Pro meu pavor, acordei com o telefone tocando. Já era manhã, mas ai...

- O que é? – atendi sem abrir os olhos e derrubando metade dos cacarecos e penduricalhos que estavam em cima do meu criado mudo.

- Por que é que você não está atendendo o celular? – Alice, eu já disse hoje que te odeio?

Me remexi na cama, fazendo a barra da calça, que era larga demais, subir quase até meu joelho.

- Porque ele não está tocando? – respondi preguiçosamente.

- Está chamando!

- Não é culpa minha!

- Levanta essa bunda gorda da cama e vá pegar a droga do celular, sim?

Levantei bufando, arremessando as cobertas pelo colchão e saí em busca do celular perdido.

O estranho foi que, depois de revirar a casa inteira, nem sinal dele...

- Ali... Não acho meu celular!

- Estou ligando pra ele agora! – fiquei em silêncio esperando ouvir o toque de algum lugar, qualquer lugar.

- Não está aqui! – comecei a me desesperar.

- Já olhou na geladeira?

- Por que meu celular estaria na geladeira?

- Bella... – Alice disse num tom de professora e eu suspirei. Já tinha esquecido minhas chaves na geladeira, foi uma vez só, mas ninguém nunca mais me deixou esquecer.

- Tá bom, tudo bem... Já vou ver! Já vou! – resmunguei no fone e corri até a cozinha. Sem sorte – Nada! AH! – gritei – Estava na minha bolsa ontem! Mas se eu não consigo achar minha bolsa...

- Você perdeu sua bolsa?

Não sabia o que poderia ser pior, perder minha bolsa, ou tê-la esquecido na casa de Edward.

- Talvez?

- Vou continuar ligando! Vem me encontrar no café? Já pedi um frappuccino de laranja pra você! – ela sempre soube como me fazer sair de casa...

- Estou indo!

Nos despedimos e desligamos. Corri para o quarto e comecei a procurar algo decente para vestir, mesmo querendo sair com a calça do Jasper e a camiseta do Tintin. Só me trocaria porque caso o Jazz estivesse com a Ali, exigiria a calça de volta e eu realmente não estava disposta a devolver, mesmo que isso envolvesse eu ficar nua da cintura pra baixo na frente dele. E também porque eu conheço a baixinha, ela já me chama de suicídio da moda, não quero dar mais motivos para encheção de saco.

Peguei uma blusa de mangas compridas, azul acinzentada, decote em V, com 5 pequenos botões que mudavam de cor na luz. Era solta, mas não muito e extremamente confortável, e deixava minha cintura finíssima.

Encontrei uma mini saia branca com um cinto muito charmoso com uma faixinha amarela, que infelizmente ficaria escondido embaixo da blusa, mas ficaria um bom conjunto... Acho.

Entrei no banho numa vã tentativa de tirar aquele cheiro de mim... Eu estava cheirando a Edward. E em qualquer outra situação isso seria incrível, já que o cheiro dele era maravilhoso, mas do jeito que tudo acabou ontem... Só me deixava triste.

Lavei o cabelo bem rápido, porque eu deveria já estar na rua, não tomando banho, e me troquei correndo. Me olhei no espelho e tive certeza de que Alice teria uma convulsão e cairia estrebuchando no meio da rua. O que francamente seria engraçado.

Já que eu estava confortável demais naquelas roupas e segundo a baixinha "Moda não é conforto", coloquei uns sapatos de salto que ela me deu, de cetim e renda, com um lacinho na frente. Pronto! Devidamente embonecada após passar meu batom e delineador, não precisava de bolsa por que tudo que era importante estava na casa do Cullen, corri para a rua.

Alice e Rosalie estavam sentadas numa mesa bem no meio do café, e no minuto em que me viu, Ali começou a quicar no assento.

- Que coisa absurda é essa que você está usando? – ela perguntou quando eu puxei a cadeira que estava na frente das duas.

Empurrei a cadeira e já ia dando meia volta quando Rose resolveu interferir.

- Por mais que eu queira ver mia Bella – arregalei os olhos quando ela disse aquilo, se Edward ouvisse provavelmente me daria um olhar que gritava "eu te disse" – sem camisa, eu quero muito saber o que aconteceu ontem!

- Tá bom... – Alice cruzou os braços, resignada – Senta sua bunda gorda aí e conta tudo!

- Para de falar que a minha bunda é gorda! – reclamei enquanto sentava – Todo mundo já vê isso, você não tem que ficar lembrando! – puxei a blusa mais pra baixo como se fosse disfarçar que minha bunda tinha o tamanho da Austrália.

- E aí? – Rose começou.

- O que ele fez? – Ali já estava pulando na cadeira de novo.

- Ele foi incrível, romântico... – suspirei – E me beijou enquanto tocava Une Autre Vie!

- Ahhhwwnn... – as duas soltaram, enquanto tombavam a cabeça pro lado. Ao mesmo tempo. Assustador.

- Que lindo! – Alice exclamou.

- E depois?

- Ele me levou pra varanda, que era perfeita! Tinha uma vista incrível e flores! – as duas inclinaram para frente, para ouvir melhor – Aí me deu um negócio de grego pra beber, que parecia vodka, mas era muito mais gostoso e me deixou bêbada muito mais rápido!

- O pintor te embebedou? – Alice perguntou, os olhos grandes de curiosidade.

- Não, ele avisou que era forte no primeiro gole! Mas eu bebi mesmo assim.

- Claro... – Rose comentou, como se fosse a coisa mais óbvia.

- Aí eu caí na cama...

- Como você caiu na cama? – Rose perguntou, sorrindo sacana.

- Tropeçando! – dei de ombros.

- E caindo de boca nos lábios dele? – Alice riu.

- Na verdade, ele começou a me beijar o pescoço... e cantou pra mim! – completei sonhadora, evitando mencionar que eu cantei primeiro. Duas vezes.

- Eu acho que ele é gay! – Rosalie bateu a mão espalmada no tampo da mesa.

- O que? – Alice se voltou para ela.

- É, porque pensa... Bonito, sexy, sensível – ela começou a enumerar, erguendo os dedos.

- Bem vestido – Ali, acrescentou.

- Bem vestido... – Rose concordou – Romântico, não tentou te embebedar, e mesmo quando você já estava bêbada, não tentou abusar do seu corpinho... – ela me mediu, como se estivesse considerando a possibilidade de ela mesma abusar – Gay! – concluiu.

- Gays não beijam daquele jeito – cruzei os braços.

- Quantos gays você já beijou? – ela devolveu.

- Olha... – Alice suspirou, parecendo pensativa – Uma quantidade surpreendentemente grande!

- Como assim?

- Bem... Bella não tem um gaydar muito bom... – ajeitou o cabelo, o deixando mais espetado – E também porque ela adora tirar foto dando selinhos em drag queens.

- Foi só uma e você sabe! – me defendi – Edward não é gay!

Alice ficou tentando controlar o riso enquanto Rosalie girava os olhos, mas acabamos todas caindo na gargalhada.

- Mas então... O que aconteceu depois? – Ali estava gesticulando efusivamente, para que eu continuasse.

- Bom... – arqueei as sobrancelhas sugestivamente.

- E a bixinha conseguiu? – Rose parecia surpresa.

- Ele não é bixa! – falei alto demais e todas as pessoas do café se voltaram na minha direção.

Enquanto eu me encolhia na cadeira, sem graça, Alice me chutou por baixo da mesa.

- Conta! – exigiu.

- Aí que tudo ficou estranho... – Rosalie abriu a boca e eu ergui o indicador – Não, ele não pegou nenhum consolo de borracha, nem ligou a TV em algum filme pornô homossexual!

- Sem graça... – ela resmungou, soltando um muxoxo em seguida e apoiando os braços na mesa e o queixo nas mãos.

- O estranho foi que entrou um cara lá!

- Que cara? – Alice perguntou, antes de lançar um olhar divertido para Rosalie, que estava quase pulando na cadeira querendo fazer algum tipo de piada.

- Não sei! Ele chamava Emmett e pareceu achar toda a situação engraçada demais pro meu gosto... Ficou rindo da minha cara, piscou pra mim...

- Mas ele era bonito?

- Alice! – repreendi.

- Ah, por favor... Como se você não tivesse reparado nisso...

- Na verdade, pensando friamente... Ele realmente era muito bonito!

- Era o namorado dele... – Rose disse num tom desinteressado, olhando em volta, fazendo Alice rir.

- Então... – fingi que não a ouvi – Eu me apavorei e fugi pra casa!

- E esqueceu a bolsa lá... – Ali balançou a cabeça, inconformada – Como alguém esquece a bolsa inteira, Bella? Como você voltou pra casa?

- A pé! – dei de ombros.

- Sua maluca! Poderia ter sido assaltada, sabia?

- E iam levar o que, Rose? Meu prendedor de cabelo? Por que a bolsa mesmo estava bem segura no apartamento do Edward!

Suspirei. Como eu consegui fazer uma noite tão romântica terminar numa manhã tão ridícula?

- E agora? – Alice perguntou – O que vai fazer?

- Cavar um buraco, entrar nele e morrer? – sugeri.

- Não é má idéia... – Rose reclinou na cadeira, se espreguiçando, com os braços esticados para cima da cabeça e fazendo um homem, que não parou de olhar, bater a cara na quina da porta vai-e-vem do banheiro.

- Não vai mais falar com o pintor?

- Não sei... – suspirei mais uma vez – Estava indo tudo perfeitamente bem! Bebida, sexo sem culpa, seguido de mentiras sobre ligações futuras, e café com as amigas! Por que esse tal de Emmett tinha que chegar?

- O que eu ainda não entendi, foi porque você fugiu! Quero dizer... O que esse cara fez demais? – Rosalie voltou a apoiar os braços na mesa, se inclinando na minha direção.

- Não foi o que ele fez... Foi como ele fez, acho. – e talvez, só talvez, porque às vezes eu fico uma bêbada meio paranóica, mas não vou dizer isso.

- Você considerou a possibilidade de que era isso que o pintor havia planejado? Uma noite com vocês três? – Alice lançou essa nova possibilidade que me deixou um pouco incomodada.

Porque honestamente Emmett não era um cara de se jogar fora. Ele era bem alto, se bem me lembro, talvez da mesma altura de Edward... Talvez mais alto. Mas não mais que Jasper. Ele tinha o cabelo cheio que caia em alguns cachos grandes perto dos olhos, e era bem escuro, parecia preto, mas estava escuro e eu tava meio bêbada, então nunca se sabe! Seus ombros eram largos, e mesmo com a jaqueta jeans preta surrada e a camiseta do Aerosmith, dava pra ver que ele com certeza malhava... Os olhos eram verdes iguais aos de Edward, e o sorriso também era torto, só que ele tinha covinhas nas bochechas quando sorria.

É. Se ele não fosse tão irritante seria mesmo muito gato! Quase tanto quanto Edward... Hmm... O que será que ele tinha tatuado no quadril? E na bunda? Porque já que estamos falando de Emmett e tatuagens de Edward, tenho que lembrar que talvez meu grego tenha algo tatuado naquela bunda perfeita...

- Bella! – Alice chamou e Rose bateu as palmas uma vez na frente do meu rosto pra me fazer acordar.

- O que? – olhei meio assustada pras duas.

- No que é que você estava pensando? – Ali perguntou, me olhando um tanto desconfiada.

- Em tatuagens... – não era mentira.

- Falando em tatuagens... – ela continuou, mas terminou a frase com um suspiro, olhando para as paredes envidraçadas do café.

Virei o corpo procurando o que ela estava olhando e Rosalie, sempre muito discreta e moderada, praticamente deitou de barriga pra baixo em cima da mesa, acompanhando meu olhar.

Uau. Quero dizer... Uau.

Eu nem tinha pensado em onde Jasper poderia estar enquanto conversava com as duas e talvez a minha distração que tivesse deixado aquela cena ainda mais... Uau.

Jasper reclamava constantemente que fazia muito calor por aqui, o que sempre me fez desconfiar que ele era das profundezas obscuras da Sibéria, não da Alemanha como ele alegava, e normalmente seus choramingos só me irritavam, mas hoje foi diferente.

Se ele simplesmente tirasse a camisa como estava fazendo agora, em vez de ficar emburrado como uma menina mimada, eu com certeza seria muito mais compreensiva!

Jazz estava parado na frente da janela, olhando para cima, a mão direita sobre os olhos, tentando enxergar alguma coisa, seu cabelo, normalmente cor de mel, estava dourado sob a luz do sol, e sua pele estava meio brilhante por causa do suor.

Eu e Alice sempre odiamos essa moda estranha dos homens usarem as calças tão baixas que deixavam suas cuecas a mostra, mas a de Jasper estava caída até aquele ponto em que ainda era atraente, e dava pra ver o elástico de sua cueca, que pelo meu conhecimento era uma boxer. Seu ombro esquerdo tinha uma tatuagem tribal, daquelas que não tem qualquer sentido, muito menos significado, mas... Uau.

- E ele, Rose? É gay? – perguntei em tom de deboche, sem conseguir desviar o olhar.

- Eu espero que não... – ela balbuciou, arrancando risos de mim e de Alice – Pena que é tão irritante!

- Ele? Irritante? Porque você é um raio de sol na minha vida, certo? – Ali comentou, cutucando Rose com o cotovelo.

As duas começaram a debater sobre quem era mais chato, Jazz ou Rosalie, e eu resolvi me abster de opinião, já que achava os dois igualmente pentelhos.

Como é que eu ia fazer pra recuperar minha bolsa? Porque eu não estava animada pra voltar naquele apartamento, especialmente depois do jeito que eu sai foragida de lá.

Emmett idiota.

Ouvi Alice dizer qualquer coisa sobre ligar para o meu celular mais uma vez e concordei com a cabeça, sem dar muita atenção, ainda meio irritada com tudo o que aconteceu e aproveitando pra analisar as costas de Jasper que estava tirando uma foto. Parecia que era de um casal de velhinhos, mas acho que não. O Coração Gelado não tiraria uma foto tão doce.

- Bella, vamos! – Alice chamou, já puxando minha cadeira.

- Aonde? – fiquei mudando o olhar de Ali para Rose, que estavam me cercando, completamente confusa.

- Compras!

- Por que?

- Aparentemente você está mal vestida... – Rose comentou.

- E daí? Eu volto pra casa e me troco-

- NÃO! – as duas gritaram ao mesmo tempo, fazendo todo mundo se voltar na nossa direção. De novo.

- Qual é o problema de vocês? – levantei assustada, meus olhos arregalados, encarando as duas.

- É que... – Alice gaguejou.

- A gente quer muito...

Algo muito estranho estava acontecendo.

- O que foi? – cruzei os braços, determinada a não mover nem um dedo até que elas parassem a palhaçada.

Alice teclou alguma coisa rapidamente em seu blackberry.

- O que você está fazendo? – tentei espiar, mas ela já havia enviado – O que está acontecendo? Vocês estão estranhas!

- Bella... – uma voz masculina murmurou muito próxima ao meu rosto, o hálito quente, cheirando a drops de cereja, espalhando pela minha orelha e pescoço.

Encolhi os ombros, sentindo o corpo inteiro arrepiar. Virei devagar, quase com medo de ver quem estaria atrás de mim.

Jasper. Sorrindo. Sem camisa. Uau... Droga.

E eu não sei se era porque ele estava sem camisa, mas eu tive a impressão de que ele estava perto demais! Parecia que, apenas com um movimento, ele poderia me beijar. E apesar de não ser má idéia, eu não faço idéia de como Alice reagiria, então só me deixou ainda mais nervosa.

Engoli a seco

- T-tudo bem? – o sorriso dele aumentou. Ele sabe que me deixa incomodada...

- Vamos? – estendeu a mão para mim, não aceitei.

- Aonde? – ele suspirou.

- Mein kleine Bella... Você é muito teimosa, sabia? – ele me segurou o pulso e saiu andando, conseqüentemente me arrastando vergonhosamente.

- Me larga! – soltei, esganiçada, sem conseguir parar por causa dos sapatos idiotas.

Ele riu.

- Não!

- Mas que droga! Qual é o problema de vocês?

- Você! Você é o meu problema, Isabella! – Alice deu um chilique que quase me fez cair – Você está um lixo com essa roupa e eu quero te vestir igual uma pessoa normal! Não é por que o grego é gay que você tem que parecer uma... uma...

- Americana... – Jasper completou.

- É! – Ali bufou.

Eu só continuei andando porque Jazz ainda me puxava.

- Ele não é gay – foi a única coisa que consegui pensar.

- Já chega! – Jasper exclamou e me jogou por cima do ombro enquanto eu gritava.

- Você está completamente louco?

Um garoto do outro lado do café começou a aplaudir e dar gritos de incentivo. Meu Deus, que vergonha!

Escondi o rosto nas mãos enquanto o alemão idiota me carregava pra fora.

- Bella... – ele suspirou, e eu ouvi o barulho de um isqueiro abrindo.

- Você está acendendo um cigarro? – gritei, desafinada.

- Estou – ele disse como se não fosse nada demais.

- Guarda essa droga e me segura direito, pelo menos! – me agarrei no cós da calça dele enquanto o chato gargalhava.

- Eu não vou te derrubar!

- Claro que não... – resmunguei, me segurando com ainda mais força.

- Pra onde? – ele perguntou pra Alice, que deve ter apontado em resposta, por que ele simplesmente virou e continuou andando.

- Me põe no chão, Jazz... – choraminguei.

- Acho que não...

- Por que?

- Eu estou gostando da vista!

- Pára de olhar minha bunda! – tentei abaixar mais a saia, sem qualquer sucesso.

Quando ele disse que não ia me soltar, ele não estava brincando!

Fui pendurada em seu ombro até uma loja... Que vergonha... E o pior é que eu acho que Rosalie ainda tirou algumas fotos da cena ridícula, com a minha sorte vai estar na mesma exposição da foto em que ela está me beijando. Vou ficar famosa! Que. Bom.

Essa, com certeza, foi uma das tardes mais longas da minha vida. Alice e Rosalie estavam decididas a me fazer trocar a blusa e me fizeram experimentar mais de 50 blusas, camisetas, camisas e batas.

Sinceramente, gente... Minha blusa não era tão feia assim. Eu juro. Acabei vestindo uma espécie de bata azul, que ficava larga do mesmo jeito, era da mesma cor e ainda era de mangas compridas! Só mudava que as mangas eram quase transparentes, não tinha botões e que me deixava mais peituda segundo Jasper. Rosalie concordou.

Eu já estava exausta e torcendo muito pra elas não resolverem que minha saia era feia, ou que eu precisava de lingerie nova. Eu precisava, mas realmente não queria ter que desfilar cada calcinha.

- Posso ir embora agora? – gemi, com lágrimas de crocodilo.

Alice olhou o relógio.

- Acho que sim...

- Por que olhou a hora?

- O que? – ela me olhou confusa.

- Eu perguntei se podia ir embora e você olhou a hora antes de me responder.

- Eu só queria saber a hora! – ela deu de ombros.

Cruzei os braços. Tem alguma coisa muito errada aqui, eu só não consigo saber o que é.

- Certo... – girei os olhos, tentando deixar bem claro que não acreditava nem um pouco naquilo – Alguém atendeu meu celular?

- Não – Rose disse muito rápido.

- Não! Chega! Qual é o problema de vocês?

Rosalie e Alice se entreolharam, enquanto Jasper nos encarava divertido. Se ele sabia o que estava acontecendo não só não ligava como estava torcendo pro circo pegar fogo.

Por fim Alice suspirou.

- Desculpa, Bella... A gente sabe como a noite passada te deixou triste e só queríamos tentar te animar!

- Me arrastando pra maratona de compras no inferno?

- Vai dizer que não te distraiu? – ela sorriu, cruzando os braços.

A chatinha e implicante tinha razão. E isso era ainda mais irritante!

Desde que Jasper me jogou no ombro, nem uma vez eu pensei no que aconteceu noite passada. E mesmo sofrendo nas mãos das duas malucas eu não posso dizer que não dei risada...

Droga.

- Mas vocês precisavam ser tão más?

- Claro! – Rose exclamou.

- Sabe... Nesse momento, eu não gosto de vocês.

Jasper sorriu, passando o braço em volta dos meus ombros.

- Vem, mein kleine... Eu te pago um sorvete! – todo mundo começou a rir, menos ele, como sempre.

- Idiota... – o empurrei de leve com o quadril e puxei Alice pelo braço.

Ele realmente pagou sorvete pra todas nós. Quando eu já não agüentava mais perambular com meus sapatos de salto, decidi voltar pra casa, e convenci Ali a me pagar um táxi.

O sol estava se pondo quando desci na frente do meu prédio, subi as escadas devagar, meus pés implorando por uma folga, mas eu sabia o que acontecia naquelas escadas e não seria nada saudável andar descalça por ali.

Abri meu apartamento enquanto voltava a pensar o que faria pra pegar minha bolsa de volta, se seria muito estranho, se Edward já me odiava... Mas... Minha bolsa estava bem ali. Em cima da minha mesinha de centro.

Fiquei plantada no lugar, querendo entender como diabos isso aconteceu. Quando convenci minhas pernas a andar, peguei a bolsa e apertei algumas vezes, numa tentativa meio boba de ter certeza que era real. Eu tenho certeza que ela não estava ali quando eu saí. Eu olhei ali!

Eu olhei até na geladeira, pelo amor de Deus!

Será que todos os neurônios que matei fazendo, comendo e bebendo todas as coisas que não deveria finalmente me alcançaram e agora eu estava ficando maluca?

Coloquei a bolsa de volta na mesa e fui andando vagarosamente pro quarto, ainda lançando olhares por cima do ombro, querendo conferir se não tinha sumido, mas por que parar com bolsas que surgem na sala quando o que está no quarto é ainda... melhor?

Pisquei algumas vezes, tentando ter certeza de que não estava alucinando, mas mesmo depois de esfregar os olhos eu ainda estava vendo um anjo dormindo na minha cama.

Anjo não, um deus. Grego.

Edward estava deitado na beirada da minha cama, as pernas para fora do colchão, o rosto virado na direção da janela, banhado pelo sol poente, que deixava seu cabelo cor de fogo. Seu rosto estava completamente relaxado, seus lábios entreabertos, o braço direito largado ao lado do corpo, mas a mão esquerda repousava sobre seu peito forte, que subia e descia com sua respiração tranqüila, e segurava uma rosa branca.

Deslizei a unha do indicador lentamente sobre o meu colo que ainda estava se acostumando com o tecido leve e esvoaçante da blusa nova enquanto tentava decidir se achava aquela cena linda e perturbadora, porque o cara invadiu meu apartamento, ou só linda...

De qualquer forma, todos os contos de fada sobre princesas adormecidas e que esperava ser resgatadas com um beijo tomaram toda uma nova perspectiva ao meu ver. E sinceramente se em vez de princesas, fossem príncipes perfeitos com cabelos desalinhados e lábios de morango e Mediterrâneo eu teria me interessado muito mais.


N/A.: Vida de Bella não é fácil...

Engraçado que quando eu tava escrevendo essa fic, achava que era a coisa mais descolada e divertida evar, agora... Deixarei vocês serem os juízes disso!

Até a próxima, e como sempre, reviews são muito apreciadas