- Capítulo 1 –

Hogwarts Novamente


A primeira coisa que sentiu foi uma dor aguda nas costas. Amaryllis grunhiu suavemente, rolando na superfície onde estava deitada. Aparentemente, foram em cima das costas que caíra.

Luz queimava sob suas pálpebras, o que a fez piscar desorientadamente durante alguns instantes. Devagar como nunca na vida, ela sentou-se.

Não tinha muita certeza do que esperar, ainda mais porque o que realmente esperava não era nada daquilo. Olhando em volta, Amy se encontrou em um lugar bizarramente familiar. Havia um gigantesco lago a sua frente, só que não parecia certo.

Para sua espantosa surpresa, a Lula Gigante apareceu, a longa distancia, nadando tranquilamente. Mas... Ela estava em Hogwarts? Isso a confundiu por alguns minutos. Sim. Ela conseguia ver o seu amado castelo, a metros de distancia. Pelo que parecia, Amy estava do outro lado do lago, próximo a onde os alunos do primeiro ano embarcavam nos barquinhos e atravessavam-no.

Quando se levantou, Amy lembrou-se da dor nas costas, o que a fez se curvar novamente. Lentamente, com cuidado, a menina ergueu-se de novo. Por algum motivo que não entendeu, sentia seu corpo diferente. Olhou para suas mãos. Ainda eram incrivelmente brancas, bem como todo resto de sua pele. Então, não era sua cor.

Puxou uma mexa de seu cabelo. Preto. Ainda era, aparentemente, grande o suficiente para bater um pouco abaixo do meio das costas. Tocou o rosto. Um nariz, dois lábios, duas orelhas. Não usava óculos, mas ela não precisava mais deles desde o Feitiço de Conjuntivite que a acertou.

O que havia de diferente?

Examinou suas roupas. Não eram as mesmas vestes bruxas que estava usando antes. Essas eram azul noite, as antigas eram verde musgo. Essas vestes também possuíam um capuz, que ela logo pôs, caso encontrasse alguém e precisasse evitar uma conversa esquisita. Também não se lembrava de estar usando um all-star roxo – na verdade, o que calçava antes eram tênis velhos, desde o inicio da caçada às Horcruxes.

Apressadamente, subitamente se lembrando do fato, procurou no bolso das vestes sua varinha. Respirou aliviada: estava ali, assim como o Mapa e a Capa.

E, com a varinha na mão direita, seu pensamento pareceu estalar.

Onde estava o cenário de batalha que Hogwarts tinha minutos atrás? Olhou para o castelo novamente. Nenhuma parede derrubada, nenhum escombro ao chão. Como? O castelo de Hogwarts parecia pacífico como ela nunca vira – como um bebê dormindo feliz.

Dolorida, mas feliz, Amy suspirou. Essa vista de Hogwarts trazia uma nova força para dentro de si. Devagar, Amaryllis entrou num barquinho que jazia na água. Entrar nele trouxe lembranças de seu primeiro ano e, sorrindo, ela deu uma batinha no barco. Ele começou a andar.

Por alguma razão que ela não entendia como, Amy sabia que não estava em 1997.

Corredores de Hogwarts,

Mesmo antes de Lily gritar com ele, James estava tendo um dia horrível.

Acordara com Sirius jogando água nele, pois ambos estavam atrasados para uma dupla de Transfiguração. Morto de fome, sem café da manhã e com o cabelo despenteado (não que fizesse diferença passar o pente), ele e Padfoot chegaram dez minutos atrasados e perderam vinte pontos cada.

Depois, para piorar, Lily brigara com ele sobre suas responsabilidades de Monitor-Chefe e "ter de dar o exemplo". Lá pela hora do almoço, James estava com tanta dor de cabeça que avisou aos amigos que comia mais tarde, já que tinham horário livre pelo resto do dia. Geralmente o sétimo ano teria aula de Defesa Contra as Artes das Trevas no horário da tarde de quarta-feira, mas o Professor Noeyer tinha sido assassinado por Comensais em sua casa duas semanas antes, nas férias de inverno. Como o diretor ainda não achara um substituto, continuavam sem aula.

Caminhando pelos jardins de Hogwarts, James sentiu o vento bater preguiçosamente contra seu rosto, aliviando um pouco sua dor de cabeça. Ele queria estar sentado numa mesa do Salão Principal, comendo com seus amigos e sua namorada, Lily Evans – mas conhecia o gênio da ruiva, e ela provavelmente ainda estava brava.

Ele sorriu levemente. James amava aquela ruiva temperamental, o pacote completo: beleza, inteligência, compaixão e gênio explosivo.

Estava tão perdido em pensamentos que não viu a pessoa a sua frente. Trombaram tão forte que James cambaleou e a pessoa – uma menina – caiu na grama.

- Ah, meu Merlin! Desculpe-me! – James se adiantou para ajudar a menina, que ainda estava caída.

A menina em questão parecia não ser mais velha que ele. Tinha um rosto em forma de coração e bochechas rosadas contra a pele branca. Um nariz pequeno. Seus cabelos eram negros e caiam até o meio das costas. Ela devia ser vinte ou vinte e cinco centímetros mais baixa que James. Mas não foi sua evidente beleza que chamou sua atenção, foram seus olhos.

Eles eram grandes, curiosos. Tinham uma cor verde muito interessante, eram como duas enormes esmeraldas. James estava pensando que parecia muito com a cor de Lily quando as íris subitamente trocaram. De verde, foram para um incrível violeta. Demorou poucos segundos para James entender que os olhos alternavam de cor entre verde e violeta num padrão de segundos.

Decidindo-se por ser educado e ignorar isso, ajudou a desconhecida a se levantar.

- Tudo bem com você? Qual é o seu nome?

Falou calmamente, a menina parecia confusa e desorientada devido à queda rápida. Nesse instante ela finalmente olhou para cima e focalizou em James.

Salão Principal, Hogwarts, almoço

Lily olhou em volta.

Sabia que tinha sido dura com James. Remo tinha lhe avisado que o amigo estava com dor de cabeça e talvez seus gritos com ele não tenham ajudado. De fato, ela duvidava que tivesse tomado café da manhã, já que chegou atrasado à sala de Minerva – e ele ama Transfiguração. É sua melhor matéria.

Decidida a procurá-lo, foi até os Marotos, que comiam animadamente a algumas cadeiras dali. Sirius, como sempre, estava fazendo palhaçadas que faziam todos rirem. Remo sorria relaxadamente, sentado de frente ao amigo e Peter comia como se nem parasse para respirar.

- Padfoot – Lily chamou.

Pouco antes de virar namorada de James, Lily conheceu de verdade Sirius Black. Ele era, atualmente, seu melhor amigo. De fato, ainda irresponsável, um pegador-nato, um palhaço. Mas era uma das melhores pessoas que você encontraria no mundo.

- Lily-Flower!

- Sim, é meu nome, Sirius – a ruiva revirou os olhos, antes de ficar com a expressão preocupada – Vocês viram o Jay?

- Não vimos o Jay, Lily-Flower – Sirius riu do apelido do amigo, levando um tapa na cabeça, cortesia de Remo.

- Ele não veio almoçar, se continuar assim, vai passar mal – Lily falou mais preocupada ainda.

- Bom, eu já acabei, Lily, se quiser, posso te ajudar a procurá-lo – Remo se ofereceu, cruzando os talheres no prato.

- Obrigada, Remo.

- Ei, esperem por mim! – Sirius gritou, antes de enfiar uma garfada na boca e sair correndo atrás da dupla que já saía do Salão. Wormtail ficou sentado, ainda enchendo a boca com o máximo de comida que conseguia.

Assim que chegou aos jardins, Remo viu duas sombras perto do lago.

- Ali! – apontou na direção onde podia distinguir a silhueta de James agachado sobre alguém. Lily sentiu o bichinho do ciúme mordê-la quando viu que era uma garota, e muito bonita.

Sirius foi o primeiro a chegar: - Prongs, Prongs, se ia ficar com essa beldade no jardim, devia ter chamado para dividir.

Um tapa foi dado em sua nuca e o animago não olhou para saber que tinha sido Liy.

- Primeiro, devia ser mais educado, Padfoot, ela está obviamente desorientada. Segundo, eu só estava caminhando, trombei com ela sem quer. – James virou-se para a menina ainda no chão – Aliás, qual seu nome?

Amaryllis somente mordeu o lábio inferior.