Capítulo 19
Say the words

Draco mal havia entrado em casa na sexta-feira quando sua mãe o apressou, dizendo que ele fosse tomar um banho rápido e trocar de roupa por que eles iriam sair. A princípio ele acreditou que eles estariam indo buscar seu pai no aeroporto, mas lembrou-se que Narcissa havia comentado que ele só chegaria tarde da noite.

Desconfiado, o loiro questionou a mãe sobre qual era seu destino e com um sorriso e um breve gesto displicente com uma mão, Narcissa disse que eles estavam indo fazer as compras de natal.

Ao receber a resposta, Draco levantou uma sobrancelha e encarou a figura de sua mãe. Seu plano para a sexta-feira não era exatamente esse. O loiro pretendia enfiar-se em seu quarto e tocar violão até seus dedos sangrarem – ou até dar a hora de ir buscar seu pai.

Então, lá estava o loiro, olhando vitrines e ajudando sua mãe a encontrar algo que agradasse seu pai – tarefa que todo ano se mostrava extremamente difícil –, enquanto também tentava achar algo para si mesmo.

Todo ano Draco fazia as compras de fim de ano com Narcissa e acabava se divertindo, mas naquele ano nada lhe parecia muito animador. Uma de suas coisas preferidas sobre esses passeios com sua mãe eram os olhares incrédulos que as pessoas lançavam para os dois. Qualquer outro ano, Draco acharia aquilo cômico, mas naquele em particular ele só mostrava indiferença. Sua mãe, por outro lado, parecia estar aproveitando como sempre, já que a cada olhar lançando para ela fazia com que Narcissa arrebitasse mais o nariz e aumentasse seu sorriso.

Era obvio que duas figuras possuidoras de tal beleza e elegância chamariam atenção, mas Draco estava começando a ficar impaciente e cada sorrisinho que qualquer garota dava o fazia torcer mais e mais seu rosto bonito em uma careta desgostosa.

- Aonde vamos passar o natal esse ano, mãe? – Draco perguntou quando eles entraram na centésima loja.

- Seu pai e eu ainda não decidimos. Recebemos mais convites que o normal esse ano. É provável que tenhamos que comparecer em mais de uma festa.

Draco assentiu e olhou por cima do ombro para ver o motorista particular de sua mãe que carregava dezenas de sacolas, já tendo levado outro monte delas para o carro.

- O que acha desse, querido? – Narcissa perguntou acenando para um vestido de um verde tão escuro que se não houvesse uma luz forte sobre ele poderia ser erroneamente considerado preto.

- É muito bonito, mas não há que não fique melhor ainda na senhora. – Ele respondeu com um sorriso galante.

Narcissa riu e acariciou seu rosto. O fato era que a loira já havia perdido a conta de quantas vezes seu marido já não havia pronunciado aquela mesma frase, mas esta nunca parecia perder o efeito desejado. Narcissa permitiu-se corar e fez questão que seu filho visse.

- Sempre tão gentil. – Ela sorriu para ele. – Mas acho que já tenho vestidos suficientes, o que você acha, querido?

- Eu acho que um a mais nunca é demais. – Draco observou o vestido por alguns segundos. – Papai vai adorar.

- Tudo bem. Eu vou comprar, então, e direi a ele que foi você quem escolheu. – Narcissa afastou-se graciosamente, sendo atacada por três vendedoras na mesma hora.

Draco suspirou. Sentia-se extremamente cansado. Queria muito ir pra casa, cair na cama e só acordar na segunda-feira. Mas então se lembrou que nesse dia as primeiras aulas são com Snape e Harry tinha essa aula junto com ele.

Sacudindo a cabeça rapidamente e ignorando o cochicho de um grupo de garotas num canto da loja, tentou esquecer os eventos da semana. Não queria lembrar-se de Harry sentado tão longe dele, sozinho, só por que não queria ter que falar com ele, de seus encontros nos corredores nos quais Draco saia antes que Harry pudesse dizer algo muito desagradável, ver Diggory dar a Harry uma barra de chocolate com menta, algo que deveria ser exclusivo dele.

- Draco, temos que ir agora ou vamos nos atrasar para buscar seu pai. – Narcissa disse pedindo ao motorista que recolhesse mais aquela sacola. – Precisa de mais alguma coisa?

- Não, acredito que já tenho tudo, obrigado. Podemos ir agora.

Ao chegarem à garagem, o motorista disse que iria buscar o carro e Narcissa e Draco esperavam falando algo sobre a decoração da casa para as festas de fim de ano quando uma voz conhecida chamou a loira.

- Narcissa! – Lily exclamou animada.

- Oh, Lily. – A loira sorriu para a ruiva e fez um breve aceno com a cabeça. – Veio fazer as compras de natal também?

- Sim, viemos. – A ruiva sorriu.

Draco estava paralisado desde que ouvira a voz da mulher. Harry estava bem ao lado dela e o observava. Após alguns longos e arrastados segundos onde eles apenas se olharam, Harry deu um sorrisinho de canto e acenou com a cabeça.

- Malfoy. – Ele disse em tom de cumprimento.

- Potter. – Draco respondeu quase que automaticamente, acenando também.

- Já estão de saída? – Lily perguntou. – Que pena, eu esperava que pudessem se juntar a nós e comer alguma coisa.

- Ah, eu adoraria. – Narcissa garantiu. – Mas estamos indo até o aeroporto buscar Lucius.

- Oh, certo. Mande lembranças a ele, então.

- Mandarei, muito obrigada. Mande a James e Sirius por mim. – A loira disse sorrindo.

- Eu tenho certeza que Sirius ficará mais do que feliz em ter notícias de sua prima preferida. – Ambas riram. – Até mais, então.

- Até. Boas compras.

Harry seguiu Lily sem dizer mais nada, olhando para o chão, cerrando seu maxilar para impedir que seu coração subisse pela garganta e saísse por sua boca. Antes de passar pela porta automática, porém, o moreno olhou por sobre o ombro para descobrir que Draco fitava suas costas. Com o leve tremor que percorreu seu corpo devido a intensidade do olhar, Harry voltou a encarar o chão e começou a andar mais rapidamente.

Draco ainda hesitou antes de seguir sua mãe e entrar no carro que havia parado bem à frente deles. O motorista fechou a porta e o loiro permaneceu olhando para as portas automáticas que a essa altura já haviam fechado.

- Você disse que não desistiria, Draco. – Lembrou Narcissa olhando para o filho com certa insatisfação no olhar.

- Eu não desisti. – Ele garantiu.

- Mas não adianta muito se você não toma nenhuma atitude. – A loira disse com a voz dura. – Eu conversei com Lily, com Sirius, com Snape e tive intermináveis discussões com seu pai e disse que estava brigando por vocês dois por que eu sabia que você nunca desistiria. Você não quer que eu me arrependa disso, quer?

Draco levantou o olhar para observar o rosto bonito de sua mãe. Os olhos claros o analisavam com certa decepção e isso o machucou profundamente. Ele sabia que ela estava certa. A verdade era que o loiro havia simplesmente aceitado o fato de que havia perdido Harry e não estava fazendo nada pra mudar isso.

Narcissa virou o rosto para o outro lado e passou a observar as paisagens que passavam rápidas pela janela. Ela sabia que ele estava considerando o que ela havia falado. A verdade era que a loira entendia completamente como Draco se sentia e era realmente diferente encontrar forças pra tentar mudar qualquer coisa quando não restam mais esperanças.


Já de volta em casa, após o jantar, Draco andava pelos corredores da Mansão Malfoy com as mãos nos bolsos e sem realmente prestar atenção em qualquer coisa. Sua mente pensava apenas em como ele faria Harry acreditar nele.

Primeiro, Draco pôs-se no lugar de Harry. E se fosse ele quem chegasse para se encontrar com o moreno e ele estivesse se agarrando com uma garota? Bem, pra começar, seria muito estúpido da parte dele, sabendo que Draco chegaria a qualquer momento. Pondo-se de volta em seu lugar e analisando este mesmo fator, o loiro chegou a conclusão que não faria sentido ele estar ali com outra pessoa se sabia que Harry estaria chegando em breve. Certo, um argumento a seu favor.

Depois, o loiro começou a pensar exatamente no que Harry poderia ter visto. As mãos da desconhecida estavam descendo sugestivamente para algum lugar mais ao sul e ele próprio murmurava no ouvido da mulher para que ela se afastasse. Tentando projetar as imagens em sua mente, Draco concluiu que não era algo realmente bom de ver. Harry estava certo em ter raiva.

Foi ai então que ele lembrou que a criatura enviada pelo capeta para se esfregar nele o chamara pelo nome. Como diabos ela sabia seu nome? Ele não se lembrava de conhecê-la do inferno do qual ela havia saído. Simplesmente não fazia sentido.

Agora Draco tinha um argumento a seu favor, um duvidoso e um contra-argumento que levaria seu contexto da história por água a baixo. Ele precisava pensar mais.

Será que Harry havia esquecido, apenas com aquela cena infortuna que havia presenciado, tudo o que eles passaram juntos e todas as promessas não pronunciadas, mas que foram seladas com apenas uma troca de olhares ou com o toque de seus lábios? Como o dia em que Harry havia pedido para Draco ficar com ele para sempre e o loiro respondeu deixando transparecer tudo o que sentia num beijo que tirou seu fôlego? Ou como eles escolheram o nome de seus filhos, ou a primeira vez deles, ou suas atitudes e gestos possessivos.

Era tão obvio, não era? Ele estava tão apaixonado que agira insanamente. Desafiou seu pai e seu padrinho, desafiou os pais e o padrinho de Harry, foi contra tudo o que acreditava. Apenas agora, quando tudo escapara entre seus dedos, Draco percebeu que amava Harry.

Seus cabelos sempre tão bagunçados, seus olhos que brilhavam como um milhão de estrelas, seus beijos que o fazia derreter com um simples toque de lábios, seu perfume amadeirado que o deixava bêbado, seus toques quentes que enviavam arrepios pela sua espinha, suas palavras doces que o faziam sonhar acordado. Oh, sim, era obvio demais e Draco tinha que ser muito cego para não perceber.

Harry deveria saber também, não é? Mas o garoto parecia tão alheio a esse fato quanto ele próprio. Ele podia estar fazendo-o inconscientemente, mas havia demonstrado em seus atos como se sentia. O dia em que o levara ao seu lugar particular, no terraço daquele prédio; o dia em que fugira de casa por que não se casaria com Daphne e prometeu a Harry que não desistiria dele; o dia em que chorou em seus braços quando achou acreditou que iria perdê-lo pra sempre. Se Harry ao menos soubesse que ele nunca se portara assim com qualquer outra pessoa, ele saberia do que Draco tinha certeza agora: ele amava Harry.

Não importava o que ele teria que fazer, o que ele teria que provar, pelo que ele teria que passar, Draco mostraria a Harry. Se não com palavras, com seus atos.

O loiro andava pela mansão tão preso em pensamentos que pulou com o susto que tomou quando a risada de seu pai ecoou no corredor, vinda de dentro do escritório. Parando e piscando repetidamente, Draco aproximou-se da porta com curiosidade. Ouvir Lucius Malfoy rindo não era um evento diário e o loiro se viu curioso.

Draco sabia que seu pai não poderia estar falando com sua mãe, já que esta estava na sala de visitas com sua tia Bellatrix, conversando sobre algo que ele não prestara muita atenção antes de pedir licença e começar com suas andanças sem rumo pela mansão.

Ainda mais curioso, Draco aproximou-se mais para ouvir a voz animada de seu pai soar através da porta de madeira escura e esculpida.

- Não seja estraga-prazeres, Severus. – Lucius pediu um pouco irritado. – É claro que tomei minhas providencias. Não sou estúpido. Vamos lá, temos que comemorar. Por que você não vem até aqui para brindarmos à minha genialidade?

Devido à falta de resposta de seu padrinho e o silêncio temporário de seu pai, Draco deduziu que ele falava ao telefone e franziu o cenho quando seu pai riu novamente.

- Foi mesmo genial, eu sei. – Ele se gabou. – Meu plano, a princípio, era apenas fazer com que Draco se lembrasse do que é ter uma mulher a seus pés, entende? Mas quem imaginaria que o pirralho Potter iria resolver aparecer por lá naquele exato momento?

Lucius riu novamente e Draco colou o ouvido contra a porta, uma raiva surgindo em seu peito com tanta força que suas mãos começaram a tremer e sua têmpora a palpitar.

- Quer dizer que eles não estão nem se olhando mais? Ora, mas isso é maravilhoso! Saiu tudo melhor do que eu planejei. Se eu soubesse que teria esse resultado, teria contratado os serviços da mulher há mais tempo.

Houve uma pausa onde Draco esperava por mais alguma coisa antes de irromper na sala e gritar com seu pai até a próxima geração. Inacreditável. Lucius era o porquê de suas dores. Seu próprio pai. Do outro lado da porta, ele bufou.

- O que você acha que eu sou, Severus? Um amador? É claro que eu não usei meu nome. Eu nem me envolvi nessa história diretamente, apenas cobrei um favor de um conhecido que lidou com tudo pra mim e foi muito bem remunerado. Ninguém irá saber. A mulher não sabe quem eu sou, o meu contratado foi bem pago para manter-se calado e a única pessoa que sabe, agora, é você.

Draco não agüentaria mais. Não. Aquilo não podia ser verdade. Lucius não havia feito aquilo. Ele não iria tão baixo, iria? Era cruel demais. Respirando fundo, Draco forçou-se a se controlar. Perder a linha agora não adiantaria de nada, ele tinha que ser frio. O mais frio dos Malfoy. Faria o que seu pai o ensinara e usaria isso contra ele.

Quando Lucius riu novamente do outro lado, o rosto de Draco contorceu-se em desgosto e ele bateu na porta com mais força do que pretendia, ouvindo o pai se despedir rapidamente de Snape e autorizar sua entrada. Ele ainda sorria quando Draco fechou a porta atrás de si.

- Draco, meu filho, como você está? Estava falando com Severus agorinha mesmo. Ele disse que você está tendo uma ótima semana e que está se mostrando mais dedicado que nunca! – Lucius disse com entusiasmo. – Muito bem!

- Poupe-me. – Ele pediu com um gesto displicente e sentou-se em frente ao pai.

- Como disse? – Lucius perguntou vincando a testa.

- Eu disse poupe-me. – Draco repetiu com um olhar perigoso. – Poupe-me de sua falsidade e seus fingimentos. Não tente me convencer que se importa comigo.

- Mas o que há de errado com você, moleque? Esse tempo que passei fora fez com que você esquecesse que sou a autoridade nesta casa, por acaso?

- Oh, não, claro que não. – Draco garantiu com um aceno de cabeça. – Mas sua volta com certeza me ensinou quão baixo você pode ir quando algo não está do seu jeito, não é, pai?

- Do que você está falando? E olhe o tom de voz, garoto! Eu exijo ser respeitado em minha casa.

- Respeito? Você quer respeito? – Draco bufou. – Eu irei respeitá-lo quando o senhor merecer que eu o faça, por que neste momento eu não poderia estar mais enojado.

- Garoto! – Lucius levantou-se e seu rosto, sempre tão impassível, estava cheio de indignação. – Perdeu a noção do perigo?

- Eu não me importo mais! – Draco gritou de volta, levantando-se também e encarando o mais velho com os punhos cerrados. – Eu nunca pensei que um dia sentiria vergonha de ser seu filho! Mas eu sinto, e muita. Sinto vergonha do sobrenome que carrego e da reação das pessoas ao ouvi-lo. É simplesmente repugnante!

- Você acha? – Lucius rosnou. – Então, se está tão insatisfeito, pode se retirar agora mesmo.

- Talvez eu o faça, mas nesse momento, eu tenho coisas mais importantes pra resolver!

- Mesmo? E o que seria isso?

- Você acabou com a melhor fase da minha vida e se você se importa tanto quanto diz, se o pai que existe dentro de você em algum lugar perdido sente algum amor pelo filho, você vai me ajudar a recuperá-lo!

- Você entrou nas drogas, garoto? Mas de que diabos você está falando?

- Você sabe muito bem do que estou falando! – Draco gritou, socando a mesa com força, fazendo alguns objetos aleatórios tremerem. – Eu ouvi você conversando com o Snape! Eu sei que foi você! Você tirou o Harry de mim e eu nunca me senti tão miserável em toda minha vida!

- Esse garoto de novo? – Lucius bufou. – Esqueça, Draco! Siga em frente!

- Não! Eu não vou a lugar nenhum, eu não vou seguir em frente, a não ser que tenha Harry comigo!

- Ele é apenas um pirralho imbecil e sem cérebro, por que importa tanto pra você?

- Por que eu o amo! – O mais novo gritou o mais alto que pôde, para que ficasse claro para todos os que pudessem chegar a escutá-lo.

A Mansão inteira caiu num silêncio profundo. Até mesmo os empregados que terminavam o expediente do dia pararam o que estavam fazendo para espantar-se com a declaração do herdeiro dos Malfoy. Narcissa irrompeu na sala com o vestido esvoaçando atrás de seus passos apressados e nervosos.

- O que está acontecendo? – Ela perguntou ao ver Lucius cair sentado de volta em sua enorme cadeira atrás de sua mesa. – O que houve?

- Foi ele, mãe! – Draco disse, ainda falando alto, como se quisesse expulsar algo de seu peito. – Ele contratou a mulher que Harry viu comigo. Ele destruiu tudo!

Narcissa soltou uma exclamação e olhou para o marido, que agora tinha os olhos sem encontrar nenhum foco, a boca entreaberta e o rosto mais pálido que o normal. Voltou, então, a observar o filho, que estava com o rosto vermelho e ofegava, lágrimas contidas brilhando no canto de seus olhos.

- Lucius? – Ela chamou quase como um suspiro. – Isso não é verdade, é? Por favor, me diga que não é verdade.

- É verdade. – Draco garantiu. – Eu o ouvi falando com Snape no telefone. Ele estava se vangloriando e rindo do que fez comigo.

- Inacreditável. – Narcissa suspirou, massageando uma têmpora, dando as costas pros dois.

Alguns minutos pesados e silenciosos se arrastaram onde Draco se controlava, respirando fundo, Narcissa massageava ambas as têmporas lentamente, os olhos fechados, e Lucius balançava a cabeça negativamente, sussurrando algo para si mesmo, olhando para as próprias mãos. Por fim, Narcissa virou-se e cruzou os braços.

- Você tem que dar um jeito nisso, Lucius. Está na hora de consertar seu erro.

Lucius encarou a esposa por alguns segundos, depois olhou para o filho que o olhava com expectativa e com súplica nos olhos. Lembrou-se então do garotinho que ele colocava sentado em seu colo e contava histórias de como um dia ele seria tão grande que poderia ser o que quiser. Ali estava aquele garotinho agora, quase um homem feito, e estava sendo quem ele queria ser.

Deixando de lado seu sobrenome e as tradições de crenças de sua família e sendo apenas pai, Lucius assentiu, alcançando o telefone. Tinha algumas ligações para fazer.


Ao dar fim a suas ligações, Lucius levantou o olhar para seu filho e sua esposa que estavam agora sentados à sua frente e ambos esperavam ansiosamente. Olhando para Draco ele se lembrou daquele bebezinho de cabelos quase brancos e ralos que segurava seu dedo com força até pegar no sono. Olhando para Narcissa ele se lembrava da linda jovem por quem se apaixonou e por quem faria qualquer coisa. Parecia que as coisas não haviam mudado tanto assim, afinal de contas. Mas Draco havia crescido e isso ele não poderia negar.

No ano seguinte ele completaria 18 anos e, se ainda quisesse, começaria a ajudá-lo nas empresas. Draco era seu maior orgulho e a partir de então o instruiria a criar seus filhos como ele deveria tê-lo criado. Lucius se dedicaria agora a ensinar e mostrar a Draco o que era ser um bom pai. Seria o pai que não fora naqueles 17 anos. Era verdade que Lucius não podia embalar Draco em seus braços e cantarolar qualquer cantiga de ninar para que o garoto dormisse, mas estaria ali para seu filho. Principalmente naquele momento.

Levantando-se, Lucius deu a volta na mesa e abaixou-se em frente ao filho, segurando o rosto que era tão parecido com o seu próprio em suas mãos, sorrindo dolorosamente para o garoto.

- Eu tenho muito orgulho de você, Draco. – Ele disse com a voz falha. – E peço que me desculpe por fazê-lo se envergonhar de mim. Perdoe-me, filho. Perdoe-me se puder.

Draco levantou-se da cadeira apenas para abaixar-se em frente ao pai também e abraçá-lo. Atrás deles, Narcissa não pôde segurar as lágrimas, deixando-as cair silenciosas enquanto observava os dois, sorrindo.

- Eu sinto muito, Draco. – Lucius disse se afastando para olhar nos olhos do filho. – Eu realmente espero que esse garoto Potter acredite em você, por que senão eu mesmo irei meter a verdade na cabeça dele, seja por bem ou por mal. E nem que eu tenha que abrir um buraco no cérebro já prejudicado daquela família.

- Pai. – Draco revirou os olhos, mas estava sorrindo e tinha diversão em sua voz. – Nós conversaremos depois, pode ser? Eu tenho que ajeitar algumas coisas agora.

- Muito bem. Vá lá e me faça orgulhoso! – Ele ordenou com falsa exigência e levantou-se.

Draco saiu, literalmente, correndo pela mansão. Ele já sabia o que fazer, mas tinha que arrumar algumas coisas antes. Ainda no escritório, Lucius sorria radiante e olhou para a esposa que ainda tinha lágrimas escorrendo em seu rosto bonito. Ele se aproximou, preocupado.

- Querida? – Ele chamou secando as lágrimas dela lenta e calmamente com o dorso de sua mão. – Está tudo bem?

Narcissa apenas assentiu e jogou-se nos braços do marido, que apenas envolveu sua cintura magra com os dois braços e a apertou contra seu peito, sussurrando para que apenas ela ouvisse que ele a amava e que sentia muito pelo que tinha feito.


Draco já havia planejado tudo. Com ajuda de seu pai, ele conseguiu localizar a mulher – Tracy – com quem Harry o vira na sexta-feira anterior. Havia falado com Lily Potter e a ruiva pareceu extremamente aliviada e contente por saber que o loiro estava tomando uma atitude.

Naquele momento, Draco fazia seu caminho para a casa dos Potter, com Tracy no banco do passageiro. Ela era uma boa pessoa, o loiro logo pôde notar. Ao contar a história toda a ela, tudo o que ela conseguiu dizer foi "Ah meu deus, eu sinto muito.", "Eu não fazia idéia.", "Eu vou ajudar você a acertar tudo." e ficou repetindo tais frases até eles chegarem ao destino final.

Lily os recebeu com entusiasmo, mas se despediu logo em seguida, informando que só havia Harry em casa e que ele desceria em breve. Não demorou a acontecer, o que agradou a Draco, mas Harry usava a mesma jaqueta de couro preta que fez o loiro ter sonhos os quais o fez ter que tomar um banho bem frio de madrugada. E ele odiava tomar banhos frios, principalmente de madrugada.

Tracy estava sentada ao seu lado no sofá, as pernas cruzadas, balançando o pé. Harry arregalou os olhos – livres dos óculos – para os visitantes e engoliu em seco. Passando o olhar do loiro para a morena repetidamente, o moreno por fim pigarreou.

- O que você está fazendo aqui? – Ele perguntou, olhando fixamente para Draco.

- Precisamos conversar.

- Conversar? – Harry deu uma risada sem humor que acabou soando um pouco maníaca e doente. – Agora você quer conversar? Eu deveria mesmo imaginar algo assim vindo. Já passou pela sua cabeça que você deveria ter "conversado" comigo antes? Talvez quando eu estava sendo idiota o suficiente pra me apaixonar por você. É, talvez este tivesse sido um bom momento. – Ele disse sarcasticamente.

- Harry, escute... – Draco pediu levantando-se.

- Eu preferia que você me dissesse o que pensava, por mais doloroso que fosse, a viver uma mentira. – O moreno continuou como se Draco não tivesse dito nada. – Eu preferia ouvir a verdade a ter que abrir mão da sua amizade. Mas agora é tarde demais para isso. Eu só peço a você que vá embora. Apenas me responda, antes de ir: valeu à pena? – Harry apontou para a mulher sentada no sofá. – Ela vale à pena?

- Harry, olhe, é complicado. – Draco ousou estender a mão na direção do moreno, baixando-a logo em seguida ao vê-lo dar um passo para trás. – Eu...

- Eu fiz uma pergunta simples, Malfoy. Por que seria complicado? E depois eu que sou o burro, o idiota... Não, na verdade, eu até que sou. Só um idiota cairia na sua mesmo! – Interrompeu-o mais uma vez, o desgosto explícito em sua voz. Ele encarou a mulher sentada no sofá, parecendo levemente assustada. - Você quer os dois, é isso? É isso, Malfoy?

- O que? Você está louco, Harry? – Os olhos azulados arregalaram-se em espanto. – Deixe-me explicar!

- Explicar o que? Como vai ser o esquema? – Havia um fogo furioso nos olhos verdes, incendiando Draco e Tracy. Draco estremeceu, fechando os olhos e respirando fundo.

- Você tem que ter algum problema mental. – Resmungou, passando ambas as mãos pelos cabelos, nervoso.

Harry deu dois passos à frente, parando bem perto de Draco e agarrando seu braço, pronto para começar a gritar. Tracy percebeu logo que aquilo não daria em nada, os dois permaneceriam brigando e nada se resolveria, sem falar que não era como se ela estivesse de férias. Tinha outras coisas para fazer. Quando a morena ouviu a história dos dois garotos, havia achado tão triste que não tivera nenhuma opção senão ajuda-los. Mas ela precisava concordar com Draco, esse Harry tinha mesmo problemas mentais.

Reunindo toda a coragem que acumulara em dois anos de trabalho, Tracy se levantou do confortável sofá e andou determinada até os dois. O olhar que recebeu de Harry foi de puro desgosto, enquanto Draco parecia apenas surpreso.

- É o seguinte, Harry. – Começou, olhando no fundo dos olhos verdes. – Meu nome é Tracy e... Não ouse me interromper! – Exclamou, apontando para Harry no momento em que moreno abriu a boca para reclamar. – E eu sou uma prostituta. É isso mesmo, fique chocado. – Rolou os olhos. – Você vai sentar naquele sofá ali e me escutar, está entendendo? – Cruzou os braços e observou, satisfeita, enquanto Harry dirigia-se ao móvel e ali sentava calado.

- Obrigado. – Sussurrou-lhe Draco, indo sentar ali também. Tracy apenas sorriu orgulhosa.

- Bem, ao que parece, o pai de Draco contratou-me para, digamos assim, seduzi-lo. Obviamente, o propósito era afastá-lo de você, Harry, fazer Draco se lembrar como era ter uma mulher, algo assim. Eu não sei a história direito, está bem? Mas o Draco nunca teve a intenção de ficar comigo, isso posso lhe assegurar. Assim que ele te viu, foi como se eu nem existisse. – Ela suspirou. – Ele nunca faria isso com você, Harry. Escute-o. – Aconselhou antes de inclinar-se para pegar a bolsa e pendurá-la no ombro. – Agora, eu preciso ir. Tenho um compromisso. – O loiro levantou-se, um tanto perdido. – Não se preocupe, Draco, pegarei um táxi.

- Obrigado, Tracy. – Suspirou, aliviado.

- Sem problemas, depois você me paga. – Ela riu. – Brincadeira! – Acrescentou ao ver os olhares chocados dos dois garotos. – Tchau, tchau. Eu sei o caminho até a porta, conversem sem gritos, hein?

Harry observou a mulher deixar a sala com os olhos arregalados. Ele sentia todo o corpo tenso e o coração estava acelerado. Se metade do que Tracy lhe dissera fosse verdade, ele havia sido um completo idiota com Draco todo esse tempo e provavelmente se sentiria culpado para sempre. De repente, a presença do loiro ali sentado ao seu lado com toda aquela postura Malfoy armada tornou-se muito importante. Arriscando-se mais do que deveria, ele lançou um olhar para o garoto.

Draco mantinha o olhar fixo em algumas fotos na prateleira do outro lado do cômodo, porém sem realmente vê-las. Seus olhos estavam desfocados e sua mente concentrada somente nas confusas ações do moreno ao seu lado, apenas as que sua visão periférica permitia-o vislumbrar. Havia visto Harry deslizar as mãos pelos cabelos e rosto, encará-lo por minutos e, então, balançar a cabeça negativamente como se estivesse fazendo – ou pensando – algo errado. O nervosismo começava a se mostrar em atitudes, sua perna não mais parava quieta e ele brincava com um fio solto da almofada a seu lado – sem deixar de notar como sua mãe enlouqueceria se visse tal absurdo.

Harry Potter era o garoto mais burro do mundo. Fato comprovado. O moreno estava a ponto de dar um soco no próprio nariz de tanta revolta. Ele tinha a perfeita noção de que estava perdidamente apaixonado por Draco, ter ficado miserável depois do término provava isso bem, mas nunca parara para pensar que simplesmente "estar apaixonado" era pouco. Harry estivera apaixonado antes e com certeza não chegava nem perto do que sentia quando estava com o loiro. Era como comparar uma formiga a um gigante.

A realização atingiu-lhe como um tapa ardido na cara. Ele, Harry Potter, amava Draco Malfoy. Amava. E era idiota, retardado, imbecil o suficiente para não ter percebido – ou admitido – antes. Harry encarou o loiro por alguns momentos e suspirou, sem entender como alguém poderia ser tão lindo. Contendo o sorriso, continuou olhando-o, sério, e esperou até que os olhos azulados encontrassem os seus para perguntar:

- Era verdade? – Harry não estava esperando que sua voz saísse tão baixa e fraca, mas não demonstrou surpresa. Nem Draco.

- Claro. – Os belos olhos rolaram nas órbitas.

Harry estava mesmo tentando não agir como um idiota, mas o fato de agora saber que o que sentia por Draco não era tão simples como sempre imaginara não ajudava em nada. Ele prestava atenção em cada coisa que o loiro fazia e sentia-se tentado a sorrir com cada movimento diferente que demonstrava desconforto e ansiedade. Mesmo se o sentimento não fosse recíproco – ele não queria pensar nisso agora –, o moreno estava feliz por não ser o único nervoso demais.

- Draco... – O chamado soava mais como uma súplica do que qualquer outra coisa. – Por que você não disse?

- Estava tentando, não percebeu? – E novamente, Harry estava contendo um sorriso ao notar o sarcasmo defensivo.

- Eu quis dizer antes. – Explicou.

- Até parece que você me escutaria. – Draco puxou com força o fio da almofado com o qual estivera brincando. – Você só vivia grudado no Diggory, só escutava o Diggory, tudo era o Diggory. – Falou, mal humorado.

- Você não esquece o Cedric mesmo, não é? – Perguntou Harry, risonho.

- Eu não o esqueço? Não seja ridículo. – Retrucou, largando a almofada e cruzando os braços de modo infantil. – Não ouse rir, Potter! – Resmungou ao perceber que o moreno já soltava risadinhas.

- Obrigado. – Disse, após momentos em silêncio. O olhar que recebeu em resposta continha uma confusão profunda. – Por não desistir. – Explicou, sentindo as bochechas corarem.

- Eu prometi. – Draco murmurou em resposta.

- É. – Concordou e nada mais disse.

Ambos permaneceram em silêncio, encarando qualquer outra coisa que não fosse o outro. Nunca havia sido assim. Nunca havia sido tão... Embaraçoso entre eles. Harry sentia as mãos suando e literalmente não sabia o que fazer. Ele podia lidar com o Draco sarcástico, o maldoso e até o revoltado, aquela situação era completamente nova e tudo o que queria era poder abraçar o loiro e sussurrar-lhe ao pé do ouvido o quanto o amava, mas não sabia se isso era a coisa certa a fazer. Na verdade, tinha quase certeza de que não era o certo.

As pessoas reclamavam que Harry Potter não pensava direito antes de agir, mas desta vez o moreno estava pensando até demais. Ele estava enrolando o quanto podia para se decidir sobre o que fazer. Não estava dando certo. Notar que o loiro voltara a mexer no maldito fio da almofada, o distraíra ainda mais. Agora, ele se concentrava no jeito com que Draco enrolava-o no dedo, puxava um pouco para depois soltar e começar tudo de novo. Toda a concentração no rosto bonito indicava que ele também não sabia o que fazer. E a parte maldosa de Harry adorou saber disso.

- Então... – Começou o moreno para chamar atenção de Draco.

- Então? – Incentivou, respirando fundo.

- Está tudo bem? – Harry riu baixo ao ver a sobrancelha loira arquear-se em descrença. – Entre a gente, quero dizer.

- Quem tem que me dizer isso é você. – Retrucou, rolando os olhos.

- Claro. – Harry riu, envergonhado. – Eu...

Sem pensar nem uma vez, Harry tomou o rosto do loiro entre as mãos e o beijou como se sua vida dependesse disso. E ele não duvidava que dependesse. Draco, pego de surpresa, ficou ali parado com as mãos contorcendo a almofada, completamente sem reação. Aquilo queria dizer que estava tudo bem, não é?

- Se você fizer o favor de me beijar de volta, eu agradeceria bastante. – Harry resmungou contra a boca do loiro, que riu e voltou a juntar os lábios.

Quanto tempo os dois ficaram naquele sofá aos beijos, era um mistério. Draco já havia tomado seu lugar no colo de Harry e movimentava o quadril de uma maneira que só poderia ser descrita como obscena. Os dedos estavam enterrados nos cabelos escuros e ele fazia questão de engolir cada gemido que escapava por entre os lábios do moreno.

- Eu vou matar seu pai por me fazer ter a pior semana da minha vida. – Resmungou Harry aleatoriamente, enquanto plantava beijos no pescoço do loiro.

- Não, ele me ajudou a vir aqui e resolver tudo. – Draco murmurou em resposta, segurando o rosto de Harry entre as mãos para encará-lo e depositando selinhos nos lábios do outro. – Eu senti tanto a sua falta, Harry. Tanto.

- É o que?

- Eu senti sua falta. – Repetiu e se afastou, arqueando as sobrancelhas.

- Não. – Riu. – Seu pai te ajudou? – Perguntou com os olhos arregalados de espanto.

- Pois é, parece que ele viu a merda que fez. – Murmurou, sorrindo e parecendo mais feliz do que Harry jamais o vira.

- Me conta isso direito. – Pediu Harry.

Cruzou os braços às costas do loiro, assim puxando-o mais para perto. Draco explicou todas as atitudes do pai em riqueza de detalhes, prestando atenção nas reações que isso causava em Harry. Ao fim do relato, o moreno estava de olhos arregalados e boca aberta – cômico, na opinião do loiro. Era difícil até para ele mesmo processar tudo aquilo, imagine para Harry! Mas a expressão no rosto do outro garoto lhe arrancou uma risadinha – que Harry nem pareceu ouvir, tão absorto em pensamentos - mesmo assim.

Harry estava achando mais que difícil acreditar que Lucius Malfoy realmente admitira um erro e ainda ajudara a consertá-lo. Não fazia sentido. Se aquele fosse o Malfoy que Sirius e seu pai o haviam contado sobre, teria de ter algo por trás. E boa coisa não podia ser.

- Tem certeza de que isso é sério? – Perguntou, desconfiado.

- Você não estava lá. – Acariciou o cabelo de Harry de leve. – Acho que ele realmente viu a merda que fez.

- Acho bom ou eu vou lá pessoalmente quebrar a cara dele!

- Hey! Ele ainda é meu pai, Harry! – Reclamou, estapeando a nuca do moreno.

- E isso ainda é uma cabeça! – Beliscou a barriga de Draco. Os dois riram.

Meu Deus do céu, pensou Harry. Tudo em Draco praticamente o fazia babar, poderia ficar o dia inteiro apenas observando o modo como ele ria ou como ele arqueava as sobrancelhas para tudo ou como ele beijava Harry de um jeito que o fazia ir à outro planeta e voltar. Harry sentira tanta fala disso que mal poderia colocar em palavras. Na verdade, até era possível, o moreno estava considerando as possibilidades antes de dizer qualquer coisa quando a voz baixa de Draco interrompeu.

- O que foi? – Indagou ao ver que Harry não mais ria.

- Eu te amo. – Disse, antes que pudesse controlar aquela boca maldita.

No mesmo momento, Draco saiu de seu colo e se levantou, parando de frente para ele, assustado. Era isso. Harry finalmente havia estragado tudo. Assustara o loiro e agora nunca mais o veria. Seus olhos estavam presos um no outro e o que o moreno via nas íris azuladas era surpresa e descrença. Seu rosto queimou como o inferno e ele precisava urgentemente sair dali. Então, correu como o Diabo corre da cruz para a cozinha.


Obrigada Sonialeme, Ines G. Black, Marina Feltcliffe, Pandora Beaumont, Yann Riddle Black, Deryck Astaire, Maru, MarciaBS, Mila B, Ju e Jos Elias.

Meu deus, a cada capítulo postado vocês capricham mais e mais nos comentários! Meus parabéns.
Obrigada mesmo pelo apoio de todos vocês. Pelas palavras de apoios e opiniões, significam muito para nós, tenham certeza!

Bem, Yann Riddle Black e Marina Feltcliffe perguntaram se o fanfic está no fim e resolvi responder por aqui para que todos fiquem cientes. Sim, estamos na reta final, infelizmente. Essa história terá 22 capítulos mais um epílogo. Ainda temos alguns capítulo pela frente, mas estamos perto do fim.

Espero que tenham gostado desse capítulo. O sofrimento chegou ou sim, finalmente! HAHAHAHA

Boa volta às aulas para aqueles que estão de volta ao colégio nessa segunda, como Carol e eu.

Beijo grande, muito obrigada! Boa semana pra vocês e até próximo sábado.