Desembarcamos tropeçando um bocado e rindo sem parar e eu sentia o cheiro de Londres no ar, era completamente diferente de minha amada Paris, era bem cinza se quer saber, mas Emmett parecia tão feliz que resolvi ignorar que os pratos típicos daqui envolvem intestinos recheados e outras coisas nojentas e me divertir.

"Precisamos tirar uma foto no Big Ben, ou com algum dos guardas com capacete de Marge Simpson!" exclamei enquanto atravessávamos uma ria movimentada de braços dados.

"Por que?"

"É pra uma aposta" dei de ombros e ele abriu um sorriso malicioso demais.

"Claro, claro... Mas... Simpsons? Achei que tudo estrangeiro era mau e-"

Levei o indicador aos lábios.

"Shiu! Prazeres proibidos." dei de ombros e ele gargalhou.

Compramos uma câmera descartável e pedimos para uma garota tirar uma foto nossa com um dos guardas do Palácio, agradeci a fotógrafa e me voltei para encontrar Emmett se esforçando bastante pra fazer o guarda rir.

"Ei, guarda!" chamei fazendo Emmett se voltar para me encarar "Eu te pago 2.000 euros se você der um soco na cara dele."

Emm arregalou os olhos na minha direção e começou a rir histericamente, mas acho que foi só pra disfarçar que estava tentando se afastar do guarda o mais rápido possível.

Feliz com as minhas fotos, continuamos andando pela cidade atraindo a atenção de muita gente, muito provavelmente por minha aparência gritar "sou francesa e tenho nojo de vocês" e por Emmett simplesmente falar tão alto quando minha aparência.

"Por que você não foi na reunião?" perguntei logo depois de ele me contar que acabamos de passar por onde ele alegava ser o local (ou um dos) onde Sid Vicious vomitou e eu simplesmente precisava mudar o assunto.

"Que reunião?"

"De família. Aquela que Edward foi, na Espanha, parece."

"Ah..." ele deu de ombros, mas parecia desconfortável "Ele foi convidado."

"Como assim ele foi convidado? Vocês não são irmãos?"

Silêncio. Espera só um pouco...

"Oh mon Dieu!" gritei, estancando no meio da rua "Você não é irmão dele, é? Je savais que quelque chose n'allait pas, je le savais!"

"O que?!" ele me olhava como se eu estivesse falando... grego. Hahá.

Cruzei os braços em frente ao peito, com mais raiva do que poderia imaginar, o que provavelmente era um dos vários resultados daquela coisa de anis que ficamos bebendo no avião, e saí andando.

"Onde você vai?!" ele gritou e começou a andar atrás de mim.

"Embora!"

"Embora pra onde?"

"Pra... Lá!" apontei em qualquer direção, sem parar de me afastar.

"Baby Swan, agkelos! Don't be like that!"

"Não me chama disso!"

"Do que?" ele parecia cada vez mais confuso, quase tive pena.

"Ag... Agke... Só não fala grego comigo!"

Antes que minha perna pudesse completar o próximo passo, os braços dele envolveram minha cintura e me tiraram do chão.

"Vous fils de pute! Laissez-moi tranquille! Le viol! Il essaie de me violer!"

"Eu não tenho idéia do que você disse, mas saquei que chamou minha mãe de puta!" ele comentou como se me carregar pelas ruas de Londres não fosse nada atípico.

Bom... Estamos falando de Emmett, realmente não deve ser.

"Me larga!" gritei e ele me colocou sentada em um banco.

"Calma! Eu sou irmão de Edward!"

"Não é nada, seu mentiroso, misérable, connard-"

Emmett tapou minha boca com a mão enorme e eu estreitei os olhos.

"Eu sou irmão de Edward!" ele repetiu tentando não rir, mas sem vontade nenhuma "Mas sou só meio irmão, Baby Swan. E a reunião é da metade da família que não me quer por perto!"

É. Isso calou a minha boca.

"Hmmm..." soltei, minha voz abafada por sua mão que ainda tapava minha boca.

"Posso soltar? Não vai sair correndo gritando "Sacrebleu", vai?"

Mostrei o dedo no meio, porque não haveria barreira de linguagem que o impedisse de entender o que eu quis dizer com aquilo.

Depois de se certificar que eu não sairia correndo gritando 'estupro', Emmett tirou a mão de cima da minha boca e se pôs a explicar a complicada dinâmica de sua família. Ele, obviamente, era a ovelha negra. O filho que seu pai teve fora do casamento, mas que foi acolhido de braços abertos pela mãe de Edward, depois que ela soube da traição e se divorciou do pai dos garotos.

Por que ela fez isso? A mãe de Emmett morreu durante o parto, mas seu pai, jovem demais, burro demais, não tinha qualquer intenção de reconhecê-lo como filho, e a mãe de Edward o odiou ainda mais por isso.

Adotou Emmett e o criou como se fosse seu, e Edward o adotou como irmão. Isso significava constantes brigas e competições sem sentido, que estranhamente me lembravam muito das brigas e competições que eu tenho com Alice, Jasper e Rosalie... Não entendi o porquê.

Quanto mais eles cresciam, mais ficavam parecidos e mesmo com algumas diferenças, como os cabelos escuros e cacheados de Emmett e os cabelos lisos e quase ruivos de Edward, era impossível negar que os dois eram irmãos, mas grande parte da família se recusava em aceita-lo e Edward os odiava por isso, sempre se esquivava de todas as festas e reuniões e negava que possuía família, somente se lembrava de sua mãe.

"Mas dessa vez ele foi!" lembrei enquanto tomava um gole do chocolate quente que Emmett comprou, alegando que me acalmaria.

"Dessa vez ele precisava resolver assuntos de suma importância para o desenvolvimento financeiro da família" ele disse num tom robótico, com os olhos fora de foco, como se aquilo fosse repetido constantemente.

"Assim você faz a família parece uma máfia!" ele arqueou as sobrancelhas e eu quase engasguei "Sua família é uma máfia?!"

Emmett abriu seu melhor sorriso munido de covinhas, se aproximou lentamente, me fazendo arregalar os olhos e me afastar instintivamente, mas ele foi mais rápido e com a boca bem próxima da minha orelha, sussurrou.

"Se eu dissesse, teria que te matar."

"Ah claro, Tony Gordo..." girei os olhos e esfreguei o pescoço, onde o hálito dele havia roçado.

"Confia em mim?"

"Ainda não está claro que não?"

Ele soltou um suspiro tão sofrido que me deu vontade de pegá-lo no colo... Ou sentar no colo dele, qualquer uma das opções vale.

"O que eu preciso fazer pra isso mudar?"

O jeito que ele disse isso, a intensidade, a proximidade dos nossos rostos... Epa.

Limpei a garganta, inclinando um pouco o tronco pra trás e pra longe dele.

"Me mostre algo real."

Os lábios dele se partiram e ele puxou o ar, como se fosse dizer alguma coisa, os olhos cravados nos meus.

Então suspirou e baixou a cabeça, rindo baixinho, fazendo seus ombros balançarem.

"Uma garota como você pode acabar com o coração de qualquer um..."

"Cara!" exclamei dando um murro no ombro dele "Você não vai levantar minha saia, desiste!"

Emmett sorriu, mas tinha algo de errado.

Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ele tirou a xícara das minhas mãos e a colocou sobre a mesa.

"Então vamos."

E mais uma vez eu me vi sendo arrastada pelas ruas de Londres.

"Aonde estamos indo?!" perguntei quando comecei a perder o fôlego.

Eu sou de Paris, droga! Parisienses não correm!

"É surpresa!"

"Eu... odeio... surpresas!"

"Já está cansada, Baby Swan?"

"Eu... te... odeio... também!"

E fácil assim eu estava montada nas costas dele.

"EMMETT!"

"O que?" ele riu.

"Minha saia é curta!"

"É, eu vi! Suas pernas são lindas."

"Não, gorila!" num momento de insanidade, soltei uma de minhas mãos e bati na cabeça dele. Mas voltei a me agarrar em sua camisa em seguida "Vai todo mundo ver minha calcinha!"

"É linda também, relaxa."

Antes que eu tentasse algum tipo de atentado contra ele, paramos. Emmett me colocou em pé no chão em frente a uma casa antiga, a fachada era repleta de detalhes esculpidos, a porta era grande e escura, com uma maçaneta dourada.

"Tudo bem..." respirei fundo, ajeitando minha saia e afastando o cabelo do rosto de um jeito relativamente digno "Onde estamos?"

"Você queria algo real." ele deu de ombros e eu estreitei os olhos.

"Então você me trouxe a uma casa? Genial."

Sorriso torto, munido de covinhas. Argh.

"É a minha casa, Baby Swan."

Cruzei os braços e esperei, porque só isso simplesmente não seria o bastante.

Emmett girou os olhos de um jeito exagerado.

"Era a casa da minha mãe, eu não venho aqui há anos!" ele se adiantou, mexendo em um molho de chaves "Acho que não tem nada mais real que eu possa te mostrar que não esteja aqui."

Ainda desconfiada, entrei lentamente porta adentro. Com as mãos nos meus ombros, ele me fez andar mais rápido.

"Nunca vai confiar em mim?"

"Provavelmente não." o encarei por cima do ombro e sorri.

Ele riu baixinho e balançou a cabeça, parecendo inconformado.

Aproveitei a chance para começar a olhar em volta. Era tudo antigo, com uma aparência de intocado há anos, meio sombrio até. Caminhei devagar, meus saltos fazendo barulho nas tábuas, que também rangiam, e fui parar diante da lareira. A primeira foto que enxerguei era de Emmett quando criança, eu nem precisava perguntar, o cabelo cacheado caindo na testa e as covinhas entregariam em qualquer lugar.

E eu nunca vi um garoto com tantos curativos!

Perguntei se ele foi mumificado quando criança e achei uma graça porque a cara dele ficou todinha vermelha.

Passei tarde inteira deitada de barriga pra baixo na cama de colcha repleta de astronautas, luas, satélites, estrelas e planetas, rodeada de bichos de pelúcia, carrinhos de brinquedo e posters do Speed Racer, abraçada com um ursinho marrom totalmente puído e obviamente muito amado, ouvindo as mais malucas histórias da infância de Emmett, que aparentemente nunca teve todos os parafusos no lugar.

Depois de tudo que vi, ouvi, senti... Ir embora de Londres acabou sendo mais triste do que eu esperaria que fosse.

E se eu dissesse a verdade, o que eu nunca faria com esse King Kong drogado, sentia que conhecia Emmett há muito tempo, e quando ficamos em silêncio no vôo de volta, foi confortável. Não precisávamos mais de palavras.

Só trocávamos um olhar ocasionalmente e parecia o bastante.

Quando minhas pálpebras começaram a ficar pesadas demais para mantê-las abertas, eu não lutei, deixei que o sono me tomasse, embalada pela voz gostosa e distante que cantava:

Cursed by love so dire,

One more boy for hire

One more boy to lend a hand to you

Is this just desire or the truth?

Acordei durante o pouso e encontrei Emmett dormindo. Ele fazia beicinho.

Descemos nos espreguiçando e bocejando sem parar, reclamei que ele tinha a obrigação de me pagar o maior café do mundo, e ele devia estar realmente cansado já que simplesmente concordou, esfregando os olhos com as costas da mão.

Começava a esfriar com o entardecer e Emmett me emprestou uma jaqueta de couro que estava no banco de trás de seu ônibus espacial. Não importa o que ele diga, aquilo não é um carro. A jaqueta ficou enorme em mim, quase do mesmo comprimento do vestido.

"Isso não é culpa da jaqueta," Emm alegou "seu vestido que é curto demais!"

Bati nele com meu Louboutin e me arrependi imediatamente, eu poderia ter quebrado o salto ou estragado o bordado! Mas ele estava bem. O sapato, claro. Meus pés por outro lado estavam um caco e me dediquei a massagea-los o caminho todo até o café, mesmo com o Emmet choramingando na minha orelha por eu não estar preocupada com a perna dele.

Aparentemente usei mais força do que eu esperava quando o acertei com o sapato.

Bem feito.


N/A.: Capítulo curtinho porque percebi que não tenho o final da fic! Aeee! Mas vou terminar. Juro. E logo. Não o meu logo, o de vocês, tá?

Valeu todo mundo que ainda acompanha!

AH! Só mais uma coisa, meninas, não esqueçam de colocar o nome de vocês nas reviews, se não, não poderei nem fazer menções honrosas caso seja necessário, ok?