CAPÍTULO TRÊS
Na quarta-feira seguinte, no final da tarde, Hermione constatou que seu plano tinha falhado.
A presença constante de Draco deixava-lhe os ner vos à flor da pele. Quando tirava os olhos da tela do monitor, não podia evitar ver onde ele estava. E todas as vezes seus olhares se cruzavam, porque ele tam bém a estava observando.
Quando aquilo aconteceu pela quadragésima vez, Hermione ficou tão indignada que resolveu dar uma espairecida. Foi até o banheiro para lavar o rosto e escapar daquele olhar mesmo que fosse por alguns minutos. Ao mirar-se no espelho, repreendeu-se: não deveria permitir que aquela atração física afetasse seu trabalho.
Prometendo a si mesma não olhar mais para ele, pelo menos até o fim do expediente, retornou para o corredor, em direção à sala de reuniões.
Dois braços fortes a agarraram, forçando-a a entrar em uma sala onde todos os funcionários já haviam saído.
Após trancar a porta Draco estacou, com os braços cruzados no peito para impedir-lhe a saída. — O que está fazendo? — murmurou ela, A tensão entre eles era assustadora. A proximidade do corpo másculo a fez buscar por ar. Ela fechou os olhos e ocupou a mente com relatórios que ainda precisava terminar. Tinha que afastar outros pensamentos a qualquer custo do quanto ele estava tão sexy naquela postura. Ele sorriu. E foi ainda pior.
— Sinto tê-la assustado, Hermione. Mas, precisava fazer-lhe uma pergunta. Já que não podemos ser aman tes, que tal ser amigos?
— Acha isso possível?
Ele intensificou o olhar e pressionou os lábios, es boçando um sorriso desafiador.
— Com certeza. Ou pensa que vou deitá-la na pri meira mesa que encontrar e seduzi-la? Sou muito ca paz de manter meus instintos básicos sob controle. — E, baixando o tom de voz, provocou: — E você? Con segue?
Ela o olhou em silêncio.
Queria responder o desafio com plena convicção. Porém, a mente divagou com a imagem dele esparra mando os papéis e atirando-os ao chão para subjugá-la sobre a mesa. Só de pensar sentiu calafrios. O que queria mesmo era beijá-lo novamente.
Draco estreitou os olhos e avançou um passo na di reção dela:
— Não respondeu. Consegue controlar seus instin tos? — insistiu ele, com a voz rouca.
E estendendo uma das mãos, contornou os lábios dela com o polegar.
Os olhares se cruzaram.
Lutando contra a urgência de retribuir o carinho, ela recuou e posicionou-se atrás de uma das escrivani nhas.
— Não se preocupe. Não sou nenhum tarado — afir mou ele com as mãos nos quadris. — Prometo que nunca tocarei em você, a menos que me peça — e, para enfatizar o que dizia, enfiou as mãos nos bolsos da calça. — Só quis falar com você porque percebi que estava me evitando. Se permanecer agindo desse jeito, aí sim é que o pessoal vai comentar — Com uma ponta de sarcasmo na voz, concluiu: — Pelo que me disse, odeia fofocas.
— Se fizer comentários como aquele da outra noi te, por certo provocará intrigas — devolveu ela no mesmo tom irônico.
Ele ergueu as sobrancelhas e demonstrou surpresa:
— Que comentário?
— De eu ser apenas uma distração.
Ele inclinou a cabeça e cochichou em um de seus ouvidos :
— Está certa, você não é uma distração. É uma mu lher inteligente e a respeito por isso.
Ela afastou-se um pouco.
— Não adianta, Draco. Não vai funcionar.
— Pode ser que não. Mas estou sendo sincero.
— O que quer dizer com isso?
— Que não me diz a verdade do porquê não quer sair comigo.
— Eu fui honesta. Não gosto de me expor a comen tários no lugar onde trabalho.
Ele meneou a cabeça.
— Não acho que seja por isso.
— Então é por quê?
— Está com medo.
— Do quê? De você?
— Talvez. E muito mais dessa força poderosa que nos atrai. E não finja que não sabe do que estou falan do. Posso ler nos seus olhos.
Ela encolheu os ombros.
Não adiantava negar o óbvio. Ele estava certo. Por isso, preferiu não contestar.
— É estranho dizer, mas isso nunca me aconteceu antes — confessou ele com voz enternecida.
Hermione sentia que ele dizia a verdade. Ainda assim, estava apavorada. Não queria baixar a guarda e atirar-se nos braços do chefe para depois sair com o coração em pedaços.
— Sinto muito, Draco. Vamos tentar ser apenas ami gos.
Ele balançou a cabeça e não disse mais nada. Abriu a porta e deixou que ela saísse na sua frente.
Com os cotovelos apoiados na mesa, Hermione massageava as têmporas para amenizar a tremenda enxaqueca. Tinha saído com Gina na noite anterior e tomado duas taças de vinho para acompanhar uma massa em seu restaurante italiano predileto.
Convidara a amiga porque necessitava sair um pouco e conversar com alguém sobre qualquer coisa que não fosse trabalho. Mas a tranqüilidade mental que esperava estava longe de acontecer. Concluiu, enquanto aguarda va o computador processar as recentes consultas.
De nada adiantava enganar-se. A origem de sua dor de cabeça estava ali mesmo a poucos metros de dis tância, sempre a observando e sendo observado por ela. Era frustrante!
Ela suspirou e Luna, preocupada, aproximou-se:
— Você usa seus cabelos presos e tão esticados por tanto tempo que não é de admirar que tenha constan tes dores de cabeça.
Sem que ela esperasse, a colega estendeu as mãos e retirou-lhe a presilha, libertando os cabelos longos, que se espalharam sobre os ombros.
— Luna! — protestou Hermione.
— Desculpe, mas é para o seu próprio bem. — E, posicionando-se atrás dela, mergulhou os dedos entre os fios espessos e pressionou o couro cabeludo, fa zendo uma rápida massagem. — Eu fiz um curso in tensivo para identificar os pontos de tensão. Melho rou?
Hermione tinha de admitir que a habilidade dela era fantástica. A pressão era sentida exatamente nos fo cos de dor.
— Impressionante, Luna! A dor sumiu!
— Pode fazer uma massagem dessas em mim, tam bém? — perguntou Rony.
— Não. — Luna respondeu lacônica.
— Tudo bem, posso ficar apenas olhando — disse Rony com malícia. — Já é gostoso só de olhar.
Aposto que sim, pensou Hermione, e espiando com o canto dos olhos quis saber se Draco estava zangado com aquela distração. Para surpresa, viu que ele sorria com o rosto apoiado em uma das mãos.
— Pronto. Terminei. — afirmou Luna, afastando as mãos — Está nova em folha.
— Ótimo. Agora pode me devolver a presilha?
— Não. Considere-a confiscada.
— Deixe de brincadeira, Luna. Preciso dela.
— Para quê? Fica muito mais bonita com os cabe los soltos.
— Talvez apenas não esteja interessada em ficar mais bonita, e sim com um visual mais profissional.
A voz forte de Draco interrompeu o diálogo:
— Alguém tem planos para o almoço? — Ninguém disse nada. Hermione imaginou que ele lhes daria algum serviço extra como sempre.
— Como ninguém se pronunciou, tenho uma pro posta a fazer: que tal sairmos para almoçar juntos? Uma pequena confraternização?
Draco não precisou falar duas vezes para assistir Luna e Rony apanharem os casacos e encaminha rem-se para a porta em segundos.
Hermione permaneceu lidando com o computador.
Draco estacou à sua frente e ela ergueu os olhos:
— Insiste que eu vá? — perguntou ela hesitante. — Vocês são os consultores, eu estou aqui apenas para digitar e colecionar dados.
— Já lhe disse, Hermione. É uma mulher inteligente e tem contribuído muito com seu trabalho. Faz parte do grupo como qualquer um de nós. — E, inclinando-se, murmurou: — Melhor vir logo, antes que eu tenha que levá-la à força.
O pior é que Draco era bem capaz de fazer isso, ela pensou divertida. Enquanto cada célula do seu corpo vibrava com a proximidade dele.
— Vocês vão demorar? — perguntou Luna, in troduzindo apenas a cabeça no vão da porta.
— Estamos indo. — respondeu Draco.
No caminho, optaram por um restaurante italiano próximo do escritório.
Rony sentou-se ao lado de Hermione enquanto Draco e Luna acomodaram-se no lado oposto. Como a mesa era estreita, Hermione sentiu os joelhos de Draco pressionarem os seus. Imediatamente recuou um pouco a cadei ra para aumentar o espaço e evitar a intimidade. Per cebeu um sorriso irônico nos lábios dele, mas disfar çou o olhar entretendo-se com cardápio.
Todos ficaram satisfeitos com a refeição oferecida. Estava realmente divina! Logo depois o garçom trou xe o menu das sobremesas.
Hermione umedeceu os lábios ao mesmo tempo em que se debatia mentalmente entre a escolha de torta de chocolate com framboesas ou de limão com framboesas. Era fanática por framboesas.
O garçom aproximou-se para receber os pedidos.
Hermione nem esperou pelos outros para pedir:
— Quero uma torta de limão com framboesas — E, com um sorriso quase infantil, acrescentou: — Pode caprichar na cobertura com chantilly?
O garçom sorriu:
— Claro que sim, senhorita.
Hermione ficou desconcertada ao ver que os companhei ros a olhavam com expressão de surpresa. Percebeu que tinha cometido uma gafe.
— Não teremos tempo para a sobremesa? — per guntou ela, com um sorriso sem graça.
— Tudo bem — tranqüilizou-a Draco. E apanhou o menu para dar uma espiada. Dirigindo-se ao garçom, pediu: — Vou preferir torta de chocolate com fram boesas.
— Para mim, apenas um café expresso — pronun ciou-se Luna.
— O mesmo para mim — comentou Rony.
— Não vão querer sobremesa? — quis saber Hermione incrédula — Eu nunca a dispenso.
O garçom afastou-se e Luna comentou:
— Agora já sei o que a torna feliz! Estava tão séria no computador e mesmo durante o almoço. Mas na hora da sobremesa... Que alegria! — Lançando um olhar crítico, admirou: — Como pode manter-se esbelta se sempre come a sobremesa?
Hermione sacudiu a cabeça.
— É que sou alta, por isso você tem essa impressão.
— Não — discordou Luna. — É magra sim. Por acaso malha muito?
— Não sou fã de academias. Meu único esporte é caminhar pelas ruas, olhando as vitrines das lojas e os atrativos da cidade
Draco interveio:
— Bancando a turista?
— Por que não?
Rony aproveitou para perguntar:
— E você Draco? Está em excelente forma e não recusa a sobremesa?
— Pratico esporte. Rugby.
— Rugby? — repetiu Rony, enquanto Draco se recostava no espaldar da cadeira, deixando espaço para o garçom servir as sobremesas. — Hermione deve apreciar esse esporte, já que é da Nova Zelândia — Dirigindo-se a ela, indagou: — Lá as mulheres também praticam Rugby?
— Para dizer a verdade, considero o Rugby um es porte muito violento — respondeu ela, concentrada no pedaço de torta que acabara de engarfar. — Todas aquelas agressões e xingamentos...
— E isso a deixa nervosa? — quis saber Draco. — Rugby é um ótimo esporte para homens rudes como eu. Funciona muito bem para gastar energia e aliviar a frustração.
Hermione ergueu as sobrancelhas e se perguntou se não havia alguma insinuação naqueles olhos cinzas.
— Posso pensar em algo mais gratificante do que jogar Rugby para gastar as calorias — provocou Rony com um sorriso malicioso.
Houve um silêncio embaraçoso. Para se redimir do comentário inconveniente, Rony perguntou:
— Está ansiosa para voltar para a Nova Zelândia, Hermione?
— Sim. Estou aqui há quase cinco meses e não vol tei nem mesmo a passeio. Sinto saudades dos amigos, embora ainda haja muitos lugares em Londres que gostaria de visitar. Talvez possa voltar algum dia ape nas como turista.
— Não quer permanecer em Londres? Ela deu de ombros.
— Mesmo que quisesse, não poderia. Meu visto de permanência expira daqui a dois meses.
— Deveria se casar com um britânico. Então pode ria trabalhar em qualquer lugar da Europa por quanto tempo quisesse — sugeriu Rony, arqueando uma das sobrancelhas — Se precisar de um voluntário, estou bem aqui.
A expressão com que Draco olhou para Rony foi cômica.
Hermione apenas esboçou um sorriso. Estava com a boca lotada de doce. Assim que engoliu o bocado, retrucou:
— Agradeço a oferta, Rony. Mas acho que se um dia resolver me casar será por amor e não conveniência.
Dito aquilo ela voltou a se deliciar com a sobreme sa. O cheiro de limão lhe recordava a essência cítrica do perfume de barba de Draco e o inesquecível beijo. Saboreou cada pedacinho até restar apenas uma fram boesa e alguma sobra de creme.
Deixando de lado as boas maneiras, apanhou com a ponta dos dedos a derradeira framboesa e a revolveu no chantili, até recobri-la por completo. Então a intro duziu na boca, lambendo o creme remanescente. Só depois de ter devorado a deliciosa fruta foi que se lem brou dos companheiros.
Ergueu os olhos e viu que Draco a observava com intensidade enquanto os outros dois pareciam discutir algo sobre uma partida de tênis.
— Como está sua torta? — Hermione perguntou a Draco, para disfarçar a tensão.
— Magnífica! Quer provar?
— Oh, não! Obrigada.
Mesmo diante da negativa, Draco selecionou um bocado com garfo garantindo uma framboesa, esten deu o braço cruzando a mesa e ofereceu:
— Experimente. Sei que está com vontade.
A voz dele era tão suave e tentadora quanto a torta, pensou Hermione. Com a mão estendida na frente de Luna e Rony seria indelicado recusar.
Evitando o contato com os dedos dele, ela apa nhou o garfo e levou-o à boca. Estava muito gostosa, mas não tanto quanto o olhar magnífico que ele lhe lançava.
Hermione devolveu-lhe o talher e recusou com veemên cia a oferta dele em repetir a dose. Contudo, os olhares permaneciam fixos um no outro.
Luna e Rony permaneciam em silêncio, apenas observando a troca de olhares entre Hermione e Draco.
— E vocês? Não querem provar também? — Hermione perguntou tentando aliviar a atmosfera. Diante da re cusa polida deles, desviou o olhar com certo constran gimento.
Rony ergueu-se e retirou-se alegando ter que dar um telefonema. Luna saiu no mesmo momento para ir até o banheiro. Hermione permaneceu à mesa para aguardar Draco terminar o doce como requeria a boa educação.
— Está com creme... — avisou Draco.
— Oh! — exclamou ela e, erguendo uma das mãos, passou-a sobre os lábios.
— Ainda não saiu. Deixe-me ajudá-la — pediu ele e inclinando-se, estendeu uma das mãos para poder alcançar-lhe o rosto. Com o polegar tentou retirar o chantilly, grudado abaixo do lábio inferior dela.
Sem perceber ela separou os lábios quando sentiu o toque masculino. Houve um silêncio.
— Diga que não gosta que eu a toque. — Draco pro vocou.
Mentir não era uma das habilidades de Hermione. Tam bém não adiantaria. Draco não era tão ingênuo.
— É só uma reação física. Apenas sexo.
Ele sorriu com um brilho envenenado no olhar.
— Se é isso, por que não damos um jeito?
Ela refletiu por um momento. Por que não? Logo estaria voltando para a Nova Zelândia. Era o que Gina tinha sugerido quando resolvera lhe apresentar Harry. Uma voz interior, no entanto, insistia em lhe prevenir do perigo.
Baixou o olhar para a mesa.
Draco ergueu-lhe o queixo, forçando-a a encará-lo.
— Se está reticente é porque sabe que não se trata apenas de sexo.
Ela concordava com o que ele dizia. Tamanha atra ção não poderia ser apenas um apelo físico. E essa era mais uma razão para não dar oportunidade a um rela cionamento íntimo com ele.
— Não pode acontecer, Draco.
Ele recolheu a mão e libertou-lhe o queixo mimo so.
— Não, até que me peça.
Quando retornaram ao escritório o grupo parecia trabalhar mais unido. Talvez pelo fato de Draco demons trar tão abertamente a atração dele por ela, transfor mava o relacionamento entre eles numa espécie de cumplicidade silenciosa. Ele até sorriu quando Rony fez um comentário jocoso.
Durante o restante do dia Hermione e Draco não se fala ram. Porém, trocaram olhares. Os dedos se esbarra vam quando intercambiavam documentos.
Na hora em que Draco declarou o expediente encer rado, Hermione lhe pediu para checar umas informações que acabara de registrar.
Atendendo ao pedido ele se posicionou atrás da poltrona em que ela estava e inclinou-se para apontar alguns detalhes exibidos no visor do monitor. Hermione podia sentir o calor do corpo dele dispersan do sua atenção.
— Que xampu você usa? O aroma dos seus cabelos é delicioso! — quis saber Draco.
— É o "Esprit de Fleur" e pode ser encontrado em qualquer mercado — ela mentiu, não conseguindo evi tar a tentativa de afastá-lo. Mas arrependida pela gros seria, suavizou o tom de voz. — Não o aconselho a comprá-lo.
— Por quê?
— Porque o que você usa é perfeito. — Ela afirmou e voltou a prestar atenção na tela. Depois concluiu: — Tem um perfume de limão. É fresco e agradável.
— Ah, você notou?
"Noto tudo em você". Hermione sentiu vontade de di zer. Mas controlou-se. Já estava brincando com fogo. O melhor era não abusar.
Ele aguardou por um momento a resposta que não veio. Com enorme esforço, decidiu se concentrar no visor e finalizar os últimos itens que faltavam para encerrar o trabalho. Finalmente, Draco afastou-se para desligar seu próprio computador.
Ela suspirou aliviada. Ainda bem que Rony e Luna aguardavam por eles. Mentalmente, ela im plorava para que a quinzena passasse rápido. A cada dia, ficava mais difícil vencer aquela tortura. "Por que será que a gente deseja sempre o que não se deve que rer?".
Após acompanhar um cliente no desjejum, Draco dis pensou o elevador e resolveu subir as escadas para gas tar o excesso de energia e frustração. "Que droga!" pen sava. A situação o estava estressando tanto que não conseguia se dedicar ao projeto de maneira adequada.
Não se considerava arrogante, mas sabia quando uma mulher estava interessada nele. E Hermione com certeza estava. Ele notara o modo como ela o olhava, a maneira como corava quando ele estava próximo, o tremor das mãos quando trabalhavam juntos no com putador... Ela mesma admitira. Apesar de rotular como uma simples atração física. O que havia entre eles era muito mais que isso. Uma constante necessidade de estarem juntos. Uma tortura quando estavam próxi mos e outra, ainda maior, quando ficavam distantes. Não deveria tê-la requisitado para compor o gru po. Mas não conseguira evitar a tentação de tê-la por perto. Porém, tanto fazia, ponderou consigo mesmo. Se ela não estivesse bem embaixo do seu nariz certa mente estaria preocupado o tempo todo em correr atrás dela.
Draco nunca se sentira enfeitiçado por alguém an tes. E sentia-se impotente para fazer o que deveria ser feito. Por que ela resistia tanto? Não era nenhuma vir gem inexperiente. E, pelo que soube, quando a conhe cera, estava aguardando por um homem que a amiga Gina tinha arranjado.
Ele prosseguia subindo os degraus tão imerso nos pensamentos que sequer percebeu que já havia subido dois lances da escadaria.
E toda aquela história de não querer provocar fofo cas era puro disfarce. Continuou raciocinando.
Eles poderiam se divertir muito antes de ela partir. Poderia levá-la aos mais empolgantes lugares de Lon dres. Aliás, excitação entre eles não faltaria.
E, por que não? Se ela iria voltar para a Nova Zelândia dali a dois meses, o que importava o que outros poderi am pensar? Algo não se encaixava direito. E, se o moti vo não era esse, do que ela estava com medo?
Lembrou-se da primeira noite em que a viu. Pare cia uma outra pessoa. Alegre e falante. E tão sexy! Bem diferente da executiva com os cabelos extrema mente puxados e atados com a presilha.
Suspeitava que fosse uma mulher ardorosa que se ocultava atrás de uma fachada de gelo.
E o que tinha medo de perder? O autocontrole? Se ele lhe provocava essa reação, não era diferente con sigo mesmo. Tinha até alucinações com as fantasias sexuais que o atormentavam todas as noites desde que a conhecera.
Ele precisava arranjar uma maneira de fazer aquele gelo derreter.
Quando terminava o próximo lance, a figura de Hermione no topo da escada, com a mão no corrimão, preparada para começar a descer os degraus, fez seu coração quase saltar pela boca.
Ele estacou. Estava quase sem fôlego. Parecia ter corrido uma maratona. E lá estava ela, provavelmen te, descendo a escadaria com o mesmo objetivo de afas tar a frustração.
Draco avançou os derradeiros degraus até fixar-se no anterior ao que ela se encontrava. Perfeito. As altu ras se equipararam. As bocas a poucos centímetros uma da outra.
Ele respirou fundo e estudou-lhe o rosto. As linhas de expressão pareciam cansadas. Os lábios grossos contraídos, como se evitassem dizer o que tinha em mente.
— Acho que está na hora de encararmos o óbvio, não acha? — questionou Draco sobrepondo uma das mãos na que ela ainda mantinha no corrimão.
— Você é meu chefe. É contra a ética.
— Mas casos como o nosso acontecem a todo o momento.
— Isso não os torna corretos.
— Eu jamais me valeria de minha posição.
Ela lançou-lhe um olhar penetrante e ele pôde ob servar faíscas douradas incendiando as profundezas dos olhos castanhos.
Estava louco por ela. Desesperado para envolvê-la nos braços e beijá-la. Mas, teria que ir devagar. Não poderia correr o risco de assustá-la mais ainda.
Ele subiu o último degrau, retirando a mão dela do corrimão e segurando-a com firmeza. Ele pressio nou-a contra a parede com o corpo e com a outra mão enlaçou-lhe a cintura. Baixou o. olhar e viu nos olhos dela o ar de desafio, mas também o brilho do desejo.
— Somos adultos e sabemos o que queremos — declarou ele em voz baixa.
Ela abriu a boca para argumentar e ele a calou da melhor maneira que sabia.
Hermione derreteu-se e Draco podia sentir a vibração no corpo feminino, que provocou ainda mais a rigidez na musculatura viril.
Os lábios dela eram tão macios e adocicados que ele precisou se superar para ser gentil e controlar a fúria que o atormentara por tantas noites!
Deslizou as mãos pela cintura dela e introduziu-as por baixo da saia justa, acariciando-lhe as coxas, até encontrar as ligas que prendiam as meias. Aquele era o ponto cruciante que tanto o obcecava. Os dedos ágeis passaram do nylon para afagar a pele sedosa. O prazer do contato arrancou-lhe um gemido. Ela moveu os quadris e ele entendeu que ela queria mais. Finalmen te, as travas de segurança estavam abertas e ela o bei java com a mesma fúria, inclusive segurando com for ça a nuca masculina e pressionando-a para intensificar o beijo. E ele adorou. Estava seguro de que ela o que ria tanto quanto ele a desejava. Ele gostaria de ouvi-la dizer isso, mas não queria interromper o prazer do beijo tão esperado.
Enquanto isso, as mãos ávidas a instigavam corren do os dedos pelo elástico das bordas da calcinha ren dada.
Ele permitiu que Hermione retirasse os lábios dos dele para respirar. Ela recostou a cabeça na parede, expon do o colo bonito, que Draco se apressou em espalhar beijos ao mesmo tempo em que avançava na explora ção do centro da sensibilidade feminina. Então, sentiu as mãos dela pressionar-lhe os quadris, estreitando ain da mais o espaço entre seus corpos.
Sem esperar mais, ele tocou a região mais íntima e sentiu a umidade através da renda. Estava a ponto de rasgar o tecido para sentir a sensação pele a pele, quan do o barulho de uma porta se abrindo o alertou.
Ele afastou-se rápido e ela o olhou em desespero. Ele girou a cabeça na direção do som de passos. Ela ajeitou as saias e ambos se apressaram em descer as escadas e sair dali o mais rápido possível.
Quando alcançaram o subsolo, ele abriu a porta que dava para a garagem e após trancá-la, tentou beijá-la e recomeçar os carinhos. Tarde demais.
A barreira estava erguida outra vez. E foi com um sussurro ríspido que ela lhe dirigiu a palavra:
— Pensei que tivesse dito que não iria me tocar, a menos que eu pedisse.
— Você pediu — afirmou ele, desejando abraçá-la outra vez. O momento, porém, havia passado.
Ela gesticulou em negativa e ele segurou-lhe os bra ços. Então repetiu:
— Você pediu... com os olhos...
Ela o olhou, embaraçada, através dos longos cílios.
— Não se preocupe. Da próxima vez, esperarei para ouvir o pedido. Literalmente.
Por instantes ele imaginou que ela iria dizer algu ma coisa. Mas Hermione mordeu o lábio inferior e contornando-o, reabriu a porta e desapareceu dali.
Ele ficou paralisado, procurando recuperar o con trole e acalmar o ânimo do volume nas calças, até po der retornar para sua mesa e concentrar-se no traba lho.
