CAPÍTULO QUATRO
Hermione espiava Draco, com o olhar disfarçado. Ele pa recia profundamente concentrado em seu laptop. Ela o evitara, tanto quanto possível, desde o incidente na es cadaria. Passara o domingo visitando jardins e galerias na companhia de uma amiga, para distrair os pensa mentos, que insistiam em voltar a ele o tempo inteiro.
Os trabalhos estavam acelerados. Já era segunda-feira e a apresentação do relatório final para o cliente estava programada para dali a dois dias. Agora a pre sença de Luna e Rony na sala era em tempo inte gral, o que evitava qualquer momento a sós com Draco.
Hermione tinha a impressão de que Draco aguardava que ela desse o primeiro passo para a reconciliação. E isso era ótimo, porque só o que teria a fazer seria permane cer distante, mesmo que lhe custasse um profundo es forço. Pelo menos, era melhor do que sofrer uma desi lusão ainda maior do que a que tivera no passado.
Só não se conformava com o fato de ter cedido tão fácil aos encantos daquele homem no fatídico dia das escadarias.
Bastou que ele a tocasse para derreter-se por intei ro. E pior: num lugar público, onde poderiam ser flagrados a qualquer instante. O que, na verdade, qua se aconteceu.
Draco lhe dissera que ela tinha pedido por isso com os olhos. E, sabia que ele estava certo, só não aceitava o fato de que ele descobrira sua fraqueza.
Agora, precisava ter ainda mais cuidado. Queria terminar o contrato com a firma e sair de cabeça erguida e não com a fama de mulher fácil.
Os pensamentos sobre ele martelavam tanto seu cérebro que resolveu dar uma saída de cinco minutos para ver Gina.
Ao passar por Draco, percebeu um olhar de curiosi dade. Talvez pelo rubor de seu rosto, a julgar pelo ca lor que estava sentindo.
— Por que não vai hoje à noite ao Jackson? Ter minamos um dos projetos e vamos comemorar. Será divertido — ofereceu Gina.
Hermione abriu a boca para recusar e subitamente mu dou de idéia:
— É uma boa idéia. Preciso mesmo relaxar.
Não sentia muita disposição para reuniões festivas, mas ainda assim aceitou. Era melhor do que ficar ro lando na cama, metade da noite, pensando no homem que não poderia ter.
Encontrar-se com Gina e o pessoal do departamento, poderia ser uma maneira de distrair a mente atribulada. E, também, afastar-se da presença de Draco. Pelo que sa bia, o restante do grupo iria trabalhar até tarde outra vez.
— Você merece um pouco de diversão. Está muito pálida e cansada — observou Gina.
— Tem razão — concordou Hermione.
Alguns drinques afastariam Draco e toda aquela parafernália, ao menos por uma noite.
Draco soube, no momento em que a porta foi aber ta, que Hermione estava de volta. As pisadas leves no carpete e a fragrância do perfume dela eram incon fundíveis.
Apertando os lábios, ele permaneceu com a aten ção fixa no visor do laptop e com o canto dos olhos notou Rony lançando um olhar cobiçoso para as per nas de Hermione. Ficou irritado com aquilo. Porém, ele próprio sempre se comportara da mesma forma com as mulheres. Contudo, com Hermione ele sentia muito mais do que uma atração luxuriosa. Havia algo nela que o afetava profundamente. Só não entendia bem o que era.
Hermione aproximou-se com uma folha de papel nas mãos:
— Draco, preciso de sua assinatura para poder rece ber o pagamento da semana anterior. Esqueci de lhe entregar na sexta-feira passada.
Ele sabia bem o motivo do esquecimento. "O dia das escadas". Ergueu os olhos e notou que ela manti nha o olhar fixo no papel. Evitava-o desde aquele momento, da mesma forma que ele fazia com ela.
Draco repisava constantemente o fato em sua mente maldizendo a interrupção. O desejo de tocá-la só ha via aumentado. E aquilo lhe atrapalhava a concentra ção no trabalho.
Porém, não acreditava que estivesse seriamente en volvido com ela.
Tinha se interessado pela mulher alegre e sensual que conhecera e não pela "geleira" que via na sua fren te. Embora desconfiasse que aquela frieza toda não passava de encenação para esconder os próprios sen timentos.
Percebendo-lhe a impaciência, carimbou a folha com o nome da firma e a assinou. E, sem querer, algo lhe atraiu a atenção:
— Seu nome completo é Hermione Jane? — perguntou in trigado. Nunca conhecera alguém da Nova Zelândia com um nome tão americano.
— Meu pai era franco-canadense — esclareceu ela.
— Era?
Ela assentiu com a cabeça.
— E você fala francês?
— Não. Meu pai morreu antes de eu ter nascido.
— Deve ter sido difícil para sua mãe...
— Com certeza. Mas ela foi uma batalhadora.
— Foi?
— Sim. Foi — declarou lacônica, obviamente con trariada, e sem dizer mais nada, apanhou a folha de papel e afastou-se.
Draco ficou pensativo. Estava obtendo informações que talvez pudessem esclarecer o fato de ela relutar tanto em fazer o que realmente queria.
Desde quando estava sozinha no mundo? Teve a curiosidade de perguntar. Porém, seria muita indiscri ção para um só dia.
Decidiu retornar a atenção para a tela e prosseguir o que estava fazendo. Pela primeira vez, em toda sua carreira desejava livrar-se logo de um trabalho. No fundo, tinha que admitir que desejasse findar o proje to para poder dedicar mais tempo a Hermione.
Furioso, socou a mesa.
O que tinha acontecido com ele? Sempre dissera a quem quisesse ouvir que não admitia distrações no tra balho! Porém, Hermione significava algo mais do que uma "distração", pensava. Era como se sua vida tivesse virado de pernas para o ar e ele não tinha certeza de poder reverter a situação.
Hermione saiu mais cedo do escritório. Os demais per maneceram entretidos no que faziam. Quando chegou ao bar freqüentado pelo pessoal, Gina e os colegas já estavam na segunda rodada de cerveja. Não demorou muito e Hermione já estava entrosada com um grupo de juniores e com um copo de refresco de abacaxi nas mãos.
De repente, sentiu um toque num dos cotovelos. Era Gina.
— Venha comigo. Vou apresentá-la a Harry.
Quando se aproximaram de um homem recostado no balcão, Hermione logo reconheceu o homem que, na outra ocasião, julgara ser Draco.
Harry era atraente e tinha um sorriso simpático. Po rém, estava muito longe de possuir o mesmo carisma de Draco.
— Até que enfim fomos apresentados. Gina fala muito de você — afirmou Harry, estendendo-lhe a mão.
— E de você também — retrucou Hermione com um sorriso.
Depois ficou intrigada com a piscada que Harry lhe dera. Parecia um sinal de agradecimento por uma aju da qualquer, não um gesto de paquera. E, a menos que estivesse enganada, ele não se mostrava nem um pou co interessado em conhecer alguém novo.
Enquanto sorvia um gole do suco gelado observou pela borda do copo o olhar que ele mantinha em Gina. Até que a amiga desapareceu puxada pela mão por outra de suas amigas.
Hermione aproveitou para perguntar:
— Está apaixonado por ela, não está?
Ele retornou o olhar que mantinha onde Gina se encontrava para dar atenção a Hermione:
— É difícil disfarçar os sentimentos. Mas é pura per da de tempo da minha parte, ela só tem olhos para caras como aquele — lamentou-se, e tornou a observar Gina.
Hermione girou a cabeça na direção para onde ele diri gia o olhar, apenas para descobrir o homem a quem ele se referia e com quem Gina conversava. Seu cora ção quase parou de susto! Era Draco! Estava de pé, ao lado de Gina, encarando-os com uma expressão tão zangada que ela estremeceu. Retornando a atenção para o copo em suas mãos, ela tomou mais um gole, sentin do o calor invadir-lhe as faces. O que será que Draco está fazendo aqui?, pensou ela.
Harry percebeu-lhe a emoção e rubor do rosto.
— Você o conhece? — ele quis saber.
— Sim. É Draco Malfoy, um dos chefões — Ela respondeu com mais ênfase do que desejava. Talvez para lem brar a si própria da posição dele. — Bem, Harry. Foi ótimo conhecê-lo, mas preciso ir para casa.
Com um gesto ela despediu-se e caminhou na dire ção da amiga para avisar que ia embora.
Draco bloqueou-lhe o caminho com o próprio corpo:
— Então Gina estava certa? — indagou ele em tom áspero.
— Sobre o quê? — Retornou com outra pergunta, admirada por vê-lo tão contrariado.
— Sobre Harry ser o par perfeito para você! — ex clamou, exalando raiva por todos os poros.
Se ela não estivesse tão assustada com o compor tamento de Draco, teria dado uma divertida gargalha da. Draco com ciúmes de Harry? Só vendo para crer.
— Não. Ela está errada — Hermione negou, perce bendo as linhas de expressão do rosto dele se ate nuarem. Depois, prosseguiu: — Mas está certa num ponto.
— Em qual? — ele se apressou em perguntar.
— Que você tem os olhos mais lindos do mundo! — Ela presenciou o olhar furioso transformar-se em graça e depois em desejo. E, naquele instante, teve a certeza de que nunca gostara de alguém da mesma forma que estava gostando de Draco. A descoberta a apavorou. E foi com um fio de voz que conseguiu murmurar:
— Estou indo embora.
— Deixe-me levá-la para casa.
— Melhor não — declarou ela, ciente de que ele entendia ao que ela se referia.
— O que está acontecendo? Não me digam que to dos os computadores quebraram? — perguntou Rony em tom jocoso e em uma altura suficiente para que todos ao redor ouvissem. Ele estava estacado com um copo em cada mão, os olhos arregalados e as sobran celhas erguidas.
Draco lançou-lhe um olhar atravessado, e Rony, sem saber bem como reagir, perguntou à Hermione:
— Aceita um drinque?
— Não, obrigada. Estou de saída. Nos veremos ama nhã. — disse ela, e se afastou rápido, antes que um dos dois a impedisse.
Quando alcançou a porta de saída, lembrou-se de acenar para a amiga. Gina pediu que esperasse e veio ao encontro dela.
— O pessoal está comentando que você tem um caso com Draco. — Gina foi logo dizendo sem preâm bulos. Hermione a olhou chocada. — Não se preocupe — confortou a amiga. — Assegurei que, se fosse verda de, eu seria a primeira a saber. Só estou lhe contando para que saiba o que estão dizendo por aí.
Hermione encolheu os ombros e ficou pensativa. Como dissera Harry, era difícil esconder os sentimentos. E seu esforço em afastar Draco de nada adiantara. Ninguém consegue evitar as especulações.
— Você está bem? — Gina tocou-lhe um dos om bros, trazendo-a de volta à realidade. — Olhe, se não quer me dizer, tudo bem. Mas sei que algo está acon tecendo.
— Não há nada para falar, Gina. Só estou cansada e preciso de uma boa noite de sono.
A quinta-feira passou como um relâmpago. Apesar da noite mal-dormida, Hermione conseguiu terminar os relatórios finais por volta do meio-dia. Só faltava imprimir e distribuir as cópias para a apresentação do projeto.
Recostou-se na poltrona e suspirou aliviada, com o senso de dever cumprido. Estava tudo em ordem para que Draco e os consultores comparecessem à reunião de sexta-feira com o cliente perfeitamente munidos dos relatórios que precisavam.
Enquanto aguardava a impressão das folhas, ob servava a discussão final entre eles de como deveriam proceder na apresentação. Todos transpiravam adrenalina pura. A energia de Draco era fantástica! Passeava de um lado para outro da sala, enquanto ditava regras essenciais. Possuía as características de um verdadeiro líder, era um homem competente e seguro.
Hermione sorriu para si mesma e retornou a atenção para a impressora. Ainda faltava muito para acabar. A ca beça doía tanto que parecia haver um tambor no lugar do cérebro. Fincou os cotovelos sobre a mesa e ampa rou as faces aquecidas com as palmas frias das mãos. Aliviava um pouco. Estava cansada da tela do compu tador; de estar trancafiada numa sala o dia inteiro; e, principalmente, de estar tão próxima de Draco sem po der abraçá-lo. Ela o desejava mais a cada dia. A frus tração a consumia. Nunca passara por isso. Tinha re ceio de que seu trabalho não tivesse sido satisfatório o suficiente, como era esperado da habilidade que pos suía. Também, como poderia, se Draco não lhe saía da mente?
Um pouco antes das seis horas da tarde, Luna e Rony resolveram buscar pizza. Recusaram o serviço de entrega, porque desejavam esticar as pernas.
Hermione recolhia as últimas folhas da impressora para poder finalizar o trabalho. Estava com os nervos em abalados. Uma parte dela não via a hora de terminar e ir correndo para casa, outra desejava ficar mais um pouco na companhia de Draco.
Quando os outros saíram, o ambiente ficou silenci oso. Draco permanecia entretido no laptop. Hermione não conseguiu impedir-se de provocá-lo:
— As pessoas estão comentando que temos um caso.
— Ah, é? — respondeu ele, sem tirar os olhos do visor — Estou surpreso! Todos sabem que não costu mo ter romances casuais no escritório.
— E por que não? — perguntou Hermione, ofendida com a referência à casualidade.
— Trabalho é trabalho. Diversão é coisa à parte — esclareceu ele, mantendo os olhos fixos na tela.
— E nunca quebra suas próprias regras? — alfine tou com ar sarcástico. Queria provar que ele não era tão imune quanto queria aparentar. E ela sabia bem disso.
— É a melhor forma para se concentrar estritamen te no trabalho — declarou ele e, de súbito, retirou o olhar do computador só para encará-la. Então, prosse guiu, aumentando o volume da voz, a cada palavra pronunciada: — Como um homem pode trabalhar di reito, se a mulher por quem se apaixonou está diante dele o tempo todo e ele não pode sequer tocá-la? Como diabos se espera que alguém tenha um bom desempe nho trabalhando nessa tensão? — finalizou com uma imprecação e empurrou o laptop para o lado.
Hermione sentiu uma satisfação interior diante da rea ção dele. Mas persistiu na provocação:
— Então prefere apagar da mente?
— Não — respondeu ele com um sorriso irônico. — Antes pudesse. Mas é impossível concentrar-se em números, vendo você com essa blusa insinuante e não poder arrancá-la para apreciar o que está por baixo...
O calor a invadiu e o coração se descompassou. Ela ergueu-se rápido para apanhar o paletó que deixara no armário. Draco nem a deixou retornar ao seu lugar. Agar rou-lhe o pulso que segurava o agasalho de maneira tão brusca que o paletó caiu no chão.
— Está com frio? — Ele caçoou.
— Sofro de hipotermia — devolveu ela no mesmo tom de zombaria.
Desejo e raiva se mesclaram. Ela sentia-se à beira da loucura e pressionou os lábios diante das pupilas dilatadas de Draco, que pareciam botões negros imersos num lago de esmeraldas.
— Por que se importa tanto com o que os outros pensam? — ele quis saber.
A verdade, porém, não era aquela. E Hermione sabia muito bem. O medo real era de envolver-se outra vez num "romance de escritório" que não passasse de uma fantasia e se transformasse em um pesadelo. O ambi ente profissional muitas vezes se tornava tentador por causa da proximidade e a sensação de perigo. O proi bido é sempre tentador. E aquele não era o mundo real. Como seria o verdadeiro Draco no seu mundo lá fora? Ela não tinha a mínima idéia de quem ele verdadeira mente era.
Draco mantinha o pulso dela preso em uma de suas mãos. E, de repente, começou a acariciar-lhe a pele com o dedo polegar com suaves rotações.
O simples afago parecia o suficiente para ativar um vulcão. Apesar do que a razão lhe dizia, o corpo o de sejava loucamente.
— Vamos dar a "eles" um motivo real para falarem — sugeriu ele, focando-lhe os lábios. E com a mão que estava livre contornou a boca feminina. — Seria uma pena não aproveitar... já que a intriga está feita...
— O que quer de mim, Draco?
— Apenas lhe dar prazer.
— Por quê?
Draco forçou um sorriso.
— Porque faria bem a nós dois.
— E imagina que pode me controlar? — Ele arregalou os olhos:
— Não! Não disse isso. Quero apenas tocá-la de maneira que a satisfaça. Mas acho que já sabe disso.
Ela estreitou o olhar.
— Estou cansada de lutar.
— Contra mim?
— Não. Contra mim mesma — admitiu ela por fim. Ele prosseguiu contornando-lhe os lábios com o polegar e os outros dedos posicionados abaixo do quei xo gracioso.
Hermione sabia que ele queria beijá-la, mas mantinha-se firme aguardando-lhe a permissão. Tudo que ela precisaria fazer seria inclinar-se e deixar que aconte cesse. Então, o inevitável aconteceu:
— Eu quero que me toque, Draco.
Ela disse em som alto e claro. E pior: o autocontrole que mantinha a tanto custo de repente sumiu, e Hermione não apenas concordou como tomou a iniciativa.
Para surpresa de ambos, agarrou-lhe pelos cabelos trazendo para si sua cabeça, para saciar a boca famin ta. Com fúria ela provou o sabor da boca masculina e ouviu o gemido abafado de Draco, que a provocou ain da mais. Em delírio, deixou-se cair a ponto de sentar-se no colo dele. A pressão do tórax rígido contra os seios delicados era pura dinamite. Ela movimentou os quadris e sentiu a excitação masculina render-se ao avanço das coxas, que se dividiam para se ajustarem â forma viril. Ao mesmo tempo, as línguas se entrelaça vam num beijo alucinado.
Mas Hermione queria mais. Fora de controle, os dedos frenéticos se apressaram em desabotoar-lhe a cami sa. Estava desesperada para sentir-lhe a pele nua. Ficou frustrada ao vê-lo recuar e afundar as costas na poltrona.
— Não podemos, Hermione! Eles chegarão a qualquer momento.
— E daí? — perguntou ela, completamente entorpecida.
— Por que não me deixa acompanhá-la até sua casa logo mais? Aí sim, poderei lhe proporcionar o que deseja. — Draco murmurou, e com uma das mãos for tes e seguras introduzida por baixo das saias dela, pro vocou o centro da sua feminilidade, para dar uma amos tra do que poderia lhe ofereceu. Instintivamente ela inclinou a cabeça para trás e gemeu. Hermione era puro fogo e êxtase. A respiração se acelerava acompanhan do o ritmo das carícias íntimas.
Repentinamente, tudo cessou.
— Não pare — implorou ela.— Só mais um pouco.
Ele a ergueu gentilmente e puxou uma cadeira ao lado, forçando-a a acomodar-se nela. Ela ficou frus trada. Estava tão perto de alcançar o prazer máximo! Por que ele fizera isso ? Foi então que ouviu vozes no corredor. Draco deveria ter ouvido o som das portas do elevador.
— Hoje à noite — ele falou baixinho.
De repente a dor de cabeça voltou. A prévia euforia a tinha feito esquecer. Junto com a enxaqueca, retornaram o controle e a razão. O que é que tinha acabado de fazer? Perguntou-se, decepcionada consi go mesma. Estava trilhando um caminho perigoso de mais e do qual não haveria retorno. Precisava comba ter esse impulso, concluía com as mãos trêmulas repousadas no colo.
A porta foi aberta, Rony e Luna entraram com duas caixas grandes de pizza. Só o cheiro a fez enjoar.
Hermione recusou o oferecimento para acompanhá-los no lanche e preferiu terminar o trabalho.
Pouco depois avisou:
— Terminei. Alguém pode checar a conclusão? — Luna aproximou-se.
— Você está bem? Parece nervosa.
— Nada demais. Apenas minhas costumeiras enxa quecas.
Luna folheou as páginas e finalizou:
— Estão ótimas, parabéns!
Hermione suspirou aliviada. E, recolhendo seus perten ces, deu um sorriso de despedida.
— Você é que é feliz! — salientou Rony. — Já está livre. Nós ainda teremos que prosseguir e ainda por cima apresentar o trabalho na reunião de amanhã.
— É verdade! — respondeu ela, lembrando que no dia seguinte estaria de volta ao seu departamento e Draco, à sala do andar de baixo. Engoliu a saliva com certo desgosto.
Ao passar por Draco, murmurou de maneira automá tica, sem fitar-lhe os olhos:
— Ainda precisa de mim?
— Não, Hermione. Pode ir. Já fez mais do que devia. Obrigado.
Ao se aproximar da saída, girou a cabeça e falou dirigindo-se a todos em geral: — Boa sorte na reunião.
Ao chegar em casa sentia a dor de cabeça ainda mais forte. Tomou um gole de água e vestindo uma camiseta de algodão macio, enfiou-se na cama. Tal vez um bom descanso fosse o que mais precisava no momento.
Flashes dos momentos com Draco no escritório, desfilavam pela mente estressada. Revirou-se no colchão várias vezes até que finalmente conseguiu adormecer.
