Edward POV.
Ela estava vindo. Mais uma vez, eu teria uma sessão com ela. Não que eu achasse que meia hora era o suficiente, mas se era tudo o que podia ter dela, eu teria.
- Oi, Isabella – sorri um pouco. – Como estamos hoje?
- Na verdade – disse, corando um pouco –, eu gostaria de fazer uma pergunta.
- Pode fazer – ajeitei-me um pouco na cadeira, realmente muito curioso. – Sou todo a ouvidos.
- Por que eu? – indagou. – Por que você tenta me ajudar se tem milhares de pacientes aqui? Por que logo eu?
Eu a fitei durante um tempo e respirei fundo, sem saber o que falar. Fechei os olhos por um momento, travando uma batalha comigo mesmo. Era errado, não era? Mas eu não sabia se tudo com Rosalie iria dar certo, se Bella iria ser inocentada.
Eu precisava tentar.
- Eu... – comecei, sem realmente saber como dizer aquilo. – Eu preciso confessar uma coisa, Isabella.
Eu pensei que ela fosse dizer algo, mas ela apenas assentiu.
Então, tomei coragem e me levantei, contornando a mesa e me aproximando dela.
Poderia meu coração bater assim tão rápido?
Eu me abaixei, deixando meus olhos na altura dos seus. Me perdi, por um momento, naqueles olhos lindos, aquele mar de chocolate, pensando em como ela poderia estar tão linda. Ergui minha mão e acariciei seu rosto, sentindo como sua pele era suave.
- Eu... Eu estou apaixonado por você.
Durante alguns segundos – ou minutos, eu não saberia especificar – ficamos em silêncio, apenas nos observando.
Então, Isabella fechou os olhos e quando os abriu, eles estavam cheios de lágrimas.
- Você não pode estar apaixonado por mim, Edward – sussurrou, deixando duas lágrimas escorrerem por seu rosto. – É errado...
- Eu sei que é errado – assenti –, mas não consegui evitar.
- Eu não posso te dar nada – sorriu triste. – Não posso te dar uma vida lá fora, não posso ser uma namorada normal, nem nada disso.
- Eu estou te pedindo para ficarmos juntos tanto quanto possível enquanto estivermos aqui, Isabella – sussurrei, soando desesperado.
Era irracional, eu sabia. Mas... se ela fosse... morrer, eu saberia que me arrependeria de não ter nem ao menos tentado.
- Por favor – tornei a pedir.
- Eu vou morrer – ela sussurrou de volta. – Por mais que você tenha me arrumado uma boa advogada, eu vou morrer. Eu não quero que você sofra.
- Eu sei do risco que estou correndo – murmurei. – Mas eu quero tentar, Isabella, tentar.
Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, segurei seu rosto entre minhas mãos e a beijei, saboreando o sabor de seus lábios.
- Edward... – sussurrou. – Eu não sei... Realmente, acho que preciso pensar.
Eu suspirei, assentindo, e me levantei, afastando-me dela e voltando a me sentar na minha cadeira.
Ficamos em um silêncio constrangedor até que chegou a hora de ela voltar à cela. Eu a observei se afastar, nossos olhares se encontrando, implorando para que ficasse comigo o tempo que era possível.
Por mais irracional e anti profissional que fosse, eu precisava disso.
Precisava tentar.
Arrumei minhas coisas e segui para a fora da prisão, despedindo-me de Carl com um aceno e já entrando no meu carro. Rumei para casa, sem nenhuma vontade de seguir para a casa de meus pais.
Tomei um longo banho e me dirigi até a cozinha, onde comecei a preparar alguma coisa bem simples para comer. Sentei-me diante da bancada e suspirei, fechando meus olhos, imaginando por um momento que Bella era livre e que estávamos juntos.
Nos imaginei saindo, de mãos dadas, feito adolescentes, apenas porque como era impossível, no momento, isso parecia a coisa mais linda do mundo.
Eu queria Isabella, de uma forma irracional até. Não sabia o que tinha acontecido para me apaixonar por ela, mas não conseguia mais evitar, não conseguia mais fazer nada.
Respirei fundo e coloquei a louça na pia, sentindo-me solitário. Arrastei-me para o banheiro onde escovei os dentes e me joguei na cama, afundando minha cabeça no travesseiro.
E antes de adormecer, o que me veio a cabeça, foram os olhos castanhos de Isabella.
E em como eu queria tirar toda aquela dor deles.
Sexta-feira chegou de forma rápida, o que eu realmente agradeci. Segui para a prisão, desejando que Isabella já tivesse pensado. Alice havia me dito para me afastar, que era o momento e embora parecesse o certo, eu estava torcendo para que pudéssemos ficar um pouco juntos.
Eu lidaria com as consequências depois.
Atendi minhas pacientes e me senti ansioso quando o horário de ver Isabella chegou. Minutos foram se passando e nada dela. Meu coração se apertou no peito e eu me levantei, saindo da minha sala e indo encontrar Carl.
Eu realmente esperava que ela não estivesse machucada novamente.
- Carl! – chamei, indo até seu encontro. Ele sorriu um pouco para mim, se virando. – Sabe alguma coisa de Isabella? Ela não veio à sessão de hoje.
- Sério? – Sua testa se franziu, confusa. – Não soube de nada... Aguarde um instante aqui que vou verificar e já volto.
Eu assenti, respirando fundo e desejando que ela estivesse bem.
Carl não demorou muito, o que eu agradeci, esperando ansioso pelo o que ele faria.
Que ela esteja bem.
- Isabella se recusa a ir à sessão, doutor Cullen – disse-me, o que me pegou de surpresa. – Ela está na cela dela, não quer sair... Sinto muito.
- Tudo bem – assenti, voltando para a minha sala.
Ela não queria me ver... Provavelmente porque eu tinha falado que estava apaixonado por ela...
Desabei na cadeira e coloquei a cabeça entre as mãos, suspirando.
O que eu tinha feito?
Bella POV.
Depois que saí da sala de Edward, eu sabia que tinha que tomar uma decisão sensata por nós dois.
Eu sabia, de alguma forma, que iria morrer. Não tinha esperanças de que tudo fosse dar certo.
E por mais que eu também estivesse apaixonada por Edward e meu coração tivesse acelerado quando ele confessara seus sentimentos por mim, eu sabia que tinha que protegê-lo, tinha que me afastar.
Eu não queria que ele sofresse. Não conseguiria partir sabendo que lhe dei esperanças e o deixei aqui, sofrendo.
Foi difícil dormir naquela noite e ainda mais sobreviver ao dia seguinte. Eu sabia que Rosalie viria e iria querer uma resposta, mas agora, depois do que eu havia descoberto, parecia tão difícil dá-la.
Mas eu aceitei. Aceitei que ela me representasse e conversei com ela sobre minha vida e a vida de meus pais até que chegou a hora de voltar a minha cela.
E amanhã era dia da sessão com Edward de novo.
Eu realmente sabia o que tinha que fazer – não ir mais. Não sabia se eles iriam aceitar, mas eu precisava tentar. Não podia voltar lá, não quando eu parecia incapaz de dizer não a ele.
Para o bem dele, seria bom se eu não o visse novamente.
Foi difícil passar a sexta sem ter Edward para conversar. Eu sabia que, de agora em diante, os dias seriam ainda mais longos, mas eu teria que agüentar. Agüentar até o próximo julgamento e a sentença.
O final de semana se arrastou, como eu imaginava que fosse acontecer. Pela primeira vez, em tempos, quando a segunda chegou, não me encontrei animada.
E quando chegou o horário da sessão com Edward – por mais que meu coração doesse –, eu me recusei a ir.
Imaginei o que ele pensaria, se ficaria bem com isso... Passei o resto da noite pensando nele, na forma que seus lábios se movimentavam contra os meus, se encaixando perfeitamente, como se tivessem sido feitos um para o outro. E por mais que fosse errado e ambos soubéssemos disso, parecia o certo, parecia o destino.
Peguei-me perguntando-me como teria sido se eu tivesse conhecido Edward fora da prisão, se as coisas teriam se encaminhado e estaríamos juntos. Talvez sim, talvez não... E eu realmente nunca saberia.
Foi difícil dormir, e, mesmo quando consegui, acordei diversas vezes. A todo o momento em que fechava os meus olhos, o rosto dele tomava conta de mim.
Os dias se seguiram de forma lenta e torturante, mas passaram. Continuei me recusando a ver Edward, esperando que assim ele pudesse me esquecer. Já fazia uma semana que eu não o via, era uma terça-feira, e eu estava torcendo para que ele estivesse bem, que tivesse superado tudo, que percebesse que era um erro.
Um erro ter se apaixonado por uma presidiária com um fim tão próximo.
- Swan.
Levantei minha cabeça da minha cama nada confortável e fitei a guarda. Franzi a testa, confusa. Eu não tinha nada para fazer hoje.
- Visita para você.
Assenti, me levantando e me sentindo ainda meio confusa. Rosalie disse que viria só amanhã na sua última visita... O que ela estaria fazendo aqui?
E levei um susto ao encontrar Edward sentado no lugar do visitante, seus olhos verdes e penetrantes me fitando com atenção.
- Eh... Hmmm... – Eu olhei para os guardas que estavam no canto da sala e tornei a olhar para ele, me sentindo extremamente confusa.
- Isabella. – Ele assentiu educadamente, sua voz roupa carregando uma dor que me deixou com o coração apertado. Eu tinha feito aquilo com ele.
Eu continuei parada no mesmo lugar, abrindo e fechando a boca e sentindo minhas bochechas corarem. O que ele estava fazendo ali? Por quê? Eu pensei que tivesse sido clara que não queria – na verdade, não podia – vê-lo quando comecei a ignorar suas sessões.
Era melhor assim. Para ele.
- Por que você não se senta? – indagou-me.
Eu suspirei pesadamente, fechando os olhos por um momento enquanto continuava tentando buscar coragem. Falávamos baixo, mas eu não tinha certeza se os guardas estavam nos escutando.
- É melhor não – desviei os olhos dos dele e fitei o chão, respirando fundo.
- Eu preciso conversar com você – disse-me – e seria melhor se estivesse sentada.
- Não temos nada para conversar – murmurei, ainda olhando para o chão.
Olhei-o por um segundo, encontrando suas mãos fechadas em punho, seus olhos ainda em mim. Eu sabia, de alguma maneira, que estava custando todo o esforço que ele tinha para não levantar e me puxar para seus braços. Mas ele não podia – ele sabia disso melhor do que ninguém.
- Eu acho melhor o senhor ir embora, doutor Cullen – disse, em alto e bom som. – Eu não quero mais ir às sessões, respeito isso, por favor.
Eu me virei, pedindo para que me levassem a cela, e esperando enquanto a guarda destrancava o portão de ferro.
Não olhei para Edward nenhuma vez enquanto era levada de volta.
E só me permiti chorar quando estava sozinha. Sozinha na minha cela.
O lugar que seria meu lar até o fim dos meus dias, literalmente.
Edward POV.
Foi a pior semana da minha vida, por mais exagerado que isso pudesse soar. Mergulhei de cabeça no trabalho, tentando pensar em uma maneira de fazer com que Isabella voltasse às sessões. Ela se recusou a ir na quarta e na sexta... E agora esse fim de semana estava sendo o mais longo de todos.
Porque, de alguma maneira, eu ainda tinha esperanças que ela fosse mudar de ideia e fosse aparecer na segunda.
Saí do banho e coloquei uma roupa confortável, já que não pretendia sair naquele fim de semana. Minha mãe havia ligado, perguntando se eu não queria ir lá no dia seguinte, mas eu recusei, educadamente, dizendo que estava ocupado com negócios do trabalho.
Era o melhor a se fazer. Eu realmente precisava ficar um pouco sozinho agora.
Foi difícil dormir, como esses dias vinham sendo, mas eu consegui em algum momento. Acordei cedo no dia seguinte, mas permaneci na cama, apenas ligando a televisão.
E foi quando meu celular tocou.
- Alô? – Atendi sem nem olhar quem era.
- Edward Cullen! – A voz de Alice soou do outro lado. – Você anda sumido.
Eu ri um pouco.
- Eu trabalho, Alice – disse, não querendo tocar no assunto Isabella.
Minha irmã permaneceu calada durante algum tempo.
- Estou indo até aí – disse. – E não aceito não como resposta.
Suspirei.
- Tudo bem, te espero então.
Desliguei o telefone e a televisão e segui para o banheiro, onde tomei um banho rápido. Segui até a cozinha, onde preparei qualquer coisa para comer.
Estava comendo quando Alice chegou.
- Desembucha – disse, em tom mandão, assim que abri a porta.
- Olá para você também, Alice – revirei os olhos. – Seja bem-vinha a minha casa.
- Não venha com essa, Edward – jogou-se no meu sofá. – Você não é de sumir assim... O que aconteceu?
Suspirei pesadamente.
- Nada com o que você deva se preocupar – murmurei. Alice havia sido bem clara quando disse que achava melhor eu me afastar de Isabella. – Eu vou dar um jeito.
- Alguma coisa com a Bella, não é? – indagou.
Eu pensei em mentir, mas parece que desviar os olhos e olhar para o chão foi o suficiente.
- Eu sei o que eu te disse, mas eu realmente estou preocupada com você, Edward – sussurrou. – Então, por que você não me diz?
- Eu contei a ela sobre meus sentimentos – confessei, após olhá-la por um minuto. – Ela parou de ir às minhas sessões.
Alice ofegou.
- Por que disse a ela? – indagou.
Eu contei a ela sobre a conversa que havia tido com Rose e sobre o que Bella havia indagado. Ela ouviu tudo atentamente, assentindo uma hora ou outra.
- Eu continuo achando que você devia se afastar – disse-me quando terminei –, mas se você acha que é o certo... Bom, Edward, vá falar com ela.
- Como? – sussurrei. – Ela se recusa a me ver, Allie.
- No horário de visitas, então – deu de ombros. – Peça folga no escritório e vá vê-la numa tarde.
Eu pensei por um momento e assenti.
Se era tudo isso que eu teria, iria agarrar com todas as forças.
Dei uma chance para Isabella, mas ela não apareceu na segunda. Então, tudo o que pude fazer foi pedir a minha secretária que adiasse duas consultas da terça a tarde e ir falar com ela.
Estacionei meu carro no lugar de sempre e adentrei a prisão. Fui registrado, minhas coisas foram guardadas... Conversei com o diretor, explicando-lhe a minha situação e ele aceitou que eu a visitasse por um tempo maior.
Cheguei até o local de visitar e sentei-me na cadeira e fiquei ansiosamente esperando por ela.
E eu realmente prendi meus olhos nela assim que ela apareceu, imediatamente congelando ao me ver ali.
- Eh... Hmmm... – Isabella parecia confusa, olhando ao redor, encarando todos os guardas. Seu olhar voltou-se, então, para mim.
- Isabella – disse, deixando tudo o que eu sentia vir à tona ao pronunciar o nome dela.
Ela continuou parada e sua boca abria e fechava, enquanto suas bochechas coravam. Ela era tão linda. Fitei-a por algum tempo, esperando que ela falasse alguma coisa, mas ela não falou.
- Por que você não se senta? – indaguei-a.
Isabella suspirou, fechando os olhos por um momento.
- É melhor não – murmurou, desviando os olhos dos meus e respirando fundo.
- Eu preciso conversar com você – disse – e seria melhor se estivesse sentada.
- Não temos nada para conversar – tornou a murmurar, ainda fitando o chão.
Eu a fitei intensamente, tentando me controlar. Como eu queria cruzar aquele espaço e puxá-la para meus braços. Mas não podia, não devia.
Tinha que me controlar.
- Eu acho melhor o senhor ir embora, doutor Cullen – disse ela, em voz alta. – Eu não quero ir mais às sessões, respeite isso, por favor.
E antes que eu tivesse a chance de fazer alguma coisa, ela tinha se virado. E foi levada de volta para a cela.
Sem me ouvir, sem me deixar explicar nada.
E agora? Como eu iria provar a ela que se afastar de mim não era a solução, que nada faria com que esses sentimentos fossem embora?
Assim que saí da prisão, liguei para Alice. Precisava conversar com ela, pedir ajuda. Eu realmente queria estar com Isabella. Mesmo que tudo desse errado, eu queria ter tentado.
- Edward! – gritou, animada. – Como foram as coisas?
- Nada bem – suspirei. – Você pode me encontrar ou algo assim? Queria mesmo conversar com você.
Nós marcamos de nos encontrar em uma lanchonete que havia perto de seu trabalho. Eu segui para lá e estacionei, já entrando e me sentando.
- Apenas um café – disse à garçonete.
Não demorou muito para que Alice chegasse, sentando-se a minha frente e soltando um suspiro engraçado.
- O que foi? – indaguei-a.
- Jasper não me dá paz – revirou os olhos. – Insistindo para sair comigo.
Eu sorri para ela.
- Saia com ele, então – dei de ombros.
- Depois eu vejo isso. – Então ela se inclinou, olhando em meus olhos. – O que aconteceu na conversa com Bella hoje?
- Nada – suspirei. – Simplesmente nada.
Expliquei a ela como havia sido e ela ouviu atentamente, como sempre.
- Eu só quero tentar, Alice – confessei. – Por mais que o futuro seja incerto e seja loucura, eu quero tentar.
- Eu sei disso, Edward – sorriu para mim. – E eu vou te ajudar e te apoiar, embora pense que isso é loucura. A gente vai dar um jeito.
Eu somente assenti, sorrindo um pouco para ela e me concentrando no meu café. Eu esperava conseguir falar com Bella, explicar-lhe tudo.
Queria tentar ter algo com ela, ver no que isso vai dar.
Tentar. Somente isso.
N/A: Pois é. Bella tentando fazer o que acha que é certo - e eu até concordo com ela, já que foi condenada a morte e tal -, enquanto Edward querendo tentar e tentar.
No que será que vai dar, hein?
:x
Espero que gostem.
Até amanhã!
