Bella POV.

A quinta-feira passou de forma lenta. Eu simplesmente não conseguia tirar o sorriso de meus lábios, enquanto pensava no que tinha acontecido entre Edward e eu. Só de pensar nos beijos meu coração se acelerava e eu sentia uma imensa vontade de adiantar o tempo, apenas para que estivéssemos juntos de novo.

Eu sabia que isso era idiotice, mas tudo o que Edward e Rosalie haviam me falado não saía da minha mente. Eu queria aquilo, tanto quanto ele... Então, deixaria as coisas rolarem e torceria para que – caso tudo desse errado –, Edward conseguisse me superar rapidamente.

Fiz tudo no modo automático naquele dia, ansiosa pela sexta como nunca. Rolei na minha nada confortável cama em minha nada agradável cela por mais tempo do que eu pensaria ser capaz, até que enfim caí no sono.

E logo era sexta-feira.

O dia parecia estar arrastando e eu andava de um lado para o outro da minha cela, esperando pelo momento em que eu veria Edward.

- Swan?

Eu fitei a guarda, assustada por ela ter me tirado de meus devaneios. Segui-a enquanto ela caminhava pelos corredores da prisão, me levando à sala.

A sala de Edward Cullen, meu psicólogo e o homem pela qual eu me encontrava apaixonada.

A guarda abriu a porta e eu adentrei a sala, sem querer olhá-lo. De repente, o medo de Edward ter mudado de ideia me atingiu e eu corei, pensando no que faria caso realmente acontecesse.

Talvez fosse o melhor para ele... Talvez ele tivesse dado conta disso.

Fui prendida à cadeira e permaneci de cabeça baixa até que ouvi o barulho da porta se fechando. Respirei fundo e tomei a coragem de olhar para cima, apenas para ver Edward me fitando.

- Oi... – murmurei, mordendo o lábio inferior.

- Oi, Isabella – murmurou também, seus olhos verdes me analisando.

Nós permanecemos calados durante alguns segundos, em um silêncio constrangedor. A realidade bateu dura e forte em mim: ele havia mudado de ideia.

O melhor para ele. Apenas o melhor para ele.

E por mais que eu estivesse tentando me convencer com aquela frase, de que tudo era o melhor para Edward, eu não conseguia tirar a dor que havia se instalado no meu peito. Não conseguia e nem podia.

- Eu... – Edward pigarreou. – Eu estou um pouco confuso aqui.

Voltei minha cabeça para ele e o fitei, sem entender o que ele queria dizer com aquilo.

- Pensei que tivéssemos feito um progresso – admitiu timidamente.

O alívio que tomou conta de mim era errado, mas me liberou de um grande aperto no coração. Edward não tinha mudado de ideia.

- Pensei que tivesse mudado de ideia – corei um pouco, me sentindo extremamente envergonhada.

Edward riu um pouco e se levantou, caminhando até a mim com passos meio hesitantes. Ele se ajoelhou e sorriu, acariciando o meu rosto.

- Eu nunca mudaria de ideia – sussurrou. – Sou louco por você, Isabella.

Os lábios de Edward tomaram conta dos meus não muito depois. Eu suspirei de felicidade, sentindo vontade de tirar as algemas; assim eu poderia puxá-lo para meus braços.

O beijo foi longo e durou até que ambos estivéssemos ofegando em busca de ar. Edward se afastou somente um pouco, sorrindo lindamente para mim e eu simplesmente sorri de volta.

Ali, com ele, eu simplesmente não conseguia pensar em problemas nem nada do tipo. Sentia uma paz enorme, uma vontade de ficar ali para sempre...

Só que eu não podia.

Edward ficou ali na minha frente até faltar poucos minutos para a guarda vir me buscar.

Nós ficamos nos olhando até a porta ser fechada e eu fui levada de volta à minha cela, enquanto tentava conter o sorriso bobo no rosto.

Não sabia até quando Edward iria me querer ou até quando essa felicidade iria durar, mas eu aproveitaria. Eu simplesmente deixaria rolar.

Edward POV.

Todos na sala da casa de meus pais ficaram em silêncio depois de minhas palavras. Eu permaneci parado também, enquanto meus olhos percorriam o rosto de cada um deles. Simplesmente não sabia o que dizer ou fazer agora. Deixaria que algum deles falasse primeiro.

Mas, alguns minutos depois, quando nenhum deles deu sinal de que iria falar alguma coisa, eu comecei a me sentir desesperado.

- Eu sei que é errado – admiti. Todos ainda me encaravam. – Mas não consegui evitar. Sei também que ninguém aqui vai concordar comigo ou apoiar... Só que eu tive que contar. Não podia ficar mais guardando isso para mim.

Eles ainda continuaram calados. Rosalie e Alice apenas observavam a reação de todos.

- Falem alguma coisa, por favor – sussurrei.

Meu pai se ajeitou no sofá e limpou a garganta.

- Isso foi... inesperado – disse. – Pensei que fosse dizer qualquer outra coisa, não isso.

- É... – mamãe murmurou. – Você tem certeza disso, filho? Quer dizer... não é querendo ser chata nem nada do tipo, ou soar como mãe, mas ela não pode te dar um futuro, Edward. Os dias dela estão contados e, por mais que você acredite que ela é inocente, isso não vai mudar as coisas.

Eu não briguei nem discordei da minha mãe. Eu sabia que ela estava certa.

- Eu sei, mãe – sorri triste –, mas é justamente por termos esse pouco tempo que eu quero aproveitar. Não estou pedindo que fiquem felizes por mim, comecem a me apoiar e fazer planos para o futuro. Só estou contando para vocês... No futuro, dependendo do que vai acontecer, deixe que eu lide com as consequências.

Não foi uma conversa fácil e ninguém ali parecia feliz, mas eu fui embora para casa me sentindo melhor.

Eu simplesmente não podia desistir de Isabella.

No dia seguinte, quando chegou a hora de ela aparecer, eu me encontrava extremamente ansioso. Eu realmente queria vê-la, beijar aqueles lábios e puxá-la para mim.

Tanto o quanto era possível, é claro.

A porta se abriu e Isabella e a guarda adentraram o local. Ela foi presa à cadeira sem me fitar nem por um momento.

Só quando a porta de fechou novamente que Isabella olhou para cima.

- Oi... – murmurou, mordendo o lábio inferior.

Ela tinha mudado de ideia? Ela tinha decidido voltar atrás?

Não... Eu não saberia lidar com isso.

- Oi, Isabella – murmurei também, sem deixar de olhá-la nem por um segundo.

Um silêncio constrangedor tomou conta do local, enquanto eu tentava conter o desespero que queria tomar conta de mim. Ela não podia ter mudado de ideia.

- Eu... – pigarreei, decidindo que não podia mais suportar aquele silêncio. – Eu estou um pouco confuso aqui.

Ela me fitou, finalmente, parecendo confusa.

Então decidi que tinha que ser mais claro.

- Pensei que tivéssemos feito um progresso – admiti, me sentindo muito tímido.

Desde quando eu ficava assim?

Isabella soltou um suspirou aliviado.

- Pensei que tivesse mudado de ideia – disse, corando um pouco.

Simplesmente linda. E boba.

Eu ri um pouco, tomando coragem e finalmente levantando. Contornei a mesa e me pus diante dela, ajoelhando diante dela. Sorri e acariciei seu rosto corado.

Como eles a tinham declarado culpada? Era impossível acreditar nisso enquanto eu a via assim tão de perto.

- Eu nunca mudaria de ideia – sussurrei. – Sou louco por você, Isabella.

Eu sempre acabava falando demais quando estava diante dela e tinha realmente medo de assustá-la, mas aquela declaração escapou de meus lábios antes que eu sequer pensasse nisso.

Inclinei-me então e tomei seus lábios nos meus.

Nós ficamos juntos tanto quanto possível até que o horário de a guarda buscá-la estava chegando. Meia hora parecia nunca ser o suficiente.

E nunca seria.

Os dias foram se passando e logo estávamos em junho. Meu aniversário se aproximava, mas eu realmente não me encontrava ansioso para isso. Ele daria em um domingo, o que significava que eu não o passaria com Isabella.

Meus pais ainda conversavam direto comigo sobre o fato de eu estar apaixonado. Eu realmente acho que eles pensavam que com o tempo eu fosse perceber que era uma loucura e iria me afastar, mas eu não podia.

Eu já havia levado fotos de minha família para Bella. Queria que mesmo não sendo pessoalmente, ela conhecesse um pouco das pessoas que eu amava.

Na sexta-feira, dois dias antes do meu aniversário, eu decidi contar a ela o que aconteceria no domingo.

- No domingo eu vou jantar com minha família – sussurrei, ajoelhado próximo a ela.

- Sério? – sorriu. – Isso é bom.

- É – dei de ombros. – É meu aniversário e tal... Eu queria que você fosse também...

Eu me arrependi de ter dito aquilo um segundo depois, quando vi os olhos tristes de Isabella desviarem dos meus.

- Desculpa – pedi, puxando seu rosto para o meu. – Eu não devia ter falado isso.

- Tudo bem – sorriu, embora seus olhos estivessem cheios de lágrimas. – Tem tanto que eu queria te dar e não posso.

- Ei... – Aproximei-me mais dela. – Não começa com isso.

- Mas...

- Isabella – disse, colocando um dedo sobre seus lábios –, chega de falar disso, ok?

- Não me chama de Isabella – murmurou. – Já te pedi para me chamar de Bella...

Eu sorri para ela e me aproximei, dando um beijo em seus lábios.

- Chega de falar disso, Bella – sussurrei. – Vai dar tudo certo.

Ela assentiu, mas eu ainda podia ver que seus olhos castanhos estavam tristes.

Despedi-me dela pouco depois, deixando que ela comandasse um beijo.

- Feliz aniversário adiantado – sussurrou. – Eu espero que você se divirta com sua família.

- Obrigado – sorri. – E fique bem, por favor. Eu vou morrer de saudades de você.

Eu a vi sendo levada para cela desejando mais do que nunca que Rosalie conseguisse provar sua inocência. Eu queria muito ter uma vida com Isabella Swan fora daqui.

O domingo chegou rápido e eu acordei pensando em Isabella. Esperava que ela não tivesse ficado muito chateada com o que tinha acontecido na sexta. Esperava que no meu próximo aniversário, ela pudesse estar aqui comigo.

Recebi parabéns de minha família pelo telefone e marcamos de nos encontrar para jantar no meu restaurante preferido. Não quis sair durante a tarde, então fiquei em casa, ora vendo as fichas dos meus pacientes, ora assistindo um filme.

Pouco antes do horário do jantar, fui me arrumar e depois segui direto para lá.

Quando eu cheguei todos já se encontravam devidamente acomodados. Os braços da minha mãe foram os primeiros que me rodearam, enquanto ela dava um beijo estalado na minha bochecha.

- Parabéns, querido. – Ela se afastou um pouco e eu pude ver o grande sorriso que tomava conta do seu rosto.

- Obrigado, mãe – sorri também. – De verdade.

Meu pai e Emmett vieram logo em seguida, seguidos por Alice e Rose.

- Onde está Jasper? – indaguei a Alice.

- Ele iria tocar hoje – revirou os olhos. – E para de me olhar assim, Edward. Somos só amigos.

O jantar foi agradável. Eu realmente ainda pensava em Isabella e em como as coisas seriam caso ela estivesse aqui. Mas decidi me focar na minha família, porque ela não ficaria feliz caso soubesse o que se passava na minha mente.

É só que eu realmente sentia muita falta dela.

Despedi-me de meus familiares um pouco tarde naquela noite e segui direto para o meu apartamento. Tomei um banho e coloquei uma cueca, me jogando na cama logo depois.

Eu queria vê-la, eu queria beijá-la.

Eu estava me tornando, a cada dia que passava, mais viciado nela.

Bella POV.

Chegava a ser engraçado como os dias pareciam passar de forma rápida. Junho não demorou a chegar e eu não sabia se temia ou se agradecia a isso. Logo eu teria uma audiência, logo eu seria julgada novamente.

Eu estava morrendo de medo.

É claro que eu sentia medo antes, mas agora – que eu sabia dos sentimentos de Edward por mim e os meus por ele se tornavam a cada dia mais fortes – eu tinha medo de ser julgada como culpada novamente.

Eu não iria agüentar.

Edward e eu estávamos cada vez mais próximos – tanto quanto possível dentro de uma prisão, claro. Ele havia levado fotos da família para eu conhecer. Eu fiquei feliz com isso e desejei poder conhecê-los pessoalmente, sair daqui... Desejei ter o conhecido quando meus pais ainda estavam vivos. Eles teriam adorado Edward.

Mas desejar não tornava as coisas reais.

- No domingo eu vou jantar com minha família. – Edward sussurrou, me tirando de meus devaneios. Ele estava ajoelhado próximo a mim.

- Sério? – sorri. – Isso é bom.

- É – deu de ombros, não parecendo muito animado. – É meu aniversário e tal... Eu queria que você fosse também...

Imediatamente a culpa e a dor no coração me invadiram, fazendo com que eu desejasse ter me afastado de Edward novamente. Ele merecia alguém presente, alguém completo.

Não uma culpada.

- Desculpa. – Edward pediu, puxando meu rosto para o seu. – Eu não devia ter falado isso.

- Tudo bem – sorri, mesmo sabendo que meus olhos estavam tomados pelas lágrimas. – Tem tanto que eu queria te dar e não posso.

- Ei... – Ele se aproximou um pouco mais. – Não começa com isso.

- Mas...

- Isabella – cortou-me, colocando um dedo sobre meus lábios –, chega de falar disso, ok?

- Não me chama de Isabella – murmurei. – Já te pedi para me chamar de Bella...

Ele sorriu um pouco e se aproximou, depositando um beijo nos meus lábios.

- Chega de falar disso, Bella – sussurrou, ainda próximo de mim. – Vai dar tudo certo.

Eu assenti, implorando para que aquilo fosse verdade. Tinha que dar certo. Se não desse, eu estaria completamente perdida.

Nós nos despedimos pouco depois, com um beijo intenso e cheio de significados.

- Feliz aniversário adiantado – sussurrei. – Eu espero que você se divirta com sua família.

- Obrigado – sorriu. – E fique bem, por favor. Eu vou morrer de saudades de você.

Eu também, Edward. Eu sempre morro.

Eu fui levada pouco depois para a cela, tentando conter as lágrimas.

A verdade é que se eu fosse julgada como culpada novamente, eu nunca seria digna e completa de Edward. Nosso relacionamento seria algo impossível.

Nós nunca poderíamos passear pelas ruas, ir ao cinema, jantares... Nunca daríamos presentes um para o outro de aniversário, dia dos namorados, natal... Eu nunca poderia fazer qualquer coisa dessa com ele.

E estaria o privando de ter isso com outra pessoa também.

Já na minha cela, desejei que Edward nunca tivesse se apaixonado por mim. Seria mais fácil, tão mais simples só desistir.

Por que quais seriam os motivos que eu teria para viver caso ele não tivesse se apaixonado por mim?

O final de semana se passou mais lentamente do que geralmente passava. Eu estava louca para que a segunda chegasse, para que eu pudesse estar com Edward novamente.

E quando chegou, eu mal podia conter minha felicidade.

- Ei... – sussurrei, assim que fomos deixados a sós. – Senti sua falta.

Ele sorriu também e contornou a mesa, já se ajoelhando e aproximando nossos rostos.

- Eu também senti sua falta, amor – murmurou, encostando nossos lábios de volta. – Como foi seu final de semana?

- Chato – dei de ombros. – E o seu?

- Longo – murmurou de volta. – Todos os dias são longos quando estou longe de você.

E lá estavam elas: as lágrimas.

- Ei, o que foi? – Ele tentou limpar as lágrimas, mas outras vinham atrás daquela.

- Estou com tanto medo, Edward – confessei. – Estou com tanto medo de ser julgada novamente.

- Vai ficar tudo bem. – Edward repetia aquilo com convicção toda vez, mas eu sabia que ele também estava um pouco assustado. – Vai dar tudo certo.

- E se não der? – indaguei. – Eu não posso partir sabendo que te deixei aqui, Edward, e sofrendo. Não posso...

- Para de falar isso, Bella – implorou. – Por favor. Eu não posso te perder, eu...

Foi uma noite tomada pelas lágrimas.

Ficamos próximos tanto quanto era possível. Beijos foram distribuídos e lágrimas derramadas, como se fosse a última vez.

A verdade era que ambos sabíamos que dependendo do próximo julgamento, a última vez estaria cada vez mais próxima.

- Bella... – Edward murmurou, me fazendo olhar para ele. – Eu te amo.

E eu simplesmente o olhei, vendo ali o mais puro e lindo amor.

Por que isso tinha que ter acontecido na minha vida?


N/A: Olá :x Não tenho muito pra falar desse capítulo.

Só que no próximo capítulo será o julgamento da Bella. E, dessa vez, adivinhem quem estará lá?

Pois é. Edward.

A gente se fala mais amanhã.

Besos