Capítulo 20
Unbroken
Harry se virou, dando de cara com Draco parado à porta da cozinha, encostado ao batente, observando-o com algo indescritível no olhar. Quase se engasgou com a água, na verdade, ele esqueceu-se completamente de que estivera tomando água. Uma gota do líquido escapou por entre seus lábios e o copo, descendo pelo seu pescoço e sumindo dentro da jaqueta de couro. Retirou o copo da boca, lentamente, e passou a língua pelos lábios. Draco, do outro lado da cozinha, estreitou os olhos.
Segundos depois, Harry estava contra a geladeira com um Draco desesperado beijando-o com voracidade. As mãos do loiro seguravam seu rosto e Harry gemeu contra os lábios finos que violavam os seus. Ele agarrou o tecido da camisa do outro garoto com força e se deixou levar. Se deixou levar pela sensação de Draco pressionando seu corpo contra a porta da geladeira, pela força com a qual Draco o beijava que provavelmente o machucaria mais cedo ou mais tarde.
Mas Harry não se importava, ele queria aquilo. Ele precisava sentir Draco daquela maneira voraz e desenfreada, selvagem. Seu coração batia tão forte contra a caixa torácica que parecia querer abrir um buraco em seu peito e escapar, suas mãos tremiam e era disso que ele gostava. Toda aquela necessidade que o fazia esquecer-se de tudo. Ele poderia ficar a vida toda apenas beijando Draco daquela maneira. Mas o loiro parecia pensar diferente.
Draco caiu de joelhos em frente a Harry sem nem pensar. Seu coração falhou e o ar pareceu escapar de seus pulmões quando se viu naquela situação. Ele olhou para cima e encontrou um Harry surpreso, de olhos arregalados, como se também não estivesse acreditando que aquilo estava, de fato, acontecendo. O loiro mordeu o lábio inferior com força, mais nervoso do que já estivera em toda sua vida. Suas mãos estavam tremendo quando as elevou para o cós da calça do moreno.
Ele estava descendo o zíper lentamente, tomando cuidado para fazer uma leve pressão no volume escondido pelo tecido, quando olhou para Harry. Os olhos normalmente tão claros estavam escurecidos e as pupilas muito dilatadas. Draco deu um sorriso de lado e puxou os jeans para baixo bem rápido, porque se ele fosse parar para pensar, provavelmente desistiria de tudo.
Harry abriu a boca para fazer algum comentário quando Draco segurou sua ereção bem diante de seu rosto. O moreno bateu as mãos na geladeira com força, xingando e fechando os olhos. Os joelhos de Draco estavam começando a incomodar, mas não é como se ele se importasse no momento.
Ele se permitiu encarar a ereção em sua mão por um momento e pensou que aquilo certamente não caberia na sua boca. Quer dizer, ele já havia recebido um... Bem, boquete antes e tudo correra bem, mas aquilo era diferente. Draco não fazia ideia do que fazer, mas uma parte bem pequenininha de seu cérebro achava aquilo excitante pra caramba, porque quando ele olhava para Harry e escutava todos aqueles gemidos, Draco se sentia mais poderoso do que jamais se sentiu na vida. Era ele que estava deixando Harry tão descontrolado, batendo a cabeça repetidamente contra a geladeira.
Enquanto Draco discutia internamente, Harry estava fazendo o possível e o impossível para não agarrar o loiro. Suas mãos estavam apertadas em punho e, não conseguindo conter o impulso, seus quadris se jogaram para frente, em direção à mão estimuladora. Draco ergueu o olhar para o rosto do moreno, os olhos verdes estavam fixos nos cinzas, encarando Draco com um certo fascínio que fez seu coração acelerar ainda mais – como se fosse possível. E também o fez se decidir.
Draco queria aquilo. Ele queria ver Harry perder a vergonha na cara, perder a compostura. Ele queria ouvir os gemidos de Harry e queria, acima de tudo, ser o motivo.
Então, experimentalmente, Draco cobriu a glande com a boca, sentindo o gosto esquisito na ponta da língua. Um gosto que não era totalmente desagradável, mas era uma novidade. Draco abriu a boca o máximo que pôde e fez um movimento com a língua que pareceu ter agradado e muito a julgar pelos sons que Harry deixava escapar. Tentou olhar para o rosto do moreno e o que viu fez um arrepio subir pela espinha. Toda a atenção de Harry estava voltada para ele, mais precisamente para sua boca.
Ele não pensou duas vezes – na verdade, não pensou nem uma – antes de abocanhar o máximo que conseguia. Afinal, se ele estava naquela situação, o mínimo que poderia fazer seria cair de boca e ir até o fim. Era melhor deixar os pensamentos de lado.
Segurou a cintura de Harry, tentando relaxar o maxilar e aproveitar aquilo também. Mas ele descobriu, segundos depois, que isso não era nada fácil. Pelo menos, não de primeira, já que ele engasgou. Irritado consigo mesmo, empurrou o quadril do moreno contra a geladeira e o segurou ali. Harry fez um som estrangulado, piscando longamente, mas antes que ele tivesse tempo de abrir os olhos, Draco já estava tentando de novo.
Dessa vez, ele conseguiu relaxar e não tentou abocanhar tudo de uma vez. Por um momento, ele se permitiu sentir simpatia por todas as pessoas que faziam aquilo bem feito e todas – e poucas – as garotas que fizeram nele. Mas a simpatia durou pouco. Logo, Draco lembrou que, bem, ele era a garota dessa vez. Seu rosto queimou de vergonha ou talvez de prazer, Draco nunca saberia.
Relaxando mais a garganta, ele fechou os olhos e sentiu a ereção de Harry deslizar só mais um pouco na sua boca. Draco tornou a mexer a cabeça, dessa vez para trás, chupando e passando a língua durante todo o movimento até que sua boca estivesse ao redor da glande.
Seus lábios estavam molhados com saliva. A segunda vez que tentou, o pênis de Harry deslizou com mais facilidade. Assim que se acostumou o suficiente com o movimento para acabar gostando da coisa, Draco passou colocar mais empenho na tarefa. Agora, ele chupava com força, saindo e chupando de volta, movimentando a língua durante todo o processo.
Ele sentia a boca cheia de saliva. Podia sentir o desconforto por ter que ficar de boca aberta, mas não importava. Porque se era só isso que ele precisava fazer para ter Harry o encarando daquela maneira fascinada, não tinha o menor problema, então. Draco poderia aguentar qualquer coisa, e Harry? Harry definitivamente não tinha do que reclamar.
Demorou mais um pouco, mas Draco estava realmente pegando o jeito. Quando experimentou engolir um pouco mais da ereção de Harry, não se engasgou quando esta tocou sua garganta e ele já conseguia conciliar os movimentos com a respiração. Sua determinação de fazer aquilo perfeito só aumentava à medida que Draco prestava mais e mais atenção aos sons que Harry fazia. Ele estava tão entretido que nem havia percebido que Harry estava completamente descontrolado.
Draco teria sorrido satisfeito se sua boca não estivesse tão cheia. Ele passou a repetir os movimentos que pareciam fazer Harry gemer mais alto. E o moreno, por sua vez, não parecia saber o que fazer com as mãos, então, ele só se agarrava à geladeira e se controlava para não agarrar a cabeça do loiro.
Draco nunca admitiria em voz alta, mas estava gostando pra caramba daquilo. Gostava de ter a ereção de Harry na sua boca, gostava do gosto, gostava de chupar, gostava de lamber, gostava das sensações e até da dor no joelho ele estava começando a gostar. Era tão bom que ele estava precisando de muito autocontrole para não abrir o zíper da calça e se tocar.
Harry estava dizendo coisas incoerentes, no geral seu nome. Ele repetia o nome de Draco, sem fôlego, como se isso fosse acabar com a fome no mundo. Harry tentava dizer o quão perfeito Draco estava ajoelhado no chão da cozinha o chupando, mas no meio das frases ele sempre soltava um palavrão. E o loiro se empenhava mais e mais. O quadril do moreno se movimentava devagar num entra e sai, ele acompanhava o ritmo que Draco propunha e os sons que escapavam por entre seus lábios estavam ficando cada vez mais desesperados.
Draco sentiu a mão de Harry em seu rosto e abriu os olhos – que ele nem se lembrava de ter fechado. Ele apenas encarou, sentindo os dedos do moreno tocarem de leve sua bochecha, como se ele quisesse se sentir dentro da boca de Draco.
Draco jamais admitiria, nem mesmo sob tortura, mas ele próprio emitia sons de satisfação. Claro que se perguntassem ele juraria para sempre que a coisa toda foi nojenta e que odiara ficar de joelhos chupando Harry.
É, tá bom então.
E ele ficaria ali por um bom tempo, provavelmente até o fim, se Harry não o tivesse puxado e invadido sua boca num beijo que lhe tirou o fôlego. O moreno o empurrou contra a parede ao lado da geladeira e no segundo seguinte, Draco se viu sem calças. Ele observou quando as mãos de Harry espalmaram-se na parede atrás de si e o rosto bonito escondeu-se em seu pescoço, mordendo a pele clara.
Draco agarrou-se a Harry como se sua vida dependesse disso, fechando os olhos. O moreno movimentava os quadris rapidamente, roçando as ereções com força. Ele agarrou a coxa de Draco e puxou-a para cima até a altura de sua cintura. O loiro gemeu esganiçado. Seus dedos se enrolaram nos fios escuros do cabelo de Harry. Todo seu corpo estava quente e ele sentia como se fosse explodir a qualquer momento.
Repetindo o nome de Harry como se fosse um mantra, Draco gozou, sujando a jaqueta de couro do moreno. Ele puxou o cabelo entre seus dedos quando sentiu uma dor aguda em seu pescoço. Harry seguiu-o minutos depois, gemendo seu nome baixinho.
Ainda presos juntos num abraço, ambos ofegavam. Harry sorvia o perfume de Draco como se quisesse gravá-lo pra sempre em sua memória. Só ele sabia a falta que ele sentira do loiro. Draco passou a afagar os cabelos negros carinhosamente.
- Repete? – Draco pediu desencostando a testa do peito de Harry para olhá-lo nos olhos. – Repete o que você disse lá na sala? – Ele pediu e sorriu ao ver Harry corar.
- Eu te amo. – Ele repetiu e o loiro sorriu. – Eu não sei como consegui passar essa semana sem você.
- Eu acredito que não tenha sido um problema já que o Diggory estava sempre colado em você...
- Draco. – Harry interrompeu. – Pare com esse ciúme idiota que você tem do Cedric. Não teve um minuto em que eu estava com ele que não desejei que fosse você no lugar dele. Eu não quero mais ninguém e não preciso de mais ninguém. É apenas você, Draco. Eu te amo.
- É apenas você, Harry. – Ele disse deslizando a ponta de dedo da testa do moreno, passando por seu nariz, até chegar aos lábios finos e contorná-los. – Eu também te amo.
- Você é meu, eu sou seu. Fim da conversa. – Harry sorriu.
- Então... – Draco corou. – Estamos colocando rótulos agora?
- Sim, estamos. – Ele riu. – Estamos namorando, Draco, se é isso que você quer saber.
- E é você quem decide? – O loiro levantou uma sobrancelha. – É só "estamos namorando" e pronto?
- O que você quer? Um anel? Que eu fique de joelhos?
- Eu quero que você faça o pedido direito. Eu posso não ser uma garota, mas tenho minhas exigências.
- Oh, certo, me desculpe. – Harry riu novamente e pigarreou. – Okay. Draco Malfoy, você quer namorar comigo? Eu prometo amá-lo e respeitá-lo, na saúde e na doença... – O moreno parou quando recebeu um soco fraco no peito. – Ai!
- Cale a boca, Harry! Você está arruinando o momento.
- Você me mandou fazer direito! – Harry disse fingindo estar ultrajado.
- Você não leva nada a sério, meu deus? – Draco riu. – Certo. Sim, Harry, eu aceito.
- Ótimo! – Ele deu um selinho no loiro. – Agora vamos subir e oficializar tudo. Ou você quer que eu te coloque no colo e te carregue escada à cima?
- Imbecil! – Draco deu outro soco no moreno, ambos rindo.
Harry observou Draco até as risadas morrerem e eles permaneceram apenas se encarando com um sorriso enorme nos rostos. O loiro juntou seus lábios num beijo carinhoso, mas nem por isso o desejo deixava de influenciar em seus movimentos.
Seus olhos se abriram para encontrar o escuro do quarto. Sentiu as cobertas finas sobre seu corpo, o tecido fazendo-se perceber ao tocar sua pele. Sorriu sozinho para a escuridão – que lhe parecia cada vez mais clara à medida que se acostumava a ela – ao perceber que sua cabeça não estava apoiada em um travesseiro e sim em Harry. O braço do moreno estava apoiado sem pretensões em sua cintura e o corpo quente colado ao seu, passando a sensação já conhecida de segurança e familiaridade.
Draco sorriu. Em algum lugar dentro dele ainda havia uma pontada de receio de que aquilo fosse um sonho. O loiro perdera a conta de quantas vezes sonhara em acordar ao lado de Harry, com os beijos de Harry, nos braços de Harry. Era quase surreal acreditar que naquele momento Draco estava acordando para perceber que aquilo era vida real.
Harry tinha a cabeça parcialmente virada na direção do loiro. O cabelo escuro apontava para todas as direções, como de costume. Draco observou o nariz, o contorno delicado dos lábios perfeitos. Antes que pudesse se controlar, sua mão deslizava pela pele do moreno, do abdômen ao rosto. Draco sorriu de novo. Harry era lindo, tão lindo que chegava a fazer seu coração acelerar como faria à uma pré-adolescente miseravelmente apaixonada. E ele se sentia como tal naquele momento.
Seus dedos acariciaram a bochecha e seu polegar tocou os lábios de Harry. Draco se perguntava como Harry Potter, que poderia ter qualquer pessoa no mundo, se apaixonara por ele. O loiro sabia que não era a pessoa mais simpática, mas Harry insistira nele como ninguém jamais fizera e ele simplesmente não pudera dizer não. E somente a noção de que Harry o amava fez Draco se arrepiar da cabeça aos pés.
Sem perceber, ele estava sorrindo outra vez. Devia parecer um lunático observando Harry dormir e sorrindo igual um psicopata para ele, mas não era como se Draco conseguisse evitar. Sequer lembrava-se da última que havia se sentido assim, na verdade, ele nunca havia se sentido assim sua vida toda. Estivera tão concentrado nos próprios pensamentos que soltou uma exclamação não muito masculina quando algo tocou seu pulso. Harry estava com os olhos verdes amostra e exibia um sorriso sonolento, encarando-o fixamente.
Tocou o rosto de Draco de leve e o observou atentamente. Os olhos cinza fixos nos dele o olhando com algo que Harry nunca havia visto lá antes. Era carinho. E a intensidade do olhar do loiro fez seu coração falhar uma batida. Era como se tivesse esperado a vida toda para ser olhado daquele jeito e agora não parecia nem real.
O sorriso doce de Draco transformou-se drasticamente e ele tocou o polegar de Harry com os lábios. Enquanto sua mão acariciava a nuca do moreno, ele cobriu o dedo com a boca, circulando-o com a língua, sugestivo. Os olhos verdes imediatamente tornaram-se tão escuros quanto o céu lá fora.
- Draco... – Harry sussurrou em tom de aviso.
Sem dar ouvidos ao aviso, a mão do loiro deslizou pelo pescoço de Harry até descansá-la em seu peito, em cima do coração. Ele chupou o polegar e sorriu ao escutar o som apreciativo escapar da garganta do moreno. Inclinou-se para beijar o pescoço do outro, no pomo-de-adão, e foi recompensado com um gemido baixo. Draco trilhou um caminho com a língua até pouco acima do umbigo de Harry. Ali, ele parou e pulou para o quadril, depositando beijos e lambidas até a coxa grossa. Ele sentiu quando a mão do moreno tocou seu cabelo de leve, sem forçá-lo a nada, e sorriu sacana.
Sua mão agarrou a coxa de Harry e depositou um beijo na parte interna, sua boca próxima demais da ereção do moreno. Foi então que ele se lembrou da noite anterior, de como ele havia se ajoelhado na frente de Harry e tomado o membro do moreno na boca. E de repente Draco queria tanto fazer aquilo de novo que só a ideia fazia seu coração acelerar e um tremor prazeroso percorrer todo seu corpo.
- Draco. – Harry gemeu. O tom necessitado ecoando na mente de Draco.
No segundo seguinte, Draco tocava a ereção do moreno com seus lábios. O gosto era estranhamente familiar agora. Ele sorriu um pouco antes de tomar quase tudo de uma vez na boca num movimento só. Harry se contorceu na cama, agarrando os fios loiros e repetindo seu nome cada vez mais alto. Draco estava mais empenhado que nunca, incentivado pelos gemidos nada discretos e as puxadas fortes em seu cabelo quando, sem aviso, Harry realmente puxou seu cabelo, forçando-o a parar.
No meio das incoerências e dos palavrões que povoavam a mente de Harry, um pensamento o atingiu como um tiro bem no meio da testa: Draco era bom demais nisso. Era quase como se ele tivesse feito aquilo milhares de vezes e a imagens de Draco fazendo aquilo em outros garotos fez Harry perder a cabeça de vez e parar tudo.
- Harry, o que foi? Eu te machuquei? – A voz de Draco tinha uma preocupação óbvia, mas Harry não estava ouvindo.
- Onde você aprendeu a fazer isso? – Perguntou, soando extremamente ofendido.
- Como assim? – O loiro piscou algumas vezes, sem realmente entender o que estava acontecendo ali.
Harry cruzou os braços e o encarou, o monstro enorme do ciúme rugindo revoltado em seu peito. Ele sabia que Draco não era virgem e não o incomodava muito o fato do loiro ter dormido com garotas antes, mas só de pensar em seu Draco com outro garoto... Já planejava matar dolorosamente quem quer que fosse.
- Isso! – Harry gesticulou. – Você é bom demais pra nunca ter feito isso antes, Draco!
Diante daquilo, Draco simplesmente não conseguiu se controlar e explodiu em risadas histéricas. Harry apenas o olhava emburrado, seus lábios estavam moldados num bico involuntário que só fazia o loiro rir ainda mais.
- Harry, não seja ridículo. – Disse, tentando controlar as gargalhadas. – Sério? Você está com ciúmes por isso?
- Draco! – Exclamou. Draco respirou fundo, finalmente controlando-se e se inclinou.
- Você está mesmo com ciúmes? – Perguntou, mordendo o lábio inferior. Harry apenas fez uma careta e olhou para o outro lado. Draco colocou as mãos nos ombros do moreno e avançou, lambendo seu rosto.
- Draco! – Harry exclamou de novo meio engasgado. Draco sorriu e colou sua boca a orelha do moreno.
- Você é o primeiro e único garoto com quem eu fiquei e vou ficar, Harry. – Sussurrou, circulando a ereção de Harry com os dedos, o estimulando. O moreno xingou baixinho e agarrou os lençóis com força, movendo os quadris junto com a mão de Draco. – Achei que você já soubesse disso. Você é o único. Só você me faz sentir essas coisas.
Harry abriu a boca para fazer mais algum comentário ou xingar de novo, mas antes que tivesse tempo Draco montou nele. Montou. De verdade.
Draco mordeu o lábio inferior com força e engoliu um grito. Ele tinha esquecido como aquilo doía. Todo seu corpo queimou e ele se sentia cheio demais. Respirou fundo, tentando deixar a dor de lado. As mãos de Harry estavam em suas coxas, apertando-as com força e ao olhar em seu rosto, tudo que Draco viu foi uma concentração sem tamanho. Sorriu diante da cena e espalmou ambas as mãos no peito do moreno, movimentando o quadril devagar.
Demorou mais algum tempo para Draco se acostumar e os dois encontrarem um ritmo que funcionasse, mas quando encontraram, o loiro sentiu uma estranha sensação de posse correr pelo seu corpo. Harry mantinha apenas uma mão em sua cintura e a outra na coxa, deixando-o fazer todo o trabalho e olhando-o daquele jeito fascinado. Draco queria gargalhar como um maníaco só ao pensamento de que ele estava no controle agora.
Harry olhou para o loiro. Os movimentos lentos do quadril de Draco eram o paraíso e o inferno ao mesmo tempo, eram precisos, mas não chegavam nem perto de satisfazer sua vontade. No entanto, ele deixaria como estava, porque observar Draco em cima de si, vê-lo morder o lábio inferior daquele jeito quase obsceno sem intenção era mais prazeroso do que fazer aquilo rápido.
Harry costumava acreditar que não existia ninguém perfeito. Isso antes de conhecer Draco. Agora, ele não conseguia pensar em nenhuma outra palavra para descrever o loiro. Draco era perfeito e era seu. Segurou sua cintura com as duas mãos, marcando a pele branca, e se deliciou com um olhar desejoso do outro antes de vê-lo jogar a cabeça para trás, movendo-se mais rápido e levando-os ao melhor orgasmo de suas vidas.
Ambos puxavam o ar com força quando Draco abraçou o moreno, escondendo o rosto na curva de seu pescoço, deixando pequenos beijos no local. Harry podia sentir o loiro sorrindo contra sua pele e sorriu também, acariciando as costas do namorado com carinho. Passaram um tempo em silêncio, apenas tentando normalizar suas respirações entre carinhos.
- Você é um idiota, Harry. – Draco disse contra seu pescoço, ainda sorrindo. – Quase estragou o momento.
- O que você queria que eu pensasse? – O moreno o abraçou de forma possessiva, fazendo o loiro em seus braços sorrir mais.
- Eu sou do tipo que se empenha nas coisas que faz e você devia saber disso a essa altura.
- Oh, acredite, eu sei. – Harry riu. – Mas o ciúme me cegou. Não me culpe.
Draco levantou a cabeça para olhar para Harry. As íris verdes – ainda livres dos óculos – brilhavam com algo que ele nunca vira antes, mas se encarasse seu próprio reflexo num espelho, encontraria o mesmo cintilando nas íris azul-prateadas. O loiro subiu uma mão pelo braço esquerdo do moreno até chegar a seu rosto, acariciando a bochecha com seu polegar. Harry manteve suas mãos possessivas na cintura de Draco.
Harry deixou seu sorriso crescer em seus lábios, mostrando os dentes brancos. Ele nunca se sentira tão feliz em toda sua vida. Draco estava ali e era seu namorado. O moreno lutava contra a vontade de abrir a janela e gritar para o mundo como sua realidade era perfeita.
O loiro beijou Harry rapidamente e levantou-se de seu colo para deitar-se ao seu lado. Harry enlaçou a cintura de Draco e o puxou para perto. O mais perto que pôde, quase como se quisesse fundir seus corpos, numa promessa muda de que nunca o deixaria sair dali. O loiro apenas aconchegou-se nos braços do moreno, soltando um suspiro satisfeito quando Harry puxou o lençol macio para cobri-los.
- Eu senti tanto a sua falta. Tanto, tanto, tanto. – Harry disse alteando a voz a cada repetição. – Não se passou um dia onde eu não tenha cogitado fingir que eu não havia visto nada. Eu acho que nunca passei tanto tempo pensando na minha vida. Eu tentei entender, eu revivi cada minuto, me perguntando em que momento você deu algum sinal sobre não estar interessado.
- Eu sempre estive. – O loiro apressou-se em dizer.
- Eu sei. Agora eu sei.
- Eu tive medo de acordar um dia e perceber que eu estava superando o que aconteceu. Eu não queria esquecer nada, nenhum momento, nem mesmo as dores. Eu nunca temi o que eu ganhei por te amar e muito menos o que perdi. – Draco fazia desenhos abstratos sobre o peito de Harry com os dedos e sorria quando o garoto se arrepiava com o toque leve.
- E o que você perdeu?
- O juízo, talvez? – Ele riu. – Nada que realmente importe, Harry. As coisas que ganhei são maiores e melhores.
- Eu aposto que mais tarde você vai negar que disse tudo isso. – Harry deu uma risada nasal.
- Provavelmente. Eu sou um Malfoy. Os Malfoy, além de orgulhosos, não são os maiores fãs de demonstrações de afeto e palavras ternas. – Draco também riu.
- Mas agora você não é um Malfoy. Agora você é apenas Draco.
- Exatamente. – Ele sorriu e beijou Harry rapidamente. – É por isso que eu digo sem medo: eu te amo, Harry James Potter.
Harry apertou Draco em seus braços e o beijou com paixão. Ele teve certeza naquele momento que nunca cansaria do loiro. Nunca cansaria do gosto de seus lábios, da maciez de sua língua, da suavidade de sua pele, de seus toques.
- Está com fome? – Harry perguntou após alguns minutos onde eles apenas se encararam. Ele nunca se cansaria daquele silêncio confortável entre os dois.
- Eu poderia comer alguma coisa. – Draco deu de ombros e sorriu. – Você acaba com minhas energias.
- E não me arrependo. – O moreno disse maliciosamente.
- Eu sei que não. – Ele revirou os olhos. – Sua família não está lá embaixo?
- Hm... – Harry levantou a cabeça para olhar o relógio sobre a escrivaninha. – Não. Estão dormindo. São quase três da manhã.
- Oh, é mesmo? Ótimo!
Draco sorriu e levantou-se, enrolando o lençol na cintura enquanto catava suas roupas pelo quarto. O loiro estava indo de encontro a sua calça caída no chão quando o lençol soltou-se de sua cintura. Melhor, o lençol fora puxado de sua cintura.
Draco olhou por cima do ombro para ver Harry segurando a ponta do lençol, olhando-o com um sorriso maroto. Os olhos cor de esmeralda brilharam cheios de malicia enquanto desciam por cada curva do corpo esguio de Draco.
- Harry. – O loiro chamou em tom de aviso.
- O quê? – Harry manteve os olhos descendo pelo abdômen do namorado.
- Nós vamos descer ou não? – Ele cruzou os braços e negou-se a corar sob o olhar do moreno. Ninguém nunca o havia olhado com tanto desejo antes.
- Eu acho que tenho idéias melhores. – Harry disse levantando-se da cama e andando em direção ao loiro em passos felinos. Draco engoliu em seco, não conseguindo evitar seus olhos de descerem pelo corpo do moreno também.
- E eu quero saber todas elas, mas antes podemos comer alguma coisa? – Draco pediu na tentativa de fazer o moreno parar ou ele não mais conseguiria se controlar.
- Tudo bem. – O moreno suspirou. – Mas vamos logo.
Em silêncio profundo e piscando os olhos freneticamente através do escuro, Draco e Harry se esgueiraram pelos corredores da casa dos Potter. O moreno andava à frente, guiando o loiro pela mão, seus dedos entrelaçados.
Ao chegar às escadas, Harry deu uma rápida olhada pro andar de baixo antes de descer na ponta do pé, olhando sobre o ombro para ver que os cabelos loiros de Draco não pareciam brilhar menos, mesmo com a ausência de luz.
Pela grande janela da sala – agora fechada – era possível ver os relâmpagos que cortavam o céu entre as nuvens pesadas e cinzentas. Não estava chovendo naquele momento, mas as luzes dos riscos elétricos deixaram claro que uma tempestade estava por vir. Harry silenciosamente pediu que não trovejasse.
Com um suspiro satisfeito, Harry acendeu a luz da cozinha e esfregou as mãos uma na outra. O loiro lutou contra o impulso de voltar para o conforto das cobertas quentes da cama do moreno e nunca mais sair de lá. Draco agradeceu por se sentir desconfortável o suficiente em andar pelos corredores da casa sem camisa e ter vestido a sua com receio de encontrar algum familiar do moreno por ali. Harry, por sua vez, se arrepiava constantemente a cada passo, quando a planta de seus pés entrava em contato com o chão frio ou quando a brisa fria envolvia seu peito nu.
O moreno de olhos verdes foi atrás de dois pratos nos armários e Draco fez uma careta ao que o namorado parecia estar fazendo mais barulho do que deveria e bufou ao pensar que se àquela altura todos na casa estivessem acordados, ele não se surpreenderia.
- Ah! Tem pudim! – Harry exclamou como uma criança que encontra a árvore de natal cheia de presentes. – Quer um pouco?
- Pudim não tira a fome de ninguém, Harry. – Draco revirou os olhos e adiantou-se em direção ao moreno. – Por que você não se senta e eu faço um sanduíche? Depois comemos pudim.
- E você sabe fazer sanduíche? – O moreno perguntou com tom brincalhão.
- O que você acha que eu sou? Algum tipo de alienado? Algum demente? – O loiro voltou a revirar os olhos quando Harry riu. – Nem responda.
- Certo. Eu vou tirar as coisas da geladeira. – Ele teria dado um passo à frente se Draco não tivesse segurado seu rosto entre as mãos.
- Sente-se, Harry. Você é desastrado demais para o seu próprio bem e a quadra inteira deve ter acordado com o barulho que você fez pegando os pratos. – Draco deu um selinho rápido no outro garoto. – Só me diga onde estão as coisas que eu dou um jeito.
- Tudo bem. – Harry sorriu, mas suspirou insatisfeito quando se viu livre do toque do loiro.
O moreno observou fascinado enquanto Draco mostrava-se mais conhecedor do uso de eletrodomésticos do que ele poderia sequer imaginar. Era engraçado, Harry nunca imaginara um Malfoy sujando as mãos com manteiga. Uma vontade louca de rir se apossou do garoto quando ele tentou imaginar Narcissa Malfoy com suas mãos delicadas segurando uma faca que escorregava entre seus dedos finos por estar melada. Melhor, Lucius Malfoy e toda sua pose superior colocando fatias de queijo e presunto no pão. Draco o olhou com uma sobrancelha levantada quando o moreno soltou um barulho estranho pela garganta.
- O que foi?
- Nada. Pode continuar. – Ele fez um gesto displicente.
- No que você estava pensando, Harry? – Draco perguntou vendo o divertimento nas íris verdes e colocou a faca de lado, cruzando os braços.
- Na sua mãe preparando um sanduíche. E no seu pai também. – O barulho se repetiu e Draco percebeu que aquilo era Harry tentando segurar uma risada.
- Oh, você não sabia? Pelo menos uma vez por ano todos os Malfoy se reúnem para preparar sanduíches. É uma tradição antiga. Meu avô e minha avó às vezes vêm para lembrar-se dos velhos costumes. É por isso que eu sei fazer sanduíches. – Draco explicou rapidamente, uma expressão séria em seu rosto.
- Isso é sério? – Harry perguntou franzindo o cenho.
- Não! – Draco riu. – Jesus, Harry, você é besta demais. – Ele virou-se para voltar a preparar os sanduíches.
- Quem sabe? Talvez tenha sido assim que surgiu o Malfoy's Burguers, afinal de contas.
- Não seja idiota. – Draco soltou uma risadinha e após alguns minutos em silêncio ele olhou por sobre o ombro rapidamente. – Ei, é verdade que o Longbottom destruiu o próprio kit de química na aula de Snape?
- É. – Harry lembrou rindo. – Ele fica incrivelmente nervoso com a presença do professor Snape e acaba bagunçando tudo. Oh, e Seamus explodiu o dele.
- Mesmo? – O loiro acompanhou o outro numa risada. – Isso explica por que Severus anda mais insatisfeito que o normal ultimamente.
- Argh, não o chame pelo primeiro nome, é estranho. – Harry grunhiu.
- Ele é meu padrinho. Você chama o seu pelo primeiro nome.
- Sim, mas é diferente. É do professor Snape que estamos falando. – Mais um arrepio de frio fez o moreno estremecer e ele cruzou os braços.
- E quanto ao professor Lupin? Você o chama pelo primeiro nome. – Draco analisou a sanduicheira por alguns segundos antes de ligá-la à tomada.
- Ele me segurou nos braços quando eu não havia nem aberto os olhos ainda.
- Severus também.
- Oh, é mesmo? – Harry parou um momento, analisando o loiro. – Eu não consigo imaginar.
- Lembra o que Dumbledore disse sobre manter a mente aberta quando você voltou ao colégio duas semanas atrás? – Draco lançou um sorriso de canto para o garoto por sobre o ombro, antes de virar-se de volta para colocar os sanduíches na sanduicheira. – Isso é puro preconceito seu.
- E você consegue imaginar o Moony me segurando no colo?
- Claro que consigo. – O loiro virou e encostou-se no balcão, cruzando os braços, ainda sorrindo. – Tem uma foto no seu quarto pra ajudar na criação de imagens.
- Ah, claro. – Harry riu levantando-se e andando em direção ao outro garoto.
- Eu disse que você deveria ter colocado uma camisa. – Draco disse no que ele viu o moreno estremecer novamente.
- Por que você não me esquenta? – Ele pediu fazendo um biquinho ridículo, provocando risadas no outro.
Harry passou os braços na cintura de Draco, colando seus corpos com uma facilidade familiar. O loiro envolveu o pescoço do outro com os braços e o puxou também, colando suas testas, embrenhando umas das mãos nos cabelos negros. Ambos sorriram antes de colarem seus lábios.
Suas línguas não demorarem a estarem dançando juntas, lentas, saboreando, sentindo. Draco soltou um som apreciativo quando Harry o apertou mais em seu abraço. A mão que antes estava nos cabelos do moreno desceu para sua nuca, puxando-o, instigando-o a aprofundar o beijo cada vez mais.
Harry não estava mais com frio, isso era um fato, mas ele ainda tremia um pouco. Era esse o efeito que Draco tinha sobre ele e ele não estava reclamando. Ambos poderiam ter tido um infarto quando a voz sonolenta de Lily soou.
- Olá, rapazes. – Ela disse bocejando, passando por eles como se não visse o que eles estavam fazendo.
Num pulo eles se afastaram, Harry automaticamente sentiu frio. Xingando mentalmente ele passou a mão pelos cabelos, nervoso, lançando um olhar rápido a Draco, que ofegava, as bochechas e os lábios numa disputa de qual estaria mais vermelho.
- Mãe. – Harry disse, a voz trêmula. – Acordada essa hora?
- Senti sede. – Ela deu de ombros e olhou pros dois. – E vocês? O que estão fazendo?
- Er... Hm... – Como se fosse possível, ambos coraram mais ainda.
- Fome. – Draco disse rapidamente, apontando para o aparelho que escolheu o momento perfeito para apitar.
- Certo. – A ruiva tomou um copo d'água em dois goles. – Terminem, arrumem essa bagunça e vão pra cama. Dormir. – Ela adicionou rapidamente.
- Sim, senhora. – Ambos disseram.
- Boa noite, garotos. – Lily sorriu docemente, dando um aceno fraco.
- Boa noite, Sra. Potter. – Draco respondeu simpaticamente, fingindo estar ocupado colocando os sanduíches nos pratos.
- Boa noite, mãe. Até amanhã. – Harry acenou quando a sombra de sua mãe começou a sumir na escada, ele virou para Draco em seguida e riu.
- Não tem graça. – O loiro deu um murro fraco no peito do outro. – Eu quase tive um ataque do coração.
- Dramático. – Ele revirou os olhos. – Acho que ela andou tendo aulas com sua mãe à surdina. Viu como ela foi discreta? Fingiu que nem viu.
- Oh, eu não sei por que isso não me conforta como deveria. – Draco deu um dos pratos a Harry e pegou o outro, indo até a mesa.
- Os Potter podem ser mais sofisticados do que você pensa, Sr. Malfoy. – Harry disse em tom de provocação, sentando-se ao lado do loiro.
- E você já me provou isso, Sr. Potter. – O loiro devolveu no mesmo tom, sorrindo travesso.
- Então pronto. – Harry pegou o sanduíche com a mão e deu uma mordida. Draco revirou os olhos. Tão primitivo.
- É, mas às vezes eu acho que aquilo foi apenas um sonho. – Ele pegou um guardanapo e estendeu a Harry.
- Não precisa. – Harry negou com a cabeça.
- Claro que precisa. Se você acha que vai me tocar com essa mão sebosa, está muito enganado.
- Quando estivermos lá em cima, eu duvido muito que você vá se preocupar. – O moreno sorriu de canto e aproximou seus lábios do ouvido do namorado. – Quando eu estiver com minhas mãos em você, descendo pelo seu corpo, tocando em você, possuindo você, você sabe que não vai reclamar, Draco, você sabe que não.
Draco sentiu um arrepio violento descendo por sua espinha, fazendo-o estremecer e deixou um gemido inconsciente escapar por seus lábios entreabertos, os olhos fechados. Harry voltou a recostar-se no espaldar da cadeira para observar as reações do outros. Os olhos cinzentos abriram-se para demonstrar apenas desejo, o que os escureceu.
- Coma isso logo, Harry. – Ele exigiu, os dentes trincados, sem tirar os olhos do outro.
Harry riu baixinho, inclinando-se para depositar um beijo calmo nos lábios ainda vermelhos de Draco. Ao se afastar, o loiro também sorria. Um sorriso que Draco só dava a Harry e que fazia tudo melhorar instantaneamente.
Harry abriu os olhos lentamente, e consciente do peso extra em seu peito, ele sorriu. Baixou o olhar para encontrar as mechas loiras de Draco fora do lugar e uma de suas mãos pousada sobre o abdômen de Harry.
Não havia luz por trás das cortinas, mas o relógio marcava 1 hora da tarde. Com cuidado, Harry se levantou, ouvindo Draco choramingar alguma coisa incoerente e se encolher na cama, suspirando em seguida.
O moreno puxou um pouco a cortina e viu que nevava lá fora. Flocos brancos caiam tranqüilos até juntarem-se aos outros, assim formando uma fina camada pálida sobre o jardim dos Potter. Sorte a sua ter ligado a aquecedor antes de dormir, caso contrário eles teriam congelado.
Dali Harry seguiu para o banheiro, se certificando de que a água estava quente antes de entrar debaixo da ducha forte e ficar lá por pelo menos dez minutos, apenas sentindo a água massagear seus músculos. Eles tiveram uma noite ocupada e as lembranças fizeram-no sorrir e arrepios desceram por sua espinha.
Ele tinha certeza que era possível cortar com uma faca as ondas de felicidade que emanavam dele de tão densas e intensas que eram. Após se ensaboar preguiçosamente, ele deixou a água morna para se cobrir rapidamente com uma toalha branca, tremendo um pouco.
O mais rápido que pode, Harry se agasalhou e voltou para o quarto. Draco puxava os lençóis como se fosse se fundir a eles, ainda dormindo. Chegando mais perto, o moreno viu que Draco tremia um pouco. Péssima idéia essa de não se importar em se vestir antes de dormir, mas também não era como se eles tivessem alguma energia sobrando para tal esforço.
Harry pegou mais um cobertor no armário e colocou sobre o loiro, voltando a deitar ao seu lado, abraçando-o na tentativa de dividir algum calor. O moreno então passou a observá-lo enquanto os pequenos tremores diminuíam até parar. A pele pálida deslizava tão suave quanto seda sob seus dedos, macia e imaculada. A expressão tranquila o fez sorrir, como se nada pudesse atingi-lo. A respiração tão calma quanto à brisa tranquila de uma praia deserta. A beleza do pôr de sol de uma pintura clássica, tão surreal quanto à imaginação de um sonhador.
- Potter, pare de me encarar. – Draco disse, sem abrir os olhos, e Harry se assustou.
- Bom dia pra você também. – Ele sorriu.
- Bom dia. – Só então o loiro abriu os olhos. As íris brilhantes como uma chuva de prata. – Por que você tem essa mania assustadora de ficar me encarando?
- Por que você é lindo e eu não consigo evitar. – Harry disse sorrindo e o beijou lentamente. – E você sabe disso.
- Argh, está nevando? – Draco perguntou se aconchegando mais nos braços de Harry.
- Está. Demorou pra vir esse ano, você não acha?
- Eu preferia que nem tivesse vindo. – Ele resmungou.
- Não seja mimado. – Harry riu. – Vamos, levante, a água do chuveiro está quente. Eu vou buscar algo para comermos enquanto você toma banho, está bem?
- Não, obrigado. Não pretendo sair nunca dessa cama. Está frio.
- Bem, sobre não sair nunca da cama... – Harry deslizou os dedos pelas costas nuas de Draco, sorrindo cheio de más intenções.
- Você é um pervertido! – Draco acusou, rindo em seguida.
- E a culpa é inteiramente sua. Levanta, Draco. – O moreno levantou-se da cama indo em direção à porta, ignorando os resmungos do namorado. – Quero ver você pronto quando eu voltar, uh?
- Vai embora logo! – O loiro rosnou, voltando a enfiar o rosto no travesseiro.
Ele respirou o perfume de Harry na fronha pelo que pareceram décadas e logo tinha um sorriso bobo nos lábios. Suspirando, Draco sentou-se na cama, seu peito nu logo sendo envolvido pelo choque do aquecedor brigando com o ar frio que se esgueirava pelas beiradas da janela fechada.
Olhando ao redor, Draco viu a bagunça instalada no quarto. Haviam roupas e lençóis espalhado para todos os lados. O edredom da cama havia virado uma trouxa e estava encolhido no canto da cama, bem em cima de onde a cueca de Harry estava.
Draco corou quando resolveu colocar os pés pra fora da cama e pisou numa poça de óleo com essência de mel. O pote havia caído aberto ali e pelo menos metade de seu conteúdo já estava derramada. A lembrança de como Harry havia colocado uma boa quantidade de óleo em cada uma das áreas que ele sabia ser erógena no corpo de Draco e lambido o local em seguida fez um arrepio subir violento por sua espinha.
No meio do caminho para o banheiro, Draco localizou sua camisa e seu casaco enrolados juntos e aproveitou para apanhá-los, tentando encontrar o resto de suas roupas. Sua calça estava debaixo da cama e ele meio que se recordava de Harry tê-la chutado para lá sem querer. E sua cueca, bem... Sua cueca estava dentro da gaveta do criado mudo e ele riu.
No desespero de Harry para encontrar o óleo e tirar sua roupa ao mesmo tempo, ele achou o pote e colocou a cueca boxer preta lá em troca. Fora uma noite divertida, Draco tinha que admitir.
Ao chegar ao banheiro, ele encostou a porta e se olhou no espelho. Primeiro ele soltou uma exclamação, mas depois sorriu. Haviam marcas espelhadas pelo seu corpo todo. Mordidas em seu pescoço, chupões em seu peito, o contorno quase perfeito de dedos possessivos em sua cintura. E cada poro de seu corpo sussurrava a felicidade que ele sentia. Estava claro em seu reflexo, em sua expressão, em seu sorriso.
Quando Harry voltou, trazendo uma bandeja, Draco estava enfiado entre os cobertores novamente, já vestido e usando um dos casacos de Harry por sobre o seu. O moreno se arrependeu de ter ido ao andar inferior, por que além de estar realmente frio, ainda teve que encarar sua mãe e seu pai. Eles haviam apenas desejado bom dia e perguntado se Draco ainda estava dormindo, mas foi o suficiente para fazê-lo procurar por um buraco no chão para se enfiar.
Harry sorriu para o lindo loiro em sua cama e andou com cuidado até lá, pousando a bandeja entre os dois sem derramar nada e sentou-se depois de aumentar o aquecedor. Draco o observou atenciosamente até que o moreno começou a comer. Devagar, ele experimentou se descobrir. Ainda estava frio demais para seu gosto, mas o aquecedor parecia estar tentando fazer seu trabalho.
Harry apontou uma xícara de café que de tão quente cuspia fumaça e Draco a pegou e cobriu a porcelana com suas mãos frias. Eles comeram em silêncio, apenas apreciando a presença do outro e saciando seus estômagos nervosos.
Quando se deram por satisfeitos, o moreno colocou a bandeja no chão, ao pé da cama e se aconchegou entre os travesseiros e lençóis, puxando Draco para aninhar-se junto a ele.
- Draco? – Harry chamou e sorriu ao que o loiro desencostou a cabeça de seu ombro para olhá-lo. – Desculpe por não ter acreditado quando você disse que não conhecia aquela mulher. E por não ter te escutado.
- Eu não posso culpá-lo. – Draco sorriu docemente. – Eu me botei no seu lugar diversas vezes. Eu não acreditaria também. E estaria contrariado demais para escutar. Desculpe por ter demorado tanto para tomar uma atitude.
- Como você poderia adivinhar que tinha sido coisa do seu pai? Eu estou feliz por termos descoberto a verdade, só isso. – Ele disse e beijou Draco apaixonadamente.
Obrigada Sonialeme, Carla Basinha, PattJoger, Ines G. Black, sestini, Marry Dess, GraziHCullen, Yann Riddle Black, MarciaBS, Deryck Astaire, bvcsalvatore, Jos Elias e Reira Malfoy-Potter por todos os comentários! A opinião de vocês significa muito e é sempre importante para nós sabermos se a escrita dá pra ser interpretada da maneira que desejávamos a partir do que é dito nas reviews. Muito obrigada mesmo. A quem está acompanhando sem comentar também, muito obrigada, estamos vendo seus hits!
Pois é, infelizmente essa fic está chegando ao fim. Carol e eu nos divertimos muito escrevendo ela, de verdade. Foram meses de boas risadas envolvendo essa história, intermináveis "reuniões" para colocar tudo nos eixos e aulas perdidas por estarmos com muitas ideias na cabeça!
Falando em aulas, obrigada pelos desejos de boa volta às aulas! Pra quem volta essa segunda, dia 6, boa volta às aulas pra todos vocês!
Espero que gostem desse capítulo! Mil beijos a todos, obrigada por tudo, até próximo sábado!
