Em Hogwarts, os cinco aurores e o Doutor aparataram na Torre de Astronomia. O Doutor cambaleava e tentava recuperar a respiração. Rose e seu homem apareceram logo depois, porém no telhado da torre, por algum motivo obscuro. Depois de serem tirados de lá, foram se explicar.
- Bom, eu tenho a perfeita capacidade de aparatar onde quiser, – disse Dawlish em resposta a alguns colegas que estavam duvidando de seu poder. – quando não há ninguém interferindo no foco da viagem.
- Se você tivesse me avisado o que íamos fazer, eu não atrapalharia! Eu me desesperei!
- Que bruxa adulta se descontrola no meio de uma aparatação? Quer dizer, fazemos isso desde os dezesseis anos.
- Acontece nas melhores famílias, certo, Doutor? – ela piscou levemente.
- Claro que sim – disse ele, rindo.
Então uma mulher de óculos quadrados e expressão severa irrompeu na sala. Sua autoridade era inquestionável. Uma mulher de cabelos ruivos a seguia, com alguns papéis na mão.
- Como foi a troca de horários, Granger? – disse ela.
- O último relatório chegou agora – disse ela olhando para uma folha de papel onde palavras surgiam. - Slughorn acabou de entregar os alunos do terceiro ano de Grifinória e Lufa-Lufa para Hagrid. Flitwick recebeu os primeiranistas da Sonserina e Grifinória de Madame Hooch. Binns já está dando aula para o sexto ano de Corvinal e Lufa-Lufa... enfim, está tudo bem, diretora.
- Ótimo – disse a mulher mais velha. – Bom, perdoem-me a grosseria. Eu sou Minerva McGonagall, diretora da escola de Hogwarts. O senhor é o Doutor e a senhorita é Rose, se estou certa.
- Sim – disse Rose.
O homem do espaço pegou uma cadeira, se sentou e disse:
- Agora, preciso do maior número de informações que puderem me dar.
Potter se adiantou.
- Bom, há três dias, crianças bruxas em todo o mundo estão desaparecendo. A descrição é sempre a mesma. Um raio verde, e a criança some no nada. Não há um padrão quanto ao lugar. Pode ser numa igreja ou em um circo. A única característica comum é ser sempre uma criança bruxa, de onze a treze anos.
- Certo, deixe-me pensar. Para que crianças bruxas? Muito poder, claro. Mas como usá-los, e para que fim? – o Doutor disse para si mesmo.
Aquela que chamaram de Granger se aproximou de Rose.
- O que ele está fazendo? – sussurrou.
- Pensando. Acredite, uma das coisas que todo mundo deveria ver é um Senhor do Tempo refletindo.
- Preciso ver o céu. Mirar o espaço – disse ele. – Impressionante que quando precisamos de algo isso some – ele bufou se apoiando em um telescópio.
- Doutor...
- Agora não, Rose. Tenho muitas equações temporais correndo na mente. Se eu usar um vidro côncavo e algumas coisas da TARDIS... sabia que não deveria ter trocado o meu amplificador visual por aquele relógio. Para que um Senhor do Tempo compra um relógio? Aah, sim. O casamento do príncipe William. Eu não poderia deixar o velho Bill sem um presente...
- Doutor, um telescópio lhe serviria?
- Sim, claro – disse ele, exasperado. – Um amplificador visual é uma versão avançada e melhorada de um telescópio. Mas como pode ver estamos rodeados por nada mais do que grandes e belos... telescópios... – e abriu um largo sorriso para ela. - Rose Tyler, você é um gênio!
Ele se moveu, ajustando um dos vários aparelhos da torre de astronomia com a chave de fenda sônica. Então o ajustou no olho para mirar o sol de fim de tarde que caía sobre Hogwarts. Sem parar de olhar, pegou a chave e a apontou para o céu que olhava.
- Hmm, interessante. Realmente.
Ele se levantou com uma face carregada. Todos esperavam por sua próxima declaração.
- Parece que vai chover, não? – disse ele, como se aquilo realmente importasse.
- Doutor, posso lhe perguntar o que quer dizer? – disse McGonagall.
- Nada de mais, cara Minerva. Se a base auror está aqui, posso presumir que aqui ocorreram mais desaparecimentos, certo?
- Naturalmente – e sua face se tornou pesada. – Estou com medo. Parece uma nova Câmara Secreta. Existe um monstro correndo por ai, seqüestrando crianças, e ninguém sabe o que fazer. Se ao menos Dumbledore estivesse aqui... – ela olhou para o teto tristemente.
O Doutor tocou seu ombro.
- Farei o que puder, diretora. E, para auxiliar, poderia me mostrar testemunhas dos desaparecimentos?
- Sim, claro. Vamos ao Salão Principal.
Eles deixaram os cinco aurores na torre, de onde vigiavam os terrenos de Hogwarts. Desceram as muitas e longas escadas até chegar ao Salão Principal, que começava a ficar abarrotado de crianças e adolescentes para o jantar. A diretora observou a multidão e suspirou.
- Doutor, se você pudesse esperar o fim do jantar para interrogar os alunos, seria ótimo. Claro que o senhor e Rose estão convidados para tomar parte dele.
Logo atrás dele, Rose quase saltitava de alegria.
- Claro, diretora – disse ele. – Onde podemos nos sentar?
- Acredito que na mesa dos professores é mais apropriado.
O grupo se dirigiu à grande mesa no fundo do salão. Enquanto passavam, o Doutor pôde ouvir os diálogos banais das crianças sobre o último modelo de vassoura ou quanto dever de poções eles tinham de fazer. Banal, porém mostrava todo um novo mundo. Era brilhante. No entanto, o Doutor só conseguia se preocupar com os acontecimentos. Aquilo tudo não estava correto.
Então ele olhou para a mesa dos professores. Havia pudim! Não era um dia só de perdas, afinal.
O jantar transcorreu normalmente. Dispensados, os alunos se dirigiram para os grandes portais no fundo do salão. Ali, monitores de todas as casas tomavam alunos discretamente e os levavam para uma sala de espera. Na sala ao lado, o Doutor estava sentado impassível e Rose observava as janelas com avidez.
Logo, dois aurores, a diretora e um menino que aparentava ter doze anos entraram.
- São poucos, Doutor – suspirou a diretora. – Somente três se dispuseram a falar. Espero que lhe adiante algo.
- Obrigado – ele devolveu. – Podem ir agora.
Eles se foram e o menino se sentou, trêmulo, na borda de uma cadeira.
- Bem, bem, bem – disse o homem de sobretudo, se apoiando em um joelho para ficar cara a cara com o garoto. – Qual o seu nome?
- C... Carl, senhor.
- Ah, sem o senhor. Só o Doutor. E essa é Rose. Bonita ela, não acha? Só não diga a ela que eu falei isso, ela vai começar a se achar demais.
Lá da janela, Rose riu. O menino a acompanhou.
- Molto bene! Agora estamos nos entendendo, Carl. Uma conversa naquele clima não iria render nada. Agora podemos começar. Allons-y!
- Desculpe?
- Allons-y – ele repetiu. - Rose, ninguém mais sabe falar francês nesse planeta?
- Hogwarts não ensina francês, Doutor. Oops, desculpe, spoilers. Se você tivesse lido toda a história...
- Enfim, – ele se dirigiu novamente ao garoto. – sei que é difícil, mas preciso que você me ajude. Fale-me sobre o dia em que seu amigo desapareceu.
Rose ouviu os três primeiros minutos com atenção, mas ai percebeu que os relatos não acrescentariam muita coisa. Então resolver andar. McGonagall não havia imposto nenhuma restrição a isso, então deixou a sala. Passou pela "sala de espera", mas ninguém a barrou. Fechou a porta atrás de si e subiu as escadas. O castelo dos seus sonhos estava ali, e nada podia detê-la.
Rose foi passando pelos corredores banhados pela luz do luar. Era tudo muito bom, mas ela queria o Doutor ao seu lado, correndo com ela por toda a extensão do lugar, de preferência com um Dalek, ou um Comensal da Morte que fosse, atrás deles. Então ouviu um barulhinho, como de asas batendo. Recortado contra a luz da lua que entrava por uma janela, ela viu um pomo de ouro pairando preguiçosamente. Ela pulou para pegá-lo. Ele se esquivou e prosseguiu. Ela se virou e correu atrás dele, que parou e deu meia volta, vindo por onde tinha chegado. Rose o seguiu e, com rapidez, o agarrou.
Sorriu com o êxito e olhou distraidamente para a parede ao seu lado. Era coberta por uma tapeçaria na qual um homem tentava ensinar balé a trasgos. Era cômico. E ai a realidade atingiu Rose. Aquilo era um marco, segundo os livros de J. K. Rowling. Então, a parede aparentemente lisa logo atrás dela agora deveria ser...
Uma porta. Era o que havia surgido. Aquela era a Sala Precisa. Não acreditando na sua sorte, ela abriu a porta. Ali Potter havia iniciado aquilo que se tornaria à resistência ao Lord das Trevas em Hogwarts. E ali havia estado escondida a última horcrux, e logo ali Rony e Hermione haviam dado seu beijo lendário. Era fantástico.
Ela entrou e caminhou lá dentro. O ambiente era o mesmo descrito por Rowling, no qual Harry havia escondido a horcrux, porém depois de uma bela tostada além do ponto. Tudo possuía uma tonalidade escura e morta. Mas antes que pudesse apreciar muito mais, ela tropeçou e caiu.
- Mas o que...? – ela praguejou e se virou para o que a havia derrubado. Era um garoto. Devia ter onze anos. Ele estava branco e empunhava uma varinha trêmula.
- Calma, garoto. Não vou te fazer mal...
- Expelliarmus! – berrou ele. O nervosismo era tão grande que o feitiço bateu numa pilha de tranqueiras a uns dois metros de onde Rose estava.
Ela correu e lhe tomou a varinha da mão.
- Agora me diga, quem é você? – ela questionou com um sorriso. – E porque está tão assustado?
- Bom, - ele começou, acanhado. – meu nome é Alvo Severo.
- Espera, Alvo Severo? Filho do Harry Potter?
- Sim – ele disse, exasperado, mirando o chão. Parecia ser comumente reconhecido por ser filho do Eleito, que havia livrado a terra da magia da maior praga já noticiada, Lord Voldemort. – Dele mesmo.
- OK, e o que você fazia dentro da Sala Precisa?
- Por que eu deveria dizer isso a você? – ele se virou com olhos inteligentes e perscrutantes para Rose. Por um momento, pareceu assustadoramente com o Doutor.
- Bom, eu lhe dei motivos para não o fazer? – ela devolveu, sustentando o olhar dele.
- Certo... Esse lugar me permite pensar – ele disparou. Parecia querer desabafar. - Esses tempos andam muito sombrios. Parece... parece até que Lord Voldemort está de volta... Isso me faz pensar muito, sobre tudo. Tiago só torna minha vida difícil aqui. E você não sabe como é sofrer a pressão de ser filho do maior herói dos últimos séculos. E nem sei porque estou falando isso para você, na verdade – ele começou a chorar.
Rose olhava para algum ponto na escuridão iluminada por tochas do lugar.
- Vamos lá fora. Aonde possamos conversar melhor – ela olhou para ele, entregando-lhe a varinha. – Vamos respirar o ar da noite.
- Fora do castelo? – a voz dele tinha medo, mas havia uma camada por baixo de vontade. – Podemos ser pegos.
- Acha mesmo que Filch pode nos parar? Vamos lá. Você quer, posso ver nos seus olhos.
Ele sorriu e puxou um pergaminho de aspecto velho.
- Então se vamos, usemos material profissional. Eu juro solenemente que não farei nada de bom – ele entoou e bateu com a varinha no papel. Desenhos surgiram, formando uma planta baixa do castelo. Pequenos passos identificados com flâmulas onde nomes estavam escritos andavam pelo castelo. Filch patrulhava os grandes portais que davam para o pátio.
Voltaram por onde Rose havia passado, até a sala onde o Doutor estava falando. Passaram por lá e chegaram até o pé da escada. Alvo havia dito que havia uma passagem ali perto, só precisavam atravessar o espaço à frente até o outro corredor. O problema é que, logo à esquerda, Filch patrulhava os grandes portais e com certeza os veria atravessando.
- E a capa de invisibilidade? – disse Rose. – Seu pai ficou com ela que eu sei.
- Ficou com Tiago – disse Alvo. – Quis logo a Relíquia, aquele exibido. O que vamos fazer?
- Não se preocupe. Tenho meus truques – falou Rose. – Será que Filch sabe jogar quadribol?
N/A: Bom, ai foi o terceiro capítulo. Agora, o mundo do Doutor e de Hogwarts se fundem um pouco mais, na minha opinião. Em pouco tempo teremos ação, para os que estiverem lendo (ou seja, ninguém, mas enfim :D) Enjoy!
