anunciou a longa e preta limusine que Narcissa havia dito que mandaria. O chofer, devidamente fardado, trouxe os dois ternos prometidos.

Lily deu à Draco acesso a um dos quartos de hóspedes onde havia uma grande banheira, liberando o uso de todos os sais de banho que ele poderia encontrar nas prateleiras sobre a pia. Pegando seu terno, o loiro foi ao quarto indicado animadamente, sem pressa em ficar pronto.

Em seu quarto, após um longo banho, Harry estirou as vestes escuras sobre a cama. Observou o cetim fosco do paletó, o colete no mesmo tom e a grava cinza com um leve brilho prateado e sorriu. Sua mente levou-o imediatamente ao quarto ao lado, onde Draco estava, e aos olhos cinzentos. Imaginou o loiro sorrindo alegre, encarando o terno como ele mesmo o fazia. Mordeu o lábio e pegou a calça escura para vesti-la, expulsando Draco de seus pensamentos. Estava abotoando a camisa branca e lisa quando escutou uma batida fraca na porta.

Exclamou um "entre" já imaginando ser sua mãe querendo ajudá-lo a se vestir como se fosse uma criança indo para a primeira festinha de escola. E não estava errado. Lily entrou com um sorriso enorme no rosto, apanhou uma escova e tentou pentear os cabelos rebeldes do filho, sob protestos.

- Mãe, eu preciso terminar de me vestir! – Falou Harry, segurando o riso.

- Espere um pouco, alguém tem que dar um jeito nesse seu cabelo! – Exclamou, nervosa.

- Você sabe que não adianta, mãe. – A ruiva largou a escova na cama e sentou-se.

- Você tem certeza sobre isso, querido? Ir ao baile com esse garoto. – Explicou ao ver o olhar confuso de Harry.

- Não se preocupe, mãe. – Exibiu um sorriso calmo e confiante.

- Apenas... Se cuide, está bem? – As sobrancelhas ruivas se ergueram sugestivamente. Harry corou.

- Okay. – Disse antes de se levantar e pegar a gravata. Distraiu-se tentando dar um nó na peça e não viu o sorriso de sua mãe.

- Vai usar os óculos ou lentes? – Perguntou, ajudando o filho.

- Óculos. Faz tanto tempo que não uso essas lentes, demoraria séculos para colocá-las. – Sorriu para mãe que acenou em concordância.

Lily retirou-se do cômodo. Poucos minutos depois, Harry estava descendo as escadas. Obviamente, seu cabelo continuava o desastre de sempre, mas podia-se dizer que ele estava mais bonito que o usual. Muito mais. Draco não estava na sala de estar, então o moreno apenas sentou-se com Sirius no sofá para esperá-lo.

Harry escutou sua mãe soluçar de susto, e quando seguiu seu olhar em direção às escadas, ele entendeu perfeitamente a surpresa. Draco descia cada degrau a passos lentos, como se estivesse com medo de cair, mas Harry sabia que era apenas charme. As roupas do loiro eram essencialmente iguais as suas, exceto pela camisa branca ser levemente plissada, e os botões de seu paletó terem um pequeno dragão entalhado. Seus cabelos loiro-platinados estavam perfeitamente penteados, puxados para trás.

Sirius pigarreou, chamando a atenção de Harry. O garoto não havia percebido, mas encarava Draco com a boca escancarada. Todos no cômodo seguravam o riso, olhando para ele. Inclusive o loiro, que exibia um sorrisinho contido e irônico. O moreno sorriu envergonhado e se levantou.

- Nada mal. – Disse, enfiando as mãos nos bolsos da calça.

- Sinto muito, mas sua cara dizia bem mais do que "nada mal". – Falou Draco, enquanto as íris prateadas escrutinavam o corpo do outro. – Estou surpreso que tenha conseguido dar um nó nessa gravata. – Gesticulou em direção à peça.

- Não consegui. – Harry sorriu.

- Imaginei. – Draco mordeu o lábio e enfiou as mãos nos bolsos também.

Sirius limpou a garganta ruidosamente. Quando Harry o olhou, o homem ergueu as sobrancelhas e sorriu enviesado. Lily levantou-se da poltrona para alisar, distraída, os cabelos de Harry, tentando fazer com que fiquem ao menos apresentáveis. Sem sucesso, claro.

- Melhor se apressarem. – Falou, sorrindo.

Os dois se despediram e rumaram para limusine. O veículo era negro como a noite. O motorista abriu a porta para Draco e Harry. Assim que os dois se encontravam sentados lado a lado no banco espaçoso de couro, o loiro puxou Harry pela nuca para um beijo. O moreno sorriu, pousando a mão de leve na cintura de Draco.

- Queria fazer isso desde que saí daquele quarto. – Sussurrou contra os lábios de Harry, ainda com os olhos fechados. O moreno sorriu.

- É mesmo? – Perguntou sarcasticamente.

- Cala a boca. – Riu Draco, se afastando e passando a mão pelas vestes, ajeitando-as desnecessariamente.

As luzes dos postes passavam rápidas pela janela de vidro fumê e Harry as observava balançando a perna nervosamente, eles não deviam estar muito longe do colégio agora. Olhando pro lado, viu o loiro ainda com um sorrisinho de canto, alinhando as vestes a cada mínimo movimento.

- Draco? – Ele chamou baixinho e os olhos cinza-prateados cintilaram em sua direção. – Você não... Você não acha que as pessoas vão... Bem, é, como posso dizer... Quero dizer, somos dois garotos e você é muito popular em Hogwarts High, pensei que talvez você tivesse algum receio que os outros fossem julgá-lo por estar indo ao baile comigo, sem falar que nós não deveríamos ser amigos, então... – Harry parou quando Draco deu uma risadinha. – O quê?

- Não precisa ficar tão nervoso, Harry. Olhe, eu realmente não me importo com o que os idiotas daquele colégio vão pensar, quase todos ali têm a mente limitada. Sem falar que as pessoas fazem isso o tempo todo, não é? Quando não conseguem pares, vão com os amigos.

- Ah, é verdade. – O moreno encolheu-se no banco um pouquinho.

- Obviamente, esse não é o caso, já que eu conseguiria um par num estalar de dedos. – Draco ajeitou as vestes com ar convencido.

- Claro. – Ele revirou os olhos e voltou a observar pela janela antes de sentir os dedos finos de uma mão macia puxá-lo com cuidado pelo queixo. Draco e Harry se encararam por alguns segundos.

- Eu estou indo com você e não dou a mínima para o que os outros vão achar disso, escutou?

- Alto e claro. – Harry sorriu.


O veículo longo parou bem na frente às escadarias de Hogwarts, a porta sendo aberta pelo motorista que os desejou uma boa noite, informando que estaria à espera dos dois garotos.

Subindo os degraus, ambos viraram à esquerda em direção ao campus iluminado pela luz prateada da lua. Não muito longe dali o som de música eletrônica pulsava nas paredes. Caminhando pelo caminho de pedra entre as árvores chegava-se à quadra.

Certamente o local estava muito diferente dos dias corriqueiros de aula. Logo na entrada havia um tapete de veludo vermelho que se estendia em direção ao grande salão. Colin Creevey pulou na frente dos dois antes mesmo que eles pudessem entrar, pedindo um grande sorriso, olhando-os através de sua câmera.

Um pouco desnorteado, Harry olhou para Draco, que parecia achar aquilo muito enfadonho. Após a insistência irritante de Colin, Draco passou um braço nas costas do moreno, subindo a mão em direção a seu ombro, segurando ali firmemente, e num gesto quase automático, Harry o envolveu com um braço pela cintura. Ambos abriram um sorriso e dois flashes seguidos os cegaram.

Sendo mais inconveniente ainda, Colin pediu fotos individuais. Após mais algumas seqüências de flashes, Harry e Draco puderam finalmente adentrar a festa.

Um grande globo espelhado pendia no centro da quadra, girando lentamente, deixando pingos de luz cintilante cair ao chão e sobre algumas pessoas, que dançavam em ritmos loucos. Mesas compridas estavam postas nos cantos com várias tigelas de ponche, o qual Draco rezava para que houvessem conseguido batizar naquele ano, e salgados para enganar a fome. As toalhas que forravam as mesas eram todas azuis e brancas.

No centro, próximo da arquibancada, sobre uma mesa redonda de forro azul e prata, um lindo cisne de gelo rodava lentamente. Os corações de Harry e Draco batiam no compasso da música e a pouca luz do ambiente era confortável, assim como a companhia um do outro.

McGonagall, usando um longo vestido de tom bege e os cabelos grisalhos presos num coque tão apertado que fazia seu rosto parecer esticado, andava de um lado para o outro checando para ver se os ponches continuavam puros e certificando-se de que os casais não sugariam a alma um do outro pela boca.

Harry não sabia o que fazer com as próprias mãos. Estava caminhando ao lado de Draco pelo ginásio em silêncio, supostamente procurando um bom lugar para sentar. Olhou furtivamente para a mão do loiro, sem saber se deveria segurá-la. Embora os dois já tivessem conversado sobre isso e lhe fora assegurado de que não havia problema e que Harry não deveria ficar nervoso, mas seu cérebro não parecia concordar. Por fim, acabou enfiando as mãos nos bolsos.

- Nervoso? – Draco perguntou, parecendo se divertir com o constrangimento do rapaz.

- Bem, bailes fazem isso comigo... – Falou, fazendo um esforço sobre-humano para soar casual. – Dançar não é muito comigo.

- Imaginei. Não se preocupe, Harry. Não planejo forçar você a nada, se você não quiser dançar, não tem problema. – O loiro ofereceu-lhe um sorriso, tocando o braço de Harry gentilmente.

- Hm... Você sempre pode dançar com outra pessoa.

- Quem sabe. – Falou Draco dando de ombros.

Harry tentou se convencer de que não ficaria com ciúmes, mas já sentia o estômago revirar só de pensar em Draco deixando-o para dançar com outra pessoa. Foi distraído de seus pensamentos quando o loiro segurou sua mão – aquela que Harry simplesmente não lembrava de ter tirado do bolso – e o guiou em direção a uma mesa vazia no canto. Um sorriso bobo tomou conta de seu rosto.

Os dois sentaram lado a lado em silêncio e apenas observaram as pessoas dançando. Harry reparou em como Draco batia os dedos de leve na própria perna ao ritmo da música e se sentiu instantaneamente mal. Ele estava ali apenas atrapalhando o loiro. Se ele não tivesse aceitado o convite e dito que preferia ficar em casa, talvez Draco viesse com alguém que gostasse de dançar, assim como ele.

Poucos minutos e três músicas depois, Blaise e Pansy se juntaram a eles trazendo ponche. Harry não avistou nem Ron, nem Hermione em lugar algum, mas ele não se lembrava se algum dos dois falara algo sobre vir ao baile. Para a infelicidade de Draco, ninguém havia batizado as bebidas naquele ano, mas, segundo Blaise, algum garoto do último ano levara whiskey.

- É bom deixar Harry longe dele. – Brincara Draco, abraçando o moreno pelos ombros.

- Muito engraçado. – Harry olhou-o com um sorriso besta no canto dos lábios.

- Bem, eu concordo plenamente. Você se lembra da minha festa, Blaise? – Expôs Pansy, rindo histericamente.

- Como esquecer, não é? – O rapaz respondeu, sem prestar atenção, muito mais preocupado com o decote da garota do que qualquer outra coisa.

- Oh, adoro essa música! – Exclamou Pansy quando as primeiras batidas de I Wanna Go ecoaram. – Harry, você me emprestaria Draco? – Ela perguntou, sorrindo travessa.

Harry olhou para o loiro ao seu lado, que balançava o corpo discretamente ao ritmo animado da música, antes de responder. Ele não conseguiria negar aquilo a Draco, era óbvia sua vontade de ir com Pansy.

- Claro, Pansy... Demore o tempo que quiser.

- Voltamos logo. – Ela piscou, puxando Draco pela mão para a pista de dança.

- Cara, Draco não vai voltar pra cá tão cedo. Você não deveria ter dado carta branca a ela. – Blaise falou ao tomar o copo de ponche de um só gole.

Alguns minutos depois Pansy e Draco voltaram sorrindo. Draco estava com as bochechas coradas de tanto dançar, o cabelo liso levemente desalinhado com algumas mechas quase tocando os olhos. E seu sorriso era estonteante. Draco era lindo e tinha plena consciência daquilo, o que fazia com que o loiro transbordasse autoconfiança e realçava ainda mais sua beleza. Harry se sentia uma coisinha feia e insignificante perto dele, na verdade.

- Obrigada, Harry. – Agradeceu Pansy, puxando Blaise para a pista de dança logo depois.

- Wow. – Draco jogou-se na cadeira de um jeito que ele certamente negaria para sempre depois. Harry apenas o olhou de esguelha. – Pansy tem problemas, ela estava jogando o cabelo pra todo o lado e... – O loiro parou ao ver a expressão de Harry. – O que foi?

- Nada, continue sua história. – Falou, usando seu tom mais desinteressado.

- Hey... – Draco se aproximou, encostando a boca no ouvido de Harry. – É impressão minha ou você está com ciúmes?

- É claro que não! – Harry exclamou, rolando os olhos. Draco apenas ergueu as sobrancelhas e se levantou.

- Vem comigo. – Estendeu a mão.

- Draco, eu não vou dançar.

- Não estou te chamando pra dançar, nem vou te arrastar para a pista de dança. Quero que venha comigo. – Ele se inclinou para sussurrar em seu ouvido. – Por favor?

- Aonde nós iríamos, então? – Perguntou, desconfiado.

- Confie em mim. Venha. – Draco alcançou sua mão e puxou-a gentilmente.

Harry não tinha como dizer não, com Draco pedindo daquele jeito manhoso. Ele se deixou levar, passando pelo meio da pista de dança. Porém, como o loiro havia prometido, eles não pararam por lá. Continuaram em direção às portas e saíram para ao corredor. O corredor estava deserto, exceto por um casal se beijando a um canto.

- Por aqui – Draco continuou guiando-o até... O almoxarifado.

- O que... – Harry começou a perguntar, porém foi interrompido.

- Shh. – Draco silenciou-o, puxando um chaveiro e abrindo a porta para Harry.

- Como é que você tem a chave desse lugar? – O moreno perguntou, olhando em volta. Era apertado demais.

- Monitor, lembra? – O loiro sorriu maliciosamente, aproximando-se de Harry.

- Claro...

Harry não entendeu o que os dois estavam fazendo ali e já se preparava para perguntar a Draco quando o loiro o puxou pela cintura, capturando seus lábios. Foi aí que a mente confusa e distraída do moreno começou a ter uma leve ideia do motivo pelo qual eles estarem naquele cubículo cheio de produtos de limpeza. Draco empurrou-o fracamente para a parede mais próxima, no caso, a do lado oposto à porta. O moreno soltou um gemido dolorido ao sentir o cabo de uma vassoura cutucar-lhe as costas e andou um pouco para o lado.

Draco agarrou o paletó de Harry, deslizando-o pelos braços do moreno até tirá-lo completamente e jogá-lo em alguma prateleira. Harry apressou-se em fazer o mesmo, aproveitando para despir o loiro também do colete e desabotoar-lhe desajeitadamente a camisa. A perna da Draco escorregou por entre as de Harry. O loiro moveu os quadris devagar, como se estivesse experimentando. Harry agarrou seus ombros, jogando a cabeça para trás. A boca de Harry permaneceu aberta e os olhos fechados enquanto o loiro movia os quadris junto com os seus próprios, marcando seu pescoço com a boca como podia.

- Draco... – Chamou, baixinho com a voz falha. – Você... Realmente quer fazer isso aqui? – O loiro encarou, sem parar de se mover. Nunca parando de se mover. – Isso é um almoxarifado... Estamos no...

- E daí? – Draco perguntou, abrindo o cinto da calça de Harry com a mesma rapidez com que piscava os olhos. Harry chegou à conclusão de que Draco tinha muita prática em tirar as roupas das pessoas. Mas era melhor ele não pensar nisso agora.

- Draco...

- Olha só pra você. – A mão de Draco brincava com o elástico da cueca do outro. – A primeira vez que eu bati os olhos em você, Harry, com aquelas roupas enormes, todo desarrumado, esses óculos... Eu nem dei muito por você, sabe? – O dedo indicador escorregou para dentro, Harry soluçou. – Mas olhando pra você agora, assim, tão... Lindo. Eu preciso admitir que estava errado. – Sussurrou.

Harry estava com a boca seca e só porque ele tinha certeza que não conseguiria formular nenhuma frase coerente, foi que ele deixou Draco fazer todo o trabalho. A mão de Draco se esgueirou por dentro de sua roupa íntima e Harry teve certeza de que sairia daquele lugar com danos cerebrais permanentes. Sua cabeça girava e seus quadris pareciam ter vontade própria, movimentando-se contra a mão do loiro. Não demorou muito para Harry gozar, aliás, não demorou nada. Seria vergonhoso o quão pouco se ele estivesse se importando com isso no momento.

Harry estava com o corpo encostado à parede, respirando com dificuldade quando Draco o beijou lascivamente. O moreno ainda estava um pouco desnorteado, na verdade, ele estava começando a achar que esse era o efeito Draco Malfoy nele, era para isso que Draco estava ali, deixá-lo completamente sem rumo, sem a consciência de nada a não ser o loiro. Draco estava fechando o zíper da calça, tornando o beijo mais lento até que os dois só ficassem ali com os lábios próximos um do outro, compartilhando o mesmo ar.

- Ahn... Você quer que eu...? – Perguntou, lembrando-se da situação de Draco.

- Seria interessante, sabe? – Draco riu com vontade. O moreno sorriu maliciosamente, puxando o loiro pela cintura.


Vinte minutos depois os dois garotos se esgueiravam para fora do almoxarifado, de mãos dadas e rindo. Draco estava com os cabelos bagunçados, mas pela primeira vez na vida estava pouco se lixando para isso. Podia ser só a felicidade pós-orgasmo, mas ele duvidava. Não era uma revelação momentânea, ele vinha notando isso há semanas. Quando estava com Harry, as pequenas coisas que lhe eram tão importantes tornavam-se supérfluas. E, novamente, ele estava pouco se lixando.

- Isso foi pra você aprender que não precisa ter ciúmes de mim, okay? – Falou Draco, soltando a mão de Harry para abraçá-lo pela cintura.

- Na verdade, acho que eu preciso ficar com ciúmes mais vezes. – Riu, segurando o queixo angular do loiro e beijando-o de leve nos lábios.

- Então, você admite que estava com ciúmes? – Os cantos dos lábios finos do loiro esticaram-se vitoriosamente.

- Cala a boca, Malfoy. – Deu um tapa fraco na nuca do loiro, bagunçando seus cabelos depois.

- Olha, que bonitinho os dois viadinhos. – Uma voz irritantemente sarcástica disse atrás deles.

Draco e Harry viraram-se para ver o grupo de cinco garotos que se aproximava dando risadinhas. Harry viu a máscara de Draco surgir em seu rosto quase que automaticamente, lançando um olhar de desprezo e nojo ao grupo. O moreno reconheceu todos ali como sendo do time de futebol do colégio e ele podia se lembrar de Ron dizendo como o que vinha mais na frente – o qual também os dirigiu a palavra – era presunçoso.

- Dê o fora, McLaggen. – Draco rosnou. – Suma com seu grupinho de vermes.

- Você não está em condições de exigir nada, Malfoy. Quando descobrirem que você não passa de uma bichinha de merda, seu reinado em Hogwarts High acaba. – Disse McLaggen, provocando mais risadinhas nos outros. – Veja só onde você está agora. Crabbe e Goyle não estão por perto para defendê-lo, não é mesmo?

- Cale a boca. – Harry bradou.

- Oh, seu namoradinho gosta de dar uma de valentão? – McLaggen deu um sorrisinho de canto, olhando para Harry com malícia. – Potter, não é? Vamos ver quantos de nós você agüenta.

- Você chegou aqui nos chamando de viadinhos e quer colocar seu time no jogo agora? Enfrente-me como o homem que você pensa que é. – Draco deu um passo à frente. – Ou precisa de seus capangas sem cérebro pra fazer o trabalho por você?

- O que é isso? – McGonagall acabara de virar no corredor em passos rápidos. – Por que vocês não estão na quadra?

- Estávamos tendo uma conversa, Professora. – Disse McLaggen com cinismo.

- Pois bem, dispersem agora. – Ela ordenou com gestos curtos. – A festa não é aqui.

Draco e Harry voltaram à festa tremendo de raiva. Só aqueles idiotas pra estragar tudo mesmo.

Assim que os dois despontaram de volta na quadra, Blaise apareceu um tanto quanto ofegante e falou quase num sussurro, sua voz por pouco não sendo abafada pela música alta.

- Encontrei o garoto do último ano que está com a whiskey, vocês vão querer?

- Não, é melhor eu não chegar perto de álcool hoje. – Harry sorriu envergonhado.

- Eu quero. – Disse Draco, os olhos brilhando em expectativa.

- Então vamos, encha um copo com ponche antes. – Blaise apressou.

- Pode ir, eu vou ver se acho o Ron ou a Hermione.

- Tudo bem, encontro com você depois. – O loiro piscou e saiu em disparada atrás de Blaise.

Harry ficou observando Draco sumir na multidão. Deixando de lado a interferência daqueles idiotas do time de futebol no corredor, o moreno estava tão feliz que podia cair no meio daquela pista e dançar de qualquer jeito até seu corpo se quebrar todo, mas claro que ele não faria isso. Harry deixou de lado o pensamento idiota quando McGonagall passou por ele resmungando, em passos nervosos, elevando a barra do vestido para não tropeçar, dirigindo-se a um casal que dançavam como se fossem se acasalar.

- Por Deus! Parecem babuínos bobocas balbuciando em bando! – Ela passou por Harry murmurando.

Rindo pra si mesmo, Harry foi em direção ao refeitório, achando que Ron e Hermione poderiam estar por lá. Aquele espaço estava definitivamente mudado também. As mesas que eram sempre tão vermelhas estavam agora cobertas por toalhas azuis e as cadeiras eram brancas. As paredes onde normalmente se viam a sigla do colégio agora estavam cobertas por um tecido em tom azul-metálico que fez Harry lembrar-se dos olhos de certo loiro.

Ali, em uma das mesas, comendo como um porco esfomeado, Ron ignorava a conversa de Hermione com Cedric, que estava deslumbrante, Harry logo notou. Usando um smoking negro e uma gravata borboleta perfeitamente alinhada, fazendo seu sorriso parecer ainda mais branco devido ao contraste com as vestes escuras. Hermione usava um longo vestido rosa que descia em babados por toda extensão da saia, tendo um corpete apertado de cetim e mangas tão delicadas quanto os babados ao longo do vestido.

Harry admirava a beleza da amiga enquanto se aproximava, mas sua atenção foi levada a Ron quando este se levantou para se servir novamente no grande Buffet. O ruivo usava as vestes mais ridículas que ele já havia visto e segurando uma risada Harry deduziu que aquilo era do feitio da excêntrica Sra. Weasley, quem ele conheceu no primeiro mês de aula, quando foi convidado a ir à casa do garoto e a senhora logo se mostrou ser muito enérgica. O traje de Ron parecia ter tantos babados quanto o vestido de Hermione.

- Harry! – O ruivo cumprimentou com um sorriso ao notar o moreno que se aproximava. – Você disse que não vinha!

- Hey! Foi decisão de última hora. – Harry deu de ombros.

- Oh, Harry, você está lindo! – Disse Hermione cheia de animação, alisando o traje do moreno.

- Não fale de mim. Olhe só pra você! – Ele pegou a mão de Hermione e a fez dar uma volta em seu próprio eixo. – Ron que me perdoe, mas você está linda, Hermione.

- Obrigada. – Ela disse corando levemente, olhando de esguelha o namorado.

- Cara, você tem que provar o Buffet. Está inacreditável! – Anunciou o ruivo, adiantando-se em direção a longa mesa.

- Com licença, rapazes. – Hermione pediu revirando os olhos e seguindo o namorado, o salto estalando no chão.

- Cedric. – Harry cumprimento com um curto aceno de cabeça. – Como vai?

- Muito bem, obrigado. – O garoto sorriu. – Não sabia que você era um grande fã de bailes.

- Não sou. Nem um pouco. Mas sabe como é, me convidaram e não pude dizer não. – Harry devolveu o sorriso.

- Está aqui com Malfoy? – Cedric perguntou casualmente.

- Estou. Ele foi buscar bebidas.

- Ei, Potter! – Um garoto do primeiro ano gritou da entrada. – Malfoy pediu pra você encontrá-lo no estacionamento.

- Parece que ele já encontrou. – Cedric deu um sorriso de lado e enfiou as mãos nos bolsos.

- É. – Harry sorriu envergonhado. – Tenho que ir.

- Tudo bem. – O moreno passou ao lado do mais alto, que o chamou antes que ele estivesse longe demais. – Você está muito bonito, Harry.

- Você também. – Ele disse sinceramente. – Foi bom falar com você, Cedric. Lembre de me dizer quando será o primeiro jogo. Eu prometi que estaria lá para torcer.

- Eu sou do tipo que cobra promessas. – O mais alto soltou uma risadinha.

- Ótimo! Até mais, então.

Girando sobre seus calcanhares, Harry saiu disparado para o estacionamento, que não era muito distante do refeitório. O local estava vazio e o que quer que Draco tinha em mente, era melhor que fosse muito bom, por que o frio parecia estar tentando cortar seus ossos.

- Veio atrás do namoradinho, Potter? – Harry ouviu a voz insuportável de McLaggen, que agora só era seguido por dois outros garotos, mas que valiam por quatro de tão grandes e musculosos. – Sinto em dizer que está na hora da princesa ir pra casa, já passa da meia noite.

Dito isso, o maior dos três se aproximou de Harry, acertando-lhe com o punho em seu estômago, fazendo o garoto curvar-se e soltar o ar com força. Antes que o moreno pudesse recuperar o ar que perdera, outro soco no lado esquerdo de seu maxilar o fez perder o equilíbrio e ele caiu de joelhos, apoiando-se nas mãos, arranhando suas palmas no concreto sujo.

- Boa noite, Cinderela. – Ele ouviu a voz de McLaggen vir como uma gargalhada e mais um soco o fez cair de lado.

A dor era tanta que as coisas ao seu redor pareciam em câmera lenta. Chutes em seu estômago, pisadas, socos aleatórios e mais e mais e mais chutes. O gosto de sangue em sua boca o cegou e ele só queria desmaiar. Perder a consciência e cair num sono profundo com sonhos agradáveis e só acordar quando aquilo acabasse, se um dia chegasse ao fim.

Antes de ter seu pedido atendido, Harry podia jurar ter ouvido a voz de Draco chamar-lhe e em seus sonhos ele o abraçava. Draco o abraçou até que Harry caiu em seu desejado sono.


Certo, como foi pedido, aqui estão as duas outras versões do primeiro beijo:

1.

A princípio Harry quis se chutar, perguntando-se que merda estava fazendo, mas no segundo seguinte seu coração acelerou de solavanco quando sentiu que estava sendo correspondido. O loiro apertava seus próprios lábios nos de Harry e a mãos, que até então estavam inutilmente caídas ao lado de seu corpo, subiram pelos braços do moreno devagar, apertando, sentindo. Uma mão sorrateira subiu pelos ombros, passando pela nuca, se embrenhando nos cabelos negros.

Passando o outro braço pela cintura do loiro também, Harry inclinou a cabeça, tocando o lábio fino do outro com a língua, gemendo dentro da boca de Draco quando sua língua juntou-se a dele. O beijo rapidamente se tornava sôfrego, querendo provar mais, explorando.

Em busca de ar, Harry desceu os lábios para o pescoço pálido, estalando beijos, mordiscando, lambendo. Draco agarrou mais forte aos cabelos escuros, fechando os olhos, mordendo o lábio inferior e soltando um suspiro extasiado.

- Harry... – Draco chamou no meio do suspiro.

Harry voltou a atacar os lábios macios, a língua não precisando pedir autorização dessa vez. Descendo as mãos pela cintura fina, o moreno puxou as coxas do outro para cima, fazendo-o sentar-se sobre o balcão, pondo-se entre as pernas de Draco.

Enquanto Harry subia a mão pelas coxas do loiro, suas mãos ágeis começaram a puxar a camiseta do moreno de dentro da calça, enfiando-se por debaixo logo em seguida, gemendo ao sentir a pele quente sob suas mãos.

Draco estava prestes a arrancar a camisa de Harry quando um latido ecoou pela antiga casa. Ambos pularam de susto. Tão rápido quanto subiu o loiro desceu do balcão, olhando em direção a entrada.

2.

Enlaçando a cintura fina com um braço, Harry acabou com a distância entre seus corpos e colou o do loiro ao seu. Girando ambos, o moreno prensou Draco contra o balcão e sem esperar por nenhuma reação, uniu seus lábios num beijo voraz, exigente, esfomeado.

A princípio Harry quis se chutar, perguntando-se que merda estava fazendo, mas no segundo seguinte seu coração acelerou de solavanco quando sentiu que estava sendo correspondido. O loiro exigia mais dos lábios de Harry com a mesma ansiedade e a mãos, que até então estavam inutilmente caídas ao lado de seu corpo, subiram pelos braços do moreno devagar, apertando, sentindo. Uma mão sorrateira subiu pelos ombros, passando pela nuca, se embrenhando nos cabelos negros.

Passando o outro braço pela cintura do loiro também, Harry inclinou a cabeça, acompanhando a dança frenética de suas línguas. Conforme a necessidade de experimentar o outro ia sendo satisfeita, o beijo foi se acalmando, suas línguas entrando então no ritmo de uma valsa lenta e bem compassada, quase como se estivesse há tempos ensaiada.

Harry afastou-se o suficiente para olhar o rosto angular de Draco, que abria os olhos lentamente, receando que estivesse apenas acordando de um sonho. Então, quando as íris verdes-esmeralda encontraram as azul-prateadas, eles sorriram. Um sorriso cúmplice e satisfeito.

Com um acordo silencioso, Draco buscou os lábios avermelhados de Harry novamente, pronto para voltar com o ritmo viciante da valsa, quando um latido ecoou pela antiga casa. Ambos pularam de susto.

Marcia BS, Patt Joger, Deh Isaacs, Marina Feltcliffe, Freya Jones, Ines G. Black, Yann Riddle Black, obrigada por todos os comentários. É uma crise de risos que nós temos com certos comentário. E saibam que nós levamos a opinião de você a sério. Sim, sabemos que tem certa enrolação, mas não dá pra dar tudo de bandeja, né? Mas vejam, nesse capítulo as coisas parecem estar melhorando, uh?

Respondendo a pergunta da Marina Feltcliffe: Bem, eu acho que, a que você diz ser mais direta sou eu, Paula, e a mais detalhada é Carol. Nesse capítulo, por exemplo, quem escreveu o começo fui eu, e eles se arrumando para o baile, até o momento do beijo na limusine, foi Carol. Então, você vê se nossa dedução está correta. HAHA Obrigada pelo comentário!

Espero que tenham gostado desse capítulo, mesmo com esse final um pouco tenso. O que vai acontecer com o Harry? D: Mil beijos. Até semana que vem.