- Capítulo 4 –

Rhys e Bryn


Amy respirou algumas vezes. Sabia que não devia ficar nervosa. Merlin! Sua primeira aula de todos os tempos era com uma turma do primeiro ano – Grifinória e Lufa-Lufa. Aliás, ela já tinha dado aulas na Armada de Dumbledore, por que estava tão estressada?

Respirou fundo novamente.

Passou a mão pelos cabelos que, assim como na noite anterior, estavam presos em um rabo alto, afinal, suas aulas seriam a maioria práticas. Exceto a primeira: Amy queria conhecer os alunos na primeira aula.

Deu mais uma checada em sua roupa e saiu de seu escritório. A sala de Defesa já se enchia de alunos com carinhas ansiosas. Isso a fez sorrir internamente: os primeiros anos ainda eram inocentes demais para ficarem pensando coisas horríveis (ou assim ela esperava).

Quando o sinal tocou, todos os alunos tinham seus livros fechados em cima de suas mesas, prontíssimos para escrever o que a professora dissesse. Isso a fez franzir o cenho – teria que perguntar Dumbledore que tipo de professor Noeyer tinha sido.

- Bom dia.

- Bom dia, professora Phoenix – a turma cumprimentou obedientemente.

- Primeiro de tudo: nunca, jamais, me chame de professora Phoenix. Faz eu me sentir velha – isso arrancou algumas risadas. – Talvez nem todos se sintam confortáveis a me chamarem pelo apelido que meus amigos me deram: Amy.

Os alunos pareceram agitados. Nenhum professor os deixava chamar pelo primeiro nome, muito menos apelido!

- Combinemos que Amaryllis é um nome cheio, hm? Porém, sintam-se livres para me chamarem assim, bem como professora Amy ou professora Amaryllis. Feito?

- Feito, professora Amaryllis.

Isso a fez sorrir. Caminhou até sua mesa e, ignorando a própria cadeira, sentou-se relaxadamente na primeira.

- Bom, estamos praticamente no meio do ano letivo. E sei que muitos se sentiram confusos com a mudança de professor. Devido à abrupta retirada do professor Noreyer, não tenho os papéis necessários de cada turma. Alguém poderia gentilmente me informar onde paramos?

Uma menina de marias-chiquinhas loiras levantou a mão.

- Sim...?

- Mika Dwyer, professora. Nós paramos em Hinkypunks.

- Obrigada, Mika – então a turma parecia bem, decidiu Amy. Levando em conta seus dois primeiros anos inúteis em Defesa, ela só fora aprender sobre isso com Remo, no terceiro ano.

O resto da aula progrediu calmamente. Os alunos pareciam ansiosos para perguntarem sobre ela – tendo aparecido tão de repente no castelo -, mas não parecia ter coragem o suficiente para fazê-lo. O fato se repetiu na próxima aula com os segundos anos (Corvinal e Lufa-Lufa).

Na hora do almoço, quando Amy entrou no Salão, todos os alunos pareciam saber sobre suas aulas. Passou caminhando tranquilamente entre as mesas da Lufa-Lufa e da Grifinória, acenando em retorno aos alunos que lhe cumprimentavam.

Pouco antes de chegar à mesa dos professores, porém, um aluno – pelo que parecia, primeiro ano – da Corvinal a perguntou: - Professora Amy, meu irmão Dave disse que você já lutou contra Comensais da Morte. É verdade, senhorita?

A voz do menininho parecia animada e os que estavam perto o suficiente para ouvir encontravam-se curiosos também.

- Sim... Qual é o seu nome?

- Sou Leon McGuier, professora Amy. Você deve ser bem corajosa, não é?

Amy corou, mas sorriu amavelmente para a criança – obviamente contente e elétrica – à sua frente.

- Diga-me você, Leon.

Ele sorriu e voltou correndo para sua mesa, cochichando animadamente com outros primeiros anos. Amy, por sua vez, teve um almoço muito bom, sentada entre Aurora Sinistra e Charity Burbage, que, mais novas, estavam em seus vinte e tantos anos.

Dez minutos antes de o sinal tocar, Amy caminhou tranquila para sua sala. Quatro vezes por semana, sempre depois do almoço, suas aulas eram com os sétimos anos. Ao que parece, nessa época, os alunos eram preparados para infortúnios.

Ela estava de costas para as carteiras, arrumando pergaminhos e penas, de forma que percebeu que a sala estava cheia somente quando o sinal tocou. Como era uma turma de NIEMs, tinham alunos de todas as quatro casas.

Amy novamente sentou-se em sua mesa – após flutuar os pergaminhos até um armário – e apresentou-se para a turma. Os sétimos anos pareceram mais à vontade em chamá-la de Amaryllis ou Amy.

Uma mão se ergueu no meio da sala no final de sua apresentação.

- Sim...?

- Mikhaela Leinhger, professora. Quantos anos você tem?

Amy sorriu: - Quinze, Mikhaela.

O queixo dos alunos caiu, exceto – Amy ficou prazerosa em vê-los – de Lily, James, Remo e Sirius. Quase enrugou o nariz, porém, ao ver Peter Pettigrew sentado ao lado de Lupin.

- Você é mais nova que nós! – exclamou um chocado, e muito mais novo, Severo Snape.

- Obrigada, Severo. – ela sorriu docemente, como se tivesse sido um elogio.

Ninguém perguntou como ela sabia o nome de Snape, ainda chocados.

- Mais alguma pergunta? – uma mão se ergueu, fazendo-a suspirar internamente, ao ver que era. – Sim, Sirius?

- Você tem namorado Amy?

Risadinhas foram ouvidas. Amaryllis recusava-se a corar, de forma que pulou de sua mesa e sorriu.

- Sou infeliz ao dizer que, não, Sirius, não tenho namorado. Mas não acho que estejamos aqui para saber da minha vida amorosa; o que nos leva a nossa aula de hoje.

Ela fez um movimento com a varinha, flutuando um baú médio até a frente das carteiras.

- Talvez possa parecer básico para vocês, que já estão no seu último ano de educação bruxa. Mas o objetivo aqui não é o feitiço, e, sim, a própria realização e superação.

Nesse momento, o baú tremeu fortemente.

- Alguém poderia me dizer o que há ali dentro? Lily? – perguntou, ao ver a mão levantada.

- Um bicho-papão.

- Precisamente, cinco pontos para a Grifinória. Como não é desconhecido para todos nós, um bicho-papão pode assumir a forma de nossos maiores medos, porém, individualmente. Não acredito que seria engraçado se se transformasse em um bicho metade lesma e metade banshee, não é?

A turma riu.

- Agora, por gentileza, formem uma fila. Creio que saibam o feitiço "Riddikulus"?

Todos acenaram, já formando uma fila única. Para dar mais espaço, Amy mexeu a varinha e as carteiras foram afastadas para os cantos. Meneou a mão uma vez, destrancando o cadeado do baú, numa magia sem varinha.

Algo se mexeu dentro do baú. A tampa se abriu. De dentro, saiu uma cobra de duas cabeças, aparentemente venenosa. A primeira pessoa da fila era uma garota alta, de cabelos pretos. Amy, se não estava enganada, achava que a garota de chamava Éclair.

Por um segundo ela pareceu congelada, até...: - Riddikulus!

As cabeças rasgaram-se como papel dividido ao meio. Amy sorriu e indicou o próximo. Um garoto gordinho, Dennis, no qual o bicho-papão virou uma cabeça sangrenta separada do corpo.

Conforme as pessoas passavam, Amaryllis via que seus medos eram menos infantis dos que quando ela estava na classe. Estes eram alunos do sétimo anos, adultos no mundo bruxo. Seus medos eram outros, estavam no meio de uma guerra.

Amy ficou triste em ver que o medo de Remo era uma lua cheia – mas ninguém, exceto os Marotos, Lily e Snape, percebeu. Ficou surpresa ao ver que o maior medo de Pettigrew era ele mesmo morto (foi uma cena um tanto quanto grotesca).

Roger David tinha medo de vampiros. Millis Greenshaw tinha medo de ver sua irmãzinha morrendo. Cada vez mais a vez de seus pais e seu padrinho se aproximava. Isso estava deixando Amy nervosa. Ela não queria ver seus maiores medos, mas, ao mesmo tempo, queria desesperadamente sabê-los.

No entanto, a chance de descobrir nunca apareceu. Na vez de Jasmim Yale o bicho-papão mudou de uma planta carnívora assassina para um Comensal da Morte. Antes que qualquer um pudesse se mexer, o Comensal apontou sua varinha para Jasmim e essa caiu gritando de dor.

Amy logo correu em sua direção, duvidava que a aluna fosse se livrar disso – afinal, que graça tinha na dor? Entrou entre Jasmine e o bicho-papão sem nem pensar, porém, nos breves segundos que o bicho se transformava, ela pensou no que tinha medo.

Voldemort? Não era exatamente isso. Dementadores? Agora ela sabia combatê-los. Seus amigos morrendo? Ela estava no passado, todos viveriam se tudo corresse bem.

E, para sua imensa surpresa, o bicho-papão transformou-se nela. Exatamente igual, exceto... Exceto pelos olhos vermelhos. Os mesmos olhos de Tom Riddle no futuro.

Sua "eu" caminhou em sua direção, com um sorrisinho no rosto. Toda a turma tinha se afastado, incrédula com o medo da professora. Amy mesmo se encontrava desconfortável.

- Eu sei o que você teme – o "Amy-bicho-papão" desdenhou.

Amy olhou aquilo confusa, mas ainda com a varinha levantada.

- Eu vi seu medo, Amaryllis Juliet, e ele é meu! – na última palavra, "Amy-bicho-papão" avançou, mas Amaryllis gritou segundos antes:

- Riddikulus!

"Amy-bicho-papão" não se transformou em nada engraçado, muito pelo contrário, somente caiu no chão. Imóvel como morta.

A turma pareceu afetada pela imagem de sua mais nova professora morta, mesmo que falsa; entretanto, Amy ignorou totalmente. Caminhou para seu corpo – isso soava estranho – e o cutucou com a varinha. O bicho-papão transformou-se em fumaça e se esgueirou para o baú.

Amaryllis trancou-o e virou-se para a turma, dizendo numa voz quase indiferente: - Classe dispensada. De tarefa quero a teoria do feitiço do Patrono. Trabalharemos nele na segunda-feira. Bom dia.

Amy ouviu todos cochichando enquanto pegavam suas mochilas e saiam da sala, porém ignorou tudo, flutuando o baú novamente até o canto e preparando os papéis para a próxima aula, que era com o quarto ano da Corvinal e Sonserina.

Ficou surpresa ao ouvir alguém chamar atrás de si: - Amy?

Virou-se e viu Lily, os Marotos e mais uma garota, que parecia familiar.

- Sim?

- Está tudo bem? Você parece meio pálida. – Lily disse preocupadamente.

- Estou bem, Lily. Surpresa somente; faz tempo que não vejo meu maior medo. Na verdade, era outro.

- Qual era? – Sirius logo perguntou, um tanto quanto insensível, mas recebeu um tapa da garota familiar.

Alice! Amy exclamou mentalmente. A mãe de Neville, Alice Meadows. Por isso parecia familiar.

- Dementadores, Sirius – Amy riu, agora empilhando livros sobre Defesa.

- Sabe conjurar um Patrono? – perguntou Alice, admirada.

- Tive a necessidade de aprender a alguns anos – Amy respondeu evasivamente. Os outros pareceram sentir que ela não queria comentar sobre o assunto.

James sorriu largamente: - Como convenceu o velho Dumby a te contratar? Todo mundo está chocado pela sua idade.

- Não foi difícil, na verdade. Respondi algumas perguntas, mostrei-lhes alguns feitiços, e minha vontade de ensinar. Só. – olhando para o seu relógio de pulso, perguntou para os seus alunos: - Vocês não irão se atrasar para suas aulas?

- Não. Exceto pela Lily, que tem Runas Antigas no próximo horário depois desse, assim como Sirius tem Aritmancia, todos temos as tardes livres depois de Defesa – Remo deu de ombros calmamente.

Amy viu-se muito surpresa ao descobrir que Sirius fazia Aritmancia – ele sempre parecera do tipo preguiçoso e era-se conhecido de que Aritmancia era uma das matérias eletivas mais difíceis.

- Já que tem a tarde livre, por que não vamos até meu escritório tomar alguma coisa? Eu tenho que aproveitar enquanto não tenho nada para corrigir.

Todos riram enquanto encaminhavam-se para o escritório de Amy, que era subindo a escada no final da sala de Defesa Contra as Artes das Trevas. Ela abriu a porta e calmamente entrou, esperando que os outros a seguissem, mas eles estavam parados na porta.

- Podem entrar – ela sorriu, até perceber que eles tinham parado porque estavam olhando em volta.

Ontem, depois do jantar, ela fora para seu escritório e o organizara de um modo que fosse aconchegante. Nos primeiros momentos, ela pegou-se pensando como arrumaria se não tinha dinheiro e roupas, exceto a própria que vestia. Até Bryn e Rhys aparecerem.

Bryn era uma fada que tinha sido exilada de sua colônia por ter usado seus poderes para curar um humano. Não entendam mal, fadas era seres mágicos bons e tinha poderes curativos, porém também eram seguidores de regras. E a principal regra acontecia por ser: não falar com humanos (aparentemente, fadas tinham declarado que humanos eram perigosos desde a Caça às Fadas, em 1670).

O humano, ou, no caso, humana, era Amy. Ela e Hermione – Rony tinha se afastado na época – tinham acabado de voltar de Godric's Hollow, onde Amy fora mordida pela venenosa Nagini. Bryn curou-a e, logo depois, exilada. Amaryllis tomou-a como amiga e companheira na caça às Horcruxes.

E Rhys, por sua vez, era uma fênix. Pouco depois de Edwiges morrer, e alguns dias antes do casamento, Rhys apareceu. Ninguém sabe de onde, nem por quê. O fato era que estava machucada e Amy achou-a no jardim d'A Toca. Levando-a para o quarto de Ginny – que era onde ficava toda vez que ia para a casa dos Weasley -, cuidou dela até que ficasse boa.

Imagine a surpresa de Amy ao Rhys, de repente, falar em sua mente. Fênix, aparentemente, tinham um elo empático com as pessoas que escolhiam como mestres. A relação de Amaryllis com Rhys, no entanto, não era mestre-fênix, e, sim, familiares.

O único dia que ficara tão surpresa quanto ontem ao ver suas duas amigas, fora o momento que Hagrid lhe contou que era uma bruxa. Bryn – que não gostava muito de falar em voz alta – viera e cochichara-lhe que ambas sabiam o que acontecera com ela. Por isso, pegaram seus pertences, seu dinheiro e, através de Rhys e seu voo de fênix, pararam no passado.

Ah, e, claro, desculparam-se por demorar tanto. Amy estava chocada demais para ligar para isso.

Foi tirada de seus pensamentos quando Alice perguntou: - O que é isso? – apontando para o bisbilhoscópio que Hermione lhe dera em seu aniversário de dezessete... no futuro.

- Um bisbilhoscópio. Ele nos mostra se algo suspeito está acontecendo a nossa volta.

- E funciona? – James perguntou, tão fascinado com esse pequeno objeto que Amy se questionou se o aparelho que detectava trevas já existia nesse ano.

- Certamente. Faz um barulho muito irritante quando ativo, entretanto. Meus amigos, Fred e Jorge, uma vez colocaram besouros na sopa de seu irmão mais velho, Bill. Rony, meu melhor amigo, estava com um bisbilhoscópio no bolso, e esse apitou.

- Que maneiro! – Sirius exclamou. O bisbilhoscópio estava parado no momento.

O escritório tinha paredes cor de creme e as janelas tinham cortinas beges. Os móveis pareciam vitorianos, sendo cor de mogno. Havia uma prateleira cheia de livros em um canto. Ao lado da prateleira, havia um quadro que mostrava a paisagem de uma selva – algo se mexeu no arbusto, mas nada apareceu. Também havia mesinhas com objetos – tais como o bisbilhoscópio – e abajures de cristal delicado. Um sofá de couro branco estava encostado a uma parede, com uma mesinha preparada para chá na frente.

- Fiquem a vontade – Amy convidou alegremente, sentando-se na poltrona que estava do outro lado da mesa em frente ao sofá.

Seus alunos – que estranho pensar assim! – sentaram-se no sofá branco ou em cadeiras que Amy conjurou em volta da mesinha.

- Você tem fotos bonitas aqui, Amy – Lily comentou, indicando os retratos sorridentes nas paredes.

- Obrigada, Lily. – agradeceu ao mesmo tempo em que um elfo doméstico aparecia e depositava biscoitos e sanduíches na mesa. – E obrigada, Podgy.

- Espero que aprecie madame Amy. – o elfo fez uma longa reverencia e desapareceu, voltando para a cozinha do castelo.

- Quem são todas essas pessoas? – Sirius perguntou. Lily bateu na própria testa e murmurou algo que parecia "idiota insensível".

- Essas pessoas são meus amigos, que acabei por escolher como família. Esses são Bill e Fleur, no dia do casamento deles – ela apontou para uma foto onde ambos sorriam e acenavam. – Aqui é o meu afilhado, Teddy – e indicou uma foto onde um bebê trocava a cor de seu cabelo a todo instante. - Estes são Charlie, Percy, Fred e Jorge pouco antes de eu fazer quatorze anos. – o que era verdade, pois foi uma foto tirada pouco antes da Copa Mundial de Quadribol.

- E estes? – apontou para uma foto no qual Rony e Hermione estavam lado a lado, abraçando Amy pelo pescoço. Ela era obviamente mais baixa que os outros dois, e todos os três tinham sorrisos de alegria idêntica.

- São meus melhores amigos – ela sorriu tristemente -, Rony e Hermione.

- Ah, sinto muito. – Sirius disse, entendendo sua expressão tristonha de outra maneira.

- Não sinta. Quero dizer, todas as pessoas que te mostrei estão vivas, bem, exceto Fred. Somente sinto falta de todas elas horrores. São minha única família.

- Não tem irmãos? – perguntou Remus, ao mesmo tempo em que Alice perguntava: - E seus pais?

- Meus pais, Christopher – optou pelo nome do meio de seu pai, pois seria mais fácil de lembrar se o assunto fosse trazido mais tarde. – e Rose foram mortos quando eu tinha um ano. Pelo que soube, Voldemort em pessoa os matou. Nunca descobri o motivo, porém.

Ficou contente ao ver que nenhum deles tremeu com o nome "Voldemort", mas ao mesmo tempo brava consigo mesma por ter de mentir assim.

- Tudo bem, gente – ela deu de ombros ao ver os olhares de pena -, não me lembro deles muito bem. E nunca tive um irmão ou irmã. Então, achei minha própria família. Os Granger e Hermione são as melhores pessoas que eu poderia pedir.

Amy riu internamente ao mascarar o nome dos Weasley como "Granger".

Continuaram comendo e batendo papo durante mais alguns minutos, cada um contando histórias divertidas sobre sua infância. Amy preferiu permanecer quieta e somente rir com os outros, pois não tinha memórias boas daquela época.

- Então, ela enfeitiçou a escova de cabelo para me perseguir e... – porém James foi cortado quando uma súbita bola de fogo apareceu no poleiro prateado que havia ao lado da mesa de Amy.

Os adolescentes se encolheram assustados pela explosão repentina, mas Amaryllis sorriu tranquilamente e disse: - Sempre tão exibida, Rhys.

"Rhys", os outros logo descobriram, era uma fênix.

- Eu não acredito!

- Que incrível!

- Maneiro!

Foram os comentários ao contar a história de como Amy conhecera sua fênix – essa história, pelo menos, ela não precisava mentir. Rhys era uma fênix de penas negras, aparentemente, porém quando o sol batia nelas, formava um arco-íris de cores, como se refletisse a luz. Lily e Alice pareceram absolutamente encantadas quando o "fenômeno" ocorreu à luz entrar pela janela atrás da mesa.

Amy estava justamente comentando sobre o companheirismo de fênix quando algo passou voando rápido em volta de sua cabeça. Pó dourado cobriu sua visão e a fez espirrar quando ela o respirou.

- O que é isso? – James perguntou, também espirrando pelo pó.

Alguém pequeno sentou em seu ombro e Amy sabia "o que" era.

- Olá, Bryn.

Os adolescentes novamente arregalaram os olhos.

- Bem, esta aqui é Bryn, minha outra companheira. Apesar de eu achar que vocês a viram no jantar ontem, certo? – os outros acenaram bobamente, devido à aparência de fada que Bryn trazia.

Sua pele era cremosa e junto a seu corpo pequeno, fazia-a parecer frágil. Ela estava usando o mesmo vestido azul berrante, que era como pedras preciosas brilhando embaixo d'água. Bryn não usava sandálias propriamente, somente tinha finíssimos fiapos prateados entre alguns de seus dedos dos pés, que acabavam enrolando-se em suas duas pernas. Seus cabelos roxos eram compridos e pareciam flutuar a sua volta. E, para completar suas feições mágicas e miúdas, ela trazia dois grandes olhos rosas no rosto.

Bryn deu uma risadinha e cochichou para Amy em sua voz melódica, porém aguda: - Eles são engraçados.

- Quantas... Hm... Companheiras você tem? – Remo perguntou incerto.

- Somente Bryn e Rhys. – Amy sorriu e olhou no relógio. – Lily, Sirius, creio que vocês tenham aula, não é? Desculpe, acho que os atrasei cinco minutos.

- Tudo bem, Amy. – Lily sorriu, rapidamente pegando sua mochila no chão ao lado do sofá que há minutos estava sentada.

Logo todos os outros se despediram também – com Lily e Sirius saindo correndo para Runas Antigas e Aritmancia, respectivamente -, deixando Amy sozinha em seu escritório.

Ela respirou fundo.

- Será um longo ano, não acham?

"Sem dúvida", ela ouviu Rhys responder em sua cabeça, enquanto Bryn ria baixinho em seu ombro. Olhando pela janela, decidiu que tiraria um cochilo antes do jantar. Somente agora repara o quão cansada estava ao seu jogada no passado.

Esticou o braço e Rhys voou suavemente, pousando em seu antebraço direito. Amy caminhou para o quadro que tinha a imagem de selva. Do arbusto que antes tinha se mexido, saiu uma cobra pequena e verde escura rastejando.

- Ssssenha? – a cobra pediu. O arbusto do qual a cobra saíra mexeu novamente, mas mais nenhum animal apareceu.

- Horcruxessss – Amy sibilou de volta. O quadro abriu para dentro e a menina passou, entrando em seus aposentos.

Bocejou e encaminhou-se para sua cama.