Quando eles acordaram, estavam presos pelas mãos e algemas que se ligavam à parede por correntes. Suas varinhas e chave de fenda sônica haviam sido tomadas e postas numa caixa de vidro fechada e chumbada em outra parede. O Doutor levantou a cabeça, testando as mãos presas. Isso despertou os outros ao seu lado.
Ele estava com a vista embaçada, mas conseguiu identificar um borrão azul na sua frente a uma certa distância. Os Daleks emitiam ordens enquanto homens vestidos de preto passavam carregando pequenas peças e pareciam sumir dentro do borrão. Então a visão melhorou e ele entendeu que o borrão era a sua TARDIS e os homens estavam entrando nela.
- O que vocês estão fazendo ai? – disse o Senhor do Tempo. – Só os filhos de Gallifrey podem operar numa TARDIS! – ele berrou.
- Mas é um Senhor do Tempo que está operando nela, meu caro Doutor – disse uma voz de dentro da máquina.
- Quem disse isso? – disse o outro, tremendo ao sentir que sabia de quem era a voz, mas não queria acreditar.
- Ah, você me conhece. Mas, para o caso de uma pequena crise de memória – um homem alto e magro veio andando de dentro da TARDIS até a porta. – pode me chamar de O Mestre – ele sorriu com dentes e expressão de lobo.
- O Mestre? – disse Harry.
- Um outro Senhor do Tempo – disse o Doutor, sombrio. – Tão louco quanto possam imaginar.
O Mestre gargalhou com gosto. Ele falou:
- De fato. Louco com gosto. Porém, com poder suficiente para te destruir, trazê-lo de volta à vida e explodi-lo novamente.
- O que queria com meu filho, seu bastardo? – gritou Harry Potter.
- Seu filho está aqui? Bom, assim vocês morrerão em família. Não que eu me importe – disse O Mestre com um sorrisinho sádico.
- Diga, Mestre - falou o Doutor. – O que quer com as crianças?
- Precisávamos de mão de obra.
- Para que?
- Minha nova obra prima.
- Qual?
- Ah, não se preocupe, Doutor. Vou colocá-lo a par dos meus planos, para que possa, mais do que ver, entender minha vitória. Irá morrer sabendo o que fiz e que não pôde fazer nada para me impedir.
"Eu estava em Ysaar, sem recursos, derrotado. Então fiquei sabendo que o próprio Culto de Skaro estava em problemas, viajando pelo espaço em seus manipuladores de vórtex, sem um plano de ação para tomar o Universo. Eles estavam percorrendo a rota das Cinco Estrelas Cadentes, que passava por Ysaar, como sabe. Somente esperei, e consegui uma audiência com os três Daleks, membros do Culto. Incuti neles uma ideia que vinha me atormentando há eras, desde que tinha passado pela Terra e visto algumas amostras de magia por puro acaso. Meu plano era se infiltrar no mundo da magia buscando seguidores e poder. Os Daleks conseguiram quebrar a barreira que nos impede de os encontrar, então entramos. Descobrimos que Lord Voldemort estava morto, e logo achamos um jeito rápido e fácil de encontrar seguidores. Nos unimos aos Comensais da Morte, que estavam esparsos por ai, com poder, porém precisando de um líder com pulso forte."
- Mas ainda não entendi porque precisava das crianças – disse Hermione.
- Elas serão as que irão espalhar a palavra, minha cara cabelos de fogo. Irão converter o mundo da magia a me seguir e me obedecer. Você não sabe como é incrível o poder de sugestão de uma criança. É natural. Eu usaria um chip de controle – ele disse, mostrando uma arma, que provavelmente continha os chips. – Mas depois que meus amigos Comensais me mostraram algo tão útil como a Maldição Imperius...
Ele fez uma pausa, como se se deliciasse com a ideia. Então continuou.
- Então, depois que eu conquistar a total lealdade dos Comensais com minha arma secreta, nós marcharemos e derrubaremos o Ministério da Magia. E então, o mundo será nosso.
- Mas qual é essa maldita arma? – Harry disse. Ele queria saber o máximo possível para salvar o filho.
- Ah, estava esperando por essa pergunta. Prepare-se, Doutor, para ver o futuro. Veja o que eu fiz com sua velha TARDIS – e abriu as duas portas da máquina em questão. O que o Doutor viu lá o fez arregalar os olhos de fúria e respirar ofegante.
- Você não fez isso! – ele berrou.
- AH SIM, EU FIZ! – berrou ainda mais alto o Mestre, gargalhando com gosto. – Você não sabe quanto eu esperei para te ver assim, desesperado. Preciso até gravar – ele puxou um bastão de aspecto tecnológico. – Ah, isso é a minha chave de fenda a laser. Quem usa a sônica hoje em dia? – ele riu e apontou o bastão para o Doutor, supostamente gravando a reação do mesmo.
- Doutor, o que ele fez? – perguntou Hermione.
- Um Maquinário de Ressurreição – o outro sussurrou.
- Sim, e com os restos de Lord Voldemort, poderei trazê-lo de volta a vida, simplesmente. O maior símbolo contra o Ministério da Magia! O terror vai se espalhar, e quando todos se convencerem de que estarão melhores do meu lado, terei uma legião de bruxos poderosos comigo. Eu estava construindo a minha do zero, como você pode ver – ele apontou para grandes torres que circundavam um pedestal em construção. – Mas com o equipamento de uma TARDIS, só precisei de alguns condutores e engenhocas, e o Maquinário estava pronto.
- Mas foram feitos testes, Mestre. A Divisão de Estudos do Tempo-Espaço de Gallifrey mesma fez testes com a teoria, e os resultados foram catastróficos. E você sabe disso. Você estava lá quando ocorreram os experimentos.
- E isso pode realmente funcionar? – questionou Rony.
- Sim – disse o Mestre. – Com os restos orgânicos e o maquinário certo, podemos estimular as células a se reproduzir de modo a recriar o corpo, regredindo à sua condição viva.
- Não, não pode – disse o Doutor. – Isso irá trazer consequencias horríveis, Mestre. Acabe com isso e podemos conversar sobre a sua liberdade.
- Me desculpe – ele mostrou os dentes perfeitos num sorriso. – É minha vez de ganhar, Doutor – ele se aproximou dos presos e sorriu para Hermione. – Talvez eu fique com sua amiga de cabelos de fogo, para fins mais... pessoais. Todo Senhor do Tempo precisa de uma acompanhante humana. O garoto labareda e o testa rachada podem morrer.
- Você brinca demais com o fogo – disse Rony, com raiva nos olhos. – Cuidado. Você irá se queimar.
O Mestre só riu e se virou de braços abertos para a TARDIS modificada.
- Ativem! – falou para os Comensais mais próximos. Logo depois, os três Daleks do Culto de Skaro entraram lá, seguidos por dois Comensais e dois dementadores, que esfriaram o ambiente ao passarem por ali. Mas quando entraram a sensação passou.
- O Maquinário da Ressurreição está trabalhando! – ele disse, e os motores da TARDIS rugiram com força ininterruptamente. – Em cinco minutos, Lord Voldemort estará de volta, então o mundo será meu!
Sem ouvir nada da conversa que acontecia, Rose, Alvo e Cecilia fugiram da cela com a trava quebrada. Recomendaram que os outros ficassem por lá enquanto exploravam. Se saíssem todos, poderiam dar de cara com guardas e serem castigados. Eles voltariam para avisar os outros quando fosse seguro.
O trio se moveu pelas caixas tranquilamente por um tempo. Então viraram uma esquina e deram com um Comensal. Ele estava de costas, felizmente. Já iam tomar outro caminho quando Rose os chamou novamente e sussurou algumas instruções em seus ouvidos.
O guarda ouviu um pequeno barulho às suas costas. Quando se virou para conferir o que era, um grande borrão saltou em cima dele, derrubando-o no chão e tampando sua boca. Cecilia tomou a varinha de sua mão antes que ele pudesse reagir. Ele gritou ligeiramente. Rose segurou seus braços enquanto Cecilia batia na cabeça dele com um bastão de madeira que estava no chão.
- Rose! – chamou Alvo, que estava de vigia no corredor logo atrás.
Rose olhou. Um comensal alto vinha correndo para ver o que estava havendo. Ela lançou a varinha do homem para Alvo, que ficou meio atordoado. Olhou para ele e berrou:
- Expelliarmus! – o feitiço saiu fraco e o homem o desviou. Então ele tentou se lembrar das aulas que seu pai tinha dado sobre aquele feitiço. Berrou o feitiço novamente e funcionou. A varinha dele saiu voando.
Cecilia pegou a varinha da mão de Alvo e acenou complicadamente. Ele voou e foi engolido pela escuridão acima.
- Vamos – disse ela.
Então um grande rugido se ergueu, chamando a atenção dos três. Eles correram se dirigindo para lá.
Quando chegaram, escondidos atrás de um grande engradado, viram o Doutor, Harry, Rony e Hermione presos. O Mestre estava de braços abertos para a TARDIS, enquanto ela emitia o rugido que os tinha chamado. Cecilia olhou para Rose e Alvo e os dois assentiram. Eles haviam entendido. Ela ergueu a varinha para uma pequena mesa de controle ao lado dos prisioneiros, que eram guardados por dois altos homens de preto que estavam perto da máquina. Disse um feitiço, e a mesa começou a soltar faíscas e pegar fogo. As algemas do Doutor e uma das de Rony se soltaram. O Doutor se jogou em cima do Mestre. Rony deu uma cotovelada com o braço livre no comensal que havia se aproximado. Ele caiu para trás, derrubando o homem que vinha atrás dele.
Rony então viu Alvo perto dos engradados e estendeu sua mão. Ele entendeu e, tomando a varinha da mão de Cecilia, a lançou para Rony. Quando ele se virou para os Comensais, eles já estavam de pé prontos para brigar. Mas o Weasley era um auror habilidoso. Alguns raios depois eles estavam no chão.
Então o ruivo acenou e as algemas de todos se abriram. Rony disse:
- Bombarda! – e a caixa de vidro explodiu, lançando as varinhas e a chave de fenda para fora. Nesse momento o Mestre se soltou do Doutor e correu para dentro da TARDIS/Maquinário da Ressurreição. Rony, que estava com a chave de fenda, a jogou para o Senhor do Tempo, que seguiu o homem. Os três bruxos, com suas varinhas, correram também para lá. Logo atrás, Rose, Alvo e Cecilia passaram. Quando o ultimo pé pisou o chão da máquina do tempo, as portas se fecharam sozinhas e ela foi sugada para o infinito.
Lá dentro, todos estavam se agarrando em alguma coisa para não girar como loucos. O Doutor foi escalando penosamente até chegar ao console, onde o Mestre já estava. Com um olhar, os dois entraram em uma trégua temporária. Teriam de trabalhar juntos. Foram puxando alavancas e regulando botões até poderem pousar os pés no chão sem problemas.
- O que houve? – questionou Hermione.
- O que eu disse que haveria! – disse o Doutor em tom enfurecido. – Deu errado!
- Não deu! – disse o Mestre – Veja, Lord Voldemort de volta a vida!
A TARDIS estava com quatro espécies de geradores em quatro pontos separados da sala de controle. Um pedestal com quatro torres curvas girando em volta dele estalava em eletricidade. O Maquinário estava terminando seu trabalho. Fiapos voavam, aderindo ao homem disforme que renascia do chão. Com um último estalo, um monte negro de vestes estava encolhido no chão. Então Lord Voldemort, em todo o seu poder e roupas de seda fina, se ergueu do chão. Tentava identificar onde estava e o que fazia ali. Ao achar os Comensais da Morte, se dirigiu a eles. Um deles se adiantou e disse:
- Aquele é O Mestre. Foi ele que o trouxe de volta a vida, milorde.
- Junto. conosco – disse um dos Daleks.
- Sim, junto com eles.
- Agradeço a vocês, senhores. Agora, posso saber porque me trazer de volta? – disse Voldemort em sua voz perigosamente suave.
- Sua lealdade, meu caro – disse o Mestre.
- Bom, acho que...
- Isso não importa! – disse o Doutor. – Estamos no meio de um Furacão Temporal, se vocês não perceberam. Ele – apontou para Voldemort – não pode viver.
- Podemos fechar isso – disse o Mestre. – Um toldo de gotas escuras de Lyeet com muita oração pode...
- MESTRE! Tudo foi testado. Nada vai funcionar. O Furacão só irá parar quando restaurar a ordem do Universo. E Lord Voldemort perturba a ordem do Universo. Ele deveria estar morto!
- Você não vai me tomar o poder, Doutor, não dessa vez. Em formação! – os Daleks se arrumaram ao lado do homem louco, assim como os Comensais e os dementadores, todos de um lado do console. O Doutor, Rony, Harry, Hermione, assim como Rose, Alvo e Cecilia ficaram do outro lado. O Doutor estalou os dedos e portas se fecharam nos corredores que guiavam a outros lugares da TARDIS. A batalha seria somente na sala de controle. Lord Voldemort disse:
- Perdão, senhor do topete engraçado, mas eu apoio qualquer um que me mantenha vivo – e se juntou aos seus homens. – Avada Kedavra! – ele lançou o feitiço, dando início à briga.
