Edward POV.
Foram horas difíceis – extremamente difíceis.
Dormir parecia impossível, comer ou prestar a atenção em algo também. A todo o momento em minha cabeça surgia a lembrança de Bella sendo declarada culpada novamente.
Eu não podia vê-la partir. Não iria agüentar.
Mantive-me ansioso até momentos antes de ela chegar. Precisava pedir desculpas por não ter agüentado ficar até o final do julgamento, precisava abraçá-la e beijá-la e dizer que da próxima vez as coisas dariam certo.
Simplesmente tinham que dar certo.
Prendi a respiração quando Isabella adentrou o quarto, a cabeça baixa. Assim que ela levantou – antes mesmo da guarda nos deixar sozinhos –, eu sabia que alguma coisa estava errada.
Seus olhos estavam tomados pelas lágrimas e olheiras os contornavam. Ela não dormira, ela chorara.
E eu não estava lá por ela.
Ultimamente, mais do que nunca, eu vinha parando para pensar em tudo o que acontecia entre nós. Não éramos um casal comum, um casal com grande chances de dar certo, de depender só da gente.
No nosso caso, dependíamos de provas, de julgamentos.
Precisávamos que Isabella ficasse livre para que pudéssemos tentar.
Eu precisava disso.
- Ei... – Assim que a porta se fechou, contornei a mesa e me ajoelhei diante dela, tomando seu rosto entre minhas mãos. – O que aconteceu?
- A gente precisa conversar – murmurou, fechando os olhos por um segundo. – E é sobre algo muito sério.
Parei para pensar durante alguns minutos, sem saber se tinha coragem o suficiente para saber sobre o que era. Eu não seria capaz de ouvi-la terminando tudo comigo por causa do julgamento de ontem. Tínhamos uma chance para tentar de novo e de novo – até... o último dia.
- Deixe-me pedir desculpas antes – implorei, sem querer ouvir aquilo que me machucaria até o fim. Ficar longe dela era algo pela qual eu não estava disposto a passar.
- Desculpas? – Sua testa franziu, mostrando que ela estava confusa.
- Sim – assenti, tentando sorrir um pouco. – Eu não consegui ficar até o fim do julgamento... Desculpe-me por isso. Prometi que estaria lá, mas...
- Shh... – silenciou-me. – Eu te entendo, Edward, e não te culpo por nada.
- Eu tinha prometido, Bella – comecei –, que estaria lá por você...
- Eu já disse que entendo – cortou-me. – Eu nem queria que você fosse, lembra-se? Estar lá por mim já me deu muitas forças e eu te agradeço por isso.
- Você não tem ideia do quão louco eu sou por você – confessei, apertando a beira da cadeira. – E que a cada dia que passa, me encontro cada vez mais apaixonado por você.
Uma única lágrima escorreu do olho esquerdo de Bella e eu a limpei rapidamente, vendo-a tomar o lábio inferior entre os dentes.
- Você me ajudou tanto nesses últimos meses – sussurrou. – Eu te amo tanto, Edward... E eu sinto muito por não poder te dar tudo aquilo que você deseja e tudo o que eu quero. Eu queria que tivéssemos tempo, queria que tivesse alguma maneira, mas às vezes, o melhor que se tem que fazer é desistir.
Eu franzi a testa, me sentindo um pouco confuso, sem entender o que ela queria dizer com aquilo. Bella não podia estar desistindo de nós, podia?
- Eu... eu não entendo – admiti.
- É sobre isso que eu quero conversar com você.
Ela se ajeitou na cadeira um pouco, respirando fundo algumas vezes. Deixei que ela tomasse meu tempo, implorando silenciosamente para ela não me deixar.
Eu não iria suportar isso.
- Eu desisti, Edward – sorriu um pouco. – Desisti de tentar provar que sou inocente. Não quero mais julgamentos, advogados ou qualquer outra coisa. Eu vou morrer dentro de alguns meses e simplesmente não dá mais para lutar contra isso.
Eu não saberia dizer quantos minutos se passaram depois que ela disse. Ela parecia determinada, como se tivesse pensado muito naquilo – e, de fato, ela teve tempo para isso. Seus olhos continuaram me fitando, mas eu realmente não conseguia dizer nem fazer nada naquele momento.
Pensar na possibilidade de Bella desistir e aceitar morrer era demais para mim. Eu não podia lidar com isso, eu não queria lidar com isso.
Eu simplesmente não iria aceitar perdê-la.
- Bella... – comecei. – Não desista, por favor. Eu... a gente vai dar um jeito.
Ela sorriu, parecendo conformada.
- Não iremos, Edward – sussurrou. – Nem hoje, nem no próximo julgamento nem nunca. Eu já aceitei isso e peço para você respeitar minha decisão. Minha execução vai ser dentro de quatro meses.
Quatro meses.
Ela vai partir em quatro meses.
Respirei fundo e me levantei, começando a andar de um lado para o outro. Respirar parecia ser difícil, pensar então era impossível.
Quatro meses.
- Não... – murmurei, ainda andando de um lado para o outro.
Eu a encarei; sua cabeça estava baixa, mas eu podia perceber como seu corpo tremia e como sua respiração parecia pesada.
Ela estava chorando.
- Você não pode desistir – disse firme. – Eu não vou deixar.
- E o que pretende fazer? – disse, sua cabeça ainda baixa. – Eu já tomei a decisão, Edward, já informei a Rosalie. Acabou.
Acabou.
- Isabella... Por favor, Isabella, eu...
Mas mais uma vez, nosso tempo tinha acabado.
Permaneci parado enquanto a guarda entrava e tirava Bella da cadeira, levantando-a para sua cela.
Para longe de mim.
Eu simplesmente tinha que arrumar alguma maneira de fazê-la mudar de ideia. Ficar longe dela não parecia ser uma opção. Eu não podia aceitar isso.
Bella POV.
Dormir foi uma tarefa difícil, mas a recebi de braços abertos. Algo me dizia que eu teria que me acostumar com isso daqui para frente.
Mal tinha adormecido quando amanheceu e eu permaneci deitada ainda na minha cama, sem vontade alguma de levantar, mas logo fui chamada.
Minha advogada queria me ver.
Suspirei pesadamente e segui a guarda até o mesmo local de sempre. Dessa vez, Rosalie não estava sentada e nem tinha um sorriso no rosto. Ela estava série e em pé, encostada em uma parede. Permaneci em pé também, porque algo me dizia que aquela conversa não iria demorar a acontecer.
- Sua execução será em quatro meses – disse, sem nem me cumprimentar nem nada. – Todos acham que você é um perigo e merece, o quanto antes, pagar.
- Certo – assenti, porque realmente nada mais me pegava de surpresa.
Um milagre talvez me pegaria, mas eu já não acreditava neles, não mais.
- Você tem a certeza absoluta do que está fazendo? – indagou-me. – Se formos marcar mais um julgamento, tem que ser agora, temos que arrumar uma maneira de adiar isso tudo e começar a...
- Eu te agradeço por tudo – agradeci. – Realmente. Mas eu não quero mais tentar, Rose. Acabou, desisti. Em quatro meses estarei morta e é isso aí.
- Bella... – Ela começou. – Por favor, isso é...
- Eu estou certa da minha escolha – sorri. – Com o tempo as coisas vão se ajeitar para você e sua família.
Eu não precisava falar que ao dizer família eu queria dizer Edward. Rosalie simplesmente pareceu entender isso.
- Obrigada por tudo, Rose, de verdade – tornei a sorrir. Já estava me perguntando quantas vezes tinha fingido um sorriso desde ontem.
Ela me deu um abraço longo e cheio de significados, ao qual eu retribuí com prazer. Eu gostava de Rose, ela era uma boa pessoa. E eu esperava que ela fosse feliz.
- Só tenho que te pedir uma coisa – sussurrei, enquanto ainda permanecíamos abraçadas. Ela assentiu, sem olhar para mim, seu rosto escondido no meu ombro. – Esteja com ele quando tudo acabar.
Havia lágrimas nos olhos de minha advogada quando nos separamos e eu me perguntei quando começamos a passar a relação de profissional para pessoal. Foram poucos meses, mas eles pareciam ter sido suficientes para que começamos a formar algum tipo estranho de amizade.
- Eu vou vir te visitar sempre – avisou.
- Obrigada por isso – assenti. – É muito importante para mim.
Rosalie foi embora logo depois disso e eu fui levada de volta a minha cela.
O resto do dia praticamente se arrastou enquanto eu pensava em uma maneira de contar tudo ao Edward. Tinha certeza de que ele não aceitaria bem, mas se conformaria em algum momento.
Simplesmente parecia ser a coisa certa a se fazer.
Eu estava cansada de lutar, cansada de testemunhar, cansada de tanto tentar provar algo verdadeiro e ser acusada de coisas que eu não tinha feito. Meus pais eu carregaria até a minha morte no meu coração e a imagem dos dois mortos, esfaqueados em sua própria casa, eu carregaria para sempre comigo.
Ainda tinha pesadelos sobre isso.
Antes mesmo que eu percebesse, as lágrimas tomavam conta de meus olhos. O sorriso do meu pai apareceu na minha mente, assim como os olhos. Os olhos que eu tinha herdado.
Lembrava-me muito bem dos momentos que eu tinha compartilhado com meu pai. As travessuras e o modo que poderíamos ficar juntos sem falar nada. Éramos bem parecidos.
E minha mente... seus olhos azuis, seu olhar bondoso e seu sorriso infantil. A comida queimada, a tentativa de fazer mil cursos e sempre desistir, porque ela sempre mudava de ideia.
Eu os amava tanto e sentia falta deles, mas não iria vê-los mais, e essa realidade parecia acabar comigo. Não sentiria seus abraços, ouviria as vozes e nem os veria mais. Doía e doía muito, mas o que eu podia fazer? Aceitar eu nunca aceitaria.
E pensar que dentro de quatro meses eu iria morrer também...
- Swan?
Eu limpei as lágrimas que não tinha percebido que haviam descido e me pus de pé, já me dirigindo até a guarda.
Eu estava pronta para conversar com Edward.
Tinha que estar.
Movi-me de forma automática enquanto seguimos pelos corredores do presídio até chegarmos à sala dele.
E quando eu o olhei, percebi que eu poderia estar pronta para desistir de tudo...
Mas não parecia pronta para desistir de Edward.
Ele iria sofrer.
- Ei... – disse, já se levantando e contornando a mesa, repetindo o mesmo processo de sempre assim que a guarda saía da sala. – O que aconteceu?
Eu podia enrolar, não podia?
Só que eu sabia que não devia.
- A gente precisa conversar – murmurei, fechando os olhos apenas por um segundo. – E é sobre algo muito sério.
Edward permaneceu em silêncio durante mais tempo que eu sequer podia desejar.
Por que ele não falava algo logo?
- Deixe-me pedir desculpas antes – pediu.
- Desculpas? – franzi a testa, sem entender.
- Sim – assentiu e sorriu um pouco. – Eu não consegui ficar até o fim do julgamento... Desculpe-me por isso. Prometi que estaria lá, mas...
Eu entendia.
- Shh... – silenciei-o. – Eu te entendo, Edward, e não te culpo por nada.
- Eu tinha prometido, Bella – começou –, que estaria lá por você...
- Eu já disse que entendo – tornei a cortá-lo. – Eu nem queria que você fosse, lembra-se? Estar lá por mim já me deu forças e eu te agradeço por isso.
- Você não tem ideia do quão louco eu sou por você. – Edward soltou, me pegando de surpresa por um momento. – E que a cada dia que passa, me encontro cada vez mais apaixonado por você.
Eu deixei que uma lágrima escorresse do meu olho e mordi o lábio inferior, deixando que Edward a limpasse.
- Você me ajudou tanto nesses últimos meses – sussurrei. – Eu te amo tanto, Edward... E eu sinto muito por não poder te dar tudo aquilo que você deseja e tudo o que eu quero. Eu queria que tivéssemos tempo, queria que tivesse alguma maneira, mas às vezes, o melhor que se tem que fazer é desistir.
Ele franziu a testa e eu percebi que ele estava confuso.
- Eu... eu não entendo – admitiu.
- É sobre isso que eu quero conversar com você.
Ajeitei-me um pouco na cadeira, respirando fundo algumas vezes. Como eu podia sequer cogitar dizer isso a ele?
Como eu poderia lhe dizer algo que iria provocar sua dor?
- Eu desisti, Edward – sorri um pouco. – Desisti de tentar provar que sou inocente. Não quero mais julgamentos, advogados ou qualquer outra coisa. Eu vou morrer dentro de alguns meses e simplesmente não dá mais para lutar contra isso.
Calei-me logo após terminar e fitei-o, esperando por uma reação.
Eu estava com medo do que ele iria dizer. Com medo do que poderia acontecer.
- Bella... – disse algum tempo depois. – Não desista, por favor. Eu... a gente vai dar um jeito.
Eu sorri, tentando pensar em uma maneira de convencê-lo.
- Não iremos, Edward – sussurrei. – Nem hoje, nem no próximo julgamento nem nunca. Eu já aceitei isso e peço para você respeitar minha decisão. Minha execução vai ser dentro de quatro meses.
Edward pareceu pensar durante alguns segundos, antes de se levantar e começar a andar de um lado para o outro. E olhar para ele, naquele momento, parecia difícil demais.
Era uma tarefa com a qual eu não podia lidar.
- Não... – Escutei-o dizer, ainda sem coragem de olhá-lo.
E de repente eu estava chorando.
Era muita coisa para eu agüentar.
Por que a vida vinha sendo tão injusta comigo?
- Você não pode desistir – disse. – Eu não vou deixar.
- E o que pretende fazer? – eu disse, sem levantar a cabeça. – Eu já tomei a decisão, Edward, já informei a Rosalie. Acabou.
- Isabella... Por favor, Isabella, eu...
Só que a guarda resolveu chegar justamente naquele momento.
Era hora de partir. E eu só o veria novamente na semana que vem.
Não ousei olhá-lo enquanto ia embora. Não iria suportar ver a dor que com certeza ele carregava nos olhos.
Eu morreria.
Dentro de quatro meses.
Edward POV.
Assim que saí da prisão fui direto para casa dos meus pais.
Eu precisava da minha mãe para me dizer que tudo ia ficar bem.
Mal estacionei e corri para a porta, apertando a campainha. Meu pai estava de plantão, então minha mãe deveria estar sozinha.
- Edward!
Eu a abracei com força, assim que a porta foi aberta e deixei que as lágrimas tomassem conta de meus olhos. Solucei e chorei feito um bebê, deixando que minha mãe me guiasse até o sofá.
- Querido... – sussurrou, quando me acalmei um pouco. – O que aconteceu?
- Ela desistiu, mãe – murmurei. – Ela vai morrer... Ela se vai para sempre, dentro de quatro meses.
Minha mãe suspirou pesadamente e me fitou com carinho no olhar.
- Oh, Edward... Querido, você sabia que existia essa possibilidade. E eu queria tanto fazer algo para ajudar, para tirar essa dor de você.
- Ela se vai, mãe, se vai.
Não sei quanto tempo fiquei ali, no colo da minha mãe. Em algum momento ela sussurrou algo sobre ir ao quarto e eu me levantei, aceitando e deixando que ela me guiasse. Ela se deitou comigo e acariciou meu cabelo até eu dormir, como se eu tivesse novamente quatro anos de idade.
E por um momento eu desejei ter. Desejei ser criança e não ter que lidar com tantos problemas. Desejei, mesmo que fosse só por alguns segundos, nunca ter conhecido Isabella.
Porque assim, agora, eu não estaria sofrendo tanto.
Bella POV.
Eu chorei durante a noite toda, tentando ser silenciosa. Não dormi nada e nem senti vontade.
De agora em diante, meus dias seriam assim.
Uma contagem regressiva... para morrer.
Estranhei quando, no dia seguinte, em um sábado, fui avisada que tinha uma visita. Rosalie tinha vindo ontem, Alice andava sumida... E Edward... ele não viria aqui me ver, viria?
Mas quem eu encontrei foi uma mulher não muito alta, mas muito bonita. Seus olhos eram de um tom de mel e seus cabelos tinham aquela cor estranha... Aquela cor que eu conhecia bastante.
Eu a reconheci imediatamente. Se não fosse pelos cabelos, seria pela foto que Edward tinha me mostrado.
Ela era Esme, a mãe de Edward.
- Olá, Isabella – sorriu um pouco, caminhando em direção a cadeira e se sentando. – Sou Esme Cullen, mãe do seu psicólogo. Precisamos conversar.
N/A: Olá, meninas. E aí? O que será que dona Esme quer com a Bella, hã?
Pois é D: Dona Bella não quer mesmo voltar atrás e agora?
Será que Esme foi lá para isso, para fazê-la mudar de ideia?
Comentem, comentem, que eu posto mais e vocês saberão.
Besos
