Bella POV.
- Vai ficar tudo bem, Isabella. – Era impressão minha ou uma voz rouca estava bem próxima de mim? E o que eram esses arrepios? – Eu prometo isso para você.
Eu queria muito abrir os olhos e ver quem havia dito isso, mas os analgésicos que haviam me dado estavam me dando tanto sono...
Porque de alguma maneira, mesmo parecendo impossível, eu acreditei nessa voz. Acreditei nela quando ela disse que tudo ficaria bem.
Eu saí da enfermaria no domingo, com um pouco de dor ainda, mas melhor. Fui levada até minha sala, onde fiquei o dia todo. Senti vontade de conversar com alguém, apenas assuntos bobos, qualquer coisa...
E antes de adormecer, me peguei lembrando que no dia seguinte teria uma consulta com o doutor Cullen.
Pensei que no dia seguinte eu seria levada para o refeitório, como qualquer pessoa, mas não fui. Não questionei o motivo, porque eu realmente não estava interessada em voltar para lá.
Encontrei-me ansiosa em ir até a sala do doutor, até o momento que me chamaram.
Finalmente eu teria alguém para conversar.
Edward POV.
O final de semana passou de forma lenta. Eu queria saber como Isabella estava, se ela voltara para cela.
Em algum momento, quando pensar nela já estava se tornando constante, me perguntei por que. Por que ela não saía da minha cabeça e eu me preocupava o tempo todo com ela?
Porque ela era minha paciente. E eu sempre me preocupava com cada um deles...
Mas por que com ela era mais intenso e diferente?
Porque ela precisa de você.
Na segunda, rumei-me mais uma vez para o consultório e atendi meus pacientes, como sempre. Almocei nos meus pais e segui até a prisão, ansioso pelo fim do dia.
E quando ele chegou, de repente me peguei com medo. E se ela não viesse hoje novamente? E se ainda estivesse na enfermaria?
Comecei a me levantar da cadeira, com o objetivo de ir buscar informações com Carl, mas antes que eu pudesse ir, a porta foi aberta.
E ela entrou, juntamente com uma guarda.
Ficamos calados, olhando um para o outro enquanto ela era presa à cadeira. Eu observei a guarda sair e olhei para Isabella.
- Como você está? – sussurrei, enquanto um medo bobo tomava conta de mim. E se ela não falasse comigo novamente?
- Bem – deu de ombros. Eu me sentei direito na cadeira e me inclinei, a estudando. Ela era linda... – O que foi?
- Nada – balancei a cabeça, fitando o braço dela. – O que aconteceu com você?
- Brigas – suspirou. – Elas tentam me fazer falar, eu não falo... E acabo apanhando.
Ela tinha um sorriso triste no rosto. Por que isso apertava meu coração?
- Por que você não entrosa com as pessoas? – indaguei-a. – Seria mais fácil, absolutamente tudo, para você.
- Não consigo... Eu não consigo confiar nas pessoas... – Ela abaixou a cabeça por um momento, para logo em seguida olhar para mim. – E até agora eu não consigo entender porque eu consigo confiar em você.
Meu peito inflou-se com uma esperança jamais conhecida outrora. Eu me peguei sorrindo, desejando poder gravar aquele momento para sempre.
Ela confiava em mim.
Em mim.
- É estranho – continuou. – Em um momento da vida eu tinha tudo... E de repente, aqui estou eu, sentada diante de você, me permitindo confiar em alguém novamente.
- Você imagina por que não consegue confiar em ninguém?
- Porque eu não quero me machucar novamente.
Seus olhos carregavam uma sinceridade assustadora e imediatamente eu acreditei nela.
- Se machucar?
- Eu fui visitar meus pais... – Uma lágrima escorreu pelo seu rosto. – Eu cheguei logo depois do almoço, passei a tarde com minha mãe... Eu jantei com eles naquele dia. Eles estavam felizes, animados por eu estar ali. Nós rimos, lembramos de histórias nossas, da época em que eu ainda morava com eles. Meu pai tinha que trabalhar no dia seguinte, mas minha mãe prometeu que sairia comigo logo pela manhã...
- E vocês saíram?
- Não – murmurou, deixando um soluço escapar de seus lábios. – Eu fui dormir... E quando acordei no dia seguinte... Eles estavam mortos, doutor Cullen.
Eu abri minha boca para começar a falar, mas ela começou antes:
- Foi horrível, foi assustador. Eu encontrei minha mãe primeiro... – Seus olhos se fecharam por um segundo e ela os abriu novamente. – Entrei no quarto para acordá-la, para sairmos...
Ela parou por um segundo, como se lembrasse de tudo.
- Você não precisa continuar se não quiser – disse gentilmente.
- Eu quero – soluçou. – Eu não falei disso desde que aconteceu e... sinto que preciso disso.
- Pode falar, Isabella. – Eu não devia me sentir desse jeito ao falar o nome dela, devia? – Eu vou te ouvir.
Bella POV.
Eu assenti para o doutor Cullen e recomecei a falar, deixando, pela primeira vez, que as lembranças daquele dia trágico tomassem conta da minha mente.
Flashback
Eu senti o celular vibrar debaixo do meu travesseiro e resmunguei, querendo voltar a dormir. Mas sorri ao lembrar que estava de férias, na casa de meus pais e que sairia com minha mãe hoje.
Levantei, então, e segui até o banheiro, onde tomei um banho quente. Eu me vesti rapidamente e com roupas frescas, devido ao calor. Depois de pronta, segui até o quarto da minha mãe, para acordá-la.
Abri a porta lentamente, sorrindo, pronta para dar um susto nela.
E quem me assustou fui eu.
Seu rosto estava virado para a porta, seus olhos arregalados. E havia sangue, sangue para toda parte.
Naquele momento, eu deixei de pensar. Minha mente se dividiu em duas. Uma parte de mim queria fazer algo para trazer minha mãe de volta; a outra precisava verificar meu pai, saber se ele estava bem.
Não sei dizer em qual momento corri. Corri e desci as escadas rapidamente, à procura do telefone. Eu precisava ligar para a delegacia, precisava falar com meu pai.
Mas eu encontrei sangue lá embaixo também. E eu o segui.
E vi meu pai morto na cozinha.
Esfaqueado, amarrado...
Exatamente como minha mãe.
Fim do flashback.
- Foi horrível – concluí, enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto. – E tudo muito rápido. Eu me lembro de tentar salvá-los e de depois, quando perceber que era tarde demais, me encolher contra um canto, com o telefone nas mãos. Em algum momento, a polícia chegou e de repente eu estava presa, doutor. Acusada de matar de forma brutal meus próprios pais.
- Eu sinto muito por tudo – murmurou. – Eu acho que...
Mas como sempre, quando ele ia começar a falar, a guarda bateu à porta e era hora de eu voltar para minha cela.
- Na quarta conversaremos sobre isso – sussurrou.
Eu somente assenti.
Edward POV.
Seu rosto carregava tanto sentimento, tanta dor. Queria poder tirá-la dela, queria poder arrumar provas de que ela era inocente, mas eu nem podia me envolver de tal forma.
Ela era minha paciente, somente isso.
E agora eu teria que esperar até quarta para podermos conversarmos mais.
Enquanto me dirigia até em casa, ficava me perguntando quanto Isabella havia suportado desde que entrara na prisão. Ela havia começado a se abrir, mas eu não sabia se ela realmente estava disposta a lutar e provar que era inocente.
Tomei banho, sem conseguir tirar a história dela da minha cabeça. E mesmo enquanto comia, ou depois, deitado na cama, tudo o que eu conseguia pensar era nela.
E no que havia acontecido na sua vida.
Dormir foi difícil, mas em algum momento eu consegui. Pensando só em vê-la e conversar com ela novamente na quarta-feira.
A terça passou de forma tão lenta e agonizante que eu me perguntei se eu precisava de terapia. Porque para pensar em alguém o tempo todo, viver angustiado... Eu deveria estar louco ou algo do tipo.
Fui para a prisão na parte da manhã, como fazia toda terça e quinta, e atendi meus pacientes. Pretendia ir almoçar com meus pais, mas achei melhor deixar para outro dia. Eu precisava ficar um pouco sozinho, colocar meus pensamentos em ordem.
Segui para meu consultório assim que terminei de almoçar, pronto para atender mais pacientes. Procurei me concentrar neles e ajudá-los de alguma forma.
E mesmo assim, a tarde também demorou a passar.
Quando enfim saí do consultório, tudo o que eu conseguia pensar era que amanhã era quarta e eu poderia conversar mais com Isabella.
Eu deveria estar mesmo maluco, porque vê-la três vezes por semana, durante meia hora, não parecia estar sendo o suficiente.
Tomei meu banho, como sempre, e comi alguma coisa. E como não havia aparecido na casa dos meus pais e nem dado notícia, resolvi ligar para minha mãe.
- Alô? – Escutei a voz do meu pai.
- Oi, pai – sorri. – Sou eu, Edward.
- Oi, filho. Pensei que viria almoçar aqui hoje.
- Dia corrido, não deu. Só liguei para falar que cheguei, estou indo dormir. Assim mamãe não fica preocupada.
- Eu vou falar para ela – riu. – Tente vir aqui amanhã, jantar conosco. Não tenho plantão a noite.
- Tudo bem, pai, eu vou tentar.
- Certo – riu. – Até amanhã, Edward.
Eu desliguei o telefone e dirigi-me até meu quarto. Fazia um tempo que eu não saía, não via televisão... Fazia um tempo que eu não tinha um tempo só para mim. Mas agora eu não podia tirar férias. Depois. Depois que eu ajudasse Isabella.
Demorou um pouco para eu conseguir dormir, porque realmente me encontrava ansioso pelo dia seguinte.
Mas consegui, em algum momento, pensando no que falar para Isabella no dia seguinte.
Bella POV.
Foi difícil dormir naquela noite. Descobri que conversar com o doutor Cullen era uma coisa boa, me trazia paz. Mas eu só tinha uma hora e meia por semana.
E de repente, por mais bobo que soasse, isso não parecia o suficiente.
Ele era um cara bonito, provavelmente tinha namorada, noiva ou até esposa... Seus olhos eram de um verde esmeralda, seus lábios pareciam ter sido desenhados. E ele tinha aquele cabelo bagunçado, de uma cor estranha, porém linda.
Entretanto, eu não tinha o direito de pensar nisso. Não podia e nem devia.
O dia amanhã seria longo e eu ainda teria que suportar a quarta... O doutor Cullen era o único em quem eu confiava aqui e o único com quem eu não podia conversar todos os dias.
E o mais hilário em tudo é que eu nem sabia o primeiro nome dele...
Revirei-me na cama, respirando fundo e procurando me acalmar. Eu não podia e nem devia ficar pensando nele.
Ele era meu psicólogo.
E nada mais do que isso.
Quando acordei no dia seguinte, fui avisada de que teria que chamar um advogado. Eu nem havia me preocupado com isso ainda, nem havia me dado conta de que meu julgamento seria dentro de um mês.
Eu não conhecia nem um advogado, então pedi um tempo. Não sabia a quem perguntar nem o que fazer. Só assim percebi que estava mais perdida do que achava que estava.
Tive alguma sorte depois do almoço e não ninguém mexeu comigo. Consegui adormecer mais cedo naquela noite, por algum milagre, ansiosa para que o dia seguinte chegasse logo.
Será que ele se importaria se eu perguntasse como se chamava?
Acordei bem cedo naquele dia, desejando mais do que nunca um livro. Com certeza eu poderia matar horas e horas lendo.
Havia tantas coisas das quais eu sentia falta e eu nem sabia se um dia voltaria a fazê-las.
Almocei no refeitório, como sempre, e depois fui levada para o pátio. A hora do banho também não demorou a chegar. Era um pouco difícil tomar banho com a tipóia, mas eu conseguia dar um jeito. Foi bom lavar a cabeça. Eu realmente precisava.
Fui levada de volta a cela, mas não fiquei lá por muito tempo. A mesma guarda de sempre veio me buscar e enquanto eu caminhava para a sala do doutor Cullen, sentia meu coração acelerando no peito. Finalmente eu iria poder conversar com ele.
Edward POV.
Trabalhar no consultório na parte da manhã foi bom. Eu me distraí um pouco e o tempo até que passou rápido. Como pretendia jantar com meus pais, jantei em um restaurante próximo à prisão e segui para lá logo depois.
- Boa tarde, Carl – sorri. – Como vão as coisas?
- Boa tarde, doutor Cullen. – Ele sorriu também. – Está tudo certo. O doutor está bem?
- Estou ótimo, muito obrigado.
Eu me dirigi para minha sala, já começando a atender meus pacientes, ansioso pelo último horário.
E quando deu o horário de Isabella, eu mal conseguia acreditar. A guarda bateu à porta, como sempre e pegou a presidiária que já tinha terminado a sessão. Alguns minutos depois, Isabella entrou, a cabeça baixa como sempre, e eu apenas a absorvei, enquanto a prendiam a cadeira.
Aquilo ainda era necessário?
Eu sabia que ela não iria me machucar.
- Oi, Isabella – sorri, assim que a guarda saiu. – Como está hoje?
- Olá – murmurou. – Não sei, sinceramente, um pouco entediada talvez. Sinto falta dos meus livros.
- Costumava ler muito? – Era tão bom saber que ela ainda sentia vontade de conversar comigo, que ela confiava em mim.
- Praticamente todos os dias – suspirou.
- Talvez eu possa conversar com eles, ver se eu consigo trazer alguns livros para você – sugeri.
- Ia ser ótimo, doutor Cullen! – Então, de repente, ela corou, e eu simplesmente achei lindo isso. Nunca a tinha visto corar. – Seria muito perguntar o seu nome?
Eu sorri.
- Meu nome é Edward, você pode me chamar assim.
- Obrigada, Edward.
Ela se mexeu, então, desconfortável. Franzi a testa, confuso.
- Algum problema? – indaguei-a.
- A tipóia incomoda às vezes – murmurou, mexendo o braço.
- Deixe-me ajudá-la.
Eu me levantei e contornei a mesa pela primeira vez, indo me agachar perto dela. Meu rosto ficou praticamente na altura do seu. Eu movi a algema, encostando o braço delicadamente no seu corpo.
E então olhei para cima.
Seus cabelos estavam um pouco úmidos, eu não havia notado isso. Seus olhos ainda traziam aquele mistério, aquela dor, aquele vazio... Uma mistura de sentimentos tão complexos que assustavam. Eram de um tom de chocolate lindo – e único.
E seus lábios... Eles estavam entreabertos, implorando para serem beijados.
E foi o que eu fiz.
Sem pensar nas conseqüências, se era o certo ou o errado, eu me inclinei e delicadamente tomei seus lábios nos meus.
N/A: Hii (; Pois é...
Edward beijou a Bella. E aí? Como é que ela vai reagir?
Muito obrigada por todos reviews, suas fofas 3 Amando muito postar aqui.
Espero que gostem desse capítulo.
Até o próximo, então.
Besos ;*
