CAPÍTULO SEIS

Hermione poderia parar o que estava acontecendo em segundos. Um gesto, uma palavra, qualquer coisa... Porém, preferiu ficar calada e permanecer com os olhos fechados.

Por mais incrível que pudesse lhe parecer, ainda inclinou a cabeça para o lado contrário, expondo uma área maior aos beijos calorosos. Lentos, gentis e in crivelmente eróticos, os lábios masculinos preenchi am toda a extensão da curvatura, detendo-se na deli cada junção com o ombro, para um mordiscar provocante.

Um gemido abafado escapou dos lábios de Hermione e ele estendeu um dos braços para enlaçar com firmeza a cintura delgada. Com a mão que estava livre apal pou um dos seios erguidos, circulando com o polegar o mamilo rígido. Reagindo à sensação prazerosa ela recostou a cabeça no peito musculoso. Todos os pre conceitos se esvaíram instantaneamente. Afinal, não estavam no escritório. Por que não dar vazão aos sen timentos? Ela ponderou.

O gesto instintivo dela o encorajou a encaixar os braços fortes com facilidade por baixo do corpo femi nino e sutilmente erguê-la. Deslizou o próprio corpo para o lugar onde ela ocupava antes e gentilmente aco modou-a em seu colo.

Hermione deixou-se levar, sem oferecer resistência. Po dia sentir a excitação masculina pressionando-lhe as coxas macias. Ela o olhou e ele abriu os braços em sinal claro de que ela estava livre se quisesse sair dali. Intencionalmente ela umedeceu os lábios e mur murou:

— Me beije, Draco — E, erguendo o rosto, posicionou a boca de maneira provocante.

Ele inclinou a cabeça e depositou um beijo suave na boca perfeita. O roçar dos lábios masculinos só fez provocar-lhe ainda mais o furor do apelo sensu al. Ela repartiu os lábios e aguardou pela invasão da língua viril. O que não tardou a acontecer. O beijo entre eles jamais poderia perdurar em lenta carícia. A paixão refreada há tanto tempo era forte demais para ser contida. Intensificando o contato afetivo, ela pôde finalmente explorar a bela boca pela qual tanto ansiava.

Com ansiedade crescente, Hermione queria muito mais, como revelava o corpo inquieto, contraindo-se involuntariamente.

Ele procedeu a uma exploração maior do corpo feminino, começando por desatar o laço do robe e afastar o tecido dos ombros redondos. Ela ergueu os braços fazendo com que a seda fina deslizasse, robe e camisola resvalaram até a cintura, desco brindo o busto perfeito. Apressado em estimular a sedutora saliência, Draco tomou com a boca o mamilo mais próximo e o sugou, alternando com lambidas eróticas, criando as mais alucinantes sensações que ela já experimentara.

Com os olhos semi-cerrados ela o olhava, extasiada com a criatividade prazerosa que ele oferecia. Os dedos ligeiros trilhavam a extensão das pernas bem torneadas, subindo e descendo em movimentos repe tidos, galgando um pouco além a cada novo avanço, até afastar o tecido fino e descobrir-lhe as coxas. O tormento afrodisíaco incitou-lhe a musculatura, for çando-a a separar as pernas involuntariamente. E, fi nalmente, uma das mãos poderosas alcançou-lhe a in timidade. Ela gemeu delirante. E ainda queria mais. Ele ergueu a cabeça e sorriu. .

— Gosta assim?

Gostar era pouco, ela avaliou, e ondulou o corpo contra a mão masculina.

Acatando o apelo silencioso, Draco moveu os dedos devagar, repetindo as carícias em movimentos ritmados.

Ela sorriu e posicionou as mãos atrás do pescoço forte. Entrelaçando os dedos para ganhar força, obri gou-o a inclinar a cabeça. Queria beijá-lo outra vez. Sentir o sabor daquele homem com toda e qualquer parte sensitiva do corpo abrasado.

Draco espalhou beijos rápidos por todo o rosto, des cendo até o colo e seios, retornando até os lábios dela outra vez. Prosseguiu no ritual prazeroso até notá-la palpitante e jubilosa. Prosseguiu então as carícias in timas, aprofundando o toque até sentir a umidade na tural, resultante da incitação, e os quadris se contorcerem sob o comando dos dedos atrevidos.

— Vamos, minha linda. Quero vê-la delirar. — Ele sussurrava, intercalando beijos e carícias.

A espera não foi longa. Os sussurros, os lábios, os afagos íntimos... a levaram à loucura.

— Draco... — Ela ofegou — Draco, quero... — arfou outra vez, sem conseguir terminar a frase. Nem sabia mais o que dizer.

Ele prosseguiu com os carinhos sem se importar com uma pausa. Ela sentiu os pés arquearem e os dedos curvarem no primeiro súbito tremor. E, logo após, seu corpo estremeceu de maneira incontrolável, enquanto a sensação torturante de prazer arrancava-lhe um gri to alucinante.

Hermione relaxou a ponto de sentir a mente quase apa gar. O corpo, ainda ressentido pelo estresse provoca do pela febre dos últimos dias mergulhou no calor do êxtase e transpirou por todos os poros. Ela não conse guia abrir os olhos ainda que quisesse. Tinha uma leve consciência de estar sendo amparada nos braços dele. Embora ainda ansiasse pelo relacionamento pleno com ele o sono a venceu.

Era quase noite quando Hermione acordou. O quarto estava parcialmente iluminado pela luz do corredor, que se infiltrava pelo vão da porta. Ela piscou várias vezes até as pupilas se ajustarem à penumbra.

Puxando pela memória, procurou se lembrar do que acontecera antes de adormecer. E ao se recordar, per cebeu a excitação invadi-la outra vez. Ainda ansiava ser possuída por Draco de forma absoluta e incontes tável.

Ele estava bem ali do seu lado, com um dos braços repousado nos quadris dela. Sentia-lhe a respiração forte da nuca, mas sabia que ele estava acordado por causa da musculatura retesada.

— Onde estou? — Ela quis saber com um sorriso esboçado.

— No lugar certo. — A resposta foi imediata.

— E onde é? — perguntou ela, sabendo a resposta mas desejando ouvir dos próprios lábios dele, com aquele tom de voz apaixonante.

— Na minha cama.

Ela girou o corpo de forma a ficar de frente para ele. O brilho estonteante dos olhos cinzas podia ser notado até mesmo na penumbra do ambiente.

Ela aproximou os lábios da boca máscula e apetitosa e o beijou com a sensualidade à flor da pele e a urgência da satisfação máxima pulsando no ventre. Nada mais importava. Nada além do que estar com ele naquele momento.

Ao pressionar o corpo contra o dele, descobriu extasiada que Draco estava nu. A pele aquecida, os músculos rijos e excitados. Perfeito e disponível!

Ela baixou os olhos para o próprio corpo e pergun tou, fingindo estar zangada:

— Onde está meu robe?

— Escapou das minhas mãos. — Draco declarou com um sorriso largo.

Hermione pôde captar um brilho dos dentes alvos.

— Você pegou a mania de me despir quando ador meço?

Draco gargalhou divertido.

Ela simulou uma expressão severa e afagou o tórax largo. Sentiu a pronta resposta das coxas musculosas pressionan do as dela.

— Sinto muito ter dormido — afirmou ela, num sopro de voz, entre beijos espaçados e mordidelas pro vocantes.

— Não faz mal — ele sussurrou, Com uma das mãos alisando-lhe as costas. — Fica mais linda ainda quan do está adormecida!

— Estou acordada agora. — declarou Hermione, desli zando o corpo para poder acariciar as coxas grossas. E, deparando com o centro viril, acariciou-o com ambas as mãos, admirando-lhe o vigor.

— Não, Hermione! — exclamou ele, esforçando-se para falar. Ao mesmo tempo segurou-lhe os pulsos e girou o corpo, sobrepondo-o ao dela. — Quero você!

— E o que está esperando?

O verde do olhar iluminou-se com volúpia e ela se derreteu ainda mais.

— Estou esperando há tanto tempo que não quero acabar em dois minutos.

Hermione quase morreu de excitação ao ouvir aquela confissão. Só não sabia se conseguiria esperar por mais tempo, ela o queria naquele mesmo instante. Draco, porém, insistia em protelar. As mãos e a boca em movimentos lentos acariciavam os pontos sensí veis do corpo delicado, incendiando-os até ela quase perder a razão.

Estavam tão abrasados que Draco afastou os lençóis, jogando-os ao chão. Os corpos nus se acariciavam freneticamente. Hermione libertou-se das rédeas que lhe re primiam o desejo de tocá-lo da maneira como sonha ra, noite após noite, saciando a vontade com carícias atrevidas até ele gemer e pedir que parasse. Então, ficou imóvel e deixou que Draco comandasse. E os afa gos incitantes que ele lhe fez a fariam corar ao se lem brar deles depois!

— Draco... Não suporto mais... Faça amor comigo. Ele engoliu a saliva e tomou fôlego.

— Tem certeza de que está pronta?

Ela estava mais do que pronta, e não desejava nada mais no mundo que não fosse unir-se a ele de uma maneira desprendida e total.

Draco fixou o olhar sedutor e em chamas nos olhos dela e por fim a possuiu.

Foi tão bom que Hermione teve a sensação de ter supe rado todos os sentidos e finalmente ter atingido o nirvana. Em puro delírio, moveu os quadris.

— Ainda não — pediu ele.

Ela assistia o esforço de Draco para adiar o clímax. Com isso, teve a certeza de que ele a queria, tanto quan to ela o desejava.

Ele acariciou-lhe os cabelos e depois lhe contornou as linhas do rosto, só então, iniciou os movimentos rítmicos, lentos a princípio, para se acelerarem à me dida que sentia que ela o acompanhava.

Hermione respondia com o corpo agitado, enquanto per corria com os dedos toda a extensão das costas escul pidas em ferro. E a dança erótica prosseguiu até o vi gor físico se esgotar e Draco encerrar a luta pelo autocontrole. Ela sentiu os espasmos dos músculos viris e agarrou-se a ele, fincando-lhe as unhas e pres sionando para estreitar ainda mais a união.

Os gritos roucos e gemidos transmitiam as sensa ções delirantes do clímax que experimentavam.

Depois, o silêncio.

Corpos suados e saciados tombaram abraçados, lado a lado. O intervalo para repouso, porém, não foi muito longo.

Hermione não saberia dizer se ao longo da noite a pai xão se repetiu quatro ou cinco vezes. Tudo que sabia era que por mais que acontecesse, nunca parecia ser o suficiente. Draco era, verdadeiramente, um "deus do sexo". Ela jamais experenciara tamanho prazer. E agora com certeza iria querer cada vez mais. Uma noite ape nas não será o suficiente, pensou.

Pela manhã, o mágico mistério da penumbra ainda permanecia por conta das cortinas fechadas. Era como se estivessem enclausurados dentro de uma bolha, num mundo onde somente eles existiam. Onde dúvidas e temores fossem estritamente proibidos.

Sentada numa das banquetas da mesa de fórmica branca na cozinha, usando a camisola negra de seda, Hermione admirava Draco, entretido com as panelas e ves tido apenas com um short azul com listras brancas.

Logo depois, ele trouxe-lhe um prato pequeno de porcelana contendo ovos mexidos. Ela sorriu radiante e estendeu um dos braços para receber o alimento e, distraída, nem percebeu que uma das alças da camiso la deslizou, desnudando-lhe o seio. Estava pensando que nunca alguém se importara tanto com ela e nem a mimara daquela maneira. Também nunca fizera amor com tanta paixão. Porém, uma voz interior a incomo dava. Seria apenas atração física?

No instante seguinte, assustou-se com a aproxima ção súbita de Draco cujo olhar fascinado estava fixo na parte exposta do seio. E bastaram alguns afagos para que ela esquecesse de pronto as preocupações, as re gras e os ovos...

Em segundos ele a livrou da lingerie e do pró prio short. Tomou-a nos braços, seguindo para o banheiro. Embaixo da ducha morna, ensaboou-lhe as costas e os ombros delicados. Hermione retribuiu a massagem revigorante, e ali mesmo, se amaram. Desta vez, mais devagar. Porém, não com menos paixão.

Depois de tudo, Hermione enfiou-se na camisola e so brepôs o robe, insistindo mentalmente que deve ria ter vestido as roupas propriamente ditas. Se o can saço afastou a dúvida, não fez o mesmo com a voz crítica interior que prosseguia protestando: O que está fazendo, Hermione? Não deveria nem mesmo estar aqui! Está sendo tola. Ele só está se aproveitando da situ ação...

Quando Hermione entrou na sala, Draco estava sentado no canto do sofá e, ao lado dele, havia um edredom perfeitamente disposto para que ela se acomodasse. Na mesa de centro, uma jarra com água gelada e al guns livros. Ele era tão gentil e meticuloso que ela relutava em acreditar que aquilo tudo fosse verdade. Desde que a mãe morrera jamais conhecera uma dedi cação como aquela.

Draco ergueu-se e auxiliou-a a se acomodar. Depois tornou a sentar-se no mesmo lugar.

— Precisamos conversar, Hermione.

— Não, Draco. Não precisamos.

— Eu insisto.

— Não — repetiu ela, com maior firmeza na voz — Não quero ouvir nada. — concluiu, desejando des frutar um pouco mais da magia do momento.

Os olhos cinzas ostentavam um brilho de incom preensão.

Por um momento, ela quase fraquejou, Mas as dú vidas ainda persistiam. Será que aquilo tudo não leva ria a promessas e mais promessas? Da mesma manei ra que McLaggen lhe havia feito? Ou o chefe de sua mãe também fizera a ela? Mentiras... Enganos... Desilu sões?

Não. Ela não deveria confiar nele de maneira cega e inocente. Afinal, mal o conhecia!

Uma parte da consciência se rebelava. Não era bem assim... Outra voz intensa contradizia: testemunhara a integridade dele no trabalho, na conduta pessoal e social. Santo Deus! De que mais ela precisava para acreditar na sinceridade de Draco? Estava no aparta mento dele, algo que jamais acontecera com McLaggen, e não havia ali sinal algum da presença de outra mu lher na vida dele.

Porém, o lado prudente da lucidez insistia na caute la. Assim que estivesse em casa, o melhor seria dar o romance por terminado. Não deveria prosseguir com esse relacionamento no escritório.

E enquanto pensava, sabia que ele permanecia observando-a.

— Hermione...

Imaginando que só iria ouvir mentiras calou-lhe a boca da melhor forma que podia: beijou-lhe os lábios com intensidade.

Após algumas horas de entretenimento com a leitu ra, Draco foi até a cozinha e trouxe duas tigelas de sopa que saborearam bem lentamente. Como sobremesa, nada mais doce do que mais um momento amor. En tão, um bom cochilo.

No momento que Hermione acordou, o corpo doía, po rém, plenamente saciado. A cabeça ainda repousada no colo de Draco e uma música ambiente suave. Ele era um amante sensacional e um romântico perfeito! Ela admirou em pensamento.

— Hermione?

Ela adorava o tom daquela voz, mas não queria ou vir o que Draco tinha a dizer.

— Preciso ir embora — falou com determinação. Ele sorriu.

— Esse é o problema — declarou Draco, com um beijo rápido nos lábios dela — Estava pensando em convidá-la para ficar pelo restante do fim de semana.

Mais um dia de prazer? Ela ponderou. Queria recu sar, mas o poder irresistível que ele exercia sobre ela por fim a fez concordar.

Hermione estendeu as pernas e remexeu os dedos dos pés a fim de relaxá-los. Depois, aninhou-se outra vez no colo dele.

— Pensei que agora fosse minha vez de repousar a cabeça e descansar.

A voz de Draco soou alegre e divertida. Mas Hermione já estava quase adormecida, com as pálpebras pesadas e um sorriso feliz nos lábios róseos e intumescidos.