Epílogo

Draco acordou para encontrar a cama vazia. Ele não estava surpreso, era assim todo domingo, mas também não era agradável. Nos outros dias da semana, ele e Harry acordavam na mesma hora para ir trabalhar, mas nos domingos – quando eles se davam folga – Harry sempre acordava mais cedo.

Como a rotina dos domingos, Draco tomou um banho e desceu para tomar café usando uma camisa regata branca e uma bermuda bege. Quando Draco pisou no último degrau da escada, cheiro de queimado era tudo que podia se sentir no ar.

Um tanto preocupado e confuso, o loiro seguiu direto para a cozinha, em passos rápidos. E qual não foi sua surpresa ao encontrar Harry xingando baixinho enquanto jogava pedaços tostado de algo – Draco não conseguiu identificar o que eram – no lixo e fechar a tampa do lixeiro com raiva.

- Harry? – Draco chamou, analisando o namorado rapidamente para ter certeza de que o "cozinheiro" não havia causado nenhum dano a si mesmo.

- Hey! – Harry sorriu diante à presença do loiro. – Bom dia.

- Bom dia. O que aconteceu aqui?

- Oh. – O moreno levou uma mão aos cabelos e a desceu em direção ao pescoço. Draco adorava quando ele fazia isso e não pode evitar se aproximar. – Eu... Queimei as torradas. Desculpa.

Draco riu e se aproximou mais, deixando Harry puxá-lo pela cintura e envolve-lo com os dois braços, baixando seu rosto para deixar seus lábios mais próximos.

- Não tem problema. – Ele sussurrou.

O loiro olhou fundo nas íris cor de esmeralda, passando seus braços ao redor do pescoço de Harry para enfim selar seus lábios. Depois de tanto tempo, ainda era inacreditável como Harry ainda tinha tanto efeito sobre ele e como o moreno ainda era viciante.

- Eu queria levar café pra você. – Harry confessou, encostando suas testas.

- Tão romântico. – Draco provocou, brincando com os fios de cabelo negro da nuca do moreno. O loiro sorriu no que Harry rolou os olhos e desencostou suas testas. Draco aproveitou para olhar pela janela por sobre o ombro de seu namorado. – Vamos fazer assim: Não chove há mais de uma semana, então, por que você não rega o jardim enquanto eu arrumo a bagunça que você fez aqui?

- Tudo bem. – Harry deu mais um beijo demorado em Draco e se afastou.

- Snuffles deve estar com fome. – Draco avisou e Harry fez um sinal de que escutou antes de passar pela porta que dava para o jardim de trás.

Snuffles, por mais estranho que aquilo parecesse, acabara por se tornar um grande fã de Draco e na última visita que Remus e Sirius fizeram aos garotos, na semana anterior, o cão simplesmente se recusara a ir embora. Snuffles sentou-se entre Draco e Harry e lá permaneceu imóvel, independente do ataque que Sirius teve.

O cachorro acabou por ficar com Draco e Harry, e mesmo Sirius tentando levar o animal de volta pra casa todo dia, Snuffles parecia muito confortável deitado sob a sombra da macieira, acompanhando os movimentos do loiro e do moreno apenas com o movimentar de sua cabeça peluda.

Quando Harry pisou no jardim, Snuffles pulou nele, lambendo seu rosto e balançando o rabo alegremente. O moreno riu e, com certo esforço, tirou o animal de cima de si.

- Bom dia pra você também, Snuffles! – Harry desejou brincando com as orelhas do cão. – Draco me mandou vir dar seu café da manhã. Mandão, aquele lá, você não acha?

- Potter! – Veio a voz de Draco do interior da casa. – Eu ouvi o que você disse!

Harry riu e Snuffles latiu, correndo disparado para dentro de casa. O moreno correu atrás dele, se xingando mentalmente por ter deixado a porta aberta. Ele e Draco haviam combinado que deixariam Snuffles do lado de fora, pelo menos quando eles estavam ocupados demais para prestar atenção no animal.

Quando Harry o alcançou, ele já tinha derrubado Draco no chão da cozinha. O moreno realmente se esforçou para segurar uma risada, mas era impossível. Snuffles pegara Draco de surpresa e a força de seu pulo acabara derrubando-o. Agora o loiro segurava o cão para impedi-lo de lhe lamber o rosto.

Ainda rindo, Harry tirou o cachorro de cima do loiro e o expulsou para o lado de fora. Draco levantou-se e lavou as mãos na pia, crucificando Harry com o olhar.

- Desculpa, eu deixei a porta aberta.

- Deu pra notar. Agora eu fico me perguntando o que mais você não diz sobre mim a ele. – Draco enxugou as mãos e deu de ombros, cruzando os braços em seguida

Harry calou a boca de seu namorado com um beijo, procurando sua língua dessa vez, apertando-o em seus braços, sentindo seus corações baterem como um só.

- Você é perfeito, Draco. – Harry sussurrou contra os lábios do loiro, sorrindo.

Draco sorriu e o beijou novamente, empurrando-o porta a fora quando eles se separaram, dando um tapa em sua bunda antes de lembra-lo que Harry realmente tinha que colocar comida para Snuffles.

Harry já havia colocado ração no pote de Snuffles e estava com a mangueira ligada há pelo menos vinte minutos quando Draco sentou na mesinha de tampo de vidro que tinha embaixo da macieira e chamou o moreno para, finalmente, tomar café da manhã.

Quando o moreno se serviu de suco, Draco tirou um envelope do bolso – cujo lacre já estava rompido – e deixou que Harry notasse. Assim que os olhos – impossivelmente, inacreditavelmente, lindamente – verdes encararam o papel bege, o loiro rolou os olhos.

- Você não ia me dizer que isso finalmente chegou? – Draco perguntou numa voz acusadora.

- "Finalmente"? – Harry riu. – É quase como se você estivesse torcendo, Draco.

- Eu estava esperando. Todos nós estávamos, na verdade. – Ele deu de ombros. – Hermione e Weasley vão finalmente se casar! Depois de tanta enrolação, ele finalmente resolveu colocar a coleira e você resolve não me contar?

- Você está sendo dramático, Draco. Não faz nem três dias que esse convite chegou.

- Não interessa, você tinha que ter me chamado assim que isso chegou às suas mãos. – Draco colocou o convite de lado e voltou sua atenção para comida.

- Certo, me desculpe.

- De qualquer forma, nós dois temos que nos acertar também.

Harry parou o copo a caminho da boca e seu coração acelerou de solavanco. As íris verdes procuraram as cinzas, mas estas estavam fixas na comida no prato à sua frente.

- É mesmo? – Harry instigou.

- Claro. Temos que começar logo a reforma da casa, Harry. Quando o inverno chegar, as coisas param. Não temos tempo a perder.

- Ah, sim. – O moreno voltou seu olhar para seu prato, perdendo o apetite de repente. – O inverno ainda demora. Não temos com o quê nos preocupar.

- Seis meses passam num piscar de olhos, Harry. E você está longe de decidir quais mudanças faremos na sala.

- Eu andei pensando... E quanto aos tons de vermelho? – Harry perguntou como quem não quer nada, dando de ombros.

- Vermelho? – Draco olhou para o namorado e levantou uma sobrancelha. – Eu odeio vermelho.

- Eu sei, mas pensei que poderíamos usar na sala de estar...

- Nem pensar! – O loiro balançou a cabeça veemente. – É uma casa, Harry, não um prostíbulo!

- Não estou falando da casa inteira, Draco! É apenas uma parede! Escute...

- Não! Vermelho é horrível!

- Você acha? – Harry cerrou os olhos. – Meu quarto na casa dos meus pais tinha uma parede vermelha, você dormiu lá inúmeras vezes e eu não me lembro de você ter reclamado! Nenhuma vez.

- Isso também não quer dizer que eu goste! Não vou morar numa casa vermelha!

- Pelo amor de deus, dá pra você deixar de ser tão irredutível para que possamos resolver isso? Pelo menos por alguns segundos. Pode ser?

- Eu não quero nenhuma parede vermelha, Harry. – Draco disse com tom de quem encerra conversa.

- Ouça, eu estava pensando em pintar uma das paredes num tom mais escuro, mais fechado, sem brilho e usar alguma textura... – O moreno explicava gesticulando e quase derrubou a jarra de suco com uma mãozada. – Então, o que você acha?

Harry segurou um sorriso quando o loiro apenas o encarou. Se havia uma coisa que Harry sabia fazer perfeitamente era ler seu namorado. Era fácil ver que o loiro estava considerando o que ele dissera.

- Compre, Harry, não é como se não tivéssemos dinheiro para comprar quantas latas de tinta vermelha você quiser. – Draco fez um gesto displicente.

Mesmo não sendo a resposta que ele queria, Harry sorriu. Ele sabia que aquilo era tudo que conseguiria de Draco em relação àquele assunto e tinha certeza que o loiro aprovaria no final. Claro, Harry tinha perguntado a Narcissa a opinião dela e ela protelou um pouco, mas aprovou por fim.

Harry e Narcissa tinham o que podia ser chamado de uma boa amizade. A matriarca da família Malfoy era extremamente agradável de ter por perto e aos poucos Harry foi ficando mais confortável perto dela, até parando de usar palavras difíceis para tentar impressioná-la. Como ela mesma já dissera, aquilo não era mais necessário.

Com Lucius Malfoy a coisa era mais complicada. Bem mais complicada. Harry suspeitava que o homem ainda esperava que seu filho fosse desistir de sua relação com Harry para casar-se com uma mulher escolhida por ele – talvez Daphne Greengrass, Harry pensava – e tivesse o tão desejado herdeiro Malfoy.

Quanto à Lily e James Potter, Draco se dava muito bem com os dois. James e Draco adoravam discutir sobre as empresas e Lily vivia encantada com a educação de Draco, que sempre utilizava absolutamente toda sua criação como um Malfoy para fazer a mãe de Harry corar.

Os dois ainda brigavam, discutiam, discordavam e ficavam chateados um com outro, mas não era nada que uma conversa após os nervos terem se acalmado não pudesse resolver. Eles nunca mais tiveram uma briga como aquela que tiveram há anos atrás, quando Lucius contratou uma mulher para se esfregar em Draco no meio da rua.

Foi pouco tempo depois de eles terem se acertado que Harry perdeu os ciúmes que tinha quando Pansy estava por perto. O moreno descobriu que a garota chorara de felicidade quando Draco disse que ele e Harry estavam juntos de novo e, desde então, o moreno instigava e incentivava seu namorado a convidar Blaise e Pansy, que depois de um tempo assumiram o namoro e agora cada um tinha uma aliança de noivado no dedo, para tomarem um chá, jantarem ou simplesmente conversarem.

E Hermione e Ron, bem, Draco acabara por gostar muito de Hermione. Ele dizia que a garota era uma pessoa fácil de conversar, principalmente por que ela parecia muito entusiasmada quando se tratava dos assuntos os quais Harry não tinha o menor interesse. Assim, quando os melhores amigos de Harry lhe faziam visitas, Ron e Harry conversavam sobre qualquer besteira enquanto Draco e Hermione entravam em discussões políticas e comerciais.

- Quando o convite do casamento da Pansy e do Blaise chegar você vai esconder de mim, não vai? – Harry perguntou com a voz desanimada.

- É justo, você não acha? – Draco sorriu de canto e piscou para Harry.

- Mas...

Antes que Harry pudesse protestar, porém, a campainha tocou. Draco e Harry se entreolharam por alguns segundos, revirando os olhos em seguida. Provavelmente era Sirius querendo levar Snuffles pra casa de novo. O cão pareceu acreditar nessa dedução também, já que ele sentou debaixo da mesa onde Draco e Harry tomavam café. Suspirando, Harry levantou-se.

- Uma hora ele vai te arrastar daqui, você sabe, não é? – Draco disse olhando para o cachorro debaixo da mesa.

Snuffles apenas balançou o rabo para o loiro, que riu. Quando o cão começou a latir em direção a entrada, Draco virou-se para ver Lucius e Narcissa Malfoy seguindo Harry pelo jardim.

- Draco, querido. – Narcissa aproximou-se do filho e beijou-lhe a testa. – Como você está?

- Bem, obrigado. – Ele sorriu. – Você?

- Ótima. – Ela sorriu de volta.

- Fico feliz em saber. – Draco olhou para Lucius, que vinha logo atrás de Harry. – Pai.

- Draco, eu poderia falar com você um minuto? Em particular? – Lucius pediu com uma expressão ilegível.

- Lucius, você prometeu que não discutiria negócios hoje. – Narcissa protestou.

- E você acreditou, mãe? – Draco riu, levantando-se. – Vamos até o escritório.

Snuffles latiu mais uma vez e Narcissa soltou um gritinho agudo, agarrando-se ao braço de Harry, tentando usá-lo como proteção.

- Deus, me perdoe. – Ela disse levando a mão de dedos finos à boca. – Esse não é o cachorro de Sirius?

- É, mas ele anda meio revoltado com Sirius e não quer voltar pra casa, então estamos com ele por enquanto. – Harry lançou um olhar reprovador ao animal, que se deitou no gramado.

- Oh, que maravilhoso. – Narcissa sorriu um pouco incerta de se era mesmo maravilhoso.

- Podemos ir? – Lucius perguntou.

- Claro. Harry, por que você não serve um chá para minha mãe? – Draco deu um beijo curto no namorado. – Volto já.

O loiro deu as costas sem olhar para seu pai, apenas esperando que ele o seguisse. Em silêncio os dois Malfoy subiram as escadas até o escritório e Draco deixou Lucius sentar-se em sua cadeira em frente ao computador que permanecia ligado boa parte do dia na página de controle das empresas.

Draco sentou-se, ainda em silêncio, na poltrona em frente à grande mesa, observando seu pai fazer o que quer que ele quisesse fazer. Após alguns minutos, Lucius olhou para seu filho com insatisfação.

- Você abriu mesmo a franquia no Brasil? – Ele perguntou duramente. – Depois de eu ter dito claramente que não daria certo e por isso você não deveria investir nisso?

- Sim, pai, eu e Harry abrimos a franquia no Brasil. – Draco sorriu inocentemente. – E os lucros estão sendo maiores que três das que o senhor abriu nos Estados Unidos. Oh, e adivinha só? Lá não tem macacos pulando pelos postes na rua.

- Jura? – Lucius cerrou os olhos. – Excelente.

Lucius voltou a olhar para a tela do computador e em seguida levantou-se, indo até a janela que dava para os jardins de trás – onde Draco estava tomando café da manhã com Harry antes – e um meio sorriso surgiu em seus lábios.

- Eu tenho que admitir, Draco, que a sua administração das empresas provou-se melhor que a minha.

Draco, que até então estava olhando para um ponto qualquer no carpete do escritório, levantou o olhar para seu pai rapidamente, seus lábios se entreabrindo em descrença. Lucius estava realmente admitindo que Draco era melhor que ele. Era um sonho e Draco não podia acordar.

- Você conseguiu em quatro anos o que eu não consegui em minha vida toda. – O Malfoy mais velho prosseguiu, virando-se para olhar para seu filho em seguida. – E eu nunca me senti tão orgulhoso de você, meu filho.

Draco quis chorar, de verdade. Seus olhos se encheram de lágrimas e um sorriso escapou-lhe. Ele havia conseguido. Ele realmente conseguira o que buscava desde pequeno. Ali estava Lucius Malfoy, seus olhos tão azuis quanto os seus próprios brilhando em reconhecimento, dizendo-se orgulhoso.

- Draco? – Lucius sorriu. – Você não vai chorar, vai?

- Não. – Draco levantou-se, adquirindo sua pose Malfoy, mas ainda sorrindo. – Os Malfoy não choram.

- Claro que não. – E dessa vez Lucius riu.

Draco aproximou-se de seu pai e os dois olharam através da janela dessa vez. Harry e Narcissa andavam pela pequena amostra dos jardins da Mansão que eles tinha ali, e a loira ria de alguma coisa enquanto Harry passava as mãos pelos cabelos, em direção a nuca. Snuffles andava altivo ao lado de Harry.

- Eu acho que eu deveria parar de tentar convencer a mim mesmo que essa sua relação com Potter é apenas uma fase. – Lucius divagou.

- Oh, sim, definitivamente. – Draco sorriu olhando seu namorado apanhar uma rosa e entregá-la a sua mãe.

- Você está muito feliz com ele, não está, meu filho?

- Estamos felizes juntos, pai. – O Malfoy mais novo garantiu e olhou seu pai em seguida. – Eu quero casar com ele.

Lucius sorriu minimamente e Draco foi pego de surpresa quando seu pai o puxou para um abraço apertado, beijando o topo de sua cabeça, afagando suas costas. Quando Lucius se afastou, ele olhou no fundo de seus olhos e assentiu lentamente. E era tudo que Draco precisava.


Draco e Lucius desceram de volta para os jardins e Narcissa e Harry apareceram pouco tempo depois, a loira ainda com a rosa que Harry havia lhe dado em mãos, dizendo que ela dispensara o chá por que prometera tomá-lo com Andrômeda.

Narcissa despediu-se de Harry e de Draco beijando a bochecha de ambos e acariciou a cabeça peluda de Snuffles rapidamente, evitando uma lambida em resposta. Lucius abraçou seu filho novamente e pôs-se em frente a Harry em seguida.

- Foi bom vê-lo novamente, Potter. – Lucius disse estendendo a mão para Harry.

- Igualmente, Sr. Malfoy. – O moreno sorriu educadamente e apertou a mão do Malfoy mais velho.

Draco levou seus pais até a saída enquanto Harry levava os pratos e copos para a cozinha. O loiro reapareceu quando o moreno já terminava de lavar a louça. Draco encostou-se ao balcão ao lado de Harry e cruzou os braços, olhando para o moreno com um sorriso lhe escapando lentamente.

- O que foi? – Harry perguntou olhando para o loiro. – O que seu pai disse dessa vez?

- Ele viu que nós abrimos a franquia no Brasil. – Draco contou.

- Oh. – O moreno assentiu, fechando a torneira. – E como foi?

- Bem, ele viu que estamos lucrando cada vez mais. – Ele deu de ombros. – E disse que nunca esteve tão orgulhoso de mim.

Draco deixou o sorriso que estava segurando ir crescendo em seu rosto, assim como o sorriso de Harry, que logo virara uma risada. Draco viu nos olhos brilhantes do namorado que ele também estava orgulhoso.

- Draco, isso é ótimo! – Harry exclamou puxando-o pela cintura. – Você conseguiu!

- Sim, eu consegui! – Draco segurou o rosto de Harry entre as mãos e riu junto com ele.

- Eu estou tão feliz por você. – Ele encostou suas testas. – Eu nunca esqueci do dia em que você disse que tudo o que queria era deixar seu pai orgulhoso. E eu sempre soube que você conseguiria.

- Sempre soube? – O loiro passou as mãos pelos cabelos negros de Harry, colocando uma mecha atrás da orelha.

- Claro. Era apenas uma questão de tempo. Eu sempre soube que você era capaz. – Harry apertou Draco em seu abraço, fechando os olhos por alguns segundos para sorver do perfume do loiro. – Eu te amo tanto, Draco. Tanto, tanto, tanto. – A voz do moreno foi alteando a cada repetição e Draco riu.

- Eu também te amo. – Ele disse e o beijou novamente.

Os lábios se moveram juntos numa troca de carinhos até Snuffles aparecer e pular em cima dos dois. Draco olhou insatisfeito para Harry por ele ter deixado a porta aberta de novo, mas o moreno calou qualquer reclamação que viesse a seguir com outro beijo.

Quando eles se separaram os dois já estavam ofegantes, corados e com os lábios inchados e vermelhos. Draco ainda prendeu o lábio inferior de Harry entre os dentes rapidamente antes de se afastar.

- Eu guardo a louça, espere por mim lá fora. – Draco disse e deu-lhe um último beijo antes de virar-se para a pia da cozinha.

Quando Draco apareceu no jardim, Harry estava sentado debaixo da macieira, acariciando o pelo de Snuffles enquanto esperava pelo loiro. Pelo menos uma vez por dia eles sentavam ali, Harry encostado no tronco da árvore e Draco em seu peito. Eles liam, ouviam música, cochilavam. Os dois ao mesmo tempo algumas vezes, outras eles escolhiam coisas diferente. Ou apenas conversavam sobre qualquer coisa que não terminasse em discordância.

Era pelo menos uma vez no dia que eles tiravam aquele momento como sendo apenas deles, e não importava o que eles estavam fazendo, contanto que eles estivessem juntos, sentindo o calor do corpo um do outro, a batida de seus corações, as respirações calmas, seus perfumes.

Ainda eram as mesmas batidas, as mesmas respirações, os mesmos perfumes, mas nunca era suficiente. A cada dia a necessidade de mais, mais e mais acordava com eles, assim como há oito anos.

Pensar sobre o passado sempre fazia Draco sorrir, por que era mesmo engraçado. Durante todo o resto do ensino médio havia uma aposta diferente por semana em Hogwarts High School e quase todas envolviam Draco e Harry, sendo metade sobre quanto tempo levaria para que eles terminassem. A quantidade de pessoas que devem ter se decepcionado quando eles foram pra faculdade e ainda estavam juntos era o que fazia Draco querer rir.

Era realmente engraçado que as pessoas esperavam que Draco e Harry nunca mais fossem se olhar na cara por um simples desentendimento, mas Draco não os culpava, eles não sabiam como os sentimentos dos dois já haviam sido colocados à prova. Eles não sabiam que desacordo nenhum poderia sobrepor os sussurros de seus corações chamando um pelo outro a cada batida.

Tanto Harry como Draco assumiram as empresas de seus pais – Harry só após terminar a faculdade de Publicidade e Propaganda e fazer um curso de Administração – e se tornaram sócios. Sim, a Malfoy's Burguers e a Potter's não concorriam mais entre si. A imprensa fez uma festa, é claro.

Agora era verão, oito anos já haviam passado, Draco e Harry moravam juntos há quatro. O loiro já não imaginava mais seu futuro sem o moreno. Era simplesmente impossível para seu cérebro criar imagens de um futuro onde Harry não estivesse ao seu lado. E ele não queria essas imagens.

Draco tinha um livro em seu colo, mas não lia nada do que estava a sua frente. Harry provavelmente já havia pegado no sono, por isso, ele marcou a página e o fechou, colocando o livro de lado, mas um resmungo do moreno provou a Draco que ele estava errado e que Harry estava bem acordado.

- Ei, eu estava lendo! – Harry reclamou.

- Oh, desculpe. – Ao invés de pegar o livro de volta, Draco apenas desencostou-se do peito de seu namorado e virou para observá-lo por alguns segundos. – Eu estava pensando... Você acha que seu padrinho conhece alguém que possa bordar um nome a mais na árvore genealógica dos Black? – Draco perguntou dando de ombros uma vez. – Com fios de ouro e tudo mais.

- Não sei. Eu posso perguntar a ele. Por quê? – Harry olhou para Draco curiosamente.

- Por que eu quero o seu nome ao lado do meu. – Draco sorriu. – Isso se você aceitar casar comigo, é claro.

Draco observou atentamente enquanto o entendimento da situação se espalhou pelo rosto bonito de Harry. Seus olhos se arregalaram e seus lábios se entreabriram primeiro num 'O' para depois se transformar no sorriso mais lindo que Draco já vira.

Harry segurou o rosto angular de Draco entre as mãos e o beijou demoradamente. O moreno ainda sorria quando seus lábios se afastaram e ele colou suas testas, agora acariciando a bochecha de Draco com o polegar.

- Então, quer casar comigo, Harry? – Draco sorriu.

- Sim, eu quero. Não há nada que eu queira mais na vida.

Draco ainda se lembrava do que Harry dissera sobre assistir jogos de futebol com Ron e eles discutirem por que seus filhos não fazem os deveres de casa, assim como o moreno havia dito que o beijaria mais tarde, quando eles tivessem tudo sobre controle, para depois ver seu sorriso e sussurraria em seu ouvido depois que ele pegasse no sono.

Ele queria tudo isso. E queria muito. Porém estava satisfeito enquanto caminhava devagar, subindo um degrau de cada vez, mas apenas se Harry subisse cada degrau com ele. E sem nem ao menos precisar perguntar, Draco sabia que Harry o acompanharia de bom grado.

Fim.


Então, é isso. Chegamos ao fim de Invincible e eu não vou chorar. Mentira, vou sim.

Primeiramente eu queria agradecer a cada um de vocês, leitores. Os que vem nos acompanhando desde o começo, os que chegaram depois, os que nos deram hits, os que deixaram reviews. Muito obrigada pela opinião sincera de vocês, obrigada por tirar alguns minutos de seu dia para ler essa história. Obrigada por acalmar minha inseguranças e por aceitarem os rumos que decidimos tomar. Obrigada pela paciência. Peço perdão se alguém não gostou de como as coisas desenrolaram, desculpem qualquer decepção e/ou perda de tempo.

Obrigada Mila B, Giovana PMWS, Ines G. Black, bvcsalvatore, sonialeme, leticia santos, Carla Basinha, PattJoger, Thomaz Volk, Sestini, Yann Riddle Black, Marina Feltcliffe, Pandora Beaumont, Deryck Astaire e, principalmente, muito obrigada Carol por ter tido paciência comigo durante todo o processo de escrita dessa fanfic. Obrigada por aguentar minha imaginação desvairada e peço perdão por qualquer decepção.

Assim como vou sentir falta de escrever Invincible, sentirei falta de cada um de vocês. Possivelmente outros projetos virão. Muito obrigada por cada palavra de apoio. Cada uma significou muito pra mim. Obrigada por esses exatos cincos meses. Obrigada por tudo!

Beijos e até a próxima!
- Paula.


Então... Cara, isso é difícil. Foram meses escrevendo, postando, nos dedicando a essa fic e agora simplesmente acabou!

Nem sei como agradecer a vocês todos por terem lido isso aqui. Sem vocês, essa fic não teria sido tão divertida de escrever. Mesmo. Obrigada pela atenção, pelo carinho e até pelos xingamentos! Sentirei tanta falta de passar a semana esperando suas reviews e me emocionando, porque, acreditem, eu nem queria postar, achando que todos aqui odiariam a estória. Mas olha aí, aqui estou eu, querendo colocar todos vocês no bolso e fugir pro Alabama! Vocês são incríveis!

E, Paula, meu amor, nunca mais eu escrevo nada contigo haha. Não, sério, obrigada por me aguentar, eu sei como sou ridícula e chata às vezes.

Vocês que ainda vão ler, muito obrigada por dedicarem seu tempo a Invincible.

Até a próxima, lindos!

- Carol.