- Capítulo 3 –
Tudo de Novo
- Posso lhe ajudar?
Foram as primeiras palavras de Alvo Dumbledore ao ver Amaryllis. Ela, por sua vez, não estava exatamente preparada para ver seu velho mentor. Ele continuava o mesmo – ou será que era melhor dizer que ele seria o mesmo num futuro próximo?
Exceto por seu rosto alguns anos mais jovens, ele ainda tinha sua longa barba branca e brilhante, tão longa que seria possível amarrar no cinto de sua extravagante roupa púrpura. Seus olhos azuis cintilavam atrás de seus mesmos óculos meia-lua.
E, tirando o fato de ser uma completa estranha que acabara de entrar na sua sala, ele parecia bem calmo.
- Olá, Professor Dumbledore – Amy forçou sua voz a sair sem tremores. – Chamo-me Amaryllis.
- Gostaria de se sentar? – o velho diretor indicou a cadeira em frente a sua mesa. Em passos leves, Amy foi até lá. – Como poderia ajudar à senhorita?
- É que... – Amy começou, antes de respirar fundo. Acalme-se, disse para si mesma. – É uma longa história.
E, oferecendo uma tigela cheia de gotas de limão, com um sorriso paternal nos lábios, o diretor disse calmamente: - Eu tenho tempo.
Corredores de Hogwarts
Todos os quatro olharam Amy subir as escadas até suas costas sumirem na curva da escada em caracol. Então, olharam uns para os outros.
E Sirius expressou o que todos estavam pensando:
- Isso foi estranho.
Todos acenaram, concordando. Por alguma estranha razão, eles sentiam-se familiarizados com aquela menina.
Menina!, a palavra pulou na mente de James. Ele sentia-se protetor em relação a ela, não entendia por que, nem como, mas era assim. E ela era somente uma criança. Claro, ele tinha só dezessete anos e, como disse Amy, ela tinha quinze.
Mas era tão pequena! O topo de sua cabeça batia em seu ombro – e ele era pelo menos cinco centímetros mais baixo que Sirius, o mais alto dos Marotos. Tudo nela parecia frágil.
E ainda tinham aqueles estranhos olhos. Eles eram tão curiosos! Verde, violeta, verde, violeta. Era como se não conseguissem decidir que cor. E aquele verde... Por que eles pareciam tão familiares?
James balançou a cabeça, pegando na mão de Lily.
- Melhor irmos. Se ela for mesmo nossa futura professora, saberemos depois.
Lily concordou com a cabeça, ainda meio hesitante em sair dali. Ela, assim como o moreno, tinha estranhos instintos e ela geralmente seguia os seus. Mas ela não conhecia os instintos dessa vez, então, como poderia segui-los?
Remo acenou positivamente e seguiu os amigos. Sirius, por outro, lado, olhou mais uma vez para a gárgula que já fechara a passagem para a sala do diretor.
Amaryllis.
Tudo naquela garota era estranho, Sirius sabia. E, mesmo que ela – Amy, como mesmo se referira – tivesse olhos "bicolores" no rosto e quisesse se candidatar a um emprego em Hogwarts aos quinze anos; não era isso que perturbava Sirius.
Definitivamente era o nome. Amaryllis. Ele nunca ouvira tal nome antes. Aliás, antes de Prongs comentar, nem sabia que era uma flor. Porém Sirius conseguia imaginar a flor somente de olhar para o rosto de Amy.
Por alguma razão desconhecida, isso lhe trouxe um sorriso estúpido ao rosto, enquanto corria para alcançar seus amigos.
Sala do Diretor, pouco antes do jantar,
-... e, então, de alguma maneira que não entendo, vim parar aqui.
Dumbledore ficara silencioso durante todo o seu relato, o que era um alivio; pois, assim como no seu quarto ano quando começara a falar do cemitério, era mais fácil terminar agora que começara.
E levara algum tempo para explicar ao seu velho mentor toda sua vida. Godric's Hollow, Surrey, Hogwarts, Torneio Tribruxo, Horcruxes. Amy nunca pensou em generalizar seus anos, mas de repente parecia muito simples fazer isso.
A última categoria foi como ela morrera – ou, pelo menos, pensava como ia morrer.
Durante alguns minutos após o final de sua história, Alvo ficou em silencio. As mãos cruzadas em cima de sua mesa, os olhos fechados como se estivesse dormindo – ou numa profunda meditação. Amy estava acostumada: era a posição que ele ficava quando pensava sobre muitas coisas ao mesmo tempo.
- Ao que parece, Srta. Potter – Dumbledore pronunciou o seu sobrenome cautelosamente -, que você ficará no passado durante algum tempo.
- O quê?
- Amaryllis, você não foi trazida para essa época através de um feitiço, poção e muito menos um vira-tempo. Foi trazida até aqui, aparentemente, por causas naturais.
Amy estava surpresa demais para falar para o diretor chamar-lhe de "Amy".
- Professor Dumbledore, isso não é possível! Quero dizer, eu estava prestes a ser morta! – a menina exclamou. Os quadros nas paredes pareciam espantados por tal jovem pessoa falar sobre o assunto tão calmamente.
O diretor lançou-lhe um sorriso calmo: - Minha cara criança – Amy pensou em protestar, até chegar à conclusão que no ponto de vista de Dumbledore, todos eram incrivelmente jovens. -, eu, assim como você, estou completamente incrédulo sobre os acontecimentos, porém, acredito que o destino decidiu dar outra chance à senhorita.
- Des... tino?
- Certamente.
Amy olhou pela janela que ficava atrás do poleiro de Fawkes, agora vazio. Era a mesma janela que ela olhara quando Sirius morrera. A mesma que olhava toda vez que entrava na sala do diretor, em seu sexto ano, para ter aulas particulares. Era a mesmíssima janela do que pareciam horas atrás, quando ela levantara e caminhara para a Floresta Proibida.
- Professor – ela chamou silenciosamente.
- Sim?
- Eu nunca mais vou voltar ao meu tempo?
Por mais que a ideia de estar com seus pais, Sirius e Remo lhe agradasse ao êxtase, ela não queria ficar atada ao ano de 1977 (de acordo com o diretor, era isso). Amy pensou por alguns instantes, aterrorizada com a ideia de nunca ser filha de seus pais. E se ela continuasse para sempre ali, crescendo somente dois anos atrás de sua família?
Dumbledore olhou-lhe por cima dos oclinhos meia-lua.
- Eu não tenho absoluta certeza, Amaryllis, mas pelos seus relatos e pelas minhas teorias; não, você não voltará ao seu tempo, bem como não está atada a este – ele logo completou ao ver a expressão de Amy cair.
- Diretor?
- Você veio até nós, minha criança, por causas naturais. Pelo que parece, será assim que você sairá deste tempo.
Amy entendeu em um segundo.
- Professor, ainda faltam três anos para meu nascimento! Todo pode acontecer! E se meus pais morrerem nesse espaço de tempo? E se eu morrer? – não que a última opção fizesse diferença, ela já estava prestes a morrer em seu próprio ano mesmo.
- Acalme-se, criança. Você poderá ficar sob os tetos de Hogwarts durante os anos. Quando o tempo de seu nascimento vier, tenho certeza que seus pais continuarão bem.
Talvez, Amy concordou mentalmente. Mas e depois do meu nascimento?
- Professor... Eu te contei sobre o futuro... Será que há alguma chance de...
- De mudar? – o diretor concedeu geralmente e a morena acenou com a cabeça. – Talvez sim, talvez não. Quando os eventos do seu passado aconteceram, seus pais não conheciam você. Mas, certamente, conhecerão agora.
- Será que eles gostarão de mim? – Amy sabia que era uma pergunta boba. Somente não conseguiu refreá-la, assim como não conseguirá refrear a "Dói?", para Sirius.
- Pelas horas que passei com você até agora, Amaryllis, não há dúvidas.
- Chame-me de Amy, professor.
- Indubitavelmente. Você, por sua vez, pode chamar-me de Alvo.
Amy corou. Ela nunca tinha chamado nenhum professor pelo nome, exceto Remo. Era mais estranho ainda, levando em conta que ela conhecia seu mentor desde que tinha onze anos, quando ela batia na altura de sua cintura, e agora batia em seu ombro. Com esse pensamento, ela pensou em quanto o tempo voava.
- Bom, creio que devo providenciar um malão e um conjunte de unifor... – mas o diretor de Hogwarts foi gentilmente interrompido.
- Na verdade, Alvo, eu tinha outros planos sobre minha estadia...
Salão Principal, Hogwarts, jantar.
O Salão encontrava-se particularmente barulhento naquela noite. Conversas voavam pelas mesas, bem como risadas alegres e sussurros de fofocas. Os talheres retiniam contra os pratos de ouro. O teto encantado trazia uma noite clara e estrelada.
Porém um grupo de Grifinórios se encontrava pensativo. O diretor já tinha voltado de sua sala e estava sentado no meio da mesa dos professores, alegremente conversando com Minerva. Mas nem sinal de Amaryllis – isso queria dizer que ela não fora contratada?
Apesar de acharem meio louca a ideia de terem aula com alguém de quinze anos, os quatro gostaram da menina e estavam ansiosos para vê-la novamente. No entanto, já estavam na sobremesa e nem mesmo uma palavra foi dita sobre a garota.
- Que desanimação – guinchou Peter certa hora, enfiando grandes porções de pudim de laranja na boca.
James somente deu de ombros. Não estava empenhado o suficiente para explicar sobre o encontro que ele e os outros tiveram de tarde.
Repentinamente as portas do Salão Principal foram abertas. Todos olharam para lá, e ainda podia-se ver primeiroanistas no final das mesas, espichando-se, curiosos, para ver quem fora o causador das atenções.
Lá – o coração do grupo Grifinório pulou em surpresa – estava Amaryllis. Estava um pouco diferente, entretanto. Para inicio de conversa, parecia menos confusa do que de tarde. Suas feições eram mais relaxadas e seus lábios rosados ostentavam um sorriso brilhante. Os cabelos pretos, mesmo presos num rabo de cavalo alto, batiam quase na cintura. Seus olhos bicolores atraíram a atenção das pessoas, bem como (para garotos abusados) o seu corpo. Ela vestia uma calça jeans preta, justa, e uma blusa de cintura fina, onde o decote e as mangas tinham renda. E, por cima, um casaco de bruxo, até a altura do joelho, vermelho e prateado.
Amy sorriu agradavelmente para todos. Em seu ombro, relaxadamente sentada, encontrava-se uma fadinha. Ninguém conseguia ver direito, mas tinha pele cremosa e vestia um leve vestido azul berrante, além de ter cabelos roxos e enormes olhos rosa. Algo parecido com pó dourado voava perto de suas asas brancas.
- Desculpe o atraso, diretor, tive assuntos a tratar e encontrei-me ligeiramente perdida. O gentil fantasma teve a gentileza de me mostrar o caminho – indicando o fantasma ao seu lado.
Para a surpresa de todos, que somente agora pareceram reparar, o fantasma era Pirraça! E este sorria!
- Não foi nada, cara milady – ele fez uma profunda reverência, beijando a mão de Amy e sair flutuando do Salão, rindo loucamente.
Amy sorriu para os rostos chocados e caminhou em direção à mesa dos professores, seus saltos não muito altos batendo quase silenciosamente no chão de pedra.
O diretor então levantou, deu a volta na mesa e cumprimentou Amy, antes de virar-se para os incrédulos alunos.
- Alunos, professores, tenho o prazer de apresentar para vocês a nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas: Amaryllis Phoenix.
As pessoas do Salão encontravam-se atordoadas demais para bater palmas propriamente. Amy não poderia ligar menos. Cumprimentou rapidamente seus colegas de trabalho e sentou-se na ponta da mesa, ao lado de uma muito mais jovem Aurora Sinistra.
E começou a tranquilamente comer. Como se nada tivesse acontecido. O que a fez sorrir, porque se dependesse dela, assim seria a partir de agora.
Como se nada tivesse acontecido.
