CAPÍTULO DEZ
No sábado, pela manhã, Hermione pediu que Draco a le vasse para casa. Ele aceitou a idéia de só se verem outra vez no domingo, embora com grande relutância. Ela argumentou que precisava descansar de verdade e isso só aconteceria se ficasse distante dele, ao menos por 24 horas.
— Ligue se precisar de algo — ele ofereceu antes de ir embora.
Hermione aproveitou para ir à farmácia e comprar um kit de teste de gravidez. Optou pelo mais moderno e eficiente, capaz de um resultado seguro, antes mesmo do início do período menstrual.
Assim que retornou ao apartamento, a primeira coisa que fez foi o teste.
"Positivo" foi o resultado incontestável.
Como podia? Ela perguntou-se incrédula e se apres sou a sentar na cama com medo de cair por conta da tontura que sentiu. Não era possível! Estava tomando as pílulas anticoncepcionais da forma correta!
Inconformada, ergueu-se e procurou pela carteia para certificar-se de que não esquecera de nenhum. Os orifícios vagos estavam nos dias certos. Como te ria acontecido?
Lembrou-se das palavras de Draco: um dia de cada vez. Queria que vivessem o mais intensamente possí vel antes que ela partisse. Apenas um romance arden te entre duas pessoas que se desejavam loucamente.
Nada mais. Talvez uma distração como ele dissera uma vez. Provavelmente haveria outra para substituí-la quando fosse embora. Não era um relacionamento sé rio e nunca o fora. Hermione tinha consciência disso. Sua mãe a avisara e McLaggen provara com atitudes que ela estava correta. Por que ela tinha que se envolver com alguém que não a assumiria? Por qual razão insistia em persistir no mesmo erro? Será que nunca aprende ria a lição?
Draco lhe dissera que era diferente dos outros e que não havia outra mulher em sua vida. Mesmo assim, isso não queria dizer que pretendia levar esse roman ce adiante.
Será que deveria lhe contar? Ela duvidou em pen samento. E se ele a acusasse de ter pretendido uma gravidez apenas para forçá-lo a casar-se com ela? Se é que Draco teria uma atitude de arcar com as responsa bilidades. O que ela duvidava. Também o seu amor próprio jamais permitiria se colocar numa situação tão humilhante. Ela lhe garantira que tomava pílulas, o que era a mais pura verdade.
Apenas para garantir-se de um eventual falso resul tado, ela retornou à farmácia e comprou um novo kit, produzido por um laboratório diferente. Realizou um segundo teste. O resultado positivo se repetiu. Não havia mais dúvidas: estava grávida!
Quando as náuseas retornaram, ela correu para o banheiro, socando a testa com raiva. Depois afundou os dedos das mãos entre os cabelos espessos agarran do firme algumas mechas e sacudindo-as. Não se con formava com a própria estupidez. Sabia que não deveria envolver-se outra vez com alguém do trabalho. Muito menos com o chefe. Justo no momento em que estava de partida acertada.
Não fora capaz de resistir à luxúria e agora teria que pagar o preço. Estaria retornando para o país onde não tinha família e com uma gravidez acidental que a impediria de conseguir um emprego. O que faria para se sustentar?
Sua mãe sobrevivera a uma situação semelhante, em plena adolescência e cansara de lhe avisar das di ficuldades que enfrentara para poder dar conta de cri ar uma criança sem contar com ninguém para ajudar.
Hermione suspirou fundo e analisou outra vez se deve ria contar a Draco. Tinha medo de enfrentar uma rea ção negativa que pudesse magoá-la ainda mais.
Para acalmar a mente atribulada decidiu que Draco tinha o direito de saber. Mas não lhe contaria agora. Melhor esperar. Ainda tinha alguns dias pela frente e um mínimo de esperança de que o resultado pudesse ser falso.
Com os nervos em frangalhos de tanto pensar, ati rou-se na cama com a idéia de dormir para relaxar, ainda que por pouco tempo. Antigos medos e dúvidas retornaram com mais força do que nunca, impedindo-a de conciliar o sono.
Exausta, passou a noite acordada, sentindo-se per dida e tremendamente só.
Os dias que se seguiram passavam lentos e monótonos. Hermione ia freqüentemente ao banheiro feminino na vã esperança de que estivesse enganada. Procurou esconder de Draco o que se passava com ela. Ele era a sua única fonte de alegria. E fraca como se sentia, era melhor não ficar sozinha. Apesar do medo da reação dele caso descobrisse e também de saber que o ro mance não tinha futuro, não conseguia ficar longe dele. Odiava-se por isso.
O único consolo de Hermione era lembrar-se das fotos que vira no álbum de família no apartamento de Draco. Será que o bebê que esperava teria o mesmo sorriso arrasador do pai? E os mesmos olhos da cor do diamante?
— Acho que deve consultar um médico — afirmou Draco em uma das vezes que saíam do trabalho — Pa rece péssima!
— Não é preciso. Deve ser um resquício da gripe.
— Isso não é possível. Ninguém fica gripado por tanto tempo assim.
Draco estava certo e ela também sabia disso. A cada novo dia, ficava mais difícil disfarçar.
Fizera um novo teste e o resultado persistia. Ela te mia pelo futuro e não tinha coragem de contar a ele. Uma acusação de chantagem acabaria com o pouco de orgulho que ainda lhe restava.
Por fim, tomou a decisão final de que deveria co meçar por evitá-lo o máximo que pudesse. Era uma forma de começar a acostumar-se com a idéia de ficar só e arcar com a responsabilidade de seus atos.
Por duas noites seguidas permaneceu em seu apar tamento com a desculpa de que precisava descansar para recuperar-se mais depressa. No terceiro dia, saiu mais cedo do escritório e foi sozinha para casa.
À noite, teve outra crise de enjôo. Estava saindo do banheiro quando ouviu pancadas na porta. Só podia ser Draco, pensou Hermione. Quando abriu a porta, ele en trou feito um furacão.
— Está me evitando porque não está bem e não con segue melhorar, não é? Trouxe-lhe algo que deve usar agora mesmo — Ele determinou e entregou-lhe uma pequena sacola plástica.
— O que é isso? — Ela quis saber, retirando de dentro da embalagem uma caixinha cor-de-rosa. Ar regalou os olhos, quando reconheceu o kit de teste de gravidez.
— Minha irmã teve esses mesmos sintomas quan do engravidou. — declarou Draco, demonstrando que não era tão distraído a ponto de não perceber o que significavam os constantes enjôos, a palidez, as olhei ras e outros sinais que via em Hermione.
Contudo, ele não parecia feliz. Hermione estremeceu.
— Não, Draco. Não vou fazer o teste.
— Por quê? Provavelmente dará negativo. Você me disse que toma anticoncepcionais. Seria só para alivi ar a consciência, não acha válido?
— Não quero — ela insistiu, e saiu, dirigindo-se para a janela.
Ele a seguiu.
— Não vejo motivos para se recusar a fazer o teste. — insistiu ele.
— Não preciso... Eu já sei qual será o resultado.
— Como já sabe o resultado se ainda não realizou o teste? — indagou Draco. E, depois, com um tom de voz que revelava desconfiança, questionou: — Está me es condendo alguma coisa?
Ela virou-se de costas para ele e apreciou os prédi os iluminados através dos vidros da janela. Assim que tomou coragem, girou o corpo e o encarou, despejan do de uma só vez:
— Estou grávida.
Draco paralisou o olhar.
— Há quanto tempo sabe disso?
— Há poucos dias.
— Quantos?
— Não sei. Alguns.
— E quando planejava me contar? Se é que preten dia fazer isso. — Draco enfatizou.
— Bem... eu...
— Teria coragem de voltar para a Nova Zelândia grávida de um filho meu, sem sequer me contar? — ques tionou Draco, dando um passo a mais na direção dela. — Isto é, supondo que você tenha decidido ter essa criança!
— Claro que eu vou ter esse bebê! — exclamou, debulhando-se em lágrimas.
— Então é melhor começar por cuidar de você — afirmou ele, começando a passear pela sala de um lado para outro. — Vai permitir que eu a ajude?
Mas, sem aguardar a resposta, Draco tirou o celular do bolso do paletó azul-marinho e abrindo-o pressio nou as teclas:
— Doutor? É Draco Malfoy. Sinto incomodá-lo outra vez... Gostaria de saber se conhece um bom obstetra... Óti mo... Pode me dar o número do telefone da clínica?
Hermione o observava em silêncio. Pouco depois ele lhe comunicava que marcara uma consulta com o obste tra para as dez da manhã do dia seguinte.
— Você não tem o direito de tomar as decisões por mim — Hermione criticou, empinando o nariz.
Só não esperava uma reação tão furiosa de Draco que em tom ameaçador, acusou-a:
— E você não tinha o direito de esconder que espe rava um filho meu! Não está em posição de julgar o que é certo ou não para mim.
Hermione baixou o olhar. Ele tinha razão. Além do que, era mais do que necessário consultar um médico para saber se estava tudo bem. Ela não tinha idéia se era normal o mal-estar que sentia. Nem mesmo tinha a mãe para poder perguntar.
— Está bem, Draco. Vou comparecer à consulta.
— Só quero que saiba que não está sozinha, Hermione.
Draco falou com a voz mais branda e afastou-se até a janela, debruçando-se no caixilho. Como se falasse sozinho, pronunciou em voz alta:
— Nos casaremos assim que a papelada estiver pronta.
— O que está dizendo?
Como se ela não tivesse perguntado nada, prosse guiu, no mesmo tom de voz:
— Terá que ser rápido. Não haverá tempo para fes tas. Quem sabe mais tarde... O importante é legalizar nossa situação.
Ela andou alguns passos e posicionou-se ao lado dele. Com a entonação mais firme que conseguiu, ar gumentou:
— Não vou me casar com você, Draco!
— Então o que pensa fazer?
— O que quero dizer é que não precisa se casar comi go por causa da criança. Eu jamais o impedirei de ver seu filho. — E, após um suspiro para aliviar a tensão, con cluiu o que pensava: — A última coisa que espero é um casamento forçado por causa de uma gravidez não pla nejada. Só traria infelicidade para todos nós. — Draco, porém, permanecia cético.
— Seu visto está expirando. Precisamos nos apres sar para garantir que você permaneça no país. Quero que o bebê nasça aqui em Londres.
Hermione ficou feliz por ver que Draco não reagira como provavelmente McLaggen faria. Contudo, estranhava o fato de ele não ter perguntado como a gravidez ocorrera uma vez que ela estava tomando as pílulas. Será que mais tarde não lhe jogaria isso na cara?
— Não, Draco. Não vamos nos casar por causa do bebê.
Hermione estava decidida a não manipular e nem ser manipulada. Não se valeria da gravidez para casar-se com o homem que amava. Seria um erro pior ainda.
Mas Draco não estava disposto a ceder:
— Ouça, Hermione. Admito que estou surpreso. Mas o importante agora não é discutir como aconteceu e sim o que é mais sensato a ser feito. De uma coisa pode estar certa: não permitirei que um filho meu cresça longe de mim!
Ela sentiu o chão sumir sob os seus pés. O que ela gostaria era que Draco revelasse seus verdadeiros sen timentos com relação a ela e não que a tratasse como se fosse o mais recente projeto a ser gerenciado.
Hermione precisava de tempo para pensar. Pela primei ra vez, desejou que ele fosse embora:
— Deixe-me o endereço do médico e eu me encon trarei com você na clínica.
— Não, Hermione. Vou ficar aqui mesmo — decidiu ele. E, diante do olhar espantado dela, explicou-se: — Não sei mais se posso confiar em você. Se não a tives se forçado a admitir, talvez nunca ficasse sabendo que eu teria um filho. E essa não é uma atitude que eu esperava merecer de sua parte.
O olhar de Hermione nublou-se e caiu a tristeza.
A verdade era que ele não confiava nela e nem ela sabia o que pensar dele. O relacionamento relâmpago que tiveram era destinado a ser apenas um caso passa geiro. Será que eles teriam condições de transformar tudo aquilo em uma relação duradoura e feliz?
Draco saiu com o pretexto de encontrar algo para jantar, já que Hermione declarou-se sem fome. Ele tam bém havia perdido o apetite diante dos últimos acon tecimentos.
Enquanto cruzava as galerias lotadas de visitantes no imenso aglomerado de prédios de alto luxo, pensa va no que acabara de fazer: pedira uma mulher em casamento! Pedir não era bem o termo certo. Apenas lhe avisara o que aconteceria. Casamento... E filhos!
Soava mais como uma notificação!
Por um instante deu-se conta de que apenas desfilara as palavras à medida que elas lhe vinham à mente. O que deveria fazer a não ser tomar a atitude que lhe parecia mais correta? De acordo com a moral com que fora criado, se um homem engravidava uma mulher, deveria arcar com a responsabilidade. Essa era a coisa mais decente a ser feita.
Mas será que era o que ele realmente queria?
O romance com Hermione era para ser intenso, enquanto durasse a permanência dela em Londres, para que desfrutassem da mútua atração sexual.
Agora o que parecia uma simples diversão, tornava-se o passo mais sério que iria tomar na vida.
E aquilo para o que estava menos preparado eram as noites mal-dormidas com o choro de crianças e toda aquela trabalheira que ele às vezes testemunhava ven do a irmã e o cunhado discutirem exaltados por conta do estresse com as crianças. Isso porque formavam um casal bem estruturado, apaixonados desde os tem pos de colégio. Um casamento por amor. Será que ele e Hermione conseguiriam superar essas fases com um re lacionamento de tão pouco tempo e baseado apenas na atração física?
Quando Draco retornou ao apartamento, Hermione estava usando pijama e assistia tevê deitada na cama. Draco despiu-se e se acomodou ao lado dela. Pouco tempo depois, desligou a tevê ao ver que Draco adormecera. Era a primeira vez que partilhavam da mesma cama sem sequer se tocarem.
Hermione sentiu uma inexplicável solidão antes de conseguir dormir.
N/A: Me pegaram no flagra! huahauhaau Na floreios eu já havia postado esse capítulo! Mas o que eu posso fazer? Lá me mandam mais reviews! hehehe Obrigada pelos comentários! Continuem mandando muuuuitos comentários! Beijos!
Lembrando que já postei a continuação da tradução de "Um Casamento mais do que Conveniente"! É só entrar no meu profile e dar uma conferida ;D
