Bella POV.
Os dias passavam de forma rápida. Os cinco livros que Edward me arrumara não duraram muito e logo eu estava os relendo. Os encontros com meu advogado se tornaram mais freqüentes, embora não houvesse muito o que falar.
Eu estava nervosa, porque o dia estava próximo, e foi bom falar com Edward sobre isso. Ele continuava me incentivando, falando que eu deveria acreditar e era bom escutar isso, mesmo que eu não acreditasse.
Era bom saber que alguém acreditava em mim.
Conforme os dias foram passando e a audiência se aproximando, eu fui ficando mais tensa, mais nervosa.
E Edward entendia, ele não tentava me controlar; ele estava me ajudando.
- Se quiser... – sugeriu, na nossa última sessão. – Eu posso assistir, ir lá dar um apoio.
- Não precisa – suspirei. – Eu realmente prefiro que você não vá. Não quero ver ninguém lá.
- Por quê? – Ele realmente parecia confuso.
- Não precisa, de verdade. Eu não sei quanto tempo vai durar nem nada do tipo, mas ouvi dizer que julgamentos criminosos demoram...
- Tudo bem, então.
Dando aquele assunto por encerrado, começamos a conversar sobre os livros que ele havia me passado.
Quando faltava uma semana para a audiência, eu simplesmente parei. Não conseguia me concentrar em nada, além de pensar no que poderia acontecer nela. Meu advogado e eu continuávamos repassando meu testemunho e eu era o mais sincera possível. Eu contei, nos mínimos detalhes, a ele, o que tinha acontecido.
Eu realmente esperava que todos fossem acreditar em mim.
Conversar com Edward naquele dia foi bom. Era uma quarta-feira e eu não veria Edward mais até a segunda seguinte. Ele viajaria para um congresso e voltaria só no domingo.
- Na segunda – disse-me – iremos conversar, ok? Eu quero que se mantenha calma e se mostre forte no julgamento. Seja sincera. Vai dar tudo certo.
Eu realmente queria acreditar nele.
Dormir naquela noite foi difícil. Eu ainda não entendia como Edward me fazia tão bem e como eu sentia tanta a falta dele, mesmo sendo errado.
Agora mesmo pensar que eu só o veria na segunda...
Era doloroso demais.
Fechei os olhos e respirei fundo, procurando me acalmar e tentar dormir.
E não demorou muito mais para que eu conseguisse.
O sol batia contra o meu rosto e eu resmunguei, tentando me virar na cama, mas sentindo algo na barriga que me impedia de fazer tal coisa. Confusa, abri os olhos e olhei em volta, não reconhecendo o local.
Era um quarto bonito e amplo. Praticamente todas as cortinas cobriam as janelas, somente uma estava entreaberta. As paredes eram pintadas de um azul claro, enquanto os móveis eram brancos. Havia uma TV, um DVD... Era bonito o quarto.
E cercado por fotografias.
Confusa, eu levantei. Fiquei ainda mais confusa quando olhei para minha barriga e vi que ela se encontrava um pouco volumosa.
Eu estava... grávida?
- Bom dia, amor.
Virei-me, assustada. Edward se encontrava parado na porta, vestindo uma calça jeans preta e uma camisa vermelha. Seus cabelos estavam úmidos do banho que eu não o vi tomar e ele tinha um sorriso no rosto.
- Bom dia. – Tentei sorrir, embora ainda me encontrasse confusa.
- Está tudo bem? – Ele atravessou o quarto e parou na minha frente, acariciando minha barriga. – Algo com o bebê?
- Não – neguei. – Eu só estou confusa. Parece que estou em um sonho.
Ele riu.
- Não está sonhando, querida – beijou-me de leve nos lábios. – Por que você não toma um banho e se arruma para podermos ir visitar meus pais?
- Tudo bem.
Eu tomei um banho e me vesti, ainda me sentindo confusa. Edward me esperava na cozinha, com um café da manhã completo na mesa.
- Você está linda – sorriu, me puxando para seus braços.
Eu me sentia como se aquele sempre tivesse sido meu lugar. Não havia lugar melhor no mundo do que estar nos braços de Edward. Seus olhos verdes brilhavam ao me fitar, um sorriso bobo tomando conta de seu rosto enquanto ele acariciava minha barriga.
- Só mais cinco meses e logo teremos nosso bebê nos braços – sussurrou, beijando-me de leve.
Eu assenti, de repente sorrindo feito boba. Um sentimento forte tomou conta de mim, me enchendo de uma alegria tão infinita que tudo o que pude fazer foi abraçar Edward mais apertado, beijando-lhe nos lábios.
Então, de repente, tudo começou a mudar.
Eu estava em um lugar escuro, meus olhos de repente cheios de lágrimas. Procurei pela barriga que eu tinha outrora, mas não a encontrei. Um vazio tomou conta de mim e eu ofeguei, procurando por uma luz, qualquer luz, qualquer coisa que me desse esperança.
- Edward? – murmurei, esperando que ele surgisse.
Mas ele não apareceu.
Ninguém apareceu.
Eu estava sozinha – como sempre.
Acordei, ofegante, tentando regular minha respiração.
Tinha sido um sonho, apenas um sonho.
Eu ainda me encontrava na minha cela, prestes a passar por um julgamento.
E antes que pudesse sequer me dar conta, as lágrimas tomaram conta dos meus olhos e eu coloquei a mão sobre a boca, para evitar que os soluços escapassem.
Não era possível. Mas parecia existir somente uma explicação.
Eu estava apaixonada por Edward.
Edward POV.
Eu veria Bella somente na segunda... Por que isso mexia comigo?
Terminei de arrumar minhas coisas, ainda pensando em Isabella saindo da minha sala, com um sorriso triste no rosto. Eu queria estar aqui por ela na audiência, mas ela não me queria aqui...
Também acho que seria estranho eu, como apenas psicólogo, aparecer e acompanhar tudo.
Segui para o meu carro e adentrei-o, procurando uma maneira de me acalmar. Eu viajaria no dia seguinte, bem cedo, então decidi ir jantar com meus pais.
Não consegui me focar naquele momento, porém. Minha mente viajava à Isabella a todo o momento, perguntando-me se ela estaria bem, se precisava conversar...
Dormir foi difícil naquela noite.
Eu já havia arrumado minhas malas, já havia deixado todos os relatórios e papéis prontos e nada do sonho vir.
- Espero que esteja bem – sussurrei, pensando nela.
Bella POV.
Eu não sabia dizer se o resto da semana passou rápido, assim como o fim de semana. Enquanto eu desejava loucamente que tudo passasse devagar, para que não chegasse a audiência, eu desejava que o tempo passasse rápido e eu pudesse conversar com Edward outra vez.
Eu estava determinada a guardar para mim mesma sobre o fato de estar apaixonada por ele. Não era algo que pudesse ir para frente, de qualquer maneira. Eu teria que evitar isso de qualquer maneira.
Logo era segunda e eu estava me dirigindo até a sala de Edward. Adentrei a sala dessa vez olhando em seus olhos verdes, sentindo meu coração acelerar e minha boca ressecar.
Por que eu tinha que ter me apaixonado? Logo agora e logo por ele?
- Oi, Isabella. – Edward sorriu um pouco e eu me encontrei perdida, por um momento, em seus orbes verdes. – Está tudo bem?
Ele parecia confuso, o que me fez balançar a cabeça e assentir.
- Está sim – sorri. – Eu acho.
- Ansiosa por quarta? – indagou-me, inclinando-se um pouco.
Não daria certo isso, não mesmo.
- Não – suspirei. – Não tenho esperança nenhuma, para ser sincera.
Conversar com Edward era bom, embora eu não soubesse mais exatamente como agir perto dele. Era errado estar apaixonada por ele, eu sabia disso. Mas eu não podia evitar e ficar longe dele não parecia a solução.
Então, desde que ele não soubesse de nada, acredito que eu que ficaria tudo bem.
Edward POV.
Foi o congresso mais longo do qual eu havia participado. A todo o momento eu imaginava como Isabella estava, se ela havia se metido em mais alguma briga. Toda vez que eu fechava os olhos eu me lembrava dos seus olhos, dos poucos sorrisos verdadeiros que ela havia me dado. Do modo que seus cabelos emolduravam com perfeição seu rosto delicado.
Ela tinha que se sair bem no julgamento. Tinha que dar tudo certo.
Eu cheguei no domingo a tarde, desejando muito que a segunda chegasse logo. Tomei um banho e me vesti de forma confortável, decidindo ir jantar com meus pais.
Talvez assim o tempo passasse mais rápido.
Foi bom encontrar Alice lá, conversando com minha mãe.
Minha irmã veio me abraçar, me fitando com aqueles olhos que pareciam ser capazes de ver tudo. Ela não disse nada, apenas sorriu e se afastou, dando espaço para que minha mãe me cumprimentasse.
- Oi, querido. – Eu a envolvi em meus braços e beijei sua testa. – Como foi de viagem?
- Tudo bem, mãe – sorri. – Estou feliz por estar em casa.
Alice ergueu uma sobrancelha, ainda sorrindo.
Nós nos sentamos, enquanto o jantar não ficava pronto e meu pai não chegava do seu plantão. Ele logo chegou, trazendo com si Rose e Emmett.
- Onde está Jasper? – indaguei Alice.
- Ai, Edward. – Fez careta. – Para de insistir nisso. Jasper e eu somos apenas bons amigos.
Eu revirei os olhos, sabendo que era mais do que isso, por mais que nenhum dos dois ainda estivesse disposto a admitir.
Todos eles se sentaram e passamos a assistir ao jornal, prestando atenção às notícias.
E logo eles estavam, novamente, falando do caso de Isabella Swan.
- Sua paciente, não é, Edward? – minha mãe me perguntou, um olhar de compaixão tomando conta de seu rosto.
- Sim – suspirei. – O julgamento é nessa quarta, ela não está muito esperançosa.
- É complicado. – Rosalie disse. – Eles parecem ter provas o suficiente contra ela e pelo que eu ando vendo e lendo, ela não tem nada a favor. Realmente, em um caso como um desse, tudo o que se pode fazer é rezar por um milagre ou torcer para conseguir um acordo.
Eu respirei fundo e engoli em seco, preferindo não falar nada. Pedi licença, mentindo que ia ao banheiro e fui até o meu antigo quarto, onde me sentei na cama e coloquei o rosto entre as mãos.
- Edward?
Eu ergui minha cabeça e murmurei um 'entre' quando vi Alice parada ali, um sorriso triste no rosto. Eu a olhei, esperando que ela me falasse alguma coisa – qualquer coisa – que pudesse aliviar o que eu estava sentindo.
Mas ela ficou calada.
- Me fala alguma coisa – implorei. – Qualquer coisa que me faça entender porque essa garota importa tanto, porque que com ela as coisas ultrapassaram o contato profissional. Me deixa entender.
Minha irmã suspirou.
- Tem certeza de que eu preciso falar alguma coisa? – indagou-me. – Está mais do que na cara, Edward, só que você ainda não admitiu.
- Admiti o que? – murmurei, ainda me sentindo completamente confuso.
- Você está apaixonado por essa garota, Edward.
Eu congelei durante algum tempo, querendo, com todas as forças, negar aquilo que eu estava sentindo.
Mas parecia que era isso, por mais que eu quisesse negar.
Eu estava apaixonado por Isabella Swan.
Minha paciente, que estava presa.
- Não posso... – sussurrei. – Não...
- Qual é a outra resposta? – perguntou. – Que ela precisa de apoio? Não duvido disso, mas tem certeza de que é só isso?
- Não importa, Alice – sorri sem humor algum. – Não vai fazer diferença nenhuma. Não posso mudar as coisas, não posso impedi-la de ser condenada.
E dessa vez, nem Alice tinha uma resposta para mim.
Assim que terminei de jantar com meus pais, segui para meu apartamento, falando que estava cansado e precisava acordar cedo no dia seguinte. Minha mãe ainda insistira para que eu dormisse lá, mas eu recusei.
Precisava ficar um pouco sozinho.
Não havia nada que eu pudesse fazer agora que eu descobrira que estava apaixonado por uma paciente minha. Podia recomendar outro psicólogo, se houvesse algum.
Ela precisava de apoio agora... E eu realmente não sabia se iria conseguir me afastar dela.
Dormir foi um desafio, mas ultimamente vinha sendo há algum tempo. Porém, em algum momento consegui, somente pensando que, no dia seguinte, eu veria Isabella.
Bella POV.
Foi bom conversar com Edward. Meia hora não parecia ser o suficiente, mas antes isso do que nada. Consegui dormir um pouco melhor naquela noite, feliz por ter conversado com ele. Tinha medo de que ele fosse embora daqui e eu tivesse que conversar com outro psicólogo.
No dia seguinte, estranhei quando me disseram que eu tinha visitas.
Eu realmente tinha achado que não podia receber visitas antes do julgamento.
Adentrei a sala – que foi trancada logo após – e fitei a mulher que eu nunca havia visto na vida sentada ali.
Havia duas guardas, uma de cada canto da sala, me observando.
Eu me sentei na cadeira, ainda algemada e fitei a mulher à minha frente.
- Você deve ser Isabella Swan – sorriu para mim, falando baixo. – Eu sou Alice Cullen, irmã do Edward.
Congelei durante alguns segundos, fitando aquela pessoa desconhecida.
- Eu... – gaguejei. – Eu estou um pouco confusa aqui.
- Eu só queria vir aqui, conversar um pouco com você – deu de ombros. – Não é algo normal, eu confesso. Mas vi você na TV, Edward comentou que seu julgamento era amanhã...
- Ah, sim – assenti, me repreendendo por ter me deixado afetar ao pensar que Edward falava de mim.
- Eu só vim te dizer que estou torcendo por você – sorriu. – E tenho certeza de que meu irmão também. Não posso ficar muito, eles me deram apenas dez minutos, mas era isso...
- Obrigada, acho – franzi a testa, ainda confusa com tudo aquilo.
- Boa sorte, Bella. - Ela sorriu. – Posso te chamar de Bella, não posso?
- Acho que sim – mordi o lábio inferior, ainda hesitante.
- Boa sorte mais uma vez. – Levantou-se. – Isso era tudo.
E eu apenas fiquei ali, vendo-a se afastar, ainda sem entender nada.
Eles me acordaram mais cedo na quarta.
Fui levado para o banheiro, onde tomei banho e lavei a cabeça. Eles secaram meu cabelo logo depois e me deram uma roupa formal para vestir. Eu me vesti e eles me deixaram olhar um espelho.
Havia tanto tempo que eu não via como eu estava.
Eu fui levada até o tribunal, onde estavam várias pessoas que eu nunca tinha visto na vida. Sentei-me, somente à espera de que tudo começasse logo.
Fui levada para ser interrogada pelo juiz, como era de praxe em todo julgamento criminal. Eu fiz o juramento e fui interrogada por ele. Contei o que havia acontecido naquele dia e acabei por chorar. Eu tentei controlar lágrimas, mas não consegui. O Ministério Público foi o próximo a falar. Eles tinham provas contra mim. Digitais, DNA.
Mas é claro que eles teriam isso! Eu tinha ficado com meus pais naquela noite, eu tinha os abraçado, eu tinha conversado com eles e tocado nas coisas deles. Mas o pior foi que a faca tinha impressões minhas e dos meus pais. Eles haviam sido assassinados com a faca da própria casa. E eu me lembrava de tê-la utilizado na noite anterior, quando fui ajudar com o jantar.
Meu advogado foi o próximo a me interrogar. Ele me fez essa pergunta e eu lhe expliquei. Eu tinha, sim, usado a faca, para preparar o jantar na noite anterior. Isso não queria dizer que eu os havia matado.
Em seguida, vieram testemunhas. Milhares de testemunhas.
Alguns eram vizinhos dos meus pais, que não haviam notado nada de estranho, que falaram que eu era uma boa filha e que não achavam que eu fosse capaz de matá-los. Outros disseram que não tinham visto nada de estranho naquela noite.
Eles logo entraram em recesso e eu fui informada de que teria de comparecer no dia seguinte novamente.
E assim foi.
No dia seguinte eu voltei, vendo as fotos dos meus pais. Assassinados. E eu quase vomitei quando vi que faltavam alguns dedos das mãos.
Eu não podia fazer uma coisa dessas com meus pais, eu nunca seria capaz. Como eles podiam me acusar dessa forma?
Depois de horas e horas, os jurados se retiraram para votarem. Fomos levados a salas diferentes e não podíamos sair, exceto para ir ao banheiro. Eu sentia meu coração palpitar contra meu peito. Em breve eles anunciariam a sentença.
Em breve eu saberia se era culpada ou inocente.
O tempo passou – e pareceu uma eternidade para mim – até que nos chamaram de volta. Eu me sentei e esperei o juiz falar.
- Sobre a acusação de homicídio qualificado, como o júri se pronuncia? – indagou o juiz.
Eu realmente não sabia como ainda estava viva. Meu coração batia de forma acelerada.
- Nós declaramos a acusada, Isabella Marie Swan, culpada.
Eu perdi todo o fôlego que eu tinha naquele momento.
Não sei o que aconteceu depois, nem o que o juiz falou. Mas algum tempo depois, vi como todos pareciam prender a respiração e eu olhei para meu advogado, confusa.
- Você foi condenada à morte. – Ele sussurrou, fazendo-me perder completamente o chão.
-X-
N/A: Hm... Oi? Devo me esconder ou algo assim?
Não me matem, por favor! Eu sei que vocês devem estar querendo muito saber o que vai acontecer, mas relaxem, respirem e confiem em mim! É tudo o que posso dizer.
Então, não sei se fui muito bem quanto ao julgamento, mas escrevi da melhor maneira possível.
Espero que tenham gostado. Até o próximo!
Qualquer dúvida ou alguma outra coisa, tenho um twitter e tal (deh_cc)
Obrigada pelo carinho de vocês, ok? A gente se fala mais amanhã.
Besos besos
