Corri pela rua, gritando até fazer um táxi parar.
Dei-lhe o endereço e guardei o cartão na bolsa, passando o resto da corrida batucando com os dedos na minha perna, impaciente, mas quando o carro parou, eu não consegui me mexer.
- Moça! – o taxista chamou, me fazendo pular – Chegamos!
- É eu sei... – murmurei.
- Então...
- Só me dê um segundo, sim? – respirei fundo e desci do carro.
- Ei! O dinheiro! – ele gritou pela janela.
- O que? – me virei irritada. Já foi um inferno pra conseguir sair do carro, ele ainda me faz parar?
- O pagamento pela corrida!
Ok, agora eu me senti uma completa idiota.
- Desculpe... – joguei uma nota pela janela, e me voltei para o prédio.
Dei o primeiro passo, enquanto torcia a alça da bolsa nervosamente.
- Moça! – o taxista gritou, me fazendo virar, completamente transtornada.
- O que é? – gritei mais exasperada do que imaginei.
- O troco... – ele murmurou, assustado.
- Fique com a droga do troco! – esbravejei e entrei de uma vez no prédio, se eu demorasse mais era capaz de cair um meteoro na minha cabeça ou o Godzila apareceria e comeria a Torre Eiffel ou sentaria na pirâmide do Louvre, só pra tirar um sarro...
O hall de entrada estava quase completamente escuro, as luzes indiretas eram as únicas acesas, mas já eram o bastante para eu perceber que a decoração era austera. De frente para a porta havia um enorme espelho, que me fez sentir pequena ao encarar meu reflexo. Aquele lugar não parecia um prédio de apartamentos, nem de escritórios, nem de... Nada, na verdade.
Havia um elevador social e um de serviço, a porta do de serviço era enorme, de grade, daquelas que temos que levantar para podermos entrar, realmente feito para levar coisas grandes para cima, o que me deixou ainda mais confusa.
O teto era alto, o piso era de um marrom que já deveria ter sido brilhante, mas hoje estava opaco e fazia barulho quando eu andava, mesmo sem estar de salto. Embaixo do espelho havia um antigo sofá vitoriano com um estofamento vermelho desbotado.
Aquela entrada poderia ser de um prédio de luxo, como de um prostíbulo digno da pior parte da Rue Saint-Denis...
Completamente perturbador e intrigante. Como o homem que morava aqui.
Parei na frente do elevador e apertei o botão.
- Com licença! – uma voz masculina chamou, me fazendo pular.
O porteiro estava "escondido" atrás de um enorme balcão que eu realmente não sei como não havia visto, ao lado direito do espelho, a parte mais escura do hall.
- Me desculpe! – exclamei, levando a mão ao peito, tentando segurar o coração para que ele não saltasse do peito. O homem sorriu. Eu não conseguia identificar suas feições, encobertas por sombras.
- Não há problema algum... Quem veio ver?
- Edward Cullen! Acho que ele deve estar me esperando... – foi o que eu disse, mas estava na dúvida.
- Isabella Swan, não é? – eu arregalei os olhos, concordando com a cabeça, vagarosamente – Pode subir! – ele sorriu novamente.
Grego cretino e prepotente... Como poderia ter tanta certeza de que eu iria?
- Senhorita! Use o elevador de serviço... O social está quebrado! – isso me soou muito familiar já que o meu elevador não funcionava há anos, mas pelo menos eu não teria de subir escadas.
- Obrigada...
Fiz tanta força para puxar a porta para cima, esperando que emperrasse ou algo assim, que quase caí no chão quando ela subiu facilmente. Entrei quase de lado no elevador, sem tirar os olhos do porteiro.
Eu me sentia num filme de suspense. E deveria estar assustada, mas não conseguia parar de balançar a perna em antecipação. Será que era assim que Alice se sentia constantemente? Porque eu nunca vi alguém se balançar tanto!
Terceiro andar. O elevador parou. Levantei a grade e tropecei diretamente no apartamento de Edward.
Parecia um galpão antigo, com janelas grandes que davam uma vista perfeita da cidade. Mas dali, não era possível ver todo o interior. Segui a música estava tocando, caminhando lentamente, esticando o pescoço, tentando ver o que encontraria antes que meu corpo chegasse lá. A batida do rock fazia era contagiante e não combinava em nada com Edward, mas deixou a cena ainda melhor quando eu finalmente o vi.
Ele estava parado em frente a uma tela, que com certeza era maior do que eu, com um cigarro pendurado em seus lábios, usando apenas uma calça de moleton preta, coberta por manchas das mais variadas cores.
Seu rosto perfeito estava sério, sua testa franzida em concentração, algumas mechas de seu cabelo caiam sobre seus olhos, enquanto ele fazia amplos movimentos com o braço, deslizando o pincel pelo quadro.
Eu não disse nada, escorei na parede e fiquei assistindo, maravilhada.
Então ele fechou os olhos e suspirou, esfregando o braço no rosto, afastando o cabelo dos olhos e deixando uma mancha de tinta azul em sua testa. Preciso realmente dizer que ele ficou ainda mais delicioso?
Quando abriu os olhos novamente, ele percebeu que eu estava ali.
- Isabella? – perguntou parecendo um pouco surpreso.
- Agora me diga... – sorri e apontei o rádio antes de cruzar os braços – Jenifer Bartoli?
Ele abriu o mais incrível sorriso enviesado e eu agradeci por estar longe e ainda ter controle o bastante para ser engraçadinha.
- Não gosta? – ele perguntou, ainda sorrindo.
- Eu? – pensei por um instante – Gosto... Só não pensei que você gostaria!
- Por que? – me olhou curioso, limpando as mãos nas laterais da calça, deixando a impressão de suas palmas desenhadas em suas pernas.
- Não sei... – dei de ombros, quase me sentindo boba, mas ainda ri baixinho.
- Eu precisava disso! – ele disse calmamente naquela voz baixa, aveludada, que me deixava instantaneamente retardada, enquanto caminhava na minha direção.
- Precisava? – repeti bobamente, deixando os braços caírem ao longo do corpo.
- Com certeza... – ele murmurou, fechando os olhos por um breve instante, como se estivesse saboreando as palavras – Qualquer coisa para me fazer lembrar da minha musa... Que não estava aqui... – ele sorriu, e fechou a distância entre nós.
Eu prendi a respiração sem saber o que esperar, mas ele continuou a andar, parando atrás de mim. Suas mãos, um pouco grossas por causa da tinta seca grudada nelas, deslizaram na pele nua dos meus ombros, por dentro do meu casaco, o afastando até que eu estivesse sem ele.
Edward pegou também minha bolsa e as jogou num sofá que eu não tinha reparado que estava ali. Realmente eu ficava meio perdida quando o assunto era ele.
- Por que quer que eu seja sua musa? – era uma das coisas que eu ainda não conseguia entender.
Quero dizer... Olhe para ele. Agora olhe para mim. Ele com certeza consegue melhor! Não que eu esteja reclamando, é claro...
- Eu não quero... – ele respondeu enquanto me guiava mais para perto da área onde ele estava trabalhando. Não consegui conter a careta de desapontamento e lógico que ele viu – Não... – riu enquanto puxava uma poltrona para mim – Não foi isso que eu quis dizer.
- Então... – eu gesticulei com as mãos, esperando que ele continuasse.
- Eu realmente não escolho! Isso que eu quis dizer. – ele me deu essa resposta completamente extensa e satisfatória enquanto me fazia sentar.
- Como assim? – me ajeitei, puxando as pernas para cima, deixando-as ao lado do corpo, demorando pra perceber como eu já estava confortável. Muito folgada...
- Você pinta? – ele mudou completamente de assunto, me fazendo torcer o nariz.
- Sim... Não tão bem quanto você, é claro! – assumi, um tanto resignada.
Ele sorriu aquele sorriso deslumbrante e eu agradeci por estar sentada.
- Obrigada... – murmurou, correndo os dedos pelo cabelo, sorrindo, apesar de parecer sem graça.
Ah... Sério. Como eu posso resistir a isso? Ele realmente corou!
Edward não era um daqueles caras que você acabava caindo por ele ser completamente arrogante e prepotente, logo completamente sexy.
Ele era humilde, e completamente sexy, mas a cereja do bolo era que... Ele não sabia disso... Pelo menos pelo que vi até agora!
- Quando você se senta em frente a uma tela em branco, – ele recomeçou, com um brilho no olhar – não pode simplesmente pintar por pintar! – a paixão dele pelo assunto era tão evidente que me fez desviar os olhos do seu peitoral, esculpido por Afrodite só pra sacanear Adonis, e encarar seu rosto – Você tem que colocar sentimento... Você tem que ter-
- Inspiração... – completei num suspiro, completamente envolvida pelo jeito dele falar.
- Exato. – me olhou de um jeito indecifrável por um instante, mas abriu aquele sorriso enviesado em seguida.
- Mas o que eu tenho a ver com isso? – apoiei o cotovelo no braço do sofá e o queixo na mão, sem deixar de olhar para ele.
- Quando eu te vi, naquele salão, olhando tão intensamente para meu quadro... Foi uma sensação completamente... – ele desviou o olhar, deslizando os dedos pelo rosto lentamente, buscando a palavra – Trelos?
- O que? – franzi a testa apesar de ter perguntado quase rindo.
Edward riu, baixando a cabeça, o cabelo voltando a cair-lhe em volta dos olhos.
- Quando você fica... Perdido! Não consegue entender o que está acontecendo direito... Como se nada fizesse sentido...
- Louco? – chutei, adorando ver como ele lutava com as palavras com aquele sotaque incrível.
- Isso! – exclamou sorrindo, apontando para mim – Como se diz "louco" em francês?
- Fou... – disse devagar e sorri em seguida.
- Sabia que sua boca se move de um jeito fantástico quando você fala francês? – meu queixo caiu e eu senti minhas bochechas fervendo.
- Ahmm... É que... Eu... – ele riu baixinho – Está tentando me deixar constrangida? – foi a única coisa não-idiota que consegui falar.
- Desculpe... Só gosto de te ouvir falar!
Agora como eu posso discutir com isso? Ele se virou, me dando uma visão perfeita de suas costas, meu olhar caiu mais uma vez para sua bunda. Repassei todos os meus estudos sobre esculturas gregas. Mais grego que aquilo não ficava. Ele deveria descender de espartanos...
- Quer beber alguma coisa? – a voz dele me fez sair dos meus pensamentos sobre a cultura grega.
- O que tem aí? – mudei a posição das pernas, apoiando uma no assento, a outra passando por cima, deixando meu pé quase sem tocar o chão.
- Vodka? – fiz uma careta e neguei com a cabeça – Não gosta?
- Muito russo... – ele riu.
- Whisky? – abri a boca e ele me interrompeu – Já sei... Muito irlandês?
- Eu ia falar "muito forte", mas tudo bem... – mais uma vez arranquei risadas dele.
- Só aceita se for francês? – perguntou, tombando a cabeça levemente para o lado, me analisando.
- Tudo bem... – suspirei – Me dá essa vodka! – dessa vez ele gargalhou.
- Pura?
Considerei por um instante. Então lembrei de Amsterdã.
- Tem alguma coisa pra misturar?
- Claro... – ele sorriu, se virando, começando a preparar alguma coisa.
- Mas então... – tentei retomar o assunto – Me chamou aqui por que quando me viu... Sentiu uma coisa louca?
- Sim... – ele não se voltou na minha direção – Foi como ver uma obra prima! O quadro perfeito que nunca consegui pintar, mas que assombra meus sonhos.
Edward se voltou com uma taça e me encontrou de olhos arregalados e queixo caído.
- Mas de um jeito bom! – completou, antes de me entregar a taça – Não é vodka, mas acho que você pode gostar... – disse olhando para o drink em minhas mãos.
Pisquei algumas vezes tentando absorver o que ele tinha falado. Eu assombro os sonhos dele... De um jeito bom!
- Oh... – foi tudo o que saiu da minha boca enquanto eu tomava um primeiro gole da taça que ele havia me dado.
Daiquiri... Muito engraçado. Mesmo não sendo de morango igual eu tinha sentido no hálito dele mais cedo.
- Gostou? – ele perguntou sorrindo, se sentando no chão em frente a tela, apoiando o peso do corpo em um dos braços, com a mão livre, apoiada no joelho flexionado frente ao corpo, ele segurava sua própria taça, sua outra perna estendida confortavelmente.
Eu sabia que ele estava falando da bebida, mas não pude deixar de pensar no que ele havia acabado de falar sobre mim.
- Adorei! – o sorriso dele aumentou, ficando enviesado, do jeito que eu gostava – E agora? – tomei mais um gole.
- Como assim? – ele arqueou uma sobrancelha.
- Vai me pintar? – tinha alguma coisa a mais no seu sorriso dessa vez... Não consegui identificar o que era.
- Você quer que eu te pinte? – malícia. Definitivamente.
- Sinceramente, não sei o que uma musa deve fazer. – dei de ombros enquanto ele gargalhava, deixando a cabeça pender para trás.
- Uma musa não tem que fazer nada... Ela deve ser... – suspirou – adorada.
- Deusas são adoradas... – apontei, virando o corpo, fazendo as pernas passarem por cima do braço da poltrona – E eu não sou nenhuma deusa! – você, meu caro, que é o deus! Grego ainda por cima!
- Ao contrário, rembasmos... Você deveria ser adorada diariamente!
Chega, colega... Não precisa mais tentar me seduzir! Esse navio já partiu faz muito tempo.
Obviamente eu não sabia o que dizer depois daquilo, então, fiz o que era esperado e fiquei parada olhando para ele com a boca aberta, me sentindo estúpida por não dizer nada.
Edward se levantou, lenta e graciosamente, e voltou a pintar, mas dessa vez, me olhava de tempos em tempos, sempre sorrindo com o canto dos lábios.
- No que está pensando? – ele perguntou, me fazendo lembrar que eu estava encarando há muito tempo.
No que eu estava pensando? Nele. Isso não estava estampado no meu rosto?
- Em como você parece à vontade enquanto pinta! – era quase isso, eu nem estava mentindo tanto assim – Eu sempre fico tensa!
- Sobre o que você pinta?
- Ultimamente? Nada... – quase soltei um muxoxo, realmente triste por isso. Era irritante não conseguir fazer nada.
- Por que? – ele parou o movimento do pincel, voltando o rosto para mim.
- Não consigo encontrar inspiração... – suspirei, contornando a borda da taça com o indicador.
- Vem aqui... – ele disse vindo na minha direção, enroscando o pincel atrás da orelha e estendendo a mão.
Aceitei sua ajuda e levantei, sentindo o rum indo diretamente para a minha cabeça. Cambaleei levemente, me deixando apoiar em seu peito.
O que? Eu realmente cambaleei! Foi muita sorte ele estar tão perto...
Fui guiada até a tela em que ele estava trabalhando, Edward se postou atrás de mim.
- Como você se sente quando tenta pintar em casa? – perguntou enquanto colocava o pincel na minha mão.
- Entediada... – respondi tentando me concentrar no quadro, mas ele estava tão próximo que eu sentia o calor de seu corpo nas minhas costas.
- E isso não te inspira? Se está entediada... Então pinte um quadro entediado... – ele disse num tom baixo, porém brincalhão, nossas bochechas quase se tocando – Como está se sentindo agora? – segurou minha mão, me induzindo a fazer os mesmos movimentos que ele estava fazendo antes, fazendo o branco sumir cada vez mais.
Como eu estava me sentindo agora? Era uma ótima pergunta.
- Extasiada... – respondi num suspiro e senti quando ele sorriu.
- Então esse provavelmente será o melhor quadro já feito... – murmurou contra minha pele, me deixando arrepiada.
Uma nova música começou a tocar, me chamando a atenção por eu conhece-la. Virei o rosto em sua direção para comentar, mas ele estava tão próximo que não tive forças para falar. Seus olhos verdes me encarando tão intensamente que pareciam tentar ler minha mente. Só consegui desviar o olhar, quando percebi a ponta de sua língua surgindo e molhando seus lábios.
Subi o olhar novamente, ainda com a boca entreaberta, ainda sem saber o que falar.
On peut vouloir une autre vie, mais...
Quando as vozes de Florian Etienne e Sofia Essaidi se uniram no refrão, nossos lábios seguiram seu exemplo.
Não vi onde o pincel foi parar, só sei que o larguei e meus braços se jogaram em volta do pescoço de Edward, enquanto suas mãos seguravam minha cintura, me puxando mais pra perto.
Seus lábios eram ainda mais macios do que eu havia pensado, do que parecia ser possível, e sua boca tinha gosto de daiquiri, morangos e sol do mediterrâneo. Tudo bem, provavelmente eu estava um pouquinho influenciada pelo rum, mas ainda assim, esse era o gosto dele.
Foi o beijo mais intenso, mais louco e tão delicioso, que eu queria não ter que parar para respirar. Nunca mais.
Nos afastamos lentamente, testas coladas, olhos fechados, respirações ofegantes, que se misturavam pela proximidade.
Abri os olhos extremamente devagar, com medo que quebrasse o feitiço e eu estivesse maluca e sozinha no meu quarto ou pior, que aquelas mãos na minha cintura fossem de Mike.
Mas não eram. Os dois lagos verdes me encarando de volta me davam essa certeza. Seus lábios foram se abrindo no meu, sim, meu, sorriso torto.
- Desculpe... – ele murmurou, mas nem sua voz, muito menos sua expressão demonstravam qualquer sentimento de culpa.
Na verdade ele parecia muito satisfeito consigo mesmo. Bem... Se ele está satisfeito, quem sou eu, com meus joelhos feitos de geléia, pra questionar?
- Não... – sorri de volta – Não desculpo!
- Ah não? – seu sorriso aumentou ainda mais, e ele desviou o olhar por um instante, parecendo constrangido mais uma vez. Uma graça! – Acho que tenho que fazer alguma coisa para te compensar...
- Eu também acho... – as palavras mal terminaram de sair da minha boca e ela já estava coberta pela dele.
Enterrei meus dedos em seu cabelo, ficando na ponta dos pés para um melhor alcance. Suas mãos viajavam por minhas costas, até que alcançaram meu cabelo, seus dedos deslizaram por minha nuca, me fazendo arrepiar mais uma deliciosa vez.
O segundo beijo foi ainda melhor, o que me deixou imaginando como seria o terceiro, e o quarto, o quinto...
Quando nos afastamos, ele sorriu, sem graça, passando a mão pelo pescoço.
- O que foi? – perguntei começando a me preocupar. O que eu fiz de errado?
- Me desculpa... – ele pediu, encolhendo os ombros, sem nunca parar de sorrir, parecia um garoto extremamente atentado – Eu não te chamei aqui para isso... Mas você é tão irresistível!
Meus joelhos literalmente falharam e eu tive que disfarçar minha quase queda. Claro que ele percebeu e sorriu ainda mais.
Eu... Irresistível... Certo. Se eu fosse tão gostoso quanto ele, teria um caso comigo mesmo! Adonis seria uma pessoa desapegada comparada comigo.
- Irresistível? – minha voz saiu meio esganiçada, mas ele não riu, pareceu ainda mais sem graça, um leve rosa tingindo suas bochechas.
Ninguém mais notaria, mas eu estava prestando tanta atenção em suas expressões que foi impossível não ver.
- Quis beijar seus lábios desde a primeira vez que coloquei meus olhos em você... – de novo aquela vez baixa, ainda mais aveludada...
Tive que voltar para a poltrona, se eu continuasse em pé ia passar vergonha.
Muito bem, uma vez sentada, pensei melhor... E por que não beijou?
- Espero que ser minha musa não a atrapalhe com seu namorado! – pela primeira vez desde que o vi, o encarei como se ele tivesse duas cabeças,
- Que namorado?
- Newton! – tentei sufocar a gargalhada, mas não consegui – O que foi?
- Mike não é meu namorado! – disse ainda rindo – Então me beijou mesmo achando que eu namorava?
- Eu disse... – ele sorriu, se ajoelhando na minha frente – Você é irresistível...
Ele envolveu meu pescoço com a mão, enterrando os dedos no meu cabelo, me puxando para ele.
Acabei me jogando com tanta vontade naquele beijo, que o derrubei sentado no chão, mas seu aperto era tão forte que me levou junto, por cima dele. Ele nunca afastou seus lábios dos meus, apesar de tudo.
Uma de suas mãos acariciava minha nuca, entrando no meu cabelo, seu toque era maravilhoso contra a minha pele. A outra subia por minha coxa, as pontas de seus dedos sumindo embaixo da barra do meu vestido.
Era tudo tão incrivelmente intenso, e dolorosamente lento. Onde quer que sua pele encostasse na minha, mesmo por cima das roupas, virava fogo, chama que arde sem doer, que me faz querer mais.
Ele não estava me apalpando como qualquer outro cara faria naquela situação, seus dedos agora descobriam meu corpo, seu toque era leve, só o bastante para alimentar o fogo. Sempre doce, calmo, íntimo, tímido, completamente apaixonante.
Eu estava completamente ofegante quando nos separamos, meu peito subia e descia rapidamente, enquanto Edward puxava o ar pela boca perfeita, seus lábios normalmente cheios estavam levemente inchados e avermelhados. Me aproximei mais uma vez, sem poder me controlar e mordi seu lábio inferior levemente, fazendo com que ele fechasse os olhos e soltasse um gemido baixinho. Honestamente, o melhor som que ouvi na vida.
Ficamos apenas nos olhando, enquanto recuperávamos o fôlego, estudando as feições um do outro. Ele começou a contornar meus olhos com o indicador, depois desenhando uma linha imaginária pela minha testa, descendo pelo meu nariz, lábios, por fim deslizando as unhas levemente por meu pescoço, e mesmo depois que ele já tinha parado, eu ainda sentia minha pele formigar.
Passamos horas sentados no chão nos beijando, trocando carícias, em quase completo silêncio. Quando alguém tem olhos tão expressivos quanto os de Edward, não precisa de palavras.
Ele disse que eu deveria ser adorada, e era exatamente o que ele estava fazendo, mesmo com seu jeito tímido de menino, que na verdade não era tão envergonhado assim e acabava me dando seus sorrisos enviesados e olhares sacanas.
- Quer beber alguma coisa? – ele perguntou suavemente, brincando com uma mecha do meu cabelo.
Só então eu percebi que estava com a boca completamente seca. Um pequeno efeito colateral de muito beijo na boca.
- Quero sim! – sorri e ele me beijou mais uma vez antes de levantar.
Eu estava me sentindo uma adolescente apaixonada... O que era bem engraçado já que quando eu era uma adolescente, nenhum garoto me tratou do jeito que Edward me tratava agora.
Ele e voltou para mim com dois copos na mão e sorriu.
- Acho que você nunca esteve tão linda quanto está agora... – inclinou a cabeça levemente para o lado.
- Por que? – sorri bobamente, sentindo o rosto esquentar.
- Seu rosto está sujo de tinta... – arregalei os olhos, me sentindo completamente estúpida, esfregando as bochechas, tentando me limpar – Calma... – ele riu baixinho – Você está perfeita desse jeito! Vem comigo!
Levantei e o segui, aproveitando que ele estava de costas para procurar qualquer lugar em que eu pudesse ver meu reflexo pra limpar o rosto, mas sem sorte. Na verdade eu nem podia reclamar, acho que usei a sorte de uma vida inteira quando conheci Edward.
Congelei quando vi a cama de casal, coberta por um lençol azul escuro. Então era isso? Chegou a hora em que ele me jogaria em sua cama, e faria amor comigo do jeito mais quente e apaixonado e depois eu nunca mais o veria?
Ele me dispensaria no meio da noite, dizendo que teria que acordar cedo no dia seguinte com a promessa de que me ligaria e sumiria do mapa, me deixando sozinha, me sentindo uma idiota e com a certeza de que ninguém poderia chegar remotamente perto da perfeição que era Edward na cama.
N/A.:. Segundo capítulo olê, olê, olá!
Obrigada pelas reviews, gurias! E Liika, larga de ser folgada, fazendo favor? huahuahuahuahuahua
E agora? Bella cai na cama, se faz de difícil, ou finge que é difícil e cai na cama? Quem sabe...
Bom, eu sei, mas né? Só na próxima agora!
