CAPÍTULO NOVE

Hermione alcançava o final do quarteirão quando perce beu que um táxi a acompanhava. Ignorando quem quer que fosse, prosseguiu acelerada. O motorista avançou alguns metros e parou o carro. A porta traseira do ve ículo foi aberta no momento exato em que ela passa va.

— Entre Hermione, ou prefere pegar uma pneumonia? — Ela ouviu a voz de Draco e estacou. Ele mantinha um sorriso forçado para disfarçar a tensão.

Sentiu o corpo aquecer em segundos, apesar do frio e da chuva. Como podia reagir tão rápido à simples imagem daquele homem?

— É só uma carona para casa! — ele insistiu.

Como Hermione poderia resistir àqueles olhos ou impe dir-se de ficar por pelo menos mais cinco minutos ao lado dele?

Draco afastou-se para o outro extremo do banco para que Hermione pudesse entrar e se acomodar.

Ele informou o endereço e o motorista prosseguiu a viagem.

— Sinto muito se eu o embaracei na frente de todos que estavam no bar.

— Não tem por que se lamentar, Hermione. Eu não me aborreci com isso. Pouco me importa que o mundo inteiro saiba que estamos saindo juntos. Só fiquei surpreso pela sua reação em público, já que faz tanta questão de evitar comentários.

Enquanto ele falava, com o canto dos olhos obser vava-lhe a blusa agora ensopada e transparente. Ain da bem que ela estava usando o paletó, que, mesmo desabotoada, encobria os bicos enrijecidos dos seios. Quando ele desviou o olhar para as pernas bem torneadas, Hermione travou os joelhos, para impedir qual quer tipo de provocação.

— Essa não é a verdade, Draco. Eu menti. Não dou a mínima para o que os outros pensam.

Ele ergueu uma das sobrancelhas.

— Então por que fez isso? — Houve uma pausa.

— Menti porque não queria me envolver com nin guém do trabalho. Muito menos com o "chefe". Apren di essa lição da maneira mais cruel.

— E qual foi essa maneira? — Draco perguntou, remexendo-se no banco, para controlar a ansiedade.

— Minha mãe teve um romance com o chefe dela, quando eu tinha 16 anos. Estava apaixonada e acredi tava que ele iria se casar com ela. Porém, ele só a esta va usando. — Hermione deteve-se para um suspiro desgostoso, depois prosseguiu: — A última vez que conversamos, ela estava saindo do trabalho, revelando-me toda a decepção que estava sentindo e me pe diu para jamais cometer o mesmo erro... Cinco minu tos depois, aconteceu o acidente e ela morreu. O pior é que não segui os conselhos dela. Quando fiquei mais velha, acabei fazendo a mesma coisa.

— Apaixonando-se pelo "chefe"? — Hermione assentiu com a cabeça.

— Patético, não é? Ele me enganou direitinho! Pe dia para mantermos nosso romance em segredo para evitar comentários sobre "favoritismos". Nunca íamos juntos a lugares públicos. Eu nunca me questionei se aquilo era certo. Estava tão feliz por ter alguém que se importasse comigo e me amasse que nem me preocu pei em investigar qualquer coisa a respeito da vida particular dele. Depois que perdi minha mãe, fiquei tão solitária e carente que me tornei uma presa fácil para um homem dominador.

— Ele era casado?

— Não. Mas já estava com a data do casamento marcada. Quando descobri a verdade senti o mundo desabar sob meus pés. E é claro que ele veio com desculpas e mais desculpas. Argumentava que se tra tava de um casamento arranjado pela família, mas que eu era o verdadeiro amor de sua vida. Como ig norei as justificativas e me afastei dele sem lhe dar a menor chance de reconciliação, já que era meu che fe, resolveu vingar-se arrumando um jeito de me en costar em trabalhos monótonos e sem importância. Ou seja, impedindo qualquer oportunidade de pro moção na minha carreira. Não me interessei em processá-lo por assédio no trabalho, para evitar ex por minha vida sentimental. O jeito foi desistir e pe dir demissão. E agora... aparece você!

Draco a olhou furioso.

— Não tenho nada a ver com essa história, Hermione. Não sou como eles. Sabe muito bem que tenho sido sincero com você. Já ficou no meu apartamento e com provou que não tenho nenhuma outra mulher.

O motorista estacionou o carro frente ao prédio onde Hermione morava.

— De qualquer maneira, não faz diferença, Draco. Vou partir em menos de 6 semanas.

— Ainda insiste que está tudo acabado?

— É melhor assim.

— Seis semanas é tão pouco! — protestou ele. — Por que não aproveitar? Tenho tantos planos de pas seios que iria adorar!

— Porque é tempo suficiente para provocar um dano irreversível ao coração. Seria um erro!

Draco entristeceu o olhar.

— Tem certeza de sua decisão?

— Não. Mas sei que é a melhor.

Hermione falou com a razão, mas não podia evitar os anseios do corpo que clamava pelo dele, quase implo rando por uma carícia. E, antes que acabasse cedendo à tentação, desceu do carro e subiu as escadas o mais rápido que pôde, desesperada por entrar no apartamen to e trancar a porta.

Enquanto os dedos trêmulos lidavam com as cha ves, ela ouviu a voz de Draco a menos de três passos de distância.

— Sabe o que acho disso tudo? — rosnou ele, en tortando a boca para falar. — Uma idiotice!

— Então o que sugere? — Hermione perguntou, no mo mento em que conseguiu abrir a porta.

— Pelo menos mais uma noite! Sei que me deseja tanto quanto eu a quero!

Antes que ela respondesse, Draco a enlaçou pela cintura e entrou junto com ela. Abraçados, trocan do beijos famintos, chegaram ao apartamento de Hermione.

A urgência era tão grande que o pouco espaço até a cama parecia distante demais. Draco aprisionou-a con tra a porta e ergueu-lhe a saia, livrando-a da calcinha da maneira mais rude possível: rasgando-a. O tecido fino e delicado desfez-se diante dos dedos grossos e poderosos. Em seguida, desafivelou o cinto e permi tiu que as próprias calças deslizassem até os pés, acom panhadas do boxer.

Não havia tempo para preâmbulos. Ali mesmo, ele a possuiu com furor e paixão, sendo recepcionado com a mesma intensidade. O desejo reprimido explodiu como uma bomba impulsionando os corpos ofegantes e ansiosos em direção ao prazer máximo.

O ranger da porta, sacudida pelas investidas frené ticas, soava provocante, incitando ainda mais o mo mento glorioso.

Os gritos de loucura no êxtase final ecoaram em uníssono! Depois, só o silêncio e as respirações arfantes testemunhavam os corpos suados relaxarem aos pou cos, apoiados um no outro.

— Eu a machuquei? — perguntou Draco, preocupa do com a avassaladora relação amorosa.

— Não. Você foi fantástico! — Ela respondeu, arfante e sorrindo, diante da expressão assustada que ele mantinha. — E você? Sentindo-se mais aliviado?

— Sim. Mas ficarei melhor quando estivermos estirados naquela cama — revelou Draco, apoiando uma das mãos na porta.

— Eu também. Mas fique sabendo de que precisará me carregar. Não tenho nem mais um pingo de ener gia sobrando.

— Tudo bem. — res pondeu ele com um brilho esplendoroso nos olhos bo nitos, que o fazia parecer um garoto travesso.

Com maior facilidade ergueu-a pela cintura. Para surpresa de Hermione, acomodou-a sobre o ombro direito.

— Ei! Está pensando que sou um saco de batatas? — Draco deu uma gargalhada espalhafatosa.

— Não. É que assim é mais divertido...

Quando ele a acomodou na cama, sobrepôs o pró prio corpo ao dela e com o polegar de uma das mãos traçou o contorno dos lábios intumescidos pela fúria dos beijos dele.

— Só por esta noite — lembrou Hermione, com o olhar insinuante.

— Vamos viver um dia de cada vez, linda.

Quando Hermione acordou, no dia seguinte, estava so zinha na cama.

Imaginou que, finalmente, Draco concordara com ela: só por uma noite. Duvidava que fosse conseguir resis tir nas semanas que restavam se ele insistisse em saí rem.

Draco era mais do que uma tentação irresistível e significava para ela muito mais que um simples caso. Ele a acusara de estar arrumando desculpas para dispensá-lo. E tinha razão. O verdadeiro motivo pelo qual ela o estava afastando era porque gostaria de ter Draco pelo resto da vida e não por seis semanas ape nas. Ele lhe dissera que tinha planos para aproveita rem ao máximo os fins de semana que restavam. Hermione tinha a certeza de que seria maravilhoso. Porém, representava uma dificuldade ainda maior para tentar esquecê-lo. Por isso queria começar logo a recuperar-se para enfrentar a difícil separação.

Quem sabe a viagem oferecida pela firma de Portu gal não viesse a calhar?

Ao ouvir o giro da chave na fechadura, sobressaltou-se. E foi com surpresa que viu Draco entrar, lotado de sacolas do supermercado.

— Já acordou? — Draco foi logo falando — Hoje é sábado. Aproveite para descansar um pouco mais. Ainda está um pouco pálida.

— Quanto tempo pretende permanecer aqui?—per guntou Hermione.

— Pelo menos até vê-la alimentada com uma refei ção decente. Precisa recuperar as energias.

Enquanto repisava as mesmas ladainhas, armaze nava da forma que podia os mantimentos nas pratelei ras e no frigobar. Além de um sortido de frios, pão, café, framboesas e dois litros de suco de abacaxi.

Ela tinha que admitir que Draco era o homem mais atencioso e gentil que já conhecera em toda a sua vida.

Depois de forçá-la a um café da manhã completo, Draco declarou:

— Agora quero que descanse bastante. Preciso ir para o meu apartamento e trocar de roupa. Virei buscá-la à noite para jantarmos juntos. Eu mesmo vou preparar a refeição. Vai adorar! — E, com voz animada, preveniu: — Arrume uma sacola com rou pas extras e não esqueça de colocar um par de tênis. Planejei um passeio para amanhã que vai lhe tirar o fôlego!

Ela suspirou.

— Combinamos que seria nossa última noite jun tos, lembra-se?

— Não. Só me lembro de dizer que viveríamos um dia de cada vez.

Não tinha jeito, pensou Hermione. Era impossível dizer "não" a Draco. Ou, pior, dizer "não" a si mesma. E não era apenas pelo prazer do sexo. Ela gostava da com panhia dele. De estar com ele, falar, sorrir e principal mente, vê-lo sorrir. Era como se provasse uma droga da qual era muito difícil se libertar.

Ela pensou na mãe e em toda a história com o "chefe" dela. Então, lembrou-se do que ela lhe dissera a respeito do amor que dedicara ao pai de Hermione. Bem como todos os anos em que chorara pela perda dele. Dizia a todos que quisessem ouvir: "Melhor ter um grande amor e perder do que nunca ter amado nin guém."

— Está bem, Draco. Farei como diz. Finalmente ela entendeu que não deveria desistir dele. Pelo menos não até que fosse obrigada.

No domingo à noite, após um dia de passeio mara vilhoso, Hermione pediu que Draco a levasse para casa. Não queria que saíssem juntos para o trabalho no outro dia.

— Todos já sabem que estamos juntos, Hermione. Que diferença isso fará? — ponderou Draco.

Hermione encolheu os ombros.


N/A: Olá gente! Sinto muito pelos erros comunicados! Fiz uma super revisão na fanfic e me certifiquei que eram apenas nos dois primeiros capítulos. Também posto essa fanfic em outro site e neste não haviam os erros apontados. Acho que na hora de revisar acabei não salvando as alterações nesses primeiros capítulos, o que parou de acontecer depois. Até, é por isso que postei 8 capítulos de uma vez. A fic já estava em andamento no outro site e não achei justo demorar a postar só para conseguir mais reviews! Então, em compensação, mandem várias que deixarão uma autora feliz! :)
Os espaços que ficam entre as palavra, tentei dar um jeito, mas no arquivos esses espaços não existem! Então não faço ideia de como revomê-los. Desculpem por isso.
Outra coisa! Venho com uma super boa notícia: Consegui autorização na autora e da tradutora para continuar a tradução desta fanfic /s/5467191/1/Um_Casamento_Mais_do_Que_Conveniente
Em breve começarei as postagens!

Beijooos!