Bella POV.
Eu entrei na sala de cabeça baixa, como sempre. Caminhei até a cadeira e esperei enquanto me prendiam a ela.
Só levantei o rosto quando ouvi o barulho da porta sendo fechada, encontrando o doutor Cullen olhando para mim.
- Oi, Isabella – sorriu. – Como está hoje?
- Olá – murmurei. – Não sei, sinceramente, um pouco entediada talvez. Sinto falta dos meus livros?
Por que eu sempre me abria assim com ele?
- Costumava ler muito? – indagou-me, parecendo realmente interessado.
- Praticamente todos os dias – suspirei, enquanto me lembrava de como eu podia passar horas e horas lendo, sem nem sequer me dar conta disso.
- Talvez eu possa conversar com eles, ver se eu consigo trazer alguns livros para você.
- Ia ser ótimo, doutor Cullen! – Então me dei conta de como empolgante aquilo tinha soado e corei. Fazia um tempo que eu não corava... – Seria muito perguntar o seu nome?
- Meu nome é Edward, você pode me chamar assim.
Edward...
- Obrigada, Edward.
Mexi-me, então, um pouco, me sentindo desconfortável. A tipóia incomodava e ficar com ela naquela posição estava realmente machucando.
- Algum problema? – indagou-me.
- A tipóia incomoda às vezes – murmurei, mexendo o braço. Como se aquilo realmente fosse adiantar alguma coisa.
- Deixe-me ajudá-la.
Eu não conseguia acreditar que Edward estava realmente se levantando e contornando a mesa, apenas para me deixar mais confortável. Ele confiava em mim tanto assim?
Ele se agachou e eu quase perdi o fôlego. Ele era tão mais lindo assim, de perto. E esse cheiro?
Gentilmente ele moveu minha algema e encostou meu braço no meu corpo. Melhorou quase que instantaneamente.
E tudo pareceu simplesmente parar quando ele olhou para cima.
Seus orbes tinham aquele brilho único e me traziam tanta paz e confiança que tudo o que eu queria era mergulhar neles. Seus cabelos pareciam ainda mais bagunçados assim, de perto.
E os lábios dele... Parecia estranho querer me inclinar e provar o sabor?
E Edward assim o fez.
Ele se inclinou. E me beijou.
Não foi um beijo longo, cheio de segundas intenções. Foi calmo, doce, apenas para nos conhecermos, provar o sabor dos nossos lábios.
Eu queria levantar minha mão e puxar o rosto dele mais para mim, aprofundar o beijo ainda mais.
Foi aí que lembrei que não podia, que nunca poderia. Edward era livre, meu psicólogo...
E merecia alguém à altura dele.
Então, me afastei.
- É errado – disse, desviando os olhos dele.
- Isabella, eu... – Imediatamente Edward ficou em pé, passando a mão nos seus cabelos, parecendo completamente confuso. – Eu sinto muito, isso não deveria ter acontecido.
Ele tornou a contornar a mesa e se sentou, ainda parecendo desconfortável e agitado.
- Eu prometo para você que isso não vai acontecer novamente – murmurou, me olhando nos olhos. – Eu poderia te indicar outro psicólogo, caso você queira, mas sou o único aqui na prisão. Então, tudo o que posso fazer é prometer que nunca vai acontecer novamente, Isabella.
- Tudo bem – sussurrei.
Um silêncio chato se instalou no lugar. Meus lábios ainda formigavam do recém-beijo e por mais que eu quisesse esquecer, ele era tudo o que eu conseguia lembrar.
Dei um pulo na cadeira quando me assustei com a guarda batendo à porta e entrando. Nunca havia ficado tão feliz pelo final de uma consulta. Eu tinha certeza de que precisava somente de um tempo, de ficar sozinha, porque aí tudo poderia ser esquecido.
Eu tinha certeza disso.
A guarda retirou minha algema e me puxou, como sempre fazia. Eu não olhei para Edward em momento algum, apenas dei as costas e comecei a caminhar.
- Até a próxima sessão, Isabella – escutei-o dizer.
E mesmo assim não olhei para ele.
Edward POV.
Eu só me dei conta da burrada que havia cometido quando Isabella separou meus lábios dos seus.
Como eu havia beijado minha paciente? Ia contra tudo aquilo que eu havia aprendido na faculdade!
- É errado – murmurou Isabella, tirando-me de meus devaneios.
- Isabella, eu... – comecei, ficando de pé. Estava confuso, porque sabia que aquilo era errado, que aquilo ia contra tudo o que eu vivia e o que tinha aprendido. – Eu sinto muito, isso não deveria ter acontecido.
Então, por que havia sido tão bom?
Eu tornei a me sentar, sem saber como consertar aquela situação.
Eu me sentia desesperado; estava desesperado.
- Eu prometo para você que isso não vai acontecer novamente – murmurou, me olhando nos olhos. – Eu poderia te indicar outro psicólogo, caso você queira, mas sou o único aqui na prisão. Então, tudo o que posso fazer é prometer que nunca vai acontecer novamente.
- Tudo bem – disse.
Foi tudo o que ela disse. Eu a fitei, esperando que dissesse mais alguma coisa, que não quisesse me ver mais, mas ela permaneceu calada, quieta.
E eu fiquei com medo dela perder a confiança que tinha em mim, de que ela não fosse falar mais.
Eu não sabia se iria conseguir sua confiança mais se ela não quisesse mais falar.
Permanecemos em silêncio até ouvirmos a mesma batida de sempre. Isabella pareceu se assustar um pouco, mas nem eu e nem ela comentamos nada. Fitei-a enquanto a guarda retirava sua algema e a puxava para cima.
Isabella não olhou para mim em momento nenhum e começou a ir sem olhar para trás.
- Até a próxima sessão, Isabella – disse, na esperança de que pelo menos um olhar ela lançasse.
Ela não o fez.
E eu temi ter estragado tudo.
Assim que saí da prisão, decidi seguir até o apartamento de Alice. Eu precisava conversava conversar com alguém, desabafar e sabia que minha irmã não me julgaria pelo o que ela havia feito.
- Alice? – murmurei, assim que ela atendeu.
- Ei, Edward – riu. – Que milagre você me ligar.
- Eu preciso conversar com você – suspirei. – Está em casa?
- Estou sim. Está tudo bem?
- Podemos falar disso quando chegar aí? – indaguei-a, temendo que o assunto se estendesse.
- Tudo bem. Estou esperando por você.
Eu joguei meu celular em qualquer lugar do carro e dirigi rapidamente pelas ruas do Texas. O que havia acontecido entre Isabella e eu na minha sala, não saía da minha cabeça e eu simplesmente não conseguia entender por que.
Não demorou muito para que eu chegasse à casa da minha irmã. Eu estacionei e ativei o alarme do carro, antes de pedir ao porteiro que avisasse a ela que eu estava subindo.
- Tenha uma boa noite – disse ele.
- Obrigado.
Alice já me esperava com a porta aberta e me abraçou forte assim que entrei em seu apartamento. Eu me joguei no sofá dela e respirei fundo.
- O que aconteceu? – indagou-me, confusa.
- Eu... Eu beijei Isabella, Alice.
Eu não olhei para minha irmã, porque não tive coragem. Sabia que ela não me julgaria nem nada, mas não quis olhar para o seu rosto enquanto eu dizia isso.
Isabella era minha paciente, era uma presidiária...
E Alice sabia disso.
- Edward... – Eu levantei a cabeça e olhei para minha irmã. – Você gosta dela?
- Ela é só a minha paciente, Alice – suspirei. – Só isso.
- Se ela é só uma paciente, por que a beijou?
- Eu não sei – confessei. – É confuso, foi errado e não vai acontecer de novo. Já prometi isso para ela.
- Antes de ter prometido a ela, Edward – sorriu –, você devia ter se perguntado o porquê de ter acontecido e convencido você mesmo que nunca mais iria se repetir.
- É confuso demais, Alice. – Eu me inclinei no sofá, apoiando meus cotovelos nas minhas pernas e enfiando a cabeça entre as mãos. – Eu só estou com medo de que Isabella se feche novamente e que todo esse progresso que tivemos seja perdido.
- Não posso te prometer que ela não vai se fechar novamente – deu de ombros. – Isso é com você, Edward, você é o psicólogo aqui.
Conversar com Alice foi bom. Ela estava certa. Eu tinha que entender por que havia beijado Isabella e garantir que isso não aconteceria novamente. E eu era o psicólogo dela, daria um jeito caso ela se fechasse novamente.
Eu sabia que daria.
Bella POV.
Foi difícil dormir naquela noite. Desejei, mais do que nunca, ter minha mãe comigo, para poder conversar...
E foi doloroso relembrar que eu nunca mais a veria.
Chorar um pouco aliviou. Implorei para esquecer o beijo e implorei ainda mais para Edward esquecer. Ele merecia alguém à altura dele.
Quando acordei no fia seguinte, decidi resolver tudo com o advogado. Pedi um do governo, não por não ter condições para pagar, mas porque realmente eu não conhecia nenhum.
Passei toda a manhã conversando com ele, mas ele não me deu o que eu mais queria e precisava naquele momento: esperança. De alguma maneira, eu sabia que seria condenada.
Só restava saber a pena.
Passei o dia quieta, na minha. Retirei a tipóia também. Meu braço ainda doía um pouco, mas nada que me impedisse de movimentá-lo.
E me peguei pensando no beijo mais uma vez. Era errado, impossível, mas eu não conseguia parar de pensar.
O modo que ele se inclinou, que tomou meus lábios nos seus...
Eu realmente tinha que parar de pensar nisso.
Dia de mais uma sessão.
E era para lá que eu estava sentada naquele momento.
Foi difícil dormir naquela noite – por mais que eu quisesse esquecer, parecia completamente impossível.
Eu não sabia como iria agir diante de Edward depois do beijo. Permaneci de cabeça baixa enquanto era algemada a cadeira. Ignorá-lo parecia ser o certo – para ele –, mas por outro lado, conversar com ele era algo sempre tão bom.
Ouvi os passos da guarda se afastando, mas não ergui a cabeça para conferir se ela já tinha saído.
- Olá, Isabella.
Eu senti toda a minha face queimar e me xinguei por estar corando. Por que eu tinha que corar logo agora?
- Olá, Edward. – Eu olhei para cima e o fitei, me sentindo presa em seus olhos durante alguns segundos.
- Então... – Ele pigarreou. – Como tem sido esses dias aqui na prisão?
- Normais – dei de ombros, suspirando. – Conversei com meu advogado, minha audiência se aproxima...
- E como se sente em relação a isso? – indagou-me.
- Para ser sincera, não sei – murmurei. – Me sinto nervosa, sem esperanças...
- Não acredita que seu advogado vá conseguir provar sua audiência?
- Não – sorri triste. – Não o conheço, não confio nele, nem nada do tipo... E eles dizem que há provas contra mim. Então, passarei o resto da minha vida aqui, mas com a certeza de que eu não fiz nada com meus pais. Eu nunca seria capaz de tal coisa.
Conversar com Edward era algo tão bom, me deixava tão confortável.
- Por que ficar com um advogado que não confia, então? Há milhares e milhares aqui.
- Eu sei, mas nunca precisei de um, não conheço nenhum, e é tarde demais agora para procurar alguém que eu passe a confiar.
- Sabe, Isabella, quando você fala assim, sinto como se você tivesse perdido a vontade de lutar.
Eu sorri de forma triste para ele.
- Foi porque eu perdi, Edward – sussurrei gentilmente. - Eu perdi tudo o que tinha...
- Mas ainda há esperanças, não há?
- Não para mim, não mais.
Edward POV.
Enquanto Isabella caminhava para dentro da minha sala, eu a fitava, esperando que ela olhasse para cima, o medo de ela parar de falar comigo me atormentando.
- Olá, Isabella. – Eu a cumprimentei assim que a guarda saiu da sala.
- Olá, Edward. – Ela tinha permanecido uns segundos caladas antes de falar e olhar para cima. Eu percebi que ela estava corada, o que me deu vontade de sorrir.
- Então... – pigarreei, tirando tais pensamentos da cabeça. – Como tem sido esses dias aqui na prisão?
- Normais – deu de ombros. – Conversei com meu advogado, minha audiência se aproxima...
- E como se sente em relação a isso? – perguntei, não a sentindo muito animada em falar da audiência.
- Para ser sincera, não sei – murmurou. – Me sinto nervosa, sem esperanças...
- Não acredita que seu advogado vá conseguir provar sua audiência?
- Não – sorriu de forma triste. – Não o conheço, não confio nele, nem nada do tipo... E eles dizem que há provas contra mim. Então, passarei o resto da minha vida aqui, mas com a certeza de que eu não fiz nada com meus pais. Eu nunca seria capaz de tal coisa.
Eu realmente ainda não acreditava que Isabella estava se abrindo comigo, mesmo depois do beijo – o beijo que por mais que eu tentasse esquecer, só conseguisse lembrar.
- Por que ficar com um advogado que não confia, então? Há milhares e milhares aqui.
- Eu sei, mas nunca precisei de um, não conheço nenhum, e é tarde demais agora para procurar alguém que eu passe a confiar.
- Sabe, Isabella, quando você fala assim, sinto como se você tivesse perdido a vontade de lutar.
Ela me fitou, aqueles olhos sempre vazios, agora mais sem esperança que nunca.
- Foi porque eu perdi, Edward – sussurrou. - Eu perdi tudo o que tinha...
- Mas ainda há esperanças, não há?
- Não para mim, não mais.
Eu não conseguia acreditar que Isabella tivesse desistido assim, sem nem ter tentado lutar.
- Você tem que ter força, Isabella. Se você não tiver, ninguém vai ter por você.
- E é exatamente por isso que não luto mais – deu de ombros, sua voz embargada. – Acabou tudo para mim, Edward. Meu emprego, meus pais, minha vida. Eu fui acusada de assassinar as duas pessoas que me colocaram no mundo, as pessoas que eu mais amava. Não tenho mais motivos para lutar, para lidar com isso. É demais para mim.
- Você é mais forte do que pensa – disse. – Prove para todo mundo que você é inocente. Não que você tenha que provar algo, mas talvez assim você consiga um pouco mais de paz.
- Achar o assassino deles é o que me deixaria em paz, sim. Mas, como eu disse, não tenho esperanças.
Durante toda a sessão, Isabella se focou naquele assunto. Ela tinha desistido e por mais que eu quisesse ajudar, ela teria que querer em primeiro lugar – por mais que isso doesse em mim.
- Ah, Isabella, já ia me esquecendo... – Abri a gaveta da escrivaninha. – Conversei com um amigo meu aqui dentro e ele deixou eu entregar esses livros para você.
A guarda que estava com ela pegou os livros e puxou Isabella, acenando para mim discretamente. Eu vi Isabella sorrir – o primeiro sorriso verdadeiro que eu via nela – e sorri também.
- Obrigada – sussurrou ela antes de deixar a sala.
E eu somente assenti.
N/A: Oláá... Obrigada pelos reviews, suas fofas (; Amando lê-las.
E então, o que acharam da reação da Bella e do Edward, hã?
Até o próximo, baaai
