Capítulo 22
We owned the night
Havia uma fila de carros que se moviam lentamente até pararem em frente aos portões da enorme Mansão Malfoy. As enormes janelas brilhavam com a luz forte dos canhões, assim como a fina camada de neve que se via sobre o jardim da frente.
Antes que Harry pudesse de fato acreditar no que via, a porta abriu-se para mostrar um rapaz de terno impecavelmente preto sorrindo-lhe simpaticamente. Ao sair do veículo, Harry viu outros dois homens, igualmente fardados, um abrindo a porta para Lily e outro para James.
Quando os três reuniram-se na calçada para esperar pelo carro que vinha logo atrás deles – o de Sirius –, flashes pipocaram. Claro que a imprensa tinha que estar ali, e já era quase possível ver a manchete "Potter atende à festa de Malfoy".
Lily permaneceu em segredo sobre aonde eles iriam no natal por muito tempo, até que Tonks deixou escapar que ela e os pais estavam na cidade para ir a festa a qual sua tia os havia convidado, na Mansão Malfoy. James tivera uma síncope, assim como Sirius pôde ser encontrado gritando dentro de casa por vários minutos. Por fim, após ambos passarem quase o dia inteiro sem nem ao menos dirigir a palavra à Lily, Andrômeda foi quem restaurou a paz entre todos.
- Eu estou aqui para rever minha irmã e finalmente conhecer meu sobrinho, então, por favor, deixem a animosidade de lado um pouco. Eu imploro.
Andrômeda estava pedindo muito pouco, todos sabiam disso. Então, na noite do dia 24 de Dezembro, eles compareceriam a festa - a qual os Potter também foram convidados e Lily escondera tal convite.
Depois de Sirius dar instruções ao manobrista de como estacionar seu carro apropriadamente, eles caminharam pelo tapete de veludo preto que se estendia até a porta principal. Seus convites foram recolhidos e eles enfim adentraram a residência. Harry estacou e olhou ao redor. Aquela certamente era uma decoração diferente da que ele lembrava e a quantidade de pessoas presentes era um tanto quanto assustadora. A sala de estar – onde ele se lembrava de já ter passado algumas tardes estudando com Draco – já não tinha mais o sofá, as poltronas ou a mesa. Esses deram lugar a mesas de pé alto e tampo de vidro onde os convidados descansavam seus copos enquanto conversavam. Os degraus da escada, que normalmente eram apenas de mármore, agora estavam revestidos por um carpete verde musgo.
Dali Harry se encaminhou até onde normalmente se encontrava a sala de jantar. Assim que o moreno se viu à porta do aposento uma enorme árvore de natal completamente branca com ornamentos de vidro azul e cinza saltou aos seus olhos. Adentrando o local, Harry viu o brasão da família Malfoy brilhando sobre a lareira acesa. Mesas redondas cobertas com seda branca furta-cor se viam lotadas de convidados conversando animadamente, servindo-se dos melhores vinhos e dos aperitivos que rodavam nas bandejas dos garçons. Encostadas às paredes viam-se mesas retangulares e compridas onde se encontravam outra variedade de aperitivos, tanto salgados quanto doces.
Foi enquanto procurava por seus pais que algo prendeu a atenção de Harry. Olhando pra cima se viam visgos descendo devagar, parando sobre a cabeça de alguns convidados e subindo novamente após alguns segundos para mudar de posição.
No mesmo momento em que Lily e James adentraram o salão, os três Malfoy entraram em seu campo de visão, fazendo seu caminho entre os outros convidados elegantemente, acenando àqueles que os cumprimentavam. Narcissa, Lucius e Draco pararam em frente à Lily e James no mesmo instante em que Harry se pôs ao lado dos pais.
Um silêncio incômodo instalou-se entre os seis. Harry manteve os olhos fixos no loiro à sua frente, contendo um sorriso. Como era de se esperar, Draco estava impecável em seu terno, que provavelmente custava mais do que era possível imaginar. Tudo que cobria o corpo do loiro era preto - gravata, terno, camisa, tudo. Um sorriso quase escapuliu pelos cantos de seus lábios ao imaginar como seria tirar todas essas peças. Harry desviou o olhar para encarar a Sra. Malfoy em seu vestido verde escuro, tão longo que apenas as pontas de seus dedos apareciam. Um sorriso simpático lhe iluminava o rosto emoldurado pelos cabelos loiros e brilhantes.
O moreno teve de controlar suas feições para não parecer tão fascinado quanto realmente estava. Ele nunca superaria a beleza de Narcissa Malfoy… Ou de seu filho. Lucius Malfoy nem sequer olhava na direção dos Potter, Harry notou. Os cabelos platinados estavam puxados para trás e presos, dando total visão da expressão arrogante e desgostosa em seu rosto. Por dentro do terno preto via-se um colete cinza bem trabalho – à mão, certamente – e uma camisa preta de botões. O patriarca da família Malfoy tinha uma aura de poder que era quase palpável e deixava um rastro por onde ele passava.
Narcissa abriu a boca, mas as palavras não chegaram a deixar seus lábios. Lucius pigarreou e cutucou-a de leve no braço. A mulher virou a cabeça para encará-lo de modo inquisidor. Alguma coisa mudou no rosto de Lucius – Harry teve a leve impressão de que era um sorriso – e ele apontou para cima.
- Um visgo. – Murmurou.
Harry viu Draco acompanhar o olhar da mãe e seu queixo despencou em surpresa. Narcissa soltou uma risadinha. Lucius segurou a mão fina de sua esposa e a trouxe mais para perto de si, enquanto Narcissa refreava um sorriso bobo. Draco fez uma careta e desviou o olhar para algum ponto do outro lado da sala no que seu pai aproximou seu rosto ao de sua mãe e não viu quando Lucius selou seus lábios.
Harry pareceu igualmente fascinado pelo ponto para onde Draco olhava, enquanto Lily corava e baixava a cabeça e James engasgava com a própria saliva.
- Espera, isso é real? – Sirius fez-se ouvir, se aproximando dos seis.
O garoto teve de fazer esforço para não rir do padrinho. Sirius trajava um terno cinza com uma camisa azul por dentro e tênis, parecendo um adolescente. Logo atrás dele, vinham Remus – com um terno cinza - de braço dado com Tonks e um casal que Draco não conhecia.
- Lucius e Narcissa Malfoy demonstrando afeto em público? Já posso dizer que vi de tudo nessa vida. – Continuou Sirius. – Cuidado, Malfoy, pode acabar parecendo que você tem um coração.
- Você ficaria surpreso, primo querido. – Respondeu Narcissa apoiando uma mão no ombro do marido.
Draco fez um som não muito masculino e arregalou os olhos, encarando os pais em puro choque. Harry corou, as imagens mentais o assombrariam por muito tempo. Sirius, Tonks e James estavam rindo. Remus e o casal balançavam a cabeça.
- É o Dumbledore ali? – Harry perguntou cerrando os olhos em direção ao canto da sala, próximo a uma das mesas de aperitivos.
- Oh, graças a deus. – James agradeceu baixinho ao encontrar o diretor, virando-se para a esposa e dando o braço a ela. – Por que não vamos falar com ele, querida?
- Tudo bem. – Lily acenou rapidamente para os Malfoy e se retirou com o marido.
Após a saída dos Potter o mesmo silêncio incômodo os assaltou. Draco e Harry se encararam por algum tempo e o moreno sinceramente esperava que Sirius, como sempre, falasse alguma coisa muito idiota e quebrasse a tensão. Mas quando isso não aconteceu, ele se viu obrigado a fazê-lo.
- Então, Sra. Malfoy, eu ouvi dizer que seu jardim é lindo. – Harry disse com um sorrisinho amigável.
- É muito gentil de sua parte, querido. – A loira respondeu o sorriso. – Draco, você se importaria de mostrar os jardins ao Sr. Potter?
- Claro que não. – Draco assentiu, impedindo um sorriso satisfeito de escapar e indicou o caminho a Harry. – Por aqui.
Talvez tenha funcionado por alguns segundos, mas assim que os dois adolescentes saíram, aquele mesmo silêncio atingiu os que ficaram pra trás. O casal, que até então estava um tanto quanto escondido atrás de Sirius e Lupin, se aproximou e uma mulher usando um vestido preto longo a ponto de cobrir seus pés, as mangas compridas de renda pretas e o decote redondo de braço dado com um homem com terno azul marinho, uma camisa branca de botões simples e uma gravata listrada em um tom de cinza e outro de azul, pôs-se à frente de Lucius e Narcissa.
- Cissy, prima querida, você não vai dar um abraço na sua irmã? – Sirius perguntou com um falso sorriso inocente.
Narcissa lançou um olhar vazio para seu primo, que ainda lhe sorria como se não tivesse sugerido nada demais. Antes que ela pudesse responder, porém, Andrômeda falou.
- Narcissa. – Ela cumprimentou formalmente, dando um aceno de cabeça e um mínimo sorriso. – Como vai?
- Andrômeda. – Narcissa respondeu com outro aceno de cabeça. – É bom revê-la. Estou bem, obrigada. Ainda fazendo viagens?
- Narcissa! – Tonks exclamou e surgiu de trás de Lupin, jogando-se nos braços da tia, abraçando-a com força. Dessa vez a mulher tinha o cabelo azul, combinando com o cinto que apertava sua cintura e de onde começava a saia de tule de seu vestido rosa, que ia até os joelhos.
Sirius riu abertamente, enquanto Andrômeda e Ted se seguraram para não acompanha-lo e tanto Lupin quanto Lucius olhavam a mulher com uma sobrancelha levantada.
- Oh, prazer em conhecê-lo, Sr. Malfoy. – E a grande surpresa foi Tonks abraçar o patriarca com a mesma animação com a qual abraçara Narcissa.
As sobrancelhas de Lucius se ergueram ainda mais e a surpresa tomou conta de seu rosto. Seus braços permaneceram parados, sem corresponder ao enlace da mulher, porém se encontravam tensos, assim como o resto de seu corpo. Novamente, Sirius estava rindo. Ele não estivera muito animado com a presença de Tonks na festa, mas ela estava se provando muito divertida. Andrômeda tinha um sorriso zombeteiro moldando os lábios e Ted parecia se controlar para não rir.
Tonks soltou Lucius após um momento e voltou para o lado de Remus com um sorriso alegre.
- Bem, não vamos mais tomar o seu tempo, Narcissa. Tenho certeza que têm muitos convidados para dar as boas vindas. – Disse Lupin educadamente.
- Bem, fiquem à vontade. – Respondeu Narcissa. – Vamos, Lucius. – Assim o casal se foi.
- Alguém mais está com fome? – Ted se pronunciou já olhando em volta à procura da mesa de petiscos.
Desviando de vários convidados, Harry seguiu Draco até os famosos jardins da Mansão Malfoy. Durante minutos sem fim, os dois andaram em silêncio. O loiro tinha as mãos nos bolsos e parecia completamente alheio à presença de Harry ao seu lado. O moreno estava encantado demais com o lugar para se importar no momento.
O espaço era enorme e se via todo tipo de flor ao redor. Lavandas, lírios-tocha, narcisos, rosas, margaridas. Todas divididas metodicamente por cores, formando um caleidoscópio impressionante. Por onde Draco e Harry andavam agora, eles passavam pelas flores de tonalidade azul, que iam clareando até chegarem às brancas.
Era realmente inacreditável e conforme eles caminhavam, Harry percebeu que as todas as passarelas entre os arranjos e arbustos direcionavam ao centro redondo do jardim, onde se via uma estufa enorme de vidro, que brilhava à luz da lua.
A Mansão era apenas um borrão iluminado quando Draco parou de andar e virou-se para encará-lo. Harry assustou-se e quase esbarrou no loiro que o olhava como se ele tivesse cometido algum crime hediondo nos últimos minutos.
- O que houve? – Perguntou, franzindo o cenho.
- Você tem alguma noção do que está fazendo, Potter? – A voz de Draco estava uma oitava mais alta que o normal. Harry apenas o olhou, confuso. – O que você pensou quando escolheu essa roupa hoje? "Ah, vou matar o Draco do coração"? Ou "Vou enlouquecer o Draco até que ele me agarre na frente de todo mundo"? Ande, diga!
Levou alguns segundos para Harry entender do que Draco estava falando. E quando ele percebeu foi inevitável rir. O moreno usava sua jaqueta de couro – aquela que Draco já provou adorar –, uma camisa verde e uma calça que apertava em todos os lugares certos – e os errados também. Ao escolher aquela roupa, ele não pensou na reação do loiro. Era uma roupa qualquer, mas aparentemente ele estava errado.
- Eu realmente não pensei nada disso. É só uma roupa! – Disse Harry ainda ostentando um sorriso. O loiro cruzou os braços.
- Não, não é só uma roupa. Você sabe muito bem o que essa jaqueta faz comigo. Sem falar que eu tenho certeza que todo mundo naquela festa não conseguia tirar os olhos de você.
- Você fala como se você estivesse vestido como um mendigo. – Rolou os olhos. – Muito mais provável eles olharem para você.
- De qualquer forma, eu vou passar a noite inteira pensando em tirar essa jaqueta!
- Então somos dois. – Os olhos verdes brilharam cheios de malícia
- Não é engraçado, Harry. – Draco rosnou.
- Não estou rindo.
Harry o olhou com interesse por um tempo, os cabelos loiros pareciam brilhar, mesmo com pouca luz no ambiente e toda a roupa preta do garoto fazia a pele pálida de seu pescoço parecer ainda mais convidativa. Draco percebeu o olhar faminto do outro em poucos instantes e deu um sorrisinho satisfeito.
- Harry, temos que voltar. – Ele disse, quebrando a transe de Harry.
- O que? – O moreno perguntou piscando os olhos repetidas vezes.
- Se não voltarmos, as pessoas vão desconfiar. – Draco fez seu caminho de volta, esperando para ter certeza de que Harry o seguiria. Antes que eles passassem de volta pela porta que dava no grande salão, o loiro parou Harry. – Você sempre esteve muito ciente dos efeitos que essa jaqueta tem sobre mim, Harry, mas você decidiu vir com ela mesmo assim. Agora você terá que arcar com as consequências.
Sem dizer mais nada, Draco voltou para a multidão de convidados. Harry, com os olhos arregalados e temendo as "consequências" das quais Draco falara, encarou o local onde o loiro havia estado e piscou lentamente, balançando a cabeça ligeiramente, passando pela porta e sendo automaticamente engolfado pelas risadas e conversas dos outros ali presentes.
Não demorou muito para que Harry encontrasse Draco na multidão, conversando com Blaise e Pansy, que estava pendurada em seu pescoço, como sempre. Harry rangeu os dentes e cerrou os olhos para a garota, invejando-a por não poder tocar em Draco como ela fazia.
Aquilo era uma tortura, ter que olhar para Draco, sem puder tocá-lo, sem nem ao menos poder estar perto dele. Outras pessoas o cumprimentavam, davam-lhe tapinhas nas costas, trocavam sorrisos, apertos de mão. Harry nem isso podia fazer. Que grande merda.
- Harry! – O moreno virou-se na direção de onde seu nome viera para encontrar Dumbledore acompanhado de outro homem.
- Professor Dumbledore. – Ele sorriu. – Não sabia que iria encontrá-lo aqui.
- Ora, não fale de mim! O que os Potter fazem na festa dos Malfoy? – O mais velho perguntou com simpatia. – Que surpresa!
- Foi uma surpresa pra mim também, senhor. – Harry admitiu e olhou para o homem que estava ao lado do diretor e ouvia a conversa com interesse.
- Oh, Harry, deixe-me lhe apresentar a meu grande amigo, Gellert Grindelwald.
- Prazer, senhor Grindelwald. – O moreno apertou a mão que lhe foi estendida. – Professor Dumbledore, o senhor viu meus pais?
- Ah, eles estavam aqui há poucos minutos, sim. Conversamos um pouco sobre você, sua mãe se mostra sempre muito curiosa quando se trata dos nossos métodos de ensino em Hogwarts High. – Dumbledore disse sorrindo como se lembrasse de algo muito engraçado. – Adorável mulher, sua mãe.
- Hm, obrigado, senhor. Acho que vou procurar por ela. – Harry acenou com a cabeça para Grindelwald.
- Pois bem, se divirta, meu rapaz. Oh, e não perca a oportunidade de provar as tortinhas de limão! Simplesmente maravilhosas!
Harry sorriu e concordou, mesmo não tendo provado das tais tortinhas e ainda pôde ouvir Dumbledore divagando enquanto se afastava, "Terei que falar com a Sra. Malfoy e perguntar sobre essas tortinhas.", o diretor estava dizendo quando mais uma vez Harry avistou Draco na multidão.
Pansy agora mantinha certa distância do loiro - mas ainda assim perto demais para Harry – e, pelo que Harry pôde perceber, estava contando uma história. No entanto, Blaise parecia muito mais interessado na taça de champanhe em sua mão e Draco olhava para cima, provavelmente observando o trajeto de um visgo.
Harry tomou um minuto para observar o visgo também e quando voltou a olhar para baixo, mais especificamente para Draco, viu que o loiro estava sozinho. Os olhos cinza pareciam em chamas encarando Harry. Um arrepio correu sua espinha e sua garganta secou. Ele ajeitou os óculos no rosto e olhou ao redor. Ninguém parecia perceber o que estava acontecendo ali, bem no meio da festa.
Seus olhos voltaram para Draco, que agora parecia alguns passos mais perto. Harry passou a língua pelos lábios, com a intenção de umedecê-los, e viu as pálpebras do loiro se estreitarem ao que ele dava mais um passo em sua direção. O coração de Harry batia forte contra a caixa torácica, pronto para abrir um buraco ali e fugir.
Quando Draco repetiu seu ato de umedecer os lábios, o ar fugiu de seus pulmões e as imagens daquela boca fazendo maravilhas por todo o seu corpo tomou conta da mente de Harry. De repente, o salão estava quente demais para uma noite de inverno e o ar era escasso em seus pulmões. Ele engoliu em seco e passou dois dedos pela gola da camisa, como se fosse alarga-la.
O loiro acelerou o passo em sua direção. Seu olhar preso no de Harry, que não conseguia nem piscar. Ao parar em frente ao namorado, deixou seus olhos viajarem pelo corpo do moreno. Harry podia sentir uma queimação em cada parte que os olhos de Draco passavam. Quando Draco voltou a encará-lo, Harry estava quase tremendo. Sua boca estava, novamente, seca e ele lambeu os lábios. Draco transferiu o olhar para sua boca.
- Harry, você quer que eu te beije aqui, agora? Porque se você fizer isso de novo, é exatamente o que eu vou fazer.
Harry engasgou e olhou em volta. Ninguém nem sequer percebera os dois ali. No entanto, algo do outro lado do salão chamou sua atenção.
- O que é aquilo? – Murmurou para Draco.
Sem esperar resposta, rumou para aquele lugar. Ao chegar perto, ele reconheceu Sirius e Remus. O visgo se encontrava acima da cabeça do professor. Seu padrinho encarava Lupin de um jeito que Harry nunca havia visto. Lupin estava corado e reclamava para James. No segundo seguinte, Sirius segurava o rosto de Moony com as duas mãos e selava os lábios.
Harry engasgou com a própria saliva e olhou para o outro lado enquanto seu pai resmungava alguma coisa que soava bastante como "finalmente".
- Bem, pelo menos alguém vai sair daqui satisfeito hoje. – Draco resmungou cruzando os braços. Harry quase riu. Mais um pouco e o loiro estaria fazendo biquinho.
- Narcissa. – Harry ouviu a voz de Lucius Malfoy soar dura um pouco à frente na multidão que se reunira. – Narcissa, controle seu primo.
Harry viu a Sra. Malfoy ao lado do marido, mas ao contrário de Lucius, que tinha uma careta de completo desgosto no rosto, Narcissa tinha um pequeno sorriso nos lábios e certa satisfação no olhar.
- Ora, Lucius, não era você quem tinha que ouvir Sirius falar de Remus as 24 horas do dia quando éramos mais novos. – Ela disse com ar displicente.
- Você não está apoiando isso, está? – O patriarca parecia indignado.
- O que você espera que eu faça? Que eu vá lá e mande-os parar? – Narcissa levantou uma sobrancelha para o marido, ainda que com certa diversão no olhar. – Bem, eu não vou. Fique à vontade se quiser tomar uma atitude, querido.
Harry sorriu e agradeceu silenciosamente à Narcissa. O moreno então enxergou sua mãe e Tonks atrás de James. Lily tinha aquele olhar de que sabia o tempo todo que aquilo iria acontecer e Tonks estava com um sorriso enorme, quase pulando e um quê de satisfação nos olhos. E foi a primeira vez que Harry viu uma semelhança entre Tonks e sua tia Narcissa, elas tinham o mesmo brilho de satisfação e diversão no olhar.
Pouco depois de a multidão ter dispersado e Remus e Sirius terem sumido da festa, o jantar foi servido. Harry sentou-se em uma das mesas redondas com seus pais, Tonks, Andrômeda e Ted. A comida era inacreditável, assim como tudo que cercava os Malfoy, e ao fim da refeição, a quantidade de convidados presentes diminuiu significativamente e Harry olhou ao redor perguntando-se onde estava Sirius para brincar com o fato de até gente rica só comparece às festas para comer de graça.
Em algum momento enquanto comia, Harry viu os três Malfoy serem cumprimentados por um casal que trazia consigo uma garotinha – que não devia ter mais de seis anos –, segurando na mão do pai e um bebê, que estava no colo da mulher.
Foi com muita curiosidade que Harry observou Draco abaixar-se para ficar da mesma altura da menininha e dizer algo que a fez sorrir e agradecer corando. O loiro então pediu a mão da garota, que a estendeu de bom grado e girou em seu próprio eixo com ajuda de Draco. O garoto disse mais alguma coisa e a menina riu envergonhada, em seguida ele beijou o dorso da mão da garotinha e levantou-se.
Lucius Malfoy não parecia muito feliz com a demonstração de afetividade de seu filho, afinal, estava escrito em algum lugar que os Malfoy tinham que ser pessoas impenetráveis, sem sentimentos, impossível de se abalar. Bem, não estava escrito em lugar nenhum, na verdade, e os Malfoy não eram assim, mas era a imagem que eles tentavam passar. Aquela ação de Draco com certeza fugia desses princípios, mas Harry tinha certeza que o loiro não se importava nem um pouco.
Harry ficou ainda mais surpreso quando Draco perguntou alguma coisa à mulher e no segundo seguinte ela passava o bebê para os braços do loiro. Narcissa pôs-se ao lado do filho para acariciar a cabeça da criança levemente, enquanto Lucius observava a cena lutando para manter suas expressões inabaladas.
O interior de Harry derreteu com a visão do loiro com aquele bebê no colo e ele não pôde evitar suspirar encantado com a atitude. Mas por trás daquilo tudo havia algo mais, Harry sabia. Draco estava colocando os costumes dos Malfoy à prova, era fácil para o moreno perceber. E para Lucius Malfoy também.
Era impossível ler a expressão do patriarca enquanto este observava seu filho, principalmente daquela distância. Draco ouviria algumas coisas – talvez desagradáveis – mais tarde, mas mais uma vez, ele não estava se importando nem um pouco.
Depois dessa imagem, a família Malfoy sumiu entre outras pessoas que puseram no meio do campo de visão de Harry e o moreno aproveitou para terminar sua refeição e prestar atenção no que sua mãe não parava de falar desde que ele se sentara ali.
Harry estava entediado antes que pudesse terminar de comer e se pôs a vasculhar o local à procura de certo loiro novamente. Com menos gente no salão fora mais fácil encontrar Draco, mas talvez tivesse sido melhor se Harry não pudesse vê-lo, por que não era nada agradável ter que ver o loiro sentado em uma mesa não muito distante, conversando com Daphne Greengrass, que parecia mais do que satisfeita com a atenção. Com certeza a visão com a garotinha e o bebê havia sido melhor.
Harry ignorou o que restava de comida em seu prato e pediu licença antes de se levantar. A mesa onde Draco estava era mais ao canto, à diagonal da lareira, e Harry parou bem ao lado desta, encostando-se à parede casualmente após pegar um taça de champanhe da bandeja de algum garçom que passava.
Harry tinha plena consciência de que Draco tinha uma visão perfeita dele ali, assim como ele tinha do loiro, e quando seus olhares se encontraram, o moreno deu um sorrisinho maldoso. Draco cerrou os olhos para Harry rapidamente, mas este apenas levou a taça à boca, lambendo os lábios lentamente, para morder o inferior em seguida.
O moreno levantou o olhar a tempo de ver Draco segurando no tampo da mesa com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos. Satisfeito com o resultado, Harry passou a mão pelos cabelos lentamente, fingindo ajeitá-los.
Quando os olhos verdes encontraram os cinzas novamente, Harry sorriu inocentemente no que a respiração de Draco se tornava errática. Daphne Greengrass olhava pra ele com preocupação e isso irritou o moreno mais ainda.
- Com licença. – Uma voz à direita de Harry pediu. – Você é Harry Potter, estou certo?
- Sim, sou eu. – Harry assentiu. – Desculpe, nós nos conhecemos?
Harry continuava encostado na parede, agora com a mão livre dentro do bolso, os cabelos um pouco mais bagunçados que antes e o lábio inferior avermelhado e brilhante. Enquanto Harry analisava o garoto que viera lhe falar – que lhe parecia extremamente familiar –, ele não fazia ideia de como respirar se tornara uma coisa difícil para certo loiro.
- Nunca fomos apresentados, mas estudamos no mesmo colégio. – Ele estendeu a mão. – Me chamo Oliver Wood, sou capitão do time de futebol de Hogwarts.
- Ah, claro, Oliver Wood. – Harry o cumprimentou.
Não era surpresa que o garoto lhe parecia familiar! Cedric vivia falando sobre ele e vendo mais de perto agora, Harry entendia o porquê. Oliver era muito bonito, do tipo que faria qualquer garota parar para olhar. E, claro, garotos que estivessem interessados também.
- Então posso finalmente conhecer o Harry Potter de quem todos falam! – Oliver sorriu. Harry sorriu também porque o sorriso do outro garoto era lindo. – A propósito, adorei sua jaqueta.
Harry até tentou não rir, mas foi impossível. O moreno aproveitou para olhar para Draco e ficou ainda mais satisfeito por ver seu namorado lançando um olhar assassino na direção de Oliver.
- Obrigado. – Harry observou o terno que Oliver usava. – Talvez eu devesse ter vindo de terno também.
- Eu devo dizer que ver alguém fugindo do padrão ao vir a uma festa dada pelos Malfoy é uma grande surpresa, mas não, você não deviria ter vindo de terno. – Oliver garantiu, bebericando do champanhe em sua taça.
- É, talvez não. – Harry sorriu. – Seu time vai participar das competições contra Durmstrang e Beauxbatons?
- Nós nos preparamos pra isso, mas nos faltam três jogadores no time, então não. – Ele deu de ombros.
Harry quis se chutar. McLaggen e os dois comparsas que foram expulsos de Hogwarts por bater em Harry eram do time de futebol. Como sempre, ele havia falado sem pensar e agora chegara num assunto delicado.
- Oh, me desculpe.
- Não é sua culpa, é claro! Eu mesmo não gostava daquele grupo, eles me davam muito trabalho e já tive muitos problemas com a diretoria por não conseguir colocar ordem nas coisas. Foi uma pena eles não terem resolvido ser expulsos antes, para que eu tivesse tido tempo de achar outras pessoas pra colocar no time. – Oliver disse tranquilamente.
- Quando os jogos começam?
- Assim que os jogos de basquete acabarem, temos uma semana de intervalo e então são os de futebol. – Ele fez um calculo rápido. – É daqui a um pouco menos de três semanas.
- Se eu dissesse que conheço alguém que estaria muito interessado em entrar no time, você acha que pode deixá-lo pronto até lá? – Harry perguntou com ar conspiratório e uma sobrancelha levemente levantada.
- Consigo, com toda certeza! Você sabe de alguém? – O sorriso de Oliver cresceu.
- O nome dele é Ronald Weasley. Ele não tem muita experiência, mas assiste sempre que pode aos treinos do time. Tenho certeza que ele pode ditar as táticas de cabeça pra baixo. – O moreno garantiu. – E talvez você pudesse falar com Seamus Finnigan e Dean Thomas também. Esses são os que eu conheço, talvez se você falar com eles, consiga até uns reservas.
- Ora, mas isso é realmente ótimo! – Oliver estava quase pulando e Harry teve que rir. – Eu conversei com o time sobre abrir as vagas, mas chegamos à conclusão que achar alguém bom a essa altura seria muito trabalhoso e estressante, então iriamos esperar até a volta do feriado de fim de ano para começarmos com os testes.
- Problema resolvido, então! Seu time estará completo a tempo.
Harry aproveitou para olhar para Draco novamente. Dessa vez o loiro não estava olhando para ele, pelo contrário, Draco parecia ter engajado animadamente numa conversa com Daphne Greengrass e os dois estavam perto demais um do outro, na opinião de Harry. O moreno bufou tão alto que Oliver acabou por seguir o olhar dele.
- Eu pensei que você estivesse com Malfoy. – Oliver disse após outro gole de champanhe. – Quero dizer, é só sobre o que se fala no colégio. Fiquei surpreso quando te vi sozinho, afinal, é a festa da família dele.
O moreno perdeu o que Oliver estava falando no meio da sentença, quando Draco pareceu se aproximar ainda mais de Daphne e segurou a mão dela por cima da mesa. Harry tirou a mão de dentro do bolso e a fechou com força, chegando a machucar sua palma com as unhas. E pra piorar a situação, Pansy apareceu, trazendo a irmã mais nova de Daphne, Astoria, e as duas sentaram junto dos outros dois.
Perfeito! Draco devia estar morrendo de felicidade sendo o centro das atenções das garotas mais bonitas da festa. Todo o corpo de Harry tremia de tensão e seus dentes rangiam a ponto de doer.
- Harry, você vai quebrar sua taça se continuar apertando assim. – O moreno ouviu Oliver avisando.
Ele não percebera a força com a qual estava segurando sua taça e era realmente inacreditável como o vidro fino não se quebrara em mil pedacinhos em sua mão. Harry lutou para recuperar sua pose casual e desviou o olhar da palhaçada que acontecia na mesa ali perto.
- Posso te contar um segredo, Oliver? – Harry perguntou inocentemente.
- Hm, claro.
Harry umedeceu os lábios e deu um pequeno sorriso, baixando a vista por alguns segundos antes de se desencostar da parede e se aproximar de Oliver, aproximando sua boca do ouvido do outro garoto, que era mais alto que Harry. O moreno ainda pôde ver que Draco estava olhando para ele antes de começar a sussurrar.
- Eu estou com Draco. – Ele começou. – Toda Hogwarts parece já saber, assim como meus pais e os dele também, mas, entenda, isso não pode se tornar público ainda. Ninguém pode ter certeza absoluta de que estamos juntos. Muitos desconfiam, mas ninguém tem certeza. Nem podem ter. Pelo menos não por enquanto. Então, Oliver... – Harry sabia que Draco ainda estava olhando, por isso segurou o pulso do outro garoto, subindo a mão devagar por seu antebraço. – Você não pode dizer isso a ninguém. Esse vai ser nosso segredo, está bem?
Aquilo pareceu ser suficiente. No segundo seguinte Draco apareceu ao lado deles com uma expressão nem um pouco satisfeita. Não mesmo. O olhar de Draco poderia ser facilmente caracterizado como assassino. Mas Harry apenas sorriu inocentemente enquanto se afastava do garoto mais alto.
- Potter. – Draco rosnou.
- Boa noite, Malfoy. – Ele respondeu. – Você conhece o Oliver, certo? Oliver Wood, ele é capitão do time de futebol de Hogwarts.
- Claro. – O loiro respondeu duramente. – Que prazer vê-lo, Wood.
- Igualmente, Malfoy. – Oliver deu um aceno de cabeça.
- Desculpe, eu não os interrompi, não foi? – Draco perguntou friamente, sem dar um pingo de importância a ter de fato interrompido ou não.
- Oh, eu estava apenas contando um segredo ao Oliver, não foi? – Harry olhou para o outro garoto com cinismo.
- É... Foi. – Ele respondeu um pouco confuso.
- Draco? – Uma voz chamou atrás do loiro. Era Daphne, que era seguida por Pansy e Astoria. Harry trincou os dentes. – Nós estamos indo até o jardim, você não vem?
- É, Draco, por que você não vai até o jardim com a adorável senhorita Greengrass? – O moreno rosnou para o loiro com igual insatisfação.
- Olá, Harry! – Pansy cumprimentou com um sorriso. – Você está muito bonito. Gostei da sua jaqueta.
- Obrigado, Pansy. Você está maravilhosa, e que Blaise não esteja por perto. – Harry fingiu olhar ao redor curtamente.
- Draco? – Daphne chamou novamente. – Você vem?
- Não, Daphne. Podem ir sem mim. Eu preciso perguntar uma coisa ao Sr. Potter. – Draco disse lançando um olhar perigoso para Harry.
- Oliver! – Pansy notou a presença do outro garoto. – Por que você não vem conosco? Eu tenho certeza que você não conhece os jardins da Mansão Malfoy ainda.
- Não, não conheço. Parece um convite tentador. – Oliver sorriu e acompanhou as três garotas, virando-se para se despedir de Harry. – Prazer conhecê-lo, Harry. Espero te ver por ai.
- Igualmente, Oliver. Até mais. – O moreno acenou.
Quando os quatro se retiraram, Draco e Harry se encararam com olhares duros, um medindo as atitudes do outro. Eles estavam a uma boa distância um do outro, mas a corrente elétrica entre os dois era quase visível.
- Espero que tenha apreciado seus joguinhos, Potter. – Draco disse, cuspindo a sentença.
- Ora, quem está falando de jogos? Você está me provocando desde que cheguei nessa festa. O que esperava? Que eu ficasse quieto num canto observando?
- Eu certamente não esperava que você fosse subir no primeiro garoto que se aproximasse de você. – O loiro fez uma careta insatisfeita.
- Claro que não, afinal, pra que se preocupar com o idiota do Harry quanto se tem três garotas penduradas no pescoço, não é, Malfoy? – Harry respondeu e a única coisa que ele podia ouvir era a respiração alterada de Draco e o barulho do sangue que corria quente e rápido em suas veias.
- Você já não acha o suficiente vir vestido nessa jaqueta e ainda me provoca desse jeito? – Draco, perigosamente, deu um passo à frente. – Oh, Harry, você devia ter pensado melhor.
- Pode olhar Draco, mas não pode tocar. – O moreno deu um sorriso maldoso.
- Quando essa jaqueta estiver no chão... – Draco deu mais um passo à frente. – Eu vou tocar. Ah, eu vou tocar em todos os lugares.
Um tremor surreal desceu pela espinha de Harry e ele fechou os olhos por um segundo, impedindo um pequeno gemido de escapar entre seus lábios. Quando a voz de Draco chegou a seus ouvidos novamente, dessa vez como um sussurro, Harry teve medo de que suas pernas talvez fossem incapazes de lhe sustentar.
- Suba para o meu quarto em 10 minutos. – Draco disse e deu às costas, olhando por cima do ombro para sorrir maliciosamente para Harry antes de passar pela porta do salão.
10 minutos. Certo. Harry inalou profundamente, lutando para controlar sua respiração. O moreno então voltou para a mesa onde seus pais se encontravam e olhou o relógio de pulso de James. Os ponteiros marcavam 00hr35min.
Harry trocou a taça de champanhe por um copo de água e o bebeu como se sua vida dependesse daquele copo d'água. Em seguida ele fechou os olhos e assim permaneceu até ter todo seu autocontrole restaurado. Quando ele os abriu novamente, sua mãe o observava como se houvesse acabado de descobrir que seu filho enlouquecera de vez.
- Harry? – Lily chamou calmamente. – Está tudo bem, querido?
- Hm? – O moreno piscou repetidamente e olhou novamente para o relógio no pulso de seu pai. Faltavam 5 minutos. – Estou ótimo, mãe. Nada pra se preocupar. Eu vou... Eu vou pra... É.
Harry levantou-se e deixou pra trás uma Lily extremamente confusa e preocupada. O moreno se viu em frente às escada no que ele sabia ser antes do tempo combinado, então Harry deus às costas aos degraus e olhou ao redor.
Ainda havia algumas pessoas por ali, conversando animadamente e bebendo. Algumas já tinham em suas expressões o efeito do álcool e outras o do horário avançado.
O moreno não soube ao certo quanto tempo ele ficou parado ali, apenas olhando, tentando não se tornar um poço de expectativa, tentando manter seu controle.
- Com licença. – Ele pediu a um homem bem vestido que passava por ele de braço dado com uma moça.
- Pois não, meu jovem? – O homem deu um sorrisinho amigável.
- Que horas são, por favor? – Harry se esforçou o máximo que pode pra não soar um pouco desesperado.
- Faltam 15 minutos para 1 hora da manhã. – Ele informou após checar seu relógio.
- Muito obrigado. – O moreno sorriu.
O homem e a moça continuaram a fazer seu caminho pra onde quer que eles estivessem indo e Harry voltou-se para as escadas. 10 minutos, Draco havia dito, e estava na hora. O moreno forçou-se a parecer o mais casual possível enquanto subia e também não olhou pra trás, por que talvez parecesse suspeito. Então Harry apenas levantou a cabeça e subiu os degraus o mais rápido que pôde, mesmo que sem realmente correr.
O moreno seguiu direto para o quarto de Draco e abriu a porta devagar, fazendo o mínimo de barulho possível, como se alguém lá embaixo pudesse ouvi-lo. A luz dentro do cômodo estava baixa, Harry logo percebeu, e quando a porta estava suficientemente aberta para que ele pudesse passar, ele o fez e a fechou rapidamente atrás de si.
Harry ficou completamente sem ação e qualquer raciocínio se perdeu quando Draco se revelou sentado na cama, encostado em uns dos travesseiros, com um violão em seu colo, sem paletó ou gravata e seus dedos compridos dedilhavam as cordas displicentemente, causando uma melodia suave, curta e repetitiva. Quando as íris cinza se prenderam nas verdes o som parou automaticamente.
- Não diga nada, Harry, não faça nenhuma pergunta e, por favor, não ria. – Draco pediu, ainda olhando para o moreno.
- Draco, o que está acontecendo? – Harry perguntou após um pigarro, dando alguns passos em direção à cama. – Desde quando você toca violão?
- Que parte do "não diga nada e não faça perguntas" você não atendeu? – O loiro rolou os olhos e indicou em um local no colchão para Harry sentar, à frente dele. – Venha, sente-se.
Ainda cheio de perguntas e querendo explicações, Harry se aproximou em passos curtos, mas rapidamente. O moreno sentou-se onde lhe fora indicado e observou o instrumento que Draco segurava.
- Eu o comprei há anos e tentei aprender, fiz até algumas aulas. Pode-se dizer que eu me saia bem – O loiro informou com ar convencido. – Mas meu pai vivia dizendo que era perda de tempo e não apreciava nem um pouco os avanços que eu fazia nas aulas, então eu acabei desistindo. Quando nós... Tivemos aquele problema há algumas semanas, eu o encontrei. Calhou que Pansy me mandou umas músicas e uma delas me lembrava muito você.
Draco deu uma risada nasal e seus olhos prenderam-se nos de Harry novamente, este ainda querendo entender o que estava se passando. Draco não ia tocar pra ele, ia?
- Eu acho que posso dizer que na época isso não me fez muito bem, mas era a única coisa que fazia com que eu me sentisse menos mal em relação a tudo o que acontecera. – Pelos olhos do loiro Harry pôde ver a sinceridade. – Então, eu dediquei meus dias a tentar fazer uma versão especial pra você, Harry, e não ria.
Com certeza rir era a última coisa que Harry queria fazer naquele momento. O moreno remexeu-se no colchão em ansiedade e seu coração parecia que ia saltar pela boca no momento em que Draco começou a tocar uma melodia alegre que fez Harry sorrir instantaneamente.
The way you move is like a full on rainstorm
O jeito como você se move é como uma completa tempestade
And I'm a house of cards
E eu sou um castelo de cartas
You're the kinda reckless that should send me running
Você é do tipo descuidado que deveria me fazer correr
But I kinda know I won't get far
Mas eu meio que sei que eu não chegarei longe
Harry sentia seu coração bater tão rápido que ele não se surpreenderia se sua caixa torácica se abrisse naquele momento. Inconscientemente ele inclinou-se para frente, para mais perto de Draco e sua voz espetacular, querendo sorver cada palavra dita, cada nota, cada respiração.
And you stood there in front of me just
E você ficou na minha frente
Close enough to touch
Perto o suficiente pra tocar
Close enough to hope you couldn't see
Perto o suficiente para esperar que você não pudesse ver
What I was thinking of
No que eu estava pensando
Drop everything now
Largue tudo agora
Meet me in the pouring rain
Me encontre na chuva
Kiss me on the sidewalk
Me beije na calçada
Take away the pain
Leve a dor embora
'Cause I see, sparks fly whenever you smile
Porque eu vejo faíscas voarem sempre que você sorri
Get me with those green eyes, Harry*
Me surpreenda com aqueles olhos verdes, Harry
As the lights go down
Enquanto as luzes se apagam
Give me something that'll haunt me when you're not around
Me dê algo que me assombrará quando você não estiver por perto
'Cause I see, sparks fly whenever you smile
Porque eu vejo faíscas voarem sempre que você sorri
My mind forgets to remind me
Minha mente esquece de me lembrar
You're a bad idea
Você é uma má ideia
You touch me once and it's really something
Você me toca uma vez e é realmente algo
You find I'm even better than you
Você descobre que eu sou muito melhor do que você
Imagined I would be
Imaginou que eu seria
I'm on my guard for the rest of the world
Eu estou na defensiva pro resto do mundo
But with you I know it's no good
Mas com você eu sei que não é bom
And I could wait patiently but I really wish you would
E eu poderia esperar pacientemente, mas eu realmente queria que você
Drop everything now
Largasse tudo agora
Meet me in the pouring rain
Me encontrasse na chuva
Kiss me on the sidewalk
Me beijasse na calçada
Take away the pain
Levasse a dor embora
'Cause I see, sparks fly whenever you smile
Porque eu vejo faíscas voarem sempre que você sorri
Get me with those green eyes, Harry*
Me surpreenda com aqueles olhos verdes, Harry
As the lights go down
Enquanto as luzes se apagam
Give me something that'll haunt me when you're not around
Me dê algo que me assombrará quando você não estiver por perto
'Cause I see, sparks fly whenever you smile
Porque eu vejo faíscas voarem sempre que você sorri
I'll run my fingers through your hair
Eu vou passar meus dedos pelo seu cabelo
And watch the lights go wild
E ver as luzes ficarem selvagens
Just keep on keeping your eyes on me
Continue mantendo seus olhos em mim
It's just wrong enough to make it feel right
É errado o suficiente para fazer parecer certo
Lead me up the staircase
Me leve até a escadaria
Won't you whisper soft and slow
Você não sussurrará suave e devagar
I'm captivated by you baby
Eu estou deslumbrado por você
Like a firework show
Como um show de fogos de artifício
Drop everything now
Largue tudo agora
Meet me in the pouring rain
Me encontre na chuva
Kiss me on the sidewalk
Me beije na calçada
Take away the pain
Leve a dor embora
'Cause I see, sparks fly whenever you smile
Porque eu vejo faíscas voarem sempre que você sorri
Get me with those green eyes, Harry*
Me surpreenda com aqueles olhos verdes, Harry
As the lights go down
Enquanto as luzes se apagam
Give me something that'll haunt me when you're not around
Me dê algo que me assombrará quando você não estiver por perto
'Cause I see, sparks fly whenever you smile
Porque eu vejo faíscas voarem sempre que você sorri
Sparks fly, oh baby smile, sparks fly
Faíscas voam, sorria, faíscas voam
Quando a última nota soou até se perder, Harry tinha um sorriso que não poderia ser caracterizado como nada além de muito bobo. Mais um pouco e ele estaria babando por cima da perfeição que era Draco Malfoy. Ali, à meia-luz, com aquelas palavras especialmente para ele, assim como a melodia, Harry teve que lutar muito para não beijá-lo como se o mundo estivesse acabando. Pelo menos não até que a música acabasse.
- Então? – Draco perguntou, ligeiramente corado e evitando o olhar do moreno.
- Eu... – Começou, mas Harry não sabia o que dizer. Então, ele apenas inclinou-se, segurou o rosto perfeito de Draco e o beijou.
O loiro deixou um som surpreso escapar. Harry o beijou de uma maneira tão intensa que entontecia seus sentidos e lhe roubava a respiração. Tão forte que não lhe deixava alternativa a não ser se entregar completamente. Como sempre.
Ele se separou de Harry para tirar o violão do colo e colocá-lo ao lado da cama. Assim que o instrumento tocou o chão, sua boca era tomada mais uma vez num beijo muito mais feroz do que o anterior. Todo seu corpo derreteu. Foi aí que as coisas fugiram de controle. Draco inclinou-se para trás até deitar na cama com Harry por cima de si. O olhar que o moreno o lançou quando as bocas se separaram foi o suficiente para fazer todo seu corpo se arrepiar e sua mente se desligar de todo o resto. Ninguém nunca o olhara daquela maneira, nem mesmo o próprio Harry.
Harry frustrou-se por um momento tentando desfazer os botões da camisa do loiro até decidir que não valia à pena o esforço e puxá-la por cima da cabeça de Draco. A risada alta do outro preencheu o quarto, mas não por muito tempo porque logo seus lábios estavam selados e começava tudo de novo. Quando a camisa atingiu o chão, o moreno rolou-os na cama e, agora, Draco estava por cima.
O loiro tinha um sorriso no rosto ao sentar nas coxas do moreno e brincar um pouquinho com o zíper da jaqueta antes de abri-la. Então, ele puxou Harry até que seus rostos estivessem na mesma altura e o beijou. Suas mãos desceram aquela maldita jaqueta pelos braços do moreno e jogou-a em qualquer lugar. Logo, a camisa de Harry estava no chão também.
Braços circularam sua cintura, mãos vagavam por suas costas e Draco não poderia se sentir mais feliz. Porque era exatamente o que ele queria, a noite toda. Em algum momento durante os beijos, os dois se livraram dos sapatos e meias e o resto das roupas desapareceu num passe de mágica. Seus corpos se moveram juntos, tocando em cada centímetro que as mãos poderiam alcançar. Draco chegou ao pescoço de Harry, distribuindo beijos e mordidas ali, trilhando aquele caminho conhecido do pomo-de-adão até o peito e de lá até o umbigo, só aí ele parou para olhar o moreno como se ele precisasse saber as reações que lhe causava. E como se quisesse ler a mente do rapaz, invadindo-o pelos olhos e tomando cada parte de seu ser.
Harry estava desesperado por aquilo, pelos toques de Draco, pela boca de Draco, por qualquer coisa que o loiro estivesse disposto a dá-lo. Mais do que isso, ele precisava saber que Draco queria aquilo tanto quanto ele, porque as coisas estavam tão sérias àquela altura do campeonato que Harry duvidava se conseguiria seguir em frente sem o loiro. Sua vida inteira estava começando a se resumir em estar com Draco e nada mais. E ele não poderia fingir que toda aquela dependência não o assustava.
Harry deixou escapar um grunhido quando os lábios do loiro tocaram sua ereção bem de leve, apenas o fantasma de um beijo. E aqueles beijos leves se repetiram até o moreno estar gemendo e mexendo, inquieto, os quadris na direção da boca de Draco. Quando ele sentiu os lábios finos deslizando sobre si, o mundo girou tão rápido que Harry se sentiu verdadeiramente tonto. Seus olhos se fecharam e as mãos foram direto para o cabelo do loiro, ele não ligava de puxar quando tudo parecia demais e insuficiente ao mesmo tempo e Draco não parecia dar a mínima para a dor também.
Ele sentiu o que seria a ponta de um dedo provocando sua entrada e se assustou. Mas mesmo que Harry não tivesse ideia do que se passava na cabeça de Draco, se aquilo era o que ele queria, então Harry o daria isso. Porque Harry não conseguia dizer "não" quando se tratava do loiro e precisava daquele contato tanto quanto Draco parecia precisar no momento.
Draco só parou para pegar a embalagem de lubrificante e uma camisinha no criado-mudo, porque Harry estava começando a implorar; porque ele precisava de mais. O mundo de Harry estava girando de novo quando o loiro o beijou, calando seus pedidos desesperados. Foi enquanto suas línguas se enroscavam uma na outra num beijo tão, mas tão perfeito que Draco o penetrou, com o máximo de cuidado, como se Harry fosse a coisa mais frágil do mundo.
Então, Harry quebrou o beijo e agarrou o cabelo de Draco mais uma vez enquanto se contorcia contra seu corpo, apreciando a sensação de ter o loiro dentro de si. Ele nem se lembrou de sentir o desconforto inicial, porque ele precisava tanto disso que chegava a doer.
- Eu te amo. – Draco sussurrou, sem olhar para ele, quando começou a se mover.
As palavras soaram tão baixas que Harry quase não ouviu. Mas então Draco o olhou nos olhos e ao mesmo tempo em que os movimentos ganhavam mais força, seguindo um ritmo forte e preciso que acertava a próstata de Harry a cada investida, ele repetiu com mais firmeza:
- Eu te amo tanto, Harry.
Harry se perguntou se estava delirando e essa foi a única coisa que ele pensou que fizesse o mínimo de sentido antes de se perder completamente em Draco. Porque sentir Draco dentro de si, sentir seu corpo, sentir a mão em volta de sua ereção e, ao mesmo tempo, ouvi-lo sussurrar obscenidades era bom pra caramba, era perfeito demais para que Harry pudesse aguentar de uma vez só.
Antes que Harry percebesse, ele estava gritando o nome de Draco e o loiro gritava o seu em resposta e nada mais importava no mundo.
O corpo de Draco cobriu o de Harry no que ele caiu por sobre o moreno, lutando para normalizar sua respiração e recuperar o controle sobre seus músculos, por que naquele momento ele mal conseguiu raciocinar.
Harry pôs-se a acariciar as costas de Draco com as pontas dos dedos, mantendo os olhos fechados e trabalhando na regularização de sua respiração e em colocar seu cérebro para funcionar novamente. Pouco tempo depois ele pôde sentir leves beijos na curva de seu pescoço e soube que Draco havia conseguido se recuperar.
O loiro rolou para cair na cama, ao lado de Harry, cujos olhos ainda estavam fechados e o peito subia e descia em um pequeno descompasso. Draco procurou pela mão de Harry e entrelaçou seus dedos, acariciando o dorso com o polegar suavemente.
A festa que aconteceu no andar inferior da casa estava há tempos esquecida no que tudo o que realmente importava eram Draco e Harry estarem juntos naquele momento.
Com movimentos curtos Harry virou-se de lado e puxou o loiro para mais perto dele, praticamente colando seus peitos e entrelaçando suas pernas. Draco observou o rosto do moreno com um sorriso brincando em seus lábios, mas ainda sentia falta do brilho dos olhos verdes e por isso resolveu quebrar o silêncio.
- Você ainda não disse o que achou da música. – O loiro lembrou casualmente, tentando não ter um tom exigente em sua voz.
- Bem, você pediu algo que o assombrasse quando eu não estiver por perto. – Harry sorriu. – E eu lhe dei.
Os dois soltaram risadinhas baixas e o sorriso de Draco cresceu ao que os olhos do moreno se abriram para observá-lo. E lá estavam as íris cor de esmeralda, encarando-o tão honestas, tão intensas.
- Quando eu acho que você não tem como me surpreender mais, descubro que você canta e toca violão. – Harry forçou um som de insatisfação. – Por que você teima em ser tão perfeito, Draco Malfoy?
- Então quer dizer que você gostou? – Draco perguntou após rir com vontade, forçando Harry a acompanhá-lo com aquele som contagiante.
- Claro que eu gostei. – Harry falou seriamente, tentando intensificar a sinceridade no que dizia apertando o loiro em seus braços. – A melodia é linda, a letra é linda, sua voz é linda. Muito obrigado, Draco. E devo dizer que você é um tanto quanto masoquista por ouvi-la enquanto estávamos separados. – Ele brincou.
- Ah, nem me fale, estou muito ciente disso. – Draco revirou os olhos, divertido.
- E você? O que achou disso? – O moreno colou seus quadris curtamente como que para dar sentido a suas palavras.
- Harry... – Draco suspirou e fechou os olhos por alguns segundos, reinstaurando seu autocontrole. – Foi incrível. Você é incrível. Eu nunca senti nada tão... intenso na vida.
- Eu acho que a música ajudou. – Harry sugeriu sorrindo.
- Hm, acho que devo tocá-la mais vezes então. – O loiro deu de ombros.
- Ah, com certeza.
Harry e Draco riram juntos novamente, caindo em silêncio em seguida. Seus corações batiam acelerados, havia borboletas dando voltas e mais voltas em seus estômagos e nada poderia estar mais certo quando seus lábios se tocaram novamente, apenas numa troca de carinhos.
- Feliz natal, Draco. – Harry sussurrou contra os lábios do loiro.
- Feliz natal, Harry. – Ele respondeu e colou seus lábios novamente.
E enquanto eles estivessem juntos seria, de fato, o melhor natal.
* A letra original diz "Give me with those green eyes, baby" mas mudamos para "baby" para "Harry" nessa pequena declaração do Draco.
O nome da música é Sparks Fly - Taylor Swift e sugiro que todo vocês escutem. :D
Gente, de onde vem tanta review, pelo amor de deus? Já passamos das 200! Muito obrigada bvcsalvatore, sonialeme, Yann Riddle Black, Sestini, Ines G. Black, MarciaBS, Carla Balsinha, Shinju Gina, Pandora Beaumont, Deryck Astaire, Maru, DW03 e Mila B por fazer parte dessas 222 reviews!
Então, esse foi o último capítulo. Não acredito que só resta o epílogo agora. Vou chorar de novo quando for postar.
Só mais uma semana, pessoal. Bom carnaval pra todos! Até o próximo e último sábado.
