Capítulo 15
Happy children
Harry passou a manhã toda na expectativa de ver Draco, mesmo sabendo que ele só viria após sair do colégio. Quando a hora se aproximou, o moreno pediu à mãe que tirasse as bandagens para que ele pudesse tomar banho. Assim que o filho fez o pedido, Lily entendeu seu propósito.
Depois de passar meia hora penteando o cabelo – enquanto Lily colocava as bandagens de volta –, tomar um banho de perfume e colocar a camisa a qual Draco mais gostava, Harry voltou pra cama e acomodou-se ali depois que sua mãe trocou a roupa de cama e afofou os travesseiros. Claro que Harry adorava a mordomia, mas queria voltar pro colégio logo.
Sirius, Remus e Tonks apareceram pouco tempo depois. Sirius sentou na beirada da cama e Lupin estava trás dele, encostado no dossel, enquanto Tonks observava cada um dos porta-retratos espalhados pelo quarto, fazendo um comentário aqui e ali – a maioria sobre Sirius.
- Então, Harry, tem algum filme que você esteja querendo ver? – Sirius perguntou. Harry achava engraçada a maneira como o padrinho era completamente viciado em filmes. E com a risadinha que Remus deu, Harry percebeu que ele compartilhava da mesma opinião.
- Não, eu acho que não. Mas um de terror seria bom. Oh, acabei de lembrar. Aquele Atividade Paranormal do qual todos estão falando, você já viu?
- Ah, sim. – Sirius riu. – Assisti com o Moony. Ele quase chora.
- Oh, eu quase choro? Se eu bem me lembro, foi você quem implorou para que eu dormisse na sua casa. – Remus disse com um sorriso de lado.
- Eu acho que eu me lembraria disso. – Sirius olhou pro amigo por cima do ombro. – Admita logo que o filme foi demais pra você.
- Ah, é verdade, foi demais. – Ele riu. – E você, sabendo que eu estava morrendo de medo, correu pro meu quarto no meio da noite com um cobertor lhe cobrindo do pescoço pra baixo. Isso sim foi demais pra mim.
Harry deu uma gargalhada e Tonks mostrou que não estava tão concentrada nas fotos quando o acompanhou. Sirius soltou um muxoxo e deu de ombros impacientemente. Remus deu um soco fraco no ombro dele como quem diz que está apenas brincando.
- De qualquer forma... Eu sei que tem um novo que se passa em Tóquio. Esse eu ainda não vi. Durante a semana eu trago pra gente assistir e garanto a você que vou dormir sozinho.
- Ah, claro que vai, Padfoot. – Harry, Lupin e Tonks riram novamente.
Foi no meio das risadas que Harry viu Draco parado à porta. Algo acionou uma alavanca dentro de Harry e seu coração estava batendo muito rápido antes que ele pudesse perceber. Seus lábios finos esticaram-se no sorriso mais sincero que ele se lembrava de ter dado e ele nunca sentira tanta vontade de beijar o loiro.
Draco sorriu de volta pra ele e o leve tom róseo que se instalou nas bochechas do loiro fez Harry imaginar que talvez existisse a mesma alavanca no peito do loiro.
- Hora de ir, Padfoot. – Remus disse puxando Sirius pelo braço. – Tonks, por que você não terminar de ver as fotos mais tarde?
- Hm? – Tonks virou-se e viu Draco. – Hey!
- Vamos, vamos, vamos. – Remus apressou puxando Sirius com mais força e fazendo um sinal para Tonks.
- Já estou indo! – Sirius resmungou deixando-se ser arrastado pra fora por Lupin.
- Até mais tarde, Harry. – Tonks disse sorrindo por sobre o ombro.
Harry não estava prestando atenção nos resmungos de seu padrinho, nem na ansiedade de Lupin em tirá-lo do quarto, nem na despedida de Tonks. O moreno apenas manteve o olhar sobre o lindo loiro que sorria para ele.
Assim que o quarto esvaziou, Draco adentrou rapidamente, cortando a direção entre os dois e tomando os lábios de Harry com tanta ânsia que o moreno não pode segurar um gemido de aprovação. Logo ele já estava correspondendo com a mesma fome, segurando o rosto angular com carinho. Os dois se separaram apenas por falta de ar e sorriram.
- Senti sua falta. – Harry disse contra os lábios do loiro.
- Eu também senti a sua. – Draco sorriu. – Que se dane meu pai, eu não vou passar nem mais um dia sem te ver.
- Oh, por favor, não pense em fazer isso de novo.
Harry beijou o loiro novamente, a mesma ânsia exigindo mais contato. Draco se viu sentado no colo do moreno antes que pudesse perceber, suas mãos se embrenharam nos cabelos revoltos como se tivesse vida própria e ele gemeu na boca do outro quando este acariciou suas costas por debaixo de sua camiseta e casaco.
- Oh, sim, eu senti sua falta. – Harry gemeu descendo os lábios para o pescoço pálido de Draco.
- Harry! Seus pais estão lá embaixo. – Draco afastou-se o suficiente para que Harry não alcançasse seus lábios facilmente. – Eu realmente não quero que a cena do hospital se repita. Até por que dessa vez seria muito pior.
Com Harry resmungando, Draco se jogou ao lado dele na cama e suspirou sorrindo.
- Quem é aquela mulher que estava aqui? Não me lembro dela.
- Oh, é prima do Sirius... – Harry parou um momento. – Ela é sua prima também! Legítima!
- Como? – Draco levantou uma sobrancelha.
- É verdade! A mãe dela é a irmã da sua mãe, Andrômeda.
- Oh! Ela está hospedada na casa do seu padrinho?
- Está. Sua mãe não sabe que ela está aqui?
- Não sei. – Draco entornou a boca e Harry sentiu vontade de beijá-lo novamente. – Eu acho que não. Ela teria me dito alguma coisa.
- Draco? – Harry chamou quando o loiro ficou encarando o teto em silêncio por alguns longos segundos.
- Sim? – O loiro virou para olhá-lo.
- Sabe, eu realmente senti sua falta.
Draco deu uma gargalhada alta e Harry não pôde impedir um sorriso feliz de se espalhar em seu rosto. Assentindo em entendimento, Draco voltou a sentar-se em seu colo e juntou seus lábios aos do moreno novamente, dessa vez começando com um beijo calmo.
Eles passaram longos minutos apenas com carinhos e beijos, algumas vezes mais provocantes, mas desacelerando logo em seguida, ficando calmo novamente. Draco observou o rosto do moreno quando eles se separaram para recuperar o fôlego. O loiro traçou cada detalhe como se quisesse gravá-los e seu dedo indicador deslizou pela bochecha de Harry, subindo pela têmpora a qual ele sabia que estava arranhada e descendo pelo maxilar, traçando até o queixo e subindo para contornar os lábios sorridentes.
As íris verdes brilhavam como nunca e Draco sorriu sentindo o calor das mãos de Harry em suas costas, fazendo carinho devagar. O loiro colocou a mão por debaixo da camisa do moreno e o beijou calmamente enquanto acariciava as bandagens.
Ao separar seus lábios novamente, Draco colou suas testas, roçando seus narizes carinhosamente e Harry quis rir. O moreno quis rir realmente alto, por que ele estava tão apaixonado pelo loiro sentado em seu colo que parecia bobo e ele se sentia a pessoa mais feliz do mundo.
Harry abraçou Draco apertado, ignorando qualquer recomendação médica, por que Draco era tudo o que importava naquele momento.
- Fica comigo. – Harry pediu beijando a curva do pescoço do loiro.
- Eu estou com você. – Draco olhou para Harry confuso.
- Não, fica comigo pra sempre.
A seriedade na voz de Harry fez Draco olhá-lo no fundo dos olhos profundamente. Não parecia ser o tipo de coisa que se diz depois de uma longa – muito longa – sessão de amassos, mas que depois seria esquecida. Draco viu que Harry estava falando sério. Era um pedido verdadeiro. Em resposta Draco o beijou deixando que a paixão guiasse sua boca na de Harry, deixando que o moreno sentisse seu coração batendo acelerado de encontro ao seu, deixando Harry saber que ele ficaria.
Draco deitou a cabeça no peito de Harry e entrelaçou seus dedos. Com a outra mão Harry acariciava os cabelos loiros e macios. Ele nunca pensou que poderia se sentir tão feliz. Antes que pudesse perceber, porém, Draco havia se levantado para pegar a mochila que deixara caída no meio do quarto, voltando para a cama em seguida.
- Eu tenho uma coisa pra você. – O loiro disse mexendo na mochila. – Creevey me entregou hoje. São as fotos do baile.
Draco tirou um envelope bege da mochila e entregou a Harry. Ansioso, Harry rasgou o lacre e tirou as fotos. Havia pelo menos dez fotos ali e Draco aconchegou-se ao seu lado para vê-las também. As duas primeiras eram deles juntos e era difícil dizer quem sorria mais. As duas seguintes eram de Draco sozinho, as mãos nos bolsos displicentemente e um sorrisinho satisfeito nos lábios.
- Minha mãe vai fazer uma festa com essas fotos. – Disse Draco rindo.
- Ah, nem me fale. A minha vai querer ampliá-las e pendurar pela casa toda. – Harry revirou os olhos.
As duas seguintes eram as de Harry. Um sorriso envergonhado e as bochechas adoravelmente coradas fizeram Draco sorrir, mas o moreno as passou mais rápido que as quatro primeiras. As seguintes eles não se lembravam de ter tirado. Havia duas nas quais eles estavam sentados na mesa, aparentemente conversando e Harry se lembrou que fora um pouco antes de eles irem ao almoxarifado. Tinha uma onde Draco dançava com Pansy na pista e Harry não se agradou da aproximação dos dois – mesmo que eles ainda estivessem pelo menos a dois palmos de distancia.
- Creevey resolveu dar uma de paparazzi? – Draco resmungou. – Se ele vender essas fotos eu juro que eu...
- Draco, relaxe, ele não faria isso.
A outra era de Harry segurando a mão de Hermione após – ou antes – de pedi-la para dar uma volta e ao seu lado Draco resmungou baixinho. A próxima eram Draco e Blaise ao lado do ponche enquanto esperavam pelo quartanista que tinha a bebida. A última, porém, fez Draco voar para buscá-la, bufando de raiva. Eram Harry e Cedric conversando cheio de sorrisos.
- Draco, não! – Pediu Harry. – É apenas uma foto.
Draco apenas fez uma careta e olhou para o outro lado.
- Tem problema se eu ficar com uma dessas? – Draco virou-se para ver que o moreno segurava uma foto dele sozinho onde a luz fez seus olhos brilharem azuis.
- Posso saber por que você quer uma foto minha? – O loiro levantou uma sobrancelha com um sorrisinho.
- Por que você é lindo e eu não consigo evitar. – Harry respondeu com ar de obviedade.
Draco riu e tirou todas as fotos das mãos de Harry, jogando-as de lado e subindo no colo dele novamente, colocando os joelhos um de cada lado de seus quadris, beijando-o com voracidade.
Ao se separar, já ofegante, Draco olhou ao redor, as mãos ainda nos ombros do moreno corado a sua frente.
- Acho que não vai ter lugar para mim nas suas prateleiras. – Draco disse olhando todos os porta-retratos espalhados no cômodo.
- Ah, não se preocupe. – Harry sorriu. – Eu arrumo um lugar.
Draco se levantou, ignorando os protestos de Harry, e começou a andar pelo quarto observando as fotos com atenção, silenciosamente. O loiro parou na frente de uma foto onde Harry não devia ter mais de três anos e segurava um pirulito na mão, tendo na boca um sorriso radiante. A camisa listrada estava toda babada e suja, assim como as bochechas da criança,
- Olha só que criança feliz! – Draco riu. – Agora eu sei que você é assim desde pequeno.
- Sim, eu sou feliz e não vejo problema nisso. – Harry levantou uma sobrancelha para o loiro em pé no centro do quarto.
- Eu também não. – O loiro deu de ombros e virou-se para Harry. – Você pretende ter filhos?
- Claro! – Harry sorriu. – Pelo menos cinco. E você?
- Cinco? – Ele exclamou com ar de riso e incredulidade. – Acho que dois é o suficiente.
- Já pensou em algum nome?
- Hm... Não. Ainda não. Você já? – Draco sentou-se na beirada da cama e observou Harry enquanto este pensava.
- Na verdade, sim. – Harry assentiu. – O mais velho seria Samuel, mas iria ser chamado pelo apelido, Sam.
- Samuel? – Draco bufou. – Meu filhou não vai se chamar Samuel.
Harry voltou o olhar pro rosto de Draco imediatamente e arregalou os olhos. A percepção do que havia dito pareceu atingir o loiro pouco tempo depois, fazendo-o corar mais forte do que ele imaginou que um dia seria capaz.
- Seu filho? – O moreno sorriu. – Você está planejando ter filhos comigo, Draco?
E como se ainda fosse possível, o loiro corou ainda mais. Harry deu uma gargalhada.
- Seria engraçado, sabe? Eu imagino nas noites de domingo, o Ron indo lá em casa para assistir a final de futebol comigo e você reclamando por que os gêmeos não querem fazer o dever de casa e a mais nova não quer comer. – Draco deixou um sorriso aparecer em seus lábios. – Então nós discutiríamos e ficaríamos com raiva um do outro, mas antes de dormimos eu deitaria ao seu lado na cama e te abraçaria, pedindo desculpas, dizendo que eu estava errado, dizendo que eu te ajudaria.
Draco pegou-se se agarrando em cada palavra que o moreno dizia. Sua atenção estava toda voltada para a criação dessas imagens em sua mente e ele sorriu ainda mais por ser incrível imaginar o quanto ele queria aquilo.
- Mas você, sempre cabeça dura, iria fazer birra e resmungaria até que eu o obrigasse a olhar pra mim. – Harry continuou. – Seus olhos encontrariam os meus e eu te beijaria com calma, só pra depois ver o lindo sorriso que você dá sempre que nos beijamos. Eu te puxaria para mais perto de mim e você me perdoaria, para logo depois pegar no sono. Eu ainda ficaria olhando-o por algum tempo, dormindo tranqüilo, sentiria sua respiração calma no meu rosto e sussurraria palavras carinhosas que no outro dia você juraria que foi apenas um sonho.
Draco engatinhou na cama para deitar ao lado de Harry e voltar a olhar as fotos do baile. Ele queria muito dizer ao moreno o quanto ele desejava tudo aquilo, mas parecia cedo demais. Mas a verdade era: Draco estava tão apaixonado pelo moreno que acariciava seu braço que nenhum sonho parecia distante ou impossível.
Agradecimentos especiais a: MarciaBS, Marina Feltcliffe, Yann Riddle Black, Ines G. Black, Fafis, Maru, Pandora Beaumont, Thomaz Volk, PattJoger, Reira Malfoy-Potter, Mila Pink. Ficamos muito felizes em receber a opinião de vocês!
Passamos de 100 reviews! YAAAAAAAAAAY! Muito obrigada, seus lindos!
Um feliz ano novo pra todos vocês! Muito obrigada a quem está conosco esse tempo todo, e que no próximo ano vocês continuem. Agradecemos por todas as reviews, os hits que crescem a cada capítulo e toda essa fofura de vocês! Nossa promessa pro próximo ano é: o capítulo 16 vem ai com o que vocês todos estão esperando! ;)
Mil beijos e feliz ano novo!
