Capítulo 16
I wanna do bad things with you

Na sexta feira de manhã, enquanto Draco estava no colégio, Harry foi ao hospital para em fim tirar as bandagens e a tala do braço. O período que passou recluso em casa fez com que Harry perdesse a noção do tempo. Eles estavam a menos de três semanas do Natal e Harry tinha esquecido completamente.

As casas já estavam começando a ser decoradas para as festas de fim de ano e Lily arrastou Harry por algumas lojas para comprar enfeites para a árvore deles daquele ano.

Ao voltarem pra casa, já passava da hora do almoço e Harry aproveitou para mandar um SMS para Draco, avisando que ele estava enfim livre das lembranças da surra de duas semanas atrás. O loiro não demorou a responder, dizendo que eles tinham que comemorar.


Cinema lotado. Aparentemente, todos na cidade queriam ver Atividade Paranormal 3. Draco e Harry não eram muito diferentes. Era sexta-feira e Harry tinha acabado de tirar a tala do braço, nada mais justo do que uma comemoração assustadora. Depois de uma semana trancado em casa, vendo filmes nem sempre tão bons com a família, ele precisava de um momento inteiramente sozinho com Draco. Nada melhor – ou mais clichê – que ir ao cinema.

Após alguns momentos de tensão na sala, Harry já estava entediado. Atividade Paranormal era o tipo de filme que testava sua paciência, afinal, nada acontecia quando você achava que ia acontecer e ele estava seriamente aborrecido. Virou para o lado e encarou Draco. O loiro tinha o corpo todo tenso e agora abraçava as pernas, apoiando o queixo nos joelhos.

Com um sorriso maroto, o moreno subiu o encosto de braço que separava as duas cadeiras e inclinou-se para depositar um beijo na bochecha gelada pelo frio da sala. Draco estremeceu de leve e o olhou de esguelha, desconfiado. Mas logo voltou sua atenção para o filme, prendendo a respiração. Incomodado, Harry tentou novamente. Desta vez, ele chegou a morder a bochecha do loiro.

- O que você quer? – Resmungou Draco.

- Estou entediado. – Murmurou em resposta. Seus dedos escorregaram pelo braço de Draco levemente.

- Ver esse filme foi sua ideia, Harry.

- Eu sei, mas agora não quero mais. – Beijou o ombro do loiro. – E você não pode dizer que está gostando de assistir isso.

- É um filme interessante, está bem? – Draco não queria, mas estava começando a relaxar e seus pés agora escorregavam da cadeira.

- Mentiroso.

Harry segurou o rosto do loiro com as duas mãos, olhando em seus olhos. Os pés de Draco escorregaram de vez da cadeira ao que ele soltava suas pernas. Sua cabeça girou quando sentiu os lábios de Harry contra os seus e a língua do moreno invadindo sua boca. Mãos pareceram ter vida própria ao que seus dedos agarraram os cabelos negros. O gemido que Harry deixou escapar dentro de sua boca correu por todo o seu corpo, arrepiando os pelos de sua nuca e estremecendo-o.

Ele sentiu uma das mãos em seu rosto escorregar para puxá-lo pela cintura mais para perto do corpo de Harry. O ar parecia fugir de seus pulmões ao que o beijo ficava mais e mais necessitado e intenso. No entanto, nesse momento, o moreno decidiu se afastar e concentrar-se em seu pescoço. Soltou os cabelos de Harry para enfiar uma das mãos na camisa do outro, sentindo os músculos do abdômen se contrair com o choque térmico. Completamente concentrado nas sensações, Draco mal sentiu quando a mão que repousava em sua cintura desceu para sua coxa e, dali, subiu até dedos ágeis desabotoarem sua calça.

Com um soluço assustado, Draco empurrou Harry de volta para a outra cadeira e o encarou com os olhos arregalados. Ele se sentiu um tanto feliz, porque no escuro do cinema, ele não podia ver as bochechas coradas ou os lábios avermelhados do moreno e não se distrairia.

- Harry Potter, o que você pensa que está fazendo? – Perguntou com a voz falha.

- Achei que fosse óbvio. – O tom de Harry não apresentava nada além de divertimento.

- Ora, seu idiota! Estamos num local público! – Exclamou irritada com a tranquilidade do moreno. – O que aconteceu com sua timidez?

- Você tem esse efeito em mim. – Respondeu, a voz soando mais séria. Chegou mais para perto, acariciando o rosto do loiro com as costas da mão. – Eu esqueço tudo quando estou com você.

Eles estavam próximos demais novamente, tão perto que Draco podia sentir a respiração acelerada do moreno contra seus lábios. Por um momento, ele se permitiu encarar os olhos muito verdes e seu coração acelerou com o que viu ali. Mesmo no escuro, o loiro podia ver as emoções estampadas nas íris brilhantes. Um suspiro abandonou sua boca e seu corpo relaxou, Harry sorriu, sabendo que havia ganhado. O moreno beijou os lábios avermelhados de leve.

- Não ache que é só falar coisas bonitas e vai ficar tudo bem. – Resmungou o loiro, pouco convincentemente, mantendo os olhos fechados.

- Nunca achei. – Murmurou, beijando-o novamente.

Gritos ecoaram na sala e ambos pularam de susto. Haviam esquecido completamente onde estavam. Harry encarou Draco, sem segurar o riso enquanto o loiro tinha uma expressão mal humorada, nada feliz com a interrupção.

- Talvez seja melhor voltarmos ao filme. – Sugeriu Draco.

- Concordo. – Harry puxou o loiro pelos ombros, o abraçando.

Draco deitou a cabeça no ombro de Harry, passando o braço pela cintura do moreno. Tentou se concentrar no filme, mas Harry insistia em acariciar seus cabelos distraidamente. Ele não estava reclamando, é claro. Quem poderia pensar em Atividade Paranormal estando nos braços de Harry Potter?

Ao fim do filme Draco tinha o rosto escondido no peito de Harry e as mãos torciam o tecido da camisa do moreno. Conforme as luzes iam acendendo, algumas pessoas lançavam olhares confusos para os dois, outras estavam preocupadas demais em proteger suas próprias costas dos sustos visto no filme para se preocupar com os dois.

- Acabou, Draco. – Harry sussurrou para o loiro.

Harry ria enquanto Draco afrouxava o aperto em sua camisa e levantava a cabeça. As bochechas rosadas e os cabelos levemente bagunçados o deixavam ainda mais sexy.

- Dá próxima vez eu escolho o filme. – Draco resmungou passando a mão pelos cabelos, colocando-os de volta no lugar.

- É justo. – Harry sorriu. – Aonde vamos agora? Ou você pretende ir pra casa?

- Não. Eu pensei em passarmos em uma das lojas do seu pai, pegarmos algo pra comer e irmos pra casa do seu padrinho aproveitar o tempo. Ou ele está em casa?

- Dificilmente. – Ele deu de ombros. – É ótimo plano, vamos.


Harry estacionou na frente da lanchonete Potter's mais próxima e pediu que Draco o esperasse no carro. Após fazer o pedido no balcão, o moreno aproveitou o momento para ligar para Sirius e confirmar se ele estava ou não em casa.

- O que você quer moleque? Não me diga que você e seu namorado foram presos.

- Oh, olá, Sirius. Como você está? Eu estou muito bem, obrigado por perguntar. – Harry revirou os olhos em diversão. – Não, Padfoot, não fomos presos. Eu só queria saber se você está em casa.

- Não. Estou com o Moony, por quê?

- Posso pedir que você não vá pra casa até eu sair de lá? – O moreno mordeu o lábio e fechou os olhos enquanto falava.

- Eu não pretendo chegar em casa cedo... – Sirius parou por um segundo e pareceu ter sugado todo o ar do mundo. – Você está planejando fazer de minha casa um motel? Ora, você não me respeita, moleque?

- Por favor, Padfoot. Não estou pedindo nada demais.

- E você espera que eu abra minhas portas pra você e seu namoradinho ficarem de sacanagem debaixo do meu teto? – Sirius pareceu ter piedade e baixou a voz, mas ainda bufou.

- Parece que você nunca teve minha idade! – Harry suspirou. – Me ajuda, Padfoot, por favor. Eu juro que passo o resto do ano sem te pedir mais nada.

- Oh, mas que oferta tentadora. – Sirius soltou um muxoxo – Não chegue nem perto do meu quarto, está ouvindo? Melhor, nem pise naquele andar.

- Obrigado, Padfoot. – O moreno deixou um sorriso enorme adornar seus lábios.

- Ah, você está me devendo uma enorme, garoto, não fique tão feliz. – Sirius tentava soar sério, mas acabou rindo.

- Certo. Obrigado mesmo assim. Tchau.

Harry desligou no momento exato em que seu pedido ficava pronto. Ainda sorrindo, o moreno voltou para o carro e colocou os pacotes no colo de Draco, que o olhava com uma expressão interrogativa.

- Sirius não está em casa. – Ele disse antes que a pergunta viesse.

Se Harry não tivesse tão concentrado em fazer a manobra pra tirar o carro de onde estava estacionado e em seguida dar a volta para dobrar na esquina, ele teria visto o sorrisinho que apareceu nos lábios de Draco.


- Eu só conheço esse corredor, a cozinha, a sala e o seu quarto nessa casa. – Draco disse assim que eles adentraram o corredor de entrada. – Oh, e o quarto da tapeçaria. Mas acho que deveria conhecer o resto já que a casa também é da minha família.

- Certo, faremos um tour pela casa toda assim que terminamos de comer, está bem? Tem lugares aqui que nem eu conheço. – Disse Harry entrelaçando seus dedos com os de Draco e levando-o em direção da cozinha.

Era verdade que a Mui Antiga e Nobre Casa dos Black era muito maior que a Mansão Malfoy, mas Draco nunca admitiria isso em voz alta. Eles estavam agora no segundo andar, onde havia três portas de um lado, duas do outro e uma porta dupla no fim do corredor.

Draco fechava a primeira das três portas, onde era o quarto de sua mãe, quando Harry estava saindo do seu próprio, que era a porta dupla de madeira escura e entalhada.

- Eu sempre achei que seu padrinho estava sendo sarcástico quando falava sobre adorar minha mãe. Mas eu acho que ele falava sério.

- Eu também. Mas convenhamos, Draco, não dá pra não gostar da sua mãe. – Harry disse sorrindo.

- Oh, é mesmo? – O loiro cruzou os braços e levantou uma sobrancelha para o moreno. – Estou começando a achar muito suspeita essa adoração toda que você tem pela minha mãe.

- Não seja idiota. – Ele riu enquanto se aproximava de Draco com passos felinos. – É claro que eu prefiro de você.

- Por que eu acreditaria em você? – Draco tinha um sorriso malicioso brincando em seus lábios.

- Talvez se eu puder provar...

No segundo seguinte Draco estava sendo prensado contra a parede e Harry o beijava com uma fome inigualável. Era um tanto quanto estranho como ele nunca enjoava do gosto dos lábios do moreno, pelo contrário, aquele sabor parecia viciante. Quanto mais de Harry Draco tinha, mais ele queira.

Harry escorregou uma de suas pernas para entre as de Draco e moveu os quadris, apreciando o gemido emitido pelo loiro que o puxava pela cintura com mais força do que talvez fosse necessário. Choques subiam pela espinha dos dois, como correntes elétricas que os rodeavam.

Com um gemido de aprovação quando Harry desceu para seu pescoço, Draco subiu suas mãos pelas costas do moreno, puxando sua camisa junto, fazendo o garoto parar de distribuir os beijos por alguns segundos para ter a camisa arrancada e jogada no chão em seguida.

A série de arrepios que eriçaram os pêlos de sua nuca enquanto as mãos do loiro exploravam o abdômen e o peito de Harry era tão intensa que sua vista escureceu por um segundo. Aproveitando que Harry voltou com ânsia para seus lábios, Draco fechou os olhos, concentrado-se nas sensações. A língua de Harry dançando no mesmo ritmo da sua, os pequenos movimentos que sua perna fazia entre as suas, fazendo seu chão tremer, os músculos que se contraiam a cada toque mais ousado. Seu peito estava prestes a explodir e ele mal percebeu quando Harry colou mais seus corpos e o desencostou da parede, guiando-o em direção a porta dupla no fim do corredor.

Harry tinha agora uma mão na cintura de Draco e outra em sua nuca, impedindo-o de sequer pensar em partir aquela dança magnífica na qual suas línguas se encontravam – não que Draco estivesse planejando fazê-lo.

No segundo seguinte Harry deitava sobre Draco na cama calmamente, puxando sua camisa em seguida, jogando-a no chão. O contato entre seus troncos nus fez com que ambos se arrepiassem, exigindo mais.

Era um sonho. Uma mão atrevida descia e subia por suas pernas cada vez mais perto de sua virilha e ele sentia beijos ora leves ora fortes no pescoço. Algo macio roçava seu queixo, fazendo cócegas. Draco riu baixinho. Quando ele sentiu uma coisa molhada tocar seu mamilo, seu cérebro voltou a funcionar parcialmente, ele percebeu que a mão em sua coxa era de Harry, aquilo macio em seu queixo era o cabelo de Harry e a coisa envolvendo seu mamilo era a língua de Harry.

Draco abriu os olhos e deu pulo de susto. Ele chegou se preparar para falar, mas a língua do moreno abandonou seu peito para invadir sua boca. Sentiu o peso parcial do corpo de Harry contra o seu e a ereção crescente roçando sua coxa. Draco apenas fechou os olhos e se deixou levar. De novo.

- Eu quero você, Draco. – Harry murmurou na sua melhor voz cheia de más intenções.

Ele sabia que Draco tinha medo de partir para esse nível. Ele sabia que o loiro nunca havia estado com outro garoto antes e que tudo era muito novo. Por isso ele não deu tempo para que Draco entrasse em pânico e foi logo tomando a boca do outro num beijo faminto.

A mão que apertava a coxa de Draco escorregou mais para cima, trabalhando lentamente no zíper do rapaz, com receio de que o loiro fosse fugir com outro susto. Harry se surpreendeu quando Draco levantou o quadril para ajudá-lo a retirar as calças e a cueca preta boxer. Sem soltar a boca do loiro em momento nenhum, Harry deslizou a mão pela coxa dele novamente, subindo rapidamente e fechou-a na ereção do loiro, movendo para cima e para baixo. Ele sentia os ofegos de Draco dentro de sua boca e permitiu que seus dedos se apertassem em volta do membro do loiro. Harry depositava pequenos beijos de boca aberta no pescoço alvo, tentando não se deixar distrair pelos sons que Draco emitia – que o loiro juraria que não fez mais tarde – e pelo seu nome que saía cada vez mais alto.

Harry esticou a mão até o criado-mudo ao lado da cama, agradecendo a si mesmo por ter deixado as coisas próximas. Draco não pareceu ter percebido seu movimento, aliás, ele parecia completamente submerso em seu mundinho de prazer. O loiro estava sendo estimulado por Harry de uma maneira quase torturante.

Harry distribuiu beijos pelo peito imaculado do loiro, descendo na direção da ereção do outro. Draco estava implorando e Harry tinha certeza de que ele faria qualquer coisa que pedisse agora, mas não era assim que ele queria. Harry não queria que Draco se arrependesse logo depois. Por isso, ele soltou o membro do loiro.

Draco o observou com os olhos um tanto fora de foco e a boca entreaberta na reclamação que ele não tinha voz para deixar escapar. Harry colocou uma quantidade que ele achava ser suficiente nos dedos e, antes que Draco tivesse o cérebro funcionando 100%, adicionou um dedo na entrada do loiro.

- Mas o que... – Draco ia perguntando, provavelmente por causa do dedo intruso.

Harry sentiu vontade de rir da cara de confusão e surpresa de Draco quando o entendimento do que estava acontecendo o atingiu. Mas antes de o loiro tivesse tempo para entrar em pânico, Harry o beijou. Levando em conta a arqueada que o corpo de Draco deu e o som estrangulado que escapou direto para dentro da boca de Harry, o moreno tinha acertado exatamente aquele ponto especial.

Draco cravou as unhas em seus ombros e jogou a cabeça para trás, quebrando o beijo. Foi a deixa que Harry precisava para voltar a atacar o pescoço do outro, distraindo-o o tanto quanto possível. E mais facilmente do que o moreno havia imaginado ele tinha dois dedos dentro de Draco preparando-o para algo que com certeza era maior, modéstia à parte.

- Você está bem? – Harry perguntou, a voz soando mais rouca do que ele planejara.

Os olhos de Draco estavam fechados e ele estava procurando mais e mais contato com os dedos de Harry, finalmente apreciando a coisa. O loiro balançou a cabeça num sinal positivo e gemeu mais alto, rebolando contra os movimentos do braço do moreno. Harry precisou de todo seu autocontrole para não gozar ali com aquela visão. Ele adicionou outro dedo. Draco mantinha os olhos apertados e Harry não queria mesmo machucá-lo.

- Olha pra mim. – Harry pediu e Draco abriu os olhos e o encarou. Suas bochechas estavam coradas, seus lábios violados pelos beijos. E ele estava tão adorável, sexy, gostoso e tudo de uma vez só que o coração de Harry acelerou mais ainda. – Vai doer um pouco de primeira, mas eu prometo que vai melhorar. Você pode me dizer para parar quando quiser. Não precisamos fazer isso se você não se sentir confortável.

Harry estava realmente surpreso por sua voz não ter falhado nenhuma vez ao dizer aquilo. Ele retirou os dedos quando percebeu que já era suficiente e pegou uma camisinha, abrindo-a com os dentes. Colocou-a em sua ereção e espalhou mais lubrificante. Draco o observando o tempo todo, sem dizer nada. Quando Harry olhou nos olhos cinzentos de novo, havia um misto de desejo, ansiedade e nervosismo nas íris obscurecidas.

- Vai com calma, okay? – Pediu, corando violentamente.

Harry teria rido de felicidade se seu corpo não estivesse precisando de Draco tão desesperadamente. Então, ao invés disso, ele concordou com um aceno de cabeça e se posicionou na entrada do loiro.

Porra. O palavrão ecoou na sua mente. Draco era apertado demais e Harry não queria machucá-lo. Não mesmo. Nunca. Ele entrou aos poucos, com o máximo de cuidado possível nessa situação. As pernas do loiro se apertaram em volta da sua cintura e os olhos cinzentos se fecharam. Sua respiração estava apertada e os gemidos que lhe escapavam eram mais de dor do que qualquer outra coisa.

Mas antes que Harry pudesse dizer alguma coisa, Draco o puxava mais para perto com as pernas e o mantinha exatamente onde estava. O loiro o beijou, sem deixar espaço para o moreno protestar e quando eles interromperam o toque para tomarem ar, tudo o que Draco disse foi para ele se mexer logo de uma vez.

Harry sorriu de leve, agradecendo a todos santos conhecidos, porque mais um pouco parado e ele explodiria. Começou lento, apreciando a sensação que era estar dentro de Draco. Um lado dele queria aquilo rápido e selvagem, mas uma parte ainda estava preocupada. Sem perceber, ele havia fechado os olhos e só os abriu quando o loiro o chamou.

- Dá pra você me foder de verdade, Potter? Eu não sou uma garota, eu não vou quebrar. – Draco disse, cheio de ironia e provocação.

Harry arqueou as sobrancelhas, então era assim que ele queria? Bem, nesse caso...

Draco franziu a testa e abriu a boca para reclamar quando Harry retirou seu membro de dentro de si, mas Harry sorriu malicioso e entrou de volta com tudo. O gemido que escapou por entre os lábios do loiro pareceu mais um grito sufocado e o moreno não deu tempo para seu cérebro funcionar corretamente. Ele segurou a cintura de Draco, entrando e saindo com cada vez mais força, indo tão fundo quanto possível até que o loiro estivesse gritando seu nome.

Draco estava segurando o encosto da cama, procurando por um tipo de apoio enquanto Harry entrava e saia tão rápido que não dava tempo para ele respirar ou se dar conta do que estava acontecendo. Não importava, tudo que ele precisava era sentir Harry dentro dele, cada vez mais fundo e tudo que ele conseguia pensar era "Harry". Deus do céu, por que Draco demorou tanto pra fazer isso mesmo?

O moreno não encontrava dificuldade alguma em segurar seu corpo ou escolher aquele ângulo perfeito que permitia acertar algo dentro de Draco que o fazia ver estrelas e gritar mais alto, repetidas vezes. Caramba, ele não tinha ideia de como conseguiu se manter bissexual por tanto tempo, porque depois disso? É, definitivamente gay.

Antes que ele pudesse voltar a raciocinar direito, Harry o beijava, invadindo sua boca com a língua, gemendo. Draco não teve tempo para perceber o que acontecia, porque assim que Harry se afastou, ele o segurava com mais força pela cintura e os virava, trocando as posições. O moreno estava deitado de costas agora com Draco por cima. Ele sorria maldosamente diante da expressão chocada do loiro e, sem esperar por uma reação, agarrou-o, fodendo Draco com mais força ainda.

Draco quase podia sentir seu orgulho e boa imagem escorrendo por entre seus dedos ao que ele se pegou acompanhando os movimentos de Harry. Ele apoiou as mãos no peito de Harry, apreciando as mãos possessivas em sua cintura. O loiro nunca imaginou que pudesse ter um orgasmo sem nem sequer ser tocado, mas ele pensou que talvez a coisa toda fosse intensa demais para ele suportar, já que não demorou muito para ele gozar.

Harry sorriu, como se essa fosse exatamente a intenção. Seus movimentos se tornaram mais urgentes, necessitados e um pouco fora de ritmo e Draco sabia pelo olhar de Harry que ele estava no seu ápice.

- Então, foi bom pra você? – Harry perguntou em tom de brincadeira, alguns minutos mais tarde, enquanto fazia desenhos abstratos no abdômen do loiro.

- Não vou nem responder, Potter. – Draco riu. – Então você esteve planejando isso o dia todo?

- A semana toda, na verdade. – Ele admitiu com um sorriso enorme que era simplesmente impossível de tirar de seu rosto. – Quanto antes eu tirasse aquelas bandagens.

- Eu acho que valeu a pena esperar. – O loiro traçou a linha do maxilar com o dedo indicador levemente, fazendo-o se arrepiar.

Draco aconchegou-se nos braços de Harry e fechou os olhos. Aquela era a primeira vez que ele dormiria nos braços de alguém e era tão reconfortante que ele sentiu como se pudesse ficar ali para sempre. Nunca em sua vida Draco havia se sentido tão seguro.


A luz solar invadiu o cômodo de uma vez e Draco não soube exatamente o que o atingiu. Ele podia sentir um peso anormal sobre seu corpo e uma respiração contra seu pescoço, sem falar que não conseguia se mexer direito. Abriu os olhos e piscou algumas vezes, tentando se acostumar com o excesso de claridade. Rolou o olhar pelo quarto e a realidade de que não estava em casa o atingiu como um soco no estômago.

Arriscou lançar uma olhadela para baixo e encontrou Harry Potter fazendo-o de travesseiro. As lembranças da noite anterior voltaram com tudo. Draco sentia as bochechas queimando em constrangimento. Suas reações aos toques de Harry se mostraram mais que embaraçosas. Como ele sequer olharia o moreno nos olhos novamente?

Harry apertou seu corpo com força durante o sono. Era só o que faltava, além de travesseiro, ele era um bichinho de pelúcia. Não que Draco estivesse reclamando. Mas mesmo assim, ele se mexeu desconfortável e cuidadosamente para não acordar o moreno, o que não deu certo, é claro.

Os olhos muito verdes se abriram para encarar os cinza e um sorriso alegre esticou os lábios de Harry. Draco não teve como não retribuir. O moreno se moveu para ficar à altura dos olhos do loiro e uma de suas mãos foi para o rosto do rapaz, acariciando sua bochecha.

- Bom dia. – Harry disse, o tom um pouco mais alto que um sussurro.

- Bom dia. – Respondeu Draco. – Desculpe por te acordar.

- Não tem problema.

De repente, Draco viu todo seu mau humor matinal fugir pela janela. Seu corpo estava totalmente relaxado, é claro que ele estava cansado, mas isso não parecia impedir a vontade amalucada de sair rindo e pulando pela casa. Ou a de agarrar Harry ali mesmo e repetir tudo que fizeram na noite anterior. Mas não, ele não iria fazer nenhum dos dois.

Aproveitando a distração que parecia ter assolado o loiro, Harry começou a distribuir beijos pelo pescoço alvo e sua mão escorregava cada vez mais para sul. Draco voltou à realidade na hora, ele sabia onde aquilo iria chegar, Potter queria fazer sexo com ele de novo. De novo! Não era possível! Aquele garoto tinha que ter tomado Viagra, quem já acorda desse jeito?

- Não, Harry! Acabamos de acordar, pelo amor de Deus! – Reclamou Draco, fugindo para fora da cama. O que foi uma péssima ideia. Na verdade, foi até boa porque ele estava fora do alcance de Harry, mas foi horrível porque ele não estava vestindo nada.

Os olhos de Harry escureceram e um arrepio desceu direto pela espinha do loiro. Os globos oculares se mexiam ao que o moreno escrutinava o corpo nu do rapaz e Draco não pôde evitar se sentir levemente constrangido. Mas a vergonha não durou muito, logo ele se viu mais concentrado no moreno que estava se levantando e andava predatoriamente em sua direção. Seu coração falhou uma batida e ele deu alguns passos para trás.

- Nem pense nisso, Harry! – Exclamou quando o moreno acelerou o passo e o agarrou pela cintura. – Harry...

Todo o corpo nu do garoto estava contra o seu e de repente Draco não queria mais fugir. Mas Harry não precisava saber disso. Quando a boca do moreno estava perto da sua e ele achava que tinha vencido, Draco o empurrou e correu para dentro do banheiro. Gargalhou quando escutou os resmungos mal humorados do outro lado da porta.

- Ah, não, Draco! Isso é golpe baixo. – Harry bateu na porta. – Me deixa entrar, vai!

- Vou tomar banho e você vai colocar esses lençóis pra lavar! – Draco gritou, sorrindo. Entrou no boxe e ligou o chuveiro. O silêncio repentino da parte de Harry deixou-o um tanto apreensivo.

- Posso tomar banho logo? Com você? – Ele não pôde deixar de rir da pitada de esperança na voz de Harry.

Draco escutou o barulho da maçaneta girando e a porta se abriu. Harry estava rindo alto quando invadiu o boxe e agarrou o loiro pela cintura novamente. Era muito burro mesmo por não ter tentado abrir a porta antes.

A água morna caía sobre suas cabeças enquanto seus lábios moviam-se juntos. Draco encontrava-se contra o azulejo gelado da parede do banheiro. Harry mordia e sugava seu lábio inferior de maneira quase calculada todas as vezes que eles se separavam e arrepios percorriam sua espinha, estremecendo seu corpo e deixando sons não tão discretos escaparem. As mãos do moreno percorriam todo seu corpo como se tivessem vida própria, inquietas e impacientes, nunca parando muito num lugar só.

Sem aguentar nem mais um pouco, Harry segurou uma perna do loiro e o fez enlaçar sua cintura com ela. Logo, seus dedos provocavam a entrada de Draco que gemia sem nenhum pudor. Os lábios de Harry estavam esticados num sorriso e a vontade de rir o assolava. Ele nunca havia imaginado Draco tão receptivo, jogando a cabeça para trás e puxando seu cabelo sem dó enquanto deixava aqueles sons eróticos e enlouquecedores escaparem por entre os lábios inchados.

Ao escutar o volume dos gemidos do loiro aumentar cada vez mais, Harry o segurou com força pela cintura e girou seu corpo. Draco não teve tempo para prestar atenção na situação em que se encontrava, o moreno já estava entrando lentamente em si, ao mesmo tempo em que depositava beijos de boca aberta em sua nuca. As mãos atrevidas passeavam pelo peito imaculado, beliscando de leve os mamilos rosados vez ou outra. A confusão prazerosa entontecia-o e deixava todo seu corpo mole contra o de Harry.

Exclamou algum palavrão quando sentiu Harry inteiramente dentro de si. O rapaz segurou-o pela cintura com mais força ainda e moveu os quadris em círculos e o mundo de Draco girou, acompanhando o movimento. Encostou a cabeça no ombro de Harry, mantendo a boca entreaberta. Ele jogava o quadril na direção do moreno, completamente entregue às vontades do outro.

Ele podia sentir o sorriso de Harry contra seu pescoço, aquele sorriso lindo que fazia seu coração acelerar. Draco tentou manter os olhos abertos para encarar os verdes, mas era quase uma missão impossível. Era intenso demais e ele já não podia controlar seu corpo direito. Harry procurou sua boca de maneira desajeitada, mas o beijo não foi muito adiante. O moreno estava ocupado demais o observando daquela maneira completamente fascinada, como se tivesse esperado para tê-lo daquele jeito sua vida toda.

Tudo que saía da boca de Draco e tudo que ele conseguia pensar era Harry. Harry, Harry, Harry. Seu mundo se resumia em cinco letras e ele estava mais que feliz com isso, porque era tudo tão fodidamente bom, tão intenso que ele não ligava mais pra nada.

O moreno encostou a cabeça no ombro de Draco e seus movimentos de repente perderam o ritmo e a perfeição de antes. O loiro agarrou o cabelo escuro, as respirações aceleradas se misturavam e os corações pareciam querer abrir um buraco na caixa torácica de tão rápido que batiam. Os nomes saíam de forma desesperada entre os lábios e o orgasmo chegou a ambos como um furacão, sacudindo seus corpos.

Harry deslizou uma mão da cintura do loiro, mantendo-a sobre o coração desesperadamente acelerado. Seus lábios tocaram o ombro de Draco ao que ele se retirava de dentro do rapaz cuidadosamente, se recuperando aos poucos, conforme os segundos passavam. Eles ficaram ali parados, sentindo a água morna percorrer seus corpos cansados. A mão de Draco alcançou a que permanecia sobre seu coração e segurou-a. Seus lábios se curvaram num sorriso satisfeito.

Harry virou-o de volta e tocou seu rosto com ambas as mãos. O polegar tocou os lábios avermelhados de Draco, avermelhados pelos beijos de Harry. O moreno permitiu-se sorrir com o sentimento de posse que tomou conta do seu ser antes de beijá-lo. O loiro segurou as mãos em seu rosto, correspondendo o beijo enquanto seu cérebro voltava a funcionar corretamente.

- Isso é que é banho. – Murmurou Harry com a voz entrecortada contra os lábios de Draco que murmurou algo incoerente. - Acha que vai conseguir andar? – Perguntou carinhosamente.

Draco socou-o de leve. O moreno riu com vontade, abraçando-o, e isso acabou fazendo Draco sorrir também. Harry estava feliz, mais que feliz, ele estava radiante e era impossível não se deixar influência pela aura alegre que o envolvia no momento.

Harry alcançou o sabonete e uma esponja redonda que se encontravam no nicho. Molhando ambos sob a água, o moreno encheu a esponja de sabonete, para começar a passá-la no peito pálido de Draco em seguida. Sorrindo em aprovação, o loiro fechou os olhos para se deixar levar pelas sensações.

Harry fechou o chuveiro para impedir que a espuma que se formava no peito de Draco fosse enxaguada. Com movimentos circulares, Harry desceu a esponja para o abdômen do loiro, demorando um pouco mais ali, descendo para a parte interna da coxa direita de Draco em seguida. O loiro soltou um longo suspiro, ainda sorrindo, os olhos ainda fechados.

O moreno desceu pelos joelhos, até chegar aos pés. Devagar, ele virou o corpo magro, fazendo o caminho de volta pra cima devagar. Ao chegar às costas, Harry beijou os ombros e a nuca do loiro, fazendo-o se arrepiar e encostar a testa no azulejo frio.

Harry colocou a esponja de volta no nicho e ligou a água, assistindo enquanto a espuma descia por toda a extensão do corpo de Draco. Era quase mágico, completamente hipnotizante. A espuma fazia seu caminho lentamente, sendo acompanhado pelos olhos verdes do moreno.

Quando já não havia mais espuma escorrendo, o moreno segurou o loiro pela cintura e o virou para si, fazendo Draco abrir os olhos. Suavemente, Harry beijou-o. Apenas para ver o sorriso nos lábios finos crescer ainda mais.

- Agora é minha vez. – Draco disse virando os dois para colocar Harry contra a parede.

Draco fez o contrário, começou pelas costas, descendo até chegar aos pés, virando-o para terminar em seu peito. Assim como Harry, o loiro assistiu os movimentos da espuma descendo pelo corpo do moreno, não se refreando em sentir a textura da pele ensaboada sob seus dedos, fazendo com que ambos se arrepiassem.

Ao sair do banheiro, eles estavam tão relaxados que poderiam cair na cama e dormir novamente, mas seus estômagos protestaram tal pensamento. Então, de mãos dados e já vestidos, Draco e Harry desceram a escadas, em direção a cozinha. A grande surpresa foi encontrar Sirius e Remus tomando café juntos, animadamente, na longa e esguia mesa.

Quando os olhares dos dois mais velhos caíram sobre eles, Draco ficou esperando o momento em que Harry soltaria sua mão, mas ele não o fez. Pelo contrário, Harry entrelaçou seus dedos e se aproximou dos dois espectadores.

- Sirius? O que você está fazendo aqui? – Harry perguntou.

- Que eu saiba, essa casa é minha. – Sirius analisou displicentemente.

- Sim, eu sei, mas pensei que você só voltaria quando eu fosse embora.

- E eu esperei bastante, mas quando passou das 10 e não tive notícias, eu imaginei que vocês não deveriam mais estar tão ocupados e voltei. Eu disse a Lily que você assistiria a alguns filmes comigo e com o Moony, então ia dormir aqui. Também tomei a liberdade de ligar para minha querida prima Cissy, para informar seu paradeiro. – Sirius disse com ar malicioso enquanto mexia seu café, Remus apenas observava os dois. – Então, como foi a tarde ontem?

- Sirius! – Para a surpresa de todos, foi Lupin quem falou. – Venham, garotos, sentem pra comer alguma coisa.

- É, eu tenho certeza que as atividades de ontem devem ter acabado com todas as energias de vocês. – Disse Sirius por cima de sua xícara, tentando disfarçar seu sorrisinho sacana enquanto bebericava seu café.

- Padfoot. – Harry repreendeu enquanto indicava a cadeira ao seu lado para Draco. – Obrigado por falar com a mamãe. E com a Sra. Malfoy.

- Cissy não pareceu surpresa em receber minha ligação. – Sirius deu de ombros. – E muito menos em saber que o filhinho dela ia passar a noite aqui. Até tivemos uma conversa agradável.

- Eu apenas fiquei calculando quem alfinetava mais o outro. – Disse Remus com um sorrisinho. – O placar acabou seis pra Narcissa e três pro Sirius.

- Mas foi divertido! – Padfoot exclamou, ignorando sua aparente derrota. – Me fez lembrar os velhos tempos.

- Eu achei deveras hilário. – Lupin riu como se relembrasse das tiradas. – Sua mãe é mestre em ofender sem perder a pose, Draco. Parabenize-a por isso. Nunca vi Sirius tão excitado numa discussão.

- Hm, acho que Draco puxou isso da mãe, então. – Harry deixou cair a torrada que trazia ao prato com a cotovelada nas costelas que recebeu do loiro, mas riu. – Ai!

- Então, se divertiram ontem? – Sirius perguntou displicentemente catando alguns pedaços de ovo mexido que restaram em seu prato.

- Padfoot, não adianta. – O moreno revirou os olhos verdes.

- Largue de ser um pervertido, Sirius. – Lupin murmurou apenas para o amigo.

- O que? – Padfoot fez uma expressão ofendida. – Estou curioso.

- Obrigado por falar com minha mãe, Sr. Black. – Draco disse com um sorriso de canto. – E fico feliz que tenham se divertido.

- Foi difícil não rir, sabe? – Disse Remus. – Mas eu não podia, ou Narcissa saberia que eu estava ouvindo a conversa.

- E vocês? O que fizeram ontem? – Harry perguntou colocando leite no café dele e depois no de Draco. – Duvido que Sirius tenha te convencido a ver os filmes dele, Moony.

- Certamente que não. – Remus endireitou a coluna rapidamente, olhando para Sirius de esguelha. – Chegamos tarde, como Sirius já disse, então, comemos alguma coisa e fomos dormir.

- Eu vi os pacotes da Potter's. – Disse Sirius olhando pra Draco. – Seu pai não vai ficar nada satisfeito se souber que você anda comendo a concorrência... Digo, comendo na concorrência.

Sirius reprimiu uma risada no que o garfo de Draco caiu fazendo um barulho alto no prato e Harry derramou o açúcar que ia colocar na xícara do loiro sobre a mesa, ambos corando violentamente. Draco foi o primeiro a se recompor, endireitando a coluna e pigarreando.

- Eu não estou me importando com o que meu pai acha ultimamente. – Ele disse com orgulho. – Não é por que eu estou freqüentando as lojas da concorrência que eu vou deixar de assumir a empresa da minha família quando tiver idade suficiente. E eu agradeceria se o senhor tentasse ser mais sutil, Sr. Black.

- Você subiu alguns pontos em meu conceito, garoto, mas não me mande ser sutil. Está na minha casa, lembre-se disso. – Sirius soou severo, mas todos na mesa, inclusive Draco, sabiam que ele não deveria ser levado a sério.

- A casa é da minha família também, senhor. – O loiro lembrou. – Minha mãe é uma Black.

Sirius olhou para Draco com certa curiosidade no olhar. Ainda com os olhos cerrados para o garoto loiro, Sirius pousou os talheres em seu prato. Uma tensão se alojou no ambiente, onde Sirius e Draco apenas se encaram. Harry e Remus alternavam os olhares entre o rosto de um e do outro. Quando Snuffles entrou no aposento, Sirius olhou para o animal de esguelha e ao voltar seu olhar para Draco, ele deixou um sorriso ir crescendo em seus lábios.

- Muito bem. – Sirius riu. – Entendo porque você gosta desse garoto, Harry.

O resto do café da manhã seguiu tranqüilo. Sirius até contou uma história de sua infância, onde ele e Narcissa, Bellatrix e Andrômeda pareciam conviver pacificamente. Essa história particularmente era sobre a noite do primeiro baile de Narcissa onde Sirius fez questão de tornar infernal a tarde antes da grande noite, atrapalhando em todos os preparativos. Draco ouviu tudo com a cara fechada, achando completamente infantil tais atitudes do padrinho de Harry e pensando em como sua mãe deveria ter ficado desesperada conforme o momento se aproximava, mas sorriu ao que Sirius disse que no final tudo acabara bem e Narcissa acabou sendo a mais bonita da noite e ganhara o título de rainha do baile.

Harry escutou a história rindo aqui e ali, assim como Remus. A verdade era que ele estava se sentindo tão feliz que pensava que fosse explodir. Ele e Draco podiam até não estar interagindo diretamente ou se tocando naquele momento, mas Harry podia sentir a conexão entre eles só por estar sentado ao seu lado.

Ao fim do café, Harry levou Draco pra casa. Naquele momento eles estavam na frente da mansão, Draco parecia estar adiando ao máximo o momento em que teria que sair do carro dando o beijo de despedida mais longo que Harry já recebera. O loiro simplesmente não queria ter que se separar do moreno.

- Por que você não entra? Tenho certeza que minha mãe não se importaria. – Draco disse contra os lábios de Harry, acariciando sua bochecha.

- Eu realmente deveria ir pra casa. Já passei a noite fora. Minha mãe não vai ficar nada satisfeita se eu não chegar a tempo para o almoço. – Disse Harry tristemente.

- Que tal amanhã? – O loiro sugeriu após um selinho prolongado. – Venha almoçar aqui.

- Seu pai não vai ter voltado de viagem?

- Não. Ele está fechando negócios para abrir mais uma loja nos Estados Unidos. Vai demorar pra voltar, mas quando estiver de volta vai demorar pra voltar lá, então temos que aproveitar. – Draco sorriu maliciosamente.

- Você não vai inventar de ficar sem me ver pro seu pai não desconfiar de novo, não é? Por favor. – O moreno tentou disfarçar, mas havia um quê de suplica em sua voz.

- Não, de jeito nenhum. Eu não poderia ficar sem te ver nem se eu quisesse. – Draco roçou seus lábios no maxilar de Harry até chegar ao ouvido do moreno. – Eu estou viciado em você. – Ele sussurrou.

- Draco. – Harry chamou no que um arrepio desceu por sua espinha e seu estômago tremeu.

- Você vem amanhã? – O loiro perguntou mordiscando o lóbulo da orelha de Harry.

- Venho.

Com um sorriso, Draco voltou para olhar nos olhos do moreno, mas não teve muito tempo no que Harry tomou seus lábios com voracidade. Mas antes que o ar dentro do carro começasse a ficar quente demais, o moreno se afastou.

- Até amanhã, então. – Ele sorriu.

- Você vai me fazer implorar, não vai? – Draco olhou pra ele com raiva fingida.

- É culpa sua. Você me provoca.

- Não comece. – O loiro revirou os olhos e destravou sua porta, dando um último selinho em Harry. – Até amanhã.

Harry assistiu Draco atravessar os portões e fazer seu caminho para a grande mansão no fim de um caminho de pedra. Antes de chegar ao ponto onde o loiro sabia que Harry já não poderia vê-lo, Draco olhou pra trás e sorriu. Um sorriso que atingiu Harry em cheio e algo em seu peito pareceu explodir. O moreno tinha certeza que nunca se sentiria tão feliz em sua vida como naquele momento.


Obrigada a MarciaBS, Thomaz Volk, sonialeme, PattJoger, Mila Pink, sestini, Yann Riddle Black, Reira Malfoy - Potter, Ines G. Black, Nanda W. Black, Marina Feltcliffe e aos que estão lendo sem comentar!

Não poderíamos ter pedido leitores e comentários melhores, de verdade! Obrigada mesmo! Desculpem por não estarmos respondendo as reviews. Podem ter certeza que responderemos a todos aqueles que fizeram comentários em contas logadas e perguntas feitas por leitores sem conta serão respondidas aqui, como foi feito anteriormente!

Obrigada pelos desejos de feliz ano novo. Nós desejamos um ano com muito Drarry pra todos vocês e pra nós também!

Enfim, acho que aconteceu o que todos esperávamos nesse capítulo, hein? HAHAHA Nos digam o que acharam? E sejam sinceros, como sempre!
Claro, a festa não acaba por ai, mas como algum de vocês já comentaram, há uma tempestade chegando. Deixem de lado as tochas e tridentes, certo?

Mais uma vez, obrigada! Mil beijos e até próximo sábado!