Edward POV.

Quando eu me levantei no dia seguinte, preparando-me para ir trabalhar, fiquei pensando se poderia arrumar alguma desculpa para ir conversar com Isabella.

Eu queria dar todo o apoio possível.

Sabia que era errado, ainda mais depois de ter descoberto o que descobri, mas eu simplesmente não podia evitar. Passei o resto do dia assim e segui para a casa dos meus pais, onde eu pretendia dormir, já que fazia um tempo desde a última vez.

- Edward! – Escutei Alice gritar, do andar de baixo da casa de meus pais e suspirei. Eu realmente devia ter ficado em casa.

Não demorou muito para que a minha irmã estivesse na porta do meu quarto, sorrindo um pouco.

- O que foi, Alice? – perguntei, sem humor algum.

- Eu fui visitar a Bella hoje?

Eu parei de mexer nas minhas roupas e a olhei, confuso. Bella?

- Bella? – ergui uma sobrancelha.

- Sim – revirou os olhos. – A Isabella. E não me xingue, eu não disse sobre sua paixão. Meio que... hmmm... fui prestar meu apoio a ela.

- Alice, eu...

- É sério, Edward. – Ela se aproximou. – Eu só quis desejar boa sorte. Eles me deixaram ficar só dez minutos lá. Não fiz e nem falei nada demais.

Suspirei.

- Tudo bem, mas... você já se tornou assim tão íntima para chamá-la de Bella?

- Eu pedi – deu de ombros, sorrindo. – E ela deixou.

Antes que eu pudesse falar qualquer coisa Alice se virou e saiu do meu quarto, fazendo-me suspirar e me sentar na cama.

Afundei meu rosto entre minhas mãos e suspirei.

Estava indo longe demais... Eu já devia ter me afastado há muito tempo.

Mas não podia, de alguma forma, não conseguia...

Parecia ser tarde demais para voltar atrás.

Eu me mantive ansioso durante toda a quarta e quinta feira, maluco para que sexta chegasse. Sabia que eles deveriam ter anunciado o final do julgamento na TV, mas eu queria saber de Isabella.

Eu queria ouvir da boca dela que tudo tinha acabado bem.

Cheguei para trabalhar na sexta cedo, mesmo sabendo que Isabella só viria no último horário disponível. Passei a tarde toda ansioso, torcendo para que o horário dela vir, chegasse logo.

E quando ele chegou, eu quase que estava quicando na cadeira, apenas esperando que ela aparecesse.

Eu sabia que havia algo errado assim que Isabella entrou, de cabeça baixa, os cabelos presos. Ela permaneceu calada enquanto a guarda a algemava e saía da sala.

E a possibilidade de ter dado algo errado fez meu coração se partir em pedaços.

- O que aconteceu? – murmurei.

- Você não sabe?

Pela primeira vez desde que adentrara ali, Isabella levantou o rosto e me olhou, seus olhos cheios de lágrima e seus lábios tremendo. Eu ofeguei, inclinando-me ainda mais na mesa, enquanto mantinha minhas mãos no meu colo.

Eu não podia fazer besteira.

- Não – sussurrei. – Eu queria saber de você o que tinha acontecido no julgamento.

- Eu... – soluçou. A dor na voz de Bella era tanta! Eu nunca a tinha visto daquele jeito. – Eu fui considera culpada, Edward. Eles acham que eu matei meus pais.

Eu sequer pensei duas vezes.

Quando dei por mim, já estava diante de Bella, ajeitando suas algemas e a virando para mim, de modo que pudesse puxá-la para um abraço.

E eu nunca havia me sentido tão bem assim no abraço de alguma mulher. Não era um virgem, nem nada do tipo. Tive meus relacionamentos, mas simplesmente nenhum deles foi para frente.

- Shhh... – Eu tentei limpar suas lágrimas, mas mais vinham. – Se acalma, por favor.

- Isso não é o pior... – Ela fechou os olhos com força, fechando os olhos. – Eu recebi minha sentença, Edward.

Será que... será que Bella iria passar o resto da vida numa prisão?

- Eu fui condenada à morte – sussurrou.

Eu fui condenada à morte. Eu fui condenada à morte. Eu fui condenada à morte. Eu fui condenada à morte.

- Não – murmurei. – Não pode. Não, Isabella, isso é...

- Eu fui – assentiu. – Eu acho que tenho direito de mandar algum documento, recorrer ou sei lá, mas... Eu vou morrer, Edward.

- Não vai – afirmei. – A gente vai dar um jeito, eu prometo.

Naquela sessão, eu deixei que Isabella chorasse tudo o que ela tinha para chorar. Me partia o coração vê-la daquele jeito e saber que ela tinha sido condenada, mas eu tinha que ser forte. Tinha que me segurar... até ela voltar para a cela, pelo menos.

Foi triste vê-la partir naquela noite. Eu queria, mais do que nunca, abraçá-la, cuidar dela, deixá-la dormir nos meus braços. Mas não podia. Ela era presidiária, ela era minha paciente.

E isso não diminuía nem um pouco o que eu sentia por ela.

Eu fui para casa ainda um pouco atordoado com o que Isabella havia falado. Eu tremia quando fechei a porta do apartamento. Para descontar o pouco da raiva que eu sentia, peguei a primeira coisa que vi na minha frente e joguei do outro lado do apartamento, sem me importar se ia ou não quebrar.

Deixei que meu corpo escorregasse pelo chão, uma dor tomando conta do meu peito. Não conseguia acreditar que ela iria morrer. Não podia deixar que isso acontecesse.

Com as mãos trêmulas, peguei meu celular, e disquei para Alice.

Eu realmente precisava de alguém agora.

Alice POV.

Eu sabia que provavelmente o relacionamento entre Bella e Edward não iria para frente, mas eu não podia julgá-lo. Ele estava completamente louco por ela.

E eu estava a caminho de seu apartamento, depois de ouvir a voz quebrada de Edward do outro lado do telefone. Eu não pensei, simplesmente segui até lá.

Para encontrar meu irmão chorando como eu nunca o tinha visto chorar.

- Shhh... – Eu coloquei sua cabeça no meu colo. – O que aconteceu?

- Ela... – soluçou. – Ela... Isabella foi condenada a morte, Alice.

Eu congelei.

Eu nunca havia imaginado que isso ia acontecer. E agora que tinha acontecido, era hora de aconselhar meu irmão a se afastar.

Se afastar antes que fosse tarde demais.

Bella POV.

Foi difícil dormir nas noites que se seguiram. Eu simplesmente ficava fitando o teto da minha cela, sem saber o que pensar ou o que fazer.

Eu já não tinha advogado mais, nem pretendia arrumar outro. Para mim, o que estava feito estava feito. Se eu já tinha poucas esperanças antes, agora eu não tinha mais nenhuma.

Eu não quis comer nem sair. Sabia que não era bom para eu fazer tudo isso, mas eu realmente não estava me importando. Tudo o que eu pensava era em ver Edward, conversar um pouco com ele. Eu não sabia quanto tempo me restava, mas gostaria de gastá-lo conversando com ele.

O fim de semana passou de forma lenta – muito lenta.

Quando a segunda chegou, eu continuava praticamente do mesmo jeito. Tinha comido pouco e tomado um banho, mas eu realmente tinha perdido, de vez, todas as forças que eu tinha para lutar.

Fui levada para a sala de Edward no mesmo horário de sempre, um pouco feliz que eu o teria para conversar.

Eu ergui minha cabeça assim que entrei na sala, para encontrá-lo me fitando com os olhos tristes. Eu tentei sorrir um pouco, mas parecia meio que impossível, então apenas me mantive quieta enquanto me prendiam à cadeira.

- Ei – sussurrou Edward assim que a guarda fechou a porta. – Como está?

- Não sei – murmurei. – Parece difícil de acreditar, às vezes.

- Entendo. Você e seu advogado vão tentar recurso?

- Não – dei de ombros. – Eu nem advogado tenho mais.

- Isabella, isso...

Eu achava tão fofo que ele se preocupasse comigo, mesmo que acreditasse que ele se preocupava assim com todos os seus pacientes.

- Está tudo bem – sorri sem humor algum. – Eu já não tinha esperanças, Edward... Sinceramente, achava que fosse ser julgada como culpada, mas... morrer? Por que eu devo passar por outro julgamento e escutar a mesma coisa?

- Porque tem pessoas que se preocupam com você – sussurrou.

- Quem? – De repente meus olhos estavam cheios de lágrimas. O sonho que eu tive com Edward tomou conta de mim, mas tudo o que eu pude fazer foi balançar a cabeça e tentar afastá-lo da minha mente. – Meus pais estão mortos, Edward. Isso é...

- Eu me importo com você... – ele disse, parecendo hesitante. – E minha irmã veio te ver, não veio? Ela gostou de você...

Eu ri, de forma amarga.

- É claro que você se importa comigo – disse. – Eu sou sua paciente. E sua irmã realmente foi muito fofa vindo aqui e me desejando sorte, mas...

- Eu... – Edward parecia hesitante ou era impressão minha? – Isabella, você tem que tentar.

- Não há mais esperanças, Edward. – Eu realmente já havia aceitado meu destino. – Não mais.

Eu pedi que mudássemos de assunto e conversei um pouco com ele. Não demorou muito para que a guarda viesse me buscar e eu meio que sorri para Edward, antes de ser levada de volta para a minha cela.

Edward POV.

Foi difícil dormir naquela noite.

Alice conversou comigo, disse que achava que era hora de eu me afastar, mas eu simplesmente não podia.

Eu realmente não conseguia mais.

- Você vai acabar se machucando, Edward. – Foi tudo o que ela me disse antes de virar e ir embora.

Mas eu não importava. Porque o futuro era tão incerto, que eu sabia que se não aproveitasse tudo com Isabella agora, eu iria acabar me arrependendo.

E eu não podia deixar isso acontecer.

O final de semana foi difícil, mas eu consegui sobreviver. E eu realmente esperava que Isabella também fosse conseguir.

Mantive-me ansioso durante todas as minhas consultas da segunda, até que o horário de Isabella chegou.

E eu me perdi naqueles lindos olhos tão tristes...

- Ei – sussurrei, logo após a guarda sair. – Como está?

- Não sei – murmurou. – Parece difícil de acreditar, às vezes.

- Entendo. Você e seu advogado vão tentar recurso?

- Não – deu de ombros. – Eu nem advogado tenho mais.

- Isabella, isso...

Ela não iria desistir assim, iria?

- Está tudo bem – interrompeu, sorrindo triste. – Eu já não tinha esperanças, Edward... Sinceramente, achava que fosse ser julgada como culpada, mas... morrer? Por que eu devo passar por outro julgamento e escutar a mesma coisa?

- Porque tem pessoas que se preocupam com você – Eu me preocupo muito com você...

- Quem? – Seus olhos se encheram de lágrimas e tudo o que eu queria era atravessar aquele espaço entre nós e puxá-la para meus braços. – Meus pais estão mortos, Edward. Isso é...

- Eu me importo com você... – interrompi-a, mesmo que estivesse hesitante. – E minha irmã veio te ver, não veio? Ela gostou de você...

Isabella riu.

- É claro que você se importa comigo – disse. – Eu sou sua paciente. E sua irmã realmente foi muito fofa vindo aqui e me desejando sorte, mas...

- Eu... – Eu queria, mais do que nunca, dizer para ela sobre meus sentimentos, mas parecia tão errado... – Isabella, você tem que tentar.

- Não há mais esperanças, Edward – disse. E isso realmente fez meu coração se apertar. – Não mais.

Isabella pediu que mudássemos de assunto, e, embora eu ainda quisesse conversar com ela sobre o fato de ela pedir recurso, aceitei sua decisão.

Eu simplesmente queria que ela tentasse. Perdê-la parecia ser doloroso demais.

E então uma ideia surgiu em minha mente.

Eu tinha que falar com Rosalie.

Rosalie era uma advogada bastante renomada. Eu não tinha pensado nisso antes, mas talvez fosse um bom momento para conversar com ela.

Naquela noite, não dava mais, mas liguei para ela e pedi que me encontrasse amanhã, em um restaurante, sem comentar nada com ninguém.

Ela estava de férias no seu escritório, mas eu tinha certeza de que ela aceitaria.

Passei o resto da noite pensando em como ajudar Isabella. Eu precisava que ela tivesse esperanças, precisava que ela se provasse inocente.

Se desse certo e caso ela saísse da prisão, eu poderia me declarar para ela.

Levantei cedo no dia seguinte, encaminhando-me para a prisão, onde atendi meus pacientes. Na hora do almoço, segui para o restaurante que eu havia marcado com Rosalie e fiquei a espera dela.

- Oi, Edward.

Eu olhei para cima e sorri para minha cunhada, colocando-me de pé para ajudá-la a se sentar. Ela parecia confusa sobre o fato de eu ter marcado um almoço com ela.

Permanecemos em silêncio durante alguns minutos enquanto escolhíamos nossos pedidos. Só depois começamos, de fato, a conversar.

- Então... – começou. – O que eu posso fazer por você?

- Eu preciso que você seja a advogada de Isabella – disse, achando melhor ir direto ao assunto.

- A sua paciente? – franziu a testa, confusa. – Eu achei que ela já tivesse um.

- Ela foi condenada à morte, Rose – suspirei. Nem recurso quer tentar.

- Edward, eu não posso obrigá-la a...

- Eu pago – cortei-a. – Eu só preciso que você lá e converse com ela.

- Você... – Rosalie engoliu em seco. – Você não está apaixonado por ela nem nada, está?

Eu fechei os olhos por um momento, sem saber o que dizer a Rose.

Optei pela verdade.

- Eu estou, embora ela não saiba – sussurrei, sem olhar nos olhos de minha cunhada. – Eu só quero que você tente e vá conversar com ela, Rose. Eu pago tudo, eu prometo.

- Edward, eu... – Eu a fitei e ela me olhou por alguns segundos antes de suspirar. – Tudo bem. Eu vou falar com ela.

- Obrigado – sorri um pouco.

Eu paguei a conta, ignorando Rosalie completamente, antes de seguir para o meu consultório.

Bella POV.

Ficar parada e pensar em como minha vida poderia ter sido caso eu não tivesse ido para a casa dos meus pais naquele dia era algo que agora eu fazia com freqüência.

Eu sentia falta do meu trabalho, da minha rotina, mesmo que ela fosse atarefada e eu não tivesse muito tempo. Sentia falta de sentar e ler um bom livro, tomar um vinho, sair só por sair e respirar o ar puro de Texas. Sentia falta de tudo isso e agora, eu nunca faria nada disso de novo.

Na quarta, na parte da manhã, fui informada de que teria uma visitante. Será que era a irmã de Edward de novo?

Mas não era.

Era uma mulher loira, bem bonita. Seus olhos eram de um azul intenso. Não podia ver suas roupas, já que ela estava sentada. Ela era bonita.

Muito.

- Olá, Isabella – sorriu. – Sente-se, por favor.

Eu assenti, embora eu ainda estivesse confusa.

- Eu sou advogada, meu nome é Rosalie – disse-me. – Sou cunhada do seu psicólogo, Edward Cullen. Ele me pediu para dar uma olhada no seu caso e aqui estou eu, querendo saber porque você não quer tentar o recurso.

Suspirei.

Por que Edward faria uma coisa dessas?

- Eu não acho que vá mudar alguma coisa – sussurrei. – Ninguém parece acreditar em mim.

- Me conta tudo o que aconteceu naquele dia – disse, sorrindo gentilmente. – Eu prometo que serei sincera com você. Não precisa me dar resposta hoje. Eu volto amanhã e você me diz se mudou de ideia.

Eu assenti, sem saber por quê. Contei tudo para Rosalie o que já havia contado para milhares de pessoas.

E ela foi realmente sincera. Eu gostei de conversar com ela, mas ainda estava apreensiva. E ela disse que voltaria no dia seguinte.

Passei o resto do dia me perguntando por quê Edward continuava tentando me ajudar. Eu era, sim, paciente dele, mas milhares de mulheres nessa cadeia também eram...

Por que ajudar só a mim?

Quando chegou a hora de mais uma sessão, eu fui com essa pergunta na cabeça.

Eu iria esclarecer isso hoje.

Permaneci em silêncio enquanto a guarda me prendia à cadeira, fitando os belos olhos verdes de Edward. Era incrível como meu coração parecia bater mais forte por ele à medida que as sessões passavam.

- Oi, Isabella – disse, sorrindo um pouco. – Como estamos hoje?

- Na verdade – comecei, corando um pouco –, eu gostaria de fazer uma pergunta.

- Pode fazer. – Ele se ajeitou na cadeira, parecendo interessado. – Sou todo a ouvidos.

- Por que eu? – indaguei-o. – Por que você tenta me ajuda se tem milhares de pacientes aqui? Por que logo eu?

Edward me fitou durante algum tempo, respirando fundo. Seus olhos verdes se fecharam por alguns instantes e eu continuei olhando-o. Quando ele os abriu, tinha um brilho intenso, o que fez com que meu coração acelerasse ainda mais.

- Eu... – Sua voz rouca fez com que eu me arrepiasse. – Eu preciso confessar uma coisa, Isabella.

Eu assenti, sentindo minha boca seca demais para dizer qualquer coisa.

Edward se levantou e contornou a mesa, cada passo que ele dava para perto de mim fazendo com que meu coração batesse ainda mais rápido. O que ele falaria? O que ele faria?

Edward se abaixou, seus olhos verdes na altura dos meus castanhos. Ele suspirou e sua mão ergueu, acariciando meu rosto.

- Eu... Eu estou apaixonado por você.


N/A: Ei! Pois é, devia ter postado ontem... Mas acabei me esquecendo D: Desculpem-me por isso, sério.

Então, estou postando mais cedinho hoje, com essa revelação do Edward...

Ihh, será no que vai dar, hã?

Bem, por hoje é só. Volto amanhã, ok?

Obrigada por todos os reviews lindos!

Besos ;*