- Bella? – ele chamou e eu desgrudei os olhos da cama – Você está bem?
Edward estava além da cama, parado em frente a uma porta dupla ao lado da cabeceira, me olhando preocupado. Sacudi a cabeça de leve, tentando me concentrar.
- Estou... – minha voz saiu fraca, e ele franziu a testa – Estou. – repeti com mais certeza.
- Tem certeza? – concordei com a cabeça. Ele não pareceu acreditar, mas mudou de assunto – Vem pra cá! Aí você pode sentar um pouco...
Ele passou pela porta e esperou que eu o acompanhasse. Dessa vez, em vez do meu corpo, foi meu cérebro que congelou. Ele realmente não estava tentando me levar pra cama? Sério?
Forcei minhas pernas a começarem a se movimentar enquanto tentava decidir se ficava feliz ou triste com isso, mas assim que passei pela porta acabei esquecendo.
Era uma varanda grande, iluminada por uma única lâmpada de luz meio amarelada, cercada por uma grade preta de barras finas, que batia na altura no meu umbigo. Uma trepadeira descia pela parede, vinda da varanda do andar de cima, e fazia um desenho de folhas e flores em cima da porta. As luzes da cidade eram tão distantes que parecíamos estar em outro mundo.
- Uau... Isso é incrível! – exclamei, me apoiando na grade, sentindo o vento balançar meu cabelo enquanto eu deixava meu olhar correr pelo horizonte.
- Achei que você poderia gostar... – ele comentou, tentando parecer calmo, mas eu pude notar o tom convencido em sua voz e adorei.
- E você acha que me conhece tão bem... – ri, me virando para encontra-lo mais uma vez com o corpo extremamente próximo do meu, me estendendo um copo.
Tomei um gole do líquido transparente, servido num copo de whisky, e, apesar de estar extremamente gelado, senti meu corpo se aquecendo desde as pontas dos pés até o último fio de cabelo.
- O que é isso? – perguntei tomando outro gole e Edward riu, tomando um gole do próprio copo.
- Vá com calma, agkelos... Isso é muito forte!
- Como chama?
- Tsipouro! É um brandy, feito com o bagaço das uvas usadas para fazer vinho! – ele explicou enquanto eu observava maravilhada os tons de cobre de seu cabelo sob a luz amarela.
- É muito gostoso! – como tudo que é grego.
- E muito forte... – não pude deixar de sorrir de sua preocupação.
- Está tentando me embebedar, senhor Cullen? – perguntei, me apoiando na grade.
- Não... – ele riu, esfregando o pescoço, sem graça de novo, quase o agarrei naquele instante! Ele ficava ainda mais lindo envergonhado.
- Ah... Mas está sim! – eu ri, vendo seu rosto ficar levemente corado.
- Isabella... Eu não faria isso com você!
- Eu sei que não... E é Bella! Só minha mãe me chama de Isabella. E quando está com raiva!
- Bella? – ele sorriu, se escorando na parede – Sua amiga deve amar seu nome!
- Que amiga? – perguntei tomando um longo gole.
- A loira italiana que te beijou... – ele comentou tranqüilamente me fazendo engasgar.
- Você viu aquilo? – quase gritei, minha voz meio arranhada.
- Acho que é muito improvável que alguém não tenha visto! – riu e eu considerei me atirar por cima da grade – Não precisa ficar constrangida... – ele se aproximou, afastando meu cabelo do rosto – Eu sempre soube que você era irresistível mesmo, a italiana não tinha qualquer chance!
Como ele havia me notado ao lado de Rosalie ainda estava além da minha compreensão, mas logicamente não vou ficar exaltando a beleza dela, tenho o bom senso necessário para saber que ela é mais bonita, mas não sou burra a ponto de querer que os outros também notem isso.
Meus olhos se dirigiram involuntariamente para aqueles lábios bem desenhados e eu acabei me lançando para mais um beijo.
- Hmm, Bella... – ele murmurou, quando eu comecei a espalhar beijos lentos pela linha de seu maxilar – Acho que o tsipouro está fazendo efeito...
- Eu sabia que queria me embebedar... – sussurrei de volta com os lábios colados em seu pescoço.
- Não, eu não queria...
- Então quer que eu pare? – me afastei, e gargalhei quando ele me puxou de volta, envolvendo minha cintura com o braço.
- Pare de me provocar, mia Bella – ele debochou, mordendo o lóbulo da minha orelha.
- Só é provocação se eu não tiver a intenção de acabar o que comecei... – suspirei as palavras enquanto ele depositava pequenos beijos na pele sensível exatamente abaixo da minha orelha.
Nos afastamos o bastante para poder sustentar o olhar um do outro e começamos a rir. Acho que o Tis... pa.. mai... O brandy de grego não está fazendo efeito somente em mim.
Edward deu uns passos para trás, caindo sentado num banco de jardim, que estava encostado na grade, ao nosso lado direito, e me levou junto, fazendo com que eu ficasse em seu colo.
Comecei a deslizar os dedos por seu rosto como ele havia feito comigo mais cedo. Não sei se foi o brandy, ou o fato que só de estar na presença de Edward me dava vontade de fazer loucuras... Mas comecei a cantar.
- Quand il me prend dans ses bra... Il me parle tout bas... Jo vois la vie en rose... – comecei a rir pronunciando a última palavra, sabendo que estava fazendo papel de idiota, mas Edward apenas sorriu de volta – Il me dit dês mots d'amour... Des mots de tous les jour... Et ça me fait quelque chose... – recomecei a rir, apoiando a testa em seu ombro.
- Isso foi...
- Vergonhoso, eu sei... – o interrompi voltando a rir, completamente envergonhada.
- Não... Bella... – ele levantou meu rosto, tocando meu queixo com as pontas dos dedos e roçou os lábios nos meus, melhor do que qualquer elogio – O que significa?
- Deixa pra lá... – baixei o olhar, mas ele seguiu meu movimento, para continuar me encarando.
- Ei... Me diz... Por favor? – e mais uma vez ele me vence com seu jeito de criança...
Mordi o lábio nervosamente, mas acabei falando.
- Quando ele me toma em seus braços... – murmurei, sem conseguir olhar seus olhos – Ele me fala baixinho... – ele me deu um beijo na bochecha – Vejo a vida cor de rosa.
- Cor de rosa, é? – me questionou com um sorriso.
- Eu não estava falando de você... – girei os olhos tentando conter o meu próprio sorriso.
- Ah não? De quem falava? – ele perguntou mexendo no meu cabelo distraidamente.
Bebi mais um pouco e abri a boca enquanto olhava para cima, pensativa. Edward começou a rir.
- Não consegue pensar em nenhum nome?
- Não! É irritante! Só me vem a mente "Edward, Edward, Edward..." – repeti o nome dele com a voz mais baixa, e reparei que estava imitando o ritmo da batida do meu coração.
- Ainda bem...
- Como assim? – olhei para ele, surpresa.
- Estava me sentindo idiota já que toda vez que fico em silêncio, o vento parece soprar pra mim "Bella... Bella..." – ele sussurrou meu nome com a bochecha colada na minha, esticando as letras, fazendo com que realmente parecessem o silvo do vento. Fiquei completamente arrepiada.
- Mentiroso... – resmunguei e ele riu, sem afastar a boca, mandando vibrações deliciosas.
Voltamos a nos beijar lentamente, sentindo o gosto de brandy nos lábios um do outro, e era delicioso... Quero que todas as minhas bebidas tenham gosto de Edward.
Me afastei buscando ar apesar de realmente não querer e Edward virou o resto de seu copo. Fiz o mesmo e me arrependi instantaneamente, tinha mais do que eu pensava de novo... E desceu minha garganta rasgando. De novo. Burra.
Abaixei o rosto, fechando os olhos com força, lacrimejando um pouco. Claro que Edward riu, mas foi sutil a respeito.
- Você está bem? – perguntou baixinho, a voz divertida.
- Não... – minha voz saiu sufocada e ele começou a gargalhar.
Assim que eu consegui respirar o acompanhei. Foi engraçado mesmo!
Ficamos sentados mais um tempo, rindo e nos beijando e eu estava completamente feliz de um jeito meio bêbado.
- Canta pra mim! – pedi, tamborilando os dedos de leve em seu peito perfeito.
- Cantar o que?
- Não sei... – torci os lábios, pensando.
- Mas eu não sei cantar...
- Mas sua voz é tão linda... E eu cantei pra você!
- Então... Eu tenho que cantar pra você por que você cantou pra mim? – ele deslizou o dedo médio pelo meu nariz, dando um toquinho na ponta.
- Não... – acho que fiz um beicinho, porque ele sorriu – Tem que cantar porque eu estou pedindo! – ainda sorrindo ele soltou um suspiro sofredor.
- O que você não me pede sorrindo que eu não faço chorando... – comecei a gargalhar, deixando a cabeça pender para trás – Mas tem uma condição!
- Qual?
- Tem que cantar outra música para mim!
- Mas eu já cantei! – cruzei os braços, emburrada – E eu sou péssima!
- Então nada feito! – ele sorriu daquele jeito torto, quase malicioso, cruzando os braços também.
- Qual música? – perguntei, vencida, ainda emburrada.
- Uma em inglês! – estreitei os olhos na sua direção e ele me deu um sorriso lindamente sacana.
Suspirei e levantei, dessa vez ele ficou preocupado. Vai brincando comigo... Depois não agüenta a pressão! Ai... Como se eu fosse embora e larga-lo ali... Inocente.
- I wanna be loved by you, just you, and nobody else but you... – balancei o quadril de leve, apontando para ele, que não parava de sorrir – I wanna be loved by you alone... Bup bup dee doo... – parei escondendo o rosto nas mãos, rindo.
- Continua! – ele pediu, rindo comigo. Ou de mim, quem sabe?
- Não! Já passei vergonha demais!
- Ah, Bella... – ele se ajoelhou no chão na minha frente. Algo me dizia que ele também não faria isso se não estivesse alto – Por favor... – pediu colocando as mãos nos meus quadris, me dando um beijo na barriga. Dá pra negar alguma coisa?
- I wanna be kissed by you, just you... – obedecendo a letra, ele continuou a beijar minha barriga lentamente, e um beijo em especial, exatamente embaixo do meu umbigo me fez arrepiar – Nobody else but you... – seus lábios começaram a subir – I wanna be kissed by you alone... – então ele realmente tomou meus lábios.
Enroscados no beijo, nos movemos, não muito graciosamente, para dentro do quarto. Cada vez que tropeçávamos, ríamos sem afastar totalmente os lábios, como se fazer isso fosse nos machucar profundamente.
O que realmente me machucava, era que mesmo tropeçando, Edward era charmoso, e eu... Eu caio como uma pessoa normal, só que pior. Bem pior.
Dessa vez, quando me enrosquei na minha própria perna e comecei a cair, aterrissei de costas na cama, e não conseguia parar de rir. Eu ainda sentia vergonha, mas já estava alta o bastante pra achar até isso engraçado.
Edward se ajoelhou na cama, as pernas em volta das minhas, rindo tanto quanto eu, então foi se abaixando lentamente, pairando sobre mim. Seus olhos, tão risonhos quanto sua boca, me encaravam, brilhantes com diversão e bebida. Afastei o cabelo de sua testa e suas pálpebras se fecharam, escondendo o verde de mim.
Estava prestes a protestar quando ele afundou o rosto na minha palma, soltando um suspiro alto, do fundo da garganta, daqueles que a gente dá quando deita na cama depois de um longo dia...
Fiquei olhando sua expressão, maravilhada, então ele beijou meu pulso. Minhas mãos se afundaram em seu cabelo enquanto as dele se ocuparam em começar a abaixar meu vestido, revelando cada vez mais pele e meu sutiã. Que era vermelho. Eu tenho um sério problema de nunca usar a roupa íntima combinando com a roupa... Na verdade nem minha própria roupa íntima combinava.
Acho que minha calcinha deveria ser... Sei lá, laranja!
Os lábios de Edward estavam acompanhando a descida do meu vestido, e seu hálito quente fazia cócegas, mas só quando meu sutiã estava completamente a mostra que ele começou a depositar longos beijos no meu colo.
Alguém ao longe começou a cantarolar Moondance. Em meio aos beijos em minha pele extremamente quente, Edward cantou junto.
- With the stars up above in your eyes... – sua voz percorreu todo meu corpo – A fantabulous night to make romance... Neath the cover of october skies...
Eu queria falar alguma coisa, mas não sabia o que faria sentido naquele momento. Então, apenas ergui o tronco apoiando meu peso nos antebraços, ele não afastou os lábios de mim, só levantou o olhar na minha direção e sorriu, o que me fez abrir um sorriso de volta.
Suas mãos começaram a percorrer a minha coxa, e sua boca se grudou a minha mais uma vez.
Achei estranho que a voz cantando a música foi aumentando o volume cada vez mais, mas não consegui dar mais que um pensamento ao assunto, o que na verdade é bem estúpido. Minhas mãos começaram a abaixar a calça de Edward, e logo eu a estava empurrando com as pernas, enquanto meu vestido subia, revelando a renda no final de minhas meias 7/8.
De repente a música parou, e a mesma voz que cantava exclamou um "Não acredito!", que soou próximo demais.
Nos afastamos e encaramos os olhos um do outro antes de nos virarmos lentamente, encontrando um homem parado na porta do quarto de Edward.
- Olá... – ele disse com um sorriso no mínimo malicioso, que era um pouco torto e muito familiar – Bonito sutiã!
Dei um salto quando lembrei que meu vestido estava abaixado, ou levantado... Depende do ângulo pelo qual você estava olhando, e comecei a me arrumar.
- O que está fazendo aqui? – Edward perguntou irritado, se levantando e entrando na minha frente, bloqueando a minha visão do estranho.
- Eu disse que viria! – foi a resposta divertida.
Ajoelhando na cama, consegui espiar por cima dos ombros de Edward e vi que o homem havia cruzado os braços, ainda sorrindo, completamente divertido. Quando me viu olhando, piscou um olho para mim.
Sentindo o rosto pegando fogo, saltei da cama.
- Olha, eu tenho que ir... – expliquei, passando pelos dois em direção à sala.
- Bella, não... Espera! – Edward pediu, me seguindo.
- É, Bella! Espera! – o estranho debochou, nos acompanhando.
- Cala a boca, Emmett! – Edward esbravejou.
Peguei meu casaco e o mais rápido que pude, deslizei a porta do elevador para cima.
- Por favor, Bella... – Edward pediu, se aproximando, levantando as mãos em minha direção, mas hesitando em me tocar – Fique.
Olhei mais uma vez para o tal de Emmett, que parecia estar muito entretido afastando o cabelo escuro e cacheado para longe do rosto para prestar atenção na gente.
- Eu não sei... – murmurei, esfregando os olhos.
- Por favor... – ele repetiu, num tom ainda mais baixo que o meu, segurando minha mão delicadamente nas suas.
- Ei... – Emmett chamou, depois de ter aparentemente ajeitado seu cabelo, que estava exatamente do mesmo jeito – Por que seu rosto está sujo de tinta? – ele perguntou olhando diretamente para mim.
- Eu tenho que ir, Edward! – escapei para dentro do elevador, e pela primeira vez, a droga da porta decidiu emperrar.
Eu já estava me pendurando nela com todo meu peso para tentar fecha-la, o que não era uma boa idéia em todo caso, mas antes que eu pudesse me machucar, Edward se adiantou.
- Deixa que eu faço isso... – ele parecia tão desapontado, com sua testa franzida e seus lábios quase formando um beicinho involuntário... Fez meu auto-controle se balançar.
Mas eu não poderia ficar! Não mais... Não depois de um voyer louco, chamado Emmett, chegar com suas covinhas nas bochechas e sorriso malicioso demais e estragar tudo.
Edward ergueu os braços para a porta, e sua calça, que graças aos meus esforços e seu movimento, desceu um pouco mais em seu quadril, e eu percebi uma coisa amarela desenhada ali, mas só um pedaço, não dava pra entender o que era.
- Você tem uma tatuagem no quadril? – perguntei, apontando.
No mesmo instante ele subiu um pouco a calça, deslizando a mão pelo cabelo, as bochechas levemente coradas, procurando pelas palavras.
- Acha isso engraçado? – Emmett perguntou, ainda de se lugar no meio da sala – Deveria ver o que ele tem tatuado na bunda!
Não sei porque, mas o fato daquele cara estranho, que só agora reparei é bem grande, forte e irritantemente bonito, já ter visto a bunda do Edward e eu não... Bem, foi demais pra mim.
Puxei a porta do elevador, que agora desceu facilmente e fui embora completamente frustrada.
Não tive paciência ou vontade de chamar um táxi, apenas caminhei até em casa. Era tarde o bastante para até os ladrões estarem dormindo, de qualquer forma.
Me arrastei para dentro do meu apartamento, deixando as roupas espalhadas pelo caminho, colocando minha camiseta do Tintin e as calças de pijama do Jasper. Ele me emprestou uma vez, quando Rosalie derrubou vinho no meu vestido novinho da Kate Spade. De listras amarelas e laço na cintura, um completo charme, um completo desastre coberto de vinho tinto. Alice jura de pé junto que Rose fez de propósito e com segundas intenções, algo relacionado comigo sem o vestido, mas de qualquer forma, foi assim que ganhei as calças.
Bem... Na verdade era um empréstimo, mas elas eram tão confortáveis que eu não consegui encontrar coragem no meu coração para devolve-las.
Nunca fiquei tão feliz por não ter arrumado a cama antes de sair, já que agora pude só me deixar cair nela e adormecer, com sonhos de beijos gregos, sorrisos enviesados, bebidas frias que aquecem e música.
N/A.: É. Eu não morri, foi muito pior, eu arrumei um emprego!
Mas já me demiti, então as coisas parecem estar melhores! =D Minha reação alérgica já tá passando e tudo mais
Dessa vez, acho que nos veremos em breve de verdade, não do jeito que eu costumo falar!
E vocês sabem que eu volto mais rápido quando tem mais review... Então, né? Acho que vcs entenderam
