Capítulo 17
Just a kiss
Lily acordou Harry cedo no domingo para que ele ajudasse a montar a árvore de natal, aproveitando o último dia de Tonks na cidade, que partiria após o almoço para passar as férias com a família. Harry teve que cancelar o almoço na mansão após sua mãe ralhar com ele sobre ele não passar mais tempo com a família e dizer que seria muito rude da parte dele se não se despedisse de Tonks apropriadamente. Draco não ficou nada feliz, Harry pode notar pelo tom de voz do garoto, mas ele próprio tinha sua pitada de insatisfação.
Harry só faltou beijar os pés de Tonks quando esta disse a Lily que não fazia a mínima questão de ser acompanhada ao aeroporto, principalmente por que ela odiava despedida, mas a ruiva mostrou-se irredutível.
O sol naquele dia parecia não ter nascido, por que o céu se manteve escuro durante toda a manhã e caia uma garoa quando Harry chegou em casa, quase na hora do jantar. O garoto correu para tomar um banho quente e vestir seus melhores agasalhos, enfiando-se debaixo de grossos cobertores enquanto falava com Draco ao telefone.
- Oh, Tonks foi embora? Hm... Que pena. Lembra que eu disse que não me surpreenderia se minha mãe tentasse se comunicar com minha tia? Pois bem, eu tenho certeza que ela vai.
- Como você pode ter tanta certeza?
- Estávamos almoçando hoje quando ela me disse: "As coisas das quais nós abrimos mão por algo que se tornará puramente insignificante diante dos grandes acontecimentos da vida são as que nos assombrarão por mais tempo."
- E o que você acha que ela quis dizer com isso?
- Eu acho que ela disse, dá maneira dela, pra eu não deixar toda essa obsessão pelo nosso sobrenome me fazer sucumbir, por que eu vou acabar me arrependendo.
- É uma análise bem filosófica. – Harry riu.
- Cale a boca, Harry. Faz sentido.
- Sobre o que vocês estavam falando quando ela disse isso?
- Sobre a família Black. Sobre as crenças sob a qual ela foi criada. Sobre como minha tia-avó expulsou seu padrinho de casa. Ainda que nada muito aprofundado.
- Deve ser difícil pra ela, você não acha? Ter que ficar em cima do muro em relação a tudo isso. A briga entre nossos pais, os costumes e zelos às famílias, eu e você. Acho que ela quer te aconselhar, mas não quer tomar partido de nenhum dos lados.
- É, talvez. – Draco suspirou. – Então, está preparado para o primeiro dia de volta amanhã?
- Não exatamente. Eu realmente quero voltar, mas sei que vão me encher de perguntas e todos os cochichos, pessoas apontados, olhares. – O moreno se arrepiou só de pensar.
- Vai ficar tudo bem. Qualquer coisa eu mando Crabbe e Goyle quebrarem o pescoço de qualquer um que sequer olhar pra você.
- Oh, isso certamente faz com que eu me sinta melhor. – Harry revirou os olhos. – Você vai estar lá, não vai?
- Claro. Ao seu lado. O tempo todo.
- Isso sim me tranqüiliza.
Eles ainda passaram bons minutos conversando e Harry acabou revelando que desejava ir outra vez ao terraço ao qual Draco o levou uma vez. O loiro disse que eles poderiam ir qualquer dia da semana e com a promessa desse passeio, eles se despediram para dormir pacificamente.
Harry soube, ao pisar na escadaria principal de Hogwarts High School, que seria mais difícil do que ele imaginara. As pessoas reunidas ali pareciam ter parado o que estavam fazendo para olhá-lo e tudo, sob a percepção de Harry, estava em câmera lenta.
- Harry! – O moreno agradeceu a todos os santos quando Hermione veio correndo abraçá-lo. – Harry, é tão bom tê-lo de volta!
- Hey, parceiro! – Ron abraçou Harry rapidamente, dando tapinhas em suas costas.
- Bem vindo de volta, Harry! – Disse Neville simpaticamente, apertando a mão do garoto com entusiasmo.
- Veja, Harry, meu pai publicou uma nota sobre o que aconteceu com você no jornal dele. – Luna puxou uma cópia de um jornal intitulado "O Pasquim" da mochila e mostrou a Harry uma nota no canto. – Horrível o que aqueles garotos fizeram, não foi? Tão preconceituosos.
- Obrigado, Luna. – Harry disse desconfortavelmente.
Seamous Finnigan e Dean Thomas vieram cumprimentá-lo também, assim como outras pessoas que Harry não se lembrava exatamente quem eram, com exceção das duas garotas que sentavam na frente dele na aula de química, mas tudo o que ele podia pensar era onde Draco poderia estar.
- Harry. – Cedric chamou por sobre a multidão que só fazia aumentar. – É ótimo revê-lo! Fico feliz em saber que você está bem!
- Cedric, hey! Eu não posso dizer que estou muito satisfeito com você. Por que não foi me visitar no hospital? Até Neville e Luna foram! – Harry perguntou olhando para o mais alto com ar insatisfeito.
- Oh, me desculpe. Eu não queria arrumar problemas, sabe? Mas Hermione lhe deu meu recado?
- Alunos correndo nos corredores! Alunos correndo nos corredores! – Harry pôde ouvir Filch gritando de longe.
- É contra Durmstrang. Na sexta-feira.
- Ótimo, estarei lá. – Harry certificou sorrindo. – Mas cuidado pra não se machucar feio, uh? Por que eu não irei visitá-lo no hospital.
- É justo. – Cedric riu.
- Com licença. Saiam da minha frente, seus pirralhos. – O moreno teve que sorrir ao ouvir aquela voz e viu-se olhando ao redor, procurando pelo dono dela. – Não encostem em mim, seus vermezinhos.
- Argh, vá limpar esse catarro do nariz, garoto. – A voz de Pansy veio junto, cheia de insatisfação. – É impressão minha ou esses pirralhos do primeiro ano estão ficando cada vez menores? Parecem anões de jardim.
- Draco? – Harry chamou ainda olhando ao redor.
- Mexa-se, criatura imprestável! Eu estou tentando passar. – Um grupo de alunos do primeiro e segundo ano abriu-se para revelar um lindo loiro seguido por uma Pansy Parkinson vermelha de raiva e um Blaise Zabini com uma careta que só retrava nojo. O loiro sorriu ao encontrar o olhar do moreno. – Harry!
- Harry! – Pansy gritou com sua voz fina e abraçou o moreno, o que o pegou desprevenido. – Oh, que bom que você se recuperou.
- Pansy, você poderia me dar licença? – Draco pediu com uma sobrancelha levantada.
- Oh, desculpe. – Ela pediu saindo do caminho rapidamente, ainda sorrindo.
Foi a vez de Draco abraçar Harry com força. Toda a multidão ao redor calou-se e algumas garotas soltaram alguns "own" baixinhos. Mas para os dois garotos era como se eles não existissem. Harry envolveu a cintura de Draco para puxá-lo para mais perto, fechando os olhos para apreciar o perfume do loiro. O que os trouxe de volta a realidade foi o toque da sineta e os gritos de Filch mandando a multidão dispersar – coisa que só aconteceu quando McGonagall apareceu.
- Sr. Potter! Sr. Potter! – A coordenadora chamou quando os alunos começaram a encaminhar-se às suas salas. – Oh, Sr. Potter, é ótimo vê-lo. Por favor, queira me acompanhar.
- Eu vejo você na aula. – Draco disse acenando rapidamente.
- Oh, não, não, não, Sr. Malfoy. O senhor deve me acompanhar também. – McGonagall apressou-se em dizer. – Vamos, vamos, rápido.
Harry e Draco se entreolharam, mas não questionaram as ordens da coordenadora, seguindo-a sem contestar. Ao chegar à coordenação, McGonagall pediu que os garotos sentassem por um instante, indo até a sala do diretor.
- Pois bem, o Prof. Dumbledore irá recebê-los num instante. – Ela disse ao voltar a sua própria sala. – Enquanto isso, coma um biscoito, Sr. Potter. – McGonagall empurrou uma tigela de vidro de boca redonda em direção aos garotos.
- Hm, não, obrigado.
- Coma um biscoito, Potter. – Ela insistiu.
- Não precisa, professora, eu acabei de tomar café e...
- É só pegar um biscoito. – Minerva empurrou o pote um pouco mais.
Vencido pelo cansaço, Harry enfiou a mão no pote para pegar o maldito biscoito. O que ele não esperava era que a boca da tigela fosse ficar presa em sua mão quando ele puxasse de volta e muito menos que ela fosse soltar-se com uma simples sacudidela, espatifando-se no chão.
- Oh, por Deus, Potter! Era só pegar um biscoito! Olhe só que desastre. – McGonagall se precipitou para pegar os cacos maiores antes que alguém se machucasse.
- Boa, Harry. – Draco sussurrou com um sorrisinho de divertimento.
- Cale a boca.
A porta logo ao lado da mesa de McGonagall abriu-se e de lá saiu Remus Lupin que deu um aceno com a cabeça para os garotos, sorrindo.
- Sr. Potter. Sr. Malfoy. – Ele cumprimentou rapidamente, olhando para Minerva em seguida. – Precisa de ajuda, professora?
- Oh, não. Você já está atrasado para sua aula, Remus. Vá logo. Se encontrar com Filch, peça a ele que venha aqui com uma vassoura, sim?
- Tudo bem. Tenham um bom dia, rapazes. – Lupin desejou antes de sair da sala.
- Ora, o que aconteceu aqui? – A voz de Dumbledore soou de repente e o diretor analisava todos na sala por sobre seus óculos com aro de meia- lua.
- Nada com o que se preocupar, diretor. – McGonagall apressou-se em dizer. – O Sr. Potter revelou ser um tanto quanto desastrado.
- É claro. – O diretor sorriu simpaticamente. – Por favor, Sr. Potter, Sr. Malfoy, me acompanhem.
Dumbledore seguiu na frente e esperou que os garotos passassem para fechar a porta. Havia tantos livros no escritório do diretor que o local poderia ser facilmente confundido com a biblioteca. Harry sorriu com o pensamento de que Hermione faria uma festa naquele local.
O diretor indicou as duas poltronas em frente a sua mesa e acomodou-se em sua grande cadeira enquanto os dois garotos sentavam no local indicado, um lançando olhares nervosos para o outro, como se esperasse por uma resposta. Harry apenas ficou feliz por Dumbledore não ter oferecido biscoitos.
- Primeiramente, bem-vindo de volta, Harry. – Dumbledore disse entrelaçando seus dedos sobre a mesa. – Eu soube que sua recepção não poderia ter sido mais calorosa.
- Foi mais calorosa do que eu gostaria, senhor. – O moreno disse com um sorrisinho envergonhado.
- Eu entendo perfeitamente, mas você deve concordar que o acontecido levanta muitos questionamentos e os outros alunos estão curiosos. Eu suponho que Draco não tenha lhe falado nada, mas a semana seguinte ao incidente não foi tão tranqüila quanto ele gostaria, estou certo? – O diretor perguntou olhando para Draco.
- Sim, me fizeram algumas perguntas. – Draco deu de ombros.
- Por que você não me disse? – Harry perguntou.
- Por que não era importante. Eu não queria deixar você todo nervoso. Pelo menos não até o médico dizer que seus ossos estavam de volta no lugar.
- Eu posso garantir... – Disse Dumbledore alteando a voz. – que ambos não serão mais incomodados. Assim que os senhores saírem dessa sala eu farei um breve anuncio nos alto-falantes para o resto do colégio. Tenham em mente que qualquer sensação desconfortável proporcionada por outro aluno curioso deve ser imediatamente reportada para mim ou para a coordenadora, entenderam?
- Sim, senhor. – Eles responderam.
- Agora, acredito que devo me desculpar pelo acontecido. Eu não poderia estar mais envergonhado. Acontece, rapazes, que o preconceito vem daqueles com a mente limitada, aqueles que não compreendem, aqueles que não entendem completamente o que é o amor. Esses, meus jovens, são tolos e merecedores de pena. Claro que nada disso anula o fato de Harry ter sido covardemente atacado, mas espero que os ajude a entender tais atos e, tenho esperanças, que futuramente vocês dois possam perdoar os que os fizeram mal.
- O pai de Harry disse que McLaggen e os outros dois seriam expulsos. – Draco disse com tom de pergunta em sua sentença.
- E foram. Assim como eu soube que um boletim de ocorrência foi emitido. – Dumbledore assentiu com a cabeça. – A última notícia que tive é que os três garotos estarão cumprindo penas de serviço público pelos próximos seis meses.
- Ah, essa eu queria ver. – Draco riu. – McLaggen e seus capangas vestidos com uniformes laranjas catando lixo na rua.
- Eu temo que seu desejo será realizado. As penas serão cumpridas do outro lado da rua do colégio, para que seus colegas possam ver aonde uma mente pequena leva uma pessoa.
- Obrigado, professor Dumbledore. – Disse Harry sorrindo.
- Não me agradeça, Harry. – O diretor fez um gesto displicente com a mão enquanto ia ao alcance de uma caneta e escrevia algo rapidamente num papel. – Vocês devem ir para sala agora. Entregue isso a Snape, Draco. – Ele pediu estendendo o papel para o loiro. – Tenham um bom dia, rapazes.
- Igualmente, diretor. – Draco disse levantando-se.
- Bom dia. – O moreno disse ao diretor antes de fechar a porta atrás de si. – Obrigado, professora McGonagall e desculpe pelo pote.
- Não tem problema, agora vão pra sala. – Ela fez um gesto para que os garotos se retirassem.
- Garotos adoráveis eles, não são? – Dumbledore disse aparecendo à porta de sua sala poucos minutos depois.
- Jesus, Albus, você me assustou! – McGonagall levou a mão ao coração acelerado pelo susto. – Oh, sim, são. É uma pena que tenham tantas pessoas tentando interferir na amizade dos dois.
- Eu duvido que eles deixem qualquer um se meter no que eles criaram juntos. – Dumbledore parecia estar divagando, mas no segundo seguinte ele olhou para os biscoitos no chão. – Talvez você devesse trocar esses biscoitos por tortinhas de limão, Minerva. Todo mundo adora tortinhas de limão.
- Não, Albus, você adora tortinhas de limão.
- Oh, certamente adoro. – Ele sorriu. – Elas são muito satisfatórias, você não acha?
McGonagall apenas o olhou por sobre os óculos retangulares, levantando uma sobrancelha. O diretor deu uma risadinha e fez um sinal displicente com a mão, voltando para seu escritório, afinal, ele tinha um comunicado importante a fazer a seus queridos alunos.
"Bom dia alunos de Hogwarts High School." – Draco e Harry ouviram a voz de Dumbledore ecoar pelos corredores enquanto eles faziam seu caminho para o laboratório de Snape. – "Estou mais do que satisfeito com o retorno do Sr. Harry Potter, mas devo dizer que ainda estou terrivelmente decepcionado com os malfeitores. Os alunos poderão encontrar seus ex-colegas cumprindo suas penas logo do outro lado da rua do colégio. Devo deixar claro que qualquer tipo de tentativa de importunar os garotos que estarão realizando seu trabalho não será tolerada. Aproveito para lembrar que as notas das provas serão entregues nessa sexta-feira. Tenham uma boa semana e mantenham a mente bem aberta."
Assim que a voz contida e educadamente entusiasmada do Prof. Dumbledore esvaneceu-se e o corredor fez-se mais uma vez silencioso, Draco soltou uma gargalhada digna de filme de terror. O diretor podia até ter achado que estava ajudando, mas tinha apenas atrapalhado, pensava o loiro. Em contra partida, Harry o encarava de uma maneira estranha e curiosa, como se tivesse acabado de ter a confirmação de que Draco havia enlouquecido.
- Você está bem, Draco? – Perguntou Harry num tom falsamente preocupado. – Eu sei que me ter de volta te deixa nas nuvens, mas não precisa agir como um maníaco.
- Ora, Harry, não são muitas coisas que me deixam nas nuvens... – Deu um passo curto na direção do moreno e inclinou-se, sussurrando diretamente em seu ouvido: - Mas tê-lo de qualquer forma... – Parou um momento, como que saboreando as palavras. - "Nas nuvens" não está nem perto de que descrever o que sinto.
Um arrepio forte percorreu toda a coluna de Harry, arrepiando cada pelo que encontrava no meio do caminho. Todo o sangue do corpo do moreno pareceu dirigir-se unicamente para suas bochechas e pescoço, fazendo-os queimar em total embaraço. Ele lançou um olhar incrédulo para o loiro, que lhe sorria inocente, como se nada demais houvesse saído de sua boca. No entanto, uma pitada de malícia poderia ser encontrada brilhando no fundo das íris azuladas. E apenas aquele brilho tão discreto – mas perigoso – fazia o estômago de Harry dar mortais para trás.
Nunca havia parado para pensar, mas Draco fazia o que bem queria consigo. O loiro tinha-o na palma da mão, manipulava-o como faria a um boneco. Apenas uma palavra saída daquela boca, um gesto feito por aquela mão e Harry estava lá. E tinha certeza que – não o pergunte como, ele não saberia responder – sempre estaria. Sempre que Draco precisasse. Ele estava pronto para ser manipulado de todas as maneiras existentes de bom grado.
Sentiu dedos entrelaçando-se vagarosamente aos seus e a voz que ele mais gostava de ouvir ultimamente soou.
- Harry, no que está pensando? – Os dois começaram a andar sem nenhuma pressa para chegar à aula de química.
- Você. – Respondeu sem pensar. Deliciou-se por alguns momentos ao ver um leve rubor atingir as maçãs do rosto do loiro antes dele soltar uma risadinha irônica.
- Isso é óbvio. O que exatamente você estava pensando? – Harry tentou concentrar-se nas palavras e não nos movimentos feitos pelos lábios de Draco. Falhou miseravelmente.
- Estava pensando que ainda não te beijei hoje. – Murmurou, já parando de andar e levando a mão livre ao rosto do outro.
- Estamos atrasados pra aula. – Argumentou sem muita convicção.
- Vai ser rápido. – Respondeu Harry, um segundo antes de tomar os lábios perfeitos do loiro num beijo voraz.
Ao se separarem, Draco respirava com dificuldade e Harry o abraçava com tanta força que fazia parecer que o gesto acabaria com toda a fome no mundo. Com toda a paciência existente em seu ser, o loiro arrastou Harry para a aula de química, resmungando sobre como o Prof. Snape reclamaria para sempre por causa do tão longo atraso e provavelmente nem os deixaria entrar, apenas de pirraça. E Draco estava pelo menos meio certo. O Prof. Snape realmente lhe deu um sermão sobre atrasos e responsabilidades. Harry estava apenas rolando os olhos pela sala de aula, bloqueando completamente a voz do químico. Parecia que naquele dia teriam uma aula prática, na verdade, a aula já estava em andamento, mas não tinha importância.
Depois do discurso de Snape, os dois garotos tomaram seus lugares. A mesa de madeira usualmente vazia estava coberta com o tipo de parafernália da qual Harry não entendia nada e o moreno tinha certeza de que logo estaria quebrando tudo que estava ali. Draco começara a separar como seria necessário para o experimento e tudo que o Harry podia fazer era observá-lo.
Ele estava completamente encantado com o modo como Draco movia as mãos, agarrando alguns tubos de ensaio com os dedos longos e elegantes. Seus olhos corriam de um lado para o outro com pressa ao que ele escolhia a próxima coisa a se fazer. Seus lábios estavam pressionados juntos, numa linha fina e de tempos em tempos, ele os umedecia com a língua. Alguns fios mais rebeldes dos cabelos platinados saiam do lugar ao modo que ele se mexia, pendendo despreocupada e sensualmente em sua testa. Tudo aquilo fazia Harry achar totalmente injusto eles estarem numa sala de aula, porque todas as vezes que o loiro se movimentava, ele precisava juntar todo o seu já escasso autocontrole para não agarrá-lo.
- Você está babando. – Draco comentou.
Era óbvio que o loiro fazia um enorme esforço para não sorrir, porém todo seu esforço foi por água abaixo assim que Harry, idiota como era, passou a mão levemente pelo queixo, como se realmente estivesse babando. Então, ele explodiu em gargalhadas.
- Não estou não! – Exclamou o moreno, sorrindo.
- Foi uma força de expressão, Harry. Você não estava literalmente babando. – Explicou, rolando os olhos. - De qualquer forma, é bem desconcertante fazer alguma coisa quando você está me encarando desse jeito. – Continuou.
- Que jeito?
- Não sei, mas é bastante incômodo. Então, por favor, pare. – Draco deu de ombros.
- Bem, seria mais fácil se você não fosse tão lindo. – Disse alto sem nem ao menos se dar conta do que estava falando.
A reação de Draco foi imediata. As bochechas ficaram rosadas instantaneamente e os olhos arregalaram-se ao encarar os verdes em completa descrença. Harry pôde ouvir uma risadinha de uma das meninas à sua frente e Pansy estava gargalhando ao longe. Para sua surpresa, até o Prof. Snape parecia ter um sorriso querendo escapulir dos cantos dos lábios. O resto da classe havia ficado em completo silêncio, olhando-os. Todos os rostos exibiam uma surpresa descrente.
- Desculpe. – Harry resmungou, ruborizando violentamente.
- Apenas controle sua língua, Sr. Potter. – Disse Snape usando seu tom mais gélido e arrogante. – Não precisamos ouvir o que o senhor acha da beleza do Sr. Malfoy. Agora, todos voltem ao trabalho.
Como se fosse possível, Draco corou ainda mais assim que o professor acabou de falar. Lançou um olhar assassino a Harry antes de voltar a concentrar-se no seu kit de química. A classe rapidamente parou de encará-los, mas ainda era possível escutar seus nomes entre os murmúrios divertidos. O moreno se sentia tão culpado que ficou encarando e desenhando com os dedos na madeira da mesa, sem coragem de olhar para Draco nem uma vez.
O sino soou e era hora da aula de Biologia. Mas a tortura ainda não havia encontrado seu fim, Draco não relaxara até que estivessem fora da sala e mesmo assim ele parecia tenso demais para olhar para Harry. Eles mal viraram o corredor e o moreno sobressaltou-se com a gargalhada do loiro.
- Mas o que... – Começou, confuso.
- Você deveria ter visto sua cara, Harry!
- Você não está com raiva de mim? – A surpresa explicitou-se em sua voz.
- Não seja ridículo! – Draco deu de ombros. – Você acabou de dizer na frente de toda a classe de química que me acha lindo.
- Mas...
- Nada de "mas", até o Snape achou engraçado! – Segurou-lhe a mão e apertou de modo tranquilizador. – Não se preocupe com isso. Vamos para a aula, okay?
Algumas pessoas ao longo do corredor haviam parado para olhar a interação dos dois. Sem se importar com isso, Harry inclinou-se para depositar um beijo na bochecha do loiro. Vários sons ecoaram, em sua maioria, garotas guinchando sobre como eles eram fofos. Draco apenas rolou os olhos.
- Vai logo, vai! – Deu um empurrãozinho no ombro de Harry ao mesmo tempo em que começava a andar na direção contrária.
- Até o almoço! – Gritou o moreno, recebendo apenas um aceno como resposta.
Harry ainda permaneceu alguns minutos colado ao chão, sorrindo como um idiota e observando Draco andar para sua aula de trigonometria.
Após duas aulas tranqüilas de biologia com Hermione e Ron – que parecia completamente alheio a qualquer que fossem os comentários que corria pelos corredores –, Harry seguiu para a de história com Ron.
A voz do professor Binns começara a soar cada vez mais longe menos de 10 minutos depois do início da aula. Harry e Ron pareciam fazer um esforço incomum para se manterem acordados. O moreno tinha o queixo apoiado na mão e o cotovelo sobre a mesa, os olhos que pesavam arregalaram-se com o susto que tomou quando seu celular vibrou em seu bolso.
Dois bips. Significava que Harry tinha uma nova mensagem de texto. Se mexendo desconfortável e desconfiado na cadeira, Harry recostou-se no espaldar e olhou para Ron. O ruivo usava a mochila de travesseiro e estava praticamente babando. Binns parecia realmente entretido com o que falava e mantinha seus olhos fundos nos alunos que sentavam mais na frente.
Aproveitando que estava mais no fundo, no lado mais escuro e menos interessante da sala, Harry alcançou o aparelho celular para ler o SMS. O nome de Draco brilhou na tela e o moreno sorriu bobamente, apressando-se em apertar "abrir".
Nem a simpatia fingida da professora Sprout consegue me fazer prestar atenção nessa aula. Eu ainda não consigo tirar da cabeça o acontecimento da aula do Snape. Simplesmente épico.
Harry deu uma risadinha e revirou os olhos, divertido. Pelo que bem conhecia do loiro, o garoto não esqueceria daquilo nem tão cedo. Lançando mais uma olhada ao redor e certificando-se que ainda era seguro, colocou o celular debaixo da mesa e digitou rapidamente.
Eu gosto da professora Sprout. Ela pelo menos é mais simpática que seu querido professor Snape. Vamos ver quantas semanas você vai passar lembrando-se disso. Você gostou mesmo foi da atenção.
Relendo rapidamente a procura de qualquer erro devido a sua digitação afoita, Harry apertou em "enviar" e colocou o aparelho de volta no bolso, voltando sua atenção para o professor com energias parcialmente renovadas. O moreno nem havia começado a bocejar de novo ainda quando seu celular voltou a vibrar.
Ele é meu padrinho, Harry. Oh, é claro que eu não reclamaria. Não há nada melhor do que você declarar para todos na sala que me acha lindo. Você fica adorável com as bochechas coradas. Como está a aula de história?
O moreno podia ouvir o tom de deboche na voz do loiro em sua mente enquanto lia o conteúdo da mensagem. Com um sorriso bobo e as bochechas coradas, ele apressou-se ao digitar a resposta.
Estou ciente disso. É, acho que isso explica o porquê de você se empenhar tanto em sempre me matar de vergonha. Ah, a aula de Binns é sempre inspiradora. Por que essa maldita sineta não toca? Estou morrendo de fome.
Você acabou de descobrir meu segredo. Sprout parece estar testando minha paciência hoje. Está com fome? Você está é com saudades de mim, Harry, admita. Hm... Ainda faltam 10 minutos. Que tal pedir a Binns para ir ao banheiro? Eu posso escapulir da aula de biologia num segundo.
Com um olhar incrédulo, Harry sentiu todo seu corpo fervilhar em expectativa. Com os dedos trêmulos ele respondeu, levantando-se e indo ao professor em seguida. Agradeceu silenciosamente pelo velho professor liberá-lo com um simples aceno de mão, sem interromper a sua linha de pensamento.
Já sai da sala. Ainda tem a chave daquele almoxarifado?
Ao receber uma resposta positiva do loiro, acompanhada de um sorrisinho piscando pra ele, Harry acelerou o passo. A adrenalina era tão revigorante que ele sentiu como se pudesse voar a qualquer momento. Dando uma volta a mais em seu caminho, para que Draco já estivesse lá quando ele chegasse, o moreno seguiu para seu destino nervosamente.
Harry mal havia batido duas vezes quando a porta abriu-se de supetão, uma mão de dedos finos agarrou-se na gola de seu casaco e o puxou para dentro, fechando a porta atrás de si rapidamente. Antes que pudesse perceber, a boca de Draco já exigia pela sua num beijo voraz.
Puxando-o para mais perto pela cintura, Harry apenas se preocupou em acompanhar o ritmo daqueles lábios que o levava ao céu. As mãos quentes de Draco subiram pelo peito de Harry devagar, sentindo os músculos contraírem-se contra seus toques, parando para embrenhar seus dedos nos cabelos negros.
A maciez da língua do moreno dançando com a sua quase como se fosse algo sincronizado o fez soltar um pequeno gemido de aprovação, resultando nos braços de Harry se estreitando ainda mais ao seu redor, tentando acabar com qualquer distancia que ousasse existir.
Era impossível para eles dizerem quanto tempo passou-se até o momento em que eles precisaram se separar, mas ambos sorriam, tinha os cabelos bagunçados e as bochechas levemente coradas.
- Tem certeza que era eu quem estava com saudades? – Harry perguntou contra os lábios do loiro.
- Essa é sua recompensa pelo comentário na aula de química. – Draco disse provocador.
- Oh, então você estava pensando em me recompensar? – Algo brilhou nos olhos de Harry. – Eu não estou reclamando, mas acho que isso não seria uma recompensa satisfatória pelo evento. Veja bem, se fosse qualquer outra aula, tudo bem, mas sendo Snape... Eu acho que deveria cobrar um pouquinho mais.
- É mesmo? – O loiro levantou uma sobrancelha pra ele. – E o que você tem em mente?
Com um sorriso malicioso, Harry encostou a boca no ouvido de Draco e sussurrou com a voz rouca o que tinha em mente. Um arrepio percorreu a espinha do loiro e o fez tremer, gemendo inconscientemente, segurando firme nos ombros do garoto por não confiar em suas pernas naquele momento.
- O que você acha? – Harry perguntou, lambendo o lóbulo da orelha de Draco devagar.
- É justo. – O loiro admitiu tomando a boca do moreno num beijo mais guloso que antes.
Quando a falta de ar se tornou quase mortal, Harry desceu os lábios para o pescoço pálido, sorvendo o perfume do loiro como se fosse uma droga, mordiscando e beijando a pele que deslizava como seda pura sob seus lábios.
- Harry... – Draco chamou, seus olhos fechados e suas mãos puxando o moreno pelo quadril.
- Hm? – Ele soou ainda concentrado em marcar a pele de alabastro.
- Nós temos que sair daqui antes que a sineta toque. – O loiro disse com a voz fraca.
- Por mim eu posso ficar aqui até a próxima aula. Não faço questão de almoçar. – Harry subiu os lábios em direção ao ouvido de Draco, roçando-os em seu maxilar lentamente pelo caminho. – Minha fome é de você.
Um arrepio subiu pela a espinha de Draco e suas pernas pareceram que iam ceder novamente. Com muita dificuldade ele parou de puxar o moreno e tirou as mãos dele de sua cintura, dando um passo pra trás para encontrar as íris verdes o encarando cheias de contrariedade.
- Vão entrar aqui. Eles fazem limpeza nas salas durante o almoço. Temos que ir antes que os corredores estejam cheios demais para conseguirmos sair sem precisar dar respostas.
- Sua racionalidade me irrita às vezes, sabia? – Harry revirou os olhos e ajeitou os óculos na ponte do nariz.
- Se não fosse por essa minha "racionalidade", nós teríamos mais detenções do que seriamos capazes de contar nas duas mãos. – Draco olhou para Harry como se fosse algo óbvio, passou as mãos pelos cabelos e inclinou a cabeça para eu o moreno olhasse seu pescoço. – Como está? Muito "olhe pra mim, eu estava de sacanagem no almoxarifado!"?
- Só um pouco. – Harry riu e o olhou sugestivamente. – Mas se você quiser...
- Recomponha-se, Potter! – Draco exclamou com a voz risonha e inclinou-se rapidamente para deixar um selinho nos lábios garoto. – Eu vou voltar pra sala e pegar minha mochila.
- Certo. Farei isso também e acho que ainda terei que acordar Ron. – Harry devolveu o selinho anterior, demorando um pouco mais antes de se afastar. – Te vejo no almoço.
Harry chegou à porta da sala de Binns bem na hora em que a sineta tocou. Ele ainda teve tempo de ver Ron pular assustado e olhar ao redor, piscando freneticamente e limpando a baba do queixo com o dorso da mão.
- Onde você estava? – O ruivo perguntou quando Harry se aproximou rindo.
- Er, fui ao banheiro. – Harry pegou sua mochila e pendurou uma das alças no ombro. – Teve bons sonhos?
- No banheiro, sei. – Ron bufou, ignorando a pergunta do amigo. – Aposto que estava com Malfoy.
- Você é mais esperto do que eu pensava, amigo. – O moreno puxou Ron pelos ombros e prendeu seu pescoço numa chave de braço, bagunçando seus cabelos.
- Sai! Para, Harry. – Ron gritava tentando se desvencilhar do amigo. – Harry! Eu acho melhor você me soltar ou eu vou...
- Vai o que? Está me ameaçando, Weasley? – Harry perguntou rindo.
Ron segurou a mão de Harry que ele esfregava em seu cabelo e torceu seu pulso. O moreno deu um grito de dor exagerado.
- Ron! Ron, é o pulso que eu quebrei. – Ele disse rapidamente, soltando o pescoço do ruivo.
- Oh, me desculpe, Harry. Mas foi você quem começou. – Ron soltou o pulso do outro e ajeitou os cabelos rapidamente, pegando sua mochila em seguida. – Vamos almoçar, estou com fome.
- E qual é a novidade? – Harry riu revirando os olhos.
Os corredores estavam lotados, mas nem se comparava a quantidade de alunos no refeitório. Por sorte, no meio da multidão, Seamus e Dean acenaram de uma das mesas, indicando dois lugares vazios. Lá também estavam Luna, Neville, Hermione e Cedric. Ron sentou ao lado de Hermione, deixando assim a cadeira ao lado de Cedric para Harry.
- E então, Harry, como está sendo o primeiro dia de volta? – Dean perguntou, animado.
- Normal. – Harry deu de ombros. – Snape continua um pé no saco, Sprout continua feliz e Binns, bem, vocês sabem.
- Onde está o Malfoy? O colégio inteiro só fala de vocês dois. – Perguntou Seamus.
- Hm... Eu não sei. Não o vi. – Harry olhou ao redor rapidamente. – Mas o que estão falando?
- Sabe, as pessoas sabem o que aconteceu de verdade, mas depois de um tempo a história verdadeira perdeu a graça, então começaram a inventar outras coisas.
- Eu sei que vou me arrepender de perguntar, mas que coisas?
- Bem, começaram dizendo que o pai do Malfoy tentou te matar. – Começou Dean, contando nos dedos. – Depois disseram que você e o Malfoy tinham fugido, mas quando ele apareceu aqui no outro dia, inventaram que você havia engravidado dele e que estava fazendo um aborto.
- Mas que... – Harry arregalou os olhos, o garfo caindo no prato. – Isso nem é possível! Qual é o problema dessas pessoas?
- Eu acho que essa foi a pior. – Seamus comentou. – Agora estão dizendo que vocês tinham se casado e que estavam em lua de mel.
- Como isso é possível, se o Draco veio fazer prova todos os dias? – Ele perguntou incrédulo.
- Não sei, as pessoas são loucas, Harry. – Dean deu de ombros. – Eles só querem ter alguma coisa sobre a qual comentar.
- É realmente estranho, não é? – Luna comentou, sua voz sonhadora soando baixinha. – Como as pessoas fazem suposições sobre os outros como se soubessem de qualquer coisa? Claramente Draco e Harry não se casaram, nem tiveram um filho e muito menos fizeram um aborto. Simplesmente não faz sentido. Além disso, como Draco poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo?
Todos se entreolharam. Eles podiam jurar que Luna nem estava prestando atenção na conversa. Ron pigarreou e começou a comentar alguma coisa sobre o primeiro jogo contra Durmstrang que eles teriam quando Harry sentiu um olhar pesar sobre ele.
Olhando ao redor ele viu Draco ao pé da escada, o olhar passando por sobre o ombro de Blaise Zabini para cair nele. O loiro tinha uma expressão insatisfeita e Harry logo entendeu que era por causa da presença de Cedric.
Blaise deu um passo para o lado, dando a Harry a visão de uma terceira pessoa conversando com Draco e Blaise. O leão raivoso dos ciúmes rugiu em seu peito quando ele veio perceber quem era. Daphne Greengrass conversava animadamente com os garotos.
Se Harry tivesse contado o tempo que levou desde o momento em que seus olhares se encontraram e o momento em que Draco dispensou Blaise e Daphne para ir até ele, Harry saberia que não demorou mais de 20 segundos.
O loiro caminhou até sua mesa com os olhos cerrados e as mãos nos bolsos e Harry se matinha alheio ao que se era dito pelos outros na mesa, mas sabia que ainda era Ron quem estava com a palavra. Demorou mais do que ele pensava para Draco chegar até ele, seu rosto bonito numa expressão ilegível, e Harry odiava isso.
- Hey. - Harry cumprimentou cerrando os olhos.
- Posso falar com você um minuto?
- Claro. - Ele se levantou, olhando para seus amigos, que o observavam. - Eu volto já.
Harry seguiu Draco até o patamar superior, dobrando no corredor onde se via as máquinas de doces e o banheiro dos monitores.
- Não vamos discutir sobre Cedric de novo, vamos? - Harry perguntou, suspirando, encostando-se na parede e cruzando os braços.
- O engraçado é que você sabe muito bem que não me agrada nem um pouco ter o Diggory lhe cercando. Mas parece que você faz de propósito. - Draco torceu o rosto em uma careta de desgosto. - Isso é um teste ou algo do tipo? Por acaso você acorda pensando "Ah, hoje eu vou testar a paciência do Draco!"?
- Não seja ridículo. Ele é meu amigo. Eu já cansei de lhe dizer isso! Eu já deixei bem claro que estou com você. E não pense que eu não vi você todo animado conversando com Daphne Greengrass.
- Eu não aceito esse negócio de "somos amigos". Se você já nutriu de qualquer sentimento pela outra pessoa é muito difícil deixar tudo pra trás e resolver ser amigo. E Daphne é uma grande amiga de Pansy e estava conversando conosco enquanto esperava por ela.
- Eu sei que é, mas funciona com nós dois. - Harry bufou. – Ah, e a Greengrass apenas por coincidência deveria ser sua noiva! Eu não tenho nenhum interesse no Cedric, assim como ele não tem nenhum em mim.
- Da mesma forma como dizíamos não nos interessar um pelo outro? - Draco alfinetou se aproximando de Harry com passos perigosos. - Eu cansei de dar esse discurso a Pansy quando eu negava estar interessado em você. Mas veja onde estamos agora, Harry.
- O que você espera? Que eu simplesmente pare de falar com ele?
- Seria bom, obrigado.
- Pois isso não vai acontecer e seria bom você se acostumar com a idéia! Inúmeras vezes eu briguei com Cedric por que ele não acreditava quando eu dizia que não tinha interesse nenhum em você e...
- Isso não era verdade, era? - O loiro cerrou os olhos.
- Isso não vem ao caso! Eu não quero mais nada com ele, Draco, será que você não entende? Eu não quero estar com mais ninguém! O que mais você precisa que eu diga para que você acredite?
Draco olhou pra Harry por alguns segundos, perto o suficiente para poder ver sinceridade e nervosismo brilhando nas íris verdes que ele tanto adorava. O loiro não sabia o que dizer, era verdade, e por isso ficou mais do que satisfeito quando Harry o puxou para um beijo necessitado e voraz. Draco aproveitou sua posição para imprensá-lo contra a parede e receber um gemido de aprovação do moreno, que desceu suas mãos pelos braços de Draco, apertando até chegar em sua cintura e puxá-lo mais e mais.
Contra a vontade de Draco, Harry quebrou o beijo para encará-lo com um sorriso satisfeito.
- Você sabe que está sendo um idiota, Draco. Você sabe disso. Eu não vejo problema nenhum em você ser amigo da Greengrass, se você parar de implicar com Cedric.
- Certo. – Draco resmungou. – Não tenho motivos para desconfiar de você. Apenas não deixe o Diggory se aproximar demais.
- Eu digo o mesmo em relação à Greengrass. – Harry sorriu e abraçou o loiro, sorvendo o perfume que ele tanto gostava.
Após o almoço, Harry se dirigiu a sala de Lockhart com Neville e Luna, mas foi com felicidade que eles receberam a notícia de que o professor não iria dar aula naquele dia, por problemas de saúde e, devido à cara de pouca confiança de McGonagall a lhes passar a mensagem, Harry teve certeza de que o professor de filosofia havia mentido sobre o real motivo de sua falta.
Pois então, eles tinham um horário livre pra fazer o que queriam e logo em seguida Harry teria aula com Lupin. Ah, não dava pra ser melhor.
No outro prédio dos terrenos de Hogwarts High, Draco Malfoy fazia sua ronda como monitor. Após enxotar um grupinho de alunos do primeiro ano para sala se aula e exigir ver o passe livre que um aluno do terceiro ano alegava ter para sair da aula de Binns, Harry encontrou outro monitor fazendo sua ronda no mesmo prédio. Era Oliver Wood, um quartanista e aluno modelo.
Ao passar por ele, Oliver acenou com a cabeça e o cumprimentou, desejando boa tarde. Draco, além de não ter nada contra o garoto, fora bem educado e Narcissa teria uma síncope se imaginasse que seu filho não respondera a tal cumprimento, então por isso, ele o fez, acenando curtamente com a cabeça e devolvendo o "boa tarde".
Voltando para o prédio principal, Draco fora atraído até o refeitório pelo barulho que vinha de lá, as vozes sobrepondo-se as cadeiras que eram arrastadas e algumas risadas. Havia pelo menos vinte alunos ali e o loiro se viu atordoado por alguns segundos, até ver uma cabeleira negra e despenteada chamar sua atenção.
Harry estava deitado no segundo degrau da arquibancada, usando sua mochila como travesseiro e rindo de algo que Neville havia dito. O garoto estava sentado ao lado de Luna no degrau debaixo e corava furiosamente.
Draco sorriu quando o som da risada de Harry chegou a seus ouvidos. Era realmente algo bom de ouvir, a gargalhada de Harry. Como se fosse guiado pela voz do garoto, Draco seguiu até lá em passos largos.
- Harry! – Ele chamou quando estava próximo o suficiente.
- Hey! – O moreno deu um lindo sorriso e levantou-se para ir até o loiro.
- O que está acontecendo aqui?
- Lockhart resolveu nos presentear com sua ausência, então temos um horário livre. – Harry deu de ombros. – E você? Não tem aula?
- Estou fazendo minha ronda.
- Olá, Malfoy. – Luna cumprimentou com a voz serena. – Espero que esteja tendo um dia proveitoso.
- Hm... – Draco olhou confuso para a loira e depois para Harry, que exigiu com um olhar que ele fosse legal. – Eu acho que estou, obrigado.
- Eu não entendo, você está perdendo aula, não está? – Harry perguntou sentando-se no primeiro degrau da arquibancada, puxando sua mochila para encostar-se nela.
- Quando Dumbledore me nomeou, ele o fez por que sabe que eu consigo pegar o assunto depois sem problemas. É por isso que eu sou monitor. – O loiro explicou com ar convencido.
- Bem, então, Hermione também deveria ser. – Ele apontou.
- Os rumores são que Dumbledore pediu a Granger para que ela se tornasse monitora, mas ela não aceitou. – Draco bufou. – Como se perde uma oportunidade dessas é que eu não sei.
- É você quem gosta de intimidar as pessoas, Draco. A Mione não é dessas coisas. – Harry disse com um sorrisinho, puxando o loiro para sentar-se ao seu lado. – Eu posso garantir que ela preferiria passar o tempo na biblioteca ao invés de perdê-lo com rondas.
- Claro. – Ele revirou os olhos. – Tão típico.
- Não seja chato. – O moreno cutucou seu estômago, fazendo-o contrair-se e soltar um gemidinho de dor.
- Não seja idiota. – Draco resmungou massageando o local. – Ouça, você tem algum compromisso sexta?
- Não, acho que não. Por quê?
- Você disse que queria voltar no terraço, lembra? Pensei em irmos essa sexta.
- Parece ótimo. – Harry sorriu.
- Certo. Tenho que terminar meu trabalho agora, falo com você mais tarde.
Harry olhou rapidamente ao redor antes de segurar o rosto angular do loiro e dar-lhe um selinho. Draco não teve tempo nem de soltar uma exclamação de surpresa e Harry já acenava para ele inocentemente. Então ele sorriu. Harry devia ser louco.
Obrigada Yann Riddle Black, sonialeme, Mila Pink, Maru, Pandora Beaumont, Ines G. Black, Sestini, Leticia Santos, Reira Malfoy - Potter pelos comentários lindos! E obrigada a todo vocês pelos hits! Tivemos muitos nesse capítulo.
Ficamos muito felizes em saber que o capítulo anterior atingiu a expectativa e que vocês tenham gostado. Ainda teremos mais momentos desses, é claro, mas antes do arco-íris vem a chuva, né? HEHEHE Podem se preparar, mas guardem os tridentes e tochas.
Argh, não existem palavras para realmente expressar o quanto cada um de vocês significa pra gente! De verdade. Obrigada mesmo, gente.
Até próximo sábado. Mil beijos.
